Tem gente que nasce gay?

1 comment

Posted on 5th março 2010 by Roberto in Cartas

, , , , , , , , , ,

Us, Drying

Rev. Caio Fábio,

Primeiramente gostaria de dizer que sou apaixonado pelo modo que você escreve e que fala acerca do evangelho, e tenho acompanhado isto aqui no site, o que tem sido ótimo para mim e para os que me rodeiam.

O motivo pelo qual te escrevo é referente à carta na qual a moça “lésbica filha de pastor” pede a sua ajuda.

Eu concordo que a “igreja” deveria ser local de acolhimento e expressão do amor do Pai, e que nenhum homossexual deveria ser discriminado dentro da “igreja”, visto que todos nós pecamos e somos totalmente dependentes da graça de Deus e estaremos sempre sendo transformados.

Mas uma coisa me deixou com muitas indagações, é quando você fala sobre os homossexuais que já nascem neste estado, eu até hoje não acreditava nesta hipótese, visto que Deus criou homem e mulher para se relacionarem, sendo isto o natural, daí como pode uma pessoa nascer gay?

Seria algo contra a natureza das coisas, por isso acho isso muito confuso. Por que não vemos este tipo de “anomalia” entre os animais?

Agora como já disse acima, eu não concordo com discriminação e até mesmo pressão sobre a pessoa homossexual na “igreja”, pois devemos confiar na graça, pois existem coisas que são realmente difíceis de deixarmos, e às vezes nunca deixamos, já que somos de natureza pecaminosa.

Os homossexuais não devem esforçar-se para sair deste estado?

Abraços de quem muito admira o seu trabalho,

Luciano Costa


Amado Luciano: Graça e Paz!

Conforme eu disse à moça que me escreveu, se nós fôssemos reunir um congresso de filhos de apóstolos, bispos, pastores, mestres, presbíteros, diáconos — sem falar em muitos dos próprios pais, muitos deles casados, porém gays também, matando um leão por dia para dar conta do recado —, nós, sem dúvida, teríamos que ir para um grande ginásio de esportes, ou até para um pequeno estádio, um “Maracanãzinho”, a fim de comportar apenas a moçada imediata.

Isto porque aproximadamente 15% da população se declara gay. Ora, está provado que os índices estatísticos da “igreja” (fenômeno humano e histórico), não são em nada diferentes dos do resto da sociedade, o que numa população de uns 30 milhões de evangélicos faria com que uns 3 milhões de evangélicos sejam gays; gays enrustidos, trancados no armário pastoral; ou, muitas vezes, se promiscuindo mais que qualquer promíscuo, pois, não podendo se abrir, a pessoa acaba “fugindo” para encontrar gays, e, nesse caso, acham apenas os gays-pra-consumo, nas boates ou na internet; e, assim, escondem quem são na “igreja”, enquanto, em razão disso, vão se tornando os gays mais descontrolados da praça.

Assim, mais uma vez, a fim de coar o mosquito, manda-se o cara para uma dieta de camelos contaminados.

Tenho dito repetidas vezes neste site que conheço aqueles que nasceram gays (esses são gays de fato); os que foram feitos homossexuais (em geral são vítimas de sexo homossexual com gente mais velha na infância; e vicia, como qualquer outra coisa; posto que o primeiro estímulo erótico objetivo veio de uma relação homossexual, o que, muitas vezes, “fixa” o padrão das pulsões da pessoa naquela área); e os que se fizeram gays (normalmente nem gays são, mas, por razões distintas, “optaram” por aquela inclinação ou desejo mesmo).

Nesses três casos, o primeiro é de natureza “humanamente imutável”, tão imutável quanto as chances que eu teria de me tornar gay: nenhuma. Já na segunda perspectiva, a situação é reversível, não sem muito trabalho e esforço psicoterapêutico; tudo dependendo, é claro, da vontade que a pessoa tenha ou não de enfrentar a si mesma, na forma do vicio que se instalou. De fato, em geral, esses são os mais culpados, pois sabem que não nasceram gays, mas ficaram viciados no sexo por essa via. E, por último, há os que “optaram”, a maioria dos quais por escolha de prazer e por privilegiarem as sensações do sexo chamado “invertido”.

