Não consigo parar de trair meu marido…

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Posted on 10th maio 2010 by Roberto in Cartas

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Placas do Brasil
Creative Commons License photo credit: jmarconi

Querido Pastor Caio, graça e paz!!

Meu querido pastor, já enviei um e-mail para o senhor, mas não tive nenhuma resposta. Por isto resolvi lhe escrever de novo.

Minha historia é muito longa, mas vou tentar resumir o quanto puder, pois sei que o senhor tem muitas ocupações. Mas gostaria muito que o senhor me desse alguns conselhos, pois me encontro nesse momento passando por uma luta interior muito grande.

Sou casada e tenho dois filhos maravilhosos, e um marido também. Sou evangélica e tenho 38 anos.

Minha vida tem sido recheada de adultério. Eu já trai meu marido muitas vezes. Primeiro tive uma pessoa que eu achava que era o homem da minha vida. Mas puro engano. Depois desse rapaz, com quem eu tive um caso que durou 4 anos, eu me envolvi com mais três homens.

Mas esse homem com quem estou tendo um caso foi o que mais me trouxe estragos emocionais. Mas mesmo assim não estou tendo força para deixá-lo. Sabe, pastor, com esse já faz 6 anos que eu estou envolvida, e durante esses anos, eu já sofri muito por causa dele.

Quando começamos tudo era muito bom entre nós. Só que começaram a acontecer muitas coisas entre nós. Ele é uma pessoa que muda de humor muito rápido. Quando eu passei a conhecê-lo melhor, fui descobrindo que ele não era essa pessoa que eu achava tão maravilhosa que antes eu tinha conhecido. Eu saí muitas vezes com ele para motéis, e numa dessas vezes ele me acusou, dizendo que eu tinha colocado o papel do pagamento do motel dentro do carro dele só pra a mulher dele pegar. Mas pastor, eu lhe juro que jamais, em momento algum, eu pensei em fazer uma coisa dessas. Pro senhor ver até que ponto esse homem tentou me prejudicar.

Mas o pior disso tudo é que depois de algum tempo ele me procura e começamos a nos encontrar de novo. Eu tentei fugir, mas só que eu já estava muito envolvida com ele. Eu sou daquelas pessoas que sempre acha que a outra pessoa merece uma segunda chance, só que ele me magoou muitas vezes. Ele é o tipo de homem que se envolve com muitas mulheres e não sabe o que quer da vida. Tem um casamento que é a vida dele, mas trai a esposa, que fica achando que ele a ama mesmo traindo. Isto porque ele é do tipo de homem que não vive sem “dar em cima de mulher”, o conhecido GARANHÃO.

Não sei por que, depois de tanta coisa que ele já me fez, eu não consigo me desligar dele. Será que o amo? Não sei, pois às vezes tenho muito pavor só de pensar que vou sair com ele de novo, mas quando me vejo, já estou nos braços dele de novo. Posso dizer pro senhor que eu me sinto como se estivesse presa.

Tenho orado muito, pois muitas vezes eu tenho até vontade de morrer. Já não sei mais o que fazer. Gostaria muito que o senhor me respondesse, pois tenho entrado no seu site e tenho sido muito edificada. Por favor, pastor, me responda, pois preciso muito dos seus conselhos. Me diga como devo agir, pois estou muito perdida.

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Resposta:

Minha querida amiga e irmã: Graça e Paz!

Você inicia falando de filhos e marido maravilhosos. Porém, apesar disso, você diz que “não se segura”; e, durante o casamento, já teve longos casos sexuais.

Entretanto, o que mais me chamou a atenção é que você abandona a sua narrativa da família maravilhosa, e passa a falar dos casos sexuais, especialmente deste último, com o “seu galinha”… Mas nunca fala de sonho, ou de culpa, ou de dor existencial, ou de amor, ou de ter uma vida boa e fiel a seu marido, ou de qualquer desejo mais profundo para a sua alma.

A própria narrativa acerca do homem, de como e quem ele é, de sua repulsa por ele, mas de seu vício em se dar a ele já suscita em qualquer mulher a seguinte pergunta: “Minha filha, o que você ainda está fazendo aí?” Ora, isto tudo segue acrescido do fato de que você ainda suporta as grosserias e indiferenças dele, posto que você mesma sabe que para ele você é apenas mais uma transa gostosa, e na hora que ele quer.

Todavia, como você suporta ser parte desse harém pertencente a esse Sheik Galinha, passa pela sua cabeça que tal sujeição pode ser amor. Amor? Que amor? Amor por quem? Por ele? Não, minha querida, é justamente a falta de amor que faz isto, especialmente a falta de amor-próprio. É a total falta de valor próprio, movida pela falta de amor conjugal e libido em seu casamento, aquilo que põe você nas mãos desse “Matador”. Somente uma mulher sem nenhum amor próprio se submete a isto, até mesmo sendo mal casada.

