Meu pastor, meu medo e minha fobia

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Posted on 4th julho 2010 by Roberto in Cartas

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Te olho nos olhos
Creative Commons License photo credit: GilbertoFilho .

Querido Caio, meu pastor.

Recebi tua resposta há alguns meses e desde então tenho tentado digeri-la – e mais: vivê-la!

Só que como você mesmo nos ensina aqui, tudo é fácil quando não estamos vivendo, quando não estamos no olho do furacão.

Daí porque eu re-alimento a questão (recalques, eu sei), perguntando: “Se a santidade vem de Deus e não do homem, por que eu me bato tanto (poderia ter escrito esmurro também) pra conseguir me apropriar dela e pra conseguir ser santo e não ferir a Santidade de Deus?”

Cara, você deve ter noção sim de como é horrível a gente estar em luta conosco mesmo a todo o momento. A luta de não querer, como se lê na Bíblia, entristecer o Espírito Santo

Cara, eu sinto nestes últimos dias que Ele simplesmente foi embora. Sumiu. Me abandonou. Ou eu teria abandonado Ele?

Nem sei se agora peço a sua ajuda. Só sei que pra mim tá difícil. São dias tristes em que a Graça parece passar à minha frente sem que eu consiga tomar posse dela… (o Philip Yancey fala disso em “Maravilhosa Graça”, que li, achei lindo, forte, poderoso, mas não consigo viver…).

Tomar posse…

Ah! Cara, eu tô de saco cheio desse negócio de religião! De ficar repetindo palavras do tipo “o meu casamento é o melhor!”… etc etc etc, como se pela repetição a gente fosse se apropriar de algo…

Pode até ser que sim, que se apropria, mas fica por ali um cheiro de maracutaia. De que não é isso. De que é algo maior viver em Cristo…

Mas ao mesmo tempo eu leio o último texto publicado hoje (26.08) da resposta ao nervoso rapaz chamado de fariseu e encontro na fala dele, aqui e ali algo que me chama. Algo de religioso que sussurra aos meus ouvidos: “Vem, vem…”.

Taí, desculpa Caio, sou mais uma alma infeliz e conturbada a te escrever…

Caio, nosso pastor amado.

Caio, aquele que se entristece com o nosso não-entendimento.

Mas saiba, eu tento. Eu tento.

Serei mais um daqueles que apenas foram chamados?

E ainda por cima me colocam pra tocar lá na frente todo domingo.

E tomar conta de células.

Tomar conta e “trabalhar” com os jovens…

Com quem além de você eu posso me abrir?

Ore por mim, eu te peço.

Um forte abraço,

Pós-escrito:

Caio, eu te escrevi as linhas aí em cima no dia 26.08, e retransmito como
você pediu que fizéssemos, já que tudo sumiu do teu lap. Abuso da tua
paciência e encaminho outro pedido de socorro, digamos assim, que está
publicado no meu blog e que retrata ainda mais a minha condição hoje com
Deus. Condição? Que coisa mais esquisita esta que eu escrevi… Ato falho?

Eis o texto:

“O grito”

Em dias assim eu queria ser um pássaro. Um bicho qualquer – menos barata, que abomino -, mas um bicho que não pensasse em nada. Um ser assim inóspito, suficiente na sua limitação animal.

Digo isto porque faz três dias que voltei a tomar meu remédio a base de clonazepan, a fim de que eu consiga suportar minha existência.

Tudo veio do nada.

Eu voltava de viagem e minha esposa me deu uma palavra dura – que noutro tempo nem poderia ser dura -, e eu fui esvaziando como aquelas bexigas de festa que depois de cortado o bolo vão perdendo a graça.

Tomei 20, depois mais 10, depois mais não sei quantas gotas e agora estou
aqui debruçado sobre este teclado pedindo socorro.

A quem?

A mim mesmo, talvez.

É nestas horas, eu mesmo já preguei sobre isto na igreja, que tudo deveria fazer sentido em Cristo.

É nestas horas que a gente deveria sentir aquela alegria que os Evangelhos dizem vir do Senhor.

Mas eu não a sinto.

Resta aqui dentro um vazio imenso.

Enorme.

De dar medo.

Seja qual for seu credo – mesmo que nenhum – ore por mim.

Estou mal.


(15.09.04)

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Oi Caio, desde já me desculpo pelo tamanho da carta.

Eu sou aquele teu conterrâneo que já te escreveu em algumas oportunidades e você, gentilmente, respondeu. Naquelas ocasiões a gente falou sobre a neurose de santidade, coisa e tal.

Pois bem. Acontece que muita coisa mudou na minha vida de três semanas pra cá.

Eu não pude mais agüentar algumas coisas e saí do ministério onde aceitei a Jesus há quase quatro anos.

Tem sido difícil porque eu re-nasci lá. Lá também eu cresci, aprendi quase tudo o que sei, e tive até algumas experiências sobrenaturais sim, posso dizer. Enfim, eu estava de corpo, alma e espírito lá. Mas isso foi por um tempo. Isso porque meu espírito não estava mais lá de uns tempos pra cá. E minha alma estava ficando adoecida ao invés de curada…

Digo isso porque há alguns meses eu comecei a me incomodar com algumas coisas: a carga de submissão; o lance de você nunca ser alguém com uma opinião, mas um rebelde; o medo que eu tinha – e ainda tenho – do pastor, e muito mais.

Não posso dizer que tudo isso tem a ver com o esquema do G12 que lá é praticado, mas talvez com a personalidade do pastor mesmo. Caio, ele se diz sanguíneo (numa classificação rastaquera que apareceu por aí e que está na apostila do G12), mas eu acho que muitas vezes ele foi e é mal-educado mesmo…

Bom, mas eu não quero falar mal dele, ainda mais porque ele sempre pregou sobre a maldição de Miriam. Aliás, eu tenho tentado esquecê-lo e tudo o que de ruim ele me falou.

Pra você entender algumas coisas – e eu sei que posso estar te cansando, mas considero importante contar – esclareço que eu era ministro de louvor/música lá. Mesmo sendo novato eu era a pessoa que comandava a equipe de música e ministrava o louvor. Eu também abria alguns cultos e pregava a Palavra em outros. Bom, mas a coisa foi se desgastando, e em que pese o lema do ministério ser a família, eu estava abandonando a minha. Isso porque eu vivia lá na igreja, de segunda a segunda. Muitas atividades, muitas mesmo.

E eu fui cansando. Fui desanimando. E tudo isso sendo um dos 12 do pastor…

Bom, ocorre que alguns dias antes da minha saída eu falei pro pastor que a coisa tava ruim, que eu estava preocupado com a minha família, e que também achava que o lema do ministério não estava sendo cumprido e ele me disse que ia ver. Mas numa noite ele me liga em casa e diz de bate-pronto: “Olha fulano, se o ministério está atrapalhando a sua família, abra mão dele então, porque eu sei quem sou e não admito ouvir dizer que a igreja está atrapalhando a sua vida.” E disse mais: “veja o que está pegando pra você e decida”. E por fim, diante de uma pergunta minha sobre o que fazer – se eu deveria ficar com minha família ou com a igreja – , ele me disse: “Aí você me coloca numa sai justa, eu não sei, você é quem tem que decidir, mas o que eu não aprovo é domingueiro na liderança da igreja.”

Cara, foi um baque!

Ainda que eu quisesse mesmo sair já há algum tempo, digo que a coisa toda doeu, e ainda dói na verdade. Tudo sangra aqui dentro, ainda que eu queira esquecer esta história.

Depois disso, Caio, eu decidi mesmo sair. E me senti mais leve. Mais solto. Mais humano…

E logo no domingo seguinte fomos, eu e minha esposa, a outro ministério e nos sentimos bem. Ouvimos a Palavra, bebemos dela e ficamos felizes, como você diz, encontramos um lugar onde se anuncia a Boa Nova da Graça de Deus.

Mas aí veio o fatídico dia… Seis dias depois do telefonema, ele, o pastor veio aqui no meu trabalho, numa agência de publicidade.

Cara, eu tremia, tremia, tremia. E isso é absolutamente anormal para um cara de 39 anos, publicitário, pai de três filhos, com quase 17 anos de empresa, respeitado por todos.

E ele me perguntou se eu não ia falar com ele sobre a minha saída. Que eu estava me escondendo na caverna. E que ele ficara sabendo dela, da saída, por outras pessoas do ministério que haviam me procurado.

E eu respondi que não me sentia em condições ainda de procurá-lo e que por isso não havia feito isso.

E ele aí começou a dizer coisas que me deixaram e ainda me deixam preocupado. E é por isso que te escrevo hoje… Pois fiquei e estou mal com tudo o que ele me disse.