Ora, as duas últimas categorias (desculpe chamar de “categoria”, não há nada além de terminologia aqui) são reversíveis, isso quando a pessoa deseja muito que tal aconteça, mas, como disse, nunca sem muita luta.

Entretanto, esses dois últimos grupos, em geral, não querem “relacionamentos”, mas apenas sexo; posto que somente os gays-gays se apaixonam mesmo.

Portanto, para mim, depois de anos de observação e milhares de conversas, concluí que no geral somente os que nasceram gays se apaixonam e querem ter uma relação única, estável e monogâmica com o seu parceiro(a). Os demais, também em geral, querem apenas a transa. Daí haver sempre muito mais promiscuidade relacionada a esses dois grupos. Isso porque os gays-gays, mais do que sexo, eles querem é afeto, só que o único tipo de afeto que os inspira é de natureza homossexual.

Portanto, acredito na condição irreversível de gays-gays (a menos que haja um milagre que até hoje não vi). Mas creio na reversibilidade dos gays-feitos-gay e na daqueles que gostam de transadas gays apenas por diversão, mas que foi ficando algo fixo.

No primeiro caso, parar só se for por uma escolha de natureza celibatária, como muitos considerados “santos” o fizeram (embora Deus saiba suas lutas). Nesse caso, não há mais sexo, embora a sexualidade continue homossexual para sempre.

Já nos dois últimos casos, somente um forte desejo de reversão, e que não deve ser motivado por culpa moral, mas por identificação da verdade interior como sendo outra, a qual a pessoa precisa reconhecer como tendo sido desfigurada pelas más esculturas que se fez na alma, ou que se permitiu que fossem feitas na matéria da alma.

Você disse que eu falei que em alguns casos não se trata de uma opção. E é verdade, conforme acabo de admitir mais uma vez acima.

Como você me acompanha aqui no site, já deve saber que minha questão é outra, visto que não fui chamado para fazer reversões sexuais impossíveis, e nem tampouco enganar as pessoas vendendo tal mentira e impossibilidade. No entanto, como meu interesse é em saúde humana, psicológica e espiritual, sempre que ouço que alguém é gay, mas também gosta ou já gostou do oposto, então, minha consciência manda que tal pessoa busque mais fundo a verdade dentro de sua alma; e isso não por questões morais ou de danação eterna, mas sim em razão de que a vida abundante em Cristo só é possível quando a pessoa, em verdade, diante Dele, abraça quem ela própria é; deixando-se, daí para frente, conduzir pela Graça que põe tudo e todos em seus próprios lugares interiores.

Mas quando as pulsões sexuais são da mesma natureza consistente a vida toda, não há dúvida que tal pessoa é quem sente ser; e nada há a fazer a esse respeito, a não ser abraçar a alma com respeito, dignidade, reverencia, e amor próprio; levando todo o ser à presença da Luz, para, então, aprender a crescer na paz.

Creio que Deus quer que as pessoas sejam quem são no melhor do que elas podem ser, no conjunto de possibilidades que cada um tem e vive.

Quanto a ser gay e ser de Jesus, uma coisa nada tem a ver com a outra; e no dia da Luz, quando os segredos dos corações se abrirem, eu estarei lá, e verei o quão perversos os “irmãos” foram com quem não teve a ventura natural de nascer gostando do que todos nasceram para gostar, embora haja anomalias na constituição da alma de alguns.

A Bíblia condena na Lei um homem deitar com outro homem, assim como condena deitar com a tia, a prima, a parenta chegada, o cachorro, a vaca, a cabritinha, etc… Assim como também proíbe um monte de outras coisas, todas no mesmo contexto, variando apenas as “penas”, que poderiam ser de natureza apenas purificatória, passando pelo exílio, e podendo chegar ao apedrejamento.

No Novo Testamento há algumas denúncias feitas aos efeminados e homossexuais, do mesmo modo que há contra os fofoqueiros, os facciosos, os inafetivos, os mentirosos, os feiticeiros, os falsos profetas, e os hipócritas. Ora, todas essas coisas, se absolutizadas como comportamentos e atitudes irredimíveis, colocam, virtualmente, todos sob condenação (até porque as listas são bem mais extensas, e vão de coisas comportamentais a realidades apenas interiores, como o espírito faccioso e inafetivo: “sem afeição natural pelos pais”, por exemplo).