Você falou em já ter tido vontade de morrer, mas nunca associou a sua não-morte a uma esperança de cura na vida conjugal com seu marido. Às vezes dá até a impressão de que se o cara não fosse tão ruim e perverso, você estaria contente; digo, no caso de ele ser um amante fiel, amigo, meigo, cuidadoso, afetivamente ligado a você, etc… Ou seja: em momento algum sua dor é pela traição a seu marido, mas apenas vincula-se ao fato de que você se entrega a um amante perverso e fica com pena de você mesma.

Na realidade, possivelmente você não ame ninguém e nem jamais tenha amado. E por quê? Porque quem não se ama não tem poder para amar ninguém, posto que para amar o próximo, eu preciso amar a mim mesmo antes. Nosso potencial para amar o outro é sempre proporcional ao amor próprio e ao respeito próprio que a gente possui. Gente que não se ama jamais saberá amar, nem tampouco saberá o que é amor por outros!

Se você se amasse, você não estaria casada sem amor. Isto porque se você amasse seu marido de verdade, não estaria tendo todos esses casos sexuais. Depois, caso você se amasse, certamente jamais se entregaria a um homem como esse. Além disso, se você se amasse, não amando o seu marido como macho e homem, você iria preferir terminar o casamento a traí-lo. Sim, porque você iria desejar muito mais amor do que sexo. Você desejaria antes de tudo amar e ser amada.

Assim, pra gente não perder tempo, me fale de você, de como foi sua vida, sua iniciação sexual, e, sobretudo, como é a sua vida com seu marido; e, também, como é que ele não desconfia de nada, e há tanto tempo… Só assim poderei entender você um pouco melhor, e, desse modo, tentar ajudar nas soluções, não apenas nos paliativos.

E por falar em paliativo, pare logo de sair com esse cara. Você não merece isso. Não atenda mais aos telefonemas dele (aliás, mude de número). E não faça concessões. E isso não tem nada a ver com coisa alguma que não seja respeito próprio. Você precisa começar a exercitar seu amor próprio. Chega de ser eguazinha desse garanhão viciado que já virou um pangaré.

No mais, saiba que manter esse estado de alma será destruidor para você. Essa sua vontade de morrer é fruto dessa falta de significado para a sua vida. Isso porque sem amor a vida não tem significado. Só o amor justifica a vida para a própria alma.

Quanto a ser “evangélica”, esqueça isso. Você precisa mesmo é de um encontro profundo com Deus, mediante a internalização do Evangelho. Portanto, leia os evangelhos, de cabo a rabo. E desenvolva uma vida de devoção e oração. Mas não fique fazendo “orações pelo cara”, pois, desse modo, a oração vai virar tentação. Ore apenas a Deus por Deus, e por você mesma.

Faça isso todos os dias. Mude seus pensamentos. Ocupe-se. E quando a mente a tomar de assalto lembrando de “tesões com o garanhão”, não lute contra, mas apenas mude o olhar, pense nas coisas que dão significado à vida e discirna que esse homem não é um homem, mas só um pedaço de carne. E lembre-se que nas mãos dele você é apenas, na melhor das hipóteses, uma “Picanha”.

Receba meu abraço e minhas orações!

NEle, que nos ama, e quer que nos amemos a fim de podermos amar,

Caio

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Pastor Caio, graça e paz para o senhor!

Li sua resposta e gostaria muito de lhe agradecer por tudo.

O senhor pediu para que eu lhe falasse mais sobre meu casamento e minha vida sexual.

Eu me casei com 19 anos. Ele foi o meu primeiro namorado. Tivemos um namoro legal. Me casei virgem. Nossa relação sexual sempre foi muito boa. Mas, passando algum tempo, eu fui me desencantando com ele… Já não conseguia mais sentir muito tesão por ele. Eu sei que isso não é tudo, mas foi uma das causas (eu acho) que me fez traí-lo.

Eu sei que sou uma pessoa covarde, porque até hoje eu não tive coragem de deixá-lo. Mas tudo tem sido muito difícil pra mim. O senhor não sabe como eu tenho me sentido suja e imunda com tudo isso. Eu sei que meu marido não merece, e muitas vezes eu me arrependi muito de ter feito isso, pois eu sei que eu fiz mal a mim mesma. Todas as vezes que eu o traio, eu me sinto muito mal.

