A moral não é a ética dos evangelhos

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Posted on 11th março 2010 by Roberto in Artigos

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O Gênesis do ministério de Jesus é tomar as “talhas que os judeus usavam para as purificação” e enchê-las de vinho!

E mais: é inegável que Jesus estivesse também dizendo que Nele, Deus estava casando agora apenas com quem queria talhas religiosas com vinho novo, na pior das hipóteses; ; e, na melhor delas, o que se deveria fazer, era deixar de lado o vinho velho e seu odre roto e pingantemente misturado ao próprio vinho, pois, nesse estágio, já não se sabe mais o que é odre e nem tampouco o que é vinho! O que se deve fazer é começar outra vez à partir de conteineres que se deixem curtir no vinho novo, que de acordo com o apóstolo João, não é novo, mas aquele que desde o princípio tivemos!

Sim, para Ele, aquele odre-vinho-vinho-odre—o da religião das talhas de pedra usadas para as purificações—era já um vinagre, que servia apenas para ser bebido por aqueles que de tão acostumados que estão aos gostos ruins, já não sabem a diferença entre o gosto-gostoso e o gosto-viciado. É para o de-Lei-te de seus viciados consumidores que o vinho-odre-odre-vinho serve ainda como diversão, sendo que o juízo ao próximo é o espetáculo!

Os discípulos de Jesus, todavia, não devem perder tempo com essas questões, e, por isto, precisam partir resolutamente para buscar odres mais adequados à sempre auto-renovação desse Vinho Novo. Afinal, ninguém que tenha se viciado no vinagre dirá que o vinho novo é excelente.

Ora, a Teologia Moral de Causa e Efeito é a fabrica de Odres com Grife e também a marmorearia onde são esculpidas as talhas de pedra usadas para as purificações!

O problema é que em Jesus não dá para se fazer mais nenhum tipo de aproveitamento dessa Industria Religiosa e de suas Grifes e Selos Autorizadas. E a razão é simples: ela está para o Evangelho de Jesus assim como um perverso e desumano traficante de cocaína e heroína está para o bom samaritano—digo: mal comparando, e, apenas, no plano das relatividades humanas, pois, espiritualmente, o meu exemplo é muito menos grave que o contraste espiritual que tento expressar!

Dali, infelizmente, nada se aproveitava, pois eles pensavam que fora dali nada mais tinha valor.

A prova dessa impossibilidade de reutilização daquele sistema de pensamento e suas construções, alcança seu ápice quando Jesus diz que aquele Templo seria derrubado e que dele não ficaria pedra sobre pedra.

No entanto, para que não sejamos exaustivos demais na demonstração, quero apenas que você compare os valores anti-téticos dos ensinos de Jesus em relação aos da Teologia Moral de Causa e Efeito, vigentíssima em Seus dias, e, infelizmente, no nosso tempo também!

E para isto, não precisamos ir além do Sermão do Monte, ou do Abismo, como eu explico que ele pode se tornar em O Enigma da Graça!

A Teologia Moral de Causa e Efeito não pode praticar o sermão do monte porque ele inverte complemente os princípios de causalidades por ela ensinados. Jesus subverte radical e rupturalmente, de uma vez e para sempre, com essa lógica predatória.

Para Jesus os heróis da Graça eram os anti-heróis da religiosidade que o circundava e dos valores por ela ensinados.

Para a Teologia Moral de Causa e Efeito, TMCE— como daqui para frente chamaremos esse derivado natural da Teologia da Terra, filha religiosa do Sacrifício Competitivo de Caim —, o humilde de espírito era o lixo da espiritualidade; os que choravam eram vistos como culpados-infelizes; os mansos eram percebidos como desinteressados pelo zelo que disputava o espaço no chão da Terra; os que tem fome e sede de justiça eram interpretados como seres equivocados em suas ignorâncias radicais, pois, a única justiça que os mestres da TMCE conheciam era aquela que eles mesmos decidiam.

Já os misericordiosos eram os que tinham algo a esconder, daí se protegerem sendo bons com o próximo; os limpos de coração eram eles mesmos— os membros daquela confraria de amigos de Jó, é claro! afinal, não enxergavam seus próprios corações, pois só viam para fora de si mesmos, e, também, não esqueçamos: lavavam as mãos antes de comer!
Os pacificadores eram, em geral, considerados amigos de hereges; os perseguidos por causa da justiça, eram comum-mente aqueles acerca de quem eles patrocinavam o cartaz Wanted Dead or Alive! De preferência, bem dead !

E os injuriados e perseguidos figuravam, sobretudo, como foi no caso dos profetas, em sua lista de Most Wanted ! Esses, afinal, os Profetas, eram sempre a sua pior desGraça, eram os mais terríveis subversivos!

O seu “sal” não era para a Terra, era apenas uma produção egoísta e independente fadada a se petrificar em seus sa-Lei-ros inúteis. Afinal, não se viam no papel de dar gosto à vida, mas, ao contrário, o de roubar-lhe todo o sabor!

Luz do Mundo? Como? Eles não reconheciam nenhum outro mundo que não fosse o deles!

Quanto a Jesus ter vindo para cumprir a Lei, eles se perguntavam: Que Lei? Afinal, Jesus era o des-cumprimento de suas “Leis” a fim de poder ser o único cumpridor da Lei da Graça em nosso lugar, para, então, dizer: “Está Consumado”.

Até mesmo o des-cumprimento da Lei pelos homens—todo aquele que…—, Jesus trata com relatividade quanto a seus efeitos. Ensina-la erradamente, faz alguém ser pequeno; ensina-la corretamente e vive-la, torna alguém grande no reino dos céus. Assim Ele está dizendo que não se deveria jamais ensina-la de modo adaptado e nem tampouco cumpri-la de modo farisaico ou religioso, pois, para Ele, a justiça excede as exterioridades na direção de dentro, pois, nasce no coração.

O que segue é uma des-construção total de todas as “interpretações” da Lei, especialmente as explicitamente defendidas pelos discípulos da teologia dos amigos de Jó, os escribas e fariseus dos dias de Jesus e seus confrades em nossos dias!

“Não matarás”—era o que estava escrito. Homicídio, todavia, é algo que sempre começa, lentamente, nos ambientes de causa e efeito das normas adoecidas do coração, e tem uma progressão que vai da ira sem motivo às tentativas de des-construir o ser do próximo. Por isto, Ele ensina que todo homicida existencial precisar se livrar dos desejos de morte durante o caminho, do contrário, duas coisas lhe acontecerão: ele nunca mais terá nenhuma razão para falar com Deus ou tentar cultua-Lo e, também, esse homem se tornará vítima de seu próprio ódio e se alimentará de suas próprias carnes, por muito tempo—pelo menos enquanto o tempo for tempo!
O adultério, para Ele, acontecia na cama—ou em qualquer outro lugar—apenas depois de ter sido praticado muito tempo antes no coração.
Portanto, os maiores adúlteros podem nunca ter praticado um ato sequer de adultério. É quando o fazer é um detalhe se comparado ao permanente estado de ser dos que nunca cometeram historicamente o delito, mas que vivem em permanente estado de imersão interior nos abismos e dinâmicas permanentes do adultério fantasioso.

O interessante é que entre o tema do Adultério e o do Divórcio, Jesus introduz a questão das perdas circunstanciais ou até mesmo de natureza disciplinar-existencial, que eram nada se comparadas aos ganhos que certos “cortes e amputações” produzem para o bem do ser.

