Como Deus quer salvar a todos e escolhe alguns?

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Posted on 11th março 2010 by Roberto in Cartas

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It is Finished

Pastor Caio !


Esses versos abaixo me angustiam muito,  pois se Deus predestinou ou elegeu alguns para salvação e outros para perdição, por que ele quer que todos os homens sejam salvos??

ITm 2:4 Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade.


ITm 2:6 O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo.

Aguardo seu retorno.

Idevaldo.

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Resposta:


Meu amigo Idevaldo: Graça e Paz!



Leia aqui no site os textos “O que vem antes: a criação ou a redenção”, e também os que o seguem: “Criação ou Redenção: você me confundiu todo” — e você entenderá um pouco melhor o tema em questão, pois assim não tenho repetir o que já está escrito com fartura no site.


Além dos textos mencionados, há dezenas de outros sobre o mesmo tema. Portanto, leia o site e você me poupará de escrever dezenas de coisas que já estão escritas, e nos termos de sua questão e angustia.


Isto dito, e supondo que você lerá o textos mencionados, bem como tudo o mais sobre a Ordem de Melquizedeque, e sobre a Eterna Cruz: o Cordeiro imolado antes da fundação do mundo, não direi muita coisa sobre seus dois textos de aflição.


Portanto, não me queira mal, mas é que não posso escrever um site novo para quem vai chegando e não lê os milhares de textos que estão aí. Do contrário, nem em mil vidas eu conseguiria cumprir tal missão.


Ora, os textos significam exatamente o que eles dizem. E não são apenas esses dois que dizem isto, mas muitos outros.


E, para quem ama, qualquer que seja a promessa de misericórdia de Deus por todos os homens (mas especialmente dos fiéis), tal fato só deveria trazer alegria, e nunca angustia.


Portanto, eis minha questão para você:


Você está em crise porque se pergunta: De que me serve ser de Deus e serví-Lo, se Ele pode simplesmente fazer o que Ele bem quiser, e salvar a tantos quanto desejar?


Ou seja: essa é angustia de quem serve a Deus por medo, e não por amor. Pois quem serve a Deus por medo é que se assusta quando pensa que sua “obediência temerosa” pode não ser o elemento essencial da salvação, e, portanto, fica confuso e meio angustiado, e mais que isto: fica se perguntando: Por que eu tenho que andar com Deus se quem não anda pode, quem sabe, chegar ao mesmo lugar?


Assim, sua aflição me diz o seguinte de você:


Se você ficasse sabendo que todos serão salvos, possivelmente você cairia na gandaia!


Do contrário, nada disso o afligiria, ainda que você esconda a real razão atrás de uma dúvida teológica.


Se eu estiver errado, me perdoe!


Mas é que em geral é assim que acontece!


Leia o site e isto não só o ajudará, mas me poupa de escrever o que já está dito!


Segue um texto que também passa pela sua questão. Porém, não deixe de ler os acima mencionados.


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Hoje, dia 20, no Fantástico, um menino que fez parte do documentário “Facão”, disse o seguinte: “Essa vida é um bagulho difícil”. Certamente ele, nos seus 17 anos, já havia internalizado, pela via da catástrofe na favela e da orfandade paterna, o que Sidarta teve que conhecer buscando. Esse menino, não; ele foi buscado pela dor; e já começa do fato dele viver onde vive, e nas condições de existência e convício aos quais ele é submetido à revelia desde sempre.


A conclusão do menino da favela e do tráfico de que essa vida é um bagulho difícil, coincide com a conclusão filosófica e religiosa de todos os pensadores e de todos os credos da Terra.


“No mundo tereis aflições”…. “Essa vida é um bagulho difícil”… “Viver é sofrer…” “… é vaidade e correr atrás do vento…”… “O existir humano é desespero…”…. “A existência é nausea”— todos dizendo a mesma coisa acerca do diagnóstico da existência.


A questão é: por quê a vida tem que ser esse bagulho tão difícil?


À cuja questão, eu coloco as minha próprias:


Como seria possível haver o desenvolvimento da consciência sem dor e contradição?


E que tipo diferenciado de consciência é essa, que apenas a conhece esse ente humano, que é animal-instintual ao mesmo tempo em que carrega todos os desejos da eternidade em si mesmo?


Seria ela, a consciência, passível de desenvolvimento sem dor, num ser que já é em si sofrimento e tensão entre o tempo e a eternidade, entre o finito e o infinito, entre o visível e material e o invisível e espiritual?


Ou seja: eternizados num Éden sem tentação, quem seríamos nós?


O que sei é que se olhássemos com nossos olhos-morais-de-hoje, lá para trás…; sim, se nos fosse possível adentrar os portões do Éden, antes da Queda, e ver Adão e Eva no Paraíso, que cenas nós veríamos? E como as veríamos e as julgaríamos?


Minha certeza é que elas, embora sejam nosso desejo terreno mais profundo, certamente não eram para ser comparadas com o que nos foi dado, apesar da Queda, visto que é indubitável que o Segundo Adão, Jesus, é maior do que o Primeiro Adão; assim como a Graça e excelentemente superior à Lei; assim como o menor no Reino de Deus é ainda maior do que o maior de todos “antes”: João Batista.


O que aconteceu no Éden, para mim, faz parte de mais um dos paradoxos e até inexplicáveis contradições da Escritura. Sim, porque se de um lado o que lá havia era “muito bom”; o que se diz que o Segundo Adão fez, depois da Queda, é de uma dimensão que não é para comparar com a Primeira; assim como é tolo tentar comparar a glória de Moisés com a de Cristo, posto Moisés cobria a face em razão do desvanecer, e Jesus deixava o rosto para fora em razão de Seu resplandecer.


Ora, como creio na Escritura e em sua revelação, e, sobretudo, creio que Jesus é quem mostrou e disse ser, não me é possível deixar de ver que a Queda é também um acontecimento “para cima”, a menos que haja um outro meio de formar consciência fora do choque das contradições, e conforme a existência a que nos pusemos submetidos, por escolha própria, porém, ainda conforme a soberania de Deus; a qual é tão soberana e sutil, que nos deixa livres enquanto trabalha usando os próprios atos livres do humanos, a fim de esculpir o Homem no homem.


Se o Cordeiro foi imolado antes de tudo, então, não há como a Queda não ser vista e entendida como “contradição essencial e necessária” ao processo da formação da consciência. Posto que ela mesma, a consciência ainda não existente, já havia recebido a provisão do Cordeiro. Razão pela qual, após a Queda, os humanos são imediatamente cobertos por Deus com peles de animais; os quais morreram para cobrir os humanos; do mesmo modo como a Cruz de Jesus foi a Cunsumação histórica do fato eterno estabelecido antes da fundação do mundo: a Cruz do Cordeiro.


É por causa da Cruz do Cordeiro Eterno, imolado Antes, que todo o proceso de formação da consciência acontece numa contradição que tem que ser sentida como transgressão, ao mesmo tempo em que precisa ser percebida sob a Graça Eterna.


Do contrário, não se tem um adorador, mas apenas um religioso perdido entre a dúvida de “onde” se deve adorar: se em Jerusalém ou se no Monte Gerezim; conforme a Samaritana antes de beber da Água da Vida. Ou, então, tem-se apenas um ser de conciência culpada e neurótica, mas jamais consciente e pacificada. A outra alternativa é a alienação deliberada ou o cinismo consciente.