Ele disse:

1º. Que eu não era discípulo, porque discípulo é submisso;

2º. Que eu não agüentara o primeiro tratamento mais forte e tava correndo;

3º. Que eu estava saindo por um capricho da minha mulher;

4º. Que eu que era um homem espiritual, mas que estava indo pela cabeça de uma mulher com uma visão material das coisas e que, portanto, isso não era de Deus;

5º. Que não sabia de que altar eu andava comendo;

6º. Que eu estava enterrando o talento que Deus me dera e que isso era passível de inferno;

7º. E que ele e eu tínhamos feito uma aliança no céu – quando eu tinha sido ungido um dos seus 12 – e que agora eu estava querendo pegar uma borracha e apagar isso sem mais nem menos.

Bom, em resumo foi isso.

Foi até engraçado porque eu disse pra ele que desde a minha decisão de sair, e até aquele momento, eu até que estava gostando da minha mulher de novo, tendo apetite por ela de novo, mas que agora, diante de tudo o que ele estava me dizendo, eu tava até pensando em me separar… (eu dou risada pra não chorar…).

E disse ao final que não ia orar por mim porque não era de Deus a minha saída.

Eu só escutei e fui adoecendo com aquilo tudo. Mas no final disse que se fosse pra quebrar a cara em outro ministério, eu tinha que quebrar. Mas que nunca ia me esquecer do que ele tinha me ensinado. E se tivesse que voltar, voltaria e ficaria no banco sem problemas.

Bom, foi isso.

E hoje eu te confesso que eu estou aqui, uma semana depois deste terrível “papo” com ele, todo perdido.

Cara, eu me sinto fraco, sabe. É como se alguma coisa tivesse me sugado. Será que isso é sinal de que não deveria ter saído?

Sabe, uma das coisas que me fizeram sair é que ele não admitia que eu lesse e comentasse sobre você (de repente um destes altares estranhos na visão dele…).

E eu não podia ficar num lugar sem poder ser verdadeiro.

Estranho porque ao mesmo tempo em que eu me sinto aliviado por ter saído, eu me sinto mal com isso tudo.

Daí eu te pergunto: eu estou amarrado a ele? Eu estou fadado a viver assim, com medo dele? Eu tenho que voltar lá de novo e me desculpar de tudo de novo – até do que não fiz – e me humilhar pra conseguir a bênção dele?

Ah, Caio! Se você estivesse em Manaus eu iria pro Caminho da Graça.

Obrigado pela tua força.

Um dos teus textos intitulado “Veja o que a Graça pode fazer por você” me deu muita força antes e agora na minha saída.

E o legal disso tudo, sei lá, é que um dos 12 veio até aqui e me disse que as coisas com a minha saída iam mudar e elas mudaram. Ele aliviou a carga dos compromissos, mas eu ainda assim confesso que me sinto um refém psicológico dele.

Como me libertar?

Um forte abraço,

Como escrevi na ultima carta, Caio, meu pastor.


Observação: Eu e minha esposa estamos ansiosos pela tua resposta, Caio. Muitas pessoas dizem tanta coisa, mas o que queremos e precisamos é da direção de uma pessoa de Deus, e conseqüentemente, sensata como você.

Te amamos!

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Oi Caio, Graça e Paz!


Dias atrás te escrevi sobre minha saída do grupo religioso onde eu estava, e de outras questões como a minha ligação com o pastor de lá. Eu sou o famigerado neurótico pela santidade (risos).

Aliás, eu era.

Digo isso porque meio que tudo dentro de mim já passou: as neuras que eu tinha àquela época (recente, eu sei); as encucações acerca da minha ligação com as pessoas e com a pessoa do pastor lá, idem. Tudo, em absoluto, meio que o tempo levou pra debaixo de algum tapete.
E a fase e frase é bem essa mesmo: debaixo do tapete.

Eu sinceramente não tenho mais pique pra me relacionar com demonstrações de ligação com o Divino.

Fruto do g-12, talvez.

Fruto da minha natureza, certamente.

E que natureza é essa? Olha, pelo pouco que me conheço é uma natureza cansada de quase tudo, sabe…

Engraçado como as coisas perdem as cores; né?

Perdi o apetite: des-gosto.

Será que a existência será sempre essa coisa dolorida para os que insistem em pensar sobre ela?

E como parar de pensar?

Tenho medo de estar relativizando o absoluto.

Medo de relativizar a um ponto em que, sendo quem eu sou – detalhei isso na outra mensagem – eu caia novamente nas mãos de alguém como o que me “gerou” em Cristo.

E sabe… Eu tenho medo de relativizar isso também. Essa tal gestação em Deus…

Lembro agora que certa vez passeando por aqui eu li alguma coisa sua dizendo que contigo não tinha sido mais uma historinha… Que contigo Deus tinha se revelado de FATO e de VERDADE.

Ah, eu não alcanço isso…

Um beijo,
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Oi Caio.

Vi hoje a re-publicação duma resposta muito carinhosa sua para uma fase em que eu me preocupava com a tal santidade. Saiu com o título “Neurose de Santidade”.

E daí, do alto da minha dor de cabeça que não passa, eu li tudo de novo e pensei: “engraçado como isso não me afeta mais…” (…) “engraçado como isso era tão importante à época…”

Assim eu vejo mais uma fase que foi. Mais um percurso que se encerrou. Tanto quanto aquele outro percurso sobre o qual lhe escrevi: falo das mensagens angustiadas que te mandei logo após a minha saída da igreja onde eu congregava.

Cara! como o tempo levou tudo isso embora…

Como as coisas – quase todas as que se referem a fé e outras instâncias – estão sem cor pra mim hoje.

Mais um percurso?

Talvez.

Beijo grande.
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Resposta:


Meu amado irmão: Graça e Paz!

Embora nossas primeiras cartas tenham sido sobre “santidade neurótica”, acompanhei os desdobramentos de suas cartas posteriores sem poder interagir como gostaria, posto que estive adoentado no início do ano, como você sabe.

Na realidade, perdi duas correspondências suas para mim, uma das quais só achei ontem à noite, a qual aqui transcrevo também, a saber: a carta na qual você confessa seu pavor pelo pastor g12, seu preceptor em Cristo.

Ora, fui procurar possíveis correspondências perdidas nessa pilha de milhares de e-mails que estão aqui alojados no meu Outlook, e encontrei a tal carta; o que muito me angustiou.

No entanto, o que me levou a tentar buscar “elos” perdidos em nossa correspondência, foi a sua última Carta Descolorida. Foi então que descobri a Carta do Tudo Varrido Para Baixo do Tapete.

Ora, ler todas as cartas na seqüência—e aqui não colei tudo o que li, a fim de não tornar tudo longo demais—, percebi que sua estrutura psicológica foi muito mexida pela sua experiência na igreja do pastor g12.

No entanto, também percebi que só houve esse impacto todo em razão de que psicologicamente você já era frágil, e, pelo que percebi, isso é algo que o acompanha há muitos anos.

Se eu tivesse que pintar um quadro, eu diria o seguinte:

Você sempre foi uma pessoa angustiada (neurótica), com intensa busca por uma razão para viver (tendência a depressividade), e que já vinha sendo medicado em razão de tais aflições interiores, até que chegou na igreja, e, ouviu algo do Evangelho, alegrou-se, entregou-se, e viveu com alegria as ocupações que recebeu, visto que você é um homem talentoso.

Acontece que a “igreja” estava funcionando apenas como “terapia ocupacional” para um homem com forte tendência à depressão, e que, agora, encontrara um significante modo de servir e expressar seus dons e talentos, o que deu a você um novo ânimo para a vida.

O problema é que como você também é muito inteligente, logo viu as doenças que lá havia, aos montes; e, além disso, começou a se angustiar ante o processo de desindividualização que o tal G12 produz em todos aqueles que se submetem ao espírito de tal ‘clonagem’.

Quando você me escreveu a primeira vez a piração era acerca da sua “neurose de santidade”. No entanto, esse tema ainda é bastante superficial se considerarmos o todo de seus conflitos.

Na realidade o que aconteceu é que você ficou sabendo que em Jesus você tem vida, no entanto, dada a experiência tão trágica na igreja g12, você iniciou um processo que combina as frustrações presentes com as tendências e realidades depressivas que já existiam dentro de você.

A emoção que sua carta acerca do pastor me passou, foi a de “um menino que foi seduzido e controlado pelo líder de uma seita”.

Seu medo, seus tremores, seus temores, seus suores, suas mãos geladas, suas noites insones, seu pavor…

E quando você disse: “Como pode? Eu? Um homem de 39 anos, pai de filhos, publicitário, respeitado…?”—e com medo; você revelava o desencontro profundo entre a sua razão e as suas emoções.

De fato, certas vezes, sua carta chegou a soar como a carta de uma amante dependente e apavorada, e que havia traído o seu homem. Isso porque até mesmo a proposta do pastor g12 era uma proposta de amasiamento e conjugalidade: ou sua mulher ou ele.

O fase do “jogar tudo para baixo do tapete”, conforme você mencionou num dos e-mails, após a sua saída do G12, era apenas uma tentativa de sublimação de algo que ainda estava aí, e com muita força. Ora, como você passou por cima sem olhar o que era—jogou pra baixo do tapete—, o monstro voltou na forma do Descolorido.

