Oração de alguém que só queria falar com Deus

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Posted on 1st dezembro 2010 by Roberto in Cartas

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a prayer.
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Ah Pai!

Já faz tantos anos desde a minha conversão… Quando abri mão de colocar as importâncias fundamentais da minha vida na Sua frente, quando o coração ardia e em meu ventre percorriam os chamados rios de água viva.

Pelos meus amados irmãos eu tive o acesso a graça divina, e, também, infelizmente, a todos os demais obstáculos terríveis que nossas tradições legalistas nos impõem e que tanto atrapalharam naquele início de jornada.

Algo acontecia, aos poucos, e a maldade do meu coração e os cuidados desta vida tão corrida (não seria isto Pai, a me afastar de quem sempre tanto me amou e meu protegeu?) me sufocaram, deixaram mirradas as suas raízes em mim…

Os Teus ensinamentos aos poucos se esvaziaram, me sentia como que um estranho aos teus olhos, com aquela certeza terrível de que a graça se afastava de mim.

Já são 12 anos me afastando de Ti; nunca senti tamanha solidão espiritual como nestes últimos três anos.

Com o distanciamento da graça, fui perdendo o hábito de ir à igreja; não sinto mais falta, nem um pouco.

Mas como dói quando vejo alguns de meus queridos sofrendo nas igrejas pela falta da graça, pela falta dos ensinamentos de Cristo.

Eu deveria estar lá, ajudando-os, mas quem sou eu pra tal? Pensava: não tenho forças pra mim, quanto mais para os outros.

Mas o espírito, invisível e inesperado, resolveu lembrar-se de mim. E de alguma forma, depois de 12 anos sendo moído pelas pesadas pedras que este mundo colocou sobre meus ombros e que eu tão idiotamente aceitei, Tu, oh Pai, me resgataste, me livraste mais uma vez do fardo do pecado e da culpa.

E que momento, Senhor, escolheste?

Minha filha está prestes a nascer, minha primeira filha; e eu te louvo e te adoro porque és o motivo puro e sincero desta vida que, do contrário, quão inútil se vinha fazendo…

Irmão Caio, que terrível “solidão cristã” eu tenho enfrentado!

Nos últimos dias eu tenho estado meio que desesperado para conversar sobre Deus e a respeito de Deus, como que me recuperando de algo que houvesse sido arrancado de mim…

Acho que é por isso que acabei escrevendo…

Era pra ser uma carta, mas virou uma oração para Deus.

Bom, resolvi mandá-la assim mesmo, com este pedacinho pra você, só pra dizer que não deixe a Palavra se perder, não desista.

Podemos achar que não somos muitos…, Deus o sabe, Ele, que nos mantém debaixo de suas asas, aquecidos, há de nos dar o refrigério para realizarmos sua obra, para que a Graça seja alcançada por todo este nosso povo sofrido.

Eu tenho muito a percorrer…

Descobri um grupo do Caminho numa cidade vizinha a minha, vamos ver o que Deus reserva pra nós.

Até,

_________________________________

Resposta:

Senhor! Ouve Teu filho, que contigo fala. Faze-o ouvir júbilo e alegria, para que ele mesmo cante de júbilo!

Restaura-lhe a alegria de ser Teu, pois, assim, ele guiará os seus irmãos em fé e amor carinhoso!

Dá que como nunca antes ele precise muito pouco do que antes procurava. Concede que ele aprenda a alegria de caminhar seguindo a Ti somente. Cobre-lhe com amor maduro e fé constante.

Que a Tua Palavra se abra para ele. Que o Teu entendimento o invada. Que a sabedoria o possua. Que o discernimento seja a coroa da vida dele.

Pai, dá ao Teu filho porção nova do Teu Espírito!

Sim! Que Tu mesmo o enchas de Ti e de mais nada!

É assim que oro por ele, com o mesmo carinho com qual ele a mim escreveu a oração que a Ti fez.

Pai, é no Nome, no Nome Dele, no Teu Nome que a Ele deste, que oro e creio na Tua Graça.

Nele, que é Aquele que se Revela a quem o busca,

Caio

23 de janeiro de 2009

Lago Norte

Brasília

DF

www.caiofabio.net

A lei está matando a humanidade – A morte da consciência

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Posted on 16th outubro 2010 by Roberto in Reflexões

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White, Gray and Blacks
Creative Commons License photo credit: Hamed Saber

Estava assistindo a mais um episódio do Apocalipse bíblico na CNN e na BBC.

É impressionante que as mesmas sementes históricas, culturais, geográficas, étnicas e religiosas continuem a nos mostrar a cara da Humanidade por mais de quatro mil anos.

Os personagens do Gênesis estão vivos em seus filhos e lutas até hoje. Sobretudo Hoje! De fato, a Bíblia não é somente Palavra de Deus — digo “somente” apenas na perspectiva daqueles que vêm a Palavra “guardada” dentro do livro —, mas também a Palavra da Humanidade.

Eu já disse isto: quanto mais se anda de volta ao Gênesis, mais se chega perto dos personagens do Apocalipse.

Agora mesmo, com o assassinato do novo líder de campo de uns dos grupos terroristas em território palestino, o que se ouviu como “razão e lógica” das duas partes foi apenas denúncia moralista. Ambos os lados são hipocritamente moralistas e religiosos em seu modo de fazer “política e guerra”. Ambos os lados evocam “valores”.

Aliás, o novo nome da Lei, nessa fantasmagórica era pós-moderna, é “Valores”. Muda do singular para o plural, mas é a mesma coisa. É apenas uma maneira psicológica de ser legalista. E eu aqui pensando: “Fundados em valores os dois lados vão afundar até a morte.”

Então, fiquei pensando nessa tirania horrível dos valores; sim, de todos eles; coisas “nobres” como honra, coragem, valentia, dignidade, correção, retidão, soberania, liberdade e o escambau ao infinitesimal. Todas elas umas gracinhas! Lindas de morrer…

Então vi como é difícil para a mente humana o exercício da Consciência. Dá vertigem. As pessoas não sabem onde se segurar. Escorregam… Mesmo andando em chão plano crêem que vão cair… Precisam do corrimão da Lei, da Moral, do Politicamente Correto ou mesmo dos Valores e Princípios.

É claro que não é possível haver vida num mundo caído sem que tais “imposições da queda” possam deixar de se fazer presentes; afinal, consciência é coisa rara na terra. A questão é a Lei mata. Sempre. Assim, sem Lei, nos matamos; e, com a Lei, morremos!

Eu tenho apenas Um acima de mim. Lei nenhuma me dá os parametros de meu existir. Em Cristo a fé gera Consciência, não Lei. Acima da Consciência está Deus. Dele provém toda consciência. As demais coisas, mesmo os Valores, têm que estar a serviço da Vida, não da morte. Portanto, a serviço da Consciência, não sobre ela. A menos que Deus não existisse. Então, seria Tirania pela Tirania, no absurdo existir por existir.

A Consciência tem que aprender a não usar “valores” quando o curso da ação deflagrada vai gerar morte. Aí está a Liberdade!

A Lei está matando o mundo. É a guerra dos Direitos. É a suprema arrogância: “Quem é dono do mundo? ” É a mais ardilosa camuflagem: o sangue. É a mais diabólica mensagem: “Liberdade”. É a mais enganosa liberdade: “Chegou a nossa vez de mandar em vocês!”

Odeio a “inteligência” humana!

Ó, Deus, dá-nos Consciência, e derrama sobre nós a Graça de fazer o que é bom, não o que seja considerado digno de morte como justiça própria.

Caio

(Escrito no início de 2004)

www.caiofabio.net

Estava assistindo a mais um episódio do Apocalipse bíblico na CNN e na BBC.