Portanto, duas coisas devem ser ditas:

1. Todos pecaram, e todos, igualmente, carecem da glória de Deus. E isto é absoluto.

2. As referências que Paulo faz em Romanos 1 às praticas romanas não podem e não devem ser aplicadas ao contexto do homossexual, mas apenas do “homossexualismo”, o qual, mais do que uma condição constitutiva (muitas vezes nem é), é uma escolha pela “putaria”, pela suruba, pela orgia, pelo bacanal (Baco), pela glutonaria, pelos swings, pela troca de casais, e por um estilo de existência no qual Sodoma e Gomorra haviam se tornado um “jardim da infância”. Acho uma perversidade fazer da análise “conjuntural” que Paulo fez de uma situação que se instalara como ideologia da perversão social e global, e aplicarem isto a um indivíduo simples, que não deseja a corrupção, nem ama a promiscuidade, desejando apenas um lugar ao sol.

Eu, todavia, creio que a Igreja tem que ser como uma Família cheia do Amor de Deus.

Nesse caso, pessoalmente, levando em consideração que o Projeto do Principio (Gênesis) tem a ver com a união de macho e fêmea, homem e mulher, julgo que a liderança da comunidade deve manter tal referência, embora, na igreja, deva haver lugar e espaço para todos, até porque não é papel da igreja se meter na vida de ninguém que não tenha pedido opinião, desejando apenas estar no lugar e ouvir a Palavra, como qualquer outro ser humano.

A Igreja não é o Espírito Santo, não é o Pai, nem o Filho, e nem a representante do Juízo de Deus na Terra; sendo seu chamado apenas para ser a proclamadora da Boa Nova de que Deus já se reconciliou com o mundo, em Cristo.

Seja qual for o caminho de Deus para a vida humana, saiba: Ele nunca acontecerá em nenhum chão que não seja Verdade.

Agora vamos às suas perguntas:

1. Uma coisa me deixou com muitas indagações, é quando você fala sobre os homossexuais que já nascem neste estado, eu até hoje não acreditava nesta hipótese, visto que Deus criou homem e mulher para se relacionarem, sendo isto o natural, daí como pode uma pessoa nascer gay?

Resposta:

Conforme já respondi acima, tais casos acontecem em várias perspectivas; há aqueles que carregam distúrbios hormonais desde sempre; há aqueles que nasceram com anomalias genéticas e até físicas, sexualmente falando (como hermafroditas); há aqueles que nasceram com um “aparelho psíquico” invertido, conforme inúmeras demonstrações. Eu mesmo acompanhei meninos que nasceram “psicologicamente meninas” desde sempre. E como já ilustrei muito este tema aqui, pedirei a você que leia tais respostas, posto que eu mesmo acho que já dei minha cota de opinião e esclarecimento acerca do assunto, conforme meu entendimento sincero.

2. Seria algo contra a natureza das coisas, por isso acho isso muito confuso. Por que não vemos este tipo de “anomalia” entre os animais?

Resposta:

O mundo animal não só está cheio de relações homossexuais, como também está cheio de seres mutantes, os quais mudam de sexo ou são andrógenos, sem falar que há criaturas que mudam de sexo conforme a necessidade ambiental.

Golfinhos e outros animais (especialmente mamíferos) praticam relações homossexuais com total naturalidade e com mais freqüência do que praticam as relações heterossexuais; as quais, quase sempre, só acontecem quando as fêmeas estão dispostas ao acasalamento. Do contrário, uma vez passada a “estação da procriação”, as fêmeas seguem juntas — com muita troca de carinho entre elas, enquanto cuidam dos filhos — e os machos prosseguem viagem, praticando sexo uns com os outros mar afora, até o tempo de encontrarem as fêmeas para procriar outra vez. Aqui, todavia, não “justifico” nada; mas apenas digo a você que a natureza está cheia de exemplos, ao contrário do que você disse.

Ora, o mesmo se pode dizer de muitos outros animais. Todavia, macacos são os mais frenéticos nessa liberdade; e diversas espécies vivem naturalmente esse tipo de coisa.

O que eu particularmente noto é que quanto mais “mamífera” é a espécie, mais comum é a homossexualidade.

