Sobre infidelidade virtual

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Posted on 21st setembro 2010 by Roberto in Cartas

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Gidea and Mel get Nawty w Neva d
Creative Commons License photo credit: Imelda Whitfield

—–Original Message—–
From: M. S.
Sent: sexta-feira, 4 de julho de 2003 21:58
To: contato@caiofabio.com
Subject: Sexo Virtual

Mensagem:
Qual a sua visão sobre a infidelidade virtual?

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Resposta:

Meu querido irmão,

Não conheço isso!
Não existe “esse lugar” onde a infidelidade seja suspensa…se ela for infidelidade.
Toda infidelidade é infidelidade!
E isto no céu, na terra, debaixo dágua, debaixo da terra, voando, escalando, ou fazendo de conta que o mundo existe para contato, mas não existe de verdade…conforme a Internet.
Tudo o que acontece neste site, por exemplo, existe.
Esta carta, existe.
O que escrevo, existe.
O que me dizem, existe.
E encontro muita gente “aqui”.
Existe para con-tato, não existe como tato…mas existe…
Jesus disse que toda infidelidade começa no coração.
Se por “virtual” você entende essa coisa internetiana de se masturbar enquanto o outro (a) fala o que está fazendo e sentindo do “lado de lá”, acho pura doença.
Coisa para fariseu pós-moderno, virtude adoecida da geração “Matrix”, que se vangloria de não ter “tocado”…mas que transforma a mente num bordel de doenças piores do que a de qualquer bordel sem a virtude do virtual, mas que pelo menos tem a virtude do real…
A fala cabe no virtual…o sexo não.
Sexo virtual é como fala sem som.
É dublagem.
Todavia, existe como infidelidade…se há alguém sendo traído…e só há alguém sendo traído porque há alguém se sentindo e se sabendo infiel.

Meretrizes da esquina precedem no reino de Deus a todos os fariseus virtuais!

Pensar que não tocar, não pegar e não provar…faz menos mal, tem apenas aparência de pudor, mas não tem nenhum valor contra a idolatria dos sentidos, a sensualidade.
Ao contrário, tudo o que tira o ser humano da realidade da existência…adoece incomparavelmente mais a alma.
Se tivesse que escolher entre tais males, um menor, eu diria: vá às vias de fato…assuma o que está acontecendo…veja a razão de você estar praticando o “ascetismo” do sexo virtual…discirna seu próprio estado e condição psicológica…analise o infantilismo emocional desse ato…e pergunte a si mesmo o que está havendo.
Digo “você mesmo”…mesmo que não seja “você” a pessoa em questão.
Mas como isso aqui é a Internet…e como estamos falando mediante a virtualidade de um site…decidi dizer “você” apenas como substituição para “quem quer que…”

Toda cobiça é virtual!

Mas sexo só acontece cara-a-cara, pele-a-pele, com cheiro e realidade para todos os sentidos.
Sexo virtual é apenas a mais nova forma de doença da sexualidade não assumida.
Assim, há muitos adultérios virtuais…que nunca se encarnaram…muitas emulações homossexuais…e muitas trocas de casais virtuais…que se escondem sob o pretexto de não haver toque, etc…

O que os cristãos precisam saber para sempre é que Deus vê acima de tudo o virtual!

Ele vê o coração…

Assim, não existe sexo virtual, mas toda infidelidade é virtual, e só se materializa no real quando já foi concebida no virtual.

No virtual já adulterou com ela—diria Jesus numa visão internetiana do Sermão do Monte.

É como o “evangelista” que eu vi se vangloriar de não ter adulterado contra a esposa, pois, contratou a Escort Girl, fê-la despir-se, masturbar-se para ele, dançar e rebolar, expor-se em todas as possíveis “posições”, etc…mas, segundo ele, nada aconteceu…pois não houve “toque” e nem “penetração”.

Este é um tempo em que as doenças da alma ganham outros nomes, mas o que há “no fundo” é sempre a mesma coisa…com o agravante de que a virtualidade gera “paralelismo psicológico”, e tudo aquilo que é “para-alguma-coisa”—no sentido de ser para-lelo, como para-nóia—, faz a mente ficar mais doente…pois cria uma mundo virtual.

O que é, é…isto é tudo…e tudo é!

Caio Fábio

www.caiofabio.com

Graça – você acha que é moleza?

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Posted on 21st março 2010 by Roberto in A mente de Paulo

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Ora, irmãos, não quero que vocês sejam ignorantes quanto ao fato que nossos pais, no Êxodo, estiveram todos sob a nuvem, e todos passaram pelo mar.

Assim, podemos dizer que todos eles foram batizados, tanto na nuvem como no mar; e isto no que dizia respeito a Moisés.

E mais: podemos dizer que todos eles comeram de um pão espiritual e beberam da mesma fonte espiritual; porque bebiam de uma pedra espiritual que os seguia…

A pedra era Cristo!

Entretanto, Deus não se agradou da maioria deles, razão por que ficaram prostrados no deserto.

Ora, estas coisas se tornaram exemplos para nós, a fim de que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram.

Não se tornem, pois, idólatras, como alguns deles; porquanto está escrito: O povo assentou-se para comer e beber e levantou-se para divertir-se.