É impressionante que as mesmas sementes históricas, culturais, geográficas, étnicas e religiosas continuem a nos mostrar a cara da Humanidade por mais de quatro mil anos.

Os personagens do Gênesis estão vivos em seus filhos e lutas até hoje. Sobretudo Hoje! De fato, a Bíblia não é somente Palavra de Deus — digo “somente” apenas na perspectiva daqueles que vêm a Palavra “guardada” dentro do livro —, mas também a Palavra da Humanidade.

Eu já disse isto: quanto mais se anda de volta ao Gênesis, mais se chega perto dos personagens do Apocalipse.

Agora mesmo, com o assassinato do novo líder de campo de uns dos grupos terroristas em território palestino, o que se ouviu como “razão e lógica” das duas partes foi apenas denúncia moralista. Ambos os lados são hipocritamente moralistas e religiosos em seu modo de fazer “política e guerra”. Ambos os lados evocam “valores”.

Aliás, o novo nome da Lei, nessa fantasmagórica era pós-moderna, é “Valores”. Muda do singular para o plural, mas é a mesma coisa. É apenas uma maneira psicológica de ser legalista. E eu aqui pensando: “Fundados em valores os dois lados vão afundar até a morte.”

Então, fiquei pensando nessa tirania horrível dos valores; sim, de todos eles; coisas “nobres” como honra, coragem, valentia, dignidade, correção, retidão, soberania, liberdade e o escambau ao infinitesimal. Todas elas umas gracinhas! Lindas de morrer…

Então vi como é difícil para a mente humana o exercício da Consciência. Dá vertigem. As pessoas não sabem onde se segurar. Escorregam… Mesmo andando em chão plano crêem que vão cair… Precisam do corrimão da Lei, da Moral, do Politicamente Correto ou mesmo dos Valores e Princípios.

É claro que não é possível haver vida num mundo caído sem que tais “imposições da queda” possam deixar de se fazer presentes; afinal, consciência é coisa rara na terra. A questão é a Lei mata. Sempre. Assim, sem Lei, nos matamos; e, com a Lei, morremos!

Eu tenho apenas Um acima de mim. Lei nenhuma me dá os parametros de meu existir. Em Cristo a fé gera Consciência, não Lei. Acima da Consciência está Deus. Dele provém toda consciência. As demais coisas, mesmo os Valores, têm que estar a serviço da Vida, não da morte. Portanto, a serviço da Consciência, não sobre ela. A menos que Deus não existisse. Então, seria Tirania pela Tirania, no absurdo existir por existir.

A Consciência tem que aprender a não usar “valores” quando o curso da ação deflagrada vai gerar morte. Aí está a Liberdade!

A Lei está matando o mundo. É a guerra dos Direitos. É a suprema arrogância: “Quem é dono do mundo? ” É a mais ardilosa camuflagem: o sangue. É a mais diabólica mensagem: “Liberdade”. É a mais enganosa liberdade: “Chegou a nossa vez de mandar em vocês!”

Odeio a “inteligência” humana!

Ó, Deus, dá-nos Consciência, e derrama sobre nós a Graça de fazer o que é bom, não o que seja considerado digno de morte como justiça própria.

Caio

(Escrito no início de 2004)

Meu pastor, meu medo e minha fobia

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Posted on 4th julho 2010 by Roberto in Cartas

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Te olho nos olhos
Creative Commons License photo credit: GilbertoFilho .

Querido Caio, meu pastor.

Recebi tua resposta há alguns meses e desde então tenho tentado digeri-la – e mais: vivê-la!

Só que como você mesmo nos ensina aqui, tudo é fácil quando não estamos vivendo, quando não estamos no olho do furacão.

Daí porque eu re-alimento a questão (recalques, eu sei), perguntando: “Se a santidade vem de Deus e não do homem, por que eu me bato tanto (poderia ter escrito esmurro também) pra conseguir me apropriar dela e pra conseguir ser santo e não ferir a Santidade de Deus?”

Cara, você deve ter noção sim de como é horrível a gente estar em luta conosco mesmo a todo o momento. A luta de não querer, como se lê na Bíblia, entristecer o Espírito Santo

Cara, eu sinto nestes últimos dias que Ele simplesmente foi embora. Sumiu. Me abandonou. Ou eu teria abandonado Ele?

Nem sei se agora peço a sua ajuda. Só sei que pra mim tá difícil. São dias tristes em que a Graça parece passar à minha frente sem que eu consiga tomar posse dela… (o Philip Yancey fala disso em “Maravilhosa Graça”, que li, achei lindo, forte, poderoso, mas não consigo viver…).

Tomar posse…

Ah! Cara, eu tô de saco cheio desse negócio de religião! De ficar repetindo palavras do tipo “o meu casamento é o melhor!”… etc etc etc, como se pela repetição a gente fosse se apropriar de algo…

Pode até ser que sim, que se apropria, mas fica por ali um cheiro de maracutaia. De que não é isso. De que é algo maior viver em Cristo…

Mas ao mesmo tempo eu leio o último texto publicado hoje (26.08) da resposta ao nervoso rapaz chamado de fariseu e encontro na fala dele, aqui e ali algo que me chama. Algo de religioso que sussurra aos meus ouvidos: “Vem, vem…”.

Taí, desculpa Caio, sou mais uma alma infeliz e conturbada a te escrever…

Caio, nosso pastor amado.

Caio, aquele que se entristece com o nosso não-entendimento.

Mas saiba, eu tento. Eu tento.

Serei mais um daqueles que apenas foram chamados?

E ainda por cima me colocam pra tocar lá na frente todo domingo.

E tomar conta de células.

Tomar conta e “trabalhar” com os jovens…

Com quem além de você eu posso me abrir?

Ore por mim, eu te peço.

Um forte abraço,

Pós-escrito:

Caio, eu te escrevi as linhas aí em cima no dia 26.08, e retransmito como
você pediu que fizéssemos, já que tudo sumiu do teu lap. Abuso da tua
paciência e encaminho outro pedido de socorro, digamos assim, que está
publicado no meu blog e que retrata ainda mais a minha condição hoje com
Deus. Condição? Que coisa mais esquisita esta que eu escrevi… Ato falho?

Eis o texto:

“O grito”

Em dias assim eu queria ser um pássaro. Um bicho qualquer – menos barata, que abomino -, mas um bicho que não pensasse em nada. Um ser assim inóspito, suficiente na sua limitação animal.

Digo isto porque faz três dias que voltei a tomar meu remédio a base de clonazepan, a fim de que eu consiga suportar minha existência.

Tudo veio do nada.

Eu voltava de viagem e minha esposa me deu uma palavra dura – que noutro tempo nem poderia ser dura -, e eu fui esvaziando como aquelas bexigas de festa que depois de cortado o bolo vão perdendo a graça.

Tomei 20, depois mais 10, depois mais não sei quantas gotas e agora estou
aqui debruçado sobre este teclado pedindo socorro.

A quem?

A mim mesmo, talvez.

É nestas horas, eu mesmo já preguei sobre isto na igreja, que tudo deveria fazer sentido em Cristo.

É nestas horas que a gente deveria sentir aquela alegria que os Evangelhos dizem vir do Senhor.

Mas eu não a sinto.

Resta aqui dentro um vazio imenso.

Enorme.

De dar medo.

Seja qual for seu credo – mesmo que nenhum – ore por mim.

Estou mal.


(15.09.04)

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Oi Caio, desde já me desculpo pelo tamanho da carta.

Eu sou aquele teu conterrâneo que já te escreveu em algumas oportunidades e você, gentilmente, respondeu. Naquelas ocasiões a gente falou sobre a neurose de santidade, coisa e tal.

Pois bem. Acontece que muita coisa mudou na minha vida de três semanas pra cá.