Não pense o senhor que eu não quero sair desta situação e que eu gosto de viver desse jeito. Só que muitas vezes eu tento, mas só que não tenho tido forças. Eu já chorei muito, já entrei em depressão por causa desta situação. Sabe o que é você entrar em uma situação e não ver uma saída? Eu confesso que já não sei mais o que fazer, pois me sinto com se estivesse presa (e estou).

Me ajude, em nome de Jesus, pois estou muito desesperada e quero ser uma pessoa livre; quero e preciso muito ter comunhão com Jesus Cristo, pois eu sei que não existe nada melhor do que ter uma vida na presença de Deus. Só que esse pecado sempre me afasta da Sua presença.

Sabe, pastor Caio, eu tenho lutado muito contra isso, só que esse homem é do tipo que nunca deixa a pessoa em paz. Ele muitas vezes passa um tempo sem me procurar, mas depois aparece e me convidar para sair… e eu, como não sei dizer não, caio nos braços dele de novo.

Eu sempre falo que a mulher que se envolve com ele sempre sai muito machucada, porque ele é do tipo que só pensa nele. Agora não me pergunte por que eu fico. Eu sei disso tudo e mesmo assim não o deixo… O porquê nem eu mesma sei…

O senhor também me pediu pra falar de como esse tempo todo eu venho traindo meu marido e ele nunca desconfiou de nada. Eu acho que ele até já desconfiou, porque muitas vezes já tentei falar em separação com ele. Mas só que ele é do tipo que prefere não saber da verdade. Eu já dei muitos sinais de que não o amo mais. Mas ele prefere ficar calado a falar sobre qualquer coisa que esteja relacionada à nossa situação.

Pastor, minha situação é muito complicada, porque eu tenho muito medo de que um dia toda essa situação venha à tona. O que vai ser de minha vida? Estou muito angustiada, pois não sei como resolver tudo isso… Ou até sei, mas só que não estou com força pra resolver.

Me ajude, por favor. Desde já agradeço o seu carinho e cuidado em me ajudar. Pois o senhor não sabe como a resposta que o senhor me mandou tem me feito parar e pensar seriamente na minha situação. O senhor tem sido uma bênção na minha vida e na vida de muitas pessoas. Pode ter certeza disso. Eu o admiro muito.

Peço, em nome de Jesus, que o senhor ore por mim; para que Jesus possa realizar um milagre na minha vida. Pois o meu maior desejo é servi-lO de todo meu coração e com toda a minha alma. Minha alma tem muita sede de Deus.

Um forte abraço, e que Deus lhe abençoe por tudo. Aguardo sua resposta, se possível.

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Resposta:

Minha querida amiga: Graça e Paz!

Antes de ser o seu marido quem não merece isto, eu lhe digo: você é quem não merece isto.

E pior: é você quem está cometendo este atentado contra você mesma.

“Passividade” é seu escudo para não mudar! Todos arranjamos álibis a fim de não nos encararmos e não assumirmos responsabilidades. O seu álibi é a sua passividade. O amante diz “vem”, e você vai… O marido não diz nada, ou evita a conversa, e você deixa tudo como está.

Em ambos os casos você descreveu os dois homens (o amante e o marido) como sendo “do tipo de homem” que é do jeito que é… E você se conforma com ambas as situações.

E você? De que tipo é? Do tipo que se conforma? Que aceita? Que obedece ao outro apenas porque não tem coragem de dizer “eu quero” ou “eu não quero”?

Outra vez você não falou em amor, mas apenas em sexo bom (durante um período com o marido), vindo, depois, a falta de tesão… Você disse que crê que esta é uma das causas em razão das quais você começou a trair o seu marido. No entanto, a falta de tesão pelo marido leva apenas um pequeno grupo de mulheres a terem casos extraconjugais (falo de algumas “matadoras”), posto que a maioria, caso venha a fazer tal coisa, o faz, em geral, porque não ama o marido (e nem se sente amada), mas não porque acabou o tesão.

Na realidade, o tesão acabou porque provavelmente nunca houve amor. Ora, a menos que ele tivesse traído você ou atentado contra o casamento, poderia haver uma explicação para o arrefecimento do amor entre vocês. Porém, aparentemente, isso não aconteceu. Assim, melhor é assumir que você provavelmente nunca o tenha amado.

