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	<title>Site cristão &#187; santidade</title>
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		<title>Meu pastor, meu medo e minha fobia</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Jul 2010 02:27:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roberto</dc:creator>
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 photo credit: GilbertoFilho .
Querido Caio, meu pastor. 
Recebi tua resposta há alguns meses e desde então  tenho tentado digeri-la &#8211; e mais: vivê-la! 
Só que como você mesmo nos ensina aqui, tudo é  fácil quando não estamos vivendo, quando não estamos no olho do furacão. 
Daí porque eu re-alimento a questão (recalques, [...]<p><br>
<a href="http://www.sitecristao.com/meu-pastor-meu-medo-e-minha-fobia/">Meu pastor, meu medo e minha fobia</a> publicado por: <a href="http://www.sitecristao.com">Site cristao</a></p>



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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="Te olho nos olhos" href="http://www.flickr.com/photos/80341652@N00/2819685146/" target="_blank"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2017/2819685146_35dd6c0b93.jpg" border="0" alt="Te olho nos olhos" /></a><br />
<small><a title="Attribution License" href="http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/" target="_blank"><img src="http://www.sitecristao.com/wp-content/plugins/photo-dropper/images/cc.png" border="0" alt="Creative Commons License" width="16" height="16" align="absmiddle" /></a> <a href="http://www.photodropper.com/photos/" target="_blank">photo</a> credit: <a title="GilbertoFilho ." href="http://www.flickr.com/photos/80341652@N00/2819685146/" target="_blank">GilbertoFilho .</a></small></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Querido Caio, meu pastor. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Recebi tua resposta há alguns meses e desde então  tenho tentado digeri-la &#8211; e mais: vivê-la! </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Só que como você mesmo nos ensina aqui, tudo é  fácil quando não estamos vivendo, quando não estamos no olho do furacão. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Daí porque eu re-alimento a questão (recalques, eu  sei), perguntando: &#8220;Se a santidade vem de <a href="http://www.sitecristao.com/qual-e-a-vontade-de-deus-para-mim/" class="kblinker" title="More about Deus &raquo;">Deus</a> e não do homem, por que  eu me bato tanto (poderia ter escrito esmurro também) pra conseguir me  apropriar dela e pra conseguir ser <a href="http://www.sitecristao.com/o-que-e-ser-santo/" class="kblinker" title="More about santo &raquo;">santo</a> e não ferir a Santidade de  Deus?&#8221; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Cara, você deve ter noção sim de como é horrível a  gente estar em luta conosco mesmo a todo o momento. A luta de não  querer, como se lê na <a href="http://www.robertosoares.com/lojinha/" class="kblinker" title="More about Bíblia &raquo;">Bíblia</a>, entristecer o <a href="http://www.sitecristao.com/busco-o-batismo-no-espirito-santo-e-nao-recebo/" class="kblinker" title="More about Espírito Santo &raquo;">Espírito Santo</a>&#8230; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Cara, eu sinto nestes últimos dias que Ele  simplesmente foi embora. Sumiu. Me abandonou. Ou eu teria abandonado  Ele? </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Nem sei se agora peço a sua ajuda. Só sei que pra  mim tá difícil. São dias tristes em que a Graça parece passar à minha  frente sem que eu consiga tomar posse dela&#8230; (o Philip Yancey fala  disso em &#8220;Maravilhosa Graça&#8221;, que li, achei lindo, forte, poderoso, mas  não consigo viver&#8230;). </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Tomar posse&#8230; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Ah! Cara, eu tô de saco cheio desse negócio de  <a href="http://www.sitecristao.com/o-insoluvel-conflito-entre-a-religiao-e-o-evangelho/" class="kblinker" title="More about religião &raquo;">religião</a>! De ficar repetindo palavras do tipo &#8220;o meu casamento é o  melhor!&#8221;&#8230; etc etc etc, como se pela repetição a gente fosse se  apropriar de algo&#8230; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Pode até ser que sim, que se apropria, mas fica  por ali um cheiro de maracutaia. De que não é isso. De que é algo maior  viver em Cristo&#8230; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Mas ao mesmo tempo eu leio o último texto  publicado hoje (26.08) da resposta ao nervoso rapaz chamado de fariseu e  encontro na fala dele, aqui e ali algo que me chama. Algo de religioso  que sussurra aos meus ouvidos: &#8220;Vem, vem&#8230;&#8221;. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Taí, desculpa Caio, sou mais uma alma infeliz e  conturbada a te escrever&#8230; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Caio, nosso pastor amado. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Caio, aquele que se entristece com o nosso  não-entendimento. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Mas saiba, eu tento. Eu tento. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Serei mais um daqueles que apenas foram chamados? </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E ainda por cima me colocam pra tocar lá na frente  todo domingo. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E tomar conta de células. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Tomar conta e &#8220;trabalhar&#8221; com os jovens&#8230; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Com quem além de você eu posso me abrir? </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Ore por mim, eu te peço. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Um forte abraço, </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Pós-escrito: </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Caio, eu te escrevi as linhas aí em cima no dia  26.08, e retransmito como<br />
você pediu que fizéssemos, já que tudo sumiu do teu lap. Abuso da tua<br />
paciência e encaminho outro pedido de socorro, digamos assim, que está<br />
publicado no meu blog e que retrata ainda mais a minha condição hoje com<br />
Deus. Condição? Que coisa mais esquisita esta que eu escrevi&#8230; Ato  falho? </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Eis o texto: </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">&#8220;O grito&#8221; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Em dias assim eu queria ser um pássaro. Um bicho  qualquer &#8211; menos barata, que abomino -, mas um bicho que não pensasse em  nada. Um ser assim inóspito, suficiente na sua limitação animal.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Digo isto porque faz três dias que voltei a tomar  meu remédio a base de clonazepan, a fim de que eu consiga suportar minha  existência. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Tudo veio do nada. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Eu voltava de viagem e minha esposa me deu uma  palavra dura &#8211; que noutro tempo nem poderia ser dura -, e eu fui  esvaziando como aquelas bexigas de festa que depois de cortado o bolo  vão perdendo a graça. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Tomei 20, depois mais 10, depois mais não sei  quantas gotas e agora estou<br />
aqui debruçado sobre este teclado pedindo socorro. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">A quem? </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">A mim mesmo, talvez. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">É nestas horas, eu mesmo já preguei sobre isto na  <a href="http://www.robertosoares.com/voce-e-da-igreja-de-jesus/" class="kblinker" title="More about igreja &raquo;">igreja</a>, que tudo deveria fazer sentido em Cristo. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">É nestas horas que a gente deveria sentir aquela  alegria que os Evangelhos dizem vir do Senhor. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Mas eu não a sinto. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Resta aqui dentro um vazio imenso. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Enorme. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">De dar medo. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Seja qual for seu credo &#8211; mesmo que nenhum &#8211; ore  por mim. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Estou mal. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"><br />
(15.09.04)</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">____________________________________________________________</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"><br />
Oi Caio, desde já me desculpo pelo tamanho da carta. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Eu sou aquele teu conterrâneo que já te escreveu  em algumas oportunidades e você, gentilmente, respondeu. Naquelas  ocasiões a gente falou sobre a neurose de santidade, coisa e tal.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Pois bem. Acontece que muita coisa mudou na minha  vida de três semanas pra cá. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Eu não pude mais agüentar algumas coisas e saí do  ministério onde aceitei a Jesus há quase quatro anos. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Tem sido difícil porque eu re-nasci lá. Lá também  eu cresci, aprendi quase tudo o que sei, e tive até algumas experiências  sobrenaturais sim, posso dizer. Enfim, eu estava de corpo, alma e  espírito lá. Mas isso foi por um tempo. Isso porque meu espírito não  estava mais lá de uns tempos pra cá. E minha alma estava ficando  adoecida ao invés de curada&#8230; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Digo isso porque há alguns meses eu comecei a me  incomodar com algumas coisas: a carga de submissão; o lance de você  nunca ser alguém com uma opinião, mas um rebelde; o medo que eu tinha &#8211; e  ainda tenho &#8211; do pastor, e muito mais. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Não posso dizer que tudo isso tem a ver com o  esquema do G12 que lá é praticado, mas talvez com a personalidade do  pastor mesmo. Caio, ele se diz sanguíneo (numa classificação rastaquera  que apareceu por aí e que está na apostila do G12), mas eu acho que  muitas vezes ele foi e é mal-educado mesmo&#8230; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Bom, mas eu não quero falar mal dele, ainda mais  porque ele sempre pregou sobre a maldição de Miriam. Aliás, eu tenho  tentado esquecê-lo e tudo o que de ruim ele me falou. