Meu pastor, meu medo e minha fobia

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Posted on 4th julho 2010 by Roberto in Cartas

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Te olho nos olhos
Creative Commons License photo credit: GilbertoFilho .

Querido Caio, meu pastor.

Recebi tua resposta há alguns meses e desde então tenho tentado digeri-la – e mais: vivê-la!

Só que como você mesmo nos ensina aqui, tudo é fácil quando não estamos vivendo, quando não estamos no olho do furacão.

Daí porque eu re-alimento a questão (recalques, eu sei), perguntando: “Se a santidade vem de Deus e não do homem, por que eu me bato tanto (poderia ter escrito esmurro também) pra conseguir me apropriar dela e pra conseguir ser santo e não ferir a Santidade de Deus?”

Cara, você deve ter noção sim de como é horrível a gente estar em luta conosco mesmo a todo o momento. A luta de não querer, como se lê na Bíblia, entristecer o Espírito Santo

Cara, eu sinto nestes últimos dias que Ele simplesmente foi embora. Sumiu. Me abandonou. Ou eu teria abandonado Ele?

Nem sei se agora peço a sua ajuda. Só sei que pra mim tá difícil. São dias tristes em que a Graça parece passar à minha frente sem que eu consiga tomar posse dela… (o Philip Yancey fala disso em “Maravilhosa Graça”, que li, achei lindo, forte, poderoso, mas não consigo viver…).

Tomar posse…

Ah! Cara, eu tô de saco cheio desse negócio de religião! De ficar repetindo palavras do tipo “o meu casamento é o melhor!”… etc etc etc, como se pela repetição a gente fosse se apropriar de algo…

Pode até ser que sim, que se apropria, mas fica por ali um cheiro de maracutaia. De que não é isso. De que é algo maior viver em Cristo…

Mas ao mesmo tempo eu leio o último texto publicado hoje (26.08) da resposta ao nervoso rapaz chamado de fariseu e encontro na fala dele, aqui e ali algo que me chama. Algo de religioso que sussurra aos meus ouvidos: “Vem, vem…”.

Taí, desculpa Caio, sou mais uma alma infeliz e conturbada a te escrever…

Caio, nosso pastor amado.

Caio, aquele que se entristece com o nosso não-entendimento.

Mas saiba, eu tento. Eu tento.

Serei mais um daqueles que apenas foram chamados?

E ainda por cima me colocam pra tocar lá na frente todo domingo.

E tomar conta de células.

Tomar conta e “trabalhar” com os jovens…

Com quem além de você eu posso me abrir?

Ore por mim, eu te peço.

Um forte abraço,

Pós-escrito:

Caio, eu te escrevi as linhas aí em cima no dia 26.08, e retransmito como
você pediu que fizéssemos, já que tudo sumiu do teu lap. Abuso da tua
paciência e encaminho outro pedido de socorro, digamos assim, que está
publicado no meu blog e que retrata ainda mais a minha condição hoje com
Deus. Condição? Que coisa mais esquisita esta que eu escrevi… Ato falho?

Eis o texto:

“O grito”

Em dias assim eu queria ser um pássaro. Um bicho qualquer – menos barata, que abomino -, mas um bicho que não pensasse em nada. Um ser assim inóspito, suficiente na sua limitação animal.

Digo isto porque faz três dias que voltei a tomar meu remédio a base de clonazepan, a fim de que eu consiga suportar minha existência.

Tudo veio do nada.

Eu voltava de viagem e minha esposa me deu uma palavra dura – que noutro tempo nem poderia ser dura -, e eu fui esvaziando como aquelas bexigas de festa que depois de cortado o bolo vão perdendo a graça.

Tomei 20, depois mais 10, depois mais não sei quantas gotas e agora estou
aqui debruçado sobre este teclado pedindo socorro.

A quem?

A mim mesmo, talvez.

É nestas horas, eu mesmo já preguei sobre isto na igreja, que tudo deveria fazer sentido em Cristo.

É nestas horas que a gente deveria sentir aquela alegria que os Evangelhos dizem vir do Senhor.

Mas eu não a sinto.

Resta aqui dentro um vazio imenso.

Enorme.

De dar medo.

Seja qual for seu credo – mesmo que nenhum – ore por mim.

Estou mal.


(15.09.04)

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Oi Caio, desde já me desculpo pelo tamanho da carta.

Eu sou aquele teu conterrâneo que já te escreveu em algumas oportunidades e você, gentilmente, respondeu. Naquelas ocasiões a gente falou sobre a neurose de santidade, coisa e tal.

Pois bem. Acontece que muita coisa mudou na minha vida de três semanas pra cá.

Eu não pude mais agüentar algumas coisas e saí do ministério onde aceitei a Jesus há quase quatro anos.

Tem sido difícil porque eu re-nasci lá. Lá também eu cresci, aprendi quase tudo o que sei, e tive até algumas experiências sobrenaturais sim, posso dizer. Enfim, eu estava de corpo, alma e espírito lá. Mas isso foi por um tempo. Isso porque meu espírito não estava mais lá de uns tempos pra cá. E minha alma estava ficando adoecida ao invés de curada…

Digo isso porque há alguns meses eu comecei a me incomodar com algumas coisas: a carga de submissão; o lance de você nunca ser alguém com uma opinião, mas um rebelde; o medo que eu tinha – e ainda tenho – do pastor, e muito mais.

Não posso dizer que tudo isso tem a ver com o esquema do G12 que lá é praticado, mas talvez com a personalidade do pastor mesmo. Caio, ele se diz sanguíneo (numa classificação rastaquera que apareceu por aí e que está na apostila do G12), mas eu acho que muitas vezes ele foi e é mal-educado mesmo…

Bom, mas eu não quero falar mal dele, ainda mais porque ele sempre pregou sobre a maldição de Miriam. Aliás, eu tenho tentado esquecê-lo e tudo o que de ruim ele me falou.

Pra você entender algumas coisas – e eu sei que posso estar te cansando, mas considero importante contar – esclareço que eu era ministro de louvor/música lá. Mesmo sendo novato eu era a pessoa que comandava a equipe de música e ministrava o louvor. Eu também abria alguns cultos e pregava a Palavra em outros. Bom, mas a coisa foi se desgastando, e em que pese o lema do ministério ser a família, eu estava abandonando a minha. Isso porque eu vivia lá na igreja, de segunda a segunda. Muitas atividades, muitas mesmo.

E eu fui cansando. Fui desanimando. E tudo isso sendo um dos 12 do pastor…

Bom, ocorre que alguns dias antes da minha saída eu falei pro pastor que a coisa tava ruim, que eu estava preocupado com a minha família, e que também achava que o lema do ministério não estava sendo cumprido e ele me disse que ia ver. Mas numa noite ele me liga em casa e diz de bate-pronto: “Olha fulano, se o ministério está atrapalhando a sua família, abra mão dele então, porque eu sei quem sou e não admito ouvir dizer que a igreja está atrapalhando a sua vida.” E disse mais: “veja o que está pegando pra você e decida”. E por fim, diante de uma pergunta minha sobre o que fazer – se eu deveria ficar com minha família ou com a igreja – , ele me disse: “Aí você me coloca numa sai justa, eu não sei, você é quem tem que decidir, mas o que eu não aprovo é domingueiro na liderança da igreja.”

Cara, foi um baque!

Ainda que eu quisesse mesmo sair já há algum tempo, digo que a coisa toda doeu, e ainda dói na verdade. Tudo sangra aqui dentro, ainda que eu queira esquecer esta história.

Depois disso, Caio, eu decidi mesmo sair. E me senti mais leve. Mais solto. Mais humano…

E logo no domingo seguinte fomos, eu e minha esposa, a outro ministério e nos sentimos bem. Ouvimos a Palavra, bebemos dela e ficamos felizes, como você diz, encontramos um lugar onde se anuncia a Boa Nova da Graça de Deus.

Mas aí veio o fatídico dia… Seis dias depois do telefonema, ele, o pastor veio aqui no meu trabalho, numa agência de publicidade.

Cara, eu tremia, tremia, tremia. E isso é absolutamente anormal para um cara de 39 anos, publicitário, pai de três filhos, com quase 17 anos de empresa, respeitado por todos.

E ele me perguntou se eu não ia falar com ele sobre a minha saída. Que eu estava me escondendo na caverna. E que ele ficara sabendo dela, da saída, por outras pessoas do ministério que haviam me procurado.

E eu respondi que não me sentia em condições ainda de procurá-lo e que por isso não havia feito isso.

E ele aí começou a dizer coisas que me deixaram e ainda me deixam preocupado. E é por isso que te escrevo hoje… Pois fiquei e estou mal com tudo o que ele me disse.

Ele disse:

1º. Que eu não era discípulo, porque discípulo é submisso;

2º. Que eu não agüentara o primeiro tratamento mais forte e tava correndo;

3º. Que eu estava saindo por um capricho da minha mulher;

4º. Que eu que era um homem espiritual, mas que estava indo pela cabeça de uma mulher com uma visão material das coisas e que, portanto, isso não era de Deus;

5º. Que não sabia de que altar eu andava comendo;

6º. Que eu estava enterrando o talento que Deus me dera e que isso era passível de inferno;

7º. E que ele e eu tínhamos feito uma aliança no céu – quando eu tinha sido ungido um dos seus 12 – e que agora eu estava querendo pegar uma borracha e apagar isso sem mais nem menos.

