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	<title>Site cristão &#187; fraqueza</title>
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		<title>Meu pastor, meu medo e minha fobia</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Jul 2010 02:27:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roberto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[photo credit: GilbertoFilho . Querido Caio, meu pastor. Recebi tua resposta há alguns meses e desde então tenho tentado digeri-la &#8211; e mais: vivê-la! Só que como você mesmo nos ensina aqui, tudo é fácil quando não estamos vivendo, quando não estamos no olho do furacão. Daí porque eu re-alimento a questão (recalques, eu sei), [...]<p><br>
<a href="http://www.sitecristao.com/meu-pastor-meu-medo-e-minha-fobia/">Meu pastor, meu medo e minha fobia</a> publicado por: <a href="http://www.sitecristao.com">Site cristao</a></p>



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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="Te olho nos olhos" href="http://www.flickr.com/photos/80341652@N00/2819685146/" target="_blank"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2017/2819685146_35dd6c0b93.jpg" border="0" alt="Te olho nos olhos" /></a><br />
<small><a title="Attribution License" href="http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/" target="_blank"><img src="http://www.sitecristao.com/wp-content/plugins/photo-dropper/images/cc.png" border="0" alt="Creative Commons License" width="16" height="16" align="absmiddle" /></a> <a href="http://www.photodropper.com/photos/" target="_blank">photo</a> credit: <a title="GilbertoFilho ." href="http://www.flickr.com/photos/80341652@N00/2819685146/" target="_blank">GilbertoFilho .</a></small></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Querido Caio, meu pastor. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Recebi tua resposta há alguns meses e desde então  tenho tentado digeri-la &#8211; e mais: vivê-la! </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Só que como você mesmo nos ensina aqui, tudo é  fácil quando não estamos vivendo, quando não estamos no olho do furacão. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Daí porque eu re-alimento a questão (recalques, eu  sei), perguntando: &#8220;Se a santidade vem de <a href="http://www.sitecristao.com/qual-e-a-vontade-de-deus-para-mim/" class="kblinker" title="More about Deus &raquo;">Deus</a> e não do homem, por que  eu me bato tanto (poderia ter escrito esmurro também) pra conseguir me  apropriar dela e pra conseguir ser <a href="http://www.sitecristao.com/o-que-e-ser-santo/" class="kblinker" title="More about santo &raquo;">santo</a> e não ferir a Santidade de  Deus?&#8221; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Cara, você deve ter noção sim de como é horrível a  gente estar em luta conosco mesmo a todo o momento. A luta de não  querer, como se lê na <a href="http://www.robertosoares.com/lojinha/" class="kblinker" title="More about Bíblia &raquo;">Bíblia</a>, entristecer o <a href="http://www.sitecristao.com/busco-o-batismo-no-espirito-santo-e-nao-recebo/" class="kblinker" title="More about Espírito Santo &raquo;">Espírito Santo</a>&#8230; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Cara, eu sinto nestes últimos dias que Ele  simplesmente foi embora. Sumiu. Me abandonou. Ou eu teria abandonado  Ele? </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Nem sei se agora peço a sua ajuda. Só sei que pra  mim tá difícil. São dias tristes em que a Graça parece passar à minha  frente sem que eu consiga tomar posse dela&#8230; (o Philip Yancey fala  disso em &#8220;Maravilhosa Graça&#8221;, que li, achei lindo, forte, poderoso, mas  não consigo viver&#8230;). </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Tomar posse&#8230; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Ah! Cara, eu tô de saco cheio desse negócio de  <a href="http://www.sitecristao.com/o-insoluvel-conflito-entre-a-religiao-e-o-evangelho/" class="kblinker" title="More about religião &raquo;">religião</a>! De ficar repetindo palavras do tipo &#8220;o meu casamento é o  melhor!&#8221;&#8230; etc etc etc, como se pela repetição a gente fosse se  apropriar de algo&#8230; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Pode até ser que sim, que se apropria, mas fica  por ali um cheiro de maracutaia. De que não é isso. De que é algo maior  viver em Cristo&#8230; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Mas ao mesmo tempo eu leio o último texto  publicado hoje (26.08) da resposta ao nervoso rapaz chamado de fariseu e  encontro na fala dele, aqui e ali algo que me chama. Algo de religioso  que sussurra aos meus ouvidos: &#8220;Vem, vem&#8230;&#8221;. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Taí, desculpa Caio, sou mais uma alma infeliz e  conturbada a te escrever&#8230; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Caio, nosso pastor amado. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Caio, aquele que se entristece com o nosso  não-entendimento. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Mas saiba, eu tento. Eu tento. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Serei mais um daqueles que apenas foram chamados? </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E ainda por cima me colocam pra tocar lá na frente  todo domingo. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E tomar conta de células. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Tomar conta e &#8220;trabalhar&#8221; com os jovens&#8230; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Com quem além de você eu posso me abrir? </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Ore por mim, eu te peço. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Um forte abraço, </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Pós-escrito: </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Caio, eu te escrevi as linhas aí em cima no dia  26.08, e retransmito como<br />
você pediu que fizéssemos, já que tudo sumiu do teu lap. Abuso da tua<br />
paciência e encaminho outro pedido de socorro, digamos assim, que está<br />
publicado no meu blog e que retrata ainda mais a minha condição hoje com<br />
Deus. Condição? Que coisa mais esquisita esta que eu escrevi&#8230; Ato  falho? </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Eis o texto: </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">&#8220;O grito&#8221; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Em dias assim eu queria ser um pássaro. Um bicho  qualquer &#8211; menos barata, que abomino -, mas um bicho que não pensasse em  nada. Um ser assim inóspito, suficiente na sua limitação animal.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Digo isto porque faz três dias que voltei a tomar  meu remédio a base de clonazepan, a fim de que eu consiga suportar minha  existência. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Tudo veio do nada. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Eu voltava de viagem e minha esposa me deu uma  palavra dura &#8211; que noutro tempo nem poderia ser dura -, e eu fui  esvaziando como aquelas bexigas de festa que depois de cortado o bolo  vão perdendo a graça. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Tomei 20, depois mais 10, depois mais não sei  quantas gotas e agora estou<br />
aqui debruçado sobre este teclado pedindo socorro. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">A quem? </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">A mim mesmo, talvez. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">É nestas horas, eu mesmo já preguei sobre isto na  <a href="http://www.robertosoares.com/voce-e-da-igreja-de-jesus/" class="kblinker" title="More about igreja &raquo;">igreja</a>, que tudo deveria fazer sentido em Cristo. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">É nestas horas que a gente deveria sentir aquela  alegria que os Evangelhos dizem vir do Senhor. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Mas eu não a sinto. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Resta aqui dentro um vazio imenso. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Enorme. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">De dar medo. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Seja qual for seu credo &#8211; mesmo que nenhum &#8211; ore  por mim. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Estou mal. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"><br />
