Um mundo para amar e um para não amar

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Posted on 23rd janeiro 2009 by Roberto in Reflexões

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kurdistan
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Para mim o “conceito de mundo” é uma das principais confusões cristãs, e de onde procede boa parte dos conflitos e irreconciliabilidades de pensamento que aparecem no meio dos que confessam ser gente do evangelho ou da igreja, mas vivem em estado de “reclusão-inserida” no espírito do mundo. (Em meu livro “Mais que um sonho”, trato disso com um pouco mais de atenção). Na cabeça dos crentes a loucura e o processo de descolamento entre realidade e fantasia, começa aqui… na confusão do significado “de mundo”. Sim, porque de um lado Deus ama o mundo, e Jesus se deu pela humanidade e toda a criação. Entretanto, também se lê que aquele que ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Na mesma seqüência de contradições vem a oração de Jesus, pedindo ao Pai que não nos tirasse do mundo, mas que apenas nos guardasse do mal, pois não somos do mundo, como Ele também não era. Estava no mundo… mas não era do mundo! Assim, segundo Jesus, mesmo não sendo do mundo, tem-se que ser ativo e partícipe nele; afinal, somos o sal do mundo, ou da terra, como se preferir chamar. Entretanto, a lista de conflitos entre mundo-e-mundo apenas cresce na cabeça dos crentes, apesar de Paulo dizer em II Coríntios que “o mundo é nosso”, assim como a vida, a morte, as coisas do presente e as do porvir. “Tudo é vosso, e vós de Cristo, e Cristo de Deus“, conclui ele. Simplificando a questão, eu diria apenas que o Novo Testamento usa várias palavras diferentes para designar coisas distintas, mas que são traduzidas, algumas vezes, pelo mesmo termo, como é o caso da palavra mundo; e não somente palavras diferentes são usadas nas Escritura, mas se as faz ganharem a devida conotação de acordo com o contexto em questão. Entretanto, Deus amou o mundo das coisas criadas e dos humanos. Todavia, Ele não está “presente” no “curso desde mundo”, que não é nem a criação e nem os indivíduos humanos, mas o entendimento de valores que movem a ambição da civilização -, que é controle, manipulação, domínio, e poder. Ora, esta dimensão do mundo jaz no maligno e é pervertida em seu entendimento; e a História está aí para nos comprovar tal fato. Além disso, tem-se também o aeon de cada tempo, que é a Era de certo momento histórico, a qual, na maioria das vezes, está tomado pela carga dos ódios, modas, irreflexões-feitas-valores, banais e perversas causas de vida ou morte, assentimentos emocionais com a morte, concentração de riquezas, imperialismo, colonialismo, guerras religiosas, espíritos de vícios generacionais, e tudo o mais que mantenha uma dada geração correndo atrás do vento, como se tal fizesse sentido. Isto é mundo! Desse modo, Deus ama a criação e todas as criaturas, incluindo a espécie humana, por quem se diz que Ele deu seu Filho. Ele também ama todas as produções da criatividade humana que se dedicam à vida, ao belo (e aqui não falo de estética apenas) e ao significativo. Por esta razão as portas da Nova Jerusalém estarão abertas para que os povos levem ao Cordeiro as belezas de suas riquezas e produções culturais, artísticas e espirituais dedicadas à vida. Assim, sem ter que ir tão longe, o Apocalipse diz: “…fora ficam…”; e também diz: “… nela entram…”. Fora ficam as maldades do sistema e todas as energias que as motivaram, emularam e alimentaram. Nela entram pessoas, gente, povos curados pelas folhas da Árvore da Vida. Desse modo, sabe-se que Deus não odeia a criação, ao contrario, ama o cosmos e todos os universos e suas criaturas, bem como ama toda produção da inteligência e da alma que sejam dedicados à vida. O que Deus não ama, e sou convidado a também não amar, é o sistema de morte e controle que existe na Terra, o qual, em nossos dias, anda para o ideal de controle do diabo e dos seus “anticristos”. Ora, esse sistema é de marcar homens como gado, e exercer controle até sobre suas almas, gerando em cada indivíduo emulações de desejo, consumo, e entrega da mente ao curso do mundo, que é o que mantém a humanidade sem poder comprar, vender, ir e vir, ser ou deixar de ser, sem que tenha que verificar se está sob o conceito aceitável dos fazedores de imagens falantes, que são, cada vez mais, os humanos de nossa geração. Quem ama tais valores e sistemas, os quais são sempre movidos pela ambição do controle e das riquezas, não pode dizer que ama a Deus, pois, tal sistema, é a antítese de tudo quando Deus é: Ele ama, e deixa livre; o sistema, entretanto, é frio e perverso, e seu ideal é controlar. Deus se dá; o sistema, porém, apenas quer tirar, roubar, tomar, expropriar e possuir. Deus ama a todos, mas o sistema separa os homens a quem Deus ama. Etc… Ora, se pensarmos