As pedradas de um severo

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Posted on 14th março 2010 by Roberto in Cartas

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Severo: não envio nada “undisclosed”.

Aqui neste site só tratamos de conteúdos, nunca nomeando pessoas.

Mas há um princípio: o que se anuncia no interior da casa–undisclosed–, será publicado no site.

Trate de meus pensamentos à vontade, mas faça-o com honestidade e não de má fé. E trate a mim e todos, como todos aqui estão sendo tratados: com respeito e privacidade.

Aqui está a sua carta—que você enviou para uma seleta e “undisclosed” mala direta. Você não se deu nem ao trabalho de me perguntar. Preferiu julgar o que quis, usar a “língua virtual” para pronunciar juízos; e, apenas por esta razão é que você está recebendo de mim um resposta pública. Com certeza nem um pouco severa e imprópria quanto foi a sua acusação.
Está na hora de crente aprender a ser Homem.
Antes da Questão Gay vem a Questão Homem.
Ainda nem aprendemos a ser homens, estamos querendo discutir o quê?

Caio
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Um amigo me mandou:
Caio:

Olha só o cara abaixo te metendo o pau…rs…
Um tal de Julio Severo (mais embaixo).
Em primeiro plano o cara rjustino@urbi.com.br que não sei quem é comenta….

Beijo!

Robson
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—– Original Message —–
From: RAJ
To: Undisclosed-Recipient:;
Sent: Friday, November 14, 2003 1:18 AM
Subject: Spam Alert: Fw: Caio Fábio e o homossexualismo

Tenho uma fita gravada com o Caio Fábio entrevistando pessoas que deixaram a homossexualidade, mas agora ele declara  que desconhece conhecer quem tenha mudado.
Foi ele quem criou o termo “Complexo de Gabriela” para aqueles que pensam que nasceram assim, cresceram assim e  vão ser sempre assim… E agora …
Vejam a mensagem que recebi abaixo:

—– Original Message —–
From: Julio Severo
Sent: Sunday, November 09, 2003 4:41 PM
Subject: Caio Fábio e o homossexualismo

Estimados irmãos

Enquanto vemos muitos veículos evangélicos de comunicação procurando restaurar Caio Fábio à sua posição de “conselheiro” e “opinador importante”, veja a posição dele com relação ao homossexualismo. No texto abaixo, há a mensagem de uma jovem pedindo conselho e, logo em seguida, está o “conselho” do Caio. Sua filosofia doce e delicada envolve o leitor de tal maneira que chega a camuflar o estado em que está a sua ética cristã. Extraí o texto do site pessoal do Caio.

Julio Severo
Autor de O Movimento Homossexual
(Editora Betânia)

—–Original Message—–
From: ACHO QUE ESTOU GOSTANDO DE UM HOMEM GAY
Sent: domingo, 24 de agosto de 2003 15:44
To: contato@caiofabio.com
Subject: O QUE VOCÊ ME DIZ?


Mensagem:

Boa tarde, Rev. Caio Fábio.

Antes de qualquer palavra, gostaria de lhe dizer que fiquei muito feliz ao visitar seu site e ter lido várias reflexões suas, tenho sido muito edificada.
Acredito, fazer parte daquelas pessoas que tem se cansado da igreja, mas nunca deixou ser igreja.
Sabe, tenho enfrentado um conflito dentro de mim, e já faz algum tempo que sinto a necessidade de compartilhar com alguém que possa me dizer algo verdadeiro sobre o assunto.
Acredito, sinceramente, que você é essa pessoa que pode me orientar.
Estou me envolvendo com um jovem evangélico. Ele tem muito conhecimento da Palavra, prega muito bem. Temos uma amizade muito gostosa.
Só que já tivemos alguns momentos de intimidade também.
De todos os rapazes com quem já me envolvi, ele é com quem mais me identifiquei.
É alguém com quem me sinto à vontade para ser eu mesma e compartilhar meus conflitos.
Existe tanta cumplicidade entre nós que passamos cerca de três horas conversando ao telefone sem percebermos o tempo passar… Mas existe um fator que tem me assustado muito: é que acredito que ele enfrenta uma crise de identidade sexual.
Talvez você esteja se perguntando: “Se são tão cúmplices por que ela não compartilha isso com ele?”
Ainda pretendo fazê-lo, no momento certo. Pois deve concordar comigo que esse é um assunto um tanto delicado, que se não souber tratá-lo, posso afastá-lo de vez.
Além do mais, ainda não tenho certeza, mas já estou me adiantando e te pedindo orientação, porque se eu constatar o fato, vou ter que mencioná-lo, mas tenho que estar preparada para isso, pois sou um pouco leiga nesse assunto e ainda tenho muitas dúvidas.
Uma delas é: Será possível ser feliz com alguém assim?
Será que Deus cura plenamente alguém que sente atração por uma pessoa do mesmo sexo?
Gostaria que me escrevesse me dizendo o que realmente pensa sobre esse assunto.
Como gosto muito dele, prefiro acreditar que sim. Mas ao mesmo tempo não quero construir castelos de areia, ou viver iludida.
Então, por favor, me escreva me dizendo aquilo que eu preciso saber.
Espero ansiosamente,
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Resposta:
Minha querida amiga: Luz e Sabedoria!