(15.09.04)</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">____________________________________________________________</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"><br />
Oi Caio, desde já me desculpo pelo tamanho da carta. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Eu sou aquele teu conterrâneo que já te escreveu  em algumas oportunidades e você, gentilmente, respondeu. Naquelas  ocasiões a gente falou sobre a neurose de santidade, coisa e tal.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Pois bem. Acontece que muita coisa mudou na minha  vida de três semanas pra cá. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Eu não pude mais agüentar algumas coisas e saí do  ministério onde aceitei a Jesus há quase quatro anos. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Tem sido difícil porque eu re-nasci lá. Lá também  eu cresci, aprendi quase tudo o que sei, e tive até algumas experiências  sobrenaturais sim, posso dizer. Enfim, eu estava de corpo, alma e  espírito lá. Mas isso foi por um tempo. Isso porque meu espírito não  estava mais lá de uns tempos pra cá. E minha alma estava ficando  adoecida ao invés de curada&#8230; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Digo isso porque há alguns meses eu comecei a me  incomodar com algumas coisas: a carga de submissão; o lance de você  nunca ser alguém com uma opinião, mas um rebelde; o medo que eu tinha &#8211; e  ainda tenho &#8211; do pastor, e muito mais. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Não posso dizer que tudo isso tem a ver com o  esquema do G12 que lá é praticado, mas talvez com a personalidade do  pastor mesmo. Caio, ele se diz sanguíneo (numa classificação rastaquera  que apareceu por aí e que está na apostila do G12), mas eu acho que  muitas vezes ele foi e é mal-educado mesmo&#8230; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Bom, mas eu não quero falar mal dele, ainda mais  porque ele sempre pregou sobre a maldição de Miriam. Aliás, eu tenho  tentado esquecê-lo e tudo o que de ruim ele me falou. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Pra você entender algumas coisas &#8211; e eu sei que  posso estar te cansando, mas considero importante contar &#8211; esclareço que  eu era ministro de louvor/música lá. Mesmo sendo novato eu era a pessoa  que comandava a equipe de música e ministrava o louvor. Eu também abria  alguns cultos e pregava a Palavra em outros. Bom, mas a coisa foi se  desgastando, e em que pese o lema do ministério ser a família, eu estava  abandonando a minha. Isso porque eu vivia lá na igreja, de segunda a  segunda. Muitas atividades, muitas mesmo. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E eu fui cansando. Fui desanimando. E tudo isso  sendo um dos 12 do pastor&#8230; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Bom, ocorre que alguns dias antes da minha saída  eu falei pro pastor que a coisa tava ruim, que eu estava preocupado com a  minha família, e que também achava que o lema do ministério não estava  sendo cumprido e ele me disse que ia ver. Mas numa noite ele me liga em  casa e diz de bate-pronto: &#8220;Olha fulano, se o ministério está  atrapalhando a sua família, abra mão dele então, porque eu sei quem sou e  não admito ouvir dizer que a igreja está atrapalhando a sua vida.&#8221; E  disse mais: &#8220;veja o que está pegando pra você e decida&#8221;. E por fim,  diante de uma pergunta minha sobre o que fazer &#8211; se eu deveria ficar com  minha família ou com a igreja &#8211; , ele me disse: &#8220;Aí você me coloca numa  sai justa, eu não sei, você é quem tem que decidir, mas o que eu não  aprovo é domingueiro na liderança da igreja.&#8221; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Cara, foi um baque! </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Ainda que eu quisesse mesmo sair já há algum  tempo, digo que a coisa toda doeu, e ainda dói na verdade. Tudo sangra  aqui dentro, ainda que eu queira esquecer esta história. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Depois disso, Caio, eu decidi mesmo sair. E me  senti mais leve. Mais solto. Mais humano&#8230; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E logo no domingo seguinte fomos, eu e minha  esposa, a outro ministério e nos sentimos bem. Ouvimos a Palavra,  bebemos dela e ficamos felizes, como você diz, encontramos um lugar onde  se anuncia a Boa Nova da Graça de Deus.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Mas aí veio o fatídico dia&#8230; Seis dias depois do  telefonema, ele, o pastor veio aqui no meu trabalho, numa agência de  publicidade. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Cara, eu tremia, tremia, tremia. E isso é  absolutamente anormal para um cara de 39 anos, publicitário, pai de três  filhos, com quase 17 anos de empresa, respeitado por todos. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E ele me perguntou se eu não ia falar com ele  sobre a minha saída. Que eu estava me escondendo na caverna. E que ele  ficara sabendo dela, da saída, por outras pessoas do ministério que  haviam me procurado. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E eu respondi que não me sentia em condições ainda  de procurá-lo e que por isso não havia feito isso. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E ele aí começou a dizer coisas que me deixaram e  ainda me deixam preocupado. E é por isso que te escrevo hoje&#8230; Pois  fiquei e estou mal com tudo o que ele me disse. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Ele disse: </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">1º. Que eu não era discípulo, porque discípulo é  submisso; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">2º. Que eu não agüentara o primeiro tratamento  mais forte e tava correndo; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">3º. Que eu estava saindo por um capricho da minha  mulher;</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">4º. Que eu que era um homem espiritual, mas que  estava indo pela cabeça de uma mulher com uma visão material das coisas e  que, portanto, isso não era de Deus;</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">5º. Que não sabia de que altar eu andava comendo;</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">6º. Que eu estava enterrando o talento que Deus me  dera e que isso era passível de <a href="http://www.robertosoares.com/cristo-salva-ate-no-inferno/" class="kblinker" title="More about inferno &raquo;">inferno</a>; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">7º. E que ele e eu tínhamos feito uma aliança no  céu &#8211; quando eu tinha sido <a href="http://www.robertosoares.com/e-realmente-necessario-ungir-os-doentes-para-que-sejam-curados/" class="kblinker" title="More about ungido &raquo;">ungido</a> um dos seus 12 &#8211; e que agora eu estava  querendo pegar uma borracha e apagar isso sem mais nem menos. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Bom, em resumo foi isso. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Foi até engraçado porque eu disse pra ele que  desde a minha decisão de sair, e até aquele momento, eu até que estava  gostando da minha mulher de novo, tendo apetite por ela de novo, mas que  agora, diante de tudo o que ele estava me dizendo, eu tava até pensando  em me separar&#8230; (eu dou risada pra não chorar&#8230;). </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E disse ao final que não ia <a href="http://www.sitecristao.com/oracao-de-alguem-que-so-queria-falar-com-deus/" class="kblinker" title="More about orar &raquo;">orar</a> por mim porque  não era de Deus a minha saída. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Eu só escutei e fui adoecendo com aquilo tudo. Mas  no final disse que se fosse pra quebrar a cara em outro ministério, eu  tinha que quebrar. Mas que nunca ia me esquecer do que ele tinha me  ensinado. E se tivesse que voltar, voltaria e ficaria no banco sem  problemas.