na “igreja na história”, de um lado; e de outro pensarmos apenas no que é e no que não é mundo; veremos que mesmo com sua obsessão antimundo, por seguir e praticar o mesmo espírito de poder, controle e manipulação que há no mundo, a igreja, ainda que “invocando” o nome de Deus, é MUNDO, no pior sentido da palavra; visto que é parte do curso dos sistemas da morte, e o pratica sob o manto do engano de que em nome de Jesus toda perversidade é santificada. Sim, porque a igreja odeia o que Deus ama e ama o que Deus aborrece! Odeia o mundo que Deus ama, e ama o mundo que Deus abomina. E, desse modo, quase que só existe na contra-mão do amor de Deus no mundo. Isto porque a pobre e infeliz igreja pensa que o mundo é um lugar, uma geografia, uma coisa que existe diante dos olhos… e não é. Por esta razão, para a “igreja-burra-de-espírito” e preguiçosa na “busca da verdade interior”, é mais fácil dizer que mundo “é tudo que não é ela”; embora, dentro dela exista tudo o que “no mundo” se faz ou se deixa de fazer com muito mais honestidade-perversa, no primeiro caso; ou consciência livre, no segundo caso. Desse modo, mesmo sendo perversamente do mundo, entregue ao mal, a “igreja” acha que se as coisas dela foram feitas “consagradas nominalmente a Deus”, não importando as motivações, as ambições mercadológicas, os marketings de manipulação, e todas as demais decisões dela, quase sempre baseadas em “imagem” – essas coisas, mesmo sendo más, não são mais do “mundo”; pois teriam sido feitas nesse “lugar-institucional” no qual existe, supostamente, uma suspensão da verdade para Deus, valendo tudo, desde que feito para a “glória Dele”. Assim a “igreja” não enxerga que existe no “pior dos mundos” em sua total e mais sutil manifestação. Desse modo, se for para Deus, pensa ela que toda bosta é ouro, e todo mijo é vinho de Caná. O que a “igreja” não quer ver é que como ela é, ela é mundo; e não é objeto do amor contente de Deus, mas apenas de Sua paciência; enquanto Ele aguarda o dia em que aqueles que o confessam, entendam que o Evangelho não é um sistema, uma geografia santificada e nem um poder mundano, o qual, ainda que seja operado confessadamente para “a gloria de Deus”, nem por isto deixa de ser o que é: mundo em sua pior manifestação. Pois a placa de “igreja” na porta não é um lugar de alquimia divina no qual todo esterco se torna em diamante espiritual. Para simplificar ainda mais, apenas pense: quem foram aqueles com quem Jesus se sentiu bem, em que lugares e com que gente Ele apreciava estar, onde Ele aceitava comer com mais liberdade, onde Sua presença era celebrada, e Sua mensagem acolhida? Responda isto à luz do Evangelho e você verá o que para Jesus era o mundo a ser amado, apesar de tudo. Por outro lado, veja onde Ele se sentia mal, com que tipo de espírito, tema, interesse, papo e valores com os quais Ele se incompatibilizou – e você verá o que para Ele era mundo. Por tal olhar a partir do Verbo Encarnado, um monte de gente que a “igreja” diz que é do mundo, não é; sendo apenas pessoas que não sabem como fazer para não ser, posto que em suas almas aborrecem aquilo que a “igreja” chama bom e de sua “tarefa”, discernindo eles que tais coisas não podem ser de Deus pelo simples fato que não carregam graça e amor; e isto enquanto a própria “igreja” nem mesmo consegue enxergar seu estado patético. Entretanto, conforme o Evangelho, o verdadeiro mundo não é feito de publicanos, pecadores, meretrizes, bebedores de vinho ou de pecadores quebrados; mas sim de gente “piedosa”, jejuante como um camelo, curvados como islâmicos, e tarados homicidamente pelo que eles chamam de “verdade de Deus”. Sim, conforme o olhar do Evangelho de Jesus, onde estava o mundo em sua forma mais letal e perversa: entre os pecadores e infelizes da terra ou entre os “sãos” que não precisavam de médico? O que a “igreja” precisa aceitar a fim de ser salva de sua morte e arrogância, é que ela está para o Presente da História assim como o Sinédrio, os doutores da Lei, os escribas e os fariseus estavam para Jesus, nas narrativas do Evangelho! Ora, o mundo é o mundo; e faz menos mal como é, mesmo em sua forma pior, do que a “igreja”; posto que o mundo se sabe perdido, e pode ser alcançado; a “igreja”, porém, se vê como a salvadora desses perdidos que estão mais achados do que ela própria; visto que se pelo menos dissesse que não vê, não teria pecado algum; mas como diz: “… nós vemos…”, subsiste seu grande engano, pecado, e narcisistico espírito de auto-engano luciferiano. Assim, o mundo que Deus ama, entre os humanos, é feito de gente doente e que precisa de médico; já o mundo que Ele aborrece é feito do espírito dos doentes que não se enxergam, e, por esta razão, oferecem-se para ser os guias de cegos que ainda vêem um pouco melhor do que a maioria de seus guias. Nele, que não nos deu do espírito do mundo, mas do Espírito de Deus, Caio