Você acredita que um homem que goste de mulher poderá deixar de fazê-lo por alguma mudança nesta vida?
O que consigo ver é a pessoa—o homem—conseguindo se equilibrar, sublimando seus desejos, re-orientando suas energias e transformando-as em outras formas de expressão; ou até fazendo supressão definitiva de qualquer contato com mulheres, isso se não encontrar alguém a quem ame e com quem se case—mas não consigo vê-lo se assexuando na sua inclinação.

Se é assim com heterossexuais, é assim também com  homossexuais!

Os únicos homossexuais que eu já vi serem “curados” são os que nunca foram.

Esses são aqueles que experimentaram o homossexualismo como “prática” por terem tido sua “iniciação” sexual desse modo.

Mas, de fato, não o eram. Tinham ficado apenas “viciados” naquele tipo de experiência.

A bi-sexualidade, para mim, é pior do que a homossexualidade.

Digo isto pelo mal que faz ao “bi” e pelo mal que causa aos “parceiros”, homens e mulheres.

Conheço uma quantidade enorme de “bi” dentro da igreja.

Casaram-se e tiveram filhos apenas para poderem ter a devida camuflagem para fazer o que gostam dento do armário.

De fato, quando uma pessoa nasce com a inclinação homossexual—digo a você: ela pode até se educar espiritualmente para não praticar—, ela carregará aquela semente na alma para sempre.

Eu não tenho dúvida de que em muito breve ficará definitivamente provado—já se caminha com muita rapidez para isso—que a homossexualidade tem como fator preponderante a genética.

Há pessoas homossexuais que nunca praticaram um único ato homossexual, mas nem por causa disso deixaram de ser.

São os eunucos por amor ao Reino de Deus.
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[Julio Severo comenta: esse raciocínio de Caio e exatamente igual ao do Luiz Mott, líder gay brasileiro!]—comenta o Acusador.
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Imagino que a tarefa de um ser humano homossexual e que tem que se casar a fim de manter a fachada seja horrível.

Se eu fosse você, em sendo fato a inclinação dele, não entraria nessa.

Não tem nada a ver com preconceito. Mas apenas com saúde psicológica, sua e dele.

Muitas vezes o cristão gay casa com uma mulher legal, e quem a demanda sexual não seja pesada, e com quem tenha muita amizade.

Gays são ótimos amigos. Sei disso porque sempre tive amigos gays. Alguns, com o passar do tempo, pararam; viraram titias e titios, mas não deixaram de ser quem são: homossexuais não praticantes!

Conheço gays cristãos que adoram, inclusive, aparecer com mulheres em eventos, festas, restaurantes e na igreja—mesmo que nem sempre esteja “rolando” nada entre eles—a fim de darem uma “circulada” do tipo: “estou limpando a barra.”

É uma pena que não haja liberdade para as pessoas dizerem quem são.

Creio, de todo o coração, que esse silencio sobre a questão só piora as coisas.

Quem é, e é cristão, ou fica neurótico ou mergulha na promiscuidade camuflada—sempre parceiros diferentes para que ninguém flagre um “relacionamento”—, e assim só adoecem suas almas.

Quem não é, mas ficou viciado na prática—em geral na infância—acaba ficando definitivamente viciado e depois se entrega ao vício como vocação, porque não teve a chance de tratar a questão na luz; ou seja: de modo manifesto.

Tudo o que se manifesta é luz!

Portanto, se seu negócio é casar, não faça isto nem a você e nem a ele.

Vejo até alguns gays de casando com mulheres no “tempo da delicadeza”. Nesse caso, é um casamento de amizade, de companhia e para cuidarem um do outro na velhice—mas já não há sexo envolvido na questão.

Diante do pouco que você me disse, esse é o pouco que posso lhe falar.

Receba meu beijo.

Nele,
Caio
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AGORA VEM A MINHA RESPOSTA AO SENHOR SEVERO:
Prezado SEVERO: se é que há tal coisa!

Minha opinião sobre o assunto é esta mesma.

É uma pena que não haja liberdade para as pessoas dizerem quem são–pois somente a verdade liberta da ilusão de quem não se é. E Deus trabalha na verdade.

Tenho a mesma opinião faz muito tempo. Desde o tempo em que todos me “admiravam”.

Veja a ironia: todos se dizendo abençoados, e eu sendo exatamente quem sou hoje–crendo nas mesmas coisas–e não caía o pedaço de ninguém.

Meu querido: quem tem ouvidos para ouvir, ouça; quem tem olhos para ler, leia; e quem tem coração para discernir, que discirna!

Mas estou dizendo as mesmas coisas. Sabe qual é a diferença?

AQUILO QUE EU DIZIA NO INTERIOR DA CASA, ACONSELHANDO, HOJE GRITO DA VARANDA VIRTUAL, E DEIXO DOCUMENTADO!

Já entrevistei gays que se converteram, sim. Algumas vezes.

Infelizmente, não conheço até hoje praticamente nenhum que não me tenha procurado depois para me falar de como vivem caindo sempre outra vez.