Eu não pude mais agüentar algumas coisas e saí do ministério onde aceitei a Jesus há quase quatro anos.

Tem sido difícil porque eu re-nasci lá. Lá também eu cresci, aprendi quase tudo o que sei, e tive até algumas experiências sobrenaturais sim, posso dizer. Enfim, eu estava de corpo, alma e espírito lá. Mas isso foi por um tempo. Isso porque meu espírito não estava mais lá de uns tempos pra cá. E minha alma estava ficando adoecida ao invés de curada…

Digo isso porque há alguns meses eu comecei a me incomodar com algumas coisas: a carga de submissão; o lance de você nunca ser alguém com uma opinião, mas um rebelde; o medo que eu tinha – e ainda tenho – do pastor, e muito mais.

Não posso dizer que tudo isso tem a ver com o esquema do G12 que lá é praticado, mas talvez com a personalidade do pastor mesmo. Caio, ele se diz sanguíneo (numa classificação rastaquera que apareceu por aí e que está na apostila do G12), mas eu acho que muitas vezes ele foi e é mal-educado mesmo…

Bom, mas eu não quero falar mal dele, ainda mais porque ele sempre pregou sobre a maldição de Miriam. Aliás, eu tenho tentado esquecê-lo e tudo o que de ruim ele me falou.

Pra você entender algumas coisas – e eu sei que posso estar te cansando, mas considero importante contar – esclareço que eu era ministro de louvor/música lá. Mesmo sendo novato eu era a pessoa que comandava a equipe de música e ministrava o louvor. Eu também abria alguns cultos e pregava a Palavra em outros. Bom, mas a coisa foi se desgastando, e em que pese o lema do ministério ser a família, eu estava abandonando a minha. Isso porque eu vivia lá na igreja, de segunda a segunda. Muitas atividades, muitas mesmo.

E eu fui cansando. Fui desanimando. E tudo isso sendo um dos 12 do pastor…

Bom, ocorre que alguns dias antes da minha saída eu falei pro pastor que a coisa tava ruim, que eu estava preocupado com a minha família, e que também achava que o lema do ministério não estava sendo cumprido e ele me disse que ia ver. Mas numa noite ele me liga em casa e diz de bate-pronto: “Olha fulano, se o ministério está atrapalhando a sua família, abra mão dele então, porque eu sei quem sou e não admito ouvir dizer que a igreja está atrapalhando a sua vida.” E disse mais: “veja o que está pegando pra você e decida”. E por fim, diante de uma pergunta minha sobre o que fazer – se eu deveria ficar com minha família ou com a igreja – , ele me disse: “Aí você me coloca numa sai justa, eu não sei, você é quem tem que decidir, mas o que eu não aprovo é domingueiro na liderança da igreja.”

Cara, foi um baque!

Ainda que eu quisesse mesmo sair já há algum tempo, digo que a coisa toda doeu, e ainda dói na verdade. Tudo sangra aqui dentro, ainda que eu queira esquecer esta história.

Depois disso, Caio, eu decidi mesmo sair. E me senti mais leve. Mais solto. Mais humano…

E logo no domingo seguinte fomos, eu e minha esposa, a outro ministério e nos sentimos bem. Ouvimos a Palavra, bebemos dela e ficamos felizes, como você diz, encontramos um lugar onde se anuncia a Boa Nova da Graça de Deus.

Mas aí veio o fatídico dia… Seis dias depois do telefonema, ele, o pastor veio aqui no meu trabalho, numa agência de publicidade.

Cara, eu tremia, tremia, tremia. E isso é absolutamente anormal para um cara de 39 anos, publicitário, pai de três filhos, com quase 17 anos de empresa, respeitado por todos.

E ele me perguntou se eu não ia falar com ele sobre a minha saída. Que eu estava me escondendo na caverna. E que ele ficara sabendo dela, da saída, por outras pessoas do ministério que haviam me procurado.

E eu respondi que não me sentia em condições ainda de procurá-lo e que por isso não havia feito isso.

E ele aí começou a dizer coisas que me deixaram e ainda me deixam preocupado. E é por isso que te escrevo hoje… Pois fiquei e estou mal com tudo o que ele me disse.

Ele disse:

1º. Que eu não era discípulo, porque discípulo é submisso;

2º. Que eu não agüentara o primeiro tratamento mais forte e tava correndo;

3º. Que eu estava saindo por um capricho da minha mulher;

4º. Que eu que era um homem espiritual, mas que estava indo pela cabeça de uma mulher com uma visão material das coisas e que, portanto, isso não era de Deus;

5º. Que não sabia de que altar eu andava comendo;

6º. Que eu estava enterrando o talento que Deus me dera e que isso era passível de inferno;

7º. E que ele e eu tínhamos feito uma aliança no céu – quando eu tinha sido ungido um dos seus 12 – e que agora eu estava querendo pegar uma borracha e apagar isso sem mais nem menos.

Bom, em resumo foi isso.

Foi até engraçado porque eu disse pra ele que desde a minha decisão de sair, e até aquele momento, eu até que estava gostando da minha mulher de novo, tendo apetite por ela de novo, mas que agora, diante de tudo o que ele estava me dizendo, eu tava até pensando em me separar… (eu dou risada pra não chorar…).

E disse ao final que não ia orar por mim porque não era de Deus a minha saída.

Eu só escutei e fui adoecendo com aquilo tudo. Mas no final disse que se fosse pra quebrar a cara em outro ministério, eu tinha que quebrar. Mas que nunca ia me esquecer do que ele tinha me ensinado. E se tivesse que voltar, voltaria e ficaria no banco sem problemas.

Bom, foi isso.

E hoje eu te confesso que eu estou aqui, uma semana depois deste terrível “papo” com ele, todo perdido.

Cara, eu me sinto fraco, sabe. É como se alguma coisa tivesse me sugado. Será que isso é sinal de que não deveria ter saído?

Sabe, uma das coisas que me fizeram sair é que ele não admitia que eu lesse e comentasse sobre você (de repente um destes altares estranhos na visão dele…).

E eu não podia ficar num lugar sem poder ser verdadeiro.

Estranho porque ao mesmo tempo em que eu me sinto aliviado por ter saído, eu me sinto mal com isso tudo.

Daí eu te pergunto: eu estou amarrado a ele? Eu estou fadado a viver assim, com medo dele? Eu tenho que voltar lá de novo e me desculpar de tudo de novo – até do que não fiz – e me humilhar pra conseguir a bênção dele?

Ah, Caio! Se você estivesse em Manaus eu iria pro Caminho da Graça.

Obrigado pela tua força.

Um dos teus textos intitulado “Veja o que a Graça pode fazer por você” me deu muita força antes e agora na minha saída.

E o legal disso tudo, sei lá, é que um dos 12 veio até aqui e me disse que as coisas com a minha saída iam mudar e elas mudaram. Ele aliviou a carga dos compromissos, mas eu ainda assim confesso que me sinto um refém psicológico dele.

Como me libertar?

Um forte abraço,

Como escrevi na ultima carta, Caio, meu pastor.


Observação: Eu e minha esposa estamos ansiosos pela tua resposta, Caio. Muitas pessoas dizem tanta coisa, mas o que queremos e precisamos é da direção de uma pessoa de Deus, e conseqüentemente, sensata como você.

Te amamos!

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Oi Caio, Graça e Paz!


Dias atrás te escrevi sobre minha saída do grupo religioso onde eu estava, e de outras questões como a minha ligação com o pastor de lá. Eu sou o famigerado neurótico pela santidade (risos).

Aliás, eu era.