O conceito de “anomalia” é algo muito moral para nós humanos. Veja: os leprosos já foram os grandes doentes físicos que carregaram o estigma moral de algo que nada mais era que “anomalia”, do ponto de vista médico. Mas até que isto ficasse claro (há poucas décadas), os leprosos continuavam a ser os amaldiçoados “leprosos”.

Até a “cegueira de nascença” foi interpretada como uma “anomalia” de natureza “moral”: “Quem pecou?” (Jo 9).

A resposta de Jesus diz que as “anomalias” são coisas “particulares”. Ou seja: Ele não nos deu uma “teologia do anômalo”, mas apenas disse que “naquele caso” aquilo tinha um propósito para o homem, não para a sociedade julgadora. E o interessante é que Jesus sempre trata caso a caso, coisa a coisa, e não dá mandamentos acerca das “anomalias”, exatamente porque as “anomalias” são “particulares”; e, portanto, cada uma delas merece um trato direto, particular, pessoal, e não universal.

O problema é que alguém nascer com Síndrome de Down, ou com desordens de natureza genética, ou de qualquer outra forma, não choca tanto, pois não atinge a área sexual como função ou desejo invertido.

Há dois grandes tabus acerca de anomalias no meio cristão:

1. O tabu da doença mental ou da disfunção cerebral, neurológica ou psíquica.

2. O tabu das anomalias sexuais, as quais são sempre vistas como se via o antigo “leproso”.

Homem e mulher foram feitos um para o outro, e esse é o ideal de Deus para a vida humana.

No entanto, há homens que nascem desejando uma mulher, mas o pênis é anômalo (pequeno ou monstruosamente grande); há aqueles que querem casar, mas são doentes fisicamente; e há aqueles que desejam se unir a alguém, mas, por um grave defeito físico, acabam sozinhos. O que é isso? Não é anomalia? Não está presente na natureza?

Ora, este mundo é caído; e, nele, crescem “cardos e abrolhos” (conforme o Gênesis), o que é uma simbolização das mutações e das anomalias que invadiriam a vida no “Jardim” que um dia a Terra foi.

Meu irmão, minha consciência em Cristo me manda crer como creio e dizer o que digo; posto que sei que num mundo caído, o principio é o seguinte:

Foste chamado livre, não te tornes escravo de ninguém; foste chamado sendo escravo, aproveita a oportunidade da libertação se ela vier. Mas se não vier, faze o melhor que tu puderes da vida que tu tens. Cada um ande conforme foi chamado!

Esta é a síntese do que Paulo ensina em I Coríntios 7.

O mesmo se vê quando Paulo anuncia o ideal em Cristo de que não há mais sexismos (homem e mulher), nem mais etnicismos (judeu, grego, bárbaro, cita, etc…), nem carmas sociais e econômicos (escravo ou livre); posto que em Cristo, todos são Um. No entanto, mesmo crendo assim, Paulo faz “gestão do mundo real”, visto que o ideal não chegou como real ainda; de tal modo, que se deve buscar o ideal, mas, enquanto isto, deve-se fazer gestão sábia do mundo real, onde pessoas reais, com situações reais, existem, vivem, sofrem; e, muitas vezes, estão totalmente presas, e sem alternativas que lhes sejam divisadas.

Desse modo, mesmo crendo que não deveria haver sexismo, etnicismos, ou carmas sociais e econômicos, Paulo recomenda que os “senhores” tratem bem os “escravos”; que os “escravos” trabalhem de coração servindo a seus “donos”; que os “diferentes etnicamente” se aceitem; e que as mulheres não sejam escandalosas no exercício da liberdade que em Cristo já “tinham” (naqueles dias), mas que não era ainda algo assimilado como “costume social” — Paulo usa essa palavra: costume; em I Coríntios de 10 a 14.

Ora, é também por essa razão que ele manda que os bispos sejam maridos de uma só mulher. E por quê? Ora, nas sociedades onde ele pregava, havia muita gente vivendo e possuindo não só mais de uma mulher, mas, também, mais de uma família. Então, o que ele faz? Ora, ele acolhe tais pessoas, conforme vêm, porém, recomenda que a liderança da igreja aponte na direção do ideal monogâmico da Escritura; daí, quem já veio com o problema, mas foi “chamado” pela Graça assim mesmo, que seja acolhido; porém, como suas vidas já estão marcadas por uma situação não ideal e, todavia, irreversível, Paulo então recomenda que do meio de tais contradições a liderança não seja escolhida; e isto apenas porque a verdadeira Igreja acolhe quem vem e como vem, mas aponta o sentido ideal quando apenas escolhe para ser bispo aquele que é casado de modo monogâmico.