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Sonho: Seu mar é seu Deus calvinista (I e II)

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Posted on 27th novembro 2008 by Roberto in Cartas

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Mareggiata Sea storm
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—– Original Message —–

From: SONHO: SEU MAR É SEU DEUS CALVINISTA

To: contato@caiofabio.com

Sent: Wednesday, February 22, 2006 12:23 AM

Subject: Sobre sonhos!

Olá pastor Caio! É sobre sonhos, já que outro dia ouvi você pregando sobre isso, e achei que talvez você pudesse me ajudar. Tenho sonhado nos últimos quatro anos com um sonho que, pra ser sincero, pastor, me causa uma certa apreensão. Digo nos últimos quatro anos pelo fato de eu ter sido apresentado ao Evangelho no início de 2002, pois até então, e eu já estava com vinte e cinco anos, e jamais havia tido esse tipo de sonho, jamais. É o seguinte: ondas. Não ondas gigantes, como nos filmes, mas ondas assustadoras. O tempo sempre está nublado, e é de um realismo impressionante. As ondas, apesar de não serem do tamanho de um arranha céu, são muito mais assustadoras e realistas do que em qualquer filme que eu já vi. E tem mais: o som. É pastor, o som é brabo, brabo. Mas ainda não parou por aí: pessoas assustadas, desesperadas, tentando se segurar em pedaços de concreto ou em alguma coisa enquanto o mar se aproxima. E por último, pra fechar com chave de ouro, pra não dizer o contrário, eu no meio delas, também assustado e confuso, tentando me agarrar em alguma coisa para não ser tragado para dentro daquele ambiente tenebroso, o mar revolto. Assim como você disse na sua pregação acerca do seu sonho, eu também não paro de me perguntar o que isso significa. Perguntas do tipo: “Será que eu não me converti, ou não fui convertido, ou não sou convertido”; o que quer que seja! “Será que eu vou ficar por aqui depois que Jesus voltar e vou ter que me virar no meio dos que ficarem? e etc, e etc, e etc”. Deus é soberano pastor, qualquer que seja o meu destino, eu não tenho forças, nem ânimo, nem motivação para ficar correndo atrás e tentar mudá-lo. Se Deus, na sua presciência, sabe que o meu destino final é perecer, por não ter fé suficiente para me entregar a Ele de todo o meu coração, o que eu posso fazer? Se eu naquele Dia ouvir: “aparte-se de mim, nunca te conheci!”; eu o direi: “justo!”; pois sei que sou transgressor. Nem sei o que estou falando pastor, mas é verdade, seja qual for o resultado, eu o aceitarei com mansidão, se é que isso é possível para o caso de o resultado ser o pior. Vou me abrir pra você pastor: Jesus me libertou da droga, me deu uma nova vida, com direito a novos amigos, novos ambientes, novos sonhos, começou a me encorajar a enfrentar situações que até então eu não queria enfrentar; e mais uma série de coisas que eu não consigo expressar…, não consigo entender…, mas que estão acontecendo a cerca de quatro anos na minha vida, pois não fui criado no Evangelho. Já tentei fugir, desistir, querer ficar na minha, mais não tem dado certo, acabo voltando. Sabe pastor, eu não gosto muito desse termo “certeza da salvação”, como os crentes, em especial os pentecostais, mas sem preconceito contra eles, estão acostumados a dizer. Eu não tenho esse mantra na ponta da língua, igual os de Mateus 7 tinham, e na hora H a coisa ficou terrível pra eles, ou pior, ficará. Tenho tido experiências com Deus; a Sua atenção me tem constrangido, me tem feito mudar de idéia nos momentos de indecisão e tentar buscá-Lo novamente; e assim por diante. Acho que se Ele me disser naquele Dia que nunca me conheceu, embora eu vá considerar totalmente justo, realmente vou ficar um pouco surpreso sim, não por mim, jamais, mas por Ele. De fato acharei estranho se Ele me disser que nunca me conheceu. Grande abraço e vê se aparece aqui pela Igreja… Tenho lido o seu livro, Confissões, o meu pastor me emprestou. Abração e fica na Paz, Jonas.