“Mato um leão por dia”—é frase que mais ouço.

Isto sem falar nos inúmeros, que nunca entrevistei, e que comigo conversam há anos—não é de hoje—, e que vivem de tombo em tombo, de queda em queda, sempre ficando mais adoecidos.

Se você foi gay e ficou completamente restaurado, meu amado, diante de Deus, folgo e me regozijo. E, portanto, creia em sua própria mudança e não fique “nervoso”.

Se conhece pessoas que viveram a mesma experiência de total libertação não apenas do “comportamento”, mas também da inclinação latente; manifestar-me-ei com a mesma alegria. Deus sabe!

Eu sou pela vida, e creio que ninguém é feliz quando não vive o mais próximo possível do ideal de Deus na criação: Ele criou homem e mulher; macho e fêmea. Este site está repleto dessa afirmação.

Nunca conheci um gay completamente feliz.

Assim como nunca conheci um heterossexual “galinha” e “mulherengo” que seja feliz.

Ninguém viola o principio original ou existe fora dele—e vive sem as conseqüências.

Digo isto, não como quem não crê em conversão. Você sabe que eu creio mais do que você. Chego a crer até na conversão de fariseus!

É por isso que me afadigo pregando a Palavra!
Sobre se converter e não ter tudo ainda mudado na vida; pelo amor de Deus, se ENXERGUE!

Você é ainda um monte de coisas ruins a serem convertidas; ou você pensa que parar um ou dois comportamentos significam uma conversão?

O que dizer de sua “insegurança” sobre o tema?
O que dizer desse seu coração raivoso?
O que dizer de seus tons irritados?
O que dizer de sua inveja dissimulada?
O que dizer do desconforto que você está tendo com o fato de que as pessoas me ouvem mesmo, e me levam à sério mesmo?
O que dizer desse incômodo acerca de que minhas opiniões sejam buscadas?
O que dizer dessa preocupação com a “mídia” desejar me ouvir?

Desde quando isso é novo?

Você mesmo confessa que tem fitas minhas em casa!

Ou você não está nem aí para o que eu digo e penso?

Se é assim, faça como eu: não sei quem é você. Se você tivesse um site eu nem saberia; e jamais o visitaria para saber o que você pensa.

Sua carta, meu amado severo, não é sobre homossexualismo, mas é sobre você mesmo.

E como ela entrega você!

Sobre os gays e homossexuais, vejo-os sofrendo por não conseguirem ser quem gostariam de ser: seres humanos normais, vivendo de modo liberto e feliz—como qualquer outro ser humano.

Você não tem a menor idéia da quantidade enorme de gays praticantes que deixaram a pratica homossexual em razão de terem tido contato com a Graça de Deus, conforme eu sempre cri e preguei.

Mesmo nunca tendo me dedicado à questão gay e nem da conversão de gays, sei—e o país inteiro também—, que todos os ministérios de ajuda a gays que existem no Brasil, somados, não realizaram o benefício de conversão e pacificação que Deus, por sua Graça, realizou nas vidas de milhares de sofredores dessa angustia por meu intermédio.

Se minha opinião lhe fez mal, sinceramente, sinto muito.

Eu creio, por isso falo.

E aqui não há nenhum tentativa de nada, a não ser a de ser verdadeiro com o que vejo, sei, e, sobretudo, creio.

Não sou candidato a nada. E não tenho barganhas a fazer.

Esse é o problema.

Estou livre para dizer aquilo que vejo como sendo verdade e realidade.

Mas não tente associar a “movimentos” e nem a “raciocínios”. Os meus são somente meus. E vivo com as conseqüências.

Minhas convicções essenciais são outras.

Creio na Graça de Deus, na misericórdia, e na justificação pela fé em Jesus. É a este mister que dedico minha existência.

Jesus é o único Evangelho que conheço e prego.

E duvido que qualquer pessoa coerente que leia o Evangelho tenha dúvidas acerca de que conteúdos se assemelham mais à Boa Nova de Jesus: se minha certeza de que mesmo aquilo que não se pode mudar na natureza, pode, ainda assim, ser objeto de pacificação e perdão? Ou a sua posição, que afirma a obrigatoriedade desse milagre de conversão de impulso sexual como evidencia da salvação?

Ora, severo amado, todo mundo sabe que esse seu discurso apenas oprime e afasta ainda mais as pessoas da verdade, e da possibilidade de que em vindo a se encarar em Cristo, possa crescer para uma pacificação de alma que desinstale suas compulsões!

Meu amigo severo: faz mais de 1700 anos esse discurso vem sendo propalado, e as conseqüências estão aí: uma igreja adoecida e tarada.

Não me julgue!
Meu juiz é o Senhor!
Não brinque com coisa séria.
Deus está vendo.
Não estou aqui brincando.
Cuide, pois quem nos julga é o Senhor.

Sei que você carrega “severo” no nome.
Não viva para encarnar seu nome, pois, severo é Deus, e só Ele pode sê-lo, pois também somente Ele é justo e vê os segredos dos corações.

Gostaria de ver você levantar-se em minha presença com a mesma ousadia. Pela Internet todos os bobos ficam sábios e todos os covardes ficam corajosos.