Bom, em resumo foi isso.

Foi até engraçado porque eu disse pra ele que desde a minha decisão de sair, e até aquele momento, eu até que estava gostando da minha mulher de novo, tendo apetite por ela de novo, mas que agora, diante de tudo o que ele estava me dizendo, eu tava até pensando em me separar… (eu dou risada pra não chorar…).

E disse ao final que não ia orar por mim porque não era de Deus a minha saída.

Eu só escutei e fui adoecendo com aquilo tudo. Mas no final disse que se fosse pra quebrar a cara em outro ministério, eu tinha que quebrar. Mas que nunca ia me esquecer do que ele tinha me ensinado. E se tivesse que voltar, voltaria e ficaria no banco sem problemas.

Bom, foi isso.

E hoje eu te confesso que eu estou aqui, uma semana depois deste terrível “papo” com ele, todo perdido.

Cara, eu me sinto fraco, sabe. É como se alguma coisa tivesse me sugado. Será que isso é sinal de que não deveria ter saído?

Sabe, uma das coisas que me fizeram sair é que ele não admitia que eu lesse e comentasse sobre você (de repente um destes altares estranhos na visão dele…).

E eu não podia ficar num lugar sem poder ser verdadeiro.

Estranho porque ao mesmo tempo em que eu me sinto aliviado por ter saído, eu me sinto mal com isso tudo.

Daí eu te pergunto: eu estou amarrado a ele? Eu estou fadado a viver assim, com medo dele? Eu tenho que voltar lá de novo e me desculpar de tudo de novo – até do que não fiz – e me humilhar pra conseguir a bênção dele?

Ah, Caio! Se você estivesse em Manaus eu iria pro Caminho da Graça.

Obrigado pela tua força.

Um dos teus textos intitulado “Veja o que a Graça pode fazer por você” me deu muita força antes e agora na minha saída.

E o legal disso tudo, sei lá, é que um dos 12 veio até aqui e me disse que as coisas com a minha saída iam mudar e elas mudaram. Ele aliviou a carga dos compromissos, mas eu ainda assim confesso que me sinto um refém psicológico dele.

Como me libertar?

Um forte abraço,

Como escrevi na ultima carta, Caio, meu pastor.


Observação: Eu e minha esposa estamos ansiosos pela tua resposta, Caio. Muitas pessoas dizem tanta coisa, mas o que queremos e precisamos é da direção de uma pessoa de Deus, e conseqüentemente, sensata como você.

Te amamos!

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Oi Caio, Graça e Paz!


Dias atrás te escrevi sobre minha saída do grupo religioso onde eu estava, e de outras questões como a minha ligação com o pastor de lá. Eu sou o famigerado neurótico pela santidade (risos).

Aliás, eu era.

Digo isso porque meio que tudo dentro de mim já passou: as neuras que eu tinha àquela época (recente, eu sei); as encucações acerca da minha ligação com as pessoas e com a pessoa do pastor lá, idem. Tudo, em absoluto, meio que o tempo levou pra debaixo de algum tapete.
E a fase e frase é bem essa mesmo: debaixo do tapete.

Eu sinceramente não tenho mais pique pra me relacionar com demonstrações de ligação com o Divino.

Fruto do g-12, talvez.

Fruto da minha natureza, certamente.

E que natureza é essa? Olha, pelo pouco que me conheço é uma natureza cansada de quase tudo, sabe…

Engraçado como as coisas perdem as cores; né?

Perdi o apetite: des-gosto.

Será que a existência será sempre essa coisa dolorida para os que insistem em pensar sobre ela?

E como parar de pensar?

Tenho medo de estar relativizando o absoluto.

Medo de relativizar a um ponto em que, sendo quem eu sou – detalhei isso na outra mensagem – eu caia novamente nas mãos de alguém como o que me “gerou” em Cristo.

E sabe… Eu tenho medo de relativizar isso também. Essa tal gestação em Deus…

Lembro agora que certa vez passeando por aqui eu li alguma coisa sua dizendo que contigo não tinha sido mais uma historinha… Que contigo Deus tinha se revelado de FATO e de VERDADE.

Ah, eu não alcanço isso…

Um beijo,
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Oi Caio.

Vi hoje a re-publicação duma resposta muito carinhosa sua para uma fase em que eu me preocupava com a tal santidade. Saiu com o título “Neurose de Santidade”.

E daí, do alto da minha dor de cabeça que não passa, eu li tudo de novo e pensei: “engraçado como isso não me afeta mais…” (…) “engraçado como isso era tão importante à época…”

Assim eu vejo mais uma fase que foi. Mais um percurso que se encerrou. Tanto quanto aquele outro percurso sobre o qual lhe escrevi: falo das mensagens angustiadas que te mandei logo após a minha saída da igreja onde eu congregava.

Cara! como o tempo levou tudo isso embora…

Como as coisas – quase todas as que se referem a fé e outras instâncias – estão sem cor pra mim hoje.

Mais um percurso?

Talvez.

Beijo grande.
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Resposta:


Meu amado irmão: Graça e Paz!

Embora nossas primeiras cartas tenham sido sobre “santidade neurótica”, acompanhei os desdobramentos de suas cartas posteriores sem poder interagir como gostaria, posto que estive adoentado no início do ano, como você sabe.

Na realidade, perdi duas correspondências suas para mim, uma das quais só achei ontem à noite, a qual aqui transcrevo também, a saber: a carta na qual você confessa seu pavor pelo pastor g12, seu preceptor em Cristo.

Ora, fui procurar possíveis correspondências perdidas nessa pilha de milhares de e-mails que estão aqui alojados no meu Outlook, e encontrei a tal carta; o que muito me angustiou.

No entanto, o que me levou a tentar buscar “elos” perdidos em nossa correspondência, foi a sua última Carta Descolorida. Foi então que descobri a Carta do Tudo Varrido Para Baixo do Tapete.

Ora, ler todas as cartas na seqüência—e aqui não colei tudo o que li, a fim de não tornar tudo longo demais—, percebi que sua estrutura psicológica foi muito mexida pela sua experiência na igreja do pastor g12.

No entanto, também percebi que só houve esse impacto todo em razão de que psicologicamente você já era frágil, e, pelo que percebi, isso é algo que o acompanha há muitos anos.

Se eu tivesse que pintar um quadro, eu diria o seguinte:

Você sempre foi uma pessoa angustiada (neurótica), com intensa busca por uma razão para viver (tendência a depressividade), e que já vinha sendo medicado em razão de tais aflições interiores, até que chegou na igreja, e, ouviu algo do Evangelho, alegrou-se, entregou-se, e viveu com alegria as ocupações que recebeu, visto que você é um homem talentoso.

Acontece que a “igreja” estava funcionando apenas como “terapia ocupacional” para um homem com forte tendência à depressão, e que, agora, encontrara um significante modo de servir e expressar seus dons e talentos, o que deu a você um novo ânimo para a vida.

O problema é que como você também é muito inteligente, logo viu as doenças que lá havia, aos montes; e, além disso, começou a se angustiar ante o processo de desindividualização que o tal G12 produz em todos aqueles que se submetem ao espírito de tal ‘clonagem’.

Quando você me escreveu a primeira vez a piração era acerca da sua “neurose de santidade”. No entanto, esse tema ainda é bastante superficial se considerarmos o todo de seus conflitos.

Na realidade o que aconteceu é que você ficou sabendo que em Jesus você tem vida, no entanto, dada a experiência tão trágica na igreja g12, você iniciou um processo que combina as frustrações presentes com as tendências e realidades depressivas que já existiam dentro de você.

A emoção que sua carta acerca do pastor me passou, foi a de “um menino que foi seduzido e controlado pelo líder de uma seita”.

Seu medo, seus tremores, seus temores, seus suores, suas mãos geladas, suas noites insones, seu pavor…

E quando você disse: “Como pode? Eu? Um homem de 39 anos, pai de filhos, publicitário, respeitado…?”—e com medo; você revelava o desencontro profundo entre a sua razão e as suas emoções.

De fato, certas vezes, sua carta chegou a soar como a carta de uma amante dependente e apavorada, e que havia traído o seu homem. Isso porque até mesmo a proposta do pastor g12 era uma proposta de amasiamento e conjugalidade: ou sua mulher ou ele.

O fase do “jogar tudo para baixo do tapete”, conforme você mencionou num dos e-mails, após a sua saída do G12, era apenas uma tentativa de sublimação de algo que ainda estava aí, e com muita força. Ora, como você passou por cima sem olhar o que era—jogou pra baixo do tapete—, o monstro voltou na forma do Descolorido.

Percebi que você evita até mesmo pensar em sua conversão, pois, como aconteceu tendo o pastor g12 como preceptor, você teme concluir que como ele é doido, sua experiência com Deus não tenha sido válida. Daí, hoje, você até mesmo pensar que nem mesmo teve um encontro com Deus.