E Sua preocupação maior quando fala do divórcio, não é com o divórcio-em-si, mas com suas vítimas. Naquele caso, era sempre a mulher.
E por quê? Porque naqueles dias ela era o objeto descartável em questão, fruto da dureza de coração de todos nós e todas as sociedades. Ele trabalha contra expor alguém a tornar-se “algo” apenas porque “sem motivo” sua pessoa foi descartada. A denuncia, portanto, recai sobre aquele que “expõe” o outro a ser aquilo que este não deseja ser. E depois, o descartador, ainda faz pior: estigmatiza o “outro” pelo que ele mesmo decidiu: des-carta-lo! Assim, Jesus se insurge contra a estigmatização das desgraças causadas pela infelicidade humana. O que era uma total violação dos ensinos da TMCE!

Juramentos e promessas são por Ele totalmente rejeitados. Primeiro porque ninguém pode bancar nada em espaço ou dimensão alguma da vida.
Depois, porque a única dimensão que vale diante de Deus é a do Hoje.
Portanto, o que Ele espera é que as respostas do ser não sejam piedosas, necessariamente, mas, ao contrário, realidades verdadeiras, como “sim, significando sim” e “não, eqüivalendo a não”. Para Ele o “maligno” morava na fantasia que falsificava a realidade.

“Olho por olho, dente por dente”—era e ainda é a Lei áurea da TMCE.

Jesus, porém, a relativiza para sempre, mostrando sua des-construção como negação de seus princípios de causa e efeito. Afinal, o que Ele recomenda é o oposto daquilo quem em qualquer Moral social, é chamado de Direito. Ser Seu discípulo não implica em que se obedeça tais Leis de causa e efeito, podemos apanhar, ser obrigados, ser até mesmo altruisticamente abusados. Estamos livres para tal. Ou seja: Jesus recomenda que não obedeçamos as Leis de causa e efeito a fim de podermos ser Seus discípulos. E isto inclui os inimigos, que são os que mais poder tem de nos desviar do curso da Graça e nos fazer cair nas guerras patrocinadas pela TMCE. O que eles esperam é uma reação de causa e efeito. O que Jesus propõe é um efeito (misericórdia) sem causa equivalente!

E, assim, Jesus prossegue des-construindo a Teologia Moral de Causa e Efeito.

“Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles; doutra sorte, não tereis galardão junto ao vosso Pai que está nos céus”.

Ora, esta declaração de Jesus nos des-monta de tudo o que a TMCE ensina como verdade, justiça e piedade.

“Perdoa as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores”—é o golpe de misericórdia que Ele dá na estrutura de pensamento desse engano humano.

E pior: as causas de vida e morte na Terra são aquelas cujos efeitos são invertidos nos céus. O dinheiro incluído no pacote das inversões de valores.

E avisa sobre a não causalidade entre o comportamento e a verdade do ser, pois, a “luz que há em ti”, segundo Ele, podem se tornar nossas trevas.

Então, Jesus dá um Xeque-mate! Tem-se que fazer uma opção sobre quem é o nosso Senhor. E, sendo Ele o Senhor, o que sobra é “aborrecer-se” e “desprezar” o antigo senhor, e que agora tem que ser coisa de nosso perdoado passado.

Quando Ele fala das ansiedades da vida e nos recomenda descansar na Graça Providencial de Deus, o que Ele também está fazendo é afirmar que as “Leis de causa e efeito” estão relativizados pela Graça da Providência.

O grito que se faz ouvir em objeção ao juízo contra o próximo, é curto e decisivo. Juízo tem, quem se enxerga. Juízo tem, quem não julga. E juízo tem, quem sabe que por melhor que se veja a si mesmo, jamais se verá completamente. Por isto, é melhor não julgar a alma do próximo nunca. E a razão é simples: as medidas de nosso próprio juízo estão estabelecidas pelos nossos próprios critérios no julgamento que exercemos contra o próximo!

E mais: Ele recomenda que não se use nunca as pérolas da verdade de nosso ser para alimentar quem só gosta de babugem e depois se volta contra nós. A percepção da verdade não a banaliza e nem se faz suicida por ela!

Ao recomendar a oração, Jesus estabelece a quebra dos princípios de causa e efeito. A oração é a devoção que em si quebra as Leis do carma. A oração anula a Teologia Moral de Causa e Efeito, pois, dela, até o pecador sai justificado.

Neste ponto Ele diz que a Lei e os Profetas não eram inimigos entre si. Ao contrário, os Profetas haviam sido os melhores interpretes da Lei. Ou seja: antes do Verbo haver se encarnado, foi nos Profetas que a Lei encontrou sua interpretação e seu melhor cumprimento existencial.

Jesus, porém, nos diz:

“Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a lei e os profetas”.

O “resumo” que Jesus faz de todo o seu ensino é horroroso para o coração honesto. Primeiro, porque ninguém, de fato, indo dos abismos da alma à prática cotidiana, consegue encarnar o tempo todo essa verdade.
Ao contrário: nós vivemos a maior parte do tempo de modo oposto, pois, uma das coisas que a Queda gerou em nós foi um terrível poder de auto-engano e auto-anestesiamento.

A segunda razão pela qual o “resumo” de Jesus é contra nós tem a ver com sua propositividade. Jesus propõe que tomemos a iniciativa sempre— sem amargura, sem troca e sem negociação—e tratemos o próximo, seja ele quem for, do modo como gostaríamos de ser tratados se estivéssemos no lugar dele. E aqui não importa em que lugar o outro está, pois, há única pergunta a fazer é: “E se eu estivesse nesta situação, como gostaria de ser tratado?” Ou ainda uma única confissão de fé a ser declarada sempre: “Sistematicamente farei pelos outros aquilo que desejo que os outros façam também por mim o tempo todo”.

Sem falar que quando alguém não se trata bem costuma piorar no tratamento com o próximo. Aqui todos nós temos que humildemente assumir nosso déficit de bondade e nossa profunda capacidade de nos anestesiarmos na vida. A prova disto é que o mundo é como é—e, pior ainda: a “igreja” é como é!

Então, Ele entra no Caminho Estreito e adverte contra o Caminho Largo. Ora, como nos enganamos! Pensamos sempre que o Caminho Estreito é o dos Fariseus e que o Caminho Largo e o dos Publicanos e Pecadores. O Caminho Estreito conduz a Vida, Ele diz.

Então, é fácil saber do que é que Ele está falando. Jesus só recomenda como Caminho aquilo Ele viveu, e como amigos de caminhada, gente como aquela com a qual Ele conviveu.

Como podemos então pensar de modo inverso?

É que somos discípulos da TMCE e não o sabemos. O Caminho Estreito, na Terra, para Jesus, era justamente aquilo que os fariseus chamavam de Caminho Largo. E o que Jesus chamava de Caminho Largo era aquilo que os fariseus chamavam de Caminho Estreito.

O Caminho é Jesus, e o jeito de ser, é também o Dele!

Chega então a vez dos “falsos profetas que se apresentam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores”. E que ironia. Jesus diz que se deve observar causa e feito apenas nas produções do ser.
Isto porque, na utilização do Nome de Jesus com fins lucrativos e roubadores— ou mesmo pela simples e mera auto-sedução narcisista que o poder de encantar e seduzir com o sobrenatural faz nascer como doença em muitos— não há uma relação de causa e efeito entre o ser-devorador (os lobos) e os milagres que acontecem do lado de fora quando o lobo fala usando o nome de Jesus.

Não há nada no mundo espiritual que negue mais as relações de causa e efeito que essa inversão. A Graça de Deus é livre para des-conhecer o suposto “cordeiro-lobista” e levar a Graça do Cordeiro a quem quiser e como bem desejar.