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Bom, foi isso. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E hoje eu te confesso que eu estou aqui, uma  semana depois deste terrível &#8220;papo&#8221; com ele, todo perdido.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Cara, eu me sinto fraco, sabe. É como se alguma  coisa tivesse me sugado. Será que isso é sinal de que não deveria ter  saído?</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Sabe, uma das coisas que me fizeram sair é que ele  não admitia que eu lesse e comentasse sobre você (de repente um destes  altares estranhos na visão dele&#8230;). </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E eu não podia ficar num lugar sem poder ser  verdadeiro. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Estranho porque ao mesmo tempo em que eu me sinto  aliviado por ter saído, eu me sinto mal com isso tudo. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Daí eu te pergunto: eu estou amarrado a ele? Eu  estou fadado a viver assim, com medo dele? Eu tenho que voltar lá de  novo e me desculpar de tudo de novo &#8211; até do que não fiz &#8211; e me humilhar  pra conseguir a bênção dele? </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Ah, Caio! Se você estivesse em Manaus eu iria pro  Caminho da Graça.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Obrigado pela tua força. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Um dos teus textos intitulado &#8220;Veja o que a Graça  pode fazer por você&#8221; me deu muita força antes e agora na minha saída. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E o legal disso tudo, sei lá, é que um dos 12 veio  até aqui e me disse que as coisas com a minha saída iam mudar e elas  mudaram. Ele aliviou a carga dos compromissos, mas eu ainda assim  confesso que me sinto um refém psicológico dele. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Como me libertar? </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Um forte abraço, </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Como escrevi na ultima carta, Caio, meu pastor. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"><br />
Observação: Eu e minha esposa estamos ansiosos pela tua resposta, Caio.  Muitas pessoas dizem tanta coisa, mas o que queremos e precisamos é da  direção de uma pessoa de Deus, e conseqüentemente, sensata como você. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Te amamos! </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">____________________________________________________________</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Oi Caio, Graça e Paz! </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"><br />
Dias atrás te escrevi sobre minha saída do grupo religioso onde eu  estava, e de outras questões como a minha ligação com o pastor de lá. Eu  sou o famigerado neurótico pela santidade (risos). </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Aliás, eu era. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Digo isso porque meio que tudo dentro de mim já  passou: as neuras que eu tinha àquela época (recente, eu sei); as  encucações acerca da minha ligação com as pessoas e com a pessoa do  pastor lá, idem. Tudo, em absoluto, meio que o tempo levou pra debaixo  de algum tapete.<br />
E a fase e frase é bem essa mesmo: debaixo do tapete. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Eu sinceramente não tenho mais pique pra me  relacionar com demonstrações de ligação com o Divino. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Fruto do g-12, talvez. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Fruto da minha natureza, certamente. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E que natureza é essa? Olha, pelo pouco que me  conheço é uma natureza cansada de quase tudo, sabe&#8230; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Engraçado como as coisas perdem as cores; né? </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Perdi o apetite: des-gosto. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Será que a existência será sempre essa coisa  dolorida para os que insistem em pensar sobre ela?</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E como parar de pensar? </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Tenho medo de estar relativizando o absoluto. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Medo de relativizar a um ponto em que, sendo quem  eu sou &#8211; detalhei isso na outra mensagem &#8211; eu caia novamente nas mãos de  alguém como o que me &#8220;gerou&#8221; em Cristo. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E sabe&#8230; Eu tenho medo de relativizar isso  também. Essa tal gestação em Deus&#8230; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Lembro agora que certa vez passeando por aqui eu  li alguma coisa sua dizendo que contigo não tinha sido mais uma  historinha&#8230; Que contigo Deus tinha se revelado de FATO e de VERDADE. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Ah, eu não alcanço isso&#8230; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Um beijo,<br />
___________________________________________________________</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Oi Caio. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Vi hoje a re-publicação duma resposta muito  carinhosa sua para uma fase em que eu me preocupava com a tal santidade.  Saiu com o título &#8220;Neurose de Santidade&#8221;. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E daí, do alto da minha dor de cabeça que não  passa, eu li tudo de novo e pensei: &#8220;engraçado como isso não me afeta  mais&#8230;&#8221; (&#8230;) &#8220;engraçado como isso era tão importante à época&#8230;&#8221;</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Assim eu vejo mais uma fase que foi. Mais um  percurso que se encerrou. Tanto quanto aquele outro percurso sobre o  qual lhe escrevi: falo das mensagens angustiadas que te mandei logo após  a minha saída da igreja onde eu congregava. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Cara! como o tempo levou tudo isso embora&#8230; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Como as coisas &#8211; quase todas as que se referem a  fé e outras instâncias &#8211; estão sem cor pra mim hoje.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Mais um percurso? </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Talvez. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Beijo grande.<br />
____________________________________________________________</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"><br />
Resposta:</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"><br />
Meu amado irmão: Graça e Paz!</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Embora nossas primeiras cartas tenham sido sobre  “santidade neurótica”, acompanhei os desdobramentos de suas cartas  posteriores sem poder interagir como gostaria, posto que estive  adoentado no início do ano, como você sabe.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Na realidade, perdi duas correspondências suas  para mim, uma das quais só achei ontem à noite, a qual aqui transcrevo  também, a saber: a carta na qual você confessa seu pavor pelo pastor  g12, seu preceptor em Cristo.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Ora, fui procurar possíveis correspondências  perdidas nessa pilha de milhares de e-mails que estão aqui alojados no  meu Outlook, e encontrei a tal carta; o que muito me angustiou.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">No entanto, o que me levou a tentar buscar “elos”  perdidos em nossa correspondência, foi a sua última Carta Descolorida.  Foi então que descobri a Carta do Tudo Varrido Para Baixo do Tapete. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Ora, ler todas as cartas na seqüência—e aqui não  colei tudo o que li, a fim de não tornar tudo longo demais—, percebi que  sua estrutura psicológica foi muito mexida pela sua experiência na  igreja do pastor g12. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">No entanto, também percebi que só houve esse  impacto todo em razão de que psicologicamente você já era frágil, e,  pelo que percebi, isso é algo que o acompanha há muitos anos.