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Querido amigo Jonas: Graça, Paz e Bons Sonhos! Sonhos, meu amigo, são coisas importantíssimas ou apenas descargas do Inconsciente. Neles você pode ter a liberação do lixo do dia e de suas impressões ruins; pode ter comunicação da alma com você, tentando contar-lhe acerca dela mesma; e pode ter anúncios de natureza pré-monitória, ou profética…etc. É obvio que aqui fiz uma hiper-simplificação, mas se você fizer uma pesquisa no site escrevendo a palavra “sonho”, aí em “Busca”, você vai achar tudo o que, aqui, sobre sonho, já escrevi. Faça isto; pois assim não tenho que escrever tudo outra vez. No momento, quero apenas dizer o que senti de sua carta-sonho. Gostaria de dividir sua carta em três tópicos que se interligam. Vejamos: 1. Seu sonho como impressão arquetípica presente em toda a humanidade. Diante do medo, do mistério, do inusitado que habita a vizinhança da vida, etc…— a alma coletiva cria suas formas comuns e inconscientes de comunicação. Eu, por exemplo, creio que existe algo como o Inconsciente Coletivo, e acho que tanto tenho a base teórica para essa crença, como também, vejo nas Escrituras farto material sobre isto, só que sem nome, mostrando-se apenas como “fenômeno”. Ora, o mar, carrega esse carga arquetípica na própria Escritura: o mar é mistério, é separação, é abismo desconhecido, é a imagem mais forte que a alma tem para falar do que teme e do que tem força e poder, e o deixa impotente… etc… É dele que Jesus disse que virão os bramidos que farão os homens desmaiarem de terror pela expectativa das coisas que sobrevirão ao mundo; é dele também que vem a Besta que emerge do mar; é ainda se diz que ele “acabará” como carga arquetípica; pois, ao final, se diz: “… e o mar já não existe”. Esta é a primeira coisa: o mar é mistério, separação e impotência para os humanos. Assim, sonhando de modo recorrente há quatro anos o mesmo sonho, sobre o mar, sua alma chama a sua atenção para a sua relação com o mistério, com o desconhecido que existe em você, e, além disso, trás a você essa expectação de juízo; e apenas porque você está carregado de juízo. 2. O mar também é arquétipo apocalíptico, como já vimos, tanto nas menções do V.T., como também em Jesus e no Apocalipse. Ora, Jesus disse que haveria gerações inteiras que seriam invadidas pelo Tsunami do medo do futuro, e que fariam isto em pânico diante das coisas que sobreviriam ao mundo. E, para mim, tal referencia se estabeleceu sobre sua mente, e habita, como medo, o seu Inconsciente. E veja que esse sonho tem quatro anos de recorrência; o mesmo tempo de sua conversão. 3. Possível sentido do sonho: Seu “mar” é seu “medo”. Medo do Todo-Poderoso, medo de Deus, medo do futuro, medo da existência, medo de seus pecados (me escreva e fala disso que o oprime, sem medo); e um medo calvinisticamente domesticado para fora, porém, para dentro, existindo em estado de convulsão e pânico. Digo isto porque você é tão calvinista, que aceita dizer: “Justo, Senhor, por me mandares para o inferno!” Só que seu calvinismo não lhe dá paz, mas apenas resignação ante a Soberania de Deus, a qual, mesmo que você ache “estranha”, é por você aceita, ainda que pareça maldade e perversidade. Para mim, saiba: tal visão é fatalista, perversa, elitista, jactante, e adoecida; não porque Deus não seja Quem Deus é; mas apenas porque o calvinismo não é revelação de Deus, sendo apenas um grande esforço humano para entender e sistematizar o insistematizável: o Deus que é; e que é Soberano. Ora, sendo assim, quero apenas dizer que o que lhe falta é a tal certeza da salvação, a qual você tanto abomina nos lábios jactantes, como eu também. Quando falo de “certeza”, falo na perspectiva do Evangelho, no qual, tal certeza é apenas fé; e, como tal, não se baseia em “boas obras” de ninguém; porém, exclusivamente na Graça de Deus. A Soberania de Deus e a Graça de Deus são a mesma coisa; embora, no calvinismo, a Graça seja quase um departamento central de Deus, mas ainda sob o comando de uma “instância” chamada de “Soberania”. Assim, para muitos calvinistas a Soberania de Deus se associa ao poder Dele de saber tudo, ver tudo e antecipar tudo desde de sempre. Entretanto, enquanto se perdem em tais divagações que apenas nos remetem para doutrinas de angustia e aflição, ou de jactância e eleição orgulhosa, não percebem que a Soberania de Deus, antes de tudo, é a liberdade de Seu amor, e não as demonstrações de Seu poder. O “Deus” soberano dos “calvinistas” acaba sendo um Hercules com onisciência, onipotência, e onipresença. Mas, apesar disso, é Doido, e Nele não se pode confiar, mas apenas desconfiar… enquanto se diz que se é salvo pela fé…, mas se alimenta no coração o fato de que a tal “eleição” é um capricho divino, por mais que os doutrinadores mais lúcidos dessa doutrina se esforcem por diminuir as implicações do horrível fatalismo ao qual ela, mal compreendida, sempre conduz. E você é a prova disso; posto que diz amar a Jesus, diz crer em sua justiça; e se põe, ao mesmo tempo, entre os “lobos vestidos de ovelha” de Mateus 7. E diz: “Vou estranhar se Ele disser que não me conhece; mas direi: justo!” Até aqui ensinaram a você não que Deus é Soberano, mas “déspota”, e no pior sentido do termo, não conforme e etimologia da palavra, mas sim conforme sua conotação maligna. E mais: não ensinaram a você que a consciência de transgressão não é o fim da jornada, mas seu inicio, para, então, a partir daí, se erguer a base da fé na Graça, na qual somos salvos apesar de nós, conforme Paulo de cabo a rabo. Assim, meu mano, conquanto o mar ainda vá assombrar toda a humanidade e em não muito tempo depois de hoje, seu sonho, todavia, está impregnado é de seu medo de Deus. Seu “mar”, simbolicamente, é seu “Deus”, do ponto de vista psicológico. Sim, sua relação com Deus é tão insegura quanto a sua relação com o mar! Sugiro a você deixar de ler “calvinismos” e passar a ler a Palavra, direto da fonte, e não pelos filtros da religião e seus doutores; todos bem intencionados; porém, tanto pela tentativa de sistematizarem a verdade (tolice!), como também em razão da tentativa de oferecerem um “Deus mastigado” e pronto para ingestão (doutrina e sistematização), criaram um fast-food doutrinário que tem, cada vez mais, o poder de gerar indigestão nas pessoas. Leia também o site, pois, aqui, você aprenderá sobre o significado do Deus Soberano, como também aprenderá que a maior manifestação da Soberania de Deus é a Sua Graça, e não o Seu Todo-Poder. A Soberania de Deus é fruto de Seu inexplicável amor, e não de Seu súbito mal-gênio, ou de algum surto “narcisista” que Ele possa ter… Sabe Deus em razão de quê!? Creia no amor de Deus, e que de Suas mãos ninguém, nem o mar, poderá arrancar você, e seus sonhos de mares perversos acabarão! Mas primeiro admita que o “Deus” que lhe foi ensinado é poderoso e sem alma como o Mar! Faça o que lhe sugeri e volte a me escrever em 1 mês. Mas leia a Palavra e mergulhe no mar do site. Nele, em Quem nenhum Tsunami da existência poderá nos arrebatar de Suas mãos, Caio