Todavia, que ninguém faça disso a evidência de sua salvação. A salvação é conhecer e ser conhecidos por Deus, em Jesus. E mais: é produzir o fruto que dessa verdade de ser nasce agora naturalmente de modo sobrenatural.

A conclusão Dele nos põe diante da necessidade de escolhermos de duas alternativas, Um Fundamento para a nossa vida. Ou o alicerce de Rocha ou o alicerce das regiões arenosas. A emoção cristã, em geral, quando lê isto aqui é também pervertida. Pensamos na Rocha com categorias farisaicas, com suas manifestações de rigidez, e, sobretudo, de imutabilidade-morta, sem vida e, portanto, estática!

Assim, lemos a des-construção da Teologia Moral de Causa e Efeito feita por Jesus, no Sermão do Monte para, então, no final, voltarmos às emoções patrocinadas pelas Tábuas da Lei de Pedra.

Então, transformamos o Sermão do Monte em Lei, e, por essa razão, ele, no mesmo instante, se torna o Sermão do Abismo, pois, como Lei ele apenas nos enferma ainda mais profundamente por dentro, mas não nos resolve como pessoas, nem dentro e nem fora—pois em ambas as “locações” o Sermão do Monte se mostra inviável: dentro, porque sabemos o quão anti-natural ele é para a nossa própria natureza atual, caída; e fora, porque nossas existências, desde o intimo até ao comportamento, inviabilizam sua pratica, isto se não estivermos falando de amestramento na conduta, mas da honestidade de quem quer ser conforme sabe que deveria ser, e não é!

E a maioria de nós existe nesse limbo entre o véu e a revelação, entre as Pedras das Leis e a Graça de Pedra. Mas poucos sabem da Graça da Rocha e da Rocha da Graça.

E por quê?

Porque nós não cremos, de fato, que Jesus é a Pedra Angular—não o Jesus de nossas invenções, mas o do Evangelho—e nem tampouco cremos que é em Sua Graça que temos a Rocha da Nossa Salvação!

A Rocha é essa Palavra da Graça, que quebra os carmas, destroi os destinos, arrasa as certezas, desmonta os esquemas, a fim de que aquele que se gloria, glorie-se no Senhor. De outra sorte, onde estaria nossa confiança? Na fé no Deus de toda Graça ou na nossa capacidade de sermos o alicerce de nós mesmos?

A Graça é onde o poder se aperfeiçoa na fraqueza, daí ser o estarmos fundados nessa Rocha o que nos faz, mesmo em fraqueza, vencermos as ondas, os ventos e os açoites das tempestades , e, não tendo do que gloriar, pomo-nos em pé e dizemos:

Jesus, obrigado por teres feito o Caminho Largo o Suficiente para eu passar! E obrigado, porque na minha fraqueza teu poder se aperfeiçoou e, assim, tendo provado de todos os tempos, épocas e estações da vida, aqui estou para dizer, mais uma vez: ‘Para quem irei? Só Tu tens as Palavras da Vida Eterna!

A Rocha é a Graça e a Graça é a Rocha. E a Palavra é a Vida que se vive buscando em fé alcançar e conquistar aquilo que já nos alcançou, embora nós ainda não a tenhamos plenamente conquistado!

E quem é Esse que deve ser Aquele que é o nosso Caminho? E que Caminho é esse? e que Rocha é essa?

Jesus é Caminho, Sua Palavra-Encarnada é a Rocha, e Sua Graça é a Lei do caminhar!

Jesus é aquele que quando se vê no Pai recebendo um filho—qualquer filho—de volta, de antemão avisa: “Não esperem de mim nada menos que uma festa regada ao melhor vinho, pois os pecados já foram lavados com o melhor Sangue!”.

Nesse Caminho com Ele, que é um tabernáculo em movimento, tem de tudo: demônios de todos os tipos, tempestades, perplexidades, interesses escusos, certezas satânicas, exageros desnecessários, zelos homicidas, familiares em pânico, medo de trair, frágeis certezas de jamais trair, traição explicita e implícita, negação e morte !

Mas, para além disso tudo, vê-se que no Caminho com Ele, os ventos cessam, as ondas se abrandam, as Leis fixas do universo são relativizadas, os demônios sabem quem Ele é e quem somos Nele; e, assustados reconhecemos Quem Ele É!

Nesse Caminho as maiores demonstrações de fé vêm de fora da religião, e, também ouve-se a ameaça freqüente que Ele faz para que não se julgue segundo a aparência, mas conforme a reta justiça, pois, não raramente, o que é elevado entre os homens é abominação diante de Deus. Por essa razão, tanto “malandros arrependidos” quanto “réus confessos” podem encontrar seu repouso.

E, para além de tudo isto, a gente vê a morte sendo morta definitivamente na Ressurreição. Todavia, nele também se aprende que se o Verbo entrou no mundo pelas entranhas de uma virgem, Ele, no entanto, saiu da morte ante o olhar de uma mulher, ex-possessa-prostituta!

Assim, a Encarnação des-instala a Moral e a Ressurreição põe o ser-moral no papel de ouvinte provocado, pois, tem que crer no testemunho da Graça nos lábios de quem não gostaria que tivesse sido escolhida, se acontecesse no dia de Hoje—não para dar testemunho do fato da Ressurreição!

Do ponto de vista de uma moral-marketeira-publicitária Madalena seria uma testemunha que não seria selecionada, afinal, ela não tinha nenhuma credibilidade.

Nesse Caminho ninguém é perfeito, mas é da boca de crianças de peito e de pecadores quebrantados onde Ele enxerga louvor.

Sim, nesse Caminho você aprende o que é não estar nem varrido nem ornamentado, porém, sabendo que se a festa já começa com o melhor vinho, que esperar então? Algo menos que a Ressurreição?

Nesse Caminho a gente aprende que Ele nos conhece pelo nome, mesmo no dia seguinte àquele no qual o tenhamos negado—então, choramos amarga e docemente!

A Graça é a Lei do Caminho!

E, logo se percebe, porque Ele mostra, que o Caminho é Ele mesmo, é ser dele e ser conhecido por Ele, e que isto nos tira todo medo, e nos conduz à Verdade, e que é somente nela que se pode experimentar a Vida.

Então você olha e o vê em você!

Você já não vive?

Não! Ele vive em você!

E quem tentará tomar para si esse ser-tabernaculo que se move pelo e no Caminho?

Quem?

Não esqueça, o Mais Valente, é o que faz Mais Valer!

No Caminho, Ele nos garante sempre! Pois é também apenas no Caminho que somos salvos de nos tornarmos parte de uma geração perversa e que espreita como ave de rapina a alma de seu próximo!

No Caminho, “o diabo”, está amarrado e suas possessões na casa do coração são saqueadas pelo Mais Valente! E “ele” está “amarrado” porque o “escrito de dívidas que havia contra nós e que constava de ordenanças” foi irreversivelmente “rasgado e encravado na Cruz”.

Nós, por isto, estamos para sempre livres!

E quando se fala assim, se diz que a salvação humana só acontece num embate de Deus contra Deus, onde o próprio Deus seja o Réu-Justo, sendo julgado pelo Justo-Juiz, o qual, sendo também o Advogado do réu-réu— o homem—, possa oferecer o Réu-Justo como substituto em lugar do réu-réu. Assim é que o Réu-Justo—aquele que recebe o castigo da mais absoluta justiça divina contra o réu-réu—pode ser, Ele mesmo, também, o Advogado do réu-réu.

E, em toda a História só há um lugar onde Deus enfrenta Deus, num combate onde Deus ganha e Deus perde; onde o réu é condenado e absolvido; onde Aquele que é o Justo é feito o Injusto; o que não teve pecado, é feito pecado em favor do homem e de Deus!