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Se eu tivesse que pintar um quadro, eu diria o  seguinte:</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Você sempre foi uma pessoa angustiada (neurótica),  com intensa busca por uma razão para viver (tendência a  depressividade), e que já vinha sendo medicado em razão de tais aflições  interiores, até que chegou na igreja, e, ouviu algo do Evangelho,  alegrou-se, entregou-se, e viveu com alegria as ocupações que recebeu,  visto que você é um homem talentoso.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Acontece que a “igreja” estava funcionando apenas  como “terapia ocupacional” para um homem com forte tendência à  depressão, e que, agora, encontrara um significante modo de servir e  expressar seus dons e talentos, o que deu a você um novo ânimo para a  vida.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">O problema é que como você também é muito  inteligente, logo viu as doenças que lá havia, aos montes; e, além  disso, começou a se angustiar ante o processo de desindividualização que  o tal G12 produz em todos aqueles que se submetem ao espírito de tal  ‘clonagem’.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Quando você me escreveu a primeira vez a piração  era acerca da sua “neurose de santidade”. No entanto, esse tema ainda é  bastante superficial se considerarmos o todo de seus conflitos.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Na realidade o que aconteceu é que você ficou  sabendo que em Jesus você tem vida, no entanto, dada a experiência tão  trágica na igreja g12, você iniciou um processo que combina as  frustrações presentes com as tendências e realidades depressivas que já  existiam dentro de você.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">A emoção que sua carta acerca do pastor me passou,  foi a de “um menino que foi seduzido e controlado pelo líder de uma  seita”.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Seu medo, seus tremores, seus temores, seus  suores, suas mãos geladas, suas noites insones, seu pavor&#8230;</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E quando você disse: “Como pode? Eu? Um homem de  39 anos, pai de filhos, publicitário, respeitado&#8230;?”—e com medo; você  revelava o desencontro profundo entre a sua razão e as suas emoções. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">De fato, certas vezes, sua carta chegou a soar  como a carta de uma amante dependente e apavorada, e que havia traído o  seu homem. Isso porque até mesmo a proposta do pastor g12 era uma  proposta de amasiamento e conjugalidade: ou sua mulher ou ele. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">O fase do “jogar tudo para baixo do tapete”,  conforme você mencionou num dos e-mails, após a sua saída do G12, era  apenas uma tentativa de sublimação de algo que ainda estava aí, e com  muita força. Ora, como você passou por cima sem olhar o que era—jogou  pra baixo do tapete—, o monstro voltou na forma do Descolorido. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Percebi que você evita até mesmo pensar em sua  conversão, pois, como aconteceu tendo o pastor g12 como preceptor, você  teme concluir que como ele é doido, sua experiência com Deus não tenha  sido válida. Daí, hoje, você até mesmo pensar que nem mesmo teve um  encontro com Deus.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Ora, seu problema não é com Deus, mas apenas com  você mesmo. E mais: enquanto você olhar a vida com esse medo, nada de  bom lhe acontecerá. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Você disse que tem tudo para ser feliz—mulher,  <a href="http://www.robertosoares.com/tag/sexo/" class="kblinker" title="More about sexo &raquo;">sexo</a> bom, filhos lindos, bom trabalho, etc—, mas afirma que não  consegue, posto que tudo se descoloriu bem diante de seus olhos.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Você mesmo diagnosticou uma dependência doentia  que se instalou na sua relação ou caso ministerial com o pastor g12. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Ora, isso me leva a fazer a você algumas  indagações, as quais, eu espero que você entenda, posto que meu único  desejo é ajudar.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">1o Como era seu pai e como era ou é sua relação  com ele?</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">2o Alguma vez na vida você já se sentiu  emocionalmente atraído por algum homem?</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">3o Você já esteve antes na vida numa posição de  submissão a alguém?</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">4o Como e em que ocasião sua depressividade se  manifestou a primeira vez? E com que idade?</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Ora, pergunto estas coisas porque considero que  tudo o que você me narrou é apenas sintoma de algo mais profundo, e que  precisa ser descoberto; isso para que você tenha paz para poder se  tratar.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Enquanto isto, leia aqui no site uma Entrevista  Sobre Discipulado, pois, eu sei que nela você terá também as respostas  às perguntas que me fez acerca de sua relação com o pastor g12; ou seja:  se deve pedir perdão a ele e voltar a levar a Canga-G-12 sobre seus  ombros para sempre, ou não.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Além disso, tome o N. Testamento nas mãos e os  salmos, e os leia sem buscar nada. Apenas leia. Leia em paz. Não busque  emoções, nem sensações, nem choros, nem revelações, nem coisas  sobrenaturais&#8230; Apenas leia, e deixe-se lavar pela Palavra.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Na realidade você foi profundamente condicionado e  mentalmente higienizado pela “lavagem gedoziana”, e, agora, precisa ser  limpo e lavado de tais condicionamentos que se fixaram em suas emoções. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E mais: não associe a Graça de Deus a emoções. A  fé baseada em emoções não é fé, mas apenas sensações. Na Graça de Deus a  gente anda apenas pela fé, mesmo que não haja nenhuma emoção. Isto  porque a vida na Graça se baseia em fé e consciência acerca do que Jesus  fez e Consumou, e não em arrebatamentos que supostamente validam ou não  a presença de Deus em nós.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Eu nunca vi um <a href="http://www.sitecristao.com/quem-sao-os-anjos-e-demonios/" class="kblinker" title="More about anjo &raquo;">anjo</a>, nunca rolei no chão em  tremores, nunca ‘caí no Espírito’, nunca levei um tapa do diabo, nunca  senti que minha cama estava sendo sacudida, nunca&#8230;</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Falo em línguas, mas isso é coisa simples. E não  baseio minha vida com Deus em nada disso. Portanto, quando disse que não  sou filho de uma “historinha”, mas de um encontro verdadeiro, eu não  dizia nada além do fato de que sei que conheço a Jesus, e isso pela  Palavra, e pela atualização que o Espírito faz dela em meu coração todos  os dias, me chamando para entregas cotidianas, e para uma vida de  confiança; ou seja: tudo pela fé.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Assim, me responda, por favor, as perguntas que  lhe fiz, pois, uma vez que tenha as respostas me sentirei mais  confortável para lhe sugerir algumas coisas mais práticas. O que posso  lhe garantir é que se você crer e confiar, tudo isso vai passar, e você  terá paz para usufruir o bem que habita a sua vida, e que é pura Graça  de Deus.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Receba meu beijo amigo!</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"><br />
Nele, em Quem ninguém serve com medo,</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Caio</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">_______________________________________________</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Oi Caio. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"><br />