Também não pratiquemos a promiscuidade, como alguns deles o fizeram, e caíram, num só dia, vinte e três mil.

Não ponhamos o Senhor à prova, como alguns deles já fizeram e pereceram pelas mordeduras das serpentes.

Nem tampouco murmuremos, como alguns deles murmuraram e foram destruídos pelo exterminador.

Ora, estas coisas lhes sobrevieram como exemplos e foram escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado.

Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia.

Não nos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejamos tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, nos proverá livramento, de sorte que a possamos suportar.

Portanto, meus amados, fugi da idolatria.

Paulo nos diz que o caminho do Evangelho, que é caminho de Graça — é bondade e favor de Deus para que vençamos as tentações da jornada.

Não nos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejamos tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, nos proverá livramento, de sorte que a possamos suportar.

No entanto, Paulo também nos diz que as conseqüências de se querer a Graça de Deus como Graxa de Deus, são claramente demonstradas pelo caminhar do povo de Israel pelo deserto, conduzidos por Moisés.

A ênfase de Paulo é em “todos”. Todos receberam os benefícios. Todos saíram do cativeiro. Todos foram batizados tanto na chuva da nuvem [conforme o salmo] como no passar pelo mar sem se afogarem. Todos tomaram a “ceia do maná” e todos beberam da água viva que escorria da rocha. Mas a maioria deles não se fez agradável a Deus pelo seu modo de andar…

Paulo diz que os “sacramentos” da eucaristia e do batismo em nada os ajudaram, pois, a vida com Deus é feita de sacramentos de obediência e não de ritos.

Então o apóstolo adverte dizendo que houve algumas coisas no coração dos que peregrinavam pelo deserto e que são as mesmas coisas presentes em todos nós, os que caminhamos pelo chão árido desta terra de peregrinações.

Cobiçaram o que não tinham como se fosse obrigação de Deus libertá-los para uma vida de hedonismo. E faziam isto como fantasia, posto que desejassem agora os alhos e cebolas do Egito, dizendo: Como era boa a nossa vida na terra do Faraó!

Tornaram-se idolatras não por causa exclusivamente do culto ao Bezerro de Ouro, mas, sobretudo, diz Paulo, em razão de que a mente deles se tornara um altar de idolatria do prazer e do deus do imediato; posto que apenas pensassem na vida como um acontecimento de comida, bebidas e prazeres. E, segundo Paulo, este é o espírito mais sutil da idolatria: a idolatria do imediato e dos sentidos. É a tal vida feliz que só é feliz na confusão dos muitos folguedos o tempo todo. No tédio de Deus, então, devaneio…

Além disso, entregaram-se à promiscuidade, especialmente depois de pensarem que como Israel havia vencido a macumba de Balaão, agora, então, estavam livres para a promiscuidade; posto que se Deus os amava, como aparentemente demonstrara protegendo-os da “mandinga do Bruxo” — então, pensavam: “Se estamos livres da mandinga do Bruxo, estamos livres para pegar a mulher dos nossos amaldiçoadores!” Assim, agora, na confusão mental deles, a Graça era um sinal de que estariam livres para tudo. Portanto, mergulharam na promiscuidade.

Por último Paulo adverte contra o espírito de insatisfação e de murmuração, dizendo que tal espírito suscita na existência o poder do exterminador.

Assim, sem delongas, Paulo diz:

A Graça que cobre o pecado e o pecador, cobre todo pecado e todo pecador que deseje viver livre do pecado como escravidão; mas não é um documento de alforria das conseqüências da vida; como se por causa da Graça alguém recebesse permissão a fim de que viva como quem morra…; e, ainda assim, colham-se os frutos que somente colhem os que vivem como quem vive, segundo Deus.

Desse modo, Paulo lhes diz:

Vocês pensam que porque são de Cristo, foram libertos dos ídolos explícitos, receberam batismos, tomam a eucaristia do Corpo de Cristo e bebem da fonte da Vida — vocês ficaram imunes ao pecado?

Que nada! — diz ele.

E conclui:

Aquele que assim segue andando… crendo que  apenas porque tenha provado benefícios espirituais está livre para se entregar aos ídolos do coração: cobiça, volúpia, promiscuidade, hedonismo, alienação, auto-engano, murmuração, ingratidão, etc. — está caído no chão da vereda e não sabe.

Pode haver inflação de cultos, batismos, ritos, dízimos, ofertas, pertencimento ao grupo, etc. Mas se o coração não andar no caminho em Graça responsiva ante ao perdão e a libertação, esse fica no estado piorado do qual Jesus falou, sete vezes pior, e, também, põe-se no estado que Pedro descreveu como o de uma porca lavada que volta à lama.

Quanto a nós, cabe a advertência:

Aquele que julga está em pé, cuide para que não caia!

E a razão é simples:

Não nos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejamos tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, nos proverá livramento, de sorte que a possamos suportar.

Nele, que nos tira de uma vida de cobra, comendo o pó da terra, e nos põe sobre os nossos próprios pés, andando como gente,

Caio

2 de fevereiro de 2009

Lago Norte

Brasília

DF

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