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Continuando…

Bom, pastor, então vamos lá! Com relação ao fato de os meus sonhos serem uma espécie de manifestação do medo que eu tenho desse “deus calvinista”, é provável que sim; pois foi esse deus, cuja soberania está acima do amor, que foi inoculado na minha mente durante mais de três anos, nas escolas dominicais; e pior: foi o primeiro “conhecimento” acerca de Deus que me foi passado na vida. Porém, um ano antes de eu mandar essa mensagem do sonho pra você, aconteceu uma coisa que me fez começar a repensar sobre esse “deus calvinista”. Eu estava numa reunião na casa de uns irmãos de outra denominação, eu era o único calvinista. De repente surgiu uma discussão sobre predestinação; e a coisa ficou feia. Eu estava muito ensoberbecido; e acabei me exaltando. Só depois que eu cheguei em casa e a minha mente foi aos poucos esfriando…, é que eu percebi no que eu havia me tornado: um sujeito digno de pena! A partir daí comecei a orar, olha só, pedindo para que Deus me ajudasse a suportar os meus irmãos da outra denominação, do jeito que eles eram; não para que mudasse a minha visão acerca Dele, de Deus. Mas pela sua graça ele fez justamente o contrário: começou a mudar a minha visão acerca dele e da eleição, um processo que continua até hoje (me desculpe pastor, mas não gosto muito de ficar colocando essas iniciais maiúsculas o tempo todo quando o termo se refere a Deus, nem na bíblia aparece assim, mas tudo bem, pode ser que eu esteja errado). A partir de então, passei a encarar a eleição como uma coisa muito mais relativa do que a daquela visão absolutista dos calvinistas. Continuo crendo na eleição, até porque existe suporte bíblico para ela, principalmente no Novo Testamento, mas agora de uma forma diferente. Imaginemos a seguinte situação, pastor: Imagine todos os povos que viveram nas Américas de dois mil anos antes de Cristo até a sua encarnação, só dois mil anos antes tá bom, porém sabemos que foi muito mais tempo. Eu posso te garantir, e você sabe muito bem disso, que esse contingente de milhões e milhões e milhões de pessoas ao longo desses dois mil anos que antecederam a encarnação do Verbo, JAMAIS, NUNCA ouviram uma palavra sequer acerca do Deus hebreu, do verdadeiro e único Deus. Eu pergunto: todo esse contingente de milhões e milhões e milhões de homens, mulheres, crianças e idosos foram lançados sumariamente no inferno? Eu não acredito nisso, mas há muitos, muitíssimos, principalmente do evangelho do “aceita Jesus ou vai pro inferno”, que crêem dessa forma. Eu não acredito! Creio que a eleição se faz até necessária em razão dessa e de outras situações. O meu medo de Deus então talvez se justifique mais por causa dos meus pecados, mas é claro, só é assim porque ainda resta muita coisa impregnada daquela visão absolutista de um deus onde a soberania está acima do amor. Como eu te disse: usei muita droga, era viciado em cocaína, começando cedo, dos 15 aos 25 anos. Durante esse período eu era terrível, quebrava as coisas dentro de casa o tempo todo, era muito agressivo. Depois que eu conheci o Evangelho, apesar do médico ter virado pra mim e dito que o meu diagnóstico, em face ao resultado de todos os exames que ele havia me pedido, era de alguém que nunca havia usado drogas na vida, que não havia nenhum vestígio, eu creio que ficou uma espécie de seqüela no meu sistema nervoso, a qual dificilmente pode ser diagnosticada, mas infelizmente, ou felizmente, constatada. O que me preocupava não são os pecados que cometi antes do Evangelho, sinceramente não, mas sim os que eu cometi depois. Cheguei a me deitar com prostitutas no começo, mas me arrependi; já faz dois anos. Tenho um temperamento muito difícil; briguei com pessoas dentro da Igreja; também me arrependi; mas só Deus sabe se irá ou não acontecer de novo. Cheguei recentemente a quebrar algumas coisas aqui dentro de casa por causa de uma enfermidade, etc. Isso me assusta porque ouço o tempo todo que se você não consegue largar isso ou àquilo, alguma coisa tá errada com você, referindo-se a conversão. Fico imaginando que se o espinho na carne de Paulo fosse um problema existencial, o que é uma hipótese perfeitamente aceitável, ou seja, um defeito de caráter, uma tendência homossexual, ao invés de uma enfermidade física, essa gente teria colocado em dúvida a sua conversão. Bom, pra falar a verdade, pastor, eu acho é que tem alguma coisa errada é com eles mesmos. E, por último, com relação à “certeza da salvação”, também nunca cri dessa forma, como a maioria dos crentes crê. O que acontece é que o somatório das minhas experiências diárias com Jesus vai gerando na minha alma uma confiança, uma segurança interior, e não uma certeza meramente racional. Claro, se eu tenho me relacionado com ele diariamente, se tenho provado do seu amor, como poderei ouvir naquele Dia que ele nunca me conheceu? A não ser que o significado original do verbo conhecer que está lá seja diferente. Mas é isso pastor, minha relação com os meus irmãos da outra denominação está ótima, faço com eles uma reunião de oração e estudo bíblico toda a semana; na Igreja idem; os conflitos ficaram para trás; embora eu seja uma espécie de barril de pólvora ambulante; e na família, tentando segurar a barra, me omitindo um pouco é verdade, poderia estar fazendo mais; tenho trabalhado, Deus tem providenciado os recursos; enfim, tudo está encaminhado e no controle das mãos do Senhor Jesus, pronto. Resquícios da doutrina ainda existem, insegurança ainda existe, medo ainda existe, mais sigo em frente desse jeito mesmo; fazer o quê? A vida que Jesus me ofereceu, apesar de tudo, é incomparavelmente melhor, mais saborosa, mais prazerosa, do que tudo aquilo que eu vivi antes de conhecer o Evangelho. É isso meu caro, estou aberto para você falar o que quiser. Por enquanto é só. Fica na Paz e um abração, Jonas. _________________________________