Digo isso porque meio que tudo dentro de mim já passou: as neuras que eu tinha àquela época (recente, eu sei); as encucações acerca da minha ligação com as pessoas e com a pessoa do pastor lá, idem. Tudo, em absoluto, meio que o tempo levou pra debaixo de algum tapete.
E a fase e frase é bem essa mesmo: debaixo do tapete.

Eu sinceramente não tenho mais pique pra me relacionar com demonstrações de ligação com o Divino.

Fruto do g-12, talvez.

Fruto da minha natureza, certamente.

E que natureza é essa? Olha, pelo pouco que me conheço é uma natureza cansada de quase tudo, sabe…

Engraçado como as coisas perdem as cores; né?

Perdi o apetite: des-gosto.

Será que a existência será sempre essa coisa dolorida para os que insistem em pensar sobre ela?

E como parar de pensar?

Tenho medo de estar relativizando o absoluto.

Medo de relativizar a um ponto em que, sendo quem eu sou – detalhei isso na outra mensagem – eu caia novamente nas mãos de alguém como o que me “gerou” em Cristo.

E sabe… Eu tenho medo de relativizar isso também. Essa tal gestação em Deus…

Lembro agora que certa vez passeando por aqui eu li alguma coisa sua dizendo que contigo não tinha sido mais uma historinha… Que contigo Deus tinha se revelado de FATO e de VERDADE.

Ah, eu não alcanço isso…

Um beijo,
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Oi Caio.

Vi hoje a re-publicação duma resposta muito carinhosa sua para uma fase em que eu me preocupava com a tal santidade. Saiu com o título “Neurose de Santidade”.

E daí, do alto da minha dor de cabeça que não passa, eu li tudo de novo e pensei: “engraçado como isso não me afeta mais…” (…) “engraçado como isso era tão importante à época…”

Assim eu vejo mais uma fase que foi. Mais um percurso que se encerrou. Tanto quanto aquele outro percurso sobre o qual lhe escrevi: falo das mensagens angustiadas que te mandei logo após a minha saída da igreja onde eu congregava.

Cara! como o tempo levou tudo isso embora…

Como as coisas – quase todas as que se referem a fé e outras instâncias – estão sem cor pra mim hoje.

Mais um percurso?

Talvez.

Beijo grande.
____________________________________________________________


Resposta:


Meu amado irmão: Graça e Paz!

Embora nossas primeiras cartas tenham sido sobre “santidade neurótica”, acompanhei os desdobramentos de suas cartas posteriores sem poder interagir como gostaria, posto que estive adoentado no início do ano, como você sabe.

Na realidade, perdi duas correspondências suas para mim, uma das quais só achei ontem à noite, a qual aqui transcrevo também, a saber: a carta na qual você confessa seu pavor pelo pastor g12, seu preceptor em Cristo.

Ora, fui procurar possíveis correspondências perdidas nessa pilha de milhares de e-mails que estão aqui alojados no meu Outlook, e encontrei a tal carta; o que muito me angustiou.

No entanto, o que me levou a tentar buscar “elos” perdidos em nossa correspondência, foi a sua última Carta Descolorida. Foi então que descobri a Carta do Tudo Varrido Para Baixo do Tapete.

Ora, ler todas as cartas na seqüência—e aqui não colei tudo o que li, a fim de não tornar tudo longo demais—, percebi que sua estrutura psicológica foi muito mexida pela sua experiência na igreja do pastor g12.

No entanto, também percebi que só houve esse impacto todo em razão de que psicologicamente você já era frágil, e, pelo que percebi, isso é algo que o acompanha há muitos anos.

Se eu tivesse que pintar um quadro, eu diria o seguinte:

Você sempre foi uma pessoa angustiada (neurótica), com intensa busca por uma razão para viver (tendência a depressividade), e que já vinha sendo medicado em razão de tais aflições interiores, até que chegou na igreja, e, ouviu algo do Evangelho, alegrou-se, entregou-se, e viveu com alegria as ocupações que recebeu, visto que você é um homem talentoso.

Acontece que a “igreja” estava funcionando apenas como “terapia ocupacional” para um homem com forte tendência à depressão, e que, agora, encontrara um significante modo de servir e expressar seus dons e talentos, o que deu a você um novo ânimo para a vida.

O problema é que como você também é muito inteligente, logo viu as doenças que lá havia, aos montes; e, além disso, começou a se angustiar ante o processo de desindividualização que o tal G12 produz em todos aqueles que se submetem ao espírito de tal ‘clonagem’.

Quando você me escreveu a primeira vez a piração era acerca da sua “neurose de santidade”. No entanto, esse tema ainda é bastante superficial se considerarmos o todo de seus conflitos.

Na realidade o que aconteceu é que você ficou sabendo que em Jesus você tem vida, no entanto, dada a experiência tão trágica na igreja g12, você iniciou um processo que combina as frustrações presentes com as tendências e realidades depressivas que já existiam dentro de você.

A emoção que sua carta acerca do pastor me passou, foi a de “um menino que foi seduzido e controlado pelo líder de uma seita”.

Seu medo, seus tremores, seus temores, seus suores, suas mãos geladas, suas noites insones, seu pavor…

E quando você disse: “Como pode? Eu? Um homem de 39 anos, pai de filhos, publicitário, respeitado…?”—e com medo; você revelava o desencontro profundo entre a sua razão e as suas emoções.

De fato, certas vezes, sua carta chegou a soar como a carta de uma amante dependente e apavorada, e que havia traído o seu homem. Isso porque até mesmo a proposta do pastor g12 era uma proposta de amasiamento e conjugalidade: ou sua mulher ou ele.

O fase do “jogar tudo para baixo do tapete”, conforme você mencionou num dos e-mails, após a sua saída do G12, era apenas uma tentativa de sublimação de algo que ainda estava aí, e com muita força. Ora, como você passou por cima sem olhar o que era—jogou pra baixo do tapete—, o monstro voltou na forma do Descolorido.

Percebi que você evita até mesmo pensar em sua conversão, pois, como aconteceu tendo o pastor g12 como preceptor, você teme concluir que como ele é doido, sua experiência com Deus não tenha sido válida. Daí, hoje, você até mesmo pensar que nem mesmo teve um encontro com Deus.

Ora, seu problema não é com Deus, mas apenas com você mesmo. E mais: enquanto você olhar a vida com esse medo, nada de bom lhe acontecerá.

Você disse que tem tudo para ser feliz—mulher, sexo bom, filhos lindos, bom trabalho, etc—, mas afirma que não consegue, posto que tudo se descoloriu bem diante de seus olhos.

Você mesmo diagnosticou uma dependência doentia que se instalou na sua relação ou caso ministerial com o pastor g12.

Ora, isso me leva a fazer a você algumas indagações, as quais, eu espero que você entenda, posto que meu único desejo é ajudar.

1o Como era seu pai e como era ou é sua relação com ele?

2o Alguma vez na vida você já se sentiu emocionalmente atraído por algum homem?

3o Você já esteve antes na vida numa posição de submissão a alguém?

4o Como e em que ocasião sua depressividade se manifestou a primeira vez? E com que idade?

Ora, pergunto estas coisas porque considero que tudo o que você me narrou é apenas sintoma de algo mais profundo, e que precisa ser descoberto; isso para que você tenha paz para poder se tratar.

Enquanto isto, leia aqui no site uma Entrevista Sobre Discipulado, pois, eu sei que nela você terá também as respostas às perguntas que me fez acerca de sua relação com o pastor g12; ou seja: se deve pedir perdão a ele e voltar a levar a Canga-G-12 sobre seus ombros para sempre, ou não.

Além disso, tome o N. Testamento nas mãos e os salmos, e os leia sem buscar nada. Apenas leia. Leia em paz. Não busque emoções, nem sensações, nem choros, nem revelações, nem coisas sobrenaturais… Apenas leia, e deixe-se lavar pela Palavra.

