jan 202010

Each war is different, each war is the same
Creative Commons License photo credit: kevindooley

—–Original Message—–
From: Marcos Lopes
To: contato@caiofabio.com
Subject: O QUE É O PECADO PARA A MORTE?

Mensagem:

Ola, amigo!

Estou todos os dias estou no site, lendo e relendo a vida, e aprendendo a viver.

Gostaria de falar-lhe a respeito de uma questão que vem em minha alma. Num encontro que tive com um irmão está semana, onde a conversa levou para um ponto sobre o texto de I João 5:17—”se alguém vir seu pecar pecar não para morte…”—, veio sobre nós o que seria esse pecado para morte, em relação a Graça e Bondade de Deus.

Procurei ler e reler o texto e várias fontes de visões, as mais diferentes, para compreender o texto, não só como conhecimento, porém com necessidade de “conhecer” sobre o que João está dizendo.

Confesso que não é fácil ler o texto e não lê-lo com os “óculos” daquilo que já aprendi sobre como Deus é, e assim é fácil dizer que o texto diz isso ou aquilo; mas não lê-lo com um coração que simplesmente aceita as palavras como sendo vida para minha vida mesmo que não faça sentido com o resto daquilo que acho que aprendi sobre ‘pecado’, é mais difícil.

Por isso escrevo, pois não consigo enxergar o texto como de fato deve ser compreendido.

Agradeço sua atenção, na busca de vida e não da letra, um grande abraço.

Marcos Lopes
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Resposta:

Meu amado Marcos: Paz e Salvação!

João manda interceder por aqueles que não pecaram para a morte e pressupõe que tal intercessão geraria vida.

E diz que se alguém pecou para morte, por esses, a intercessão não deveria acontecer naquela expectativa de que traria perdão de pecados—como simples e sincera intercessão.

De fato, a visão evangélica é a seguinte:

1. Se alguém não pecou para a morte, interceda-se, pois tal pessoa poderia vir a se arrepender e se converter.
2. Se alguém pecou para a morte, que se não interceda, pois tal pessoa estaria para além da possibilidade de ser alcançada pela Graça.

Pessoalmente eu penso diferente. Mas é apenas a minha maneira de ver, e dela não faço doutrina.

O que penso?

1. Primeiro caso: quando vejo irmãos pecando, intercedo por eles junto ao meu e nosso Único Sumo Sacerdote, e, sinceramente, fico com a certeza de que tais irmãos estão cobertos, não pela minha intercessão, mas pela certeza que tenho de que Jesus pagou o preço por toda ignorância e estupidez dos seres humanos. São os pecados da ignorância ou da necessidade.

3. Segundo caso: quando a afronta se expressa como pecado deliberado, perverso, hostil, frio, e completamente impiedoso—portanto, sem ser o resultado da ignorância ou da necessidade, que se manifesta de modo emocional, afetivo ou como pulsão—, por esses, não faço se não a oração que pede a Deus que os quebrante antes que seja tarde, mas não me levanto da oração com a paz de quem sabe que aquele pecado está coberto. Eles terão que se entender com Deus, e se partirem naquela disposição mental de total indiferença e deliberada dureza, seu caminho é de morte.

Ou seja: publicanos, meretrizes, pecadores e outros filhos da carência e da necessidade são muito mais passíveis de serem objeto da primeira intercessão.

Já os fariseus, os escribas e as autoridades do templo—os mesmos que em vendo Lázaro ressuscitado decidiram matá-lo a fim de encobrirem a evidencia do poder de Jesus—, estão muito mais ligados ao segundo caso. São deliberados demais para que sejam colocados num “santo lugar de ignorância”.

É assim que vejo.

Um beijão,

Caio
3/2/04

www.caiofabio.com

abr 162008

Jesus disse que há castas de espíritos que só saem daqueles que eles possuem mediante a pratica do jejum e da oração.


Ora, esta declaração cria muitos problemas quando se a lê a partir de qualquer que seja a compreensão doutrinária.

Lendo isso, Pentecostais e seus parentes jejuam com a certeza de que o poder está na abstinência de água e comida — jejum —; acompanhados de oração pelo oprimido ou endemoninhado. Nesse caso, o poder é do jejum.

Também lendo isto os Reformados ficam agitados, pois, segundo a doutrina da Graça Soberana de Deus não haveria razão para jejuar, já que o poder não procede de nenhuma mecânica humana ou humanamente ativada como poder. Nesse caso o jejum é o problema; pois, supostamente, estaria tirando o poder da Graça invisível e transferindo-o para algo que facilmente viraria fetiche e paganismo.

Os Católicos por seu turno, lêem o que Jesus disse e dizem: “Oba! O rito tem poder!” No caso deles o poder está no rito.

Já os que fazem uma leitura mais leve e psicológica do texto de Jesus tendem a pensar que Jesus estava apenas dizendo que em meio àquela confusão toda — gente observando, discípulos brigando, um pai gritando; e Pedro, Tiago e João vindos da Transfiguração meio surtados de grandeza — não era possível ter concentração para tratar aquele caso. Nesse caso, o poder que o jejum daria seria o do foco e da concentração.