Somente na Cruz de Cristo Deus-enfrenta-Deus, e Deus se aniquila e se supera a um só tempo . Na Cruz, Deus vence a Si mesmo e Sua Misericórdia prevalece sobre o Seu próprio juízo; sendo Suas palavras finais a respeito desse Combate, as seguintes: “Está consumado!”

Ou seja: “Esta luta acabou”. Mas para os “amigos de Jó” a luta continua e a alma tem que sofrer todos os dias a dor de acusações que só a tornam menos alma e mais feia!

Nós, todavia, não negociaremos, nem por um momento, a libertação que o Evangelho de Cristo nós trouxe de uma vez e para sempre da Teologia Moral de Causa e Efeito!

Foi para esses—os discípulos da TMCE—a quem Paulo disse: “Quanto ao mais, ninguém me moleste, pois eu trago no corpo as marcas de Jesus”.
“Sem fé é impossível agradar a Deus”. E sem Deus-contra-Deus é impossível haver uma fé que justifique o homem diante de Deus e que traga a justiça de Deus para a consciência humana. E essa certeza não vem com explicações racionais. Ela é filha de uma inerente e incompartilhável certeza de harmonia com Deus, mesmo no caos! E é filha da presença da Cruz sobre nós!

Aos amigos de Jó, o Evangelho diz que o Senhor Jesus contou uma parábola:

Propôs também esta parábola a alguns que confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros:

Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publicando.

O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, Graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho.

O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador!

Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado.
?

Somente “os amigos de Jó” podem ler o Evangelho de Jesus e continuar pensando como os fariseus. A Ética do Amor—que é a única ética do Evangelho— nega todos os pressupostos da Teologia Moral de Causa e Efeito.

A Graça inverte os pólos da Ética, que, em Cristo, se vincula não à Moral, mas à obediência amorosa a Deus; e se expressa como resposta da consciência do amor à inconsciência do próximo, mesmo que seja o inimigo!

E só assim se pode estar livre para agir desse modo, porque quem vive na Graça também já não tem mais nada a provar. Afinal, ou é ou não é! e também não depende nem de quem quer nem de quem corre, mas de usar Deus de misericórdia para com esse ser humano! para conosco! os que nos entregarmos em fé!

Conforme o apostolo João, a si mesmo se purifica, no amor, todo aquele que tem em Jesus sua esperança. Dessa forma, o Evangelho insiste em que se ande no Caminho da Vida, cuja Porta é Estreita—embora esteja aberta a todos—e que nos põe sobe a Lei do Amor.

Sim! o Evangelho insiste em que a Lei do Amor é o melhor de todos os fundamentos para a vida!

E isto, para agora usarmos outra imagem, nos faz ramos da Videira Verdadeira, tornando-nos, assim, pela prática da palavra-amor, Seus ramos-discípulos.

E dessa Videira são cortados apenas os ramos que se auto-excluem pela presunção de pensarem que o ramos pode dar fruto de si mesmo.

À esses, a Videira diz: “Sem mim nada podeis fazer!!!”

Assim, somos chamados a mamar o amor de Deus e a crescermos Nele na frutificação do amor e da misericórdia praticada uns aos outros.
Isto fará com que o mundo nos odeie!

Afinal, o mundo, incluindo sobretudo a moral religiosa, é feito de todos os ramos que auto-engaram-se crendo que o ramo pode produzir fruto de si mesmo!

O mundo são todos os ramos que não vivem da seiva da Videira, por isto secam e são lançados ao fogo.

Todo aquele que não depende da seiva da Graça que da Videira Verdadeira procede—não importa quem ele seja—, jamais produzira o fruto que permanece, pois, este, é o fruto do amor e da vida que brota do casamento do ramos com a Videira-Jesus!

Esses não são nunca amigos de Jó, pois, na Graça, foram feitos amigos de Jesus, pois, à esses, Ele disse tudo o que tinha ouvido de Seu Pai-Agricultor:

“Quem me ama, guarda os meus mandamentos; assim como eu amo o Pai e guardo os Seus mandamentos. E os mandamentos, são um: que vos amais uns aos outros, assim como eu vos amei.”

Caio

www.caiofabio.net

Como Deus quer salvar a todos e escolhe alguns?

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Posted on 11th março 2010 by Roberto in Cartas

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It is Finished

Pastor Caio !


Esses versos abaixo me angustiam muito,  pois se Deus predestinou ou elegeu alguns para salvação e outros para perdição, por que ele quer que todos os homens sejam salvos??

ITm 2:4 Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade.


ITm 2:6 O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo.

Aguardo seu retorno.

Idevaldo.

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Resposta:


Meu amigo Idevaldo: Graça e Paz!



Leia aqui no site os textos “O que vem antes: a criação ou a redenção”, e também os que o seguem: “Criação ou Redenção: você me confundiu todo” — e você entenderá um pouco melhor o tema em questão, pois assim não tenho repetir o que já está escrito com fartura no site.


Além dos textos mencionados, há dezenas de outros sobre o mesmo tema. Portanto, leia o site e você me poupará de escrever dezenas de coisas que já estão escritas, e nos termos de sua questão e angustia.


Isto dito, e supondo que você lerá o textos mencionados, bem como tudo o mais sobre a Ordem de Melquizedeque, e sobre a Eterna Cruz: o Cordeiro imolado antes da fundação do mundo, não direi muita coisa sobre seus dois textos de aflição.


Portanto, não me queira mal, mas é que não posso escrever um site novo para quem vai chegando e não lê os milhares de textos que estão aí. Do contrário, nem em mil vidas eu conseguiria cumprir tal missão.


Ora, os textos significam exatamente o que eles dizem. E não são apenas esses dois que dizem isto, mas muitos outros.


E, para quem ama, qualquer que seja a promessa de misericórdia de Deus por todos os homens (mas especialmente dos fiéis), tal fato só deveria trazer alegria, e nunca angustia.


Portanto, eis minha questão para você:


Você está em crise porque se pergunta: De que me serve ser de Deus e serví-Lo, se Ele pode simplesmente fazer o que Ele bem quiser, e salvar a tantos quanto desejar?


Ou seja: essa é angustia de quem serve a Deus por medo, e não por amor. Pois quem serve a Deus por medo é que se assusta quando pensa que sua “obediência temerosa” pode não ser o elemento essencial da salvação, e, portanto, fica confuso e meio angustiado, e mais que isto: fica se perguntando: Por que eu tenho que andar com Deus se quem não anda pode, quem sabe, chegar ao mesmo lugar?


Assim, sua aflição me diz o seguinte de você:


Se você ficasse sabendo que todos serão salvos, possivelmente você cairia na gandaia!


Do contrário, nada disso o afligiria, ainda que você esconda a real razão atrás de uma dúvida teológica.


Se eu estiver errado, me perdoe!


Mas é que em geral é assim que acontece!


Leia o site e isto não só o ajudará, mas me poupa de escrever o que já está dito!


Segue um texto que também passa pela sua questão. Porém, não deixe de ler os acima mencionados.


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Hoje, dia 20, no Fantástico, um menino que fez parte do documentário “Facão”, disse o seguinte: “Essa vida é um bagulho difícil”. Certamente ele, nos seus 17 anos, já havia internalizado, pela via da catástrofe na favela e da orfandade paterna, o que Sidarta teve que conhecer buscando. Esse menino, não; ele foi buscado pela dor; e já começa do fato dele viver onde vive, e nas condições de existência e convício aos quais ele é submetido à revelia desde sempre.


A conclusão do menino da favela e do tráfico de que essa vida é um bagulho difícil, coincide com a conclusão filosófica e religiosa de todos os pensadores e de todos os credos da Terra.