Se ele sente ou desconfia que você o trai, mas não faz nada, sobram poucas alternativas: a) ele é um marido covarde, que prefere dividir você com outros a correr o risco de ficar só, caso abra o assunto; b) ele é um ser muito inseguro e adoecido de alma, que veio a se tornar totalmente dependente de você; c) ele também não ama você, mas ama a vida familiar, e por tal razão prefere não “mexer” no assunto, pois sabe o que vai achar…

O que você deve fazer é uma decisão sua. Minha opinião, todavia, é que você deveria conversar com seu marido, não sobre as traições, mas sim sobre a ausência de razões para vocês continuarem juntos, já que aparentemente não há amor conjugal entre vocês. Isso porque se a situação é esta, melhor é que você se separe dele do que viver sempre traindo o cara. E, de fato, caso não haja amor conjugal entre vocês, as probabilidades de que coisas deste tipo aconteçam aumentam muito, especialmente quando já se traiu antes, como é o seu caso.

Pouca coisa é tão difícil de combater quanto o hábito de trair. Isso porque uma vez que a pessoa foi “desvirginada na traição”, por mais que ela sofra e ache errado, o “hímen psicológico da conjugalidade” foi rompido, o que torna a decisão de trair muito mais fácil. É o tal “trair e coçar é só começar”.

Você também sofre de um medo horrível de ficar só. Por isso é que você se dá a quem não merece você, e trai quem não merece ser traído (como se houvesse alguém que merecesse!). No fundo, tudo isso é fruto de falta de amor-próprio, conforme já lhe disse antes. No entanto, o que pode acontecer com você (e muito provavelmente irá acontecer caso você não mude seus caminhos), é que você venha a ficar só. Aliás, caso você nunca tenha amado o seu marido, o melhor a fazer é ficar só. Sim! Só, só, só… Sem ninguém de “estepe”, muito menos esse “estepe” rodado e esburacado que hoje lhe serve de perversa roda-quadrada: o garanhão-pangaré.

Portanto, três são as minhas sugestões:

1. Converse com seu marido. Simplesmente o faça parar e falar. Não precisa humilhá-lo contando os “casos”, mas diga a ele que o casamento de vocês virou um caso de enfermidade, covardia e morte afetiva.

2. Não atenda mais o “garanhão-pangaré”. E faça isso logo, pois mulheres como você tendem a se viciar no abuso. Sim, o abuso passa a dar tesão em almas esburacadas como a sua.

3. Leia os evangelhos todos os dias e dedique-se a buscar as coisas lá do alto, conforme já lhe disse antes. Leia o site o máximo que você puder. Tenho certeza que ele também a ajudará a se enxergar e a se entender. Não diga “não consigo”, pois caso você realmente deseje, você consegue.

Pelo fato de que você vem se submetendo a isso já há alguns anos, ouso dizer que você já está viciada no abuso como fetiche. A relação que você tem com o pangaré é sadomasoquista. Ele é sádico. Você é masoquista. Portanto, conforme já sugeri antes, inicie urgentemente um tratamento de natureza psicoterapêutica. Faça isso por amor e respeito a você mesma.

Como você vê, eu digo as mesmas coisas. Afinal, não há nada novo a dizer, mas sim muito a agir e decidir. E tal ajuda somente você pode dar a você mesma.

Receba meu carinho!

NEle, em Quem podemos encontrar Graça para ocasião própria,

Caio

www.caiofabio.net

Como ajudar um marido viciado em pornografia?

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Posted on 2nd maio 2010 by Roberto in Cartas

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French Postcards/Sunday in the Park
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Caro Pastor,
Tenho 29 anos, sou casada há dez. Sou serva de Deus desde os doze, e meu esposo, desde que nasceu. Temos um casamento feliz e abençoado, principalmente agora que nossa família aumentou com a chegada de nosso filho, de um ano. Meu esposo é crente fiel. Nós nos amamos de verdade, e somos aquele tipo de casal modelo, tudo certinho.

Porém, temos um problema. Meu marido luta contra o vício maldito da pornografia. Já o vi chorar e até me pedir ajuda para livrar-se disto. Além de orar por ele, não sei o que fazer. Nós nos casamos virgens e temos uma vida sexual satisfatória. Procuro ser atraente para ele; há poucos dias comprei uma langerie especial, e um perfume novo para só usar quando estiver com ele. Procuro não deixá-lo em falta.

Então, logo percebo quando ele andou olhando sites proibidos no trabalho. Conheço-o muito bem. Às vezes, coloco-o contra a parede e ele nega, mas logo confessa que olhou o que não devia e se masturbou. Isto acontece com certa freqüência; não sei se chega a ser compulsivo, porque não descubro sempre.

Fico muito magoada e desanimada. Já lhe disse que está causando um grande mal em mim, pois me sinto traída, e não suporto a idéia de ele sentir prazer vendo outras mulheres nuas. É nojento e inadmissível.

Sinto-me tentada a ficar fria com ele e não fazer mais nada para agradá-lo. Acho que não sou aquilo que ele deseja, se não, não haveria necessidade de buscar esse tipo de coisa — mas ele nega isto e diz que o satisfaço plenamente.