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Pra você entender algumas coisas &#8211; e eu sei que  posso estar te cansando, mas considero importante contar &#8211; esclareço que  eu era ministro de louvor/música lá. Mesmo sendo novato eu era a pessoa  que comandava a equipe de música e ministrava o louvor. Eu também abria  alguns cultos e pregava a Palavra em outros. Bom, mas a coisa foi se  desgastando, e em que pese o lema do ministério ser a família, eu estava  abandonando a minha. Isso porque eu vivia lá na igreja, de segunda a  segunda. Muitas atividades, muitas mesmo. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E eu fui cansando. Fui desanimando. E tudo isso  sendo um dos 12 do pastor&#8230; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Bom, ocorre que alguns dias antes da minha saída  eu falei pro pastor que a coisa tava ruim, que eu estava preocupado com a  minha família, e que também achava que o lema do ministério não estava  sendo cumprido e ele me disse que ia ver. Mas numa noite ele me liga em  casa e diz de bate-pronto: &#8220;Olha fulano, se o ministério está  atrapalhando a sua família, abra mão dele então, porque eu sei quem sou e  não admito ouvir dizer que a igreja está atrapalhando a sua vida.&#8221; E  disse mais: &#8220;veja o que está pegando pra você e decida&#8221;. E por fim,  diante de uma pergunta minha sobre o que fazer &#8211; se eu deveria ficar com  minha família ou com a igreja &#8211; , ele me disse: &#8220;Aí você me coloca numa  sai justa, eu não sei, você é quem tem que decidir, mas o que eu não  aprovo é domingueiro na liderança da igreja.&#8221; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Cara, foi um baque! </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Ainda que eu quisesse mesmo sair já há algum  tempo, digo que a coisa toda doeu, e ainda dói na verdade. Tudo sangra  aqui dentro, ainda que eu queira esquecer esta história. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Depois disso, Caio, eu decidi mesmo sair. E me  senti mais leve. Mais solto. Mais humano&#8230; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E logo no domingo seguinte fomos, eu e minha  esposa, a outro ministério e nos sentimos bem. Ouvimos a Palavra,  bebemos dela e ficamos felizes, como você diz, encontramos um lugar onde  se anuncia a Boa Nova da Graça de Deus.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Mas aí veio o fatídico dia&#8230; Seis dias depois do  telefonema, ele, o pastor veio aqui no meu trabalho, numa agência de  publicidade. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Cara, eu tremia, tremia, tremia. E isso é  absolutamente anormal para um cara de 39 anos, publicitário, pai de três  filhos, com quase 17 anos de empresa, respeitado por todos. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E ele me perguntou se eu não ia falar com ele  sobre a minha saída. Que eu estava me escondendo na caverna. E que ele  ficara sabendo dela, da saída, por outras pessoas do ministério que  haviam me procurado. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E eu respondi que não me sentia em condições ainda  de procurá-lo e que por isso não havia feito isso. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E ele aí começou a dizer coisas que me deixaram e  ainda me deixam preocupado. E é por isso que te escrevo hoje&#8230; Pois  fiquei e estou mal com tudo o que ele me disse. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Ele disse: </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">1º. Que eu não era discípulo, porque discípulo é  submisso; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">2º. Que eu não agüentara o primeiro tratamento  mais forte e tava correndo; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">3º. Que eu estava saindo por um capricho da minha  mulher;</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">4º. Que eu que era um homem espiritual, mas que  estava indo pela cabeça de uma mulher com uma visão material das coisas e  que, portanto, isso não era de Deus;</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">5º. Que não sabia de que altar eu andava comendo;</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">6º. Que eu estava enterrando o talento que Deus me  dera e que isso era passível de <a href="http://www.robertosoares.com/cristo-salva-ate-no-inferno/" class="kblinker" title="More about inferno &raquo;">inferno</a>; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">7º. E que ele e eu tínhamos feito uma aliança no  céu &#8211; quando eu tinha sido <a href="http://www.robertosoares.com/e-realmente-necessario-ungir-os-doentes-para-que-sejam-curados/" class="kblinker" title="More about ungido &raquo;">ungido</a> um dos seus 12 &#8211; e que agora eu estava  querendo pegar uma borracha e apagar isso sem mais nem menos. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Bom, em resumo foi isso. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Foi até engraçado porque eu disse pra ele que  desde a minha decisão de sair, e até aquele momento, eu até que estava  gostando da minha mulher de novo, tendo apetite por ela de novo, mas que  agora, diante de tudo o que ele estava me dizendo, eu tava até pensando  em me separar&#8230; (eu dou risada pra não chorar&#8230;). </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E disse ao final que não ia orar por mim porque  não era de Deus a minha saída. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Eu só escutei e fui adoecendo com aquilo tudo. Mas  no final disse que se fosse pra quebrar a cara em outro ministério, eu  tinha que quebrar. Mas que nunca ia me esquecer do que ele tinha me  ensinado. E se tivesse que voltar, voltaria e ficaria no banco sem  problemas.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Bom, foi isso. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E hoje eu te confesso que eu estou aqui, uma  semana depois deste terrível &#8220;papo&#8221; com ele, todo perdido.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Cara, eu me sinto fraco, sabe. É como se alguma  coisa tivesse me sugado. Será que isso é sinal de que não deveria ter  saído?</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Sabe, uma das coisas que me fizeram sair é que ele  não admitia que eu lesse e comentasse sobre você (de repente um destes  altares estranhos na visão dele&#8230;). </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E eu não podia ficar num lugar sem poder ser  verdadeiro. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Estranho porque ao mesmo tempo em que eu me sinto  aliviado por ter saído, eu me sinto mal com isso tudo. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Daí eu te pergunto: eu estou amarrado a ele? Eu  estou fadado a viver assim, com medo dele? Eu tenho que voltar lá de  novo e me desculpar de tudo de novo &#8211; até do que não fiz &#8211; e me humilhar  pra conseguir a bênção dele? </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Ah, Caio! Se você estivesse em Manaus eu iria pro  Caminho da Graça.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Obrigado pela tua força. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Um dos teus textos intitulado &#8220;Veja o que a Graça  pode fazer por você&#8221; me deu muita força antes e agora na minha saída. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E o legal disso tudo, sei lá, é que um dos 12 veio  até aqui e me disse que as coisas com a minha saída iam mudar e elas  mudaram. Ele aliviou a carga dos compromissos, mas eu ainda assim  confesso que me sinto um refém psicológico dele. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Como me libertar? </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Um forte abraço, </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Como escrevi na ultima carta, Caio, meu pastor. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"><br />
Observação: Eu e minha esposa estamos ansiosos pela tua resposta, Caio.  Muitas pessoas dizem tanta coisa, mas o que queremos e precisamos é da  direção de uma pessoa de Deus, e conseqüentemente, sensata como você. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Te amamos! </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">____________________________________________________________</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Oi Caio, Graça e Paz! </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"><br />
Dias atrás te escrevi sobre minha saída do grupo religioso onde eu  estava, e de outras questões como a minha ligação com o pastor de lá. Eu  sou o famigerado neurótico pela santidade (risos). </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Aliás, eu era. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Digo isso porque meio que tudo dentro de mim já  passou: as neuras que eu tinha àquela época (recente, eu sei); as  encucações acerca da minha ligação com as pessoas e com a pessoa do  pastor lá, idem. Tudo, em absoluto, meio que o tempo levou pra debaixo  de algum tapete.<br />
E a fase e frase é bem essa mesmo: debaixo do tapete. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Eu sinceramente não tenho mais pique pra me  relacionar com demonstrações de ligação com o Divino. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Fruto do g-12, talvez. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Fruto da minha natureza, certamente. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E que natureza é essa? Olha, pelo pouco que me  conheço é uma natureza cansada de quase tudo, sabe&#8230; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Engraçado como as coisas perdem as cores; né? </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Perdi o apetite: des-gosto. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Será que a existência será sempre essa coisa  dolorida para os que insistem em pensar sobre ela?</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E como parar de pensar? </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Tenho medo de estar relativizando o absoluto. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Medo de relativizar a um ponto em que, sendo quem  eu sou &#8211; detalhei isso na outra mensagem &#8211; eu caia novamente nas mãos de  alguém como o que me &#8220;gerou&#8221; em Cristo. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E sabe&#8230; Eu tenho medo de relativizar isso  também. Essa tal gestação em Deus&#8230; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Lembro agora que certa vez passeando por aqui eu  li alguma coisa sua dizendo que contigo não tinha sido mais uma  historinha&#8230; Que contigo Deus tinha se revelado de FATO e de VERDADE. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Ah, eu não alcanço isso&#8230; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Um beijo,<br />