Antonin Artaud diz que certas emoções não cabem em palavras. E é assim  que eu tenho me sentido ao receber tanto carinho e atenção de você. Não  há palavra que expresse meu sentimento. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Desculpa mas o texto ficou extensíssimo. Tentei te  responder tudo e talvez algo mais. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Obrigado. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">[Respostas às suas perguntas:]</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">1. Como era seu pai e como era ou é a sua relação  com ele? </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">A relação com meu pai, hoje, é de empatia. Foram  anos, confesso, para que a minha mágoa em relação ao abandono que ele  fez da nossa família &#8211; quando eu tinha 7 anos de idade &#8211; passasse. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Hoje muitas vezes eu olho pra ele, meu pai, e vejo  um cara que foi engolido<br />
pelas conseqüências da via, digamos assim. Quais sejam: </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">a. Um casamento ruim que depois passou pra outro  pior ainda. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">b. Uma descoberta minha de que ele é um cara  fraco, cheio das suas angústias, medos, desejos de relações sexuais com  outras mulheres que acontecem na mais sórdida surdina &#8211; e eu aqui não  estou julgando isso nele, porque também muitas das vezes eu me vejo  tentado a ir pelo mesmo caminho. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">c. Vejo também que ainda hoje eu e ele meio que  forçamos uma amizade &#8211; que é até sincera (ele até diz que dos 5 filhos,  eu sou o único com quem ele se abre, fala das suas fraquezas etc) -, mas  que ao final é uma amizade que eu sei estar em segundo plano sempre,  visto que meu irmão mais velho &#8211; o primogênito &#8211; é quem de fato liga pra  ele com mais freqüência, se preocupa com as coisas dele. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">d. Engraçado, paradoxal, mas é uma empatia de  atração e &#8220;deixa-pra-lá&#8221;.<br />
Somos, ao final, meio que cúmplices das nossas vias tortas. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">e. Tenho um pai, Caio, mas sinto que eu esperava  em Deus, e no preceptor &#8220;gedoziano&#8221; um pai melhor. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">f. Por fim, meu pai quando soube da minha saída do  ministério g-12 disse que já tinha isso como certo, porque na visão  dele eu estava fazendo sombra pro outro pastor, e que na verdade &#8211; ele  me disse isso anteontem &#8211; eu agora só preciso mesmo é de um púlpito e de  um povo pra tomar conta, porque ele me assegura que quando eu trago a  Palavra ela vem forte, ela vem clara, ela vem como as pessoas deveriam  ouvir. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">g. Confesso que me surpreendi com essa declaração  dele. Eu que achava que ele tava me achando um fanático, um doidivanas.  Mas ele me disse anteontem que não, que ele na verdade teve no início  ciúme do pastor g-12, mas agora sabe que eu fui &#8220;promovido&#8221;, e que vou  tocar este caminhar no Caminho na boa. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">h. Como é então minha relação com meu pai? Em  resumo: um medo de ter todos os defeitos que vejo nele, e, ao mesmo  tempo, um parceiro/cúmplice das suas (nossas) angústias. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"><br />
2. Alguma vez na vida você já se sentiu emocionalmente atraído por algum<br />
homem? </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Sim e não. Na adolescência eu tinha um medaço de  ser homossexual. Era muito magro, esquisito, de repente tinha até &#8211; e  talvez tenha ainda hoje &#8211; alguns trejeitos que não seriam classificados  como de um cara macho: daqueles que coçam o saco e cospem no chão. Tudo  isso até porque meu irmão mais velho era esportista &#8211; chegou até a ser  jogador de futebol profissional &#8211; e eu fazia aquelas fatídicas  comparações. O cara lá, todo gostosão, dono de si, a mulherada dando o  maior mole, e eu ali em casa ouvindo meus discos, fumando meus  cigarrinhos e pensando na morte, lendo Cruz e Souza. Um fato que me  marcou foi quando na faculdade eu encontrei numa prateleira um livro  ilustrado do Jean Genet, se não me engano, e levei um baque ao ver  aquele desenho de dois homens transando. Os dois em pura ereção. Foi um  baque.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Lembro que fechei o livro na hora e aquilo me  moveu a nunca mais querer ver este tipo de coisa. Daí porque digo que  hoje eu sou heterossexual mesmo. Gosto de mulheres. Mulheres delicadas,  femininas, que apreciem um bom vinho, um bom papo, e um ótimo sexo. Não  tenho fantasias com homens, definitivamente. Se a extensão da pergunta  chega na hipótese da minha relação de &#8220;amante traída&#8221; pelo pastor g-12,  posso afirmar com todas as letras que jamais passou pela minha cabeça  ter um caso ou transar com ele. Acho homens bonitos, bonitos; ainda que  me sinta, via de regra, diminuído perto deles. Mas não passa disso. A  coisa de acharem que sou isso ou aquilo já não me afeta mais,  definitivamente. Pra falar a verdade mais clara possível eu gostaria  muito é de namorar muitas mulheres. Sentir todos os seus perfumes,  sentir todas as suas formas, sabores. Isso sim eu gostaria. Mas não  posso. Seria uma tremenda sacanagem com a minha esposa. Pra te contar um  fato muito importante pra mim, houve uma mulher &#8211; mulher mesmo, fina,  inteligente, apaixonante &#8211; com quem tive um relacionamento extraconjugal  e depois de tudo eu aprendi que só fiz machucar as pessoas e eu mesmo.  Ela me disse, na última ligação que atendi: &#8220;Se você sabia que não podia  me ter inteira, porque levou adiante?&#8221; Ainda sinto saudades dela. Mas  amo minha esposa. Re-aprendi a amá-la. Na verdade se não fosse minha  esposa eu talvez nem estivesse aqui agora digitando estas linhas pra  você, Caio. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"><br />
3. Você já esteve antes na vida numa posição de submissão a alguém? </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Sim, sempre. É uma coisa doida o que acontece  comigo. Como chefio mais de 30 pessoas, com eles eu sou o cara que  manda, desmanda, ainda que tudo no respeito, na amizade, sem tiranias.  Mas quando se trata de ser o comandado eu fico todo murcho. Todo medos.  Todo temores. Minha relação com minha esposa, por exemplo, é uma relação  na qual eu prefiro que ela tome as decisões. Tome conta da grana. Tome  conta de tudo. Eu quero meio que ficar alheio. Já no trabalho eu gosto  de comandar as coisas. Saber de tudo. Ter tudo sob controle, sob o meu  controle. Mas mesmo sabendo que sou um cara competente, tenho o maior  medo do meu chefe. Medo mesmo. Passa pela minha cabeça que ele pode me  mandar embora a qualquer momento e que eu vou estar frito. E isto me  tira noites de sono muitas vezes. Lá no esquema g-12 a submissão era  total. Ainda que eu com muita espiritualidade tirava um sarro da coisa  pra não ficar tão pesada e o pessoal me colocava pra ser o porta-voz das  lamúrias que sempre pipocavam. Dentro disso tudo fica sempre aquele  papelzinho ridículo que eu faço &#8211; ainda que sempre prometa pra mim mesmo  não mais fazê-lo &#8211; de falar o que eu sei de antemão que vai agradar o  sujeito que manda em mim&#8230;. Coisa ridícula essa&#8230; Na verdade eu tenho  um <a href="http://www.sitecristao.com/sonho-seu-mar-e-seu-deus-calvinista-i-e-ii/" class="kblinker" title="More about sonho &raquo;">sonho</a> de ser como o João Gilberto Noll, aquele escritor gaúcho que  recebe uma verba da editora pra se enfiar num buraco e produzir um livro  por ano. O Rubem Fonseca também. Tenho estes sonhos: de não ter que me  relacionar com as pessoas. Agorafobia. Solipsismo. O João Padilha, que  escreveu &#8220;Bolha de Luzes&#8221; tem um personagem que é a minha cara (risos).  Detesto ir a festas. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Até as da minha família me estressam. Ter que  ficar puxando assunto, coisa e tal. Mas olha o engraçado: eu vou, me  relaciono superbem (falando quase sempre o que o povo quer ouvir) e todo  mundo fica &#8220;apaixonado&#8221; por mim&#8230; Só rindo&#8230; </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">De qualquer forma eu tento não confundir  autoridade com legitimidade. Mas eu sou péssimo pra delimitar as zonas  de relevância. E sofro demais com isso.<br />