Ora, seu problema não é com Deus, mas apenas com você mesmo. E mais: enquanto você olhar a vida com esse medo, nada de bom lhe acontecerá.

Você disse que tem tudo para ser feliz—mulher, sexo bom, filhos lindos, bom trabalho, etc—, mas afirma que não consegue, posto que tudo se descoloriu bem diante de seus olhos.

Você mesmo diagnosticou uma dependência doentia que se instalou na sua relação ou caso ministerial com o pastor g12.

Ora, isso me leva a fazer a você algumas indagações, as quais, eu espero que você entenda, posto que meu único desejo é ajudar.

1o Como era seu pai e como era ou é sua relação com ele?

2o Alguma vez na vida você já se sentiu emocionalmente atraído por algum homem?

3o Você já esteve antes na vida numa posição de submissão a alguém?

4o Como e em que ocasião sua depressividade se manifestou a primeira vez? E com que idade?

Ora, pergunto estas coisas porque considero que tudo o que você me narrou é apenas sintoma de algo mais profundo, e que precisa ser descoberto; isso para que você tenha paz para poder se tratar.

Enquanto isto, leia aqui no site uma Entrevista Sobre Discipulado, pois, eu sei que nela você terá também as respostas às perguntas que me fez acerca de sua relação com o pastor g12; ou seja: se deve pedir perdão a ele e voltar a levar a Canga-G-12 sobre seus ombros para sempre, ou não.

Além disso, tome o N. Testamento nas mãos e os salmos, e os leia sem buscar nada. Apenas leia. Leia em paz. Não busque emoções, nem sensações, nem choros, nem revelações, nem coisas sobrenaturais… Apenas leia, e deixe-se lavar pela Palavra.

Na realidade você foi profundamente condicionado e mentalmente higienizado pela “lavagem gedoziana”, e, agora, precisa ser limpo e lavado de tais condicionamentos que se fixaram em suas emoções.

E mais: não associe a Graça de Deus a emoções. A fé baseada em emoções não é fé, mas apenas sensações. Na Graça de Deus a gente anda apenas pela fé, mesmo que não haja nenhuma emoção. Isto porque a vida na Graça se baseia em fé e consciência acerca do que Jesus fez e Consumou, e não em arrebatamentos que supostamente validam ou não a presença de Deus em nós.

Eu nunca vi um anjo, nunca rolei no chão em tremores, nunca ‘caí no Espírito’, nunca levei um tapa do diabo, nunca senti que minha cama estava sendo sacudida, nunca…

Falo em línguas, mas isso é coisa simples. E não baseio minha vida com Deus em nada disso. Portanto, quando disse que não sou filho de uma “historinha”, mas de um encontro verdadeiro, eu não dizia nada além do fato de que sei que conheço a Jesus, e isso pela Palavra, e pela atualização que o Espírito faz dela em meu coração todos os dias, me chamando para entregas cotidianas, e para uma vida de confiança; ou seja: tudo pela fé.

Assim, me responda, por favor, as perguntas que lhe fiz, pois, uma vez que tenha as respostas me sentirei mais confortável para lhe sugerir algumas coisas mais práticas. O que posso lhe garantir é que se você crer e confiar, tudo isso vai passar, e você terá paz para usufruir o bem que habita a sua vida, e que é pura Graça de Deus.

Receba meu beijo amigo!


Nele, em Quem ninguém serve com medo,

Caio

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Oi Caio.


Antonin Artaud diz que certas emoções não cabem em palavras. E é assim que eu tenho me sentido ao receber tanto carinho e atenção de você. Não há palavra que expresse meu sentimento.

Desculpa mas o texto ficou extensíssimo. Tentei te responder tudo e talvez algo mais.

Obrigado.

[Respostas às suas perguntas:]

1. Como era seu pai e como era ou é a sua relação com ele?

A relação com meu pai, hoje, é de empatia. Foram anos, confesso, para que a minha mágoa em relação ao abandono que ele fez da nossa família – quando eu tinha 7 anos de idade – passasse.

Hoje muitas vezes eu olho pra ele, meu pai, e vejo um cara que foi engolido
pelas conseqüências da via, digamos assim. Quais sejam:

a. Um casamento ruim que depois passou pra outro pior ainda.

b. Uma descoberta minha de que ele é um cara fraco, cheio das suas angústias, medos, desejos de relações sexuais com outras mulheres que acontecem na mais sórdida surdina – e eu aqui não estou julgando isso nele, porque também muitas das vezes eu me vejo tentado a ir pelo mesmo caminho.

c. Vejo também que ainda hoje eu e ele meio que forçamos uma amizade – que é até sincera (ele até diz que dos 5 filhos, eu sou o único com quem ele se abre, fala das suas fraquezas etc) -, mas que ao final é uma amizade que eu sei estar em segundo plano sempre, visto que meu irmão mais velho – o primogênito – é quem de fato liga pra ele com mais freqüência, se preocupa com as coisas dele.

d. Engraçado, paradoxal, mas é uma empatia de atração e “deixa-pra-lá”.
Somos, ao final, meio que cúmplices das nossas vias tortas.

e. Tenho um pai, Caio, mas sinto que eu esperava em Deus, e no preceptor “gedoziano” um pai melhor.

f. Por fim, meu pai quando soube da minha saída do ministério g-12 disse que já tinha isso como certo, porque na visão dele eu estava fazendo sombra pro outro pastor, e que na verdade – ele me disse isso anteontem – eu agora só preciso mesmo é de um púlpito e de um povo pra tomar conta, porque ele me assegura que quando eu trago a Palavra ela vem forte, ela vem clara, ela vem como as pessoas deveriam ouvir.

g. Confesso que me surpreendi com essa declaração dele. Eu que achava que ele tava me achando um fanático, um doidivanas. Mas ele me disse anteontem que não, que ele na verdade teve no início ciúme do pastor g-12, mas agora sabe que eu fui “promovido”, e que vou tocar este caminhar no Caminho na boa.

h. Como é então minha relação com meu pai? Em resumo: um medo de ter todos os defeitos que vejo nele, e, ao mesmo tempo, um parceiro/cúmplice das suas (nossas) angústias.


2. Alguma vez na vida você já se sentiu emocionalmente atraído por algum
homem?

Sim e não. Na adolescência eu tinha um medaço de ser homossexual. Era muito magro, esquisito, de repente tinha até – e talvez tenha ainda hoje – alguns trejeitos que não seriam classificados como de um cara macho: daqueles que coçam o saco e cospem no chão. Tudo isso até porque meu irmão mais velho era esportista – chegou até a ser jogador de futebol profissional – e eu fazia aquelas fatídicas comparações. O cara lá, todo gostosão, dono de si, a mulherada dando o maior mole, e eu ali em casa ouvindo meus discos, fumando meus cigarrinhos e pensando na morte, lendo Cruz e Souza. Um fato que me marcou foi quando na faculdade eu encontrei numa prateleira um livro ilustrado do Jean Genet, se não me engano, e levei um baque ao ver aquele desenho de dois homens transando. Os dois em pura ereção. Foi um baque.

Lembro que fechei o livro na hora e aquilo me moveu a nunca mais querer ver este tipo de coisa. Daí porque digo que hoje eu sou heterossexual mesmo. Gosto de mulheres. Mulheres delicadas, femininas, que apreciem um bom vinho, um bom papo, e um ótimo sexo. Não tenho fantasias com homens, definitivamente. Se a extensão da pergunta chega na hipótese da minha relação de “amante traída” pelo pastor g-12, posso afirmar com todas as letras que jamais passou pela minha cabeça ter um caso ou transar com ele. Acho homens bonitos, bonitos; ainda que me sinta, via de regra, diminuído perto deles. Mas não passa disso. A coisa de acharem que sou isso ou aquilo já não me afeta mais, definitivamente. Pra falar a verdade mais clara possível eu gostaria muito é de namorar muitas mulheres. Sentir todos os seus perfumes, sentir todas as suas formas, sabores. Isso sim eu gostaria. Mas não posso. Seria uma tremenda sacanagem com a minha esposa. Pra te contar um fato muito importante pra mim, houve uma mulher – mulher mesmo, fina, inteligente, apaixonante – com quem tive um relacionamento extraconjugal e depois de tudo eu aprendi que só fiz machucar as pessoas e eu mesmo. Ela me disse, na última ligação que atendi: “Se você sabia que não podia me ter inteira, porque levou adiante?” Ainda sinto saudades dela. Mas amo minha esposa. Re-aprendi a amá-la. Na verdade se não fosse minha esposa eu talvez nem estivesse aqui agora digitando estas linhas pra você, Caio.