O que digo aqui, digo na presença de qualquer um. E me agradaria, não estar mandando esse e-mail para você, mas olhando dentro de seus olhos, a fim de discernir melhor quem você é. Não para julgá-lo. Apenas para entendê-lo um pouco melhor.

Nele, que é a Luz,
Caio

www.caiofabio.net

A moral não é a ética dos evangelhos

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Posted on 11th março 2010 by Roberto in Artigos

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O Gênesis do ministério de Jesus é tomar as “talhas que os judeus usavam para as purificação” e enchê-las de vinho!

E mais: é inegável que Jesus estivesse também dizendo que Nele, Deus estava casando agora apenas com quem queria talhas religiosas com vinho novo, na pior das hipóteses; ; e, na melhor delas, o que se deveria fazer, era deixar de lado o vinho velho e seu odre roto e pingantemente misturado ao próprio vinho, pois, nesse estágio, já não se sabe mais o que é odre e nem tampouco o que é vinho! O que se deve fazer é começar outra vez à partir de conteineres que se deixem curtir no vinho novo, que de acordo com o apóstolo João, não é novo, mas aquele que desde o princípio tivemos!

Sim, para Ele, aquele odre-vinho-vinho-odre—o da religião das talhas de pedra usadas para as purificações—era já um vinagre, que servia apenas para ser bebido por aqueles que de tão acostumados que estão aos gostos ruins, já não sabem a diferença entre o gosto-gostoso e o gosto-viciado. É para o de-Lei-te de seus viciados consumidores que o vinho-odre-odre-vinho serve ainda como diversão, sendo que o juízo ao próximo é o espetáculo!

Os discípulos de Jesus, todavia, não devem perder tempo com essas questões, e, por isto, precisam partir resolutamente para buscar odres mais adequados à sempre auto-renovação desse Vinho Novo. Afinal, ninguém que tenha se viciado no vinagre dirá que o vinho novo é excelente.

Ora, a Teologia Moral de Causa e Efeito é a fabrica de Odres com Grife e também a marmorearia onde são esculpidas as talhas de pedra usadas para as purificações!

O problema é que em Jesus não dá para se fazer mais nenhum tipo de aproveitamento dessa Industria Religiosa e de suas Grifes e Selos Autorizadas. E a razão é simples: ela está para o Evangelho de Jesus assim como um perverso e desumano traficante de cocaína e heroína está para o bom samaritano—digo: mal comparando, e, apenas, no plano das relatividades humanas, pois, espiritualmente, o meu exemplo é muito menos grave que o contraste espiritual que tento expressar!

Dali, infelizmente, nada se aproveitava, pois eles pensavam que fora dali nada mais tinha valor.

A prova dessa impossibilidade de reutilização daquele sistema de pensamento e suas construções, alcança seu ápice quando Jesus diz que aquele Templo seria derrubado e que dele não ficaria pedra sobre pedra.

No entanto, para que não sejamos exaustivos demais na demonstração, quero apenas que você compare os valores anti-téticos dos ensinos de Jesus em relação aos da Teologia Moral de Causa e Efeito, vigentíssima em Seus dias, e, infelizmente, no nosso tempo também!

E para isto, não precisamos ir além do Sermão do Monte, ou do Abismo, como eu explico que ele pode se tornar em O Enigma da Graça!

A Teologia Moral de Causa e Efeito não pode praticar o sermão do monte porque ele inverte complemente os princípios de causalidades por ela ensinados. Jesus subverte radical e rupturalmente, de uma vez e para sempre, com essa lógica predatória.

Para Jesus os heróis da Graça eram os anti-heróis da religiosidade que o circundava e dos valores por ela ensinados.

Para a Teologia Moral de Causa e Efeito, TMCE— como daqui para frente chamaremos esse derivado natural da Teologia da Terra, filha religiosa do Sacrifício Competitivo de Caim —, o humilde de espírito era o lixo da espiritualidade; os que choravam eram vistos como culpados-infelizes; os mansos eram percebidos como desinteressados pelo zelo que disputava o espaço no chão da Terra; os que tem fome e sede de justiça eram interpretados como seres equivocados em suas ignorâncias radicais, pois, a única justiça que os mestres da TMCE conheciam era aquela que eles mesmos decidiam.

Já os misericordiosos eram os que tinham algo a esconder, daí se protegerem sendo bons com o próximo; os limpos de coração eram eles mesmos— os membros daquela confraria de amigos de Jó, é claro! afinal, não enxergavam seus próprios corações, pois só viam para fora de si mesmos, e, também, não esqueçamos: lavavam as mãos antes de comer!
Os pacificadores eram, em geral, considerados amigos de hereges; os perseguidos por causa da justiça, eram comum-mente aqueles acerca de quem eles patrocinavam o cartaz Wanted Dead or Alive! De preferência, bem dead !

E os injuriados e perseguidos figuravam, sobretudo, como foi no caso dos profetas, em sua lista de Most Wanted ! Esses, afinal, os Profetas, eram sempre a sua pior desGraça, eram os mais terríveis subversivos!