4. Como e em que ocasião sua depressividade se manifestou a primeira  vez? E com que idade? </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Cedo, muito cedo. Logo depois que meu pai foi  embora, eu lembro que um primo nosso veio nos visitar e minha mãe  começou a chorar, chorar, chorar, e aquilo me angustiou muito. Fiquei  triste pra cacete. Com raiva também. Eu tinha 7 anos. Depois veio a fase  da adolescência, das comparações com meu irmão esportista, e dos dias,  meses, anos, passados sozinho em casa, ouvindo o Michael Jackson na  vitrola e pensando em viver a vida dele, que, definitivamente não era a  minha. Me achava feio demais. E olha que não sou nada feio (risos).  Foram natais, anos-novos, todos passados sozinho. Meu irmão jogando bola  na Europa, meu pai com a mulher dele e seus outros filhos, minha mãe  com os namorados dela eu ali, assistindo o Barros de Alencar,  descobrindo a <a href="http://www.robertosoares.com/masturbacao-e-pecado/" class="kblinker" title="More about masturbação &raquo;">masturbação</a> e cigarros como companheiros e olhando o mundo  pela janela da nossa casa alugada. Eu sentia já à esta época &#8211; 13, 14  anos &#8211; a mesma coisa que agora aqui dentro pulsa em mim: um desespero,  uma impressão de que vou explodir, de que vou fazer alguma merda.  Depois, mais tarde, como era natural, me liguei naquela fase &#8220;dark&#8221; em  que a gente só andava de preto, lia Baudelaire, ouvia Pink Floyd, The  Cure e assistia sem parar o Marlon Brando em <a href="http://www.sitecristao.com/apocalipse-para-ser-lido-hoje/" class="kblinker" title="More about apocalipse &raquo;">Apocalipse</a> Now. Eu via as  meninas, e pensava: &#8220;Puxa, eu te amaria tanto se você me deixasse.&#8221; Mas  nada rolava&#8230; Depois mais velho, 30 anos por aí, fui fazer terapia com  um cara super legal e anotava tudo no meu &#8220;Diários do Subterrâneo&#8221;. Foi  nessa época que comecei a tomar o clona misturado com clomipramina,  triptofano e outras coisas e dei uma despirocada. Mas resolvi parar. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Eu sei que cabe ao analista fatiar e eu depois  juntar em casa. Mas minhas &#8220;gestalts&#8221; parecem que não fecham nunca. Só  abrem, abrem, abrem. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Minha esposa sempre me diz: &#8220;Cara, todo mundo  sofre, não sei porque você não relaxa&#8230;.&#8221; Mas eu sempre re-encuco.  Tenho medo de ficar desempregado. Tenho um medaço do meu diploma e do  que não fiz com ele. Tenho tudo. É isso. Tenho um amigo que diz que eu  ainda sou feliz porque tenho estas âncoras de preocupação, porque caso  contrário eu já teria partido. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">O que mais me irrita &#8211; e você foi  mais-que-perfeito ao escrever sobre o &#8220;desencontro profundo entre a  minha razão e minhas emoções&#8221; &#8211; é justamente saber que eu tenho tudo pra  ser feliz. Tudo, em absoluto. Vejo gente na pior e feliz. E eu aqui  choramingando. Mas ao mesmo tempo eu sinto que não é chorinho de  filhinho de papai (que não sou, diga-se, visto que desbravei meu caminho  sozinho e com minha esposa), é uma coisa pior que eu não sei o que é. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Ufa! Acho que é só tudo isso. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">O mesmo amigo de que lhe falei acima me diz que a  arte existe justamente pra gente sublimar a existência. E você também  disse isso de certa forma. Mas eu fico naquela de achar que as minhas  pinturas, os meus textos, o meu blog, tudo o que eu faço, e faço muito  bem, não estão dando conta do recado. As letras estão invertidas pra  mim. E eu tinha mesmo muita esperança naquela terapia ocupacional. Mas  será que sempre será assim? Sempre eu vou ter que depender de remédio e  terapia? Que pai serei para as minhas filhas? </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Tenho medo da máscara cair. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Um beijo Caio. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E como disse é inefável o que você tem feito por  mim ao direcionar parte do seu tempo pra mim. Te agradeço eternamente.  Eternamente mesmo. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Bom, Agora chega de te importunar. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Beijão. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">E aparece em casa pra gente tomar um bom vinho e  bater um papo.<br />
Pode acreditar, eu não sou tão ruim assim como parece (risos).<br />
____________________________________________________________</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Resposta:</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Meu amado amigo: Graça e Paz!</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"><br />
Se tomássemos o caminho da psicanálise para tratar a questão, certamente  você seria um “prato cheio”, por tudo o que narrou antes e agora. No  entanto, meu amigo, eu não creio que a psicanálise o ajudará muito. Na  realidade eu creio que o que você precisa é se ligar a Deus em um  conhecimento profundo, e que seja o resultado de sua entrega em <a href="http://www.robertosoares.com/e-pelo-amor-que-somos-reconhecidos-como-discipulos-de-cristo/" class="kblinker" title="More about amor &raquo;">amor</a> a  Jesus e ao Evangelho. Mas fazer isso no nível psicológico também; ou  seja: “de todo o teu coração”.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Escavar sua alma poderá apenas desenterrar  defuntos que já nem sejam tão importantes assim. De fato, a cada dia que  passa, mais me convenço de que as grandes mudanças são simples; e são  fruto de uma rendição da mente ao amor. Ora, esse amor do qual estou  falando é uma escolha, uma decisão, uma consciência.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">É obvio que num mundo como o nosso (com tantas  propagandas de prazeres, de hedonismos, de surubas, de mulheres  gostosas—mais de uma na cama—, de gozos e gostos, e de experiências  novas), quase todo mundo que eu encontro está na sua situação: se  pudesse, soltaria a franga, pegaria todas, não pouparia a si mesmo de  nenhum gosto ou prazer. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">No entanto, todo esse “sentir”, é fruto do curso  deste mundo e de sua propaganda maligna e perversa; objética e  fetichista; rápida e prática; sem nomes ou compromissos; com  possibilidade de variedade quase ilimitada de experimentos.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Ora, o que vejo a cada dia que passa é que todo  mundo está sendo atingido por esse espírito que cobre a terra como um  manto; o qual abraça as almas com o abraço que não abraça, que é o  abraço da carência e da aflição, e que diz para a alma humana que a  passagem de cada pessoa pela Terra terá tido valor apenas se a pessoa  “experimentar” muitas coisas nesse mundo de múltiplas ofertas, e, no  qual, as escolhas da alma acontecem num Shopping Center de escolhas  vazias e pobres.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Assim, deixando Freud de lado e também a religião,  especialmente essa gedoziana, quero recomendar a você alguns exercícios  e disciplinas:</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"><br />