Percebi que você evita até mesmo pensar em sua conversão, pois, como aconteceu tendo o pastor g12 como preceptor, você teme concluir que como ele é doido, sua experiência com Deus não tenha sido válida. Daí, hoje, você até mesmo pensar que nem mesmo teve um encontro com Deus.

Ora, seu problema não é com Deus, mas apenas com você mesmo. E mais: enquanto você olhar a vida com esse medo, nada de bom lhe acontecerá.

Você disse que tem tudo para ser feliz—mulher, sexo bom, filhos lindos, bom trabalho, etc—, mas afirma que não consegue, posto que tudo se descoloriu bem diante de seus olhos.

Você mesmo diagnosticou uma dependência doentia que se instalou na sua relação ou caso ministerial com o pastor g12.

Ora, isso me leva a fazer a você algumas indagações, as quais, eu espero que você entenda, posto que meu único desejo é ajudar.

1o Como era seu pai e como era ou é sua relação com ele?

2o Alguma vez na vida você já se sentiu emocionalmente atraído por algum homem?

3o Você já esteve antes na vida numa posição de submissão a alguém?

4o Como e em que ocasião sua depressividade se manifestou a primeira vez? E com que idade?

Ora, pergunto estas coisas porque considero que tudo o que você me narrou é apenas sintoma de algo mais profundo, e que precisa ser descoberto; isso para que você tenha paz para poder se tratar.

Enquanto isto, leia aqui no site uma Entrevista Sobre Discipulado, pois, eu sei que nela você terá também as respostas às perguntas que me fez acerca de sua relação com o pastor g12; ou seja: se deve pedir perdão a ele e voltar a levar a Canga-G-12 sobre seus ombros para sempre, ou não.

Além disso, tome o N. Testamento nas mãos e os salmos, e os leia sem buscar nada. Apenas leia. Leia em paz. Não busque emoções, nem sensações, nem choros, nem revelações, nem coisas sobrenaturais… Apenas leia, e deixe-se lavar pela Palavra.

Na realidade você foi profundamente condicionado e mentalmente higienizado pela “lavagem gedoziana”, e, agora, precisa ser limpo e lavado de tais condicionamentos que se fixaram em suas emoções.

E mais: não associe a Graça de Deus a emoções. A fé baseada em emoções não é fé, mas apenas sensações. Na Graça de Deus a gente anda apenas pela fé, mesmo que não haja nenhuma emoção. Isto porque a vida na Graça se baseia em fé e consciência acerca do que Jesus fez e Consumou, e não em arrebatamentos que supostamente validam ou não a presença de Deus em nós.

Eu nunca vi um anjo, nunca rolei no chão em tremores, nunca ‘caí no Espírito’, nunca levei um tapa do diabo, nunca senti que minha cama estava sendo sacudida, nunca…

Falo em línguas, mas isso é coisa simples. E não baseio minha vida com Deus em nada disso. Portanto, quando disse que não sou filho de uma “historinha”, mas de um encontro verdadeiro, eu não dizia nada além do fato de que sei que conheço a Jesus, e isso pela Palavra, e pela atualização que o Espírito faz dela em meu coração todos os dias, me chamando para entregas cotidianas, e para uma vida de confiança; ou seja: tudo pela fé.

Assim, me responda, por favor, as perguntas que lhe fiz, pois, uma vez que tenha as respostas me sentirei mais confortável para lhe sugerir algumas coisas mais práticas. O que posso lhe garantir é que se você crer e confiar, tudo isso vai passar, e você terá paz para usufruir o bem que habita a sua vida, e que é pura Graça de Deus.

Receba meu beijo amigo!


Nele, em Quem ninguém serve com medo,

Caio

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Oi Caio.


Antonin Artaud diz que certas emoções não cabem em palavras. E é assim que eu tenho me sentido ao receber tanto carinho e atenção de você. Não há palavra que expresse meu sentimento.

Desculpa mas o texto ficou extensíssimo. Tentei te responder tudo e talvez algo mais.

Obrigado.

[Respostas às suas perguntas:]

1. Como era seu pai e como era ou é a sua relação com ele?

A relação com meu pai, hoje, é de empatia. Foram anos, confesso, para que a minha mágoa em relação ao abandono que ele fez da nossa família – quando eu tinha 7 anos de idade – passasse.

Hoje muitas vezes eu olho pra ele, meu pai, e vejo um cara que foi engolido
pelas conseqüências da via, digamos assim. Quais sejam:

a. Um casamento ruim que depois passou pra outro pior ainda.

b. Uma descoberta minha de que ele é um cara fraco, cheio das suas angústias, medos, desejos de relações sexuais com outras mulheres que acontecem na mais sórdida surdina – e eu aqui não estou julgando isso nele, porque também muitas das vezes eu me vejo tentado a ir pelo mesmo caminho.

c. Vejo também que ainda hoje eu e ele meio que forçamos uma amizade – que é até sincera (ele até diz que dos 5 filhos, eu sou o único com quem ele se abre, fala das suas fraquezas etc) -, mas que ao final é uma amizade que eu sei estar em segundo plano sempre, visto que meu irmão mais velho – o primogênito – é quem de fato liga pra ele com mais freqüência, se preocupa com as coisas dele.

d. Engraçado, paradoxal, mas é uma empatia de atração e “deixa-pra-lá”.
Somos, ao final, meio que cúmplices das nossas vias tortas.

e. Tenho um pai, Caio, mas sinto que eu esperava em Deus, e no preceptor “gedoziano” um pai melhor.

f. Por fim, meu pai quando soube da minha saída do ministério g-12 disse que já tinha isso como certo, porque na visão dele eu estava fazendo sombra pro outro pastor, e que na verdade – ele me disse isso anteontem – eu agora só preciso mesmo é de um púlpito e de um povo pra tomar conta, porque ele me assegura que quando eu trago a Palavra ela vem forte, ela vem clara, ela vem como as pessoas deveriam ouvir.

g. Confesso que me surpreendi com essa declaração dele. Eu que achava que ele tava me achando um fanático, um doidivanas. Mas ele me disse anteontem que não, que ele na verdade teve no início ciúme do pastor g-12, mas agora sabe que eu fui “promovido”, e que vou tocar este caminhar no Caminho na boa.

h. Como é então minha relação com meu pai? Em resumo: um medo de ter todos os defeitos que vejo nele, e, ao mesmo tempo, um parceiro/cúmplice das suas (nossas) angústias.


2. Alguma vez na vida você já se sentiu emocionalmente atraído por algum
homem?

Sim e não. Na adolescência eu tinha um medaço de ser homossexual. Era muito magro, esquisito, de repente tinha até – e talvez tenha ainda hoje – alguns trejeitos que não seriam classificados como de um cara macho: daqueles que coçam o saco e cospem no chão. Tudo isso até porque meu irmão mais velho era esportista – chegou até a ser jogador de futebol profissional – e eu fazia aquelas fatídicas comparações. O cara lá, todo gostosão, dono de si, a mulherada dando o maior mole, e eu ali em casa ouvindo meus discos, fumando meus cigarrinhos e pensando na morte, lendo Cruz e Souza. Um fato que me marcou foi quando na faculdade eu encontrei numa prateleira um livro ilustrado do Jean Genet, se não me engano, e levei um baque ao ver aquele desenho de dois homens transando. Os dois em pura ereção. Foi um baque.

Lembro que fechei o livro na hora e aquilo me moveu a nunca mais querer ver este tipo de coisa. Daí porque digo que hoje eu sou heterossexual mesmo. Gosto de mulheres. Mulheres delicadas, femininas, que apreciem um bom vinho, um bom papo, e um ótimo sexo. Não tenho fantasias com homens, definitivamente. Se a extensão da pergunta chega na hipótese da minha relação de “amante traída” pelo pastor g-12, posso afirmar com todas as letras que jamais passou pela minha cabeça ter um caso ou transar com ele. Acho homens bonitos, bonitos; ainda que me sinta, via de regra, diminuído perto deles. Mas não passa disso. A coisa de acharem que sou isso ou aquilo já não me afeta mais, definitivamente. Pra falar a verdade mais clara possível eu gostaria muito é de namorar muitas mulheres. Sentir todos os seus perfumes, sentir todas as suas formas, sabores. Isso sim eu gostaria. Mas não posso. Seria uma tremenda sacanagem com a minha esposa. Pra te contar um fato muito importante pra mim, houve uma mulher – mulher mesmo, fina, inteligente, apaixonante – com quem tive um relacionamento extraconjugal e depois de tudo eu aprendi que só fiz machucar as pessoas e eu mesmo. Ela me disse, na última ligação que atendi: “Se você sabia que não podia me ter inteira, porque levou adiante?” Ainda sinto saudades dela. Mas amo minha esposa. Re-aprendi a amá-la. Na verdade se não fosse minha esposa eu talvez nem estivesse aqui agora digitando estas linhas pra você, Caio.