___________________________________________________________</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Oi Caio. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Vi hoje a re-publicação duma resposta muito  carinhosa sua para uma fase em que eu me preocupava com a tal santidade.  Saiu com o título &#8220;Neurose de Santidade&#8221;. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E daí, do alto da minha dor de cabeça que não  passa, eu li tudo de novo e pensei: &#8220;engraçado como isso não me afeta  mais&#8230;&#8221; (&#8230;) &#8220;engraçado como isso era tão importante à época&#8230;&#8221;</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Assim eu vejo mais uma fase que foi. Mais um  percurso que se encerrou. Tanto quanto aquele outro percurso sobre o  qual lhe escrevi: falo das mensagens angustiadas que te mandei logo após  a minha saída da igreja onde eu congregava. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Cara! como o tempo levou tudo isso embora&#8230; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Como as coisas &#8211; quase todas as que se referem a  fé e outras instâncias &#8211; estão sem cor pra mim hoje.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Mais um percurso? </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Talvez. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Beijo grande.<br />
____________________________________________________________</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"><br />
Resposta:</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"><br />
Meu amado irmão: Graça e Paz!</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Embora nossas primeiras cartas tenham sido sobre  “santidade neurótica”, acompanhei os desdobramentos de suas cartas  posteriores sem poder interagir como gostaria, posto que estive  adoentado no início do ano, como você sabe.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Na realidade, perdi duas correspondências suas  para mim, uma das quais só achei ontem à noite, a qual aqui transcrevo  também, a saber: a carta na qual você confessa seu pavor pelo pastor  g12, seu preceptor em Cristo.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Ora, fui procurar possíveis correspondências  perdidas nessa pilha de milhares de e-mails que estão aqui alojados no  meu Outlook, e encontrei a tal carta; o que muito me angustiou.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">No entanto, o que me levou a tentar buscar “elos”  perdidos em nossa correspondência, foi a sua última Carta Descolorida.  Foi então que descobri a Carta do Tudo Varrido Para Baixo do Tapete. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Ora, ler todas as cartas na seqüência—e aqui não  colei tudo o que li, a fim de não tornar tudo longo demais—, percebi que  sua estrutura psicológica foi muito mexida pela sua experiência na  igreja do pastor g12. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">No entanto, também percebi que só houve esse  impacto todo em razão de que psicologicamente você já era frágil, e,  pelo que percebi, isso é algo que o acompanha há muitos anos.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Se eu tivesse que pintar um quadro, eu diria o  seguinte:</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Você sempre foi uma pessoa angustiada (neurótica),  com intensa busca por uma razão para viver (tendência a  depressividade), e que já vinha sendo medicado em razão de tais aflições  interiores, até que chegou na igreja, e, ouviu algo do Evangelho,  alegrou-se, entregou-se, e viveu com alegria as ocupações que recebeu,  visto que você é um homem talentoso.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Acontece que a “igreja” estava funcionando apenas  como “terapia ocupacional” para um homem com forte tendência à  depressão, e que, agora, encontrara um significante modo de servir e  expressar seus dons e talentos, o que deu a você um novo ânimo para a  vida.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">O problema é que como você também é muito  inteligente, logo viu as doenças que lá havia, aos montes; e, além  disso, começou a se angustiar ante o processo de desindividualização que  o tal G12 produz em todos aqueles que se submetem ao espírito de tal  ‘clonagem’.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Quando você me escreveu a primeira vez a piração  era acerca da sua “neurose de santidade”. No entanto, esse tema ainda é  bastante superficial se considerarmos o todo de seus conflitos.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Na realidade o que aconteceu é que você ficou  sabendo que em Jesus você tem vida, no entanto, dada a experiência tão  trágica na igreja g12, você iniciou um processo que combina as  frustrações presentes com as tendências e realidades depressivas que já  existiam dentro de você.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">A emoção que sua carta acerca do pastor me passou,  foi a de “um menino que foi seduzido e controlado pelo líder de uma  seita”.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Seu medo, seus tremores, seus temores, seus  suores, suas mãos geladas, suas noites insones, seu pavor&#8230;</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E quando você disse: “Como pode? Eu? Um homem de  39 anos, pai de filhos, publicitário, respeitado&#8230;?”—e com medo; você  revelava o desencontro profundo entre a sua razão e as suas emoções. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">De fato, certas vezes, sua carta chegou a soar  como a carta de uma amante dependente e apavorada, e que havia traído o  seu homem. Isso porque até mesmo a proposta do pastor g12 era uma  proposta de amasiamento e conjugalidade: ou sua mulher ou ele. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">O fase do “jogar tudo para baixo do tapete”,  conforme você mencionou num dos e-mails, após a sua saída do G12, era  apenas uma tentativa de sublimação de algo que ainda estava aí, e com  muita força. Ora, como você passou por cima sem olhar o que era—jogou  pra baixo do tapete—, o monstro voltou na forma do Descolorido. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Percebi que você evita até mesmo pensar em sua  conversão, pois, como aconteceu tendo o pastor g12 como preceptor, você  teme concluir que como ele é doido, sua experiência com Deus não tenha  sido válida. Daí, hoje, você até mesmo pensar que nem mesmo teve um  encontro com Deus.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Ora, seu problema não é com Deus, mas apenas com  você mesmo. E mais: enquanto você olhar a vida com esse medo, nada de  bom lhe acontecerá. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Você disse que tem tudo para ser feliz—mulher,  <a href="http://www.robertosoares.com/tag/sexo/" class="kblinker" title="More about sexo &raquo;">sexo</a> bom, filhos lindos, bom trabalho, etc—, mas afirma que não  consegue, posto que tudo se descoloriu bem diante de seus olhos.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Você mesmo diagnosticou uma dependência doentia  que se instalou na sua relação ou caso ministerial com o pastor g12. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Ora, isso me leva a fazer a você algumas  indagações, as quais, eu espero que você entenda, posto que meu único  desejo é ajudar.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">1o Como era seu pai e como era ou é sua relação  com ele?</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">2o Alguma vez na vida você já se sentiu  emocionalmente atraído por algum homem?</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">3o Você já esteve antes na vida numa posição de  submissão a alguém?</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">4o Como e em que ocasião sua depressividade se  manifestou a primeira vez? E com que idade?</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Ora, pergunto estas coisas porque considero que  tudo o que você me narrou é apenas sintoma de algo mais profundo, e que  precisa ser descoberto; isso para que você tenha paz para poder se  tratar.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Enquanto isto, leia aqui no site uma Entrevista  Sobre Discipulado, pois, eu sei que nela você terá também as respostas  às perguntas que me fez acerca de sua relação com o pastor g12; ou seja:  se deve pedir perdão a ele e voltar a levar a Canga-G-12 sobre seus  ombros para sempre, ou não.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Além disso, tome o N. Testamento nas mãos e os  salmos, e os leia sem buscar nada. Apenas leia. Leia em paz. Não busque  emoções, nem sensações, nem choros, nem revelações, nem coisas  sobrenaturais&#8230; Apenas leia, e deixe-se lavar pela Palavra.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Na realidade você foi profundamente condicionado e  mentalmente higienizado pela “lavagem gedoziana”, e, agora, precisa ser  limpo e lavado de tais condicionamentos que se fixaram em suas emoções. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E mais: não associe a Graça de Deus a emoções. A  fé baseada em emoções não é fé, mas apenas sensações. Na Graça de Deus a  gente anda apenas pela fé, mesmo que não haja nenhuma emoção. Isto  porque a vida na Graça se baseia em fé e consciência acerca do que Jesus  fez e Consumou, e não em arrebatamentos que supostamente validam ou não  a presença de Deus em nós.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Eu nunca vi um <a href="http://www.sitecristao.com/quem-sao-os-anjos-e-demonios/" class="kblinker" title="More about anjo &raquo;">anjo</a>, nunca rolei no chão em  tremores, nunca ‘caí no Espírito’, nunca levei um tapa do diabo, nunca  senti que minha cama estava sendo sacudida, nunca&#8230;</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Falo em línguas, mas isso é coisa simples. E não  baseio minha vida com Deus em nada disso. Portanto, quando disse que não  sou filho de uma “historinha”, mas de um encontro verdadeiro, eu não  dizia nada além do fato de que sei que conheço a Jesus, e isso pela  Palavra, e pela atualização que o Espírito faz dela em meu coração todos  os dias, me chamando para entregas cotidianas, e para uma vida de  confiança; ou seja: tudo pela fé.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Assim, me responda, por favor, as perguntas que  lhe fiz, pois, uma vez que tenha as respostas me sentirei mais  confortável para lhe sugerir algumas coisas mais práticas. O que posso  lhe garantir é que se você crer e confiar, tudo isso vai passar, e você  terá paz para usufruir o bem que habita a sua vida, e que é pura Graça  de Deus.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Receba meu beijo amigo!</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"><br />