Esse é o espírito de Paulo no trato das “anomalias da existência”.

Dê graças a Deus que você não tem em casa um filho ou parente amado que nasceu gay (poderia ter sido cego de nascença). Isto porque, meu irmão, se isso lhe acontecer ou acontecesse, na mesma hora você entenderia sem hesitação o que eu estou dizendo; posto que somente os duros de coração, ou os que só vêem o problema de longe, em gente que nem existe para eles, é que pode achar que o modo de tratar a questão e acolher as pessoas pode ser diferente, e, ainda assim, ser conforme o espírito do Evangelho.

O que Jesus disse dos eunucos serve também para os gays: uns nascem, outros se fazem, e outros são feitos!

E que ninguém pense de mim nada além do que aqui digo.

Reconheço, no entanto, estudando a história, que há “surtos” de nascimentos gays, escolhas gays, e formações e condicionamentos gays de tempos em tempos na história humana; especialmente do ocidente.

Também creio que uma das razoes pelas quais há mais gays no ocidente do que no oriente, assim como há mais gays urbanos do que indígenas, revela que além de casos de “anomalias”, há, sobretudo, a favorabilidade do ambiente cristão ocidental, o qual, pela moral neurótica, e pela fixação também neurótica na questão sexual, acabou por se tornar no maior viveiro de gays da Terra; tanto de gays-gays, como também dos “produzidos”; e, sobretudo, dos que se entregaram à orgia; fato esse muito mais comum no ocidente cristão e sexualmente compulsivo do que em qualquer outro lugar da Terra.

Esta é minha opinião!

E faz tempo que vejo, observo, estudo, lido, e me apiedo de tais situações!

Espero lhe ter sido útil!

Receba meu carinho!

Nele, em Quem todos são filhos quando o amam como Pai,

Caio

O site do pastor Caio Fábio agora é www.caiofabio.net

Creative Commons License photo credit: CarbonNYC

Swing de evangélicos

33 comments

Posted on 22nd junho 2009 by Roberto in Cartas

, , , , , , , ,

Caio,

Cremos que somente o Nosso Senhor é quem pode nos entender e apesar de nossos defeitos e neuras, nos orientar no seu caminho, com amor e paciência.

Porém a dúvida que nos leva até o senhor não tem nada de religioso, sei lá, às vezes até tem.

Sabemos que é um assunto extremamente íntimo e delicado por isso decidimos procurar o senhor de forma anônima para nos orientar.

Sabemos que muitos evangélicos só sabem reprimir e “sentar o pau” em qualquer forma de sexualidade humana.

Esclarecemos que somos contra o homossexualismo e a traição; isto é: eu ou a minha mulher termos um outro parceiro (a) nas costas um do outro. Para nós trair é ter um outro relacionamento escondido, mesmo que rapidinho.

Nossa pergunta é, sem mais delongas, a seguinte: como fica a questão do chamado “swing” para um casal que conhece a Palavra de Deus?

É evidente que esse assunto é polêmico e extremamente íntimo, por isso mesmo não se fala por aí em qualquer roda de relacionamento.

Até que ponto essa prática é contrária à Palavra de Deus?

Quanto à traição temos a seguinte opinião: Trair é “facada nas costas”. Fazer sem o outro saber ou consentir. Enfim, para nós, trair é trair.

Agora, se tanto eu quanto minha esposa temos a consciência quando vamos a um barzinho de “troca de casais” que pode rolar sexo ou carícia com outra pessoa, e isso passa pelo nosso consentimento, apesar dos tabus, preconceitos e limites, não vemos como traição.

Dá um ciúme danado, é verdade, e o coração vem na boca; o que, penso, nos leva a amadurecer quanto à questão da posse e da insegurança.

Ressaltamos que esse fato, o nosso relacionamento sexual com a participação de outra pessoa, não se consumou; até hoje não fizemos na “real”; somente em sites de casais. Sexo virtual com outro casal. Mesmo porque o que vale para nós é o ambiente sensual que vem a “apimentar” nossa relação que é bastante intensa.