3. Você já esteve antes na vida numa posição de submissão a alguém?

Sim, sempre. É uma coisa doida o que acontece comigo. Como chefio mais de 30 pessoas, com eles eu sou o cara que manda, desmanda, ainda que tudo no respeito, na amizade, sem tiranias. Mas quando se trata de ser o comandado eu fico todo murcho. Todo medos. Todo temores. Minha relação com minha esposa, por exemplo, é uma relação na qual eu prefiro que ela tome as decisões. Tome conta da grana. Tome conta de tudo. Eu quero meio que ficar alheio. Já no trabalho eu gosto de comandar as coisas. Saber de tudo. Ter tudo sob controle, sob o meu controle. Mas mesmo sabendo que sou um cara competente, tenho o maior medo do meu chefe. Medo mesmo. Passa pela minha cabeça que ele pode me mandar embora a qualquer momento e que eu vou estar frito. E isto me tira noites de sono muitas vezes. Lá no esquema g-12 a submissão era total. Ainda que eu com muita espiritualidade tirava um sarro da coisa pra não ficar tão pesada e o pessoal me colocava pra ser o porta-voz das lamúrias que sempre pipocavam. Dentro disso tudo fica sempre aquele papelzinho ridículo que eu faço – ainda que sempre prometa pra mim mesmo não mais fazê-lo – de falar o que eu sei de antemão que vai agradar o sujeito que manda em mim…. Coisa ridícula essa… Na verdade eu tenho um sonho de ser como o João Gilberto Noll, aquele escritor gaúcho que recebe uma verba da editora pra se enfiar num buraco e produzir um livro por ano. O Rubem Fonseca também. Tenho estes sonhos: de não ter que me relacionar com as pessoas. Agorafobia. Solipsismo. O João Padilha, que escreveu “Bolha de Luzes” tem um personagem que é a minha cara (risos). Detesto ir a festas.

Até as da minha família me estressam. Ter que ficar puxando assunto, coisa e tal. Mas olha o engraçado: eu vou, me relaciono superbem (falando quase sempre o que o povo quer ouvir) e todo mundo fica “apaixonado” por mim… Só rindo…

De qualquer forma eu tento não confundir autoridade com legitimidade. Mas eu sou péssimo pra delimitar as zonas de relevância. E sofro demais com isso.
4. Como e em que ocasião sua depressividade se manifestou a primeira vez? E com que idade?

Cedo, muito cedo. Logo depois que meu pai foi embora, eu lembro que um primo nosso veio nos visitar e minha mãe começou a chorar, chorar, chorar, e aquilo me angustiou muito. Fiquei triste pra cacete. Com raiva também. Eu tinha 7 anos. Depois veio a fase da adolescência, das comparações com meu irmão esportista, e dos dias, meses, anos, passados sozinho em casa, ouvindo o Michael Jackson na vitrola e pensando em viver a vida dele, que, definitivamente não era a minha. Me achava feio demais. E olha que não sou nada feio (risos). Foram natais, anos-novos, todos passados sozinho. Meu irmão jogando bola na Europa, meu pai com a mulher dele e seus outros filhos, minha mãe com os namorados dela eu ali, assistindo o Barros de Alencar, descobrindo a masturbação e cigarros como companheiros e olhando o mundo pela janela da nossa casa alugada. Eu sentia já à esta época – 13, 14 anos – a mesma coisa que agora aqui dentro pulsa em mim: um desespero, uma impressão de que vou explodir, de que vou fazer alguma merda. Depois, mais tarde, como era natural, me liguei naquela fase “dark” em que a gente só andava de preto, lia Baudelaire, ouvia Pink Floyd, The Cure e assistia sem parar o Marlon Brando em Apocalipse Now. Eu via as meninas, e pensava: “Puxa, eu te amaria tanto se você me deixasse.” Mas nada rolava… Depois mais velho, 30 anos por aí, fui fazer terapia com um cara super legal e anotava tudo no meu “Diários do Subterrâneo”. Foi nessa época que comecei a tomar o clona misturado com clomipramina, triptofano e outras coisas e dei uma despirocada. Mas resolvi parar.

Eu sei que cabe ao analista fatiar e eu depois juntar em casa. Mas minhas “gestalts” parecem que não fecham nunca. Só abrem, abrem, abrem.

Minha esposa sempre me diz: “Cara, todo mundo sofre, não sei porque você não relaxa….” Mas eu sempre re-encuco. Tenho medo de ficar desempregado. Tenho um medaço do meu diploma e do que não fiz com ele. Tenho tudo. É isso. Tenho um amigo que diz que eu ainda sou feliz porque tenho estas âncoras de preocupação, porque caso contrário eu já teria partido.

O que mais me irrita – e você foi mais-que-perfeito ao escrever sobre o “desencontro profundo entre a minha razão e minhas emoções” – é justamente saber que eu tenho tudo pra ser feliz. Tudo, em absoluto. Vejo gente na pior e feliz. E eu aqui choramingando. Mas ao mesmo tempo eu sinto que não é chorinho de filhinho de papai (que não sou, diga-se, visto que desbravei meu caminho sozinho e com minha esposa), é uma coisa pior que eu não sei o que é.

Ufa! Acho que é só tudo isso.

O mesmo amigo de que lhe falei acima me diz que a arte existe justamente pra gente sublimar a existência. E você também disse isso de certa forma. Mas eu fico naquela de achar que as minhas pinturas, os meus textos, o meu blog, tudo o que eu faço, e faço muito bem, não estão dando conta do recado. As letras estão invertidas pra mim. E eu tinha mesmo muita esperança naquela terapia ocupacional. Mas será que sempre será assim? Sempre eu vou ter que depender de remédio e terapia? Que pai serei para as minhas filhas?

Tenho medo da máscara cair.

Um beijo Caio.

E como disse é inefável o que você tem feito por mim ao direcionar parte do seu tempo pra mim. Te agradeço eternamente. Eternamente mesmo.

Bom, Agora chega de te importunar.

Beijão.

E aparece em casa pra gente tomar um bom vinho e bater um papo.
Pode acreditar, eu não sou tão ruim assim como parece (risos).
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Resposta:

Meu amado amigo: Graça e Paz!


Se tomássemos o caminho da psicanálise para tratar a questão, certamente você seria um “prato cheio”, por tudo o que narrou antes e agora. No entanto, meu amigo, eu não creio que a psicanálise o ajudará muito. Na realidade eu creio que o que você precisa é se ligar a Deus em um conhecimento profundo, e que seja o resultado de sua entrega em amor a Jesus e ao Evangelho. Mas fazer isso no nível psicológico também; ou seja: “de todo o teu coração”.

Escavar sua alma poderá apenas desenterrar defuntos que já nem sejam tão importantes assim. De fato, a cada dia que passa, mais me convenço de que as grandes mudanças são simples; e são fruto de uma rendição da mente ao amor. Ora, esse amor do qual estou falando é uma escolha, uma decisão, uma consciência.

É obvio que num mundo como o nosso (com tantas propagandas de prazeres, de hedonismos, de surubas, de mulheres gostosas—mais de uma na cama—, de gozos e gostos, e de experiências novas), quase todo mundo que eu encontro está na sua situação: se pudesse, soltaria a franga, pegaria todas, não pouparia a si mesmo de nenhum gosto ou prazer.

No entanto, todo esse “sentir”, é fruto do curso deste mundo e de sua propaganda maligna e perversa; objética e fetichista; rápida e prática; sem nomes ou compromissos; com possibilidade de variedade quase ilimitada de experimentos.

Ora, o que vejo a cada dia que passa é que todo mundo está sendo atingido por esse espírito que cobre a terra como um manto; o qual abraça as almas com o abraço que não abraça, que é o abraço da carência e da aflição, e que diz para a alma humana que a passagem de cada pessoa pela Terra terá tido valor apenas se a pessoa “experimentar” muitas coisas nesse mundo de múltiplas ofertas, e, no qual, as escolhas da alma acontecem num Shopping Center de escolhas vazias e pobres.

Assim, deixando Freud de lado e também a religião, especialmente essa gedoziana, quero recomendar a você alguns exercícios e disciplinas:


1. Já que você decidiu investir em seu casamento e que está conseguindo bons resultados, então, aprofunde-se ainda mais. Dedique-se a amar sua mulher; a fazer amor com ela; a tratá-la com carinho e consideração; e, sobretudo, com reverência por ela.

2. Trate sua insegurança em relação às figuras de autoridade como coisa de natureza espiritual. Ou seja: combata essa insegurança e esse medo com confiança. Sim, com confiança. Confiança em Deus, meu amigo, é entregar, descansar, e viver sabendo que existe um Cuidado e uma Provisão sobre nós. Assim, lhe digo: mais do que qualquer coisa você precisa conhecer a fé como confiança. Quando isto acontecer, você verá que como por encanto tudo isto vai desaparecer. Sim, se sua visão acerca de Deus ganhar confiança, então, você verá que sua vida mudará completamente; e você será possuído por uma segurança que você nunca conheceu.