3. Você já esteve antes na vida numa posição de submissão a alguém?

Sim, sempre. É uma coisa doida o que acontece comigo. Como chefio mais de 30 pessoas, com eles eu sou o cara que manda, desmanda, ainda que tudo no respeito, na amizade, sem tiranias. Mas quando se trata de ser o comandado eu fico todo murcho. Todo medos. Todo temores. Minha relação com minha esposa, por exemplo, é uma relação na qual eu prefiro que ela tome as decisões. Tome conta da grana. Tome conta de tudo. Eu quero meio que ficar alheio. Já no trabalho eu gosto de comandar as coisas. Saber de tudo. Ter tudo sob controle, sob o meu controle. Mas mesmo sabendo que sou um cara competente, tenho o maior medo do meu chefe. Medo mesmo. Passa pela minha cabeça que ele pode me mandar embora a qualquer momento e que eu vou estar frito. E isto me tira noites de sono muitas vezes. Lá no esquema g-12 a submissão era total. Ainda que eu com muita espiritualidade tirava um sarro da coisa pra não ficar tão pesada e o pessoal me colocava pra ser o porta-voz das lamúrias que sempre pipocavam. Dentro disso tudo fica sempre aquele papelzinho ridículo que eu faço – ainda que sempre prometa pra mim mesmo não mais fazê-lo – de falar o que eu sei de antemão que vai agradar o sujeito que manda em mim…. Coisa ridícula essa… Na verdade eu tenho um sonho de ser como o João Gilberto Noll, aquele escritor gaúcho que recebe uma verba da editora pra se enfiar num buraco e produzir um livro por ano. O Rubem Fonseca também. Tenho estes sonhos: de não ter que me relacionar com as pessoas. Agorafobia. Solipsismo. O João Padilha, que escreveu “Bolha de Luzes” tem um personagem que é a minha cara (risos). Detesto ir a festas.

Até as da minha família me estressam. Ter que ficar puxando assunto, coisa e tal. Mas olha o engraçado: eu vou, me relaciono superbem (falando quase sempre o que o povo quer ouvir) e todo mundo fica “apaixonado” por mim… Só rindo…

De qualquer forma eu tento não confundir autoridade com legitimidade. Mas eu sou péssimo pra delimitar as zonas de relevância. E sofro demais com isso.
4. Como e em que ocasião sua depressividade se manifestou a primeira vez? E com que idade?

Cedo, muito cedo. Logo depois que meu pai foi embora, eu lembro que um primo nosso veio nos visitar e minha mãe começou a chorar, chorar, chorar, e aquilo me angustiou muito. Fiquei triste pra cacete. Com raiva também. Eu tinha 7 anos. Depois veio a fase da adolescência, das comparações com meu irmão esportista, e dos dias, meses, anos, passados sozinho em casa, ouvindo o Michael Jackson na vitrola e pensando em viver a vida dele, que, definitivamente não era a minha. Me achava feio demais. E olha que não sou nada feio (risos). Foram natais, anos-novos, todos passados sozinho. Meu irmão jogando bola na Europa, meu pai com a mulher dele e seus outros filhos, minha mãe com os namorados dela eu ali, assistindo o Barros de Alencar, descobrindo a masturbação e cigarros como companheiros e olhando o mundo pela janela da nossa casa alugada. Eu sentia já à esta época – 13, 14 anos – a mesma coisa que agora aqui dentro pulsa em mim: um desespero, uma impressão de que vou explodir, de que vou fazer alguma merda. Depois, mais tarde, como era natural, me liguei naquela fase “dark” em que a gente só andava de preto, lia Baudelaire, ouvia Pink Floyd, The Cure e assistia sem parar o Marlon Brando em Apocalipse Now. Eu via as meninas, e pensava: “Puxa, eu te amaria tanto se você me deixasse.” Mas nada rolava… Depois mais velho, 30 anos por aí, fui fazer terapia com um cara super legal e anotava tudo no meu “Diários do Subterrâneo”. Foi nessa época que comecei a tomar o clona misturado com clomipramina, triptofano e outras coisas e dei uma despirocada. Mas resolvi parar.

Eu sei que cabe ao analista fatiar e eu depois juntar em casa. Mas minhas “gestalts” parecem que não fecham nunca. Só abrem, abrem, abrem.

Minha esposa sempre me diz: “Cara, todo mundo sofre, não sei porque você não relaxa….” Mas eu sempre re-encuco. Tenho medo de ficar desempregado. Tenho um medaço do meu diploma e do que não fiz com ele. Tenho tudo. É isso. Tenho um amigo que diz que eu ainda sou feliz porque tenho estas âncoras de preocupação, porque caso contrário eu já teria partido.

O que mais me irrita – e você foi mais-que-perfeito ao escrever sobre o “desencontro profundo entre a minha razão e minhas emoções” – é justamente saber que eu tenho tudo pra ser feliz. Tudo, em absoluto. Vejo gente na pior e feliz. E eu aqui choramingando. Mas ao mesmo tempo eu sinto que não é chorinho de filhinho de papai (que não sou, diga-se, visto que desbravei meu caminho sozinho e com minha esposa), é uma coisa pior que eu não sei o que é.

Ufa! Acho que é só tudo isso.

O mesmo amigo de que lhe falei acima me diz que a arte existe justamente pra gente sublimar a existência. E você também disse isso de certa forma. Mas eu fico naquela de achar que as minhas pinturas, os meus textos, o meu blog, tudo o que eu faço, e faço muito bem, não estão dando conta do recado. As letras estão invertidas pra mim. E eu tinha mesmo muita esperança naquela terapia ocupacional. Mas será que sempre será assim? Sempre eu vou ter que depender de remédio e terapia? Que pai serei para as minhas filhas?

Tenho medo da máscara cair.

Um beijo Caio.

E como disse é inefável o que você tem feito por mim ao direcionar parte do seu tempo pra mim. Te agradeço eternamente. Eternamente mesmo.

Bom, Agora chega de te importunar.

Beijão.

E aparece em casa pra gente tomar um bom vinho e bater um papo.
Pode acreditar, eu não sou tão ruim assim como parece (risos).
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Resposta:

Meu amado amigo: Graça e Paz!


Se tomássemos o caminho da psicanálise para tratar a questão, certamente você seria um “prato cheio”, por tudo o que narrou antes e agora. No entanto, meu amigo, eu não creio que a psicanálise o ajudará muito. Na realidade eu creio que o que você precisa é se ligar a Deus em um conhecimento profundo, e que seja o resultado de sua entrega em amor a Jesus e ao Evangelho. Mas fazer isso no nível psicológico também; ou seja: “de todo o teu coração”.

Escavar sua alma poderá apenas desenterrar defuntos que já nem sejam tão importantes assim. De fato, a cada dia que passa, mais me convenço de que as grandes mudanças são simples; e são fruto de uma rendição da mente ao amor. Ora, esse amor do qual estou falando é uma escolha, uma decisão, uma consciência.

É obvio que num mundo como o nosso (com tantas propagandas de prazeres, de hedonismos, de surubas, de mulheres gostosas—mais de uma na cama—, de gozos e gostos, e de experiências novas), quase todo mundo que eu encontro está na sua situação: se pudesse, soltaria a franga, pegaria todas, não pouparia a si mesmo de nenhum gosto ou prazer.

No entanto, todo esse “sentir”, é fruto do curso deste mundo e de sua propaganda maligna e perversa; objética e fetichista; rápida e prática; sem nomes ou compromissos; com possibilidade de variedade quase ilimitada de experimentos.

Ora, o que vejo a cada dia que passa é que todo mundo está sendo atingido por esse espírito que cobre a terra como um manto; o qual abraça as almas com o abraço que não abraça, que é o abraço da carência e da aflição, e que diz para a alma humana que a passagem de cada pessoa pela Terra terá tido valor apenas se a pessoa “experimentar” muitas coisas nesse mundo de múltiplas ofertas, e, no qual, as escolhas da alma acontecem num Shopping Center de escolhas vazias e pobres.

Assim, deixando Freud de lado e também a religião, especialmente essa gedoziana, quero recomendar a você alguns exercícios e disciplinas:


1. Já que você decidiu investir em seu casamento e que está conseguindo bons resultados, então, aprofunde-se ainda mais. Dedique-se a amar sua mulher; a fazer amor com ela; a tratá-la com carinho e consideração; e, sobretudo, com reverência por ela.

2. Trate sua insegurança em relação às figuras de autoridade como coisa de natureza espiritual. Ou seja: combata essa insegurança e esse medo com confiança. Sim, com confiança. Confiança em Deus, meu amigo, é entregar, descansar, e viver sabendo que existe um Cuidado e uma Provisão sobre nós. Assim, lhe digo: mais do que qualquer coisa você precisa conhecer a fé como confiança. Quando isto acontecer, você verá que como por encanto tudo isto vai desaparecer. Sim, se sua visão acerca de Deus ganhar confiança, então, você verá que sua vida mudará completamente; e você será possuído por uma segurança que você nunca conheceu.