Nele, em Quem ninguém serve com medo,</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Caio</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">_______________________________________________</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Oi Caio. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"><br />
Antonin Artaud diz que certas emoções não cabem em palavras. E é assim  que eu tenho me sentido ao receber tanto carinho e atenção de você. Não  há palavra que expresse meu sentimento. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Desculpa mas o texto ficou extensíssimo. Tentei te  responder tudo e talvez algo mais. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Obrigado. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">[Respostas às suas perguntas:]</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">1. Como era seu pai e como era ou é a sua relação  com ele? </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">A relação com meu pai, hoje, é de empatia. Foram  anos, confesso, para que a minha mágoa em relação ao abandono que ele  fez da nossa família &#8211; quando eu tinha 7 anos de idade &#8211; passasse. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Hoje muitas vezes eu olho pra ele, meu pai, e vejo  um cara que foi engolido<br />
pelas conseqüências da via, digamos assim. Quais sejam: </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">a. Um casamento ruim que depois passou pra outro  pior ainda. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">b. Uma descoberta minha de que ele é um cara  fraco, cheio das suas angústias, medos, desejos de relações sexuais com  outras mulheres que acontecem na mais sórdida surdina &#8211; e eu aqui não  estou julgando isso nele, porque também muitas das vezes eu me vejo  tentado a ir pelo mesmo caminho. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">c. Vejo também que ainda hoje eu e ele meio que  forçamos uma amizade &#8211; que é até sincera (ele até diz que dos 5 filhos,  eu sou o único com quem ele se abre, fala das suas fraquezas etc) -, mas  que ao final é uma amizade que eu sei estar em segundo plano sempre,  visto que meu irmão mais velho &#8211; o primogênito &#8211; é quem de fato liga pra  ele com mais freqüência, se preocupa com as coisas dele. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">d. Engraçado, paradoxal, mas é uma empatia de  atração e &#8220;deixa-pra-lá&#8221;.<br />
Somos, ao final, meio que cúmplices das nossas vias tortas. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">e. Tenho um pai, Caio, mas sinto que eu esperava  em Deus, e no preceptor &#8220;gedoziano&#8221; um pai melhor. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">f. Por fim, meu pai quando soube da minha saída do  ministério g-12 disse que já tinha isso como certo, porque na visão  dele eu estava fazendo sombra pro outro pastor, e que na verdade &#8211; ele  me disse isso anteontem &#8211; eu agora só preciso mesmo é de um púlpito e de  um povo pra tomar conta, porque ele me assegura que quando eu trago a  Palavra ela vem forte, ela vem clara, ela vem como as pessoas deveriam  ouvir. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">g. Confesso que me surpreendi com essa declaração  dele. Eu que achava que ele tava me achando um fanático, um doidivanas.  Mas ele me disse anteontem que não, que ele na verdade teve no início  ciúme do pastor g-12, mas agora sabe que eu fui &#8220;promovido&#8221;, e que vou  tocar este caminhar no Caminho na boa. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">h. Como é então minha relação com meu pai? Em  resumo: um medo de ter todos os defeitos que vejo nele, e, ao mesmo  tempo, um parceiro/cúmplice das suas (nossas) angústias. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"><br />
2. Alguma vez na vida você já se sentiu emocionalmente atraído por algum<br />
homem? </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Sim e não. Na adolescência eu tinha um medaço de  ser homossexual. Era muito magro, esquisito, de repente tinha até &#8211; e  talvez tenha ainda hoje &#8211; alguns trejeitos que não seriam classificados  como de um cara macho: daqueles que coçam o saco e cospem no chão. Tudo  isso até porque meu irmão mais velho era esportista &#8211; chegou até a ser  jogador de futebol profissional &#8211; e eu fazia aquelas fatídicas  comparações. O cara lá, todo gostosão, dono de si, a mulherada dando o  maior mole, e eu ali em casa ouvindo meus discos, fumando meus  cigarrinhos e pensando na morte, lendo Cruz e Souza. Um fato que me  marcou foi quando na faculdade eu encontrei numa prateleira um livro  ilustrado do Jean Genet, se não me engano, e levei um baque ao ver  aquele desenho de dois homens transando. Os dois em pura ereção. Foi um  baque.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Lembro que fechei o livro na hora e aquilo me  moveu a nunca mais querer ver este tipo de coisa. Daí porque digo que  hoje eu sou heterossexual mesmo. Gosto de mulheres. Mulheres delicadas,  femininas, que apreciem um bom vinho, um bom papo, e um ótimo sexo. Não  tenho fantasias com homens, definitivamente. Se a extensão da pergunta  chega na hipótese da minha relação de &#8220;amante traída&#8221; pelo pastor g-12,  posso afirmar com todas as letras que jamais passou pela minha cabeça  ter um caso ou transar com ele. Acho homens bonitos, bonitos; ainda que  me sinta, via de regra, diminuído perto deles. Mas não passa disso. A  coisa de acharem que sou isso ou aquilo já não me afeta mais,  definitivamente. Pra falar a verdade mais clara possível eu gostaria  muito é de namorar muitas mulheres. Sentir todos os seus perfumes,  sentir todas as suas formas, sabores. Isso sim eu gostaria. Mas não  posso. Seria uma tremenda sacanagem com a minha esposa. Pra te contar um  fato muito importante pra mim, houve uma mulher &#8211; mulher mesmo, fina,  inteligente, apaixonante &#8211; com quem tive um relacionamento extraconjugal  e depois de tudo eu aprendi que só fiz machucar as pessoas e eu mesmo.  Ela me disse, na última ligação que atendi: &#8220;Se você sabia que não podia  me ter inteira, porque levou adiante?&#8221; Ainda sinto saudades dela. Mas  amo minha esposa. Re-aprendi a amá-la. Na verdade se não fosse minha  esposa eu talvez nem estivesse aqui agora digitando estas linhas pra  você, Caio. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"><br />
3. Você já esteve antes na vida numa posição de submissão a alguém? </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Sim, sempre. É uma coisa doida o que acontece  comigo. Como chefio mais de 30 pessoas, com eles eu sou o cara que  manda, desmanda, ainda que tudo no respeito, na amizade, sem tiranias.  Mas quando se trata de ser o comandado eu fico todo murcho. Todo medos.  Todo temores. Minha relação com minha esposa, por exemplo, é uma relação  na qual eu prefiro que ela tome as decisões. Tome conta da grana. Tome  conta de tudo. Eu quero meio que ficar alheio. Já no trabalho eu gosto  de comandar as coisas. Saber de tudo. Ter tudo sob controle, sob o meu  controle. Mas mesmo sabendo que sou um cara competente, tenho o maior  medo do meu chefe. Medo mesmo. Passa pela minha cabeça que ele pode me  mandar embora a qualquer momento e que eu vou estar frito. E isto me  tira noites de sono muitas vezes. Lá no esquema g-12 a submissão era  total. Ainda que eu com muita espiritualidade tirava um sarro da coisa  pra não ficar tão pesada e o pessoal me colocava pra ser o porta-voz das  lamúrias que sempre pipocavam. Dentro disso tudo fica sempre aquele  papelzinho ridículo que eu faço &#8211; ainda que sempre prometa pra mim mesmo  não mais fazê-lo &#8211; de falar o que eu sei de antemão que vai agradar o  sujeito que manda em mim&#8230;. Coisa ridícula essa&#8230; Na verdade eu tenho  um <a href="http://www.sitecristao.com/sonho-seu-mar-e-seu-deus-calvinista-i-e-ii/" class="kblinker" title="More about sonho &raquo;">sonho</a> de ser como o João Gilberto Noll, aquele escritor gaúcho que  recebe uma verba da editora pra se enfiar num buraco e produzir um livro  por ano. O Rubem Fonseca também. Tenho estes sonhos: de não ter que me  relacionar com as pessoas. Agorafobia. Solipsismo. O João Padilha, que  escreveu &#8220;Bolha de Luzes&#8221; tem um personagem que é a minha cara (risos).  Detesto ir a festas. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Até as da minha família me estressam. Ter que  ficar puxando assunto, coisa e tal. Mas olha o engraçado: eu vou, me  relaciono superbem (falando quase sempre o que o povo quer ouvir) e todo  mundo fica &#8220;apaixonado&#8221; por mim&#8230; Só rindo&#8230; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">De qualquer forma eu tento não confundir  autoridade com legitimidade. Mas eu sou péssimo pra delimitar as zonas  de relevância. E sofro demais com isso.<br />
4. Como e em que ocasião sua depressividade se manifestou a primeira  vez? E com que idade? </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Cedo, muito cedo. Logo depois que meu pai foi  embora, eu lembro que um primo nosso veio nos visitar e minha mãe  começou a chorar, chorar, chorar, e aquilo me angustiou muito. Fiquei  triste pra cacete. Com raiva também. Eu tinha 7 anos. Depois veio a fase  da adolescência, das comparações com meu irmão esportista, e dos dias,  meses, anos, passados sozinho em casa, ouvindo o Michael Jackson na  vitrola e pensando em viver a vida dele, que, definitivamente não era a  minha. Me achava feio demais. E olha que não sou nada feio (risos).  Foram natais, anos-novos, todos passados sozinho. Meu irmão jogando bola  na Europa, meu pai com a mulher dele e seus outros filhos, minha mãe  com os namorados dela eu ali, assistindo o Barros de Alencar,  descobrindo a <a href="http://www.robertosoares.com/masturbacao-e-pecado/" class="kblinker" title="More about masturbação &raquo;">masturbação</a> e cigarros como companheiros e olhando o mundo  pela janela da nossa casa alugada. Eu sentia já à esta época &#8211; 13, 14  anos &#8211; a mesma coisa que agora aqui dentro pulsa em mim: um desespero,  uma impressão de que vou explodir, de que vou fazer alguma merda.  Depois, mais tarde, como era natural, me liguei naquela fase &#8220;dark&#8221; em  que a gente só andava de preto, lia Baudelaire, ouvia Pink Floyd, The  Cure e assistia sem parar o Marlon Brando em <a href="http://www.sitecristao.com/apocalipse-para-ser-lido-hoje/" class="kblinker" title="More about apocalipse &raquo;">Apocalipse</a> Now. Eu via as  meninas, e pensava: &#8220;Puxa, eu te amaria tanto se você me deixasse.&#8221; Mas  nada rolava&#8230; Depois mais velho, 30 anos por aí, fui fazer terapia com  um cara super legal e anotava tudo no meu &#8220;Diários do Subterrâneo&#8221;. Foi  nessa época que comecei a tomar o clona misturado com clomipramina,  triptofano e outras coisas e dei uma despirocada. Mas resolvi parar. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Eu sei que cabe ao analista fatiar e eu depois  juntar em casa. Mas minhas &#8220;gestalts&#8221; parecem que não fecham nunca. Só  abrem, abrem, abrem. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Minha esposa sempre me diz: &#8220;Cara, todo mundo  sofre, não sei porque você não relaxa&#8230;.&#8221; Mas eu sempre re-encuco.  Tenho medo de ficar desempregado. Tenho um medaço do meu diploma e do  que não fiz com ele. Tenho tudo. É isso. Tenho um amigo que diz que eu  ainda sou feliz porque tenho estas âncoras de preocupação, porque caso  contrário eu já teria partido. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">O que mais me irrita &#8211; e você foi  mais-que-perfeito ao escrever sobre o &#8220;desencontro profundo entre a  minha razão e minhas emoções&#8221; &#8211; é justamente saber que eu tenho tudo pra  ser feliz. Tudo, em absoluto. Vejo gente na pior e feliz. E eu aqui  choramingando. Mas ao mesmo tempo eu sinto que não é chorinho de  filhinho de papai (que não sou, diga-se, visto que desbravei meu caminho  sozinho e com minha esposa), é uma coisa pior que eu não sei o que é. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Ufa! Acho que é só tudo isso. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">O mesmo amigo de que lhe falei acima me diz que a  arte existe justamente pra gente sublimar a existência. E você também  disse isso de certa forma. Mas eu fico naquela de achar que as minhas  pinturas, os meus textos, o meu blog, tudo o que eu faço, e faço muito  bem, não estão dando conta do recado. As letras estão invertidas pra  mim. E eu tinha mesmo muita esperança naquela terapia ocupacional. Mas  será que sempre será assim? Sempre eu vou ter que depender de remédio e  terapia? Que pai serei para as minhas filhas? </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Tenho medo da máscara cair. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Um beijo Caio. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E como disse é inefável o que você tem feito por  mim ao direcionar parte do seu tempo pra mim. Te agradeço eternamente.  Eternamente mesmo. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Bom, Agora chega de te importunar. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Beijão. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E aparece em casa pra gente tomar um bom vinho e  bater um papo.<br />
Pode acreditar, eu não sou tão ruim assim como parece (risos).<br />
____________________________________________________________</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Resposta:</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Meu amado amigo: Graça e Paz!</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"><br />
Se tomássemos o caminho da psicanálise para tratar a questão, certamente  você seria um “prato cheio”, por tudo o que narrou antes e agora. No  entanto, meu amigo, eu não creio que a psicanálise o ajudará muito. Na  realidade eu creio que o que você precisa é se ligar a Deus em um  conhecimento profundo, e que seja o resultado de sua entrega em <a href="http://www.robertosoares.com/e-pelo-amor-que-somos-reconhecidos-como-discipulos-de-cristo/" class="kblinker" title="More about amor &raquo;">amor</a> a  Jesus e ao Evangelho. Mas fazer isso no nível psicológico também; ou  seja: “de todo o teu coração”.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Escavar sua alma poderá apenas desenterrar  defuntos que já nem sejam tão importantes assim. De fato, a cada dia que  passa, mais me convenço de que as grandes mudanças são simples; e são  fruto de uma rendição da mente ao amor. Ora, esse amor do qual estou  falando é uma escolha, uma decisão, uma consciência.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">É obvio que num mundo como o nosso (com tantas  propagandas de prazeres, de hedonismos, de surubas, de mulheres  gostosas—mais de uma na cama—, de gozos e gostos, e de experiências  novas), quase todo mundo que eu encontro está na sua situação: se  pudesse, soltaria a franga, pegaria todas, não pouparia a si mesmo de  nenhum gosto ou prazer. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">No entanto, todo esse “sentir”, é fruto do curso  deste mundo e de sua propaganda maligna e perversa; objética e  fetichista; rápida e prática; sem nomes ou compromissos; com  possibilidade de variedade quase ilimitada de experimentos.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Ora, o que vejo a cada dia que passa é que todo  mundo está sendo atingido por esse espírito que cobre a terra como um  manto; o qual abraça as almas com o abraço que não abraça, que é o  abraço da carência e da aflição, e que diz para a alma humana que a  passagem de cada pessoa pela Terra terá tido valor apenas se a pessoa  “experimentar” muitas coisas nesse mundo de múltiplas ofertas, e, no  qual, as escolhas da alma acontecem num Shopping Center de escolhas  vazias e pobres.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Assim, deixando Freud de lado e também a religião,  especialmente essa gedoziana, quero recomendar a você alguns exercícios  e disciplinas:</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"><br />
1. Já que você decidiu investir em seu casamento e que está conseguindo  bons resultados, então, aprofunde-se ainda mais. Dedique-se a amar sua  mulher; a fazer amor com ela; a tratá-la com carinho e consideração; e,  sobretudo, com reverência por ela. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">2. Trate sua insegurança em relação às figuras de  autoridade como coisa de natureza espiritual. Ou seja: combata essa  insegurança e esse medo com confiança. Sim, com confiança. Confiança em  Deus, meu amigo, é entregar, descansar, e viver sabendo que existe um  Cuidado e uma Provisão sobre nós. Assim, lhe digo: mais do que qualquer  coisa você precisa conhecer a fé como confiança. Quando isto acontecer,  você verá que como por encanto tudo isto vai desaparecer. Sim, se sua  visão acerca de Deus ganhar confiança, então, você verá que sua vida  mudará completamente; e você será possuído por uma segurança que você  nunca conheceu.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">3. Trate a questão do pastor gedoziano da seguinte  maneira: Não se grile com o que houve. Fique longe de lá. Não mexa mais  com esta questão. Vire essa página. E saiba: eu sou “pastor”,  “reverendo”, e todas essas outras bobagens da religião funcional e  estatal. Ora, é justamente por essa razão que lhe digo que nenhum pastor  desse mundo é alguém “a mais” para Deus do que você. Na realidade, o  sistema gedoziano usou as formulas de “autoridade espiritual” do Lee, e,  a elas acrescentou o controle piramidal e a obsessão pelo crescimento  numérico; sem falar num sem-número de outras tolices. Todavia, a pior  coisa que eles fizeram foi a ressurreição do sacerdócio individual de  alguns em favor de muitos: os “apóstolos atuais” chamam para si mesmos  esse papel totêmico; eles só não aceitam é o lado avesso do totem, que é  a execração. Ora, um homem com suas dificuldades naturais com a questão  das figuras de autoridade, posto num lugar gedoziano, não tinha como  não desenvolver as fobias e pânicos que você desenvolveu. Você já os  tinha; porém, lá, as coisas ganharam contornos mais sérios para você, e  que é o resultado de se misturar uma fraqueza psicológica com o medo que  a religião patrocina em relação à figura de Deus; e de seus  representantes na terra; no caso gedoziano, o “apóstolo”. Portanto,  considerando os antecedentes, posso dizer que você saiu até muito bem  dessa encrenca psicológica. Tem gente que não sai. Atendo um monte de  pessoas que enfermaram dentro dessa “rodinha de hamster”, que é o G12,  bem como dentro de todas as demais coisas que andam no seu espírito de  quantificação, controle e clonagem.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">4. Acalme seu coração uns meses, e, depois, comece  a reunir os irmãos. Sim, há muitos como você aí; além de que eu creio  que o exercício de uma liderança feita a partir do conhecimento do  significado do que é se sentir oprimido pela autoridade, pode dar a você  uma grande vantagem no exercício de um papel de liderança. Isto se você  não esquecer que também “já foi peregrino e estrangeiro” em terras de  reis controladores e opressivos.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"><br />
5. Há também em você um forte desejo de não ter crescido. E essa falta  de desejo na maturidade independente e confiante tem feito muito mal a  você. Portanto, recomendo que você leia o livro “A Trilha Menos  Percorrida”, de Scott Peck, pois creio que nele você encontrará bons  fundamentos para entender a si mesmo; bem como também nele você  discernirá o significado do que seja maturidade, segurança e amor. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"><br />
Por enquanto é só isto. O mais é muita leitura dos evangelhos, em voz  alta, e a leitura dos salmos, em voz alta. Faça isto todos os dias. Ouça  o que está lendo. E depois escolha a passagem que tenha “escolhido”  você—porque o que tenha tocado—, e passe um tempo em silêncio, meditando  nela; depois saia em paz.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Ora, todos esses conselhos são dados levando em  consideração que você deseja viver “vida mansa e tranqüila, com toda  piedade e respeito”. No entanto, eu sei que o apelo deste mundo de  seduções é para que você se entregue a uma existencialidade de  experiências e experimentos, os quais, saiba, eu sei, por experiência  própria, nada fazem de bom à alma, e a ela nada acrescentam; exceto dor.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"><br />
Receba meu amor e reverência pela sua alma!</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Nele, em Quem nada nos falta,</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"><br />
Caio</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"><a href="http://www.caiofabio.net">www.caiofabio.net</a><br />
</span></p>
<p><br>
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		<title>O que é ser santo?</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Feb 2010 23:54:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roberto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[santidade]]></category>

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		<description><![CDATA[(Trecho do livro Oração para Viver e Morrer , páginas 38 a 41, por CAIO FÁBIO, 1994. Digitação de Dora Ramos)
Vejamos o que Jesus estava nos ensinando quando relacionou o tema da santidade à Palavra e aquilo que Deus faz a nosso favor.