Amado amigo: Graça, Paz e Bons Sonhos! Vejo que nos últimos três dias você fez grandes progressos interiores; basta comparar as duas cartas; e os dois espíritos seus que elas manifestam. Graças a Deus! Antes de qualquer coisa, um esclarecimento: uso algumas palavras em CAIXA ALTA com o propósito de chamar atenção para a importância delas naquele contexto. Quanto à “Ele”, “Sua”, “Graça”, “Soberania”, e Igreja e “igreja”, são todas expressões de ênfase, pois, sem elas, infelizmente a maioria não entende a diferença. Você, por exemplo, apesar de dizer: “… me desculpe pastor, mas não gosto muito de ficar colocando essas iniciais maiúsculas o tempo todo quando o termo se refere a Deus, nem na bíblia aparece assim, mas tudo bem, pode ser que eu esteja errado”—, sem querer fez a mesma coisa. Ora, veja como isto é seletivo, pois, na Bíblia, igreja nunca aparece como Igreja, mas sempre no minúsculo. Você, porém, escreveu tudo minúsculo, mas quando chegou a “hora de falar de igreja”, você escreveu: “…na Igreja idem; os conflitos ficaram para trás..”. Ou seja: a igreja ainda é algo mais “maiúsculo” para você do que qualquer outra coisa; e é para isto que se deve examinar também, além dos sonhos, os nossos atos falhos, os quais, de um modo ou outro, cometemos falando, escrevendo, etc… Sobre o que você narrou, o que tenho a dizer, com todo carinho, é o seguinte: 1. Você é de Jesus; pois ninguém que tenha se colocado no “Sim Senhor, é Justo!” (como você disse na 1a carta), por mais que não esteja provando o bem da paz do Evangelho para si mesmo já na Terra, é amado e conhecido por Deus; pois Deus é amor; e não sou eu quem o entende, mas Ele que me compreende; do contrario eu seria o Deus de “Deus”. 2. Sobre os alienados que existiram antes do Evangelho ser historicamente anunciado como “informação”, saiba: minha tese de ordenação ao ministério, aos 21 anos de idade, foi sobre esse tema, para o qual a minha alma nunca teve outra certeza senão a do amor de Deus por todos os homens; e tudo o que não falta na Palavra é base para tal certeza-fé. Outra vez me perdoe enviar você para o trabalho no site; porém, se você for lendo, verá que este tema já está bastante tratado aqui no site. Escreva “Melquizedeque” também em “Busca”, e você verá que a coisa é muito mais profunda do que a eleição sistematizada por Calvino pôde alcançar. 3. Calvino foi o Aristóteles do Protestantismo. Leio-o com carinho, mas o acho insuportavelmente chato; pois escreve sem profundidade filosófica, sem charme, se estilo, sem provocação, e como se fosse uma “bula doutrinária”; uma “prescrição de como lidar com Deus”; e sem graça, apesar de tanto falar em Graça e Fé. Além de que, sinceramente, nele encontro um homem culto, mas não um gênio, e nem mesmo um ser de inteligência criativa; ao contrário, vejo um homem austero e sincero, e que deu tudo de si para dar testemunho do Evangelho em sua geração. Meu lamento é que ele que poderia ser um fundamento razoável, tenha se tornado um teto tão baixo; tão baixo quanto o de um mosteiro dos capuchinhos portugueses, onde quem entra tem que se curvar todo. Além disso, sinceramente, sei que o próprio Calvino, que não era besta, mas temente a Deus, se vivo estivesse hoje, já teria entendido melhor um monte de coisas que, no seu tempo e com as informações que dispunha, não lhe foi possível discernir melhor. Por exemplo: toda a visão que Calvino tem de “tempo” é ainda de natureza medieval; e seus estudos sobre a predestinação estão presos a uma presciência linear; e, portanto, medieval e católico-aristotélica. Ou seja: para ele a eternidade era ainda um tempo sem fim; ou seja: ainda era uma noção tão básica que ainda era “um tempo”, quando, hoje, se sabe que o conceito de eternidade não tem sua referencia no tempo e no espaço; pois é algo dimensional e não espaço-temporal. Ora, em meio a dezenas de outras coisas que poderiam ser ditas, esta serve para mostrar como Calvino não pode ser o teto de ninguém que queira continuar crescendo no Evangelho. Na minha opinião se Calvino estivesse vivo hoje ele mesmo não seria “calvinista”. Leia aqui no site também tudo sobre “tempo”. Há muita coisa escrita, pois, para mim, quem não discerne isto acaba virando calvinista mesmo. 4. Além disso, no seu aristotelismo sistêmico, Calvino não soube viver o “paradoxo” da Palavra. Sua lógica era tão linear que não percebeu que a Escritura não pode ser sistematizada, posto que seu poder está na sua contradição, a qual, tanto nos deixa totalmente seguros na Graça, quanto também nos manda andar de olho aberto para não cair; e tanto nos diz que Deus é soberano, quanto também nos responsabiliza pelo uso de nossa própria liberdade. É nessa tensão que ninguém se perde e, também, ninguém se jacta; mas antes, vive e respira misericórdia e Graça; com temor e tremor sem medo! 5. Sobre “pecados”, saiba: quanto mais angustiado, culpado, neurótico, aflito, e calvinisticamente se sentido uma bostinha, mais compulsivo você se tornará em seus pecados. Porém, quanto o entendimento da “justiça de Deus no evangelho” lhe for revelada, mais seguro você se sentirá; mais pacificado se tornará; e com muito mais poder de domínio próprio você se manifestará. Aqui no site também há pilhas de textos descrevendo esse fenômeno maravilhoso que nos alcança quando se “descansa” no que está Consumado. 