3. Trate a questão do pastor gedoziano da seguinte maneira: Não se grile com o que houve. Fique longe de lá. Não mexa mais com esta questão. Vire essa página. E saiba: eu sou “pastor”, “reverendo”, e todas essas outras bobagens da religião funcional e estatal. Ora, é justamente por essa razão que lhe digo que nenhum pastor desse mundo é alguém “a mais” para Deus do que você. Na realidade, o sistema gedoziano usou as formulas de “autoridade espiritual” do Lee, e, a elas acrescentou o controle piramidal e a obsessão pelo crescimento numérico; sem falar num sem-número de outras tolices. Todavia, a pior coisa que eles fizeram foi a ressurreição do sacerdócio individual de alguns em favor de muitos: os “apóstolos atuais” chamam para si mesmos esse papel totêmico; eles só não aceitam é o lado avesso do totem, que é a execração. Ora, um homem com suas dificuldades naturais com a questão das figuras de autoridade, posto num lugar gedoziano, não tinha como não desenvolver as fobias e pânicos que você desenvolveu. Você já os tinha; porém, lá, as coisas ganharam contornos mais sérios para você, e que é o resultado de se misturar uma fraqueza psicológica com o medo que a religião patrocina em relação à figura de Deus; e de seus representantes na terra; no caso gedoziano, o “apóstolo”. Portanto, considerando os antecedentes, posso dizer que você saiu até muito bem dessa encrenca psicológica. Tem gente que não sai. Atendo um monte de pessoas que enfermaram dentro dessa “rodinha de hamster”, que é o G12, bem como dentro de todas as demais coisas que andam no seu espírito de quantificação, controle e clonagem.

4. Acalme seu coração uns meses, e, depois, comece a reunir os irmãos. Sim, há muitos como você aí; além de que eu creio que o exercício de uma liderança feita a partir do conhecimento do significado do que é se sentir oprimido pela autoridade, pode dar a você uma grande vantagem no exercício de um papel de liderança. Isto se você não esquecer que também “já foi peregrino e estrangeiro” em terras de reis controladores e opressivos.


5. Há também em você um forte desejo de não ter crescido. E essa falta de desejo na maturidade independente e confiante tem feito muito mal a você. Portanto, recomendo que você leia o livro “A Trilha Menos Percorrida”, de Scott Peck, pois creio que nele você encontrará bons fundamentos para entender a si mesmo; bem como também nele você discernirá o significado do que seja maturidade, segurança e amor.


Por enquanto é só isto. O mais é muita leitura dos evangelhos, em voz alta, e a leitura dos salmos, em voz alta. Faça isto todos os dias. Ouça o que está lendo. E depois escolha a passagem que tenha “escolhido” você—porque o que tenha tocado—, e passe um tempo em silêncio, meditando nela; depois saia em paz.

Ora, todos esses conselhos são dados levando em consideração que você deseja viver “vida mansa e tranqüila, com toda piedade e respeito”. No entanto, eu sei que o apelo deste mundo de seduções é para que você se entregue a uma existencialidade de experiências e experimentos, os quais, saiba, eu sei, por experiência própria, nada fazem de bom à alma, e a ela nada acrescentam; exceto dor.


Receba meu amor e reverência pela sua alma!

Nele, em Quem nada nos falta,


Caio

www.caiofabio.net

Quem são os anjos e demônios?

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Posted on 10th maio 2010 by Roberto in Cartas

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Death for order
Creative Commons License photo credit: Alejandra Mavroski

Meu amigo Caio: Graça e Revelação!

Acerca de dois meses venho estudando um assunto que tem me grilado muito: é sobre anjos e demônios.

Durante algum tempo eu tinha aprendido na igreja que ambos eram a mesma coisa, ou seja: que os demônios eram anjos caídos e que os anjos aprisionados eram anjos que haviam caídos com Lúcifer no principio. Só que isso, eliminava a queda de Gn 6, que geralmente é aplicado aos filhos de Sete.

A interpretação tradicional diz que quando Satanás caiu levou consigo a terça parte dos anjos, e que alguns desses anjos Deus os prendeu em cadeias para serem julgados. Mas conta se que outros anjos, dos mesmos que caíram, estão soltos juntos com Lúcifer.

Eu ainda não encontrei nas passagens que tratam da queda de Satanás nenhuma alusão a outros que com ele caíram, exceto no Apocalipse. Só que lá me parece ser um evento ainda futuro, principalmente se houver ligação entre Dn 2.41- 45 com Ap 17.12,13. Se houver, então haverá mais uma queda no futuro de Daniel e de João.

Daniel fala de uma união de ferro com o barro, e ambos se misturarão por meio de casamento, ele não está se referindo à queda do Apocalipse? E um evento repetitivo da queda de Gn 6, com uma diferença de que lá no Apocalipse haverá a participação de Lúcifer no evento?

Estou tentando compreender esse assunto e preciso de uma luz sua; quer seja me ajudando de uma forma direta ou recomendando a compra de algum livro que seja confiável sobre o assunto.

Vou lhe dizer qual é o meu entendimento em construção sobre isso: Lúcifer quando caiu, caiu sozinho (Is 14.12 ss. Ez 28, Lc 10.18). Depois veio a queda de Gn 6, e conseqüentemente o dilúvio. Esses anjos de Gn 6 estão presos e só sairão para serem julgados (Jd v 6. II Pd 2.4). Creio que sejam os mesmos citados por Paulo em I Co 6.3 embora eu não saiba por que serão julgados pelos homens. Talvez pelo fato de terem interferido no curso natural da humanidade inserindo um novo gene não humano nessa união.

Depois disso, vem algo que me intriga muito Caio, é a galera que habitava em toda a região que Deus deu a Israel. Os caras eram enormes, Deus faz uma série de recomendações a Israel; inclusive,de não se misturarem com eles (Ex 34.11,16.). Eu me pergunto: Por quê? Será que não houve ai mais uma dos anjos? Pelo menos fica a idéia de que Deus estava preservando algo; esse algo talvez fosse à humanidade de Jesus.

Meu amigo, eu estou tentando entender esse negócio, me ajude…

Com relação aos demônios, não sei de onde vieram. Mas fico matutando umas coisas: Desconfio dos meninos que nasceram desses relacionamentos alienígenas, e que depois pereceram no dilúvio. Não seriam os demônios, espíritos desencarnados desses filhos dos anjos que pereceram no dilúvio? Pois ainda não fui convencido de que anjos incorporam em pessoas, (não sei; esse negócio de possessão demoníaca é muito complexo) e sim demônios. Parece que andam a procura de corpos para habitarem.

Eu quero ser convencido pela verdade. Só que todas essas minhas previas concepções se tornam em nada quando olho o texto de Paulo aos Efésios 6.12. Se esses principados e potestades citados por ele forem anjos maus, estão vou ter que começar tudo de novo, ou então abandonar por completo esse negócio de tentar entender isso. Se não, então só posso crer que sejam demônios sendo regidos por Satanás, e ai fica tudo como está, e eu continuo estudando esse negócio e outras coisas.

Bom, penso já deu para o senhor entender quais são os meus grilos em relação a esse assunto, pois o assunto aqui já vai por demais se prolongando.

Então meu amado, eu quero saber se lhe for possível me responder: qual é o seu entendimento sobre esse assunto? No que eu estou certo ou errado? Que luz o Irmão pode me dar sobre o assunto aqui tratado?

Meu amigo: eu lhe sou eternamente grato por sua atenção. Pergunto-lhe isso porque já perguntei para outras pessoas, inclusive pastores; mas as respostas são as mesmas que eu já vi, não acrescentam nada do que eu já sei.

Os livros que já li são por demais tendenciosos seguem tão somente a mesma linha de interpretação, de forma que falam a mesma coisa.

Sei que o senhor é uma pessoa que não se omite em falar qualquer tipo de assunto, e por isso entre tantas outras coisas que venho perguntar-lhe isso.

Caio, muito obrigado meu amigo. Aguardo com expectativa a sua resposta a esse humilde e pequeno jovem servo de Deus.

UM FORTE ABRAÇO

Nele, que há de nos revelar todos os tesouros do conhecimento,

Eilson

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Resposta:

Meu irmão Eilson: Graça e Paz!

A leitura de meu livro “Nephilim” (e que agora sairá com notas de roda-pé sobre o seu tema) poderá esclarecer você em muita coisa.

Assim, recomendo a leitura do “Nephilim”.

Em resumo:

1.                  A Bíblia não conta tal “pré-história”. Portanto, tudo o que se diz é pura conjectura. De fato, na Escritura ou mesmo no que Jesus disse (incluindo os apóstolos), não há a menor referencia ao “evento-queda de Satanás”. Jesus simplesmente afirma a existência de Satanás, tanto quanto afirma a existência de anjos e demônios. E pronto. Não fala de nada que não seja a constatação óbvia acerca da presença do mau no mundo. O resto é especulação.