O seu “sal” não era para a Terra, era apenas uma produção egoísta e independente fadada a se petrificar em seus sa-Lei-ros inúteis. Afinal, não se viam no papel de dar gosto à vida, mas, ao contrário, o de roubar-lhe todo o sabor!

Luz do Mundo? Como? Eles não reconheciam nenhum outro mundo que não fosse o deles!

Quanto a Jesus ter vindo para cumprir a Lei, eles se perguntavam: Que Lei? Afinal, Jesus era o des-cumprimento de suas “Leis” a fim de poder ser o único cumpridor da Lei da Graça em nosso lugar, para, então, dizer: “Está Consumado”.

Até mesmo o des-cumprimento da Lei pelos homens—todo aquele que…—, Jesus trata com relatividade quanto a seus efeitos. Ensina-la erradamente, faz alguém ser pequeno; ensina-la corretamente e vive-la, torna alguém grande no reino dos céus. Assim Ele está dizendo que não se deveria jamais ensina-la de modo adaptado e nem tampouco cumpri-la de modo farisaico ou religioso, pois, para Ele, a justiça excede as exterioridades na direção de dentro, pois, nasce no coração.

O que segue é uma des-construção total de todas as “interpretações” da Lei, especialmente as explicitamente defendidas pelos discípulos da teologia dos amigos de Jó, os escribas e fariseus dos dias de Jesus e seus confrades em nossos dias!

“Não matarás”—era o que estava escrito. Homicídio, todavia, é algo que sempre começa, lentamente, nos ambientes de causa e efeito das normas adoecidas do coração, e tem uma progressão que vai da ira sem motivo às tentativas de des-construir o ser do próximo. Por isto, Ele ensina que todo homicida existencial precisar se livrar dos desejos de morte durante o caminho, do contrário, duas coisas lhe acontecerão: ele nunca mais terá nenhuma razão para falar com Deus ou tentar cultua-Lo e, também, esse homem se tornará vítima de seu próprio ódio e se alimentará de suas próprias carnes, por muito tempo—pelo menos enquanto o tempo for tempo!
O adultério, para Ele, acontecia na cama—ou em qualquer outro lugar—apenas depois de ter sido praticado muito tempo antes no coração.
Portanto, os maiores adúlteros podem nunca ter praticado um ato sequer de adultério. É quando o fazer é um detalhe se comparado ao permanente estado de ser dos que nunca cometeram historicamente o delito, mas que vivem em permanente estado de imersão interior nos abismos e dinâmicas permanentes do adultério fantasioso.

O interessante é que entre o tema do Adultério e o do Divórcio, Jesus introduz a questão das perdas circunstanciais ou até mesmo de natureza disciplinar-existencial, que eram nada se comparadas aos ganhos que certos “cortes e amputações” produzem para o bem do ser.

E Sua preocupação maior quando fala do divórcio, não é com o divórcio-em-si, mas com suas vítimas. Naquele caso, era sempre a mulher.
E por quê? Porque naqueles dias ela era o objeto descartável em questão, fruto da dureza de coração de todos nós e todas as sociedades. Ele trabalha contra expor alguém a tornar-se “algo” apenas porque “sem motivo” sua pessoa foi descartada. A denuncia, portanto, recai sobre aquele que “expõe” o outro a ser aquilo que este não deseja ser. E depois, o descartador, ainda faz pior: estigmatiza o “outro” pelo que ele mesmo decidiu: des-carta-lo! Assim, Jesus se insurge contra a estigmatização das desgraças causadas pela infelicidade humana. O que era uma total violação dos ensinos da TMCE!

Juramentos e promessas são por Ele totalmente rejeitados. Primeiro porque ninguém pode bancar nada em espaço ou dimensão alguma da vida.
Depois, porque a única dimensão que vale diante de Deus é a do Hoje.
Portanto, o que Ele espera é que as respostas do ser não sejam piedosas, necessariamente, mas, ao contrário, realidades verdadeiras, como “sim, significando sim” e “não, eqüivalendo a não”. Para Ele o “maligno” morava na fantasia que falsificava a realidade.

“Olho por olho, dente por dente”—era e ainda é a Lei áurea da TMCE.

Jesus, porém, a relativiza para sempre, mostrando sua des-construção como negação de seus princípios de causa e efeito. Afinal, o que Ele recomenda é o oposto daquilo quem em qualquer Moral social, é chamado de Direito. Ser Seu discípulo não implica em que se obedeça tais Leis de causa e efeito, podemos apanhar, ser obrigados, ser até mesmo altruisticamente abusados. Estamos livres para tal. Ou seja: Jesus recomenda que não obedeçamos as Leis de causa e efeito a fim de podermos ser Seus discípulos. E isto inclui os inimigos, que são os que mais poder tem de nos desviar do curso da Graça e nos fazer cair nas guerras patrocinadas pela TMCE. O que eles esperam é uma reação de causa e efeito. O que Jesus propõe é um efeito (misericórdia) sem causa equivalente!

E, assim, Jesus prossegue des-construindo a Teologia Moral de Causa e Efeito.

“Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles; doutra sorte, não tereis galardão junto ao vosso Pai que está nos céus”.

Ora, esta declaração de Jesus nos des-monta de tudo o que a TMCE ensina como verdade, justiça e piedade.