O que de fato estou dizendo é que até a Queda contribuiu para o bem dos que amam a Deus!


Pense nisto!



Caio

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Agora, leia mais este outro!


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QUAL O SIGNIFICADO DA ORDEM DE MELQUIZEDEQUE?



Muita gente tem me escrito pedindo que eu fale um pouco mais sobre a Ordem de Melquizedeque. Ora, há duas maneiras de se fazer isto. Um é defensiva e a outra é propositiva. A forma defensiva parte do pressuposto de que a realidade do tema é algo alienígena nos credos do Cristianismo; e, mais ainda, que não se tem nenhum interesse em pensar em suas implicações, visto que isto dês-construiria um sistema que foi desenvolvido durante pelo menos 1700 anos de história da igreja como instituição.


Se fosse falar no assunto na defensiva, teria que provar que Deus tem na Ordem de Melquizedeque sua “justificativa” teológica para ser livre como Deus, derramando Sua Graça onde bem entenda, e sem dar explicações. Mas ainda é uma tentativa de “pedir licença” e rogar por clemência aos doutores da ortodoxia e senhores da verdade. E mais: ainda é também uma confissão muito forte acerca do poder inquisitorial dos doutores e escribas do Cristianismo; os perpétuos neuróticos da verdade-cartilha; e supostos guardiões do “Santo Graal da Doutrina”.


Ou seja: ainda é uma tese para “eles”, como foi o caso da primeira vez que escrevi sobre o assunto, aos 22 anos, quando de minha “tese” de ordenação.


Hoje, entretanto, não sinto a menor obrigação de ser defensivo e explicativo em nada. O que creio, isto falo; e não me explico no meu crer.


Desse modo, a fim de também simplificar ao máximo este texto e fazê-lo também sucinto, apenas descreverei o que creio sobre a Ordem de Melquizedeque, conforme mencionada nas Escrituras.


Melquizedeque aparece do nada, sem antecedentes e sem explicações. Abraão encontra com ele e se verga diante dele, e lhe paga o dízimo de tudo quanto tinha consigo. Melquizedeque abençoa a Abraão. Então, assim como veio, ele vai, sem deixar vestígios.


Mais tarde, séculos depois disto, Melquizedeque aparece nos Salmos, quando, também do nada, se diz que o Senhor jurou que Seu Enviado seria feito Sumo Sacerdote, segundo a Ordem de Melquizedeque. Somente isto e nada mais.


Até a Carta aos Hebreus. É nela que Melquizedeque volta como nunca antes. Agora ele é aquele que em Cristo tem seu Sumo Sacerdote. Jesus se torna Sumo Sacerdote de uma nova ordem sacerdotal, a qual não era étnica, pois não era judaica. Nem era levitica, posto que Jesus não era da tribo de Levi, mas de Judá; não tendo, portanto, qualquer relação com o sacerdócio anterior, o qual tinha na Ordem Levitica, da tribo de Levi, um dos doze patriarcas de Israel, os representantes humanos do culto que se prestava ao Deus de Abraão. Do mesmo modo se pode dizer que ela nem tampouco se condicionava à informação histórica, carregada de esperança redentiva, que viajava como fé, mas também como especulação teológica e fixação de tradição em Israel.


Jesus sendo Sumo Sacerdote segundo uma ordem à qual o próprio Abraão — pai do povo da revelação escrita — se curvava, é apresentado na Carta aos Hebreus como Aquele que TAMBÉM abençoa a Israel e todos os que conhecem a informação da Escritura; porém, que não se condiciona nem à geografia, nem à história registrada como sagrada, nem à informação, nem a qualquer fronteira, de qualquer que seja a natureza, estando Suas mãos sobre todos os que Ele mesmo desejar, e com a mesma liberdade com a qual abençoou a Abraão.


A Carta aos Hebreus diz que esse Melquizedeque é semelhante ao Filho de Deus, sem principio de dias e sem fim de existência; sendo superior a tudo quanto era relativo a Abraão, visto que é o maior quem abençoa o menor.


Assim, Melquizedeque não é explicado, mas apenas afirmado. De fato, ele paira sobre a História, é um pingo de peso explosivo num Salmo, e arrebenta tudo e todas as ordens, quando relativiza a mais importante de todas, a que procedia de Abraão.


Ora, o mistério de Melquizedeque é algo que ecoa o Cordeiro imolado antes de tudo, antes de qualquer ato criador de Deus.


Desse modo, pode-se dizer que o espírito da Carta aos Hebreus acerca de Melquizedeque, é aquele que o apresenta como uma manifestação do Cristo Eterno, o qual não foi feito Cristo, no Jesus Histórico; mas sim, sendo o Cristo Eterno, se mostrou como tal em Jesus, na História. Talvez seja por esta razão, também, que Jesus disse que Abraão viu os Seus dias e regozijou-se.


O Jesus Histórico não fez surgir o Cordeiro e nem a Ordem de Melquizedeque. Pelo contrário, se diz que Jesus é Sumo Sacerdote “segundo” a Ordem de Melquizedeque; assim como se diz que o Cordeiro foi imolado antes de tudo; antes de haver mundo.


Jesus é a Encarnação de tudo o que Nele preexistia como Cordeiro Eterno, como o Cristo de Tudo e Todos, como o Sacrifício da Ordem de Melquizedeque (que manifesta na História a invasão livre do eterno, se revelando aos homens, e derramando Graça de todas as ordens); e como Jesus; o Cordeiro de Deus; o Cristo; ou Cristo Jesus; ou apenas o Cristo; ou ainda o Cristo de Deus; ou simplesmente Jesus Cristo — que é o que se diz Dele; enquanto Ele mesmo se define como Filho do Homem, o Caminho, a Verdade, a Vida, o Pão da Vida, a Porta, o Bom Pastor, o Noivo, e Aquele que é Um com o Pai (entre outras autodefinições).


As implicações de tal realidade é que são insuportáveis para a religião, pois, virtualmente acaba com ela, com seus poderes de representação, com suas certezas, com seus dogmas; e, sobretudo, com seu poder dela “administrar” a graça de Deus aos homens.


A Ordem de Melquizedeque é a Ordem da Nova Jerusalém, na qual os povos são curados, e todos trazem ao Cordeiro as belezas dos povos.


É em razão da Ordem de Melquizedeque que Jesus diz que muitos virão de todos os quadrantes da Terra, gente de todas as gerações, e tomarão lugar à mesa com Abraão, Isaque e Jacó. É também por tal razão que o Evangelho deixa claro que a maior fé que Jesus vira, não viera de dentro de Israel, mas de um pagão de fora: o Centurião Romano. Assim como é pela mesma razão que a mulher que dá um “ santo banho” em Jesus é uma mulher de fora de tudo, uma siro-fenícia.


O problema atual é que a humanidade entende a Ordem de Melquizedeque, mas já não entende a ordem de Levi, conforme a Bíblia, posto que tal coisa, para a humanidade, tiveram no Judaísmo e, sobretudo, no Cristianismo, os seus representantes históricos, o que fez com que um sentimento de repudio se espalhasse pela Terra em relação a tudo quanto possa carregar tais “representações”.