1. Já que você decidiu investir em seu casamento e que está conseguindo  bons resultados, então, aprofunde-se ainda mais. Dedique-se a amar sua  mulher; a fazer amor com ela; a tratá-la com carinho e consideração; e,  sobretudo, com reverência por ela. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">2. Trate sua insegurança em relação às figuras de  autoridade como coisa de natureza espiritual. Ou seja: combata essa  insegurança e esse medo com confiança. Sim, com confiança. Confiança em  Deus, meu amigo, é entregar, descansar, e viver sabendo que existe um  Cuidado e uma Provisão sobre nós. Assim, lhe digo: mais do que qualquer  coisa você precisa conhecer a fé como confiança. Quando isto acontecer,  você verá que como por encanto tudo isto vai desaparecer. Sim, se sua  visão acerca de Deus ganhar confiança, então, você verá que sua vida  mudará completamente; e você será possuído por uma segurança que você  nunca conheceu.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">3. Trate a questão do pastor gedoziano da seguinte  maneira: Não se grile com o que houve. Fique longe de lá. Não mexa mais  com esta questão. Vire essa página. E saiba: eu sou “pastor”,  “reverendo”, e todas essas outras bobagens da religião funcional e  estatal. Ora, é justamente por essa razão que lhe digo que nenhum pastor  desse mundo é alguém “a mais” para Deus do que você. Na realidade, o  sistema gedoziano usou as formulas de “autoridade espiritual” do Lee, e,  a elas acrescentou o controle piramidal e a obsessão pelo crescimento  numérico; sem falar num sem-número de outras tolices. Todavia, a pior  coisa que eles fizeram foi a ressurreição do sacerdócio individual de  alguns em favor de muitos: os “apóstolos atuais” chamam para si mesmos  esse papel totêmico; eles só não aceitam é o lado avesso do totem, que é  a execração. Ora, um homem com suas dificuldades naturais com a questão  das figuras de autoridade, posto num lugar gedoziano, não tinha como  não desenvolver as fobias e pânicos que você desenvolveu. Você já os  tinha; porém, lá, as coisas ganharam contornos mais sérios para você, e  que é o resultado de se misturar uma fraqueza psicológica com o medo que  a religião patrocina em relação à figura de Deus; e de seus  representantes na terra; no caso gedoziano, o “apóstolo”. Portanto,  considerando os antecedentes, posso dizer que você saiu até muito bem  dessa encrenca psicológica. Tem gente que não sai. Atendo um monte de  pessoas que enfermaram dentro dessa “rodinha de hamster”, que é o G12,  bem como dentro de todas as demais coisas que andam no seu espírito de  quantificação, controle e clonagem.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">4. Acalme seu coração uns meses, e, depois, comece  a reunir os irmãos. Sim, há muitos como você aí; além de que eu creio  que o exercício de uma liderança feita a partir do conhecimento do  significado do que é se sentir oprimido pela autoridade, pode dar a você  uma grande vantagem no exercício de um papel de liderança. Isto se você  não esquecer que também “já foi peregrino e estrangeiro” em terras de  reis controladores e opressivos.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"><br />
5. Há também em você um forte desejo de não ter crescido. E essa falta  de desejo na maturidade independente e confiante tem feito muito mal a  você. Portanto, recomendo que você leia o livro “A Trilha Menos  Percorrida”, de Scott Peck, pois creio que nele você encontrará bons  fundamentos para entender a si mesmo; bem como também nele você  discernirá o significado do que seja maturidade, segurança e amor. </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"><br />
Por enquanto é só isto. O mais é muita leitura dos evangelhos, em voz  alta, e a leitura dos salmos, em voz alta. Faça isto todos os dias. Ouça  o que está lendo. E depois escolha a passagem que tenha “escolhido”  você—porque o que tenha tocado—, e passe um tempo em silêncio, meditando  nela; depois saia em paz.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Ora, todos esses conselhos são dados levando em  consideração que você deseja viver “vida mansa e tranqüila, com toda  piedade e respeito”. No entanto, eu sei que o apelo deste mundo de  seduções é para que você se entregue a uma existencialidade de  experiências e experimentos, os quais, saiba, eu sei, por experiência  própria, nada fazem de bom à alma, e a ela nada acrescentam; exceto dor.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"><br />
Receba meu amor e reverência pela sua alma!</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;">Nele, em Quem nada nos falta,</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"><br />
Caio</span></p>
<p><span style="font-family: Arial;"><a href="http://www.caiofabio.net">www.caiofabio.net</a><br />
</span></p>
<p><br>
<a href="http://www.sitecristao.com/meu-pastor-meu-medo-e-minha-fobia/">Meu pastor, meu medo e minha fobia</a> publicado por: <a href="http://www.sitecristao.com">Site cristao</a></p>


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</ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>O segredo não confessado de Paulo</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Feb 2010 03:57:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Roberto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[espinho na carne]]></category>
		<category><![CDATA[fraqueza]]></category>
		<category><![CDATA[graça]]></category>
		<category><![CDATA[orgulho]]></category>
		<category><![CDATA[soberba]]></category>
		<category><![CDATA[teologia da prosperidade]]></category>

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		<description><![CDATA[photo credit: [JP] Corrêa Carvalho &#8211; يوحنا بولس Espinho na carne e carne no Espinho! Que problemão! Será? Paulo disse que teve grandes visões e revelações espirituais-foi levado ao Paraíso e ouviu o que ninguém ouve e sabe contar-, e que por causa disso foi-lhe enviado da parte de Deus um mensageiro de Satanás para [...]<p><br>
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<li><a href='http://www.sitecristao.com/sonho-seu-mar-e-seu-deus-calvinista-i-e-ii/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Sonho: Seu mar é seu Deus calvinista (I e II)'>Sonho: Seu mar é seu Deus calvinista (I e II)</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="Achiote (Bixa orellana) - Urucum" href="http://www.flickr.com/photos/36773603@N04/3567229557/" target="_blank"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2425/3567229557_c6d50cbb6d.jpg" border="0" alt="Achiote (Bixa orellana) - Urucum" /></a><br />
<small><a title="Attribution License" href="http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/" target="_blank"><img src="http://www.sitecristao.com/wp-content/plugins/photo-dropper/images/cc.png" border="0" alt="Creative Commons License" width="16" height="16" align="absmiddle" /></a> <a href="http://www.photodropper.com/photos/" target="_blank">photo</a> credit: <a title="[JP] Corrêa Carvalho - يوحنا بولس" href="http://www.flickr.com/photos/36773603@N04/3567229557/" target="_blank">[JP] Corrêa Carvalho &#8211; يوحنا بولس</a></small></p>
<p>Espinho na carne e carne no Espinho! Que problemão! Será?</p>
<p>Paulo disse que teve grandes visões e revelações espirituais-foi  levado ao Paraíso e ouviu o que ninguém ouve e sabe contar-, e que por  causa disso foi-lhe enviado da parte de <a href="http://www.sitecristao.com/qual-e-a-vontade-de-deus-para-mim/" class="kblinker" title="More about Deus &raquo;">Deus</a> um mensageiro de Satanás  para que o esbofeteasse, a fim de que o apóstolo não se ensoberbecesse  com a grandeza das coisas que a ele estavam sendo reveladas.</p>
<p>Pediu a Deus três vezes para ficar livre daquele &#8220;<a href="http://charlesgomes.wordpress.com/2009/03/19/espinho-na-carne/">espinho na carne</a>&#8220;.<br />
O Senhor, todavia, não o removeu, tendo apenas dito a Paulo &#8220;a minha  Graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza&#8221;.</p>
<p>Que espinho era esse?</p>
<p>Muita gente boa já fez considerações sobre o assunto. O <a href="http://www.sitecristao.com/o-segredo-nao-confessado-de-paulo/">espinho de  Paulo</a> já foi sua conjuntivite crônica, já foi a perseguição dos  judaizantes, já foi o ter que trabalhar a fim de sustentar seu  ministério, já foi o estilo calamitoso e desassossegado de vida que o  acometeu, já foi a sua não aceitação pela <a href="http://www.robertosoares.com/voce-e-da-igreja-de-jesus/" class="kblinker" title="More about igreja &raquo;">Igreja</a> de Jerusalém, já foi  muita coisa&#8230;</p>
<p>No início da década de setenta, nos Estados Unidos, e depois na década  de oitenta, no Brasil, o espinho de Paulo ganhou outro &#8220;diagnóstico&#8221;.</p>
<p>Li e ouvi pessoas tentando convencer o público do contrário. No auge  da Teologia da Prosperidade, com seus líderes anunciando uma era na qual  a fé rehma curava tudo e que quem não ficasse curado era porque não  cria, o espinho de Paulo deixou de ser associado a qualquer forma de  doença ou debilidade física ou financeira.</p>