Detesto essa coisa do homem ser atraído pelo olhar, e, se pudesse, mandava fechar todas as bancas de jornais com fotos explícitas e queimava todo outdoor com mulheres nuas. Detesto quando as mulheres não sabem se vestir decentemente, ou as que fazem isso de propósito para atrair o marido dos outros. Na verdade, sou bastante insegura…

Meu marido nunca me traiu de fato, a não ser quando ainda namorávamos, o que foi uma experiência dolorosa. Superamos o trauma e nos casamos no Senhor.

Ele sabe que se andarmos no Espírito, não satisfaremos os desejos de nossa carne. Faço questão de lembrar-lhe isso.

Talvez exista algo que eu deva fazer ou alguma mudança de atitude que deva assumir para ajudá-lo, e assim ajudar a mim mesma. Não sei o quê.

Nunca partilhei com ninguém qualquer assunto íntimo meu. Esta é a primeira vez que me abro com alguém sobre isso.

Confio no senhor e obrigada por me ouvir e ajudar.
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Resposta:

Minha querida irmã: Graça, Paz e Liberdade!

Li sua carta com todo carinho e atenção, e percebi o seu modo de ser pela sua forma de escrever: objetiva, clara, limpa, direta, seqüenciada, e bem pontuada.

Tudo certinho!… conforme você mesma definiu acerca de seu casamento!

E me parece que esse é o problema: é certinho demais. Além disso, me parece ser uma relação de total ascendência sua, tanto moral, quanto psicológica e espiritualmente.

Ora, antes de falar sobre isto, que me parece ser o âmago da situação conjugal, quero perguntar a você o seguinte: De onde você acha que vem esse vício de seu marido pela pornografia?

Vejo que vocês são de igreja praticamente a vida toda; e também, pelas designações que você fez tanto de você quanto de seu marido, que você são “fiéis” ao Senhor, e são modelo para a igreja e os amigos.

Além disso, vocês casaram virgens, e de tal modo que fica até mesmo difícil para você avaliar o significado de ter “relações sexuais satisfatórias”.

Também, como disse, me impressionou a sua ‘ascendência’ sobre seu marido, a ponto de botá-lo contra a parede, exortá-lo espiritualmente com freqüência, a chamá-lo para viver no Espírito e não na carne.

Acima de todas essas coisas impressionaram-me algumas frases suas; a saber:
“…Somos aquele tipo de casal modelo, todo certinho.”—referendo-se ao modo de vida público de vocês.

“Procuro não deixá-lo em falta”—fazendo alusão ao sexo.

“Vício maldito da pornografia”—expressando seu ódio pela nudez disponível.

“…Sites proibidos…”—mostrando o nível de patrulha que você exerce sobre ele.

“… olhou o que não devia e se masturbou…”—revelando seu tom materno controlador.

“É nojento e inadmissível…”—denunciando o significado psicológico e moral disso para você.

“Sinto-me tentada a ficar fria com ele e não fazer mais nada para agradá-lo”—expressando seu poder de puni-lo sexualmente pelas ‘travessuras” do menino na internet.

“Detesto essa coisa do homem ser atraído pelo olhar, e, se pudesse, mandava fechar todas as bancas de jornais com fotos explícitas e queimava todo outdoor com mulheres nuas. Detesto quando as mulheres não sabem se vestir decentemente, ou as que fazem isso de propósito para atrair o marido dos outros.”—declaração que bem expressa seu ódio moralista e sua ofensa pessoal ante o fato de que há nudez feita pública para quem quiser olhar.

“Faço questão de lembrar-lhe isso…”—revelando sua atitude superior e matrona no trato com seu marido.

Agora, ouça o que lhe direi. Poderá ser duro, mas é com amor. E será direto porque não tenho tempo a perder com aquilo que não é pratico e objetivo quanto a ajudar você a se ajudar.

Um homem de igreja, virgem, que não teve outra experiência senão com você, e que tem em você uma figura controladora, policiadora, exortativa, doutrinária, moralista, e que tem ódio da nudez pública; e que além disso, trata o sexo como um dever, e que se dá com interesse estudado de atender a certas demandas do homem; por mais bem intencionada que você seja; todavia, para ele, você é um ‘breve contra a luxuria’; e por tal atitude existencial…, tirando da relação seu encanto, naturalidade, brincadeira, prazer real, inovações, poesia, e aquele imprescindível espírito de molecagem na atividade sexual.

Você chegou a dizer, expressando um passo gigantesco de sua parte, que você outro dia ‘até’ comprou um perfume e uma langerie a fim de ver se o atendia.