2.                  Essa “ordem de coisas” sobre a qual você aventou não passa de uma construção humana. Foram os teólogos dos primeiros séculos que tentaram dar seqüência ao que não foi ensinado com nenhuma cronologia. Entretanto, a maior “invenção” veio dos pentecostais dispensacionalistas dos últimos dois séculos.

3.                  As possíveis relações entre o livro de Daniel e o Apocalipse (ou mesmo com respeito ao “sermão escatológico de Jesus) — podem existir em alguns aspectos, mas não de modo equivalente e simetricamente complementar. Apenas a titulo de exemplo, a tal união entre ferro e barro no livro de Daniel (Cap. 8-10), faze alusão ao império de Alexandre, o Grande; e, depois dele, a repartição de poderes entre quatro generais: Lisamaco, Cassandro, Ptolomeu e Seleuco; e o casamento entre o ferro e o barro refere-se à Cleópatra. Portanto, fala-se de algo que já aconteceu historicamente. Entretanto, Jesus mandou que se ficasse atento à reincidência história do Abominável da Desolação, o qual, historicamente, já havia se manifestado em Antíoco Epifânio, original da ala de Seleuco, mas que teria ainda seu superlativo escatológico por vir.

4.                  Desejar criar uma conexão exata entre Daniel e o Apocalipse é tolice. Há e pode haver pontos de contato e de complementaridade, ou mesmo alguns aspectos de Daniel que podem iluminar o entendimento do Apocalipse, mas longe de se poder fazer as “contas e as comparações” que os teólogos dispensacionalistas fizeram; assim condicionando as pessoas a tais “entendimentos” como se fossem provenientes da Escritura — não sendo nada além do exercício de sistematização e construção que fizeram.

Com relação a anjos e demônios, tanto a Escritura como também Jesus, nada disseram acerca de suas origens; exceto que anjos são ministros de Deus agindo em favor dos que hão de herdar a salvação.

Demônios apenas são constatados por Jesus e expulsos. Sobre a fixação deles quanto a possuírem corpos, Jesus mesmo disse que é assim.

Assim, eis o que se pode dizer sem especular:

1.                  Que houve uma queda de Satanás em algum lugar-dimensional antes de haver humanidade. A Serpente estava no Jardim. O que se diz no Gênesis acerca de que antes desta criação a Terra estava “catastrófica e vazia” (hebraico), pode insinuar que algo um dia organizado se catastrofizou antes da criação da presente ordem natural de coisas.

2.                  Que em Gênesis 6 se faz alusão não à descendência de Sete (outra forçação de barra dos teólogos), mas sim a algo de natureza alienígena — com os “filhos de Deus” (no Antigo Testamento por cinco vezes os anjos são chamados de “filhos de Deus”; a saber: Gênesis 6:2, 4; Jo 1:6; 2:1; 38:70) tomando as “as filhas dos homens” para si; e com elas procriando (conceito estranho, porém é isso que está dito em Gênesis), gerando os “gigantes” ou “Nephilim” (os lançados fora…). Ora, tanto no livro de Enoque (citado por Judas apóstolo, tanto quanto usado por Paulo e Pedro em muitos dos conceitos que o livro apresenta), como também em toda a tradição judaica antiga (vide a alusão que Flávio Josefus faz ao tema), bem como na tradição cristã até Agostinho, o texto de Gênesis 6 era vista como dizendo apenas o que diz. Depois é que o conceito ficou estranho demais para os sentidos posteriores dos teólogos.

3.                  Que é impossível não associar as cartas de Pedro e Judas ao que o livro de Enoque diz sobre os anjos caídos e presos em cadeias.

4.                  Que em Enoque (fonte primordial do entendimento apostólico sobre o tema) os demônios são os espíritos dos filhos da união ilícita entre os “filhos de Deus” (anjos) e as “filhas dos homens” (mulheres belas). A leitura de Pedro e Judas não deixa margem para que se pense qualquer outra coisa. É ler com honestidade o livro de Enoque e compará-lo aos dois apóstolos citados, e se verá que o que digo é o que eles dizem.

5.                  Quanto aos mais, embora muito se possa ser dito, a maior parte tem que ser dita como especulação, posto que as Escrituras não são claras acerca do tema. Assim, qualquer certeza (conforme você busca) será sempre fruto da especulação, e não de uma revelação textual.

6.                  Que a afirmação de Jesus quanto ao fato que os anjos não se casam, apenas alude aos anjos em estado de obediência, mas não restringe a capacidade dos anjos de comerem, beberem, e de provocarem eventualmente até mesmo desejo sexual nos humanos, como aconteceu em Sodoma e Gomorra.

7.                  Que os Gigantes que aparecem depois do Dilúvio e que só desaparecem depois que os homens de Davi matam os últimos, são ditos como sendo descendentes do mesmo grupo de seres alienígenas descritos em Gênesis 6. Ora, é depois que os quatro últimos são eliminados que se diz que “Satanás se levantou contra Israel” (veja em Samuel).

Ora, aqui vai este resumo, porém, aconselho você a ler o “Nephilim”, bem como meu livro “Batalha Espiritual”, em cujos textos suas questões serão respondidas em escala ampla e muito mais detalhada — obviamente.

Concluindo digo que sua preocupação com este tema é superlativa, e não deveria ter a importância que você atribui a ele. Sim! Pois o que é essencial para a vida e a fé Jesus não deixou de fora do Evangelho.

Na realidade Paulo manifestou preocupação (escrevendo aos Colossenses) com aqueles que se ocupam de anjos e até do culto aos anjos.

O que importante está dito:

1.                  Satanás existe;

2.                  Os anjos existem;

3.                  Os demônios existem;

4.                  Homens julgarão anjos;

5.                  Anjos estão presentes em todos os eventos escatológicos;

6.                  Satanás terá poderes ampliados no final da História;

7.                  Jesus vence todos esses poderes hostis à vida humana.

8.                  Tais poderes já estão despojados na vida de todo aquele que crê — em razão da vitória da Cruz.

O que passar disto é “sexo dos anjos”. Ou seja: é algo que não trás qualquer contribuição à prática do Evangelho hoje.

Espero ter sido útil a você!

Nele, a Quem anjos e demônios se curvam, pois Ele é o Senhor de todos os seres visíveis e invisíveis,

Caio

03/08/07

Lago Norte
Brasília

www.caiofabio.net

Não consigo parar de trair meu marido…

17 comments

Posted on 10th maio 2010 by Roberto in Cartas

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Placas do Brasil
Creative Commons License photo credit: jmarconi

Querido Pastor Caio, graça e paz!!

Meu querido pastor, já enviei um e-mail para o senhor, mas não tive nenhuma resposta. Por isto resolvi lhe escrever de novo.

Minha historia é muito longa, mas vou tentar resumir o quanto puder, pois sei que o senhor tem muitas ocupações. Mas gostaria muito que o senhor me desse alguns conselhos, pois me encontro nesse momento passando por uma luta interior muito grande.

Sou casada e tenho dois filhos maravilhosos, e um marido também. Sou evangélica e tenho 38 anos.

Minha vida tem sido recheada de adultério. Eu já trai meu marido muitas vezes. Primeiro tive uma pessoa que eu achava que era o homem da minha vida. Mas puro engano. Depois desse rapaz, com quem eu tive um caso que durou 4 anos, eu me envolvi com mais três homens.

Mas esse homem com quem estou tendo um caso foi o que mais me trouxe estragos emocionais. Mas mesmo assim não estou tendo força para deixá-lo. Sabe, pastor, com esse já faz 6 anos que eu estou envolvida, e durante esses anos, eu já sofri muito por causa dele.

Quando começamos tudo era muito bom entre nós. Só que começaram a acontecer muitas coisas entre nós. Ele é uma pessoa que muda de humor muito rápido. Quando eu passei a conhecê-lo melhor, fui descobrindo que ele não era essa pessoa que eu achava tão maravilhosa que antes eu tinha conhecido. Eu saí muitas vezes com ele para motéis, e numa dessas vezes ele me acusou, dizendo que eu tinha colocado o papel do pagamento do motel dentro do carro dele só pra a mulher dele pegar. Mas pastor, eu lhe juro que jamais, em momento algum, eu pensei em fazer uma coisa dessas. Pro senhor ver até que ponto esse homem tentou me prejudicar.

Mas o pior disso tudo é que depois de algum tempo ele me procura e começamos a nos encontrar de novo. Eu tentei fugir, mas só que eu já estava muito envolvida com ele. Eu sou daquelas pessoas que sempre acha que a outra pessoa merece uma segunda chance, só que ele me magoou muitas vezes. Ele é o tipo de homem que se envolve com muitas mulheres e não sabe o que quer da vida. Tem um casamento que é a vida dele, mas trai a esposa, que fica achando que ele a ama mesmo traindo. Isto porque ele é do tipo de homem que não vive sem “dar em cima de mulher”, o conhecido GARANHÃO.