“No mundo tereis aflições”…. “Essa vida é um bagulho difícil”… “Viver é sofrer…” “… é vaidade e correr atrás do vento…”… “O existir humano é desespero…”…. “A existência é nausea”— todos dizendo a mesma coisa acerca do diagnóstico da existência.


A questão é: por quê a vida tem que ser esse bagulho tão difícil?


À cuja questão, eu coloco as minha próprias:


Como seria possível haver o desenvolvimento da consciência sem dor e contradição?


E que tipo diferenciado de consciência é essa, que apenas a conhece esse ente humano, que é animal-instintual ao mesmo tempo em que carrega todos os desejos da eternidade em si mesmo?


Seria ela, a consciência, passível de desenvolvimento sem dor, num ser que já é em si sofrimento e tensão entre o tempo e a eternidade, entre o finito e o infinito, entre o visível e material e o invisível e espiritual?


Ou seja: eternizados num Éden sem tentação, quem seríamos nós?


O que sei é que se olhássemos com nossos olhos-morais-de-hoje, lá para trás…; sim, se nos fosse possível adentrar os portões do Éden, antes da Queda, e ver Adão e Eva no Paraíso, que cenas nós veríamos? E como as veríamos e as julgaríamos?


Minha certeza é que elas, embora sejam nosso desejo terreno mais profundo, certamente não eram para ser comparadas com o que nos foi dado, apesar da Queda, visto que é indubitável que o Segundo Adão, Jesus, é maior do que o Primeiro Adão; assim como a Graça e excelentemente superior à Lei; assim como o menor no Reino de Deus é ainda maior do que o maior de todos “antes”: João Batista.


O que aconteceu no Éden, para mim, faz parte de mais um dos paradoxos e até inexplicáveis contradições da Escritura. Sim, porque se de um lado o que lá havia era “muito bom”; o que se diz que o Segundo Adão fez, depois da Queda, é de uma dimensão que não é para comparar com a Primeira; assim como é tolo tentar comparar a glória de Moisés com a de Cristo, posto Moisés cobria a face em razão do desvanecer, e Jesus deixava o rosto para fora em razão de Seu resplandecer.


Ora, como creio na Escritura e em sua revelação, e, sobretudo, creio que Jesus é quem mostrou e disse ser, não me é possível deixar de ver que a Queda é também um acontecimento “para cima”, a menos que haja um outro meio de formar consciência fora do choque das contradições, e conforme a existência a que nos pusemos submetidos, por escolha própria, porém, ainda conforme a soberania de Deus; a qual é tão soberana e sutil, que nos deixa livres enquanto trabalha usando os próprios atos livres do humanos, a fim de esculpir o Homem no homem.


Se o Cordeiro foi imolado antes de tudo, então, não há como a Queda não ser vista e entendida como “contradição essencial e necessária” ao processo da formação da consciência. Posto que ela mesma, a consciência ainda não existente, já havia recebido a provisão do Cordeiro. Razão pela qual, após a Queda, os humanos são imediatamente cobertos por Deus com peles de animais; os quais morreram para cobrir os humanos; do mesmo modo como a Cruz de Jesus foi a Cunsumação histórica do fato eterno estabelecido antes da fundação do mundo: a Cruz do Cordeiro.


É por causa da Cruz do Cordeiro Eterno, imolado Antes, que todo o proceso de formação da consciência acontece numa contradição que tem que ser sentida como transgressão, ao mesmo tempo em que precisa ser percebida sob a Graça Eterna.


Do contrário, não se tem um adorador, mas apenas um religioso perdido entre a dúvida de “onde” se deve adorar: se em Jerusalém ou se no Monte Gerezim; conforme a Samaritana antes de beber da Água da Vida. Ou, então, tem-se apenas um ser de conciência culpada e neurótica, mas jamais consciente e pacificada. A outra alternativa é a alienação deliberada ou o cinismo consciente.


O que de fato estou dizendo é que até a Queda contribuiu para o bem dos que amam a Deus!


Pense nisto!



Caio

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Agora, leia mais este outro!


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QUAL O SIGNIFICADO DA ORDEM DE MELQUIZEDEQUE?



Muita gente tem me escrito pedindo que eu fale um pouco mais sobre a Ordem de Melquizedeque. Ora, há duas maneiras de se fazer isto. Um é defensiva e a outra é propositiva. A forma defensiva parte do pressuposto de que a realidade do tema é algo alienígena nos credos do Cristianismo; e, mais ainda, que não se tem nenhum interesse em pensar em suas implicações, visto que isto dês-construiria um sistema que foi desenvolvido durante pelo menos 1700 anos de história da igreja como instituição.


Se fosse falar no assunto na defensiva, teria que provar que Deus tem na Ordem de Melquizedeque sua “justificativa” teológica para ser livre como Deus, derramando Sua Graça onde bem entenda, e sem dar explicações. Mas ainda é uma tentativa de “pedir licença” e rogar por clemência aos doutores da ortodoxia e senhores da verdade. E mais: ainda é também uma confissão muito forte acerca do poder inquisitorial dos doutores e escribas do Cristianismo; os perpétuos neuróticos da verdade-cartilha; e supostos guardiões do “Santo Graal da Doutrina”.


Ou seja: ainda é uma tese para “eles”, como foi o caso da primeira vez que escrevi sobre o assunto, aos 22 anos, quando de minha “tese” de ordenação.


Hoje, entretanto, não sinto a menor obrigação de ser defensivo e explicativo em nada. O que creio, isto falo; e não me explico no meu crer.


Desse modo, a fim de também simplificar ao máximo este texto e fazê-lo também sucinto, apenas descreverei o que creio sobre a Ordem de Melquizedeque, conforme mencionada nas Escrituras.


Melquizedeque aparece do nada, sem antecedentes e sem explicações. Abraão encontra com ele e se verga diante dele, e lhe paga o dízimo de tudo quanto tinha consigo. Melquizedeque abençoa a Abraão. Então, assim como veio, ele vai, sem deixar vestígios.


Mais tarde, séculos depois disto, Melquizedeque aparece nos Salmos, quando, também do nada, se diz que o Senhor jurou que Seu Enviado seria feito Sumo Sacerdote, segundo a Ordem de Melquizedeque. Somente isto e nada mais.


Até a Carta aos Hebreus. É nela que Melquizedeque volta como nunca antes. Agora ele é aquele que em Cristo tem seu Sumo Sacerdote. Jesus se torna Sumo Sacerdote de uma nova ordem sacerdotal, a qual não era étnica, pois não era judaica. Nem era levitica, posto que Jesus não era da tribo de Levi, mas de Judá; não tendo, portanto, qualquer relação com o sacerdócio anterior, o qual tinha na Ordem Levitica, da tribo de Levi, um dos doze patriarcas de Israel, os representantes humanos do culto que se prestava ao Deus de Abraão. Do mesmo modo se pode dizer que ela nem tampouco se condicionava à informação histórica, carregada de esperança redentiva, que viajava como fé, mas também como especulação teológica e fixação de tradição em Israel.


Jesus sendo Sumo Sacerdote segundo uma ordem à qual o próprio Abraão — pai do povo da revelação escrita — se curvava, é apresentado na Carta aos Hebreus como Aquele que TAMBÉM abençoa a Israel e todos os que conhecem a informação da Escritura; porém, que não se condiciona nem à geografia, nem à história registrada como sagrada, nem à informação, nem a qualquer fronteira, de qualquer que seja a natureza, estando Suas mãos sobre todos os que Ele mesmo desejar, e com a mesma liberdade com a qual abençoou a Abraão.