Ou seja: a vida sexual de vocês é tão certinha que não tem graça!

Se você quiser ajudar o seu marido a ficar livre desse infantilismo sexual e fantasioso, seja você a amante, a outra, a surpreendente, a tarada, a insaciável, a mulher pelada, a desejosa de tê-lo sempre…; e isso por total desejo e interesse seu… e não por causa da conjugalidade e de seus deveres e direitos.

O que está acontecendo com seu marido é simples:
1. Trata-se de infantilismo emocional. Meninos e homens infantis é que se dedicam a tais coisas. E, certamente, seu marido, pelo histórico de existência religiosa, evangélica, protegida e alienada da vida durante a adolescência, hoje, adulto, e tendo em você a esposa-mãe-professora-mestre-educadora, não tem em você a referência feminina que sexualmente lhe estimule—posto que ele mesmo não se sente desejado por você—; e, por essa razão, procura com olhos ver o que ele não teve na plenitude da sensorialidade da própria vida dele. Mas como ele é “fiel”, ele não trai; e como ele é insatisfeito com você e com o tipo de vida sexual hermética que vocês têm, a alma dele fantasia; e, nesse caso, para quem está assediado de desejos difusos, mas não quer ‘pular a cerca’, a internet acaba sendo um ‘transgressão inocente”—coisa de menino.
2. Ele certamente ama você, mas não se satisfaz com o modo como a sexualidade de vocês se manifesta. Na realidade ele não quer outra pessoa, mas sim você, toda mulher, toda descomplicada, toda oferecida a ele, toda tarada nele.
3. O que ele certamente não agüenta mais é estar casado com essa banda sua que está mais para ‘gerente conjugal e pastora do lar’ do que para uma mulher deliciosa, amiga, amante, e que tem prazer no sexo com toda espontaneidade e liberdade. Mas como ele ama você, não quer deixá-la; porém, como é homem e infantil nesta área da vida; e também sendo tratado como um infante, o qual vê o que é ‘proibido’, ou o que não se deve ver; ele se sente tanto mais motivado inconscientemente a procurar tais fantasias quanto mais acossado pela sua moralidade sexual ele é.
Se você quiser ajudar o seu marido, faça o seguinte:
1. Não toque mais nesse assunto com ele. Pare de fiscaliza-lo. Trate-o como homem, não como um filho mais velho.

2. Busque ter prazer sexual com ele; e isso só acontecerá se você se abrir mesmo, e parar com esse papo teológico de não satisfazer a carne; pois, de fato, o que ele precisa é satisfazer a carne e a alma; e isso com você, em total liberdade e plenitude.
3. Enquanto você odiar tanto o mundo, as bancas, as revistas, os outdoors, etc… a mensagem que você está mandando para ele é de alguém que tem ‘nojo em sexo’; e isso, saiba, não o desestimula em relação à fantasia pornográfica (ao contrário: abre-lhe o apetite), mas o desanima completamente em relação a poder ter com você uma conjugalidade sacana, alegre, livre, lasciva, desejosa, e intensa.
Assim, sinceramente, o grande problema de seu marido aparentemente é você!

Uma mulher livre e sexualmente descomplicada ao lado dele, certamente não estaria tendo esses problemas.

Portanto, o grande trabalho a ser realizado é em você, implicando numa desintoxicação profunda de sua mente de todo esse lixo religioso, que tem aparência de piedade, mas que não tem valor algum contra a sensualidade.
Leia Provérbios 6 e veja como a adúltera trata os homens.

Ora, você dirá:

O que eu tenho a aprender com a mulher adúltera?

Eu lhe digo:

Tudo; menos o espírito de traição. No mais, todavia, a mulher adultera de Provérbios ensina pela anti-tese o que os homens gostam de ter. E acho uma pena que as mulheres casadas se tornem tão pudicas com seus maridos, que o cara acabe por sentir a relação sexual com a esposa como um dever marital, e não como a mais doce e livre de todas as experiências sensoriais.

Assim, minha querida amiga no Senhor, desintoxique-se de toda essa religiosidade sexual e você verá que a solução sempre esteve mais nas suas mãos do que você imaginava.

Acredito que você me escreveu assim meio sem ler este site. Talvez por alguma recomendação ou comentário de alguém. Mas leia-o com interesse, todos os dias, e você crescerá para compreender o que estou lhe dizendo.

Se você não se chatear comigo e me der algum crédito, eu sei que em pouco tempo você me escreverá falando que tudo mudou.
Receba meu carinho e minha oração para que seu coração entenda o que eu disse.
Nele, em Quem toda cura começa em quem diz desejá-la,
Caio

www.caiofabio.net

Será que não fui batizada no Espírito porque fumo?