1. O tema da Santidade conforme relacionado à Palavra de Deus (João 17:17). [...]<p><br>
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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(Trecho do livro Oração para Viver e Morrer , páginas 38 a 41, por CAIO FÁBIO, 1994. Digitação de Dora Ramos)</p>
<p>Vejamos o que Jesus estava nos ensinando quando relacionou o tema da santidade à Palavra e aquilo que <a href="http://www.sitecristao.com/qual-e-a-vontade-de-deus-para-mim/" class="kblinker" title="More about Deus &raquo;">Deus</a> faz a nosso favor.</p>
<p>1. O tema da Santidade conforme relacionado à Palavra de Deus (João 17:17). Para Jesus, a Palavra de Deus era o que poderia nos santificar. E para Ele não se tratava de uma definição de santificação esotérica e mágica. Ele não tinha em mente nenhum tipo de exposição mágica da alma humana à Palavra ao fim da qual a pessoa estivesse mais santa. Na sua mente não passavam aquelas &#8220;percepções&#8221; de que a mera exposição à Palavra santificava o ouvinte. Para Jesus, ser santificado tinha, na verdade, uma profunda e indissolúvel relação com a assimilação dos conceitos da verdade de Deus, mediante um aprendizado não apenas teórico e teológico da letra da Palavra, mas mediante a vivência da presença de Deus na história em conformidade com o padrão da Palavra de Deus feita verdade no coração.</p>
<p>Tal percepção da relação da Palavra com a vida deve nos comprometer com a confissão de que Deus é <a href="http://www.sitecristao.com/o-que-e-ser-santo/" class="kblinker" title="More about santo &raquo;">santo</a> e com a vivência da santidade. Além disso, ela nos induz também a perguntar por dois conceitos básicos encontrados na prática de Jesus. O primeiro tem a ver com o conceito de Palavra de Deus no entendimento de Jesus. E o segundo é aquele relacionado a como Jesus, à luz de Sua interpretação da Palavra, entendia o tema da santidade.</p>
<p>Comecemos com o que a Palavra significava para Jesus e o que Ele chamava de Palavra de Deus. Inicialmente devemos dizer que Jesus olhava para a totalidade do Velho Testamento como Palavra de Deus (Jo. 5:39). Para Ele a questão nunca esteve entre o que era ou não Palavra de Deus no Velho Testamento, mas, apenas, em como entender, interpretar e aplicar essa Palavra ao contexto da vida humana. Ora, neste sentido Mateus 22:23-46 é o melhor exemplo disso. Nos três episódios narrados naquele texto, a grande questão não é o que é Palavra de Deus, mas como entendê-la e aplicá-la (Mt. 23:2,3). É por esta razão que nós não vemos na prática de Jesus querelas teológicas, na perspectiva seletiva a respeito do que deveria ser retirado do Velho Testamento para ser abandonado ou reforçado na prática dos seus discípulos (Lc. 24:45). Pelo contrário, para Ele, o Velho Testamento dava uma base e finalidade histórica (Lc. 4:16-19). Sua missão tinha suas raízes mais profundas nos <a href="http://www.sitecristao.com/sonho-seu-mar-e-seu-deus-calvinista-i-e-ii/" class="kblinker" title="More about sonho &raquo;">sonhos</a> dos profetas (Lc. 24.27). Seus sofrimentos e glórias já tinham sido vistos e saudados desde o início da caminhada histórica do povo de Israel (Lc. 22.36,37). Ele próprio tinha sido alegria existencial e a inspiração dos patriarcas e profetas (Jo. 8.56). Sua mensagem não era nova, mas o aprofundamento da revelação já existente (Mt. 22:34¬40; Lc. 10.25-28). Sua expectativa de aceitação e rejeição do seu ministério se baseava naquilo que a Palavra lhe autorizava a esperar (Mt. 13.14,15). A própria maneira sombria pela qual ele anuncia sua morte se fundamenta numa interpretação teológico-ideológico da freqüente e histórica atitude do povo de Israel, conforme descrita nas Escrituras (Lc 13.31-35). Para Ele, o Gênesis de 6 a 11 era digno de confiança histórica (Mt. 24.38-39). Além disso, o modo pelo qual ele interpretava a saúde relacional do homem e da mulher se fundamentava na originalidade do plano da criação conforme revelado no Gênesis (Mt. 19.4-6). A conexão entre <a href="http://www.robertosoares.com/?s=pecado" class="kblinker" title="More about pecado &raquo;">pecado</a> e queda, bem como entre ideal e realidade era para ele extraída da Escritura (Mt. 19:7-9).</p>
<p>Até mesmo textos do V.T. de ares místicos foram encarados por ele como absolutamente simples e reveladores do modo pelo qual Deus age na história (Mt. 16.1-4). Assim, tudo que Jesus fazia tinha seu fundamento no Velho Testamento. Seu território ministerial (Mt. 4.12-17), o exercício das curas (Mt. 8.16-17), a <a href="http://www.robertosoares.com/deus-nao-depende-de-pregadores-para-falar/" class="kblinker" title="More about pregação &raquo;">pregação</a> (Lc. 4.16-19), o ensino (Mt. 6-7) e a atitude de discrição e singela misericórdia (Mt. 12.15-21) estavam fundamentados no Velho Testamento. Seu sermão do Monte era, em síntese, a pregação do sonho dos profetas. De fato, o Sermão do Monte é a condensação das utopias dos profetas. Aquilo que eles não tinham conseguido chamar de História, Jesus chamou Vida.</p>
<p>Concluindo, nós poderíamos dizer que, literalmente, toda a Escritura tem em Jesus sua afirmação: o Pentateuco (Mt. 22.23-29), os <a href="http://www.robertosoares.com/lojinha/livros" class="kblinker" title="More about livros &raquo;">livros</a> históricos (Mt. 12.1-7), os poéticos (SI. 118.26;22.8), as sabedorias (Mt. 12.42) e os profetas (Mt. 26.31). O próprio fato de as genealogias de Jesus estarem incluídas nos evangelhos com todas as ambigüidades &#8220;morais&#8221; às quais elas estavam sujeitas, pois Jesus descende de gentios (Mt. 1.3,5), adúlteros (Mt. 1.3-6), prostituta (Mt. 1.6), homicidas (Mt. 1.10) e ancestrais cheios de sincretismos (Mt. 1.7-10), nos mostra que, propositalmente, Ele quer estar ligado à História do Velho Testamento (Jo. 5.39).</p>
<p>Isto posto, devemos agora relacionar a Palavra com o fato de Jesus ter dito que deveríamos ser santificados por ela. Ora, nesse caso nossa visão do escopo e da profundidade da santificação muda radicalmente. Ser santo é buscar ser essencialmente humano, ser parte da história porém vivendo a presença de Deus no mundo (Lc. 7.39). Ser santo tem relação com a busca de uma sociedade sem desigualdades e onde os mais fracos jamais sejam despojados (Mt. 23.14). Ser santo é viver a alegria do conhecimento de Deus com oração e fé e é sofrer as angústias da história como resultado de nossos vínculos com um padrão que o mundo não conhece (Mt. 11.25-27; 5.11-12). Ser santo é ser separado, não dos pagãos; como Israel equivocadamente tentou, mas é viver a diferença radical dos valores do Reino em meio às sociedades pagãs (Mt. 5.43-48). Ser santo é ter na paixão dos profetas a motivação existencial para o nosso enfrentamento histórico do mal (Lc. 13.33). Ser santo é, mesmo em dia de sábado, trabalhar a favor da santidade de vida (Lc. 14. 1-6). Ser santo é colocar o valor da vida acima do valor das coisas, mesmo aquelas mais &#8220;sagradas&#8221; (Mt. 23.23). Ser santo é entender que o altar diante do qual Deus nos quer ver prostrados não é apenas o altar do templo, mas também os altares ensangüentados dos corpos dos nossos irmãos de história e que estão caídos nas esquinas da vida (Lc. 10.25-37). Ser santo é viver a misericórdia no agitado ambiente secular, ao invés de viver a quietude alienada do ambiente religioso que não tem janelas para a história da dor humana (Mt. 9.9-13). Ser santo é acreditar que a santidade não se polui quando toca com <a href="http://www.robertosoares.com/e-pelo-amor-que-somos-reconhecidos-como-discipulos-de-cristo/" class="kblinker" title="More about amor &raquo;">amor</a>, aquilo que é sujo (Mt. 8.1-4; Mc. 7.1-23). Ser santo é não temer ser mal interpretado pela mente daqueles que estão sujos de pretensa santidade.(Mc.7.5;Lc.7.39).</p>
<p>Para Jesus, ser santo é ser verdadeiro para com a nossa condição humana: é ter a <a href="http://www.sitecristao.com/coragem-para-nao-revidar/" class="kblinker" title="More about coragem &raquo;">coragem</a> de chorar em público (Jo. 11.35), de admitir perdas e saudade (Jo. 11.36), de gritar de dor (Mt. 27.50), de confessar depressão (Mt. 26.38), de pedir ajuda emocional (Mc. 27.50), de se confessar cansado (Jo. 4.6), de dizer tenho sede (Jo. 19.28), de confessar dificuldades familiares (Mc. 3.21;Jo. 7.1-9), de admitir que a privacidade é um direito e uma necessidade de sobrevivência (Mc. 6.30-32,45,46). Ser santo é admitir que o amor pode ser exercido na perspectiva da disciplina física (Mc. 11.15-19) e que o &#8220;desabafo&#8221; é um sadio escape quando se está farto de estupidez (Lc. 11.31-32). Ser santo é continuar sendo de Deus mesmo em meio ao mais profundo e inexplicável silêncio divino (Mt. 27.46).</p>