3. Trate a questão do pastor gedoziano da seguinte maneira: Não se grile com o que houve. Fique longe de lá. Não mexa mais com esta questão. Vire essa página. E saiba: eu sou “pastor”, “reverendo”, e todas essas outras bobagens da religião funcional e estatal. Ora, é justamente por essa razão que lhe digo que nenhum pastor desse mundo é alguém “a mais” para Deus do que você. Na realidade, o sistema gedoziano usou as formulas de “autoridade espiritual” do Lee, e, a elas acrescentou o controle piramidal e a obsessão pelo crescimento numérico; sem falar num sem-número de outras tolices. Todavia, a pior coisa que eles fizeram foi a ressurreição do sacerdócio individual de alguns em favor de muitos: os “apóstolos atuais” chamam para si mesmos esse papel totêmico; eles só não aceitam é o lado avesso do totem, que é a execração. Ora, um homem com suas dificuldades naturais com a questão das figuras de autoridade, posto num lugar gedoziano, não tinha como não desenvolver as fobias e pânicos que você desenvolveu. Você já os tinha; porém, lá, as coisas ganharam contornos mais sérios para você, e que é o resultado de se misturar uma fraqueza psicológica com o medo que a religião patrocina em relação à figura de Deus; e de seus representantes na terra; no caso gedoziano, o “apóstolo”. Portanto, considerando os antecedentes, posso dizer que você saiu até muito bem dessa encrenca psicológica. Tem gente que não sai. Atendo um monte de pessoas que enfermaram dentro dessa “rodinha de hamster”, que é o G12, bem como dentro de todas as demais coisas que andam no seu espírito de quantificação, controle e clonagem.

4. Acalme seu coração uns meses, e, depois, comece a reunir os irmãos. Sim, há muitos como você aí; além de que eu creio que o exercício de uma liderança feita a partir do conhecimento do significado do que é se sentir oprimido pela autoridade, pode dar a você uma grande vantagem no exercício de um papel de liderança. Isto se você não esquecer que também “já foi peregrino e estrangeiro” em terras de reis controladores e opressivos.


5. Há também em você um forte desejo de não ter crescido. E essa falta de desejo na maturidade independente e confiante tem feito muito mal a você. Portanto, recomendo que você leia o livro “A Trilha Menos Percorrida”, de Scott Peck, pois creio que nele você encontrará bons fundamentos para entender a si mesmo; bem como também nele você discernirá o significado do que seja maturidade, segurança e amor.


Por enquanto é só isto. O mais é muita leitura dos evangelhos, em voz alta, e a leitura dos salmos, em voz alta. Faça isto todos os dias. Ouça o que está lendo. E depois escolha a passagem que tenha “escolhido” você—porque o que tenha tocado—, e passe um tempo em silêncio, meditando nela; depois saia em paz.

Ora, todos esses conselhos são dados levando em consideração que você deseja viver “vida mansa e tranqüila, com toda piedade e respeito”. No entanto, eu sei que o apelo deste mundo de seduções é para que você se entregue a uma existencialidade de experiências e experimentos, os quais, saiba, eu sei, por experiência própria, nada fazem de bom à alma, e a ela nada acrescentam; exceto dor.


Receba meu amor e reverência pela sua alma!

Nele, em Quem nada nos falta,


Caio

www.caiofabio.net

Livre da neurose missionária

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Posted on 13th fevereiro 2010 by Roberto in Reflexões

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Hoje sei que sofri de uma profunda neurose missionária , enquanto, também, era movido por muito amor . Mas nem por isto a neurose não estava lá. Só que em mim ela somente passou a fazer mal quando a motivação do amor diminuiu, abrindo espaço para que a motivação do objetivo tomasse conta quase que por completo de meu coração.

Bons eram os objetivos. Mas sem amor nenhum bom objetivo me aproveitará!

E mais: intensos objetivos que não são fruto do amor, se tornam neuroses .

E para onde foi o amor?

Foi para as muitas atividades. Foi para um surto imenso de dívida para com todos em razão dos dons que em mim havia. Foi para a vontade de ver na História uma diferença. Foi para alvos cada vez mais amplos e difusos. Foi para a sutil alegria de sentir os resultados nas vidas das pessoas como compensação para a sua tristeza pessoal. E, sobretudo, foi-se embora pela desilusão de ver que no horizonte histórico a “igreja“, que deveria ser “sinal do reino”, não se fazia melhor do que o resto da humanidade – digo: não melhor em qualquer forma de superioridade moral ou de qualquer coisa dessa natureza, mas, sim, em saúde humana, psicológica e espiritual; e, além disso, de experiência profunda de Deus.

Antes eu tinha as minhas alegrias em Deus e tinha a alegria de ver a Graça de Deus agindo em indivíduos.

Mas agora, muitos anos depois, eu me via forçado a conviver com os “líderes” (coisa que no passado não havia, pois eu apenas pregava e eles apareciam para ouvir) – e tal convívio me foi horroroso, visto que quanto mais admitia a presença deles ao meu convívio (na maior parte das vezes recebendo-os, mas também tendo que aceitar seus convites solenes para pregar), mais me desiludia quanto ao fato de que pudesse ainda haver salvação para o fenômeno humano e histórico chamado de “igreja” (com toda a sua visibilidade institucional).

Desse modo, em não mais do que cinco anos, mesmo depois de ter sido movido sobretudo por amor a maior parte de minha existência na fé, agora, me via levado pelos movimentos e pelas obrigações da posição, da representação, da necessidade, da importância, e das diplomacias que de mim se demandavam.

Ora, se o amor é esfriado, o que sobra, na melhor das hipóteses, é a neurose missionária.

O foi o que sobrou em mim em alguns poucos anos. O coração sabia o modo certo de fazer as coisas. E fazia. Mas o mesmo coração havia perdido a alegria do amor.

E você pode até dar a volta ao mundo falando do amor de Deus em tal estado. E você pode ver coisas lindas e milagrosas acontecerem mesmo com o coração em tal estado. E você pode ficar laborando em auto-engano em razão da fantasia que tais afirmações externas trazem a você.

Deus, entretanto, queria me dar descanso . E mais que isto: queria me libertar da neurose missionária .

Antes de conhecer a Adriana sonhei três vezes que uma mulher que tinha exatamente a aparência dela, vinha a mim e dizia que viera para me dar descanso.

Ainda antes disso eu escrevera que o personagem “Abellardo Ramez II”, do meu livro “Nephilim” (1999), buscava mais que tudo em Deus a possibilidade de sentar e descansar. Sim! Ele não agüentava mais viver em pé mesmo quando deitava . Sofria de Neurose do Dever.

Ora, nos sonhos que eu tivera com a mulher que era a como a Adriana, eu sofria por ter (cansado de tudo) tido energia para abrigar a muitos, menos a mim mesmo, que estava em pé, na casa de minha avó, enquanto todos dormiam.

Assim que conheci Adriana, ela que acabara de ler o “Nephilim”, me disse que gostaria muito de ver o “Abellardo assentado”. E há muitos outros intrincamentos históricos calcados em elementos subjetivos, e que marcam nosso encontro. Todavia, um dos mais significativos, foi esse aspecto do descanso e do assentar-se em paz.

Hoje, depois de trabalhar pela manhã, estava andando pelo jardim molhando as plantas, alimentando os passarinhos, e plantando e mudando de lugar umas plantas, com a ajuda de meu amigo, cujo apelido faz-lhe jus ao nome, o “Jovem”.

Depois, subi, respondi mais uns e-mails, e, após isso, olhei de cima para o jardim lá em baixo, cheio de passarinhos, e me dei conta do quanto minha alma mudou nos últimos 10 anos. Ora, naquele tempo, nem nas férias eu me sentia relaxado. Parecia que relaxar era negar a intensidade da vida.

Hoje eu sei que não é assim. Afinal, sem tanta correria, minha vida continua bem intensa, mas, diferentemente de antes, a cada dia me sinto mais e mais intensamente relaxado .

Intensamente relaxado não é algo outra vez intenso, só que ao contrário?

Não! O que estou dizendo é que existe uma intensidade temática e de pensamento em meu ser, mas tal intensidade não carrega no meu sentir a obrigação de fazer disto um “algo”, uma “coisa”, um “fato”, uma “realidade” – todas essas coisas externas a mim, e para o bem dos outros.

O que é, é. Assim, faço minha parte com calma, e não me desespero, pois, Deus fará o que lhe aprouver.

Assim, sinto que a cada dia mais ando descansado . Mas ando … Só que ando descansado . E melhor do que tudo é andar; e ir; mas fazer isso descansado na alma.

Ora – isto ao mesmo tempo em que falo acerca de todas as coisas viscerais das quais falo e com as quais me envolvo.

Se o mundo está acabando, minha oração é uma só: quero viver tudo, com todos, com toda alegria, com toda paz, e com todo amor.

Afinal, este mesmo seria o meu chamado para ser nesta ou em qualquer outra geração ou tempo histórico; pois, o chamado para ser é um só, e não mudará, mesmo que este seja o último dia.

Nele , que é o nosso descanso,

Caio

21/03/07

Lago Norte

Brasília

Sonho: Seu mar é seu Deus calvinista (I e II)

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Posted on 27th novembro 2008 by Roberto in Cartas

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Mareggiata Sea storm
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—– Original Message —–

From: SONHO: SEU MAR É SEU DEUS CALVINISTA

To: contato@caiofabio.com

Sent: Wednesday, February 22, 2006 12:23 AM

Subject: Sobre sonhos!