A Carta aos Hebreus diz que esse Melquizedeque é semelhante ao Filho de Deus, sem principio de dias e sem fim de existência; sendo superior a tudo quanto era relativo a Abraão, visto que é o maior quem abençoa o menor.


Assim, Melquizedeque não é explicado, mas apenas afirmado. De fato, ele paira sobre a História, é um pingo de peso explosivo num Salmo, e arrebenta tudo e todas as ordens, quando relativiza a mais importante de todas, a que procedia de Abraão.


Ora, o mistério de Melquizedeque é algo que ecoa o Cordeiro imolado antes de tudo, antes de qualquer ato criador de Deus.


Desse modo, pode-se dizer que o espírito da Carta aos Hebreus acerca de Melquizedeque, é aquele que o apresenta como uma manifestação do Cristo Eterno, o qual não foi feito Cristo, no Jesus Histórico; mas sim, sendo o Cristo Eterno, se mostrou como tal em Jesus, na História. Talvez seja por esta razão, também, que Jesus disse que Abraão viu os Seus dias e regozijou-se.


O Jesus Histórico não fez surgir o Cordeiro e nem a Ordem de Melquizedeque. Pelo contrário, se diz que Jesus é Sumo Sacerdote “segundo” a Ordem de Melquizedeque; assim como se diz que o Cordeiro foi imolado antes de tudo; antes de haver mundo.


Jesus é a Encarnação de tudo o que Nele preexistia como Cordeiro Eterno, como o Cristo de Tudo e Todos, como o Sacrifício da Ordem de Melquizedeque (que manifesta na História a invasão livre do eterno, se revelando aos homens, e derramando Graça de todas as ordens); e como Jesus; o Cordeiro de Deus; o Cristo; ou Cristo Jesus; ou apenas o Cristo; ou ainda o Cristo de Deus; ou simplesmente Jesus Cristo — que é o que se diz Dele; enquanto Ele mesmo se define como Filho do Homem, o Caminho, a Verdade, a Vida, o Pão da Vida, a Porta, o Bom Pastor, o Noivo, e Aquele que é Um com o Pai (entre outras autodefinições).


As implicações de tal realidade é que são insuportáveis para a religião, pois, virtualmente acaba com ela, com seus poderes de representação, com suas certezas, com seus dogmas; e, sobretudo, com seu poder dela “administrar” a graça de Deus aos homens.


A Ordem de Melquizedeque é a Ordem da Nova Jerusalém, na qual os povos são curados, e todos trazem ao Cordeiro as belezas dos povos.


É em razão da Ordem de Melquizedeque que Jesus diz que muitos virão de todos os quadrantes da Terra, gente de todas as gerações, e tomarão lugar à mesa com Abraão, Isaque e Jacó. É também por tal razão que o Evangelho deixa claro que a maior fé que Jesus vira, não viera de dentro de Israel, mas de um pagão de fora: o Centurião Romano. Assim como é pela mesma razão que a mulher que dá um “ santo banho” em Jesus é uma mulher de fora de tudo, uma siro-fenícia.


O problema atual é que a humanidade entende a Ordem de Melquizedeque, mas já não entende a ordem de Levi, conforme a Bíblia, posto que tal coisa, para a humanidade, tiveram no Judaísmo e, sobretudo, no Cristianismo, os seus representantes históricos, o que fez com que um sentimento de repudio se espalhasse pela Terra em relação a tudo quanto possa carregar tais “representações”.


Ora, quando digo que este é o problema, não quero, todavia, universalizá-lo; afinal, ainda há bilhões que não passam sem um bom paganismo judaico-cristão. O que afirmo é que as mentes que desejam alguma forma de espiritualidade não vinculada à religião, assim sentem por não conseguirem mais tolerar a mensagem e o resultado histórico do que o Cristianismo produziu, tanto como religião, como também como potestade ideológica e política.


Esses, de fora, os pós-cristãos, todavia, quando ouvem acerca de tal Ordem superior à religião, conseguem entender o Evangelho em sua maior largueza de percepção. Por esta razão essa tal “Era Pós-Cristã” é um problema para o “Cristianismo”, mas não significa nada para o Evangelho.


Mas como disse no inicio, o problema não é dizer que Jesus é Sumo Sacerdote segundo a Ordem de Melquizedeque. O problema são as implicações dessa compreensão, as quais, sendo levadas a sério, acabam com os poderes da religião.


E quem, na “igreja”, deseja tal coisa?


Nele, que é Senhor e Salvador de todos os homens; pois se imolou pela criação antes de haver mundo,



Caio




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Espero que comece a ajudá-lo!


Um abração!


Nele, que é Quem sempre foi,




Caio

[O Portal dos Invisíveis]


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Estão me chamando de desviado…

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Posted on 4th março 2010 by Roberto in Cartas

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—– Original Message —–

From: ESTÃO ME CHAMANDO DESVIADO…

To: contato@caiofabio.com

Sent: Thursday, December 29, 2005 10:01 AM

Subject: NOIVA CORROMPIDA

Caio,

O negócio está ficando “feio” pro meu lado. Todos os irmãos ao falarem comigo só tem uma frase: Volte pra Cristo!

Cara, eu tô é sentindo raiva e não é pouca…

Eu queria entender essa “contradição”: As pessoas que lá (na igreja) continuaram podem sentar numa mesa de lanchonete e falarem livre e descabeladamente das pessoas que se “desviaram”, contudo, quem está “aqui fora”, não pode levantar um “dedin” de crítica que eles já dizem: Cuidado, você está “tocando” no “Ungido”.

Que loucura! O “estar” na igreja me dá o direito de massacrar os “ímpios” , mas se estiver fora, perco os “super-poderes”, pois pra falar mal de alguém, tenho que ter “cobertura”.

Na rua, passo por “irmãos” que viram a cara quando me vêem. Fico triste por mim, que não raras vezes virei a cara para aqueles que se “desviavam”.

Como fui hipócrita! Quantas “vidas” que saíram sangrando da igreja eu “atropelava com a moto” mas não dizia: Bom dia!

É estranho, realmente esquisito dizer isso, mas hoje me sinto livre: livre da hipocrisia, do xamanismo, da idolatria (por Nabuco Terra Nova), das profetadas de púlpito e outros “ingredientes” que têm feito muita igreja contemporânea irem pro “saco”.

Cara, o que quero é meu direito de viver. É andar pelas ruas sem ser chamado de desviado por esses hipócritas, porque dos “crimes” de que me acusam hoje, eu já os “cometia” na igreja e com eles.

Hoje todos sabem que tomo vinho (é um escândalo), mas quando bebia com eles não era pecado. Será que eles ungiam a bebida e eu não sabia?

Ouço “abertamente” a música do “mundo”, principalmente a Legião Urbana (misericórdia irmão! essa banda tem demônio até no nome!)

Cansei de ver irmãos “maduros” na fé dizerem assim: Eu tenho capacidade para ouvir esse tipo de música pois sempre fui evangélico, agora, você que veio do “mundo” não pode ouvir porque contamina.

É de lascar! Se Cristo viesse a Terra em nossos tempos , creio que seria crucificado de forma mais horrenda e sanguinária do que no filme de Gibson. Pois a sua “Noiva” se tornou politicamente mais forte e pervertida que os Fariseus do Templo, por isso, tenho certeza, “Ela” não deixaria um Homem simples, trazendo palavras simples, “corromper” a forma Piramidal da Igreja do século XXI.

Continuo no “mundo”. Para a “igreja” sou o herege Number 1. Todo dia acordo com “aquele gosto de caveira moída” na boca; por isso, não raramente, emborco um Pérgola e ouço minha musiqueta.