Na realidade você foi profundamente condicionado e mentalmente higienizado pela “lavagem gedoziana”, e, agora, precisa ser limpo e lavado de tais condicionamentos que se fixaram em suas emoções.

E mais: não associe a Graça de Deus a emoções. A fé baseada em emoções não é fé, mas apenas sensações. Na Graça de Deus a gente anda apenas pela fé, mesmo que não haja nenhuma emoção. Isto porque a vida na Graça se baseia em fé e consciência acerca do que Jesus fez e Consumou, e não em arrebatamentos que supostamente validam ou não a presença de Deus em nós.

Eu nunca vi um anjo, nunca rolei no chão em tremores, nunca ‘caí no Espírito’, nunca levei um tapa do diabo, nunca senti que minha cama estava sendo sacudida, nunca…

Falo em línguas, mas isso é coisa simples. E não baseio minha vida com Deus em nada disso. Portanto, quando disse que não sou filho de uma “historinha”, mas de um encontro verdadeiro, eu não dizia nada além do fato de que sei que conheço a Jesus, e isso pela Palavra, e pela atualização que o Espírito faz dela em meu coração todos os dias, me chamando para entregas cotidianas, e para uma vida de confiança; ou seja: tudo pela fé.

Assim, me responda, por favor, as perguntas que lhe fiz, pois, uma vez que tenha as respostas me sentirei mais confortável para lhe sugerir algumas coisas mais práticas. O que posso lhe garantir é que se você crer e confiar, tudo isso vai passar, e você terá paz para usufruir o bem que habita a sua vida, e que é pura Graça de Deus.

Receba meu beijo amigo!


Nele, em Quem ninguém serve com medo,

Caio

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Oi Caio.


Antonin Artaud diz que certas emoções não cabem em palavras. E é assim que eu tenho me sentido ao receber tanto carinho e atenção de você. Não há palavra que expresse meu sentimento.

Desculpa mas o texto ficou extensíssimo. Tentei te responder tudo e talvez algo mais.

Obrigado.

[Respostas às suas perguntas:]

1. Como era seu pai e como era ou é a sua relação com ele?

A relação com meu pai, hoje, é de empatia. Foram anos, confesso, para que a minha mágoa em relação ao abandono que ele fez da nossa família – quando eu tinha 7 anos de idade – passasse.

Hoje muitas vezes eu olho pra ele, meu pai, e vejo um cara que foi engolido
pelas conseqüências da via, digamos assim. Quais sejam:

a. Um casamento ruim que depois passou pra outro pior ainda.

b. Uma descoberta minha de que ele é um cara fraco, cheio das suas angústias, medos, desejos de relações sexuais com outras mulheres que acontecem na mais sórdida surdina – e eu aqui não estou julgando isso nele, porque também muitas das vezes eu me vejo tentado a ir pelo mesmo caminho.

c. Vejo também que ainda hoje eu e ele meio que forçamos uma amizade – que é até sincera (ele até diz que dos 5 filhos, eu sou o único com quem ele se abre, fala das suas fraquezas etc) -, mas que ao final é uma amizade que eu sei estar em segundo plano sempre, visto que meu irmão mais velho – o primogênito – é quem de fato liga pra ele com mais freqüência, se preocupa com as coisas dele.

d. Engraçado, paradoxal, mas é uma empatia de atração e “deixa-pra-lá”.
Somos, ao final, meio que cúmplices das nossas vias tortas.

e. Tenho um pai, Caio, mas sinto que eu esperava em Deus, e no preceptor “gedoziano” um pai melhor.

f. Por fim, meu pai quando soube da minha saída do ministério g-12 disse que já tinha isso como certo, porque na visão dele eu estava fazendo sombra pro outro pastor, e que na verdade – ele me disse isso anteontem – eu agora só preciso mesmo é de um púlpito e de um povo pra tomar conta, porque ele me assegura que quando eu trago a Palavra ela vem forte, ela vem clara, ela vem como as pessoas deveriam ouvir.

g. Confesso que me surpreendi com essa declaração dele. Eu que achava que ele tava me achando um fanático, um doidivanas. Mas ele me disse anteontem que não, que ele na verdade teve no início ciúme do pastor g-12, mas agora sabe que eu fui “promovido”, e que vou tocar este caminhar no Caminho na boa.

h. Como é então minha relação com meu pai? Em resumo: um medo de ter todos os defeitos que vejo nele, e, ao mesmo tempo, um parceiro/cúmplice das suas (nossas) angústias.


2. Alguma vez na vida você já se sentiu emocionalmente atraído por algum
homem?

Sim e não. Na adolescência eu tinha um medaço de ser homossexual. Era muito magro, esquisito, de repente tinha até – e talvez tenha ainda hoje – alguns trejeitos que não seriam classificados como de um cara macho: daqueles que coçam o saco e cospem no chão. Tudo isso até porque meu irmão mais velho era esportista – chegou até a ser jogador de futebol profissional – e eu fazia aquelas fatídicas comparações. O cara lá, todo gostosão, dono de si, a mulherada dando o maior mole, e eu ali em casa ouvindo meus discos, fumando meus cigarrinhos e pensando na morte, lendo Cruz e Souza. Um fato que me marcou foi quando na faculdade eu encontrei numa prateleira um livro ilustrado do Jean Genet, se não me engano, e levei um baque ao ver aquele desenho de dois homens transando. Os dois em pura ereção. Foi um baque.

Lembro que fechei o livro na hora e aquilo me moveu a nunca mais querer ver este tipo de coisa. Daí porque digo que hoje eu sou heterossexual mesmo. Gosto de mulheres. Mulheres delicadas, femininas, que apreciem um bom vinho, um bom papo, e um ótimo sexo. Não tenho fantasias com homens, definitivamente. Se a extensão da pergunta chega na hipótese da minha relação de “amante traída” pelo pastor g-12, posso afirmar com todas as letras que jamais passou pela minha cabeça ter um caso ou transar com ele. Acho homens bonitos, bonitos; ainda que me sinta, via de regra, diminuído perto deles. Mas não passa disso. A coisa de acharem que sou isso ou aquilo já não me afeta mais, definitivamente. Pra falar a verdade mais clara possível eu gostaria muito é de namorar muitas mulheres. Sentir todos os seus perfumes, sentir todas as suas formas, sabores. Isso sim eu gostaria. Mas não posso. Seria uma tremenda sacanagem com a minha esposa. Pra te contar um fato muito importante pra mim, houve uma mulher – mulher mesmo, fina, inteligente, apaixonante – com quem tive um relacionamento extraconjugal e depois de tudo eu aprendi que só fiz machucar as pessoas e eu mesmo. Ela me disse, na última ligação que atendi: “Se você sabia que não podia me ter inteira, porque levou adiante?” Ainda sinto saudades dela. Mas amo minha esposa. Re-aprendi a amá-la. Na verdade se não fosse minha esposa eu talvez nem estivesse aqui agora digitando estas linhas pra você, Caio.