Olá pastor Caio! É sobre sonhos, já que outro dia ouvi você pregando sobre isso, e achei que talvez você pudesse me ajudar. Tenho sonhado nos últimos quatro anos com um sonho que, pra ser sincero, pastor, me causa uma certa apreensão. Digo nos últimos quatro anos pelo fato de eu ter sido apresentado ao Evangelho no início de 2002, pois até então, e eu já estava com vinte e cinco anos, e jamais havia tido esse tipo de sonho, jamais. É o seguinte: ondas. Não ondas gigantes, como nos filmes, mas ondas assustadoras. O tempo sempre está nublado, e é de um realismo impressionante. As ondas, apesar de não serem do tamanho de um arranha céu, são muito mais assustadoras e realistas do que em qualquer filme que eu já vi. E tem mais: o som. É pastor, o som é brabo, brabo. Mas ainda não parou por aí: pessoas assustadas, desesperadas, tentando se segurar em pedaços de concreto ou em alguma coisa enquanto o mar se aproxima. E por último, pra fechar com chave de ouro, pra não dizer o contrário, eu no meio delas, também assustado e confuso, tentando me agarrar em alguma coisa para não ser tragado para dentro daquele ambiente tenebroso, o mar revolto. Assim como você disse na sua pregação acerca do seu sonho, eu também não paro de me perguntar o que isso significa. Perguntas do tipo: “Será que eu não me converti, ou não fui convertido, ou não sou convertido”; o que quer que seja! “Será que eu vou ficar por aqui depois que Jesus voltar e vou ter que me virar no meio dos que ficarem? e etc, e etc, e etc”. Deus é soberano pastor, qualquer que seja o meu destino, eu não tenho forças, nem ânimo, nem motivação para ficar correndo atrás e tentar mudá-lo. Se Deus, na sua presciência, sabe que o meu destino final é perecer, por não ter fé suficiente para me entregar a Ele de todo o meu coração, o que eu posso fazer? Se eu naquele Dia ouvir: “aparte-se de mim, nunca te conheci!”; eu o direi: “justo!”; pois sei que sou transgressor. Nem sei o que estou falando pastor, mas é verdade, seja qual for o resultado, eu o aceitarei com mansidão, se é que isso é possível para o caso de o resultado ser o pior. Vou me abrir pra você pastor: Jesus me libertou da droga, me deu uma nova vida, com direito a novos amigos, novos ambientes, novos sonhos, começou a me encorajar a enfrentar situações que até então eu não queria enfrentar; e mais uma série de coisas que eu não consigo expressar…, não consigo entender…, mas que estão acontecendo a cerca de quatro anos na minha vida, pois não fui criado no Evangelho. Já tentei fugir, desistir, querer ficar na minha, mais não tem dado certo, acabo voltando. Sabe pastor, eu não gosto muito desse termo “certeza da salvação”, como os crentes, em especial os pentecostais, mas sem preconceito contra eles, estão acostumados a dizer. Eu não tenho esse mantra na ponta da língua, igual os de Mateus 7 tinham, e na hora H a coisa ficou terrível pra eles, ou pior, ficará. Tenho tido experiências com Deus; a Sua atenção me tem constrangido, me tem feito mudar de idéia nos momentos de indecisão e tentar buscá-Lo novamente; e assim por diante. Acho que se Ele me disser naquele Dia que nunca me conheceu, embora eu vá considerar totalmente justo, realmente vou ficar um pouco surpreso sim, não por mim, jamais, mas por Ele. De fato acharei estranho se Ele me disser que nunca me conheceu. Grande abraço e vê se aparece aqui pela Igreja… Tenho lido o seu livro, Confissões, o meu pastor me emprestou. Abração e fica na Paz, Jonas.

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Querido amigo Jonas: Graça, Paz e Bons Sonhos! Sonhos, meu amigo, são coisas importantíssimas ou apenas descargas do Inconsciente. Neles você pode ter a liberação do lixo do dia e de suas impressões ruins; pode ter comunicação da alma com você, tentando contar-lhe acerca dela mesma; e pode ter anúncios de natureza pré-monitória, ou profética…etc. É obvio que aqui fiz uma hiper-simplificação, mas se você fizer uma pesquisa no site escrevendo a palavra “sonho”, aí em “Busca”, você vai achar tudo o que, aqui, sobre sonho, já escrevi. Faça isto; pois assim não tenho que escrever tudo outra vez. No momento, quero apenas dizer o que senti de sua carta-sonho. Gostaria de dividir sua carta em três tópicos que se interligam. Vejamos: 1. Seu sonho como impressão arquetípica presente em toda a humanidade. Diante do medo, do mistério, do inusitado que habita a vizinhança da vida, etc…— a alma coletiva cria suas formas comuns e inconscientes de comunicação. Eu, por exemplo, creio que existe algo como o Inconsciente Coletivo, e acho que tanto tenho a base teórica para essa crença, como também, vejo nas Escrituras farto material sobre isto, só que sem nome, mostrando-se apenas como “fenômeno”. Ora, o mar, carrega esse carga arquetípica na própria Escritura: o mar é mistério, é separação, é abismo desconhecido, é a imagem mais forte que a alma tem para falar do que teme e do que tem força e poder, e o deixa impotente… etc… É dele que Jesus disse que virão os bramidos que farão os homens desmaiarem de terror pela expectativa das coisas que sobrevirão ao mundo; é dele também que vem a Besta que emerge do mar; é ainda se diz que ele “acabará” como carga arquetípica; pois, ao final, se diz: “… e o mar já não existe”. Esta é a primeira coisa: o mar é mistério, separação e impotência para os humanos. Assim, sonhando de modo recorrente há quatro anos o mesmo sonho, sobre o mar, sua alma chama a sua atenção para a sua relação com o mistério, com o desconhecido que existe em você, e, além disso, trás a você essa expectação de juízo; e apenas porque você está carregado de juízo. 2. O mar também é arquétipo apocalíptico, como já vimos, tanto nas menções do V.T., como também em Jesus e no Apocalipse. Ora, Jesus disse que haveria gerações inteiras que seriam invadidas pelo Tsunami do medo do futuro, e que fariam isto em pânico diante das coisas que sobreviriam ao mundo. E, para mim, tal referencia se estabeleceu sobre sua mente, e habita, como medo, o seu Inconsciente. E veja que esse sonho tem quatro anos de recorrência; o mesmo tempo de sua conversão. 3. Possível sentido do sonho: Seu “mar” é seu “medo”. Medo do Todo-Poderoso, medo de Deus, medo do futuro, medo da existência, medo de seus pecados (me escreva e fala disso que o oprime, sem medo); e um medo calvinisticamente domesticado para fora, porém, para dentro, existindo em estado de convulsão e pânico. Digo isto porque você é tão calvinista, que aceita dizer: “Justo, Senhor, por me mandares para o inferno!” Só que seu calvinismo não lhe dá paz, mas apenas resignação ante a Soberania de Deus, a qual, mesmo que você ache “estranha”, é por você aceita, ainda que pareça maldade e perversidade. Para mim, saiba: tal visão é fatalista, perversa, elitista, jactante, e adoecida; não porque Deus não seja Quem Deus é; mas apenas porque o calvinismo não é revelação de Deus, sendo apenas um grande esforço humano para entender e sistematizar o insistematizável: o Deus que é; e que é Soberano. Ora, sendo assim, quero apenas dizer que o que lhe falta é a tal certeza da salvação, a qual você tanto abomina nos lábios jactantes, como eu também. Quando falo de “certeza”, falo na perspectiva do Evangelho, no qual, tal certeza é apenas fé; e, como tal, não se baseia em “boas obras” de ninguém; porém, exclusivamente na Graça de Deus. A Soberania de Deus e a Graça de Deus são a mesma coisa; embora, no calvinismo, a Graça seja quase um departamento central de Deus, mas ainda sob o comando de uma “instância” chamada de “Soberania”. Assim, para muitos calvinistas a Soberania de Deus se associa ao poder Dele de saber tudo, ver tudo e antecipar tudo desde de sempre. Entretanto, enquanto se perdem em tais divagações que apenas nos remetem para doutrinas de angustia e aflição, ou de jactância e eleição orgulhosa, não percebem que a Soberania de Deus, antes de tudo, é a liberdade de Seu amor, e não as demonstrações de Seu poder. O “Deus” soberano dos “calvinistas” acaba sendo um Hercules com onisciência, onipotência, e onipresença. Mas, apesar disso, é Doido, e Nele não se pode confiar, mas apenas desconfiar… enquanto se diz que se é salvo pela fé…, mas se alimenta no coração o fato de que a tal “eleição” é um capricho divino, por mais que os doutrinadores mais lúcidos dessa doutrina se esforcem por diminuir as implicações do horrível fatalismo ao qual ela, mal compreendida, sempre conduz. E você é a prova disso; posto que diz amar a Jesus, diz crer em sua justiça; e se põe, ao mesmo tempo, entre os “lobos vestidos de ovelha” de Mateus 7. E diz: “Vou estranhar se Ele disser que não me conhece; mas direi: justo!” Até aqui ensinaram a você não que Deus é Soberano, mas “déspota”, e no pior sentido do termo, não conforme e etimologia da palavra, mas sim conforme sua conotação maligna. E mais: não ensinaram a você que a consciência de transgressão não é o fim da jornada, mas seu inicio, para, então, a partir daí, se erguer a base da fé na Graça, na qual somos salvos apesar de nós, conforme Paulo de cabo a rabo. Assim, meu mano, conquanto o mar ainda vá assombrar toda a humanidade e em não muito tempo depois de hoje, seu sonho, todavia, está impregnado é de seu medo de Deus. Seu “mar”, simbolicamente, é seu “Deus”, do ponto de vista psicológico. Sim, sua relação com Deus é tão insegura quanto a sua relação com o mar! Sugiro a você deixar de ler “calvinismos” e passar a ler a Palavra, direto da fonte, e não pelos filtros da religião e seus doutores; todos bem intencionados; porém, tanto pela tentativa de sistematizarem a verdade (tolice!), como também em razão da tentativa de oferecerem um “Deus mastigado” e pronto para ingestão (doutrina e sistematização), criaram um fast-food doutrinário que tem, cada vez mais, o poder de gerar indigestão nas pessoas. Leia também o site, pois, aqui, você aprenderá sobre o significado do Deus Soberano, como também aprenderá que a maior manifestação da Soberania de Deus é a Sua Graça, e não o Seu Todo-Poder. A Soberania de Deus é fruto de Seu inexplicável amor, e não de Seu súbito mal-gênio, ou de algum surto “narcisista” que Ele possa ter… Sabe Deus em razão de quê!? Creia no amor de Deus, e que de Suas mãos ninguém, nem o mar, poderá arrancar você, e seus sonhos de mares perversos acabarão! Mas primeiro admita que o “Deus” que lhe foi ensinado é poderoso e sem alma como o Mar! Faça o que lhe sugeri e volte a me escrever em 1 mês. Mas leia a Palavra e mergulhe no mar do site. Nele, em Quem nenhum Tsunami da existência poderá nos arrebatar de Suas mãos, Caio