<p>Desse modo, não santificamos a Deus quando falamos o seu nome enquanto furtamo-nos à verdade e praticamos todas aquelas coisas que a Palavra de Deus decreta como abominações, ainda que disfarçados pela nossa pseudo-moralidade. Também não santificamos a Deus com a nossa teologia reducionista e domesticadora da divindade, que pretende reduzi-lo a dogmas, ritos, liturgias e espaços. Também não santificamos a Deus com a nossa noção de sermos secretários da divindade, achando que sabemos tudo sobre Ele, achando que discernimos toda a Sua vontade, como se tivéssemos todas as manhãs uma entrevista marcada com Ele, na qual nos mostrasse detalhadamente todos os caminhos da vida. Blasfema contra Deus quem não pode dizer como Paulo em Romanos 11:33-36, que ninguém jamais conheceu ou penetrou na totalidade dos seus caminhos. Blasfema contra Deus quem não se abriu para o ministério de Deus. Não santificamos a Deus quando todo o nosso interesse em relação a Ele é sermos &#8220;ajudados&#8221;. Ofendemos a Deus não somente pela negação do Seu poder, mas também pela súplica egocêntrica. Não se santifica a Deus quando se estabelece um lugar para ele morar, caindo nas teologias pagãs do &#8220;lugar santo&#8221;. Ora, lugares só são santos quando santificados pela presença de homens santos que cultuam ao Deus Santo. Não se santifica o nome de Deus quando se viola a sua imagem e semelhança nos seres humanos que nos cercam. Não se santifica a Deus onde os pequenos são apenas suportados e os grandes são preferidos. Não se santifica a Deus nas nossas ruas cheias de meninos nus e crus, que perambulam como cães virando latas de lixo. Não se santifica a Deus quando a <a href="http://www.robertosoares.com/voce-e-da-igreja-de-jesus/" class="kblinker" title="More about igreja &raquo;">Igreja</a> se toma um &#8220;bastião&#8221; do poder religioso, capaz de favorecer influências políticas mundanas e iníquas. Não se santifica a Deus quando nossa esposa não é santificada pelo nosso convívio e os nossos filhos e amigos não provam o benfazejo resultado da nossa ligação com Deus.</p>
<p>2. A obra redentora de Jesus conforme relacionada ao tema da santidade: &#8220;E a favor deles eu me santifico a mim mesmo&#8230;&#8221; (v.19) A segunda idéia à qual o tema do Pai Santo e da santidade está relacionada em João 17 é a obra salvífica de Jesus. Isso porque a santificação que o Pai santo pede dos Seus filhos só pode ser vivida em Cristo. É por isso que Jesus, conquanto nos desafie concretamente à vivência da santidade, nos faz provisão espiritual para que tal santificação seja uma possibilidade. Sem tal provisão espiritual a vida cristã é simplesmente impossível. Talvez essa seja justamente a nossa principal falha histórica: tentar viver por nossa própria conta e meios a santidade para a qual somos chamados. Talvez o mais terrível exemplo disso na atualidade esteja exatamente demonstrado na queda dramática e escandalosa de pregadores cujos projetos teológicos e pessoais pregam comportamentos de santidade antropocêntrica. Ora, a única diferença entre legalismo e santidade é que o primeiro é esforço humano e o segundo é obra do Espírito.</p>
<p>Por que estou dizendo isso? Simplesmente para mostrar o que Jesus dissera quando afirmou que a &#8220;favor dos discípulos Ele se santificava a si mesmo&#8221;, era muito mais do que poesia sacerdotal. De fato, tratava-se da mais fundamental afirmação de segurança espiritual que a Palavra de Deus nos oferece. É sabido por todos nós, que Jesus Cristo é a única provisão de Deus para a <a href="http://www.sitecristao.com/voce-gostaria-que-poucos-fossem-os-salvos/" class="kblinker" title="More about salvação &raquo;">salvação</a> humana. E na minha maneira de ver, salvação e santificação andam extremamente ligadas. Para entendermos o tema da santificação, precisamos entender primeiro o tema da salvação e aquilo a que ela está ligada.</p>
<p>Ora, Deus está redimindo hoje o espírito humano de modo forense e judicial, por causa da obra de Jesus na cruz. No entanto, tal salvação também traz consigo o anúncio das boas novas de um processo redentivo, multidimensional, que Deus continua a realizar, atingindo variados segmentos da nossa própria vida. É isto que Paulo diz num texto que tem criado problemas na mente de muitos irmãos: &#8220;&#8230; desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor, porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar segundo a sua vontade&#8221; (Fp. 2.13). O fato de a salvação precisar ser desenvolvida não significa que ela tem de ser conquistada. Nós só desenvolvemos aquilo que temos, e nós temos a salvação, definitivamente, pela fé na Graça de Cristo. Tal salvação, precisa apenas expandir-se, corporificar-se e multidimensionar-se na existência humana. É também por isso que Paulo continua apresentando alguns exemplos básicos de como fazer a salvação &#8220;crescer&#8221;: &#8220;sem murmurações nem contendas&#8221;. Ora, isto tem a ver com a nossa interioridade curada e com as relações que precisam ser reconciliadas para que, na História, nos tornemos &#8220;irrepreensíveis e sinceros filhos de Deus, e inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta&#8221;.</p>
<p>A salvação judicial e forense, por meio da fé em Jesus, deve desembocar num processo de humanização, tendo Jesus como protótipo, conforme diz Romanos 8.29 &#8220;Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu filho, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos&#8221;. A salvação que se recebe pela fé, desse momento em diante, entra na fase de desenvoltura dentro de cada pessoa para quem Jesus é o Salvador, o projeto, o protótipo, a referência e o Mestre. Isto porque o plano de Deus é que esta salvação se multidimensione em cada um de nós, de modo a caminhar na direção de tornar cada pessoa &#8220;conforme a imagem de seu Filho, para que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos&#8221;, os quais são parecidos com Ele.</p>
<p>Assim é que, metafisicamente, aos olhos de Deus, nós somos uma obra acabada. Sua graça nos fez totais aos Seus olhos, de modo que judicial e forensemente estamos justificados. Mas historicamente falando, porém, veja o que Paulo diz em Filipenses 3.12,13: &#8220;Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus&#8221;. No versículo 16 diz ainda: &#8220;Todavia, andemos de acordo com o que já alcançamos&#8221;. O versículo 15 ele já havia dito: &#8220;Todos pois que somos perfeitos, tenhamos este sentimento&#8221;. Os dois elementos (salvação-forense-judicial versus salvação-histórico-processual) estão presentes nestas citações.</p>
<p>Veja o que se diz acerca da salvação forense-judicial: &#8220;Nós que somos perfeitos&#8221; (v.15). Ora, tal afirmação só é possível em Cristo. Fora dele, nenhum de nós, inclusive Paulo, é imperfeito e inacabado.</p>
<p>Veja agora o que se diz sobre a salvação histórico-processual: &#8220;não tenho obtido a perfeição&#8230;mas prossigo para conquistar&#8230;todavia andemos de acordo com o que já alcançamos&#8230;&#8221; (v.12,13,16).</p>
<p>Assim é que, forense e judicialmente estamos perfeitos em Cristo.</p>
<p>Historicamente, porém, estamos ainda a caminho, de modo que a justificação já realizada e acabada em Cristo não deve estagnar o processo histórico de continuidade de nossa salvação. Com relação a este último aspecto, Paulo utiliza em Filipenses três palavras e expressões processuais do tipo &#8220;prossigo&#8221;, &#8220;avançando&#8221;, &#8220;andemos&#8221;, &#8220;não alcancei&#8221;, e &#8220;tenho um alvo&#8221;. São palavras e expressões que nos colocam a caminho e que não permitem que a justificação se engesse no moralista religioso ou se apóie na graça barata.</p>
<p>Ainda em Filipenses 3, Paulo diz que a salvação, enquanto obra a ser desenvolvida, implica num processo histórico, pois tem relação com três tempos: passado, presente e futuro. Ele diz que as &#8220;coisas que para trás ficam&#8221;, para trás ficam; que as coisas do presente ao presente pertencem (&#8220;não que eu tenha alcançado&#8221;) e que as coisas do futuro, &#8220;diante de mim estão&#8221;. Ora, isto é precisamente o que compõe a História: presente, passado e futuro. Portanto, tal salvação-santificação tem que se desenvolver aqui, na História.</p>
<p>Paulo também afirma que este processo histórico pode ser chamado de processo de &#8220;cristificação&#8221;. Esse processo é dinâmico. Ele diz: &#8220;&#8230;não obtive, porém prossigo&#8230;&#8221;. Todos nós podemos alcançar tudo quanto Deus colocou à nossa disposição.</p>
<p>Ora, aqui neste ponto nós voltamos objetivamente ao tema da santificação, e com uma pergunta. Isto porque uma vez que os conceitos básicos relacionados com a salvação estão postos, nós devemos perguntar o que isso tem a ver com a nossa santificação. Não devemos nos esquecer de que em João 17, texto de nosso estudo, o Senhor Jesus disse que Ele mesmo se santificava a nosso favor. Ou seja: há algo da vicariedade de Jesus na nossa santificação também. É bom afirmar isto, pelo simples fato de que há muito legalismo com relação à perspectiva da santificação. Na maioria das vezes, a santificação tem sido entendida como sendo o &#8220;lado humano&#8221; da salvação. Ou seja: &#8220;Cristo nos salvou e cabe a nós tornarmo-nos dignos da salvação através da santificação&#8221;. No entanto, não há santificação possível que prescinda também da graça santificadora de Deus. Com isto não estou dizendo que a santificação não implica em compromissos éticos concretos na história. Se assim fosse, eu estaria negando tudo o que escrevi a respeito da necessidade das nossas vidas confirmarem a revelação da Palavra. Como diz Willian Barclay: &#8220;o cristianismo, como também o judaísmo, é essencialmente uma <a href="http://www.sitecristao.com/o-insoluvel-conflito-entre-a-religiao-e-o-evangelho/" class="kblinker" title="More about religião &raquo;">religião</a> ética. Por isso se deve dizer que o cristianismo insiste que o ser humano deva viver um certo tipo de vida e ser um certo tipo de pessoa&#8221; (William Barclay; &#8220;The Mind of ST. Paul&#8221;, pág 75).</p>