Não sei por que, depois de tanta coisa que ele já me fez, eu não consigo me desligar dele. Será que o amo? Não sei, pois às vezes tenho muito pavor só de pensar que vou sair com ele de novo, mas quando me vejo, já estou nos braços dele de novo. Posso dizer pro senhor que eu me sinto como se estivesse presa.

Tenho orado muito, pois muitas vezes eu tenho até vontade de morrer. Já não sei mais o que fazer. Gostaria muito que o senhor me respondesse, pois tenho entrado no seu site e tenho sido muito edificada. Por favor, pastor, me responda, pois preciso muito dos seus conselhos. Me diga como devo agir, pois estou muito perdida.

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Resposta:

Minha querida amiga e irmã: Graça e Paz!

Você inicia falando de filhos e marido maravilhosos. Porém, apesar disso, você diz que “não se segura”; e, durante o casamento, já teve longos casos sexuais.

Entretanto, o que mais me chamou a atenção é que você abandona a sua narrativa da família maravilhosa, e passa a falar dos casos sexuais, especialmente deste último, com o “seu galinha”… Mas nunca fala de sonho, ou de culpa, ou de dor existencial, ou de amor, ou de ter uma vida boa e fiel a seu marido, ou de qualquer desejo mais profundo para a sua alma.

A própria narrativa acerca do homem, de como e quem ele é, de sua repulsa por ele, mas de seu vício em se dar a ele já suscita em qualquer mulher a seguinte pergunta: “Minha filha, o que você ainda está fazendo aí?” Ora, isto tudo segue acrescido do fato de que você ainda suporta as grosserias e indiferenças dele, posto que você mesma sabe que para ele você é apenas mais uma transa gostosa, e na hora que ele quer.

Todavia, como você suporta ser parte desse harém pertencente a esse Sheik Galinha, passa pela sua cabeça que tal sujeição pode ser amor. Amor? Que amor? Amor por quem? Por ele? Não, minha querida, é justamente a falta de amor que faz isto, especialmente a falta de amor-próprio. É a total falta de valor próprio, movida pela falta de amor conjugal e libido em seu casamento, aquilo que põe você nas mãos desse “Matador”. Somente uma mulher sem nenhum amor próprio se submete a isto, até mesmo sendo mal casada.

Você falou em já ter tido vontade de morrer, mas nunca associou a sua não-morte a uma esperança de cura na vida conjugal com seu marido. Às vezes dá até a impressão de que se o cara não fosse tão ruim e perverso, você estaria contente; digo, no caso de ele ser um amante fiel, amigo, meigo, cuidadoso, afetivamente ligado a você, etc… Ou seja: em momento algum sua dor é pela traição a seu marido, mas apenas vincula-se ao fato de que você se entrega a um amante perverso e fica com pena de você mesma.

Na realidade, possivelmente você não ame ninguém e nem jamais tenha amado. E por quê? Porque quem não se ama não tem poder para amar ninguém, posto que para amar o próximo, eu preciso amar a mim mesmo antes. Nosso potencial para amar o outro é sempre proporcional ao amor próprio e ao respeito próprio que a gente possui. Gente que não se ama jamais saberá amar, nem tampouco saberá o que é amor por outros!

Se você se amasse, você não estaria casada sem amor. Isto porque se você amasse seu marido de verdade, não estaria tendo todos esses casos sexuais. Depois, caso você se amasse, certamente jamais se entregaria a um homem como esse. Além disso, se você se amasse, não amando o seu marido como macho e homem, você iria preferir terminar o casamento a traí-lo. Sim, porque você iria desejar muito mais amor do que sexo. Você desejaria antes de tudo amar e ser amada.

Assim, pra gente não perder tempo, me fale de você, de como foi sua vida, sua iniciação sexual, e, sobretudo, como é a sua vida com seu marido; e, também, como é que ele não desconfia de nada, e há tanto tempo… Só assim poderei entender você um pouco melhor, e, desse modo, tentar ajudar nas soluções, não apenas nos paliativos.

E por falar em paliativo, pare logo de sair com esse cara. Você não merece isso. Não atenda mais aos telefonemas dele (aliás, mude de número). E não faça concessões. E isso não tem nada a ver com coisa alguma que não seja respeito próprio. Você precisa começar a exercitar seu amor próprio. Chega de ser eguazinha desse garanhão viciado que já virou um pangaré.

No mais, saiba que manter esse estado de alma será destruidor para você. Essa sua vontade de morrer é fruto dessa falta de significado para a sua vida. Isso porque sem amor a vida não tem significado. Só o amor justifica a vida para a própria alma.

Quanto a ser “evangélica”, esqueça isso. Você precisa mesmo é de um encontro profundo com Deus, mediante a internalização do Evangelho. Portanto, leia os evangelhos, de cabo a rabo. E desenvolva uma vida de devoção e oração. Mas não fique fazendo “orações pelo cara”, pois, desse modo, a oração vai virar tentação. Ore apenas a Deus por Deus, e por você mesma.

Faça isso todos os dias. Mude seus pensamentos. Ocupe-se. E quando a mente a tomar de assalto lembrando de “tesões com o garanhão”, não lute contra, mas apenas mude o olhar, pense nas coisas que dão significado à vida e discirna que esse homem não é um homem, mas só um pedaço de carne. E lembre-se que nas mãos dele você é apenas, na melhor das hipóteses, uma “Picanha”.

Receba meu abraço e minhas orações!

NEle, que nos ama, e quer que nos amemos a fim de podermos amar,

Caio

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Pastor Caio, graça e paz para o senhor!

Li sua resposta e gostaria muito de lhe agradecer por tudo.

O senhor pediu para que eu lhe falasse mais sobre meu casamento e minha vida sexual.

Eu me casei com 19 anos. Ele foi o meu primeiro namorado. Tivemos um namoro legal. Me casei virgem. Nossa relação sexual sempre foi muito boa. Mas, passando algum tempo, eu fui me desencantando com ele… Já não conseguia mais sentir muito tesão por ele. Eu sei que isso não é tudo, mas foi uma das causas (eu acho) que me fez traí-lo.

Eu sei que sou uma pessoa covarde, porque até hoje eu não tive coragem de deixá-lo. Mas tudo tem sido muito difícil pra mim. O senhor não sabe como eu tenho me sentido suja e imunda com tudo isso. Eu sei que meu marido não merece, e muitas vezes eu me arrependi muito de ter feito isso, pois eu sei que eu fiz mal a mim mesma. Todas as vezes que eu o traio, eu me sinto muito mal.

Não pense o senhor que eu não quero sair desta situação e que eu gosto de viver desse jeito. Só que muitas vezes eu tento, mas só que não tenho tido forças. Eu já chorei muito, já entrei em depressão por causa desta situação. Sabe o que é você entrar em uma situação e não ver uma saída? Eu confesso que já não sei mais o que fazer, pois me sinto com se estivesse presa (e estou).

Me ajude, em nome de Jesus, pois estou muito desesperada e quero ser uma pessoa livre; quero e preciso muito ter comunhão com Jesus Cristo, pois eu sei que não existe nada melhor do que ter uma vida na presença de Deus. Só que esse pecado sempre me afasta da Sua presença.

Sabe, pastor Caio, eu tenho lutado muito contra isso, só que esse homem é do tipo que nunca deixa a pessoa em paz. Ele muitas vezes passa um tempo sem me procurar, mas depois aparece e me convidar para sair… e eu, como não sei dizer não, caio nos braços dele de novo.

Eu sempre falo que a mulher que se envolve com ele sempre sai muito machucada, porque ele é do tipo que só pensa nele. Agora não me pergunte por que eu fico. Eu sei disso tudo e mesmo assim não o deixo… O porquê nem eu mesma sei…

O senhor também me pediu pra falar de como esse tempo todo eu venho traindo meu marido e ele nunca desconfiou de nada. Eu acho que ele até já desconfiou, porque muitas vezes já tentei falar em separação com ele. Mas só que ele é do tipo que prefere não saber da verdade. Eu já dei muitos sinais de que não o amo mais. Mas ele prefere ficar calado a falar sobre qualquer coisa que esteja relacionada à nossa situação.

Pastor, minha situação é muito complicada, porque eu tenho muito medo de que um dia toda essa situação venha à tona. O que vai ser de minha vida? Estou muito angustiada, pois não sei como resolver tudo isso… Ou até sei, mas só que não estou com força pra resolver.

Me ajude, por favor. Desde já agradeço o seu carinho e cuidado em me ajudar. Pois o senhor não sabe como a resposta que o senhor me mandou tem me feito parar e pensar seriamente na minha situação. O senhor tem sido uma bênção na minha vida e na vida de muitas pessoas. Pode ter certeza disso. Eu o admiro muito.

Peço, em nome de Jesus, que o senhor ore por mim; para que Jesus possa realizar um milagre na minha vida. Pois o meu maior desejo é servi-lO de todo meu coração e com toda a minha alma. Minha alma tem muita sede de Deus.