Ora, quando digo que este é o problema, não quero, todavia, universalizá-lo; afinal, ainda há bilhões que não passam sem um bom paganismo judaico-cristão. O que afirmo é que as mentes que desejam alguma forma de espiritualidade não vinculada à religião, assim sentem por não conseguirem mais tolerar a mensagem e o resultado histórico do que o Cristianismo produziu, tanto como religião, como também como potestade ideológica e política.


Esses, de fora, os pós-cristãos, todavia, quando ouvem acerca de tal Ordem superior à religião, conseguem entender o Evangelho em sua maior largueza de percepção. Por esta razão essa tal “Era Pós-Cristã” é um problema para o “Cristianismo”, mas não significa nada para o Evangelho.


Mas como disse no inicio, o problema não é dizer que Jesus é Sumo Sacerdote segundo a Ordem de Melquizedeque. O problema são as implicações dessa compreensão, as quais, sendo levadas a sério, acabam com os poderes da religião.


E quem, na “igreja”, deseja tal coisa?


Nele, que é Senhor e Salvador de todos os homens; pois se imolou pela criação antes de haver mundo,



Caio




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Espero que comece a ajudá-lo!


Um abração!


Nele, que é Quem sempre foi,




Caio

[O Portal dos Invisíveis]


Creative Commons License photo credit: abcdz2000

Caio Fábio – Um Pastor que liberta

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Posted on 11th março 2010 by Roberto in Uncategorized

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An afternoon with the sheep

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Texto base

João 10

1 NA verdade, na verdade vos digo que aquele que não entra pela porta no curral das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador.

2 Aquele, porém, que entra pela porta é o pastor das ovelhas.

3 A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz, e chama pelo nome às suas ovelhas, e as traz para fora.

4 E, quando tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz.

5 Mas de modo nenhum seguirão o estranho, antes fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos.

6 Jesus disse-lhes esta parábola; mas eles não entenderam o que era que lhes dizia.

7 Tornou, pois, Jesus a dizer-lhes: Em verdade, em verdade vos digo que eu sou a porta das ovelhas.

8 Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não os ouviram.

9 Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens.

10 O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância.

11 Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas.

12 Mas o mercenário, e o que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa as ovelhas.

13 Ora, o mercenário foge, porque é mercenário, e não tem cuidado das ovelhas.

14 Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido.

15 Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai, e dou a minha vida pelas ovelhas.

16 Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor.

17 Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la.

18 Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai.

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Creative Commons License photo credit: Fr Antunes

Gostaria de uma base bíblica para me suicidar

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Posted on 4th fevereiro 2010 by Roberto in Cartas

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Suicidio con pantalón azul
Creative Commons License photo credit: Carlos Aguilera

—– Original Message —–
From: GOSTARIA DE UMA BASE BÍBLICA PARA ME SUCIDAR
To: contato@caiofabio.com
Sent: Thursday, January 20, 2005 2:26 PM
Subject: falo do meu suicídio

Olá Pastor!

Hoje eu estou muito mal, nem sei se devo escrever, ou se adianta escrever.

Desde a minha adolescência eu sempre desejei me suicidar. Tive uma infância e adolescência cheia de problemas familiares
sérios.

Por incrível que pareça, sou casada, tenho 03 filhos e me encontro do mesmo jeito. Parece que fui predestinada para sofrer. Deixa para lá, isto é detalhe…

De julho do ano passado para cá as minhas tentativas de suicídio aumentaram consideravelmente. Mas na hora “h” interrompo, fico com medo de ir para o inferno, apesar de acreditar que já estou nele.

Ultimamente tenho imaginado como poderia fazer de uma forma que não chamasse a atenção para suicídio, pois não quero que meus filhos levem isso para o resto da vida deles, mas apenas pensem que morri.

Conheci o meio evangélico com 23 anos, estava no último ano da faculdade e aceitei Jesus como Senhor e Salvador. Mas as lutas, as dificuldades, os problemas, continuam os mesmos. Tenho apenas a salvação e a vida eterna como promessa para quando partisse deste mundo desgraçado.

Mas as pessoas que já me aconselharam na Igreja disseram que se eu me suicidar vou perder esta benção, pois estaria interrompendo a Deus »”>vontade de Deus para minha vida; o tal plano que tantos falam que Ele tem, o tal propósito, a tal história que Ele não deixa a gente sofrer mais do que podemos suportar… etc.

Eu creio que estarei apenas interrompendo minha vida, e isso não é errado para Deus, Ele autoriza, e me entende; e poderei estar lá no Céu; cheia de paz, alegria, aproveitar de tudo que Ele preparou para mim….

Estou chorando compulsivamente, não estou conseguindo escrever direito.

Sabe pastor a coisa que mais quero é parar de sofrer, acabar com esta solidão…

É sim! Eu sou uma pessoa só, desde o ventre da minha mãe.

Minha mãe sempre me disse que por causa de problemas com meu pai ela tentou me abortar, e que ela acreditava que eu lutei
para sobreviver, pois ela tomou um abortivo fortíssimo.

Quando penso nessa hipótese eu fico com ódio de mim mesma… Por que não acabei com a minha vida no ventre de minha mãe?

Deixa pra lá…

Vou terminar dizendo apenas que desejo terminar essa vida sem sentido, e que posso agir sem medo de ir para o inferno…

Será que posso interromper esta vida desgraçada e confusa?

Gostaria apenas de ler algum versículo na Bíblia que me certificasse disso.

Aguardo ansiosamente seu retorno.

Um beijo no seu coração, amado pastor.



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Resposta:

Minha querida irmã no Senhor da Vida: Graça e Paz!

“A gente não veio porque quis, então não tem que ir porque quer”—Adriana D’Araújo.

Na minha Bíblia não há um único versículo que autorize alguém a se suicidar. Encontro na Bíblia um constante chamado à vida e à esperança, pois, quando se diz que o homem só vive se o faz pela fé, também se diz com isso que não existe lugar para a ambição da morte na fé, posto que a fé gera vida.

É verdade que Paulo diz que se desesperou da própria vida, mas não tentou se matar. No máximo ele desejou morrer em razão das angustias que experimentou.

A Escritura diz que a opressão faz ter vontade de morrer. Mas apenas constata isso, sem, todavia, recomendar a morte.

Paulo também disse que preferia “partir e estar com Cristo”, o que para ele “era incomparavelmente melhor”. Porém, há um “no entanto” na seqüência do que ele diz, pois afirma que “por causa dos irmãos” ele preferia continuar a sua existência no corpo físico.

Paulo também diz que “enquanto vivemos neste tabernáculo, gememos angustiados, aspirando ser revestidos de nossa habitação celestial”. Ele também diz que mesmo aqueles que têm “as primícias do Espírito” ainda assim “gemem aguardando o dia da redenção”.

Jesus disse que neste mundo se tem aflição, e recomenda que se mantenha “o bom ânimo”, pois, Ele “venceu o mundo”.

Ora, em razão do que lhe disse acima, devo concluir que a Palavra de Deus ensina que viver é difícil, e que ninguém, nem mesmo aqueles que andam em fé, estão livres de aflições, angustias e desesperos. Ao contrário, o estimulo é para que “nos gloriemos nas próprias tribulações”, sabendo que as adversidades e angustias desta vida são as portas de acesso à consciência do que seja uma vida madura. Isto porque a tribulação produz perseverança, a perseverança produz experiência, e a experiência gera esperança no coração. E o resultado desse processo desemboca em segurança, posto que a esperança não confunde.