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Continuando…

Bom, pastor, então vamos lá! Com relação ao fato de os meus sonhos serem uma espécie de manifestação do medo que eu tenho desse “deus calvinista”, é provável que sim; pois foi esse deus, cuja soberania está acima do amor, que foi inoculado na minha mente durante mais de três anos, nas escolas dominicais; e pior: foi o primeiro “conhecimento” acerca de Deus que me foi passado na vida. Porém, um ano antes de eu mandar essa mensagem do sonho pra você, aconteceu uma coisa que me fez começar a repensar sobre esse “deus calvinista”. Eu estava numa reunião na casa de uns irmãos de outra denominação, eu era o único calvinista. De repente surgiu uma discussão sobre predestinação; e a coisa ficou feia. Eu estava muito ensoberbecido; e acabei me exaltando. Só depois que eu cheguei em casa e a minha mente foi aos poucos esfriando…, é que eu percebi no que eu havia me tornado: um sujeito digno de pena! A partir daí comecei a orar, olha só, pedindo para que Deus me ajudasse a suportar os meus irmãos da outra denominação, do jeito que eles eram; não para que mudasse a minha visão acerca Dele, de Deus. Mas pela sua graça ele fez justamente o contrário: começou a mudar a minha visão acerca dele e da eleição, um processo que continua até hoje (me desculpe pastor, mas não gosto muito de ficar colocando essas iniciais maiúsculas o tempo todo quando o termo se refere a Deus, nem na bíblia aparece assim, mas tudo bem, pode ser que eu esteja errado). A partir de então, passei a encarar a eleição como uma coisa muito mais relativa do que a daquela visão absolutista dos calvinistas. Continuo crendo na eleição, até porque existe suporte bíblico para ela, principalmente no Novo Testamento, mas agora de uma forma diferente. Imaginemos a seguinte situação, pastor: Imagine todos os povos que viveram nas Américas de dois mil anos antes de Cristo até a sua encarnação, só dois mil anos antes tá bom, porém sabemos que foi muito mais tempo. Eu posso te garantir, e você sabe muito bem disso, que esse contingente de milhões e milhões e milhões de pessoas ao longo desses dois mil anos que antecederam a encarnação do Verbo, JAMAIS, NUNCA ouviram uma palavra sequer acerca do Deus hebreu, do verdadeiro e único Deus. Eu pergunto: todo esse contingente de milhões e milhões e milhões de homens, mulheres, crianças e idosos foram lançados sumariamente no inferno? Eu não acredito nisso, mas há muitos, muitíssimos, principalmente do evangelho do “aceita Jesus ou vai pro inferno”, que crêem dessa forma. Eu não acredito! Creio que a eleição se faz até necessária em razão dessa e de outras situações. O meu medo de Deus então talvez se justifique mais por causa dos meus pecados, mas é claro, só é assim porque ainda resta muita coisa impregnada daquela visão absolutista de um deus onde a soberania está acima do amor. Como eu te disse: usei muita droga, era viciado em cocaína, começando cedo, dos 15 aos 25 anos. Durante esse período eu era terrível, quebrava as coisas dentro de casa o tempo todo, era muito agressivo. Depois que eu conheci o Evangelho, apesar do médico ter virado pra mim e dito que o meu diagnóstico, em face ao resultado de todos os exames que ele havia me pedido, era de alguém que nunca havia usado drogas na vida, que não havia nenhum vestígio, eu creio que ficou uma espécie de seqüela no meu sistema nervoso, a qual dificilmente pode ser diagnosticada, mas infelizmente, ou felizmente, constatada. O que me preocupava não são os pecados que cometi antes do Evangelho, sinceramente não, mas sim os que eu cometi depois. Cheguei a me deitar com prostitutas no começo, mas me arrependi; já faz dois anos. Tenho um temperamento muito difícil; briguei com pessoas dentro da Igreja; também me arrependi; mas só Deus sabe se irá ou não acontecer de novo. Cheguei recentemente a quebrar algumas coisas aqui dentro de casa por causa de uma enfermidade, etc. Isso me assusta porque ouço o tempo todo que se você não consegue largar isso ou àquilo, alguma coisa tá errada com você, referindo-se a conversão. Fico imaginando que se o espinho na carne de Paulo fosse um problema existencial, o que é uma hipótese perfeitamente aceitável, ou seja, um defeito de caráter, uma tendência homossexual, ao invés de uma enfermidade física, essa gente teria colocado em dúvida a sua conversão. Bom, pra falar a verdade, pastor, eu acho é que tem alguma coisa errada é com eles mesmos. E, por último, com relação à “certeza da salvação”, também nunca cri dessa forma, como a maioria dos crentes crê. O que acontece é que o somatório das minhas experiências diárias com Jesus vai gerando na minha alma uma confiança, uma segurança interior, e não uma certeza meramente racional. Claro, se eu tenho me relacionado com ele diariamente, se tenho provado do seu amor, como poderei ouvir naquele Dia que ele nunca me conheceu? A não ser que o significado original do verbo conhecer que está lá seja diferente. Mas é isso pastor, minha relação com os meus irmãos da outra denominação está ótima, faço com eles uma reunião de oração e estudo bíblico toda a semana; na Igreja idem; os conflitos ficaram para trás; embora eu seja uma espécie de barril de pólvora ambulante; e na família, tentando segurar a barra, me omitindo um pouco é verdade, poderia estar fazendo mais; tenho trabalhado, Deus tem providenciado os recursos; enfim, tudo está encaminhado e no controle das mãos do Senhor Jesus, pronto. Resquícios da doutrina ainda existem, insegurança ainda existe, medo ainda existe, mais sigo em frente desse jeito mesmo; fazer o quê? A vida que Jesus me ofereceu, apesar de tudo, é incomparavelmente melhor, mais saborosa, mais prazerosa, do que tudo aquilo que eu vivi antes de conhecer o Evangelho. É isso meu caro, estou aberto para você falar o que quiser. Por enquanto é só. Fica na Paz e um abração, Jonas. _________________________________