Um forte abraço, e que Deus lhe abençoe por tudo. Aguardo sua resposta, se possível.

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Resposta:

Minha querida amiga: Graça e Paz!

Antes de ser o seu marido quem não merece isto, eu lhe digo: você é quem não merece isto.

E pior: é você quem está cometendo este atentado contra você mesma.

“Passividade” é seu escudo para não mudar! Todos arranjamos álibis a fim de não nos encararmos e não assumirmos responsabilidades. O seu álibi é a sua passividade. O amante diz “vem”, e você vai… O marido não diz nada, ou evita a conversa, e você deixa tudo como está.

Em ambos os casos você descreveu os dois homens (o amante e o marido) como sendo “do tipo de homem” que é do jeito que é… E você se conforma com ambas as situações.

E você? De que tipo é? Do tipo que se conforma? Que aceita? Que obedece ao outro apenas porque não tem coragem de dizer “eu quero” ou “eu não quero”?

Outra vez você não falou em amor, mas apenas em sexo bom (durante um período com o marido), vindo, depois, a falta de tesão… Você disse que crê que esta é uma das causas em razão das quais você começou a trair o seu marido. No entanto, a falta de tesão pelo marido leva apenas um pequeno grupo de mulheres a terem casos extraconjugais (falo de algumas “matadoras”), posto que a maioria, caso venha a fazer tal coisa, o faz, em geral, porque não ama o marido (e nem se sente amada), mas não porque acabou o tesão.

Na realidade, o tesão acabou porque provavelmente nunca houve amor. Ora, a menos que ele tivesse traído você ou atentado contra o casamento, poderia haver uma explicação para o arrefecimento do amor entre vocês. Porém, aparentemente, isso não aconteceu. Assim, melhor é assumir que você provavelmente nunca o tenha amado.

Se ele sente ou desconfia que você o trai, mas não faz nada, sobram poucas alternativas: a) ele é um marido covarde, que prefere dividir você com outros a correr o risco de ficar só, caso abra o assunto; b) ele é um ser muito inseguro e adoecido de alma, que veio a se tornar totalmente dependente de você; c) ele também não ama você, mas ama a vida familiar, e por tal razão prefere não “mexer” no assunto, pois sabe o que vai achar…

O que você deve fazer é uma decisão sua. Minha opinião, todavia, é que você deveria conversar com seu marido, não sobre as traições, mas sim sobre a ausência de razões para vocês continuarem juntos, já que aparentemente não há amor conjugal entre vocês. Isso porque se a situação é esta, melhor é que você se separe dele do que viver sempre traindo o cara. E, de fato, caso não haja amor conjugal entre vocês, as probabilidades de que coisas deste tipo aconteçam aumentam muito, especialmente quando já se traiu antes, como é o seu caso.

Pouca coisa é tão difícil de combater quanto o hábito de trair. Isso porque uma vez que a pessoa foi “desvirginada na traição”, por mais que ela sofra e ache errado, o “hímen psicológico da conjugalidade” foi rompido, o que torna a decisão de trair muito mais fácil. É o tal “trair e coçar é só começar”.

Você também sofre de um medo horrível de ficar só. Por isso é que você se dá a quem não merece você, e trai quem não merece ser traído (como se houvesse alguém que merecesse!). No fundo, tudo isso é fruto de falta de amor-próprio, conforme já lhe disse antes. No entanto, o que pode acontecer com você (e muito provavelmente irá acontecer caso você não mude seus caminhos), é que você venha a ficar só. Aliás, caso você nunca tenha amado o seu marido, o melhor a fazer é ficar só. Sim! Só, só, só… Sem ninguém de “estepe”, muito menos esse “estepe” rodado e esburacado que hoje lhe serve de perversa roda-quadrada: o garanhão-pangaré.

Portanto, três são as minhas sugestões:

1. Converse com seu marido. Simplesmente o faça parar e falar. Não precisa humilhá-lo contando os “casos”, mas diga a ele que o casamento de vocês virou um caso de enfermidade, covardia e morte afetiva.

2. Não atenda mais o “garanhão-pangaré”. E faça isso logo, pois mulheres como você tendem a se viciar no abuso. Sim, o abuso passa a dar tesão em almas esburacadas como a sua.

3. Leia os evangelhos todos os dias e dedique-se a buscar as coisas lá do alto, conforme já lhe disse antes. Leia o site o máximo que você puder. Tenho certeza que ele também a ajudará a se enxergar e a se entender. Não diga “não consigo”, pois caso você realmente deseje, você consegue.

Pelo fato de que você vem se submetendo a isso já há alguns anos, ouso dizer que você já está viciada no abuso como fetiche. A relação que você tem com o pangaré é sadomasoquista. Ele é sádico. Você é masoquista. Portanto, conforme já sugeri antes, inicie urgentemente um tratamento de natureza psicoterapêutica. Faça isso por amor e respeito a você mesma.

Como você vê, eu digo as mesmas coisas. Afinal, não há nada novo a dizer, mas sim muito a agir e decidir. E tal ajuda somente você pode dar a você mesma.

Receba meu carinho!

NEle, em Quem podemos encontrar Graça para ocasião própria,

Caio

www.caiofabio.net

Matei minha amiga!

3 comments

Posted on 9th maio 2010 by Roberto in Cartas

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andrea 110
Creative Commons License photo credit: elward-photography

Caio,

Vinte anos atrás eu amei um homem e amo até hoje. Mas ele casou com outra mulher, mas nunca me deixou…

Caio, a gente não transava. Ele é pastor de uma igreja muito cheia de lei e dizia que se não transássemos não era pecado.

Foram anos e anos de masturbação… Até pro motel a gente ia para ficar rolando de roupa, só umas vezes sem roupa, mas não fazíamos sexo.

Mês passado a mulher dele (minha amiga de infância) se matou tomando remédios.

Tô doida de culpa e tudo o mais, Caio.

Ela nunca soube de nada, mas será?

Estou morrendo de angustia e medo de tudo.

Me ajude.

_____________________________________

Resposta:

Minha amiga: Graça e Paz!

Somente hoje cheguei à sua carta. Pelo visto tudo já faz dois meses agora.

O que posso dizer a você?

Primeiro: Devo dizer que seu “amigo-amante” é louco, pois, quem fica em tal estado vinte anos sem ser insano?

Segundo: É o que acontece nas igrejas nas quais a imagem é o culto. Pois, em tais grupos, qualquer pecado é ainda melhor do que uma má imagem aos olhos dos outros.

Terceiro: Que há entre “evangélicos” um grupo crescente de pessoas que vivem assim: não trepam e nem saem de cima; não chovem e nem molham — e, tudo, a fim de manterem o pecado como sombra. São os tais “amores no espírito”; e que são evocados a fim de “santificar tesões” impossíveis nesses meios religiosos.

Quarto: Que tanto faz ficar de platonismos assim como esse, ou, ao invés, ir e fazer, pois, o pecado é o pecado nas entranhas do ser, e não na colcha do motel.

Quinto: Que tais energias vazam, e, para uma mulher que ame seu marido, mesmo que não tenha informações, e, não sendo ela uma surtada de ciúmes infundados, em geral, a mulher sabe mesmo quando não tem o informe.

Sexto: Que possivelmente a mulher tenha se matado pelo “conjunto da obra”, e não apenas em razão de você. Afinal, para viver assim 20 anos, esse homem tem que ter feito muito mal a essa mulher mesmo que ela nunca tenha sabido de nada, pois, tais males, não precisam de palavras e nem de discussões, posto que a energia do amor ou desejo por outro [a], sempre deixa impressões fortíssimas em um cônjuge que fique exposto a tal vazamento psicológico e mental.

Agora, o que fazer?

Ora, é hora de grande arrependimento e de muita contrição.

Leia o Salmo 51 como se você o estivesse escrevendo para Deus. Leia também o Salmo 32, no mesmo espírito.

Agora, saiba:

Dificilmente você terá paz para ser feliz com o “amigo-amante”, agora que a mulher se foi, e, principalmente, do modo como foi.

Não estou “profetizando nada”. Apenas lhe digo o que a experiência me ensina.

Leia o site. Procure palavras como Graça, Perdão, Arrependimento, ou, ainda, links como os seguintes:

Profecia de morte!

Obsessão como amor – que doença!

Quando a “fixação” passa por amor

Agora, é fazer o seu melhor. Sem culpas perenes, mas apenas, por enquanto, com a sadia tristeza que gera vida e paz.

Mas saiba:

Não dá pra brincar de amar e de ter algo com alguém sem que isto já seja uma vereda de morte e de muita dor.

Receba meu amor no Senhor e minhas orações!

Nele, que sabe tudo o que implica a partir de nossas vidas, e que perdoa a quem, como Davi, salmodia em arrependimento sincero,

Caio

18 de setembro de 2008

Lago Norte

Brasília

DF