“Perdoa as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores”—é o golpe de misericórdia que Ele dá na estrutura de pensamento desse engano humano.

E pior: as causas de vida e morte na Terra são aquelas cujos efeitos são invertidos nos céus. O dinheiro incluído no pacote das inversões de valores.

E avisa sobre a não causalidade entre o comportamento e a verdade do ser, pois, a “luz que há em ti”, segundo Ele, podem se tornar nossas trevas.

Então, Jesus dá um Xeque-mate! Tem-se que fazer uma opção sobre quem é o nosso Senhor. E, sendo Ele o Senhor, o que sobra é “aborrecer-se” e “desprezar” o antigo senhor, e que agora tem que ser coisa de nosso perdoado passado.

Quando Ele fala das ansiedades da vida e nos recomenda descansar na Graça Providencial de Deus, o que Ele também está fazendo é afirmar que as “Leis de causa e efeito” estão relativizados pela Graça da Providência.

O grito que se faz ouvir em objeção ao juízo contra o próximo, é curto e decisivo. Juízo tem, quem se enxerga. Juízo tem, quem não julga. E juízo tem, quem sabe que por melhor que se veja a si mesmo, jamais se verá completamente. Por isto, é melhor não julgar a alma do próximo nunca. E a razão é simples: as medidas de nosso próprio juízo estão estabelecidas pelos nossos próprios critérios no julgamento que exercemos contra o próximo!

E mais: Ele recomenda que não se use nunca as pérolas da verdade de nosso ser para alimentar quem só gosta de babugem e depois se volta contra nós. A percepção da verdade não a banaliza e nem se faz suicida por ela!

Ao recomendar a oração, Jesus estabelece a quebra dos princípios de causa e efeito. A oração é a devoção que em si quebra as Leis do carma. A oração anula a Teologia Moral de Causa e Efeito, pois, dela, até o pecador sai justificado.

Neste ponto Ele diz que a Lei e os Profetas não eram inimigos entre si. Ao contrário, os Profetas haviam sido os melhores interpretes da Lei. Ou seja: antes do Verbo haver se encarnado, foi nos Profetas que a Lei encontrou sua interpretação e seu melhor cumprimento existencial.

Jesus, porém, nos diz:

“Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a lei e os profetas”.

O “resumo” que Jesus faz de todo o seu ensino é horroroso para o coração honesto. Primeiro, porque ninguém, de fato, indo dos abismos da alma à prática cotidiana, consegue encarnar o tempo todo essa verdade.
Ao contrário: nós vivemos a maior parte do tempo de modo oposto, pois, uma das coisas que a Queda gerou em nós foi um terrível poder de auto-engano e auto-anestesiamento.

A segunda razão pela qual o “resumo” de Jesus é contra nós tem a ver com sua propositividade. Jesus propõe que tomemos a iniciativa sempre— sem amargura, sem troca e sem negociação—e tratemos o próximo, seja ele quem for, do modo como gostaríamos de ser tratados se estivéssemos no lugar dele. E aqui não importa em que lugar o outro está, pois, há única pergunta a fazer é: “E se eu estivesse nesta situação, como gostaria de ser tratado?” Ou ainda uma única confissão de fé a ser declarada sempre: “Sistematicamente farei pelos outros aquilo que desejo que os outros façam também por mim o tempo todo”.

Sem falar que quando alguém não se trata bem costuma piorar no tratamento com o próximo. Aqui todos nós temos que humildemente assumir nosso déficit de bondade e nossa profunda capacidade de nos anestesiarmos na vida. A prova disto é que o mundo é como é—e, pior ainda: a “igreja” é como é!

Então, Ele entra no Caminho Estreito e adverte contra o Caminho Largo. Ora, como nos enganamos! Pensamos sempre que o Caminho Estreito é o dos Fariseus e que o Caminho Largo e o dos Publicanos e Pecadores. O Caminho Estreito conduz a Vida, Ele diz.

Então, é fácil saber do que é que Ele está falando. Jesus só recomenda como Caminho aquilo Ele viveu, e como amigos de caminhada, gente como aquela com a qual Ele conviveu.

Como podemos então pensar de modo inverso?

É que somos discípulos da TMCE e não o sabemos. O Caminho Estreito, na Terra, para Jesus, era justamente aquilo que os fariseus chamavam de Caminho Largo. E o que Jesus chamava de Caminho Largo era aquilo que os fariseus chamavam de Caminho Estreito.

O Caminho é Jesus, e o jeito de ser, é também o Dele!

Chega então a vez dos “falsos profetas que se apresentam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores”. E que ironia. Jesus diz que se deve observar causa e feito apenas nas produções do ser.
Isto porque, na utilização do Nome de Jesus com fins lucrativos e roubadores— ou mesmo pela simples e mera auto-sedução narcisista que o poder de encantar e seduzir com o sobrenatural faz nascer como doença em muitos— não há uma relação de causa e efeito entre o ser-devorador (os lobos) e os milagres que acontecem do lado de fora quando o lobo fala usando o nome de Jesus.