Quando você “caiu” se é que “aquilo” é cair, foi quando eu mais te conheci, na minha igreja tinha uma coleção de VHS seus (aqueles azuis) que, de repente, ficaram de lado (vamos fingir que não sabemos o por quê).

A Pregação que mais me marcou entre todas foi aquela baseada em Jeremias 31:3 : “…com amor eterno te amei, por isso, com benignidade te atrai”.

Reverendo amigo, já ouvi esse texto ser pregado ardente e ardilosamente diversas vezes por várias pessoas… mas “com Amor” apenas uma vez.

Toda vez que te escrevo, só tenho um sentimento: cresci, apareci e não vi nada; aprendi o que era certo com as pessoas erradas. Tenho fé que vou recuperar o tempo perdido.

Nele,

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Resposta:

Meu irmão amado: Graça e Paz!

Tudo é muito simples!

Veja: Quem é de Deus, ama. Quem não é de Deus, não ama. Quem nasceu de Deus não conhece nenhuma “nova revelação” além do “novo mandamento”, que nos amemos uns aos outros. Quem odeia jamais viu a Deus, pois Deus é amor. E aquele que diz que ama a Deus, porém odeia a seu irmão, esse segue pelo caminho de Caim. Aquele que diz que ama, mas vê seu irmão em apuros e nada faz, esse não ama; pois o amor de Deus em nós sempre acha no irmão a “carência de Deus”; e, assim, serve a Deus nos irmãos.

Isto digo, apenas para você não ter dúvidas acerca do que é o Evangelho, na prática, conforme o ensino e a prática de Jesus. O resto, meu irmão, é invenção da religião dos fariseus, que acabou ganhando a parada junto ao “cristianismo”, que é uma fusão do moralismo adoecido dos fariseus e do paganismo da Roma constantiniana… e mais alguns outros vírus e bactérias espirituais.

Tudo o que você disse não carece de resposta. Sua denuncia é tão simples, clara e repetida por milhões, todos os dias, que nem mesmo merece resposta que diga “Uau”.

Quero, entretanto, tratar rapidamente de dois temas mencionados por você; a saber: o dos desviados e o da maldição dos ungidos do Senhor.

Primeiro, você deve saber que Jesus era “um desviado” do ponto de vista dos fariseus e das autoridades da religião em Israel. E não era apenas um desviado qualquer. Por anunciar e ser a Boa Nova, Ele foi chamado de “samaritano louco”; de instrumento de “Belzebu”, o maioral os demônios; de “suicida” endiabrado; de “glutão e bebedor”; de licencioso por andar com gente como as meretrizes, os publicanos e os “pecadores”; de “blasfemo”; de “bastardo” sem pai e de origem questionável; e, por último, de bandido e agitador do povo — todas essas sendo as razões que se acumularam a fim de que Ele fosse morto.

Graças a Deus você achou a via certa, e, assim, se desviou dessa via da neurose, do medo, da culpa, do culto ao homem, da obediência serviçal a um louco, da prática dos ensinos de uma “seita” que vende um certo “outro evangelho”; o qual, saiba, mesmo que seja proclamado “por anjo de luz”, deve ser considerado “anátema”.

Aliás, nesse quesito, Paulo, que foi quem fez a declaração acima, disse que até se “ele mesmo” pregasse outra coisa, que era para que os discípulos não o ouvissem também.

Portanto, o que importa não é quem diz, mas o que é dito. Desse modo, Paulo adverte, dizendo: “Até eu mesmo, se for me alterando e pregando outra coisa, que seja repudiado”. Pois, não é o mensageiro o que vale, mas sim a mensagem, a qual é eterna e não deve ser mudada, exceto se alguém desejar sobre si o juízo de alterar o que não deve ser mexido nem por homens e nem por anjos; visto que se trata de algo eterno e imutável.

Assim, digo a você: o que chamam de seu desvio é justamente a Via Certa, pois, agora, você está deixando de seguir homens loucos e dando ouvidos não a mim, mas ao Evangelho, visto que eu também digo que se porventura eu aparecer com qualquer outra coisa que não seja o que já está “posto”, conforme a Pedra Angular, Jesus, e, também, conforme o fundamento dos Apóstolos e Profetas das Escrituras — que eu seja “anátema”.

Ora, este primeiro ponto nos remete para o segundo: o da maldição dos bruxos ungidos, os bons-mau-cumbeiros da “igreja do medo e da barganha”.

Eles evocam Davi, que não matou a Saul nas vezes em que pôde, a fim de não ferir e nem tocar num ungido do Senhor; e, também, evocam o Salmo que diz “não toqueis nos meus ungidos”.

Ora, no caso de Davi, não tocar no ungido era bem e bom para ele, que sabia que Deus mesmo, à Seu tempo, faria o que já estava designado; e Davi não queria meter a mão naquilo que não era dele, mas de Deus.

No entanto, a ordem das coisas é invertida entre nós, e o tal “não toques no ungido” passou a ser um discurso que nem Saul teve coragem de fazer (foi Davi quem disse isso, nunca Saul); mas que, os Sauls de hoje fazem, e isto a fim de poderem continuar Sauls para sempre, perseguindo, oprimindo, tiranizando, e maltratando o povo de Deus.

Desse modo, ninguém tem que tocar “no suposto ungido”, mas apenas não se deixar tocar por ele. E foi isto que Davi fez: ficou longe, muito longe, desse “ungido” que tinha ânsia de matar: Saul.

Hoje, entretanto, o que querem é que Davi diga “amém” a Saul, e que cumpra seus caprichos, e que continue na casa dele mesmo que ele seja louco. Davi não tocou em Saul, mas nunca mais deu a Saul a chance de tocar nele. Deus cuidou de Saul.

Entretanto, o que não se pode permitir é que Saul cuide da gente. Nesse caso, é como aceitar o pastoreio do surto e da loucura.

No caso do Salmo que manda não tocar nos ungidos, o contexto era outro:

Israel estava matando os profetas em razão de sua mensagem contra a iniqüidade, a feitiçaria, e a paganização da fé. Ou seja: se fosse esse o caso, se diria que o “ungido” é você; e quem o ataca é que deveria ver o que está fazendo contra a sua própria alma; pois Deus já avisou através de Jesus que Ele acha melhor que quem assim procede, “ate ao pescoço uma grande pedra e se atire ao mar”, antes de fazer mal aos que apenas crêem na Palavra do Evangelho.

Em Jesus, todavia, tudo isto acabou. Digo: esse negócio de haver uma “categoria especial de ungidos”. Afinal, isto é coisa de gente que vive com a mente ainda pagã, crendo em bruxos, magos, xamãs, feiticeiros, e, sobretudo, na cumplicidade de Deus com homens que se servem de Seu nome para manipular o próximo incauto.

Todos somos ungidos do Senhor Nele, e não há mais essa categoria especial de ungidos, visto que Paulo diz que em Jesus nós somos os ungidos do Senhor; sim, todos nós, os que cremos.

Ora, eles usam essas coisas como medo, como feitiço e como opressão do diabo sobre as almas dos homens.

Por que você acha que eles nunca me escreveram me “amaldiçoando”?

Ora, é que eles sabem que sei que eles estão apenas fazendo isto a fim de manipular os ignorantes e que ainda têm sem si o germe da fé pagã.

O “paipóstolo” não quer ser “Pai de Santo”, mas deseja ser o “padastro-dos-santos”. Desse modo, ele pode ser um “Pai de Santos”, mesmo que ele próprio pratique os métodos do medo que se encontra nas tribos primitivas, as quais, ainda são dirigidas pelo “oráculo do pagé”.