Ora, olhando para o que estava acontecendo, não tenho como dizer o que Jesus queria dizer além do que Ele disse.

Então, como vejo este texto?

Vejo-o sem problemas. Sim! Porque tudo o que leio no Evangelho não é para mim objeto de nenhuma tentativa de criar uma lógica sistêmica e doutrinária sobre qualquer coisa.

Para mim, em certas circunstâncias, havendo renitência por parte de um espírito imundo, eu jejuo, como já o fiz dezenas de vezes na vida.

Isso mesmo; sempre, em tais casos, jejuei sem nenhum conflito teológico e doutrinário!

Alguém pode ver um discípulo de Jesus (nos evangelhos) querendo saber como conciliar aquela declaração de Jesus com qualquer que fosse o pacote doutrinário?

Ora, para os discípulos que ouviram aquilo, a única coisa que ficou foi o que Jesus disse: Se o demônio mostrar renitência em deixar a sua vítima, jejuem.

Assim, não desejaram saber como ficava a “Graça”, a “Soberania”, o “poder absoluto do nome de Jesus”; ou mesmo como ficaria, diante de tal fato da renitência de demônios ao nome de Jesus, a doutrina da vitória da Cruz sobre todo principado e poder.

Tudo bobagem inventada do 4º Século em diante!

Os discípulos não eram filhos do “Cristianismo” (como nós); e nem foram doutrinados pelos teólogos patrocinados por Constantino; e, dele para frente, doutrinados pelos “pais” do saber de Deus na “Igreja”.

Não! Os discípulos eram apenas gente simples.

Para eles Jesus era o poder; e, uma vez que eles mandassem um demônio sair em nome de Jesus, esperavam que saísse; porém, não tendo sido assim naquele caso, ficaram perplexos ante a impotência constatada.

Quando Jesus chegou do Monte da Transfiguração e repreendeu o demônio e este deixou sua vítima, ao acrescentar após isso que os discípulos não puderam expulsar o demônio por sua falta de fé, e que em razão disso deveriam sempre jejuar e orar — eles não “teologizaram”, mas apenas aprenderam que em tais casos assim se deve fazer.

Para eles tudo era Graça de Deus. Inclusive orar e jejuar a fim de expulsarem um demônio insistente. Eles simplesmente não tinham nenhuma de nossas tolas e presunçosas questões. Jesus era o Senhor e o Mestre, o Filho do amor de Deus, o Messias, Aquele de Quem o Pai dava testemunho; e, para eles, isso bastava.

Além disso, criam que o jejum e a oração eram um meio de Graça.

Sim! O poder era de Jesus; e, ante Jesus, nenhum demônio ficou renitente; mas, como eles não eram Jesus, sua mente e coração deveriam estar alinhados na fé e na consciência, a fim de que aquilo que era poder e meio de Graça sobre eles (o nome de Jesus), não tivesse seu poder limitado pela falta de fé ou pelo medo deles.

Portanto, quando ouviram Jesus dizer o que disse, certamente eles não pensaram na força daquele demônio insistente, mas na sua própria fraqueza e falta de fé.

Assim, não transferiram o problema para os demônios, e nem buscaram uma conciliação teológica a fim de jejuarem de modo doutrinariamente sadio no intuito de expulsarem o demônio.

Não! Aquilo lhes veio como sendo para eles. Sim! Aquilo lhes veio como instrução de verdade e de sabedoria da parte Daquele que sabe o que diz; e, portanto, para eles era assim que deveria ser; e não algo a ser discutido.

Desse modo, quando Jesus disse que certas castas de demônios não saem se não por meio da oração e do jejum, os discípulos simplesmente pensarem em si mesmos, em como seus corações tinham aprendido o rito de dizer “sai em nome de Jesus” (“… pelo teu nome os espíritos se nos submetem..”) — mas, assim mesmo, continuavam sem fé ante qualquer que fosse a renitência.

Mais tarde, muitos anos depois, Tiago, o irmão de Jesus, ao escrever a sua epistola, disse: “Resisti ao diabo e ele fugirá de vós”. Ora, esta frase de Tiago é o equivalente a “esta casta não sai se não por meio de jejum e oração”.

Jejuar e orar é resistir ao diabo até que ele fuja!

Além disso, em tais casos, jejuar e orar é o meio de Graça pelo qual o discípulo foca sua fé em Quem tem o poder; deixando, assim, pelo jejum e pela oração, as distrações que diluem a fé longe de suas mentes.

Tendo ainda caminhões a dizer, mas entendendo o limite dessa comunicação, apenas concluo afirmando que a instrução para jejuar e orar ante a resistência do mal, é algo que não deveria causar nenhuma pergunta; pois, ante o mal, o que o coração sabe que deve ser feito é tudo aquilo que signifique perseverança na verdade e no que é bom.

Assim, Ele disse: Ante a renitência do mal, não tenham medo; jejuem e orem; resistam o mal com fé; e, assim, ele fugirá de vós.

Alguma dúvida?

Nele, que disse o que disse, e o que disse é,

Caio

21/06/07

Lago Norte

Brasília
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