<p>Do mesmo modo que o Novo Testamento ensina que a salvação é fruto da graça de Deus realizada e consumada em Jesus Cristo, ele nos ensina também que a realidade da santificação se alimenta da mesma fonte de eficácia espiritual: a Graça. A santificação resulta de uma vida que antes de tudo se viu morta em Jesus Cristo para o pecado (Rm. 6.11-14). Na realidade, a questão-chave da santificação se resume na expressão &#8220;estar em Cristo&#8221;. Estar em Cristo significa TUDO na vida cristã. Literalmente, não há qualquer progresso humano possível, fora desse estar &#8220;em Cristo&#8221;. Neste sentido, há uma diferença fundamental entre estar &#8220;em Cristo&#8221; e estar &#8220;na igreja&#8221;. Obviamente acredito que estar em Cristo significa também estar na IGREJA de Cristo. A questão, no entanto, é que a Igreja de Cristo se misturou com aquilo que nós chamamos de Cristandade. Foi precisamente nesse sentido que Santo Agostinho disse &#8220;que a igreja tem muitos aos quais Deus não tem e que Deus tem muitos aos quais a igreja não tem&#8221;. Para Santo Agostinho, a &#8220;igreja&#8221; não era necessariamente a IGREJA. Podia ser apenas uma deformação institucionalizada daquilo que Jesus sonhara.Isso porque, Santo Agostinho quanto nós, acreditamos que quem de fato está em Cristo está na IGREJA, e na comunhão da fé que a verdadeira Igreja promove e para a qual nos convida. No entanto, há aqueles que estão na IGREJA e que não conseguem &#8220;entrar nas igrejas&#8221;. Esses são cristãos, mas não suportam aquilo que nós chamamos de &#8220;cristianismo&#8221;.</p>
<p>Descrevendo esse afastamento do cristianismo em relação à IGREJA conforme exposta no Novo Testamento, Jacques Ellul afirma em &#8220;Subversion of Christianity&#8221; o momento histórico em que essa mudança teve e tem lugar. O momento é exatamente quando sai-se da perspectiva orgânico-qualitativa de igreja para a perspectiva organizacional-institucional (por exemplo, quando a comunidade da fé vira &#8220;-ismo&#8221;). Nesse caso, é como se uma fonte de água viva fosse transformada em um canal de irrigação mais ou menos regulado e estagnado, até ao ponto em que a água da fonte original torna-se totalmente poluída na medida em que ela vai sendo &#8220;mecânica e artificialmente trabalhada&#8221; pelo sistema de distribuição.</p>
<p>De fato, o grande segredo da santificação, como já dissemos, é estar em Cristo e tendo sempre a coragem de verificar se estamos mesmo nEle (II Co. 13.5) Este é o princípio essencial à santificação e às demais virtudes da fé cristã. Do ponto de vista do Novo Testamento, &#8220;em Cristo&#8221; nós temos:</p>
<p>1. Consolação: &#8220;Se há, pois, alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão do Espírito, se há entranhados afetos e misericórdias, completai a minha alegria&#8230;&#8221; (Fp. 2.1,2).</p>
<p>2. Ousadia: &#8220;Pois bem, ainda que eu sinta plena liberdade em Cristo para te ordenar o que convém &#8221; (Fm 8).</p>
<p>3. Liberdade: &#8220;E isto por causa dos falsos irmãos que se intrometeram com o fim de espreitar a nossa liberdade que temos em Cristo Jesus, e reduzir-nos a escravidão&#8221; (Gl. 2.4).</p>
<p>4. Vitória contra a mentira: &#8220;Digo a verdade em Cristo, não minto, testemunhando comigo, no <a href="http://www.sitecristao.com/busco-o-batismo-no-espirito-santo-e-nao-recebo/" class="kblinker" title="More about Espírito Santo &raquo;">Espírito Santo</a>, a minha própria consciência&#8221; (Rm. 9.1).</p>
<p>5. Promessas: &#8220;&#8230;a saber que os gentios são co-herdeiros, membros do mesmo corpo e co-participantes da promessa em Cristo Jesus por meio do evangelho&#8221; (Ef. 3.6).</p>
<p>6. O AMÉM de Deus à vida: &#8220;Porque quantas são as <a href="http://www.sitecristao.com/angustia-humana-por-promessas-divinas/" class="kblinker" title="More about promessas de Deus &raquo;">promessas de Deus</a> tantas têm nele o sim; porquanto também por ele é o amém para a glória de Deus, por nosso intermédio&#8221; (11 Co. 1.20).</p>
<p>7. Somos santificados: &#8220;À igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos, com todos os que em todo o lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso&#8221; (1 Co. 12).</p>
<p>8. Somos sábios: &#8220;Nós somos loucos por causa de Cristo, e vós sábios em Cristo; nós fracos e vós fortes; vós nobres e nós desprezíveis&#8221; (Co. 4.10).</p>
<p>9. Somos novas criaturas: &#8220;E assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura: As coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas&#8221; (II Co. 5.17).</p>
<p>10. Somos chamados: &#8220;Porque o que foi chamado no Senhor, sendo escravo, é liberto do Senhor; semelhantemente o que foi chamado, sendo livre. é escravo de Cristo&#8221; (I Co. 7.22).</p>
<p>11. Temos o mais elevado objetivo: &#8220;Prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus&#8221; (Fp 3.14).</p>
<p>12. Apesar de tantas vezes sermos imaturos, somos salvos: &#8220;Eu. porém, irmãos, não vos pude falar como a espirituais; e, sim, como a carnais. como a crianças em Cristo&#8221; (I Co. 3.1).</p>
<p>13. Estamos estabelecidos: &#8220;Mas aquele que nos confirma convosco em Cristo, e nos ungiu, é Deus&#8221; (11 Co. 1.21).</p>
<p>14. Podemos andar em vitória: &#8220;Ora, como recebestes a Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele&#8221; (Cl. 2.6).</p>
<p>Tudo isso parece simples demais para as mentes mais sofisticadas e teológicas, as quais, por certo, até &#8220;pularam&#8221; esta série de 14 afirmações decorrentes de se &#8220;estar em Cristo&#8221;. No entanto, as coisas acima mencionadas são seriíssimas. Senão veja: se elas são assim tão simples, por que há tão poucas evidências dessa santificação em nosso meio? Por que tanto pecado, imoralidade, roubo, mentira, descrença, administração iníqua dos bens da igreja por parte de líderes? Por que tanta <a href="http://www.robertosoares.com/voce-nunca-adulterou/" class="kblinker" title="More about traição &raquo;">traição</a>, falsidade, calúnia, inveja e maldade? E mais: por que isso acontece tão intensamente dentro da igreja quanto acontece fora dela? E mais: por que os grupos cristãos mais legalistas são, tantas vezes, as mais desgraçadas vítimas desse fracasso?</p>
<p>Talvez tudo isso aconteça pela simples razão de que aquilo que o evangelho nos convida a ser tem íntima ligação com a Graça de Deus. E, nesse sentido, aquilo que o evangelho oferece é intolerável e inaceitável. Você julga que há alguma coisa aceitável na graça? Não! As pessoas não gostam da graça justamente porque a graça não lhes dá controle sobre a situação. A graça não depende de mim. Ela extrapola meu domínio. Não há nada de seguro no fato das pessoas condenadas à morte estarem livres dela porque um desconhecido e Estranho Soberano simplesmente as livrou disso, sem lhes dar qualquer razão justificável para tal ato. A graça é totalmente arbitrária: &#8220;Eu serei gracioso para quem Eu quiser ser gracioso e misericordioso para quem Eu quiser ser misericordioso&#8230;&#8221; Nesse caso não há nada que possamos fazer: não há sacrifícios, ritos, orações, atos de bondade, busca de sabedoria, ascetismo <a href="http://www.sitecristao.com/a-moral-nao-e-a-etica-dos-evangelhos/" class="kblinker" title="More about moral &raquo;">moral</a> e religioso, etc. Nada pode ser feito para se ter controle sobre a graça. Não há trocas a serem feitas, e assim nos sentimos extremamente humilhados na nossa incapacidade de &#8220;justificar&#8221; a relação, pelo menos por um pouco. A graça exclui tudo aquilo que nos garante segurança. Nossos sacrifícios não são aceitos, nossos moralismos são ridicularizados, nossas liturgias são chamadas de cansativas, e nossas justiças próprias são chamadas de trapos de imundícia. Pode haver algo mais afrontoso para a natureza humana do que esse estado de absoluta impotência no qual a graça coloca a todos nós? Não! E por isso que o legalismo é o supremo ato de rebelião contra Deus. O legalismo é mais blasfemo do que o desconhecimento de Deus (Rm. 2.12-16). O sincretismo, o paganismo e a promiscuidade suscitaram menos a ira de Jesus do que o legalismo que lutava contra a graça. Todos nós ficamos possuídos por um desejo obcecante de justiça própria. Temos obcecante desejo por nos mostrar justos e retos. Nossa maior idolatria é aquela na qual nós mesmos somos os &#8220;nichos&#8221; e os &#8220;santos&#8221; do nosso culto moral. Nosso maior prêmio é sermos vistos como justos pela nossa comunidade. Ora, nesse sentido, nós, &#8220;religiosos&#8221;, somos menos suscetíveis à graça de Deus do que as meretrizes e os pecadores da nossa sociedade? Eles já estão &#8220;como canas quebradas e como torcidas que fumegam&#8221; (Mt 12.20). Eles já perderam a chance de lutar pela sua justiça própria. Foi por isso que eles foram os mais receptivos à graça de Deus durante o ministério de Jesus.</p>
<p>Eu quero dizer que a única maneira de receber o beneficio da graça de Jesus que nos santifica é mediante a aceitação da nossa total incapacidade de justificar o que Deus fez e está fazendo em nós. Somente quando nossas armas estão completamente depostas é que o Espírito pode atuar em nós, a fim de nos fazer entrar no profundo processo da santificação. Cristo já fez tudo na Cruz. O que nos resta é exorcizar os <a href="http://www.sitecristao.com/quem-sao-os-anjos-e-demonios/" class="kblinker" title="More about demônio &raquo;">demônios</a> das nossas pretensões religiosas, a fim de sermos suficientemente simples para receber aquilo que só os humildes de espírito admitem: a graça de Deus.</p>
<p>Paginas 38 a 47 de Oração Para Viver e Morrer , escrito por <a href="http://www.caiofabio.net" class="kblinker" title="More about Caio Fábio &raquo;">Caio Fábio</a> em 1992  e publicado em 1994.</p>
<p><a href="http://www.caiofabio.com">www.caiofabio.com</a></p>
<p><br>
<a href="http://www.sitecristao.com/o-que-e-ser-santo/">O que é ser santo?</a> publicado por: <a href="http://www.sitecristao.com">Site cristao</a></p>


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