Escreva isto, pois o digo sem medo:

Eles estão servindo ao diabo e não a Deus, e suas obras de medo e controle são a própria expressão do modo como o diabo dirige as vidas humanas: pelo medo e pela tirania!

Assim, meu irmão, fique firme na Palavra e não se submeta nem mais por um momento ao pastoreio do medo e do lobo vestido de ovelha.

E mais: fique na paz de Cristo; pois, contra quem está na Graça, não vale maldição e nem encantamento, visto que Jesus mesmo já se fez, de uma vez para sempre, maldição em nosso lugar.

Fico com muita pena dos que amaldiçoam, pois sei que eles mesmos estão chamando juízo para si. Assim, quanto mais sei que me amaldiçoam à distância (pois, em minha presença nada dizem!), mais oro por eles, e mais peço a Deus que o salve dessa cegueira de seita perversa, e os converta ao Evangelho da Graça.

Eles, todavia, podem marcar uma reunião de todos os “apóstolos” do Brasil para me amaldiçoarem que a mim nada dirão; pois, saiba, meu mano: não há poder neste mundo que me faça teme-los. Eu sei quem sou em Cristo; e sei que eles escolheram o Caminho de Balaão, o qual, pela ganância de dinheiro e poder, entregou-se ao “carismatismo bruxo”, e pleno de ganância.

O melhor de tudo é que hoje você aprendeu o quanto importa sofrer pelo nome de Jesus e do Evangelho. Afinal, a única coisa que mudou em você é que agora você está livre em Jesus para seguir somente o Evangelho, e não a “sagrada escritura do paipóstolo”, a qual é pura e triste heresia, e perversão do Evangelho de Jesus.

Fique tranqüilo! Nenhum mal lhe sucederá!

Nele, que nos guarda do ódio dos homens,

Caio

OBS: desviado deveria ser alguém que deixou de ser “viado”; ou seja: alguém que não anda numa via… O bom do Evangelho é que o cara fica mesmo dês-viado. Fica na via, mas não fica viado por ninguém.

O inferno nunca me disse nada

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Posted on 28th janeiro 2010 by Roberto in Reflexões

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Sentenced to Self-Knowledge
Creative Commons License photo credit: h.koppdelaney

Uma coisa que sempre me assustou desde menino foi o modo como nós, cristãos protestantes, sempre tratamos os demais seres humanos. Se de um lado eu via o esforço para alcançá-los para a “conversão à igreja e a Jesus”—este é o esforço e esta é a ordem; afinal, que igreja considera cristão aquele que não “bate o ponto, pelo menos uma vez por semana?–; de outro lado eu via o ódio enorme dos que se sentiam ofendidos quando alguém não “queria”; visto que, na maioria das vezes, a pessoa não descria, mas apenas não “queria”; sobretudo o invólucro. Então, sempre assustou ver que tais indivíduos de gosto diferente—sim, pois o pacote que oferecemos é tão humano e cultural, que antes de ser uma questão de crer, é uma questão de querer e gostar—, eram imediatamente condenados ao inferno, sem piedade. A vontade de que o inferno exista, e de boca bem arreganhada, é a única compensação que os crentes têm pela sua obediência à Lei no meio de uma sociedade que não a leva em consideração. Assim, para muitos, o inferno é uma questão de “prova-final-de-supremacia” dos querentes contra os não-querentes; e, sobretudo, a afirmação de que o “sacrifício” de ter sido cristão não foi em vão. Faz tempo que percebo que quanto mais uma pessoa fala no inferno, mais diabólica ela fica. As piores eras da igreja sempre foram marcadas por intensa afirmação acerca do diabo e do inferno. No passado era o inferno das bruxas, das inquisições, das fogueiras, e da ameaça da danação eterna. Hoje, diante de tantas outras possibilidades de lucro com a fé—e como o inferno de fogo ficou meio fora de moda—, a danação eterna foi substituída pela danação em vida, que é a pobreza, os encostos, os maus olhados, as macumbas, e os encantamentos do inferno; e que podem ser afastados pela via de crenças em correntes, em mágicas, em amuletos, em fetiches bíblicos, e em freqüência ao lugar-de-Deus, que sempre é a franquia onde tais males são “quebrados”. Assim, o inferno deixou de ser o lugar-dimensão para onde se iria, e passou a ser o estado no qual se vive fora das “bênçãos dos ungidos de Deus’. Em outras palavras: o inferno é indispensável aos negócios da religião, pois, crêem alguns, o povo só ouvirá e obedecerá se houver medo e ameaça. Paulo nos manda pensar nas coisas lá do alto, não nas que são aqui debaixo. O interessante é que o apóstolo quase não toca no tema do inferno. Para Paulo até o diabo havia ficado menor em importância maligna que o próprio homem; visto que o apóstolo menciona o “príncipe da potestade do ar”, mas dá muito mais ênfase ao “curso deste mundo” e à “carne”. Para Paulo a “carne” era algo amplo, e que ia da opção objética da utilização da carne como coisa sem valor (como sexo casual), à tentativa religiosa ou filosófica de se tornar “apto” para Deus por conta própria. No que me diz respeito, tenho uma confissão a fazer: O inferno nunca me ajudou em nada. Não há uma única coisa que eu tenha feito nesta vida por causa dele; ou que eu tenha deixado de fazer por medo dele. Desde que conheci o amor de Deus que esse tema perdeu a relevância; e os que me ouvem há mais de trinta anos sabem que nunca me utilizei dele a fim de, pelo susto, levar o Evangelho aos milhares que creram, conforme o dom da Graça que há em mim. O interessante também é que as poucas vezes em que Jesus tocou no assunto a assembléia era religiosa. Esse não era um papo que Jesus levava com os publicanos, meretrizes e pecadores em geral. A esses Ele falava de uma vida nova e cheia de paz e perdão. Todavia, os textos nos quais Ele fala no assunto e faz “aplicativos”, em geral, o endereço era a religião certa de suas certezas, e presunçosa em sua suposta superioridade sobre os demais homens da Terra. Eu creio no inferno. Só não tenho é nenhuma fé nele! Ocorre-me, inclusive, a idéia de que um dia ele acabará para sempre. E saibam todos: isso me deixaria muito feliz. E a razão é simples: como o inferno nunca foi referencia para mim de NADA nesta vida, muito me alegraria se uma das surpresas de Deus para todos nós fosse a revelação de que o inferno foi tragado pela Cruz, para sempre. Mas tem gente que se tivesse tal notícia ficaria com tanto ódio, que o inferno teria que ser re-criado a fim de abrigá-las; visto que carne e sangue, ódio e desamor, não herdarão o reino dos céus. Sim, haveria gente que ficaria com muita raiva se Deus mesmo “deletasse” o inferno para sempre. Afinal, tudo o que os pregadores do inferno fazem ou deixam de fazer é apenas por medo da danação infernal; e não em razão do amor de Deus. Se fosse assim, milhões de cristãos virariam “Jonas”: profetas que pregam apenas se a recompensa for a condenação dos “ninivitas da terra”. Eu, todavia, sempre estive noutra. Para mim, o viver é Cristo; e o morrer é lucro. Pois se vivo, para o Senhor vivo; e se morro, para o Senhor e no Senhor, eu morro. Ora, sendo assim, quer eu viva ou eu morra, minha existência é no Senhor e para Ele; visto que o inferno nunca me inspirou um único suspiro. Minha motivação para pregar a Boa Nova vem do bem que eu recebi nela; e não tem nada a ver com nenhuma outra forma de pressão. Ora, até a idéia de galardão como premio nunca me disse nada. O amor de Deus é meu galardão.

Caio

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