6. Você também fez grande diferença entre o pecado do desinformado acerca do Evangelho e o pecado do ser informado acerca do Evangelho; e, sinceramente, como você colocou, o melhor seria não informar ninguém de nada, que é para não piorar a situação do individuo; pois, nesse caso, o brado deveria ser: “Viva a ignorância do Evangelho!”— já que conhecê-lo (o Evangelho) torna tudo irredimível e cheio de culpa e neurose uma vez que a pessoa peque. Todavia, emocionalmente, você está certo; posto que a própria “igreja” faz tais distinções. Sim, para “ela”, é “ela” a referência determinante para o que foi permitido e já não é permitido aos homens; e, para a “igreja”, a questão não tem a ver com Jesus, se a pessoa o conhece o não, mas apenas se depois de “conhecê-la”, o individuo se comportou ou não. O que você precisa saber para sempre é que Jesus é o Cordeiro de Deus que “tira” o pecado do mundo; e, também, que o tempo verbal no grego equivale à tira, tirou, e sempre tirará. Ou seja: em Jesus não há antes e nem depois. Sim, em Jesus existe somente aquilo que Paulo chama de “nele”, ou também de “em Cristo”. E esta diferença é maior do que a que existe entre o sol e a lua; ou melhor: é maior do que a que existe entre a luz e as trevas. Agora, só mais uma palavrinha. E é acerca de algo que você disse: “Fico imaginando que se o espinho na carne de Paulo fosse um problema existencial, o que é uma hipótese perfeitamente aceitável, ou seja, um defeito de caráter, uma tendência homossexual, ao invés de uma enfermidade física, essa gente teria colocado em dúvida a sua conversão”. Claro que sim! Aliás, se Paulo fosse do Velho Testamento (do antes); não seria assim; afinal, numa galeria de seres estranhos e que até mataram (Hebreus 11), Paulo não teria o espaço de perdão que Davi teve. Mas como ele é um homem do Novo Testamento (do depois); jamais seria perdoado ou incluído em nada. Os crentes meteram na cabeça — e só pode ter sido pelo diabo usando as várias formas de filosofias gregas ou dualísticas — que após Jesus ter vindo ao mundo, os homens ficaram menos eles mesmos, sem todas as suas dores, pecados e dilemas. E eles, os crentes, não vêem em si mesmos tais mudanças, mas as projetam nos apóstolos; os quais, são, para os crentes, seres quase-impecáveis; e, para alguns, impecáveis mesmo. Desse modo é que a “igreja” faz o Evangelho valer para nada. Sim, para coisa alguma! Pois, se tem algum valor, sou eu quem dá tal valor a ele, mostrando que não preciso dele pelo simples fato de eu mesmo ser “uma boa nova para Deus”. Além disso, de que adianta o Evangelho se seu benefício ficou todo no meu passado, antes de eu conhece-lo? Sim, que Boa Nova é esta que apenas me diz que era melhor eu nunca tê-la conhecido? E que Boa Nova é esta que só é beneficio para a humanidade se a “igreja” decidir tirar o traseiro dos bancos de suas mesquinharias e comodidades, fazendo um imenso favor a Deus e à humanidade, indo pregar a “igreja” no mundo, como se fosse o Evangelho? Assim, mano, acalme sua alma, pois Calvino não era a revelação, mas um iluminado pela Palavra; e apenas para ser útil à sua geração; como tentou ser; e, em muitos aspectos, o foi. No meio cristão, para não irmos longe, o nome “Deus” dá a falsa ilusão de que todo mundo está falando do mesmo Ser-É. Mas não é assim. De fato, certas descrições que ouço fazerem de Deus, para mim, são perfis do Diabo apenas. Sim, no meio cristão há um nome para a divindade, porém, as divindades são muitas; e se Deus fosse um só e a soma de todas essas visões, Ele mesmo, para ser um esquizofrênico mais honesto que demônios, teria que dizer quando Moisés indagou seu nome: “Legião é meu nome, porque somos muitos”; ao invés de apenas ter dito: “Eu Sou”… te enviou — como de fato fez. Por esta razão o nome “Deus” não me diz nada, a menos que a descrição seja a do Único Deus Vivo e Verdadeiro, e que não é o deus de Calvino, mas o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo; e que disse: “Eu e o Pai somos um”; ou ainda: “Quem me vê a mim, vê o Pai”. Quanto ao mais, tanto mais quanto a Graça se torne um entendimento para você, tanto mais todas essas coisas se tornarão irrelevantes para você! Agora, me fale de você, de sua alma, etc… Você é solteiro? Por que prostitutas e não a mulher ou a namorada adulta? Sim, o que impede você de se tratar conforme a sua idade, sexualmente falando? Ou o trauma da cocaína foi tão grande que você misturou uma coisa com a outra? Ou há mais… e que você não quis ainda falar… algo como um “possível e até provável espinho na carne de Paulo…”? Quanto às suas raivas, penso que elas têm a ver com tudo isto. Mas se você desejar e confiar, logo você estará calmo; pois, na maioria das vezes, tais raivas e surtos são apenas manifestações de nossa incapacidade de autoconvívio. Se desejar, abra tudo! Nele, em Quem todos são eleitos para a vida, pois o Cordeiro foi imolado antes de haver mundo, Caio