Problemas, angustias, gemidos e dificuldades são comuns à existência de todos os homens, e é pura ingenuidade cristã julgar que os crentes estão livres de ter que enfrentar a vida, com todas as suas conseqüências e implicações.

Aliás, é esse romantismo cristão uma das coisas que mais impedem os crentes de se tornarem pessoas maduras e livres. Digo isto porque quem sabe que no mundo se tem aflições, e sabe que não há exceções, esse mesmo não busca dificuldades para si, todavia, não foge delas quando elas aparecem. Pelo contrário, a pessoa madura na sua consciência sabe que terá aflições, e também sabe que é justamente por tais dificuldades que ela própria cresce como ser humano, sendo impossível crescer nesta vida sem que se passe pela tribulação.

A diferença entre os amadurecidos e os eternamente aflitos e entregues à aflição—como se estivessem sendo sabotados por Deus e pela vida—, é que os amadurecidos sabem que a tribulação faz parte, é natural, é inevitável, e pode vir por quaisquer meios e modos, não havendo, portanto, da parte deles—dos amadurecidos—nenhum tipo de crise e de questão acerca do fato de que nesta vida se sofre mesmo. No entanto, os “eternamente aflitos” são aqueles que não querem crescer, que preferem pensar que a vida é um porcaria, e que eles são impotentes para viver. Nesse caso, entregam-se às aflições e existem como vitimas perenes desta existência.

O que se precisa saber é que o estado perene de angustia é uma droga. É uma droga porque é uma “droga”, e, também, porque de fato tem o poder de uma droga. Sim, tal sentir mexe com o nosso cérebro quando se faz um estado psicológico. E, nesse caso, a infantilidade da alma que não quer encarar a realidade de que a vida é dura mesmo, faz com que a perenização desse estado acabe por provocar mudanças no próprio cérebro, o qual se condiciona e se predispõe a existir sob as influencias de uma atitude negativa, a qual, quase sempre, determina uma mudança nos estímulos do cérebro, fazendo com que ele termine por se entregar àquela disposição mental, fazendo, daí em diante, “coro” com a dor; e faz isto liberando substancias químicas que reforçam aquele estado depressivo ou angustiado.

Há aqueles que enfrentam a dificuldades e vêem nelas oportunidades de crescimento, por isso se gloriam nas próprias tribulações e amadurecem a cada dia; e há aqueles que fogem das dificuldades inevitáveis ou que se fazem “pobres coitadas e vitimas” de tais realidades da existência.

O processo que acabou por gerar o SENTIR que hoje parece habitar você diuturnamente precisa ser devidamente pesquisado.

Daí ser importante para você buscar ajuda profissional. Nesse caso recomendo-lhe um psico-terapeuta—a fim de ajudar você a enxergar o histórico dessa angustia (e até o seu vício nela); e também recomendo-lhe um psiquiatra; pois, no estado atual, você precisa re-equilibrar o seu organismo, e ajuda química será muito importante a fim de aliviar paliativamente o presente estado de aflição.

Todavia, no fim de tudo, o que está em questão, saiba, é a sua coragem ou não para crescer, para aceitar a vida como ela é—com seus sustos e dores inevitáveis—, a fim de poder ver nas dificuldades, que são comuns a todos os homens, não uma conspiração, mas a simples realidade, e, sobretudo, a oportunidade para crescer e amadurecer.

Portanto, sem jamais questionar as agonias que a visitam e perturbam, devo dizer que muito provavelmente seu problema seja medo de crescer, e infantilismo psicológico, coisas essas que a paralisam sob o pretexto de que a vida é uma desgraça.

Já sofri muito nesta vida e provavelmente ainda sofrerei. Mas seja como for, pela Graça de Deus, eu sei que faz parte…

Ora, quanto mais você sente assim, menos você sente contra você. Ao contrario: estranhamente toma conta de você um sentimento de privilégio, de coragem, de vontade de vencer, de encarar e de se gloriar nas próprias tribulações.

A gente começa a crescer quando aceita que aflições fazem parte desta existência. Então isso fortalece você com bom animo para enfrentar as coisas, pois, você sabe que Jesus venceu o mundo.

Ora, o fim dessa jornada é fazer você se gloriar nas próprias tribulações.

No entanto, nada disso tem valor enquanto a pessoa não se enxerga e vê que ela está viciada em suas próprias dores; o que a impede de enxergar qualquer beleza na existência à volta de si, posto que só tem olhos para a escuridade criada pelo estado de lamuria e amargura existencial que se tornaram seu cenário interior.

Egoísmo combinado com covardia também estão sempre presentes nesse estado. Digo isto porque é o egoísmo que faz com que tais pessoas pensem que são únicas em suas dores; ou seja: que suas dores são especiais. A covardia, todavia, é o que impede a pessoa de sair de si e olhar a realidade, posto que se fizer isso, ela sabe, não poderá mais pensar que suas dores são peculiares e especiais; antes verá, conforme diz o apóstolo Pedro, que tais angustias se cumprem em toda a nossa irmandade espalhada pela terra.

Com tudo o que estou escrevendo aqui provavelmente você esteja pensando que não estou ajudando você a se consolar de suas dores. E é verdade. Não quero consolar você. Quero sim é ajudar você a parar de viver de consolo; e, com coragem, abrir os olhos, romper com seu vício de agonias, encarar a realidade, buscar crescer em Deus, e, dedicar-se à vida sem medo; com toda vontade de vencer esse estado vicioso que se instalou em sua alma.

Não se esqueça que segundo Jesus os bem-aventurados também choram. Portanto, não existe felicidade sem lágrimas na terra. O segredo é aprender a felicidade apesar das lágrimas, pois, no fim de tudo, se aprende que é justamente nas lagrimas que nasce a verdadeira felicidade.

A pessoa feliz é aquela que aprendeu a lidar com a inevitabilidade do sofrimento!

Tais pessoas não mergulham na resignação passiva. Ao contrário, elas aceitam que sofrer é parte do viver, e que o sofrer acaba, ironicamente, por ser parte da alegria de existir. Tais pessoas não são resignadas passivas, mas pessoas ativas, e que transformam o vale de lágrimas num manancial, conforme o Salmo 84.

Mas quero repetir: você precisa de um psico-terapeuta e de um psiquiatra. O primeiro para ajudar você a descobrir quais são as fontes psicológicas do seu vício. Já o psiquiatra será indispensável para receitar a você uma medicação anti-depressiva que ajude você a ter um alivio sintomático.

Sugiro também a você que pesquise acerca de seu estado físico como um todo, buscando por alguns desequilíbrios de natureza química. Você não pode imaginar como a ausência de certas substancias químicas podem levar uma pessoa a se sentir terrivelmente deprimida.

No mais, como dever de casa, recomendo-lhe a Natureza. Sim, água, mar, piscina, sol, passeio ao ar livre, almoços, jantares, amigos, busca de prazer nos filhos, amor ao marido (com todas as implicações físicas de tal realidade), e uma devoção sem lamuria e sem perguntas. Comece a praticar essas coisas e elas a ajudarão imensamente.