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Posted on 13th abril 2010 by Roberto in Cartas

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Não Fume - Don't Smoke
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Pastor Caio, A Paz de Deus!

Eu estava em busca de respostas sobre o Batismo no Espírito Santo, aí comecei a procurar livros que falassem sobre esse assunto.

Na igreja onde sou membro havia vários livros, e só olhando o título, e não para o autor, eu peguei dois, e coincidentemente (?) os dois eram de sua autoria: “Espírito Santo – O Deus que vive em nós” e também o “A Sengunda Unção”.

Li os dois e gostei muito… Mas ainda tenho dúvidas se fui ou não fui batizada no Espírito Santo; não reconheci dom nenhum em mim; apenas sinto uma vontade enorme de aprender mais e mais, conhecer mais e mais a Palavra de Deus…

Fico lendo muito, e assim vou ocupando minha mente apenas com assuntos de Deus.

Meu grande problema é a luta que enfrento!

Você pode pensar que é fraqueza, ou falta de fé, nem eu mesma sei responder o porque isso ainda acontece comigo.

Apesar de toda a busca por Deus, e de todo meu envolvimento com a igreja e com a Palavra, eu não consegui parar de fumar.

Nas várias vezes que tentei, quase entrei em coma nas primeiras horas; pela fé vou agüentando, mas ao passar muito tempo, a crise começa, não tenho mais forças; oro, e peço a Deus que me ajude, mas tudo parece aumentar.

Não consigo ler nessa crise, pois as letras começam a se moverem na Bíblia, parece coisa demoníaca até…

Na minha igreja já tentaram me ajudar, as respostas são as mesmas, começo a achar que sou eu o problema, que tenho pouca fé ou esteja tentando da maneira errada.

Gostaria de saber a sua opinião quanto a isso, se devo procurar um médico para me auxiliar com remédios que me ajudem a parar com esse vício maldito que odeio. Mas não consigo me livrar.

Quem me vê, deve pensar que prego o que não faço, pois prego a vida com Jesus, e, no entanto, minhas própria luta eu não consigo vencer.

Nem estou mais tentando fazer discípulo, pois não teria muitos argumentos para isso.

Tenho clamado, mas cada vez fica mais difícil, sempre fico triste por isso, e toda vez que acendo um cigarro, me culpo, sinto Deus chorando com isso.

Pastor, por favor, preciso de uma palavra amiga.

Quero ser uma pessoa correta, ser uma pessoa verdadeiramente Cristã, sem esse tipo de prisão.

Já pensei várias vezes, que talvez Deus não tenha me escolhido, por isso não consigo parar, mas por outro lado, não teria então o porque de tanta vontade de agradar a Deus, de buscá-Lo…

Aguardo sua resposta se possível.

Que Deus o abençoe sempre…

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Resposta:

Minha amada irmã: Paz e Paz!

Creio que você precisa re-ler o livro “Espírito Santo: o Deus que Vive em Nós”. Digo isto porque creio que se você o leu, você não o entendeu.

Lá eu digo o oposto do que você confessou como sendo a “evidência” do batismo com o Espírito Santo, e o associou aos “dons”; o que é a tese oposta àquela que demonstro ser bíblica.
Batismo com o Espírito Santo é sinônimo de conversão, regeneração, novo nascimento, salvação, e crer para a justiça.

Os evangélicos, há cerca de duzentos anos, inventaram esse batismo mágico com o Espírito Santo, que seria uma segunda benção, e que, supostamente, faria aqueles que o recebessem se tornarem “super-homens”, seres acima do bem e do mal, com poder sobre tudo e todas as coisas, e livres de todo mal.

Ora, quem lê as cartas de Paulo aos Coríntios vê que tudo o que não faltava lá eram dons, embora tudo o que faltasse lá fossem os frutos do Espírito, pois, mesmo cheios de dons e salvos na Graça, ainda eram meninos carnais e bobos.

Seu problema é duplo:

1. Você freqüenta, certamente, uma igreja na qual se ensina que o batismo com o Espírito Santo resolve todos os problemas. É a segunda benção. E quem vive tendo dificuldades, e ainda não falou em línguas estranhas, é porque não tem essa “segunda benção”. Então, o cara fica lá gemendo, e se comparando aos demais, e sempre sentindo que está andando para trás. Depois de um tempo começa até a questionar se de fato, algum dia, já conheceu o Senhor. Essa doutrina é perversa com a alma, viola a liberdade de Deus de se manifestar a quem quer e como quer, não ensina que em Cristo o que já está feito em nosso favor continuar a ser, para nós, um processo de apropriação cotidiana, e enfraquece a esperança e a segurança no coração. Por isto também os crentes dessas igrejas acordam “salvos” e dormem “perdidos”, dependendo de se foram “corretos” ou não durante o dia. Essa perspectiva de “fé” nega os bens da Graça, que é favor imerecido.