Quanto ao barzinho de casais, pergunto que mal há em um momento de excitação dito “diferente” – indo a um lugar como esse, onde ela pode usar uma roupa mais sensual e excitante, sem arrumarmos briga ou confusão com terceiros?

Perguntamos isso ao senhor, pois, se estivermos desagradando a nosso Deus com essa nossa atitude “reprovável” diante dos homens, teremos que repensar nosso “tesão”.

Será isso fruto da época do “não pode”, que agora quer “tirar o atraso”?

Essa questão, Tesão x Evangelho, tem nos angustiado um pouco. Enfim tivemos coragem e viemos buscar sua orientação; pois, sabemos que o senhor é uma pessoa que tem uma compreensão mais abrangente da alma do ser humano.

Enfim, fazendo assim nós vamos para o inferno ou só teremos de lidar com os nossos próprios sentimentos íntimos? Na cabeça de muitos religiosos, nem preciso dizer, vamos para o inferno rapidinho; mas e em relação ao evangelho? Tesão sem traição leva a pessoa a perder a salvação?

Enfim é isso, desculpe a maneira escondida, via e-mail, de relatar o
assunto, mas foi o modo que arrumamos para dirimir uma dúvida tão íntima e peculiar.

Que Deus abençoe o senhor e seu ministério.

Gostamos muito do senhor.

Obrigado.

____________________________________________

Resposta:

Meu querido amigo: Graça e Paz!

O seu jeito de escrever e de contar revelam que você é gente boa. Um assunto tão forte desse raramente é posto com a leveza sincera com a qual você colocou. Entretanto, observei que todas as questões de vocês acerca de se é pecado ou não, todas têm natureza moral. A questão, todavia, não é moral, mas sim psicológica e espiritual. A prova de que a visão de vocês é moral é que, do nada, você emitiu seu juízo sobre o homossexualismo ou sobre o adultério. E o tem foi mais que moralista.
O que penso sobre swing?
Nem mesmo tratarei a questão do ponto de vista do Evangelho, pois, nele, nem mesmo precisaríamos ir longe, visto que Jesus já diz “Não foi assim desde o principio”. E mais: Ele não apresenta concessão para a dureza de nosso coração nesse quesito, como o fez com o divórcio.
O que tenho a dizer, antes de tudo, é que ninguém serve, no coração, a dois nada. Nem dois senhores, nem duas senhoras, nem dois desejos, nem dois corpos, nem dois sentimentos iguais, nem a dois mundos – nem que um seja real e o outro apenas virtual.
Do mesmo modo, também creio, e também observo na existência, que ninguém é feliz contra a verdade. Ninguém. Sem exceções. Sim, o que a vida me mostra, observando de modo amplo e sem preconceitos, é que onde quer que não haja verdade e Verdade, ninguém consegue se dar bem.
Por “verdade” em minúsculo quero dizer “aquilo que é sincero”. Já por “Verdade” em maiúsculo, quero dizer aquilo que é, conforme Deus, o Criador.
Portanto, felicidade vem do casamento da sinceridade humana com a verdade de Deus!
Assim, antes de qualquer coisa, digo a você que nunca vi um casal que faz swing ser feliz.
Vejo-os se sentindo “liberados”; ‘upgradados’ a um nível de liberdade mais ampla na vida sexual; ou mesmo buscando justificar para si mesmos a tal pratica com os mesmos argumentos que você apresentou. Ou seja: não é traição; é consentido; é visto por ambos; apimenta nossa tesão; aquece nossa vida sexual; e não vemos mal algum nisso. Ou mais: é apenas um problema relacionado à “moral humana”, mas nada tem a ver com Deus.

Em minha opinião não precisamos nem mesmo levar a questão até Deus. Ela tem sua verdade mais básica dentro de você, em sua alma; não necessitando, portanto, nem mesmo de um julgamento superior.

Swing faz mal à alma, ao ser. Sim, e esse mal vem da impossibilidade do espírito humano de se dividir de modo tão estanque assim. Pode gerar excitamento psicológico e aumentar o tesão fetichezado do casal. Mas, depois de um tempo, trás todos os males de alma e de relacionalidade possíveis.