<p>Paulo não podia mais ficar doente e só passava privações por  deliberação própria. Gostava! Virara o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Super-Homem_%28filosofia%29">super-homem  de Friedrich Nietzsche</a>. Nem o próprio <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Friedrich_Nietzsche">Nietzsche</a> acreditaria que Paulo se tornou o super-homem dos cristãos, superior ao <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Assim_Falou_Zaratustra">super-homem  de Zaratustra</a>.</p>
<p>O fato é que Paulo, agora, não tinha mais permissão para adoecer.  Seria falta de fé. Afinal, como poderia ele curar se estava doente?</p>
<p>Num mundo onde o poder é do homem, somente seres absolutamente sãos  podem transmitir saúde. Afinal, o dom não é da Graça, mas uma virtude  desenvolvida pelo super-homem.</p>
<p>Assim, o espinho na carne de Paulo deixou de ser qualquer coisa  anteriormente relacionada a ele, tornando-se, assim, qualquer coisa,  menos uma doença física-psicológica ou afetiva, nem pensar!-, mas não  foi identificado como nada objetivo. Apenas se sabia que Paulo tinha um  &#8220;espinho na carne&#8221;, mas não devia ser tão &#8220;importante&#8221;, pois Deus não  quis removê-lo&#8230;</p>
<p>Até mesmo a afirmação apostólica de que o espinho tinha finalidades  terapêuticas não foi mais levada em consideração.</p>
<p>Paulo ensoberbecer?</p>
<p>Jamais!-bradam os <a href="http://www.sitecristao.com/o-que-e-ser-santo/" class="kblinker" title="More about santo &raquo;">santos</a> mais santos que Paulo.</p>
<p>E, assim, vão desespinhando a Paulo por uma única razão: Para nós a  Graça não basta e o poder não se aperfeiçoa na fraqueza!</p>
<p>Essa &#8220;graça&#8221; só basta como confeito ao bolo de nossas próprias  virtudes.</p>
<p>Essa &#8220;nossa graça&#8221; não gera humildade e dependência ao Senhor, mas  arrogância e autonomia em relação a Deus.</p>
<p>Esse &#8220;poder&#8221; só se aperfeiçoa como status atribuído ao sucesso das  virtudes da &#8220;fé&#8221; obstinada e que chega onde quer porque assim determina.</p>
<p>Esse &#8220;poder&#8221; gera seres malévolos e essa &#8220;fé&#8221; pode até colocar o  individuo onde ele quer, mas não o põe onde Deus deseja.</p>
<p>Para que se entenda o que aconteceu a Paulo não se tem que saber o que  aconteceu com ele-mas em sua vida interior.</p>
<p>E para sabermos do que se trata, basta que olhemos para nós mesmos.  Boa parte do tempo que se gasta tentando saber informações históricas  sobre o &#8220;espinho histórico&#8221; de Paulo, rouba-nos o tempo da viagem para  dentro de nós mesmos, onde o fenômeno se repete, ainda que exteriormente  ele tenha outra cara, talvez diferente da de Paulo.</p>
<p>Há três princípios que precisam ser entendidos a fim de que se  compreenda acerca do que o apóstolo está falando.</p>
<p>1. O princípio das polaridades:</p>
<p>À toda virtude humana-se assim pudermos definir o que não nasce em nós,  mas vem de Deus-corresponde um pólo desvirtuoso.<br />
Assim, é a abundancia do <a href="http://www.robertosoares.com/?s=pecado" class="kblinker" title="More about pecado &raquo;">pecado</a> que faz superabundar a Graça.<br />
Ou seja: é porque a  mulher da noite escura havia  se dado em muitos falsos  amores-na vivencia de sua  própria carência-, que agora ela ouve o elogio do Senhor dizendo que ela  &#8220;muito ama&#8221;.<br />
Tanto <a href="http://www.robertosoares.com/e-pelo-amor-que-somos-reconhecidos-como-discipulos-de-cristo/" class="kblinker" title="More about amor &raquo;">amor</a>!</p>
<p>Mas e o que havia dentro dela?</p>
<p>Os produtos daquela mesma virtude já tinham tido cara de leviandade,  promiscuidade e vagabundagem-para os expectadores, como o fariseu dono  da casa.</p>
<p>Desse modo, sempre que se vir grandes virtudes pode-se saber que  existe o equivalente polar dentro do mesmo ser.</p>
<p>Daí grandes &#8220;revelações&#8221; se fazerem acompanhar de &#8220;mensageiros de  Satanás&#8221; a fim de equilibrar o bem em nós.</p>
<p>Não há em nós equilíbrio nem para se viver o bem absoluto.</p>
<p>Nada absoluto pode ser dado a um ser caído.</p>
<p>Corrompe-o.</p>
<p>Adoece-o.</p>
<p>O faz cair da Graça.</p>
<p>O único absoluto que não se corrompe num mundo caído é o Absoluto do  amor de Deus.</p>
<p>Afinal, esse é o mundo caído. E nele muitas vezes é do abismo que  somos catapultados aos céus mais elevados na Graça!</p>
<p>2. O principio da corruptibilidade de qualquer poder sem fraqueza:</p>
<p>Todo poder num mundo caído, corrompe-quanto mais todo-poder!<br />
Não apenas o poder político, econômico, intelectual e cultural  corrompem e se tornam instrumentos de controle e soberania, mas até  mesmo as virtudes do poder ético, da <a href="http://www.sitecristao.com/a-moral-nao-e-a-etica-dos-evangelhos/" class="kblinker" title="More about moral &raquo;">moral</a>, da santidade e da própria  sabedoria-quanto mais a revelação!</p>
<p>Por isso é que todos os homens que manifestaram o poder de Deus na  <a href="http://www.robertosoares.com/lojinha/" class="kblinker" title="More about Bíblia &raquo;">Bíblia</a> tiveram que viver em fraqueza.</p>
<p>Poder de Deus sem fraqueza gera o <a href="http://www.sitecristao.com/quem-sao-os-anjos-e-demonios/" class="kblinker" title="More about diabo &raquo;">diabo</a> no ser. Transforma o &#8220;Querubim  da Guarda&#8221; no &#8220;Acusador dos Irmãos&#8221;.</p>
<p>Para o bem da própria alma o ser tem que conhecer, sem poder realizar  tudo o conhece; saber, sem atingir tudo o que discerniu; alcançar, sem  poder dizer que chegou lá sozinho.</p>
<p>É assim que tem que ser num mundo caído!</p>
<p>3. O princípio da Graça só opera como Graça produtiva na fraqueza:</p>
<p>Sem que a Graça se manifesta na fraqueza, não é e nem há Graça. Pois,  nesse caso, a virtude humana e a gloria, é de quem pensa que conseguiu  por conta própria.</p>
<p>Para que a Graça cresça em nós nunca pode haver dúvida acerca de pelo  menos duas coisas: a primeira é que &#8220;não vem de nós&#8221;; e segunda é que  &#8220;não vem de nós para que ninguém se glorie&#8221;.</p>
<p>Então alguém pergunta: Por que?</p>
<p>Ora, digo eu: é que eu sou como eu sou e você é como você é!</p>
<p>Você poderia se imaginar como um ser todo-poderoso e, ainda assim,  essencialmente bom?</p>
<p>Logo que algumas pequenas conquistas aparecem no horizonte mais  banal-não importa se promoções ou se revelações-e o individuo já começa a  mudar.</p>
<p>Chega ao ponto em que a pessoa já fala de si mesma como se fosse uma  &#8220;terceira pessoa&#8221;, um ente diferenciado dele-como se eu só me referisse  aos meus gostos como &#8220;o pastor Caio gosta disso&#8221;-e que passa a ser  tratado como o santo do próprio &#8220;santo&#8221;.</p>
<p>É quando eu sou o santo de mim mesmo!</p>
<p>Poder nas mãos do homem tem que se fazer exercer com espinho na carne.</p>
<p>E Graça na vida humana tem que ser experimentada em fraqueza.</p>
<p>Do contrário, o ser se converte em diabo.</p>
<p>Assim, aprende-se que é melhor ter revelações e ainda assim ter que se  conviver com o mensageiro de Satanás que nos esbofeteia, que ter apenas  cogitação de poder humano e de sabedoria humana, sem qualquer espinho  na carne!</p>
<p>E pior: sem também ter a satisfação de ouvir Jesus dizer: &#8220;A minha  Graça te basta, pois o poder se aperfeiçoa na fraqueza&#8221;. Não se tem que  achar o espinho, ele nos acha!</p>
<p>Não se tem que procurar a fraqueza, ela existe em nós!</p>
<p>Não se tem nem que falar no assunto, ele tem voz própria!</p>
<p>O segredo é aceitar o fato e não deixar de buscar conhecer todos os  andares dos céus dos céus, sabendo que não é a minha virtude que me leva  tão alto, mas a Graça que usou a minha fraqueza para revelar tanto, a  quem antes de tudo já sabe que não tem do que se gloriar.</p>
<p>O espinho na carne de Paulo interessa muito pouco saber qual era.  Interessa mesmo é saber que ele tinha que estar lá.</p>
<p>Caio</p>
<p>Escrito em 6/8/03</p>
<p>Mais textos em <a href="http://www.caiofabio.net">www.caiofabio.net</a></p>
<p><br>
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</ol></p>]]></content:encoded>
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