3. Você já esteve antes na vida numa posição de submissão a alguém?

Sim, sempre. É uma coisa doida o que acontece comigo. Como chefio mais de 30 pessoas, com eles eu sou o cara que manda, desmanda, ainda que tudo no respeito, na amizade, sem tiranias. Mas quando se trata de ser o comandado eu fico todo murcho. Todo medos. Todo temores. Minha relação com minha esposa, por exemplo, é uma relação na qual eu prefiro que ela tome as decisões. Tome conta da grana. Tome conta de tudo. Eu quero meio que ficar alheio. Já no trabalho eu gosto de comandar as coisas. Saber de tudo. Ter tudo sob controle, sob o meu controle. Mas mesmo sabendo que sou um cara competente, tenho o maior medo do meu chefe. Medo mesmo. Passa pela minha cabeça que ele pode me mandar embora a qualquer momento e que eu vou estar frito. E isto me tira noites de sono muitas vezes. Lá no esquema g-12 a submissão era total. Ainda que eu com muita espiritualidade tirava um sarro da coisa pra não ficar tão pesada e o pessoal me colocava pra ser o porta-voz das lamúrias que sempre pipocavam. Dentro disso tudo fica sempre aquele papelzinho ridículo que eu faço – ainda que sempre prometa pra mim mesmo não mais fazê-lo – de falar o que eu sei de antemão que vai agradar o sujeito que manda em mim…. Coisa ridícula essa… Na verdade eu tenho um sonho de ser como o João Gilberto Noll, aquele escritor gaúcho que recebe uma verba da editora pra se enfiar num buraco e produzir um livro por ano. O Rubem Fonseca também. Tenho estes sonhos: de não ter que me relacionar com as pessoas. Agorafobia. Solipsismo. O João Padilha, que escreveu “Bolha de Luzes” tem um personagem que é a minha cara (risos). Detesto ir a festas.

Até as da minha família me estressam. Ter que ficar puxando assunto, coisa e tal. Mas olha o engraçado: eu vou, me relaciono superbem (falando quase sempre o que o povo quer ouvir) e todo mundo fica “apaixonado” por mim… Só rindo…

De qualquer forma eu tento não confundir autoridade com legitimidade. Mas eu sou péssimo pra delimitar as zonas de relevância. E sofro demais com isso.
4. Como e em que ocasião sua depressividade se manifestou a primeira vez? E com que idade?

Cedo, muito cedo. Logo depois que meu pai foi embora, eu lembro que um primo nosso veio nos visitar e minha mãe começou a chorar, chorar, chorar, e aquilo me angustiou muito. Fiquei triste pra cacete. Com raiva também. Eu tinha 7 anos. Depois veio a fase da adolescência, das comparações com meu irmão esportista, e dos dias, meses, anos, passados sozinho em casa, ouvindo o Michael Jackson na vitrola e pensando em viver a vida dele, que, definitivamente não era a minha. Me achava feio demais. E olha que não sou nada feio (risos). Foram natais, anos-novos, todos passados sozinho. Meu irmão jogando bola na Europa, meu pai com a mulher dele e seus outros filhos, minha mãe com os namorados dela eu ali, assistindo o Barros de Alencar, descobrindo a masturbação e cigarros como companheiros e olhando o mundo pela janela da nossa casa alugada. Eu sentia já à esta época – 13, 14 anos – a mesma coisa que agora aqui dentro pulsa em mim: um desespero, uma impressão de que vou explodir, de que vou fazer alguma merda. Depois, mais tarde, como era natural, me liguei naquela fase “dark” em que a gente só andava de preto, lia Baudelaire, ouvia Pink Floyd, The Cure e assistia sem parar o Marlon Brando em Apocalipse Now. Eu via as meninas, e pensava: “Puxa, eu te amaria tanto se você me deixasse.” Mas nada rolava… Depois mais velho, 30 anos por aí, fui fazer terapia com um cara super legal e anotava tudo no meu “Diários do Subterrâneo”. Foi nessa época que comecei a tomar o clona misturado com clomipramina, triptofano e outras coisas e dei uma despirocada. Mas resolvi parar.

Eu sei que cabe ao analista fatiar e eu depois juntar em casa. Mas minhas “gestalts” parecem que não fecham nunca. Só abrem, abrem, abrem.

Minha esposa sempre me diz: “Cara, todo mundo sofre, não sei porque você não relaxa….” Mas eu sempre re-encuco. Tenho medo de ficar desempregado. Tenho um medaço do meu diploma e do que não fiz com ele. Tenho tudo. É isso. Tenho um amigo que diz que eu ainda sou feliz porque tenho estas âncoras de preocupação, porque caso contrário eu já teria partido.

O que mais me irrita – e você foi mais-que-perfeito ao escrever sobre o “desencontro profundo entre a minha razão e minhas emoções” – é justamente saber que eu tenho tudo pra ser feliz. Tudo, em absoluto. Vejo gente na pior e feliz. E eu aqui choramingando. Mas ao mesmo tempo eu sinto que não é chorinho de filhinho de papai (que não sou, diga-se, visto que desbravei meu caminho sozinho e com minha esposa), é uma coisa pior que eu não sei o que é.

Ufa! Acho que é só tudo isso.

O mesmo amigo de que lhe falei acima me diz que a arte existe justamente pra gente sublimar a existência. E você também disse isso de certa forma. Mas eu fico naquela de achar que as minhas pinturas, os meus textos, o meu blog, tudo o que eu faço, e faço muito bem, não estão dando conta do recado. As letras estão invertidas pra mim. E eu tinha mesmo muita esperança naquela terapia ocupacional. Mas será que sempre será assim? Sempre eu vou ter que depender de remédio e terapia? Que pai serei para as minhas filhas?

Tenho medo da máscara cair.

Um beijo Caio.

E como disse é inefável o que você tem feito por mim ao direcionar parte do seu tempo pra mim. Te agradeço eternamente. Eternamente mesmo.

Bom, Agora chega de te importunar.

Beijão.

E aparece em casa pra gente tomar um bom vinho e bater um papo.
Pode acreditar, eu não sou tão ruim assim como parece (risos).
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Resposta:

Meu amado amigo: Graça e Paz!


Se tomássemos o caminho da psicanálise para tratar a questão, certamente você seria um “prato cheio”, por tudo o que narrou antes e agora. No entanto, meu amigo, eu não creio que a psicanálise o ajudará muito. Na realidade eu creio que o que você precisa é se ligar a Deus em um conhecimento profundo, e que seja o resultado de sua entrega em amor a Jesus e ao Evangelho. Mas fazer isso no nível psicológico também; ou seja: “de todo o teu coração”.

Escavar sua alma poderá apenas desenterrar defuntos que já nem sejam tão importantes assim. De fato, a cada dia que passa, mais me convenço de que as grandes mudanças são simples; e são fruto de uma rendição da mente ao amor. Ora, esse amor do qual estou falando é uma escolha, uma decisão, uma consciência.

É obvio que num mundo como o nosso (com tantas propagandas de prazeres, de hedonismos, de surubas, de mulheres gostosas—mais de uma na cama—, de gozos e gostos, e de experiências novas), quase todo mundo que eu encontro está na sua situação: se pudesse, soltaria a franga, pegaria todas, não pouparia a si mesmo de nenhum gosto ou prazer.

No entanto, todo esse “sentir”, é fruto do curso deste mundo e de sua propaganda maligna e perversa; objética e fetichista; rápida e prática; sem nomes ou compromissos; com possibilidade de variedade quase ilimitada de experimentos.

Ora, o que vejo a cada dia que passa é que todo mundo está sendo atingido por esse espírito que cobre a terra como um manto; o qual abraça as almas com o abraço que não abraça, que é o abraço da carência e da aflição, e que diz para a alma humana que a passagem de cada pessoa pela Terra terá tido valor apenas se a pessoa “experimentar” muitas coisas nesse mundo de múltiplas ofertas, e, no qual, as escolhas da alma acontecem num Shopping Center de escolhas vazias e pobres.

Assim, deixando Freud de lado e também a religião, especialmente essa gedoziana, quero recomendar a você alguns exercícios e disciplinas:


1. Já que você decidiu investir em seu casamento e que está conseguindo bons resultados, então, aprofunde-se ainda mais. Dedique-se a amar sua mulher; a fazer amor com ela; a tratá-la com carinho e consideração; e, sobretudo, com reverência por ela.