No mais, aguardo novas notícias. Mas não me escreva dizendo que não fez nada, pois, não se pode ajudar quem não quer nada.

Eu sei que você quer viver e quer deixar de se sentir permanentemente angustiada e aflita. E eu creio que você pode amadurecer a fim de deixar de viver assim… Mas isso só acontecerá se você crer que na vida se tem aflições, e que se deve ter bom animo, pois Jesus venceu o mundo.

Receba todo meu carinho e vontade de ver você bem.

Pare de chocar a sua aflição!

Deus é com você!

Nele, que conhece as nossas angustias,

Caio

www.caiofabio.com

Sonho: Seu mar é seu Deus calvinista (I e II)

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Posted on 27th novembro 2008 by Roberto in Cartas

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Mareggiata Sea storm
Creative Commons License photo credit: claudio frediani (Please only comments)

—– Original Message —–

From: SONHO: SEU MAR É SEU DEUS CALVINISTA

To: contato@caiofabio.com

Sent: Wednesday, February 22, 2006 12:23 AM

Subject: Sobre sonhos!

Olá pastor Caio! É sobre sonhos, já que outro dia ouvi você pregando sobre isso, e achei que talvez você pudesse me ajudar. Tenho sonhado nos últimos quatro anos com um sonho que, pra ser sincero, pastor, me causa uma certa apreensão. Digo nos últimos quatro anos pelo fato de eu ter sido apresentado ao Evangelho no início de 2002, pois até então, e eu já estava com vinte e cinco anos, e jamais havia tido esse tipo de sonho, jamais. É o seguinte: ondas. Não ondas gigantes, como nos filmes, mas ondas assustadoras. O tempo sempre está nublado, e é de um realismo impressionante. As ondas, apesar de não serem do tamanho de um arranha céu, são muito mais assustadoras e realistas do que em qualquer filme que eu já vi. E tem mais: o som. É pastor, o som é brabo, brabo. Mas ainda não parou por aí: pessoas assustadas, desesperadas, tentando se segurar em pedaços de concreto ou em alguma coisa enquanto o mar se aproxima. E por último, pra fechar com chave de ouro, pra não dizer o contrário, eu no meio delas, também assustado e confuso, tentando me agarrar em alguma coisa para não ser tragado para dentro daquele ambiente tenebroso, o mar revolto. Assim como você disse na sua pregação acerca do seu sonho, eu também não paro de me perguntar o que isso significa. Perguntas do tipo: “Será que eu não me converti, ou não fui convertido, ou não sou convertido”; o que quer que seja! “Será que eu vou ficar por aqui depois que Jesus voltar e vou ter que me virar no meio dos que ficarem? e etc, e etc, e etc”. Deus é soberano pastor, qualquer que seja o meu destino, eu não tenho forças, nem ânimo, nem motivação para ficar correndo atrás e tentar mudá-lo. Se Deus, na sua presciência, sabe que o meu destino final é perecer, por não ter fé suficiente para me entregar a Ele de todo o meu coração, o que eu posso fazer? Se eu naquele Dia ouvir: “aparte-se de mim, nunca te conheci!”; eu o direi: “justo!”; pois sei que sou transgressor. Nem sei o que estou falando pastor, mas é verdade, seja qual for o resultado, eu o aceitarei com mansidão, se é que isso é possível para o caso de o resultado ser o pior. Vou me abrir pra você pastor: Jesus me libertou da droga, me deu uma nova vida, com direito a novos amigos, novos ambientes, novos sonhos, começou a me encorajar a enfrentar situações que até então eu não queria enfrentar; e mais uma série de coisas que eu não consigo expressar…, não consigo entender…, mas que estão acontecendo a cerca de quatro anos na minha vida, pois não fui criado no Evangelho. Já tentei fugir, desistir, querer ficar na minha, mais não tem dado certo, acabo voltando. Sabe pastor, eu não gosto muito desse termo “certeza da salvação”, como os crentes, em especial os pentecostais, mas sem preconceito contra eles, estão acostumados a dizer. Eu não tenho esse mantra na ponta da língua, igual os de Mateus 7 tinham, e na hora H a coisa ficou terrível pra eles, ou pior, ficará. Tenho tido experiências com Deus; a Sua atenção me tem constrangido, me tem feito mudar de idéia nos momentos de indecisão e tentar buscá-Lo novamente; e assim por diante. Acho que se Ele me disser naquele Dia que nunca me conheceu, embora eu vá considerar totalmente justo, realmente vou ficar um pouco surpreso sim, não por mim, jamais, mas por Ele. De fato acharei estranho se Ele me disser que nunca me conheceu. Grande abraço e vê se aparece aqui pela Igreja… Tenho lido o seu livro, Confissões, o meu pastor me emprestou. Abração e fica na Paz, Jonas.