Não há nada no mundo espiritual que negue mais as relações de causa e efeito que essa inversão. A Graça de Deus é livre para des-conhecer o suposto “cordeiro-lobista” e levar a Graça do Cordeiro a quem quiser e como bem desejar.

Todavia, que ninguém faça disso a evidência de sua salvação. A salvação é conhecer e ser conhecidos por Deus, em Jesus. E mais: é produzir o fruto que dessa verdade de ser nasce agora naturalmente de modo sobrenatural.

A conclusão Dele nos põe diante da necessidade de escolhermos de duas alternativas, Um Fundamento para a nossa vida. Ou o alicerce de Rocha ou o alicerce das regiões arenosas. A emoção cristã, em geral, quando lê isto aqui é também pervertida. Pensamos na Rocha com categorias farisaicas, com suas manifestações de rigidez, e, sobretudo, de imutabilidade-morta, sem vida e, portanto, estática!

Assim, lemos a des-construção da Teologia Moral de Causa e Efeito feita por Jesus, no Sermão do Monte para, então, no final, voltarmos às emoções patrocinadas pelas Tábuas da Lei de Pedra.

Então, transformamos o Sermão do Monte em Lei, e, por essa razão, ele, no mesmo instante, se torna o Sermão do Abismo, pois, como Lei ele apenas nos enferma ainda mais profundamente por dentro, mas não nos resolve como pessoas, nem dentro e nem fora—pois em ambas as “locações” o Sermão do Monte se mostra inviável: dentro, porque sabemos o quão anti-natural ele é para a nossa própria natureza atual, caída; e fora, porque nossas existências, desde o intimo até ao comportamento, inviabilizam sua pratica, isto se não estivermos falando de amestramento na conduta, mas da honestidade de quem quer ser conforme sabe que deveria ser, e não é!

E a maioria de nós existe nesse limbo entre o véu e a revelação, entre as Pedras das Leis e a Graça de Pedra. Mas poucos sabem da Graça da Rocha e da Rocha da Graça.

E por quê?

Porque nós não cremos, de fato, que Jesus é a Pedra Angular—não o Jesus de nossas invenções, mas o do Evangelho—e nem tampouco cremos que é em Sua Graça que temos a Rocha da Nossa Salvação!

A Rocha é essa Palavra da Graça, que quebra os carmas, destroi os destinos, arrasa as certezas, desmonta os esquemas, a fim de que aquele que se gloria, glorie-se no Senhor. De outra sorte, onde estaria nossa confiança? Na fé no Deus de toda Graça ou na nossa capacidade de sermos o alicerce de nós mesmos?

A Graça é onde o poder se aperfeiçoa na fraqueza, daí ser o estarmos fundados nessa Rocha o que nos faz, mesmo em fraqueza, vencermos as ondas, os ventos e os açoites das tempestades , e, não tendo do que gloriar, pomo-nos em pé e dizemos:

Jesus, obrigado por teres feito o Caminho Largo o Suficiente para eu passar! E obrigado, porque na minha fraqueza teu poder se aperfeiçoou e, assim, tendo provado de todos os tempos, épocas e estações da vida, aqui estou para dizer, mais uma vez: ‘Para quem irei? Só Tu tens as Palavras da Vida Eterna!

A Rocha é a Graça e a Graça é a Rocha. E a Palavra é a Vida que se vive buscando em fé alcançar e conquistar aquilo que já nos alcançou, embora nós ainda não a tenhamos plenamente conquistado!

E quem é Esse que deve ser Aquele que é o nosso Caminho? E que Caminho é esse? e que Rocha é essa?

Jesus é Caminho, Sua Palavra-Encarnada é a Rocha, e Sua Graça é a Lei do caminhar!

Jesus é aquele que quando se vê no Pai recebendo um filho—qualquer filho—de volta, de antemão avisa: “Não esperem de mim nada menos que uma festa regada ao melhor vinho, pois os pecados já foram lavados com o melhor Sangue!”.

Nesse Caminho com Ele, que é um tabernáculo em movimento, tem de tudo: demônios de todos os tipos, tempestades, perplexidades, interesses escusos, certezas satânicas, exageros desnecessários, zelos homicidas, familiares em pânico, medo de trair, frágeis certezas de jamais trair, traição explicita e implícita, negação e morte !

Mas, para além disso tudo, vê-se que no Caminho com Ele, os ventos cessam, as ondas se abrandam, as Leis fixas do universo são relativizadas, os demônios sabem quem Ele é e quem somos Nele; e, assustados reconhecemos Quem Ele É!

Nesse Caminho as maiores demonstrações de fé vêm de fora da religião, e, também ouve-se a ameaça freqüente que Ele faz para que não se julgue segundo a aparência, mas conforme a reta justiça, pois, não raramente, o que é elevado entre os homens é abominação diante de Deus. Por essa razão, tanto “malandros arrependidos” quanto “réus confessos” podem encontrar seu repouso.

E, para além de tudo isto, a gente vê a morte sendo morta definitivamente na Ressurreição. Todavia, nele também se aprende que se o Verbo entrou no mundo pelas entranhas de uma virgem, Ele, no entanto, saiu da morte ante o olhar de uma mulher, ex-possessa-prostituta!