Você tem que evocar o “politicamente correto” a fim de justificar para você mesmo o tal ato. Sua alma quase morre quando vê sua mulher tendo uma transa ou trocando um beijo virtual num desses sites de swing. Mas diz que isso deve ser bom para amadurecer emocionalmente. Sim, sofrer tendo duas recompensas. A primeira é a de que amadurece e acaba com essa criancice de exclusividade sexual no casamento, caso haja acordo nesse sentido. A segunda “recompensa” seria poder “pegar” outras mulheres, casadas, sem a culpa que você sentiria caso fizesse isso nas costas de sua mulher.
De fato, traição é traição. E, além disso, nada que tenha a anuência de dois implicados num pacto de exclusividade, é traição; posto que o consentimento de ambos mata tal designação. Entretanto, não é só de traição que a alma sofre. Traição faz mal, mas não é o único meio de se fazer mal ao casamento.
Vocês são um caso típico de coar o mosquito e engolir o camelo. Ficaram se “poupando” antes do casamento, nem mesmo transando entre vocês, para, depois, partirem para o swing.
Assim, vejamos. O que acontece num swing e o que leva um casal a desejá-lo?

Num swing o que se tem é um casal que diz para si mesmo que traição é errada, mas que a troca sexual consentida não é. E tal questão só surge em razão de que ambos, e somente eles mesmos, já não se plenificam sexualmente sendo apenas os dois. Precisam de novidade. Necessitam ter outros excitamentos. Desejam provar outras pessoas e coisas sem terem de se separar. Assim (sempre um desejando mais que o outro) aceitam a variedade a fim de manter a unidade.

Na realidade um deles tem uma enorme tesão quanto a ter outros parceiros sexuais, embora não queira perder o casamento. O outro igualmente inseguro quanto a desfazer o casamento, depois de relutar, consente; e passa até mesmo a liberar a tesão no sentido de encontrar outros focos. E isso acontece até como defesa, pois, caso um deles consinta, não seria bom que apenas o outro praticasse. Desse modo os dois vão… Prova do que digo você tem ao seu lado. Sim, porque um de vocês dois é o mais ávido e demonstrou isso como proposta, não tanto tempo atrás. Quem foi? Você ou ela? Digo isto porque dificilmente seriam os dois, a um só tempo, a terem essa disposição. Um de vocês dois iniciou o processo…
Assim, no swing, não sendo os dois apenas um casal que se uniu por outros interesses para além do sexo e da vida a dois, e em família (sendo, portanto, dois seres sexualmente ávidos e livres; posto que o parceiro de casamento não tem significado maior como marido ou mulher) – o que acontece é que um quer muito transar com outros, mas não quer perder o par conjugal e nem trair tal pessoa, e, assim, esse (o ávido) tenta convencer o outro de que isso apenas apimenta o casamento, pois, não tem significado além do físico; e, por tal razão, não ameaça nada. E para provar a tese, o mais ávido propõe que isso seja algo que os dois façam; e, não raramente, o mais ávido propõe que o outro inicie o processo, a fim de que ele (a) veja que o proponente assiste “sem grilo”; o que, nesse caso, prova a tal tese do sexo sem significado.
Como disse, a menos que ambos estejam casados por outras razões, em geral o swing é patrocinado por um marido ávido sexualmente, e que convence a sua esposa insegura; ou é a mulher ávida, mas que gosta da companhia e da vida que tem com o marido, quem diz a ele que não quer trair; e, portanto, abre a porta para a proposta designificada do swing; ou então se trata de uma tara, existente em um; o qual, pelas mesmas razões acima descritas, busca fazer o parceiro parte do fetiche; até porque o “politicamente correto” é uma droga, visto que em nome de não trair eles aceitam se designificar.

Para que um casal não se fizesse mal como casal (embora ainda assim se fizessem mal individualmente) num swing, necessário seria que nenhum dos dois sentisse qualquer coisa conjugal um pelo outro; como se fossem apenas sócios em alguns aspectos da vida. Mas eles jamais terão um casamento; e nem tampouco haverão de ter uma família equilibrada e feliz.