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Querido amigo Jonas: Graça, Paz e Bons Sonhos! Sonhos, meu amigo, são coisas importantíssimas ou apenas descargas do Inconsciente. Neles você pode ter a liberação do lixo do dia e de suas impressões ruins; pode ter comunicação da alma com você, tentando contar-lhe acerca dela mesma; e pode ter anúncios de natureza pré-monitória, ou profética…etc. É obvio que aqui fiz uma hiper-simplificação, mas se você fizer uma pesquisa no site escrevendo a palavra “sonho”, aí em “Busca”, você vai achar tudo o que, aqui, sobre sonho, já escrevi. Faça isto; pois assim não tenho que escrever tudo outra vez. No momento, quero apenas dizer o que senti de sua carta-sonho. Gostaria de dividir sua carta em três tópicos que se interligam. Vejamos: 1. Seu sonho como impressão arquetípica presente em toda a humanidade. Diante do medo, do mistério, do inusitado que habita a vizinhança da vida, etc…— a alma coletiva cria suas formas comuns e inconscientes de comunicação. Eu, por exemplo, creio que existe algo como o Inconsciente Coletivo, e acho que tanto tenho a base teórica para essa crença, como também, vejo nas Escrituras farto material sobre isto, só que sem nome, mostrando-se apenas como “fenômeno”. Ora, o mar, carrega esse carga arquetípica na própria Escritura: o mar é mistério, é separação, é abismo desconhecido, é a imagem mais forte que a alma tem para falar do que teme e do que tem força e poder, e o deixa impotente… etc… É dele que Jesus disse que virão os bramidos que farão os homens desmaiarem de terror pela expectativa das coisas que sobrevirão ao mundo; é dele também que vem a Besta que emerge do mar; é ainda se diz que ele “acabará” como carga arquetípica; pois, ao final, se diz: “… e o mar já não existe”. Esta é a primeira coisa: o mar é mistério, separação e impotência para os humanos. Assim, sonhando de modo recorrente há quatro anos o mesmo sonho, sobre o mar, sua alma chama a sua atenção para a sua relação com o mistério, com o desconhecido que existe em você, e, além disso, trás a você essa expectação de juízo; e apenas porque você está carregado de juízo. 2. O mar também é arquétipo apocalíptico, como já vimos, tanto nas menções do V.T., como também em Jesus e no Apocalipse. Ora, Jesus disse que haveria gerações inteiras que seriam invadidas pelo Tsunami do medo do futuro, e que fariam isto em pânico diante das coisas que sobreviriam ao mundo. E, para mim, tal referencia se estabeleceu sobre sua mente, e habita, como medo, o seu Inconsciente. E veja que esse sonho tem quatro anos de recorrência; o mesmo tempo de sua conversão. 3. Possível sentido do sonho: Seu “mar” é seu “medo”. Medo do Todo-Poderoso, medo de Deus, medo do futuro, medo da existência, medo de seus pecados (me escreva e fala disso que o oprime, sem medo); e um medo calvinisticamente domesticado para fora, porém, para dentro, existindo em estado de convulsão e pânico. Digo isto porque você é tão calvinista, que aceita dizer: “Justo, Senhor, por me mandares para o inferno!” Só que seu calvinismo não lhe dá paz, mas apenas resignação ante a Soberania de Deus, a qual, mesmo que você ache “estranha”, é por você aceita, ainda que pareça maldade e perversidade. Para mim, saiba: tal visão é fatalista, perversa, elitista, jactante, e adoecida; não porque Deus não seja Quem Deus é; mas apenas porque o calvinismo não é revelação de Deus, sendo apenas um grande esforço humano para entender e sistematizar o insistematizável: o Deus que é; e que é Soberano. Ora, sendo assim, quero apenas dizer que o que lhe falta é a tal certeza da salvação, a qual você tanto abomina nos lábios jactantes, como eu também. Quando falo de “certeza”, falo na perspectiva do Evangelho, no qual, tal certeza é apenas fé; e, como tal, não se baseia em “boas obras” de ninguém; porém, exclusivamente na Graça de Deus. A Soberania de Deus e a Graça de Deus são a mesma coisa; embora, no calvinismo, a Graça seja quase um departamento central de Deus, mas ainda sob o comando de uma “instância” chamada de “Soberania”. Assim, para muitos calvinistas a Soberania de Deus se associa ao poder Dele de saber tudo, ver tudo e antecipar tudo desde de sempre. Entretanto, enquanto se perdem em tais divagações que apenas nos remetem para doutrinas de angustia e aflição, ou de jactância e eleição orgulhosa, não percebem que a Soberania de Deus, antes de tudo, é a liberdade de Seu amor, e não as demonstrações de Seu poder. O “Deus” soberano dos “calvinistas” acaba sendo um Hercules com onisciência, onipotência, e onipresença. Mas, apesar disso, é Doido, e Nele não se pode confiar, mas apenas desconfiar… enquanto se diz que se é salvo pela fé…, mas se alimenta no coração o fato de que a tal “eleição” é um capricho divino, por mais que os doutrinadores mais lúcidos dessa doutrina se esforcem por diminuir as implicações do horrível fatalismo ao qual ela, mal compreendida, sempre conduz. E você é a prova disso; posto que diz amar a Jesus, diz crer em sua justiça; e se põe, ao mesmo tempo, entre os “lobos vestidos de ovelha” de Mateus 7. E diz: “Vou estranhar se Ele disser que não me conhece; mas direi: justo!” Até aqui ensinaram a você não que Deus é Soberano, mas “déspota”, e no pior sentido do termo, não conforme e etimologia da palavra, mas sim conforme sua conotação maligna. E mais: não ensinaram a você que a consciência de transgressão não é o fim da jornada, mas seu inicio, para, então, a partir daí, se erguer a base da fé na Graça, na qual somos salvos apesar de nós, conforme Paulo de cabo a rabo. Assim, meu mano, conquanto o mar ainda vá assombrar toda a humanidade e em não muito tempo depois de hoje, seu sonho, todavia, está impregnado é de seu medo de Deus. Seu “mar”, simbolicamente, é seu “Deus”, do ponto de vista psicológico. Sim, sua relação com Deus é tão insegura quanto a sua relação com o mar! Sugiro a você deixar de ler “calvinismos” e passar a ler a Palavra, direto da fonte, e não pelos filtros da religião e seus doutores; todos bem intencionados; porém, tanto pela tentativa de sistematizarem a verdade (tolice!), como também em razão da tentativa de oferecerem um “Deus mastigado” e pronto para ingestão (doutrina e sistematização), criaram um fast-food doutrinário que tem, cada vez mais, o poder de gerar indigestão nas pessoas. Leia também o site, pois, aqui, você aprenderá sobre o significado do Deus Soberano, como também aprenderá que a maior manifestação da Soberania de Deus é a Sua Graça, e não o Seu Todo-Poder. A Soberania de Deus é fruto de Seu inexplicável amor, e não de Seu súbito mal-gênio, ou de algum surto “narcisista” que Ele possa ter… Sabe Deus em razão de quê!? Creia no amor de Deus, e que de Suas mãos ninguém, nem o mar, poderá arrancar você, e seus sonhos de mares perversos acabarão! Mas primeiro admita que o “Deus” que lhe foi ensinado é poderoso e sem alma como o Mar! Faça o que lhe sugeri e volte a me escrever em 1 mês. Mas leia a Palavra e mergulhe no mar do site. Nele, em Quem nenhum Tsunami da existência poderá nos arrebatar de Suas mãos, Caio