Amado amigo: Graça, Paz e Bons Sonhos! Vejo que nos últimos três dias você fez grandes progressos interiores; basta comparar as duas cartas; e os dois espíritos seus que elas manifestam. Graças a Deus! Antes de qualquer coisa, um esclarecimento: uso algumas palavras em CAIXA ALTA com o propósito de chamar atenção para a importância delas naquele contexto. Quanto à “Ele”, “Sua”, “Graça”, “Soberania”, e Igreja e “igreja”, são todas expressões de ênfase, pois, sem elas, infelizmente a maioria não entende a diferença. Você, por exemplo, apesar de dizer: “… me desculpe pastor, mas não gosto muito de ficar colocando essas iniciais maiúsculas o tempo todo quando o termo se refere a Deus, nem na bíblia aparece assim, mas tudo bem, pode ser que eu esteja errado”—, sem querer fez a mesma coisa. Ora, veja como isto é seletivo, pois, na Bíblia, igreja nunca aparece como Igreja, mas sempre no minúsculo. Você, porém, escreveu tudo minúsculo, mas quando chegou a “hora de falar de igreja”, você escreveu: “…na Igreja idem; os conflitos ficaram para trás..”. Ou seja: a igreja ainda é algo mais “maiúsculo” para você do que qualquer outra coisa; e é para isto que se deve examinar também, além dos sonhos, os nossos atos falhos, os quais, de um modo ou outro, cometemos falando, escrevendo, etc… Sobre o que você narrou, o que tenho a dizer, com todo carinho, é o seguinte: 1. Você é de Jesus; pois ninguém que tenha se colocado no “Sim Senhor, é Justo!” (como você disse na 1a carta), por mais que não esteja provando o bem da paz do Evangelho para si mesmo já na Terra, é amado e conhecido por Deus; pois Deus é amor; e não sou eu quem o entende, mas Ele que me compreende; do contrario eu seria o Deus de “Deus”. 2. Sobre os alienados que existiram antes do Evangelho ser historicamente anunciado como “informação”, saiba: minha tese de ordenação ao ministério, aos 21 anos de idade, foi sobre esse tema, para o qual a minha alma nunca teve outra certeza senão a do amor de Deus por todos os homens; e tudo o que não falta na Palavra é base para tal certeza-fé. Outra vez me perdoe enviar você para o trabalho no site; porém, se você for lendo, verá que este tema já está bastante tratado aqui no site. Escreva “Melquizedeque” também em “Busca”, e você verá que a coisa é muito mais profunda do que a eleição sistematizada por Calvino pôde alcançar. 3. Calvino foi o Aristóteles do Protestantismo. Leio-o com carinho, mas o acho insuportavelmente chato; pois escreve sem profundidade filosófica, sem charme, se estilo, sem provocação, e como se fosse uma “bula doutrinária”; uma “prescrição de como lidar com Deus”; e sem graça, apesar de tanto falar em Graça e Fé. Além de que, sinceramente, nele encontro um homem culto, mas não um gênio, e nem mesmo um ser de inteligência criativa; ao contrário, vejo um homem austero e sincero, e que deu tudo de si para dar testemunho do Evangelho em sua geração. Meu lamento é que ele que poderia ser um fundamento razoável, tenha se tornado um teto tão baixo; tão baixo quanto o de um mosteiro dos capuchinhos portugueses, onde quem entra tem que se curvar todo. Além disso, sinceramente, sei que o próprio Calvino, que não era besta, mas temente a Deus, se vivo estivesse hoje, já teria entendido melhor um monte de coisas que, no seu tempo e com as informações que dispunha, não lhe foi possível discernir melhor. Por exemplo: toda a visão que Calvino tem de “tempo” é ainda de natureza medieval; e seus estudos sobre a predestinação estão presos a uma presciência linear; e, portanto, medieval e católico-aristotélica. Ou seja: para ele a eternidade era ainda um tempo sem fim; ou seja: ainda era uma noção tão básica que ainda era “um tempo”, quando, hoje, se sabe que o conceito de eternidade não tem sua referencia no tempo e no espaço; pois é algo dimensional e não espaço-temporal. Ora, em meio a dezenas de outras coisas que poderiam ser ditas, esta serve para mostrar como Calvino não pode ser o teto de ninguém que queira continuar crescendo no Evangelho. Na minha opinião se Calvino estivesse vivo hoje ele mesmo não seria “calvinista”. Leia aqui no site também tudo sobre “tempo”. Há muita coisa escrita, pois, para mim, quem não discerne isto acaba virando calvinista mesmo. 4. Além disso, no seu aristotelismo sistêmico, Calvino não soube viver o “paradoxo” da Palavra. Sua lógica era tão linear que não percebeu que a Escritura não pode ser sistematizada, posto que seu poder está na sua contradição, a qual, tanto nos deixa totalmente seguros na Graça, quanto também nos manda andar de olho aberto para não cair; e tanto nos diz que Deus é soberano, quanto também nos responsabiliza pelo uso de nossa própria liberdade. É nessa tensão que ninguém se perde e, também, ninguém se jacta; mas antes, vive e respira misericórdia e Graça; com temor e tremor sem medo! 5. Sobre “pecados”, saiba: quanto mais angustiado, culpado, neurótico, aflito, e calvinisticamente se sentido uma bostinha, mais compulsivo você se tornará em seus pecados. Porém, quanto o entendimento da “justiça de Deus no evangelho” lhe for revelada, mais seguro você se sentirá; mais pacificado se tornará; e com muito mais poder de domínio próprio você se manifestará. Aqui no site também há pilhas de textos descrevendo esse fenômeno maravilhoso que nos alcança quando se “descansa” no que está Consumado. 6. Você também fez grande diferença entre o pecado do desinformado acerca do Evangelho e o pecado do ser informado acerca do Evangelho; e, sinceramente, como você colocou, o melhor seria não informar ninguém de nada, que é para não piorar a situação do individuo; pois, nesse caso, o brado deveria ser: “Viva a ignorância do Evangelho!”— já que conhecê-lo (o Evangelho) torna tudo irredimível e cheio de culpa e neurose uma vez que a pessoa peque. Todavia, emocionalmente, você está certo; posto que a própria “igreja” faz tais distinções. Sim, para “ela”, é “ela” a referência determinante para o que foi permitido e já não é permitido aos homens; e, para a “igreja”, a questão não tem a ver com Jesus, se a pessoa o conhece o não, mas apenas se depois de “conhecê-la”, o individuo se comportou ou não. O que você precisa saber para sempre é que Jesus é o Cordeiro de Deus que “tira” o pecado do mundo; e, também, que o tempo verbal no grego equivale à tira, tirou, e sempre tirará. Ou seja: em Jesus não há antes e nem depois. Sim, em Jesus existe somente aquilo que Paulo chama de “nele”, ou também de “em Cristo”. E esta diferença é maior do que a que existe entre o sol e a lua; ou melhor: é maior do que a que existe entre a luz e as trevas. Agora, só mais uma palavrinha. E é acerca de algo que você disse: “Fico imaginando que se o espinho na carne de Paulo fosse um problema existencial, o que é uma hipótese perfeitamente aceitável, ou seja, um defeito de caráter, uma tendência homossexual, ao invés de uma enfermidade física, essa gente teria colocado em dúvida a sua conversão”. Claro que sim! Aliás, se Paulo fosse do Velho Testamento (do antes); não seria assim; afinal, numa galeria de seres estranhos e que até mataram (Hebreus 11), Paulo não teria o espaço de perdão que Davi teve. Mas como ele é um homem do Novo Testamento (do depois); jamais seria perdoado ou incluído em nada. Os crentes meteram na cabeça — e só pode ter sido pelo diabo usando as várias formas de filosofias gregas ou dualísticas — que após Jesus ter vindo ao mundo, os homens ficaram menos eles mesmos, sem todas as suas dores, pecados e dilemas. E eles, os crentes, não vêem em si mesmos tais mudanças, mas as projetam nos apóstolos; os quais, são, para os crentes, seres quase-impecáveis; e, para alguns, impecáveis mesmo. Desse modo é que a “igreja” faz o Evangelho valer para nada. Sim, para coisa alguma! Pois, se tem algum valor, sou eu quem dá tal valor a ele, mostrando que não preciso dele pelo simples fato de eu mesmo ser “uma boa nova para Deus”. Além disso, de que adianta o Evangelho se seu benefício ficou todo no meu passado, antes de eu conhece-lo? Sim, que Boa Nova é esta que apenas me diz que era melhor eu nunca tê-la conhecido? E que Boa Nova é esta que só é beneficio para a humanidade se a “igreja” decidir tirar o traseiro dos bancos de suas mesquinharias e comodidades, fazendo um imenso favor a Deus e à humanidade, indo pregar a “igreja” no mundo, como se fosse o Evangelho? Assim, mano, acalme sua alma, pois Calvino não era a revelação, mas um iluminado pela Palavra; e apenas para ser útil à sua geração; como tentou ser; e, em muitos aspectos, o foi. No meio cristão, para não irmos longe, o nome “Deus” dá a falsa ilusão de que todo mundo está falando do mesmo Ser-É. Mas não é assim. De fato, certas descrições que ouço fazerem de Deus, para mim, são perfis do Diabo apenas. Sim, no meio cristão há um nome para a divindade, porém, as divindades são muitas; e se Deus fosse um só e a soma de todas essas visões, Ele mesmo, para ser um esquizofrênico mais honesto que demônios, teria que dizer quando Moisés indagou seu nome: “Legião é meu nome, porque somos muitos”; ao invés de apenas ter dito: “Eu Sou”… te enviou — como de fato fez. Por esta razão o nome “Deus” não me diz nada, a menos que a descrição seja a do Único Deus Vivo e Verdadeiro, e que não é o deus de Calvino, mas o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo; e que disse: “Eu e o Pai somos um”; ou ainda: “Quem me vê a mim, vê o Pai”. Quanto ao mais, tanto mais quanto a Graça se torne um entendimento para você, tanto mais todas essas coisas se tornarão irrelevantes para você! Agora, me fale de você, de sua alma, etc… Você é solteiro? Por que prostitutas e não a mulher ou a namorada adulta? Sim, o que impede você de se tratar conforme a sua idade, sexualmente falando? Ou o trauma da cocaína foi tão grande que você misturou uma coisa com a outra? Ou há mais… e que você não quis ainda falar… algo como um “possível e até provável espinho na carne de Paulo…”? Quanto às suas raivas, penso que elas têm a ver com tudo isto. Mas se você desejar e confiar, logo você estará calmo; pois, na maioria das vezes, tais raivas e surtos são apenas manifestações de nossa incapacidade de autoconvívio. Se desejar, abra tudo! Nele, em Quem todos são eleitos para a vida, pois o Cordeiro foi imolado antes de haver mundo, Caio