O mais simples é apenas dizer: “Eu tenho um tesão danado; uma vontade imensa de pegar outras mulheres; mas como fui fiel até aqui e não quero perder meu casamento, estou disposto a ver minha mulher transando com outro apenas para não perder o privilégio de pegar quem eu quiser”. Ou: “Detesto isso. Jamais faria. Mas minha mulher quer. Diz que melhora o nosso sexo. E como a amo e não quero perdê-la, aceitei o swing. Além disso, com o tempo, apesar de sofrer vendo-a transar com outros caras, fui aprendendo a me controlar nas emoções, e hoje agüento a barra, ao mesmo tempo em que tento aproveitar também”.

A vida do swing é curta. Dura poucos meses ou apenas poucos anos. Depois de um tempo começam as brigas. O cara diz que a mulher “deu” melhor do que “dá” para ele. Ela começa a dizer que ele anda fazendo por trás, tendo mulheres sem ela saber. Depois de um tempo, “dando” para tantos ou “comendo” tantas, ele ou ela poderão se apaixonar; ou seja: gostar mais de fazer com um outro (a). Então os conflitos aumentarão, a relação virará “Lua de Fel”.

E pior: viciados em swing, ambos continuarão casados, se fazendo mal; e sempre praticando o swing, mesmo que seja para transformar o cônjuge, depois, num fetiche; e por quem se tem um tesão que é movido a mágoas e ressentimentos.

Nesse processo entra a violência. Depois de um tempo eles começam a ficar com raiva, muita raiva; e como extensão passam a transar sempre com muita violência. É a tara movida à raiva.

Ou seja: praticar o swing é uma possibilidade menos dolorida apenas para aqueles casais sacanas e que não se amam, e que gostam de sexo por sexo; e que têm apenas a uni-los interesses de natureza não profundamente conjugal. Assim mesmo não ficarão isentos de muita dor.

E se houver filhos no processo, maior é a calamidade. Sim, porque a alma das crianças saberá que existe algo; e, tal coisa, diluirá profundamente o sentido espiritual de família que eles deveriam ter; e corroerá a segurança interior que eles, os filhos, necessitam.

Portanto, podendo falar muito ainda sobre o tema, porém limitado pelo tempo, apenas digo o seguinte:
1. O swing é um triturador de significados. Banaliza o que é sublime: o sexo. E mais: tira do coração o ninho de afeto e de exclusividade que a alma quer e o espírito necessita.
2. O swing não é a causa de alguém ir para o inferno; posto que nele, no swing, a pessoa estará no inferno em pouco tempo. Sim! Num inferno psicológico terrível; mesmo que não morra…
3. O swing é o modo pós-moderno dos seres politicamente corretos freqüentarem um bordel sem a culpa moral de antes. E mais: é um modo politicamente correto de fazer valer a máxima de que o que é bom para um pode ser bom para o outro; ou nesse caso, para ambos.
Na realidade ninguém deve trair ninguém. Além disso, é fora de dúvida que a traição destrói tudo. Entretanto, em geral, destrói menos; pois, dela, da traição, pelo menos um ser sai doído, ainda que se sentindo digno por não ter traído ninguém. Já no swing a destruição é lenta e muito mais profunda. A traição gera trauma. O swing gera tara. E mais: a traição provoca dor. Já o swing tira o poder abençoador da dor do coração, zumbificando a percepção dos praticantes.

O que acho é que vocês não vão se segurar, pois, um de vocês dois já passou a linha limítrofe e desejará passar do swing virtual para o presencial. E mais: quando isto acontecer, em não muito tempo, o casamento de vocês virará um inferno; e, como conseqüência, vocês se farão duplamente mal.

Entretanto, como disse, creio que se não houver um convencimento do Espírito de Deus no coração de vocês, já é tarde; posto que tanto você quanto ela estão no ponto no qual a pratica virtual já os pôs na situação interior de não mais poderem viver sem saber “o que é isso” na prática.

Portanto, fica aqui meu aviso amigo; embora com ele venha a minha tristeza acerca do fato que vocês provavelmente só acreditarão no que digo na hora em que estiverem chorando a tolice que estão fazendo; e que, provavelmente, ainda farão pior.

Assim, fico orando por vocês. E pedindo a Deus que lhes traga revelação do significado da vida; e do que nela convém e edifica; e do que nela não convém, pois destrói o ser.

Aqui no site há outras respostas ao mesmo tema. Leiam.

Nele, que fez Adão e Eva, e não um monte de casais swingando no Paraíso,

Caio

www.caiofabio.net