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Continuando…

Bom, pastor, então vamos lá! Com relação ao fato de os meus sonhos serem uma espécie de manifestação do medo que eu tenho desse “deus calvinista”, é provável que sim; pois foi esse deus, cuja soberania está acima do amor, que foi inoculado na minha mente durante mais de três anos, nas escolas dominicais; e pior: foi o primeiro “conhecimento” acerca de Deus que me foi passado na vida. Porém, um ano antes de eu mandar essa mensagem do sonho pra você, aconteceu uma coisa que me fez começar a repensar sobre esse “deus calvinista”. Eu estava numa reunião na casa de uns irmãos de outra denominação, eu era o único calvinista. De repente surgiu uma discussão sobre predestinação; e a coisa ficou feia. Eu estava muito ensoberbecido; e acabei me exaltando. Só depois que eu cheguei em casa e a minha mente foi aos poucos esfriando…, é que eu percebi no que eu havia me tornado: um sujeito digno de pena! A partir daí comecei a orar, olha só, pedindo para que Deus me ajudasse a suportar os meus irmãos da outra denominação, do jeito que eles eram; não para que mudasse a minha visão acerca Dele, de Deus. Mas pela sua graça ele fez justamente o contrário: começou a mudar a minha visão acerca dele e da eleição, um processo que continua até hoje (me desculpe pastor, mas não gosto muito de ficar colocando essas iniciais maiúsculas o tempo todo quando o termo se refere a Deus, nem na bíblia aparece assim, mas tudo bem, pode ser que eu esteja errado). A partir de então, passei a encarar a eleição como uma coisa muito mais relativa do que a daquela visão absolutista dos calvinistas. Continuo crendo na eleição, até porque existe suporte bíblico para ela, principalmente no Novo Testamento, mas agora de uma forma diferente. Imaginemos a seguinte situação, pastor: Imagine todos os povos que viveram nas Américas de dois mil anos antes de Cristo até a sua encarnação, só dois mil anos antes tá bom, porém sabemos que foi muito mais tempo. Eu posso te garantir, e você sabe muito bem disso, que esse contingente de milhões e milhões e milhões de pessoas ao longo desses dois mil anos que antecederam a encarnação do Verbo, JAMAIS, NUNCA ouviram uma palavra sequer acerca do Deus hebreu, do verdadeiro e único Deus. Eu pergunto: todo esse contingente de milhões e milhões e milhões de homens, mulheres, crianças e idosos foram lançados sumariamente no inferno? Eu não acredito nisso, mas há muitos, muitíssimos, principalmente do evangelho do “aceita Jesus ou vai pro inferno”, que crêem dessa forma. Eu não acredito! Creio que a eleição se faz até necessária em razão dessa e de outras situações. O meu medo de Deus então talvez se justifique mais por causa dos meus pecados, mas é claro, só é assim porque ainda resta muita coisa impregnada daquela visão absolutista de um deus onde a soberania está acima do amor. Como eu te disse: usei muita droga, era viciado em cocaína, começando cedo, dos 15 aos 25 anos. Durante esse período eu era terrível, quebrava as coisas dentro de casa o tempo todo, era muito agressivo. Depois que eu conheci o Evangelho, apesar do médico ter virado pra mim e dito que o meu diagnóstico, em face ao resultado de todos os exames que ele havia me pedido, era de alguém que nunca havia usado drogas na vida, que não havia nenhum vestígio, eu creio que ficou uma espécie de seqüela no meu sistema nervoso, a qual dificilmente pode ser diagnosticada, mas infelizmente, ou felizmente, constatada. O que me preocupava não são os pecados que cometi antes do Evangelho, sinceramente não, mas sim os que eu cometi depois. Cheguei a me deitar com prostitutas no começo, mas me arrependi; já faz dois anos. Tenho um temperamento muito difícil; briguei com pessoas dentro da Igreja; também me arrependi; mas só Deus sabe se irá ou não acontecer de novo. Cheguei recentemente a quebrar algumas coisas aqui dentro de casa por causa de uma enfermidade, etc. Isso me assusta porque ouço o tempo todo que se você não consegue largar isso ou àquilo, alguma coisa tá errada com você, referindo-se a conversão. Fico imaginando que se o espinho na carne de Paulo fosse um problema existencial, o que é uma hipótese perfeitamente aceitável, ou seja, um defeito de caráter, uma tendência homossexual, ao invés de uma enfermidade física, essa gente teria colocado em dúvida a sua conversão. Bom, pra falar a verdade, pastor, eu acho é que tem alguma coisa errada é com eles mesmos. E, por último, com relação à “certeza da salvação”, também nunca cri dessa forma, como a maioria dos crentes crê. O que acontece é que o somatório das minhas experiências diárias com Jesus vai gerando na minha alma uma confiança, uma segurança interior, e não uma certeza meramente racional. Claro, se eu tenho me relacionado com ele diariamente, se tenho provado do seu amor, como poderei ouvir naquele Dia que ele nunca me conheceu? A não ser que o significado original do verbo conhecer que está lá seja diferente. Mas é isso pastor, minha relação com os meus irmãos da outra denominação está ótima, faço com eles uma reunião de oração e estudo bíblico toda a semana; na Igreja idem; os conflitos ficaram para trás; embora eu seja uma espécie de barril de pólvora ambulante; e na família, tentando segurar a barra, me omitindo um pouco é verdade, poderia estar fazendo mais; tenho trabalhado, Deus tem providenciado os recursos; enfim, tudo está encaminhado e no controle das mãos do Senhor Jesus, pronto. Resquícios da doutrina ainda existem, insegurança ainda existe, medo ainda existe, mais sigo em frente desse jeito mesmo; fazer o quê? A vida que Jesus me ofereceu, apesar de tudo, é incomparavelmente melhor, mais saborosa, mais prazerosa, do que tudo aquilo que eu vivi antes de conhecer o Evangelho. É isso meu caro, estou aberto para você falar o que quiser. Por enquanto é só. Fica na Paz e um abração, Jonas. _________________________________