O que é o caminho estreito?

1 comment

Posted on 10th julho 2008 by Roberto in Cartas

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Prezado Caio, É “mais ou menos” dessa forma que posso dizer que estou no caminho estreito? Jesus quer dizer mais sobre andar no caminho estreito? O que é “o reino de Deus é ganho a força”? Olhe esse texto: “Os cristãos não se distinguem dos outros homens, nem por território, nem por língua, nem pela maneira de se vestir.
Eles não moram em cidades próprias, não usam uma linguagem particular, nem levam um tipo de vida especial.
A sua doutrina não é conquista do gênio inquieto de homem perscrutadores; nem professam, como fazem alguns, um sistema filosófico humano.
Vivendo em cidades gregas ou bárbaras, conforme a sorte reserva a cada um, e adaptando-se aos costumes da localidade, na maneira de vestir, de comer, e em todo o resto de seu viver, dão exemplo de uma forma de vida social maravilhosa, que, como todos confirmam, tem em si qualquer coisa de incrível.
Vivem em sua respectiva pátria, mas como estrangeiros. Participam de todos os deveres como cidadãos e suportam as obrigações como estrangeiros. Qualquer terra estrangeira é pátria para eles, e qualquer pátria lhes é terra estrangeira. Casam-se como todos os outros e geram filhos, mas não os abandonam. Tem em comum a mesa, mas não o leito. Vivem na carne, mas não segundo a carne. Passam a sua vida na terra, mas são cidadãos do céu. Observam as leis estabelecidas, mas com seu modo de vida superam as leis. Para dizê-lo em uma só palavra os cristãos são no mundo, o que a alma é para o corpo.” II D.C. Um cristão anônimo a um pagão de nome Diagoneto, descrevendo o modo de vida dos cristãos. Um abraço, Silvio  ___________________________________________________
Resposta: Meu irmão amado: Graça e Paz! O Caminho é Estreito porque tudo se concentra numa só coisa: em Jesus e em Sua Graça. Fora…ficam as justiças próprias, as superioridades, os desejos de poder e conquista, a propaganda moral auto-glorificante, o espírito de juízo e julgamento, e os caprichos homicidas e utilitários em relação ao próximo. No Caminho entra-se pela Porta Estreita, que é estreita apenas para quem deseja enfiar consigo todas essas coisas para dentro. É Estreita porque por ela só passa o ser que creu na justiça de Deus em seu favor…e deixou tudo para trás. Deixar tudo para trás não é um ato externo, é uma decisão interna. É dentro onde ficam as bijuterias de minha justiça própria e arrogância, e que são maiores em quantidade que as riquezas de faraó. Com justiça própria ninguém entra. O camelo passa, mas o ser auto-convencido de que com seus aparatos de justiça própria ele pode; e, não só isto, mas que crê que pode entrar por causa de suas próprias justiças, esse fica fora. Note que quando Jesus disse isto havia um tipo de gente que se sentiu “fora” justamente porque, apesar do estreitismo de sua visão, eles sabiam que tentavam fazer os seus camelos passarem pelo fundo da agulha: os fariseus, e os ricos auto-suficientes em sua riqueza generosa. Os publicanos e pecadores-candidatos naturais à Porta Larga, e ao Caminho Largo, da Perdição-foram justamente os que mais entraram pela Porta Estreita. E por que? Porque eles não levavam consigo uma “Mudança de Caminhão” cheia de apetrechos de justiça própria e mobília de conquistas morais. A Porta é Estreita apenas para quem deseja não levar consigo qualquer outra coisa que não seja confiança no amor de Deus. E quem deseja se despojar tanto? Andar na Graça é andar despojado de justiça própria e viver revestido de Cristo. Entrar pela Porta Estreita é um milagre. Ninguém “acerta” por conta própria, e nem por méritos próprios. De fato, entrar pela Porta Estreita é tarefa impossível para os homens; é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha. Ou seja: é impossível. Mas, Jesus disse: “Os impossíveis dos homens, são possíveis para Deus”. Portanto, trata-se de algo impossível aos homens. Somente Deus torna esse “caminho largo o suficiente para eu passar”. Pedro se conflituou quando viu Jesus olhar para o “jovem rico”, amá-lo, e depois não se impressionar com seu currículo de bondades; ao contrário, dizer a ele que se a questão fosse de “barganha com Deus”, então, que ele fosse, vendesse tudo, e voltasse para segui-Lo. E o homem retirou-se triste por ser dono de muitas riquezas. A questão de Pedro foi: “Sendo assim, quem pode ser salvo?” A resposta é simples: Ninguém. A salvação está na total falta de fé nas justiças próprias, e na total fé na justiça justificadora que vem do fato de Deus ser amor; e o justificador dos homens. O que Jesus queria fazer? Fazer o homem se perder? É claro que não. Ao contrário: o Caminho Estreito tem que ser visto por mim como total impossibilidade. Só quando ele é impossível para os homens é que vemos que “para Deus tudo é possível”. Portanto, os que andam no Caminho Estreito não têm dietas, vestuário, jeitos especiais de se comportar, ou qualquer outra coisa. São apenas seres humanos constrangidos pelo amor de Deus, e que desistiram de se apresentar a Deus e aos homens com as imensas alegorias de suas justiças próprias, nessa Sapucaí de desfiles de belezas que não sobrevivem à tempestade. O Caminho Estreito é o caminho da fé, pura e simples; e completamente confiante no fato de que eu sou uma solução divina na minha total impossibilidade de me tornar uma solução para Deus. Somente quando eu desisto de ser uma solução humana para Deus, é que me torno, em Deus, pela minha impotência, parte da solução divina; visto que essa só se opera na consciência que sabe que não pode; é aí que a Graça se instala como o milagre que faz “esse camelo aqui” entrar pelo fundo da agulha…sem nem saber como…e sem poder negar que o milagre aconteceu. O mais é invenção humana. É doutrina dos fariseus sobre a Porta Estreita, que é um dos textos mais pervertidos do Novo Testamento; pois ao invés de ser o Caminho de Jesus, passou a ser uma estreita passarela de desfiles de fariseus, vestidos de fariseus, e tentando convencer o mundo de que a salvação é uma moda de vestuário, de morais, de costumes, de culturas e, sobretudo, de justiça própria. Do ponto de vista de Jesus, isso que nós chamamos de Caminho Estreito, é o que Ele chama de Caminho Largo. Sobre “tomar o reino à força”, saiba: significa isso mesmo; visto que o maior esforço que um homem que deseja salvação pode fazer é desistir de seus próprio esforço, e confiar na Graça de Deus. Você conhece tarefa mais pesada do que essa? Estranho, largar todo peso, é a coisa mais difícil para mim. Meu maior esforço é esse: me esforçar para não me esforçar; confiar é que é difícil. Aqui no site tem muito mais coisas sobre este tema. Se você procurar você vai achar. Nele, em quem minha salvação era impossível para mim, e se tornou um milagre Nele, Caio

www.caiofabio.net