2. Trate sua insegurança em relação às figuras de autoridade como coisa de natureza espiritual. Ou seja: combata essa insegurança e esse medo com confiança. Sim, com confiança. Confiança em Deus, meu amigo, é entregar, descansar, e viver sabendo que existe um Cuidado e uma Provisão sobre nós. Assim, lhe digo: mais do que qualquer coisa você precisa conhecer a fé como confiança. Quando isto acontecer, você verá que como por encanto tudo isto vai desaparecer. Sim, se sua visão acerca de Deus ganhar confiança, então, você verá que sua vida mudará completamente; e você será possuído por uma segurança que você nunca conheceu.

3. Trate a questão do pastor gedoziano da seguinte maneira: Não se grile com o que houve. Fique longe de lá. Não mexa mais com esta questão. Vire essa página. E saiba: eu sou “pastor”, “reverendo”, e todas essas outras bobagens da religião funcional e estatal. Ora, é justamente por essa razão que lhe digo que nenhum pastor desse mundo é alguém “a mais” para Deus do que você. Na realidade, o sistema gedoziano usou as formulas de “autoridade espiritual” do Lee, e, a elas acrescentou o controle piramidal e a obsessão pelo crescimento numérico; sem falar num sem-número de outras tolices. Todavia, a pior coisa que eles fizeram foi a ressurreição do sacerdócio individual de alguns em favor de muitos: os “apóstolos atuais” chamam para si mesmos esse papel totêmico; eles só não aceitam é o lado avesso do totem, que é a execração. Ora, um homem com suas dificuldades naturais com a questão das figuras de autoridade, posto num lugar gedoziano, não tinha como não desenvolver as fobias e pânicos que você desenvolveu. Você já os tinha; porém, lá, as coisas ganharam contornos mais sérios para você, e que é o resultado de se misturar uma fraqueza psicológica com o medo que a religião patrocina em relação à figura de Deus; e de seus representantes na terra; no caso gedoziano, o “apóstolo”. Portanto, considerando os antecedentes, posso dizer que você saiu até muito bem dessa encrenca psicológica. Tem gente que não sai. Atendo um monte de pessoas que enfermaram dentro dessa “rodinha de hamster”, que é o G12, bem como dentro de todas as demais coisas que andam no seu espírito de quantificação, controle e clonagem.

4. Acalme seu coração uns meses, e, depois, comece a reunir os irmãos. Sim, há muitos como você aí; além de que eu creio que o exercício de uma liderança feita a partir do conhecimento do significado do que é se sentir oprimido pela autoridade, pode dar a você uma grande vantagem no exercício de um papel de liderança. Isto se você não esquecer que também “já foi peregrino e estrangeiro” em terras de reis controladores e opressivos.


5. Há também em você um forte desejo de não ter crescido. E essa falta de desejo na maturidade independente e confiante tem feito muito mal a você. Portanto, recomendo que você leia o livro “A Trilha Menos Percorrida”, de Scott Peck, pois creio que nele você encontrará bons fundamentos para entender a si mesmo; bem como também nele você discernirá o significado do que seja maturidade, segurança e amor.


Por enquanto é só isto. O mais é muita leitura dos evangelhos, em voz alta, e a leitura dos salmos, em voz alta. Faça isto todos os dias. Ouça o que está lendo. E depois escolha a passagem que tenha “escolhido” você—porque o que tenha tocado—, e passe um tempo em silêncio, meditando nela; depois saia em paz.

Ora, todos esses conselhos são dados levando em consideração que você deseja viver “vida mansa e tranqüila, com toda piedade e respeito”. No entanto, eu sei que o apelo deste mundo de seduções é para que você se entregue a uma existencialidade de experiências e experimentos, os quais, saiba, eu sei, por experiência própria, nada fazem de bom à alma, e a ela nada acrescentam; exceto dor.


Receba meu amor e reverência pela sua alma!

Nele, em Quem nada nos falta,


Caio

www.caiofabio.net

Silas Malafaia, Morris Cerullo e a suposta profecia de Sonia Hernandes para a mulher do Kaká

3 comments

Posted on 3rd julho 2010 by Roberto in Cartas

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Morris Cerullo não prega o Evangelho

Nesses 25 anos de vida em Cristo já tive a oportunidade de tomar café à mesa de alguns ícones da Igreja Evangélica atual. Já estive com Jabes de Alencar, Silas Malafaia, Jimmy Swaggart, T.L. Osborn e a cúpula da igreja quadrangular, mas nunca estive com Morris Cerullo. Mas, como tudo aquilo que vem de nossos irmãos norte-americanos é recebido sem muito discernimento pela igreja evangélica tupiniquim, o nome de Morris Cerullo sempre foi muito “venerado” no meio pentecostal.

Felizmente tenho atravessado um processo de desconstrução mental, psicológica, emocional e espiritual nesses últimos anos quanto à igreja evangélica e, consequentemente, já tinha me desiludido com Morris Cerullo, depois de ler suas declarações do poder da fé na famigerada teologia da prosperidade, sua Bíblia da prosperidade e batalha espiritual (patrocinada aqui no Brasil por Silas Malafaia) e seu famoso dom do “riso”, exaustivamente mostrado no You Tube.

Todavia o “profeta” (segundo Silas Malafaia) estava para se apresentar, ao vivo e à cores, no programa “Vitória em Cristo” (também de Silas Malafaia). Não poderia deixar de ouvir a palavra desse “grande profeta do Senhor”.

Durante 40 minutos eu e minhas filhas ficamos sentados na sala em frente à televisão, ouvindo o tal profeta (entrevistado por Silas Malafaia e interpretado pelo irmão do pastor Jabes de Alencar), falando sobre crise financeira mundial e sobre a prosperidade determinante na vida do cristão.

Ao final da entrevista ele lançou um “desafio profético”: como estamos no ano de 2009, o Senhor “revelou” pra ele que se cada telespectador enviar $ 900,00 para o programa de Silas Malafaia o Senhor não permitirá que aquele crente passasse pela crise financeira mundial. E lógico, que tudo muito acompanhado de textos do Antigo Testamento do livro de Deuteronômio, de Samuel, dos Reis e do Apocalipse.

Detalhe importante: em nenhum momento esse homem falou de Jesus e da graça do Evangelho!

Ao final minha filha comentou: “Teria que trabalhar 3 meses para poder ajuntar esse dinheiro e assim enviar pro dito cujo programa e me “livrar da crise financeira mundial”. Minha filha é jovem, e é esse tipo de “evangelho” que essa geração está ouvindo!. Expliquei à ela que tudo aquilo era um grande engano e se, aplicarmos as palavras de Jesus que disse “que a boca de um homem fala do que o coração está cheio”, ela deveria ignorar as profetadas do engano do Dr. Morris Cerullo.

Ah! Lembrei-me também de uma ocasião, que voltava de um trabalho numa cidade vizinha, o sol causticante das 13:00h, e uma jovem com um bebê no colo acenando freneticamente na beira da estrada. Meu bom senso ofuscado pelo sentimento de dó dela e da criança me fez parar para socorrê-la. Já dentro do carro fui surpreendido quando ela me pediu R$ 20,00 para poder comprar alguma coisa para ela comer e leite pro filhinho e que, em troca ela faria qualquer coisa que eu quisesse. Dei-lhe o dinheiro, e disse que não precisava fazer nada e a deixei em frente de um posto de saúde no centro da cidade.

Não sei por que a imagem daquele episódio da jovem mãe e seu filhinho, veio-me a lembrança quando eu estava assistindo Silas Malafaia e o “Dr.” Morris Cerullo pedindo R$ 900,00 de oferta de fé para livrar os crentes da crise mundial?

Reinaldo de Almeida

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Resposta:

Meu irmão: Graça e Paz!