2. O fato de você fumar torna seu conflito ainda maior. Afinal, você pensa, que crente sou eu que não consegue deixar esse “vício desgraçado”? Aí, então, o bicho pega, e a alma se condena até onde conseguir se condenar. Tem gente que até se auto-excluiu da vida eterna por causa de um Carlton. Já pensou?

Isto dito, vamos falar um pouco de seu “cigarro”.

Minha querida, seu cigarro faz apenas dois males—e são importantes, mas não tocam áreas essenciais da vida, pois não tocam o seu coração.

1. É uma desgraça para a sua saúde, especialmente seu pulmão e coração (físico). Sem falar na pele, dentes, e em outras áreas físicas que são afetadas pelo fumo.

2. Diminui sua liberdade, e aumenta sua ansiedade. Diminuiu sua liberdade porque há inúmeros lugares onde você não pode e ou não deve fumar. Aumenta a ansiedade porque a pessoa fica louca para chegar a um “lugar livre” a fim de acender um cigarrinho.

Mas os males desse negócio ficam aí, restritos a essas áreas. O que entra pela boca pode até fazer mal ao corpo, mas não afeta o homem, pois não chega ao espírito-coração, conforme Jesus, em Marcos 7.

O pior problema de um fumante cristão é o julgamento da igreja.

Eu não sei porque, mas no meio evangélico o cara pode bater na mulher, espancar os filhos, mentir inveteradamente, ser cheio de orgulho e empáfia, ser arrogante e desonesto, maligno sem seus juízos, e sem compaixão, que estará tudo bem se ele não fumar, e tiver o descaramento de acusar quem fuma.

O cigarro é o monstro diabólico que “desvia” uma quantidade enorme de pessoas da igreja.

Encontro todos os dias pessoas que dizem que não ficaram na igreja porque não conseguiram parar de fumar. Trata-se, portanto, de mais uma doutrina dos escribas e fariseus, mais uma maldade da religião contra a graça de nosso Deus.

Você pode imaginar Jesus deixando alguém de fora de qualquer coisa por causa de cigarro?

Você sabia que nos dias de Jesus já se fumava? Não era esse tipo de cigarro que se fuma aqui no ocidente, mas já havia outras formas de uso de aparatos destinados à distração, coisas semelhantes aos cachimbos, só que bem grandes.

Se você for hoje a muitos países e visitar muitas igrejas, você encontrará amados irmãos, santos e abençoados, puxando seu cachimbo ou cigarro após o culto e fumando em comunhão.

É recomendável? É claro que não! mas apenas por questões de saúde e de liberdade psicológica quanto a não se sentir premido por nada. No mais, é apenas mais uma Lei dos Homens, e mais um instrumento do diabo, usado pelos crentes, a fim de impedir a muitos de entrarem no Reino.

Minha irmã, assumo a responsabilidade espiritual, diante de Deus, se porventura o que lhe disse não for a verdade!

E mais: não deixe de ler a Palavra, nem de orar, nem de ir a igreja, e nem de fazer discípulos.

Se o critério para fazer discípulos de Jesus fosse o de que o discipulador já houvesse se tornado liberto de todo o mal, não haveria ninguém que pudesse abrir a boca!

O argumento é o que o corpo é o templo do Espírito. E é mesmo. Mas o “corpo” é a totalidade do ser, e nessa totalidade o pulmão e a barriga são partes insignificantes, o que mais conta no “corpo-totalidade-física-do-ser” é a mente. Ou você acha que o Espírito está preocupado com o tamanho da barriga de alguém?

A usar-se o critério do corpo-corpo todos os crentes estariam perdidos, pois, em poucos lugares o corpo é tão mal tratado como na visão evangélica do corpo.

Tiago não diz que é a fumaça que sai da boca aquilo que destrói a cerreira humana, mas sim as palavras que a língua produz. Portanto, se você quiser cuidar do que sai da sua boca, antes de se preocupar com a fumaça, preocupe-se com sua língua, e com as palavras que dela procedem.

Será bom você parar de fumar por causa de sua saúde, mas não para entrar no reino, ter dons, ou ser mais santa.

Tem gente que não fuma cigarro, mas fuma a alma do próximo o dia todo.

Receba meu carinho.

Nele, que não apaga o fogo de nenhum lamparina,

Caio

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