Amado amigo: Graça, Paz e Bons Sonhos! Vejo que nos últimos três dias você fez grandes progressos interiores; basta comparar as duas cartas; e os dois espíritos seus que elas manifestam. Graças a Deus! Antes de qualquer coisa, um esclarecimento: uso algumas palavras em CAIXA ALTA com o propósito de chamar atenção para a importância delas naquele contexto. Quanto à “Ele”, “Sua”, “Graça”, “Soberania”, e Igreja e “igreja”, são todas expressões de ênfase, pois, sem elas, infelizmente a maioria não entende a diferença. Você, por exemplo, apesar de dizer: “… me desculpe pastor, mas não gosto muito de ficar colocando essas iniciais maiúsculas o tempo todo quando o termo se refere a Deus, nem na bíblia aparece assim, mas tudo bem, pode ser que eu esteja errado”—, sem querer fez a mesma coisa. Ora, veja como isto é seletivo, pois, na Bíblia, igreja nunca aparece como Igreja, mas sempre no minúsculo. Você, porém, escreveu tudo minúsculo, mas quando chegou a “hora de falar de igreja”, você escreveu: “…na Igreja idem; os conflitos ficaram para trás..”. Ou seja: a igreja ainda é algo mais “maiúsculo” para você do que qualquer outra coisa; e é para isto que se deve examinar também, além dos sonhos, os nossos atos falhos, os quais, de um modo ou outro, cometemos falando, escrevendo, etc… Sobre o que você narrou, o que tenho a dizer, com todo carinho, é o seguinte: 1. Você é de Jesus; pois ninguém que tenha se colocado no “Sim Senhor, é Justo!” (como você disse na 1a carta), por mais que não esteja provando o bem da paz do Evangelho para si mesmo já na Terra, é amado e conhecido por Deus; pois Deus é amor; e não sou eu quem o entende, mas Ele que me compreende; do contrario eu seria o Deus de “Deus”. 2. Sobre os alienados que existiram antes do Evangelho ser historicamente anunciado como “informação”, saiba: minha tese de ordenação ao ministério, aos 21 anos de idade, foi sobre esse tema, para o qual a minha alma nunca teve outra certeza senão a do amor de Deus por todos os homens; e tudo o que não falta na Palavra é base para tal certeza-fé. Outra vez me perdoe enviar você para o trabalho no site; porém, se você for lendo, verá que este tema já está bastante tratado aqui no site. Escreva “Melquizedeque” também em “Busca”, e você verá que a coisa é muito mais profunda do que a eleição sistematizada por Calvino pôde alcançar. 3. Calvino foi o Aristóteles do Protestantismo. Leio-o com carinho, mas o acho insuportavelmente chato; pois escreve sem profundidade filosófica, sem charme, se estilo, sem provocação, e como se fosse uma “bula doutrinária”; uma “prescrição de como lidar com Deus”; e sem graça, apesar de tanto falar em Graça e Fé. Além de que, sinceramente, nele encontro um homem culto, mas não um gênio, e nem mesmo um ser de inteligência criativa; ao contrário, vejo um homem austero e sincero, e que deu tudo de si para dar testemunho do Evangelho em sua geração. Meu lamento é que ele que poderia ser um fundamento razoável, tenha se tornado um teto tão baixo; tão baixo quanto o de um mosteiro dos capuchinhos portugueses, onde quem entra tem que se curvar todo. Além disso, sinceramente, sei que o próprio Calvino, que não era besta, mas temente a Deus, se vivo estivesse hoje, já teria entendido melhor um monte de coisas que, no seu tempo e com as informações que dispunha, não lhe foi possível discernir melhor. Por exemplo: toda a visão que Calvino tem de “tempo” é ainda de natureza medieval; e seus estudos sobre a predestinação estão presos a uma presciência linear; e, portanto, medieval e católico-aristotélica. Ou seja: para ele a eternidade era ainda um tempo sem fim; ou seja: ainda era uma noção tão básica que ainda era “um tempo”, quando, hoje, se sabe que o conceito de eternidade não tem sua referencia no tempo e no espaço; pois é algo dimensional e não espaço-temporal. Ora, em meio a dezenas de outras coisas que poderiam ser ditas, esta serve para mostrar como Calvino não pode ser o teto de ninguém que queira continuar crescendo no Evangelho. Na minha opinião se Calvino estivesse vivo hoje ele mesmo não seria “calvinista”. Leia aqui no site também tudo sobre “tempo”. Há muita coisa escrita, pois, para mim, quem não discerne isto acaba virando calvinista mesmo. 4. Além disso, no seu aristotelismo sistêmico, Calvino não soube viver o “paradoxo” da Palavra. Sua lógica era tão linear que não percebeu que a Escritura não pode ser sistematizada, posto que seu poder está na sua contradição, a qual, tanto nos deixa totalmente seguros na Graça, quanto também nos manda andar de olho aberto para não cair; e tanto nos diz que Deus é soberano, quanto também nos responsabiliza pelo uso de nossa própria liberdade. É nessa tensão que ninguém se perde e, também, ninguém se jacta; mas antes, vive e respira misericórdia e Graça; com temor e tremor sem medo! 5. Sobre “pecados”, saiba: quanto mais angustiado, culpado, neurótico, aflito, e calvinisticamente se sentido uma bostinha, mais compulsivo você se tornará em seus pecados. Porém, quanto o entendimento da “justiça de Deus no evangelho” lhe for revelada, mais seguro você se sentirá; mais pacificado se tornará; e com muito mais poder de domínio próprio você se manifestará. Aqui no site também há pilhas de textos descrevendo esse fenômeno maravilhoso que nos alcança quando se “descansa” no que está Consumado. 6. Você também fez grande diferença entre o pecado do desinformado acerca do Evangelho e o pecado do ser informado acerca do Evangelho; e, sinceramente, como você colocou, o melhor seria não informar ninguém de nada, que é para não piorar a situação do individuo; pois, nesse caso, o brado deveria ser: “Viva a ignorância do Evangelho!”— já que conhecê-lo (o Evangelho) torna tudo irredimível e cheio de culpa e neurose uma vez que a pessoa peque. Todavia, emocionalmente, você está certo; posto que a própria “igreja” faz tais distinções. Sim, para “ela”, é “ela” a referência determinante para o que foi permitido e já não é permitido aos homens; e, para a “igreja”, a questão não tem a ver com Jesus, se a pessoa o conhece o não, mas apenas se depois de “conhecê-la”, o individuo se comportou ou não. O que você precisa saber para sempre é que Jesus é o Cordeiro de Deus que “tira” o pecado do mundo; e, também, que o tempo verbal no grego equivale à tira, tirou, e sempre tirará. Ou seja: em Jesus não há antes e nem depois. Sim, em Jesus existe somente aquilo que Paulo chama de “nele”, ou também de “em Cristo”. E esta diferença é maior do que a que existe entre o sol e a lua; ou melhor: é maior do que a que existe entre a luz e as trevas. Agora, só mais uma palavrinha. E é acerca de algo que você disse: “Fico imaginando que se o espinho na carne de Paulo fosse um problema existencial, o que é uma hipótese perfeitamente aceitável, ou seja, um defeito de caráter, uma tendência homossexual, ao invés de uma enfermidade física, essa gente teria colocado em dúvida a sua conversão”. Claro que sim! Aliás, se Paulo fosse do Velho Testamento (do antes); não seria assim; afinal, numa galeria de seres estranhos e que até mataram (Hebreus 11), Paulo não teria o espaço de perdão que Davi teve. Mas como ele é um homem do Novo Testamento (do depois); jamais seria perdoado ou incluído em nada. Os crentes meteram na cabeça — e só pode ter sido pelo diabo usando as várias formas de filosofias gregas ou dualísticas — que após Jesus ter vindo ao mundo, os homens ficaram menos eles mesmos, sem todas as suas dores, pecados e dilemas. E eles, os crentes, não vêem em si mesmos tais mudanças, mas as projetam nos apóstolos; os quais, são, para os crentes, seres quase-impecáveis; e, para alguns, impecáveis mesmo. Desse modo é que a “igreja” faz o Evangelho valer para nada. Sim, para coisa alguma! Pois, se tem algum valor, sou eu quem dá tal valor a ele, mostrando que não preciso dele pelo simples fato de eu mesmo ser “uma boa nova para Deus”. Além disso, de que adianta o Evangelho se seu benefício ficou todo no meu passado, antes de eu conhece-lo? Sim, que Boa Nova é esta que apenas me diz que era melhor eu nunca tê-la conhecido? E que Boa Nova é esta que só é beneficio para a humanidade se a “igreja” decidir tirar o traseiro dos bancos de suas mesquinharias e comodidades, fazendo um imenso favor a Deus e à humanidade, indo pregar a “igreja” no mundo, como se fosse o Evangelho? Assim, mano, acalme sua alma, pois Calvino não era a revelação, mas um iluminado pela Palavra; e apenas para ser útil à sua geração; como tentou ser; e, em muitos aspectos, o foi. No meio cristão, para não irmos longe, o nome “Deus” dá a falsa ilusão de que todo mundo está falando do mesmo Ser-É. Mas não é assim. De fato, certas descrições que ouço fazerem de Deus, para mim, são perfis do Diabo apenas. Sim, no meio cristão há um nome para a divindade, porém, as divindades são muitas; e se Deus fosse um só e a soma de todas essas visões, Ele mesmo, para ser um esquizofrênico mais honesto que demônios, teria que dizer quando Moisés indagou seu nome: “Legião é meu nome, porque somos muitos”; ao invés de apenas ter dito: “Eu Sou”… te enviou — como de fato fez. Por esta razão o nome “Deus” não me diz nada, a menos que a descrição seja a do Único Deus Vivo e Verdadeiro, e que não é o deus de Calvino, mas o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo; e que disse: “Eu e o Pai somos um”; ou ainda: “Quem me vê a mim, vê o Pai”. Quanto ao mais, tanto mais quanto a Graça se torne um entendimento para você, tanto mais todas essas coisas se tornarão irrelevantes para você! Agora, me fale de você, de sua alma, etc… Você é solteiro? Por que prostitutas e não a mulher ou a namorada adulta? Sim, o que impede você de se tratar conforme a sua idade, sexualmente falando? Ou o trauma da cocaína foi tão grande que você misturou uma coisa com a outra? Ou há mais… e que você não quis ainda falar… algo como um “possível e até provável espinho na carne de Paulo…”? Quanto às suas raivas, penso que elas têm a ver com tudo isto. Mas se você desejar e confiar, logo você estará calmo; pois, na maioria das vezes, tais raivas e surtos são apenas manifestações de nossa incapacidade de autoconvívio. Se desejar, abra tudo! Nele, em Quem todos são eleitos para a vida, pois o Cordeiro foi imolado antes de haver mundo, Caio