Antes de tudo quero responder a questão dos necessitados em relação ao que os “profetas da ganância” dizem; e faço isto apenas pedindo para que você leia o seguinte link no site: OS ESPÍRITAS “SAMARITANOS” E OS PASTORES “SACERDOTES” E “LEVITAS”…

Somente hoje a sua já me é a 10ª carta mais ou menos de gente reportando a mesma coisa… Alguns ainda se escandalizam com o Silas, o Jabes, o Cerullo, e com o diabo…

Fico pasmo!…

É como ver espinhos sendo plantados e ficar surpreso quando nascem espinhos!… e não uvas!

Só pra você ter uma idéia, o Cerullo já foi crente e já pregou com muita paixão e unção!…

Pasme! Mas é fato; o que mostra como o coração é enganoso sempre, até pregando supostamente o “evangelho”…

No ano que eu mudei de volta para Manaus com minha família, ainda adolescente, em 1970, o Cerullo esteve na A.D. de Manaus, no tempo que o Pastor Alcebíades Vasconcelos ainda era o pastor [bons tempos!].

Sim, o Cerullo esteve lá creio que duas vezes, se não estou enganado… Não fui a nenhuma… Não era convertido e não me interessava por “evangelistas”… Mas meu pai foi todas as noites e voltou encantado…

Cerca de 10 anos depois eu o conheci nos Estados Unidos e o vi pregar… Voltei já triste e chocado… Já não era…

A seguir, ainda nos anos 80, meu amigo Lacio Pontes e sua esposa Bárbara, haviam trabalhado num fim de semana numa “Cruzada” do Cerullo e haviam saído de lá aos vômitos, quando viram os “paralíticos” sendo preparados 1 hora antes do “show”…, a fim de que na “hora das curas” eles ficassem “curados”…

Havia até ponto de luz no lugar das “cadeiras” previamente marcadas para terem os seus andantes e sadios paralíticos se levantando na hora de começar a sugestão e a histeria…

Os “bons” foram curados…

Os doentes caíram das arquibancadas tentando…

Meus amigos saíram de lá aos vômitos…

Depois o Custódio Rangel da Associação dos Homens de Negócio do Evangelho Pleno, trouxe o bicho pra cá outra vez… Cerullo e seus filhotes de maldade…, como o tal do Benny Himn.

No Brasil os discípulos da loucura já eram muitos, mas aquele maluco da Bahia, o que recebe ligação telefônica do anjo Gabriel, esse Atila Brandão, tomou o papel Tupiniquim do Cerullo…

Hoje o Cerullo está “morto” na América… Então, virou “levantador de fundos sob o mandamento profético” nos lugares do mundo nos quais a ignorância e a desinformação ainda pagam muito bem.

Atualmente existem pessoas vendendo o “dom de levantamento de fundos de dinheiro de crentes”…

Sim, o cara chega e combina com o pastor: “Você me convida um fim de semana, me dá um alvo financeiro, e eu levanto o dinheiro, mas 35% ficam para mim. Certo?”

Ora, a maioria dos pastores diz “sim”.

Hoje cedo alguém me escreveu:

Gostaria de saber a sua opinião acerca dum testemunho que ouvi agora pouca da esposa do jogador Kaká. Segundo ela, “a crise afetou todo o mundo e, por isso, ninguém tem dinheiro ultimamente, no entanto Deus concentrou o dinheiro do mundo no Real Madrid para que o clube pudesse ter à condição financeira de contratar o kaká”. Fiquei um pouco chocado com a percepção dela, principalmente pelo fato de eu ter visto uma reportagem em uma determinada emissora, que mostrava pessoas em Moçambique comendo ratos porque não tinham comida. Te pergunto: Será que Deus concentrou boa parte do dinheiro para abençoar uma pessoa em detrimento de milhares e milhares que estão comendo ratos para sobreviver? Não conheço o KaKá e nem a sua esposa e também não quero julgar o casal, pois acredito eu, que eles devem ajudar muitas pessoas, mas mesmo assim eu não conseguir entender o testemunho dela pela razão que coloquei acima.

Pois, bem, é assim que as mentes estão…

No caso do Kaká, coitado, ele e a esposa são escravos espirituais do Estevam e da Sonia; e mulher do Kaká já foi ordenada lá…; e o Kaká agora é presbítero do Estevam, e até teve que pregar um “sermão” particular para o Estevam a fim de ser “aprovado”… Ora, creia, quem disse isso a eles, ao Kaká e a esposa, foi a Sonia ou o Estevam, ou ambos; pois, é do dinheiro do Kaká que eles dependem muito hoje… Portanto, a menina, a esposinha ainda criança, está apenas ecoando a “Profecia Soniestina” ou “Estevamtina” do casal…

Meu irmão, se Deus fosse assim, creia, ele seria o Diabo!

O Kaká ama Jesus e sua esposa também. Mas o Deus que ensinam a eles, nas maldades que faz, na “Sua” falta de amor pelo que Ele mesmo criou, e pela “Sua” diminuição até ao nível da mesquinharia do “Cristianismo” — tornou-se o diabo, do ponto de vista conceitual, e não Deus.

Outro escreveu:

Amado pastor Caio,
Escrevo esta mensagem primeiro para parabenizá-lo pelo trabalho neste site e no seu ministério.
E também pra comentar algo que acontece no meio “evangélico“.É que quando pensamos que já vimos de tudo, que não pode ficar pior, aparece o Silas Malafaia, no seu programa do ultimo sábado, apresentando uma entrevista com Morris Cerulo, no qual pedem 900 reais.E depois que a pessoa mandar “voluntariamente” os 900 reais, ela irá prosperar.(O Silas antes condenava a teologia da prosperidade…mas agora).
Ah, e tem mais, o Silas manda a gente acreditar no Morris Cerulo, pois ele é um Profeta de Deus.Confesso, que até gostava de assistir ao programa do pastor Silas Malafaia,eu sempre examinava a pregação e tirava o que era bom e de acordo com a Bíblia,mas de uns tempos pra cá, esta difícil de agüentar o programa dele.E depois dessa entrevista,acabou pra mim….
Veja o vídeo da entrevista:
http://www.youtube.com/watch?v=QXyTDsbjsnc
Obrigado, e Deus continue te abençoando grandemente.

Ora, a este amado irmão digo o mesmo.

E mais: digo que o Silas nunca creu em nada… Ele crê no que seja conveniente… Quem viver verá… O compromisso dele é com ele e com o que possa lhe dar alguma coisa… Foi comido pela ganância enquanto anda enganando e sendo enganado…

Eu não sei como ainda há pessoas que têm dois neurônios pelo menos, mas que, mesmo assim, ainda esperam colher uvas de espinheiros…

Ontem eu vi aquele novo na “praça”, o tal do Valdomiro, iniciando seu caminho de desgraça…, pedindo dinheiro o dia todo…; e ainda se diz grosso e mal e educado a fim de ter seu jeito “tosco” como pretexto para dizer o que queira sob o disfarce da semi-ignorância, o que não é verdade, posto que ele seja “cobra criada da Universal”, e tenha o Didine, ex-macedeano e universal, como seu “promoter ministerial”…

Tudo isso terá o justo juízo de Deus!…

Eles estão semeando espinho e pensam que ceifarão uvas…

Não! Quem planta espinhos não ceifa outra coisa senão espinhos… É que a ceifa ainda não chegou, mas se aproxima galopando…

Quem se entrega para ser espiritualmente cuidado por eles, fica assim como conta este vídeo do Youtube que um mano muito amado me mandou hoje cedo:

http://www.youtube.com/watch?v=stsNNmp7Al0&feature=related

Infelizmente é isso!…

Nele, que diz: “Sai dele povo meu!”,

Caio

10 de agosto de 2009

Lago Norte

Brasília

DF

www.caiofabio.net