Assim, a Encarnação des-instala a Moral e a Ressurreição põe o ser-moral no papel de ouvinte provocado, pois, tem que crer no testemunho da Graça nos lábios de quem não gostaria que tivesse sido escolhida, se acontecesse no dia de Hoje—não para dar testemunho do fato da Ressurreição!

Do ponto de vista de uma moral-marketeira-publicitária Madalena seria uma testemunha que não seria selecionada, afinal, ela não tinha nenhuma credibilidade.

Nesse Caminho ninguém é perfeito, mas é da boca de crianças de peito e de pecadores quebrantados onde Ele enxerga louvor.

Sim, nesse Caminho você aprende o que é não estar nem varrido nem ornamentado, porém, sabendo que se a festa já começa com o melhor vinho, que esperar então? Algo menos que a Ressurreição?

Nesse Caminho a gente aprende que Ele nos conhece pelo nome, mesmo no dia seguinte àquele no qual o tenhamos negado—então, choramos amarga e docemente!

A Graça é a Lei do Caminho!

E, logo se percebe, porque Ele mostra, que o Caminho é Ele mesmo, é ser dele e ser conhecido por Ele, e que isto nos tira todo medo, e nos conduz à Verdade, e que é somente nela que se pode experimentar a Vida.

Então você olha e o vê em você!

Você já não vive?

Não! Ele vive em você!

E quem tentará tomar para si esse ser-tabernaculo que se move pelo e no Caminho?

Quem?

Não esqueça, o Mais Valente, é o que faz Mais Valer!

No Caminho, Ele nos garante sempre! Pois é também apenas no Caminho que somos salvos de nos tornarmos parte de uma geração perversa e que espreita como ave de rapina a alma de seu próximo!

No Caminho, “o diabo”, está amarrado e suas possessões na casa do coração são saqueadas pelo Mais Valente! E “ele” está “amarrado” porque o “escrito de dívidas que havia contra nós e que constava de ordenanças” foi irreversivelmente “rasgado e encravado na Cruz”.

Nós, por isto, estamos para sempre livres!

E quando se fala assim, se diz que a salvação humana só acontece num embate de Deus contra Deus, onde o próprio Deus seja o Réu-Justo, sendo julgado pelo Justo-Juiz, o qual, sendo também o Advogado do réu-réu— o homem—, possa oferecer o Réu-Justo como substituto em lugar do réu-réu. Assim é que o Réu-Justo—aquele que recebe o castigo da mais absoluta justiça divina contra o réu-réu—pode ser, Ele mesmo, também, o Advogado do réu-réu.

E, em toda a História só há um lugar onde Deus enfrenta Deus, num combate onde Deus ganha e Deus perde; onde o réu é condenado e absolvido; onde Aquele que é o Justo é feito o Injusto; o que não teve pecado, é feito pecado em favor do homem e de Deus!

Somente na Cruz de Cristo Deus-enfrenta-Deus, e Deus se aniquila e se supera a um só tempo . Na Cruz, Deus vence a Si mesmo e Sua Misericórdia prevalece sobre o Seu próprio juízo; sendo Suas palavras finais a respeito desse Combate, as seguintes: “Está consumado!”

Ou seja: “Esta luta acabou”. Mas para os “amigos de Jó” a luta continua e a alma tem que sofrer todos os dias a dor de acusações que só a tornam menos alma e mais feia!

Nós, todavia, não negociaremos, nem por um momento, a libertação que o Evangelho de Cristo nós trouxe de uma vez e para sempre da Teologia Moral de Causa e Efeito!

Foi para esses—os discípulos da TMCE—a quem Paulo disse: “Quanto ao mais, ninguém me moleste, pois eu trago no corpo as marcas de Jesus”.
“Sem fé é impossível agradar a Deus”. E sem Deus-contra-Deus é impossível haver uma fé que justifique o homem diante de Deus e que traga a justiça de Deus para a consciência humana. E essa certeza não vem com explicações racionais. Ela é filha de uma inerente e incompartilhável certeza de harmonia com Deus, mesmo no caos! E é filha da presença da Cruz sobre nós!

Aos amigos de Jó, o Evangelho diz que o Senhor Jesus contou uma parábola:

Propôs também esta parábola a alguns que confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros:

Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publicando.

O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, Graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho.

O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador!

Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado.
?

Somente “os amigos de Jó” podem ler o Evangelho de Jesus e continuar pensando como os fariseus. A Ética do Amor—que é a única ética do Evangelho— nega todos os pressupostos da Teologia Moral de Causa e Efeito.

A Graça inverte os pólos da Ética, que, em Cristo, se vincula não à Moral, mas à obediência amorosa a Deus; e se expressa como resposta da consciência do amor à inconsciência do próximo, mesmo que seja o inimigo!

E só assim se pode estar livre para agir desse modo, porque quem vive na Graça também já não tem mais nada a provar. Afinal, ou é ou não é! e também não depende nem de quem quer nem de quem corre, mas de usar Deus de misericórdia para com esse ser humano! para conosco! os que nos entregarmos em fé!

Conforme o apostolo João, a si mesmo se purifica, no amor, todo aquele que tem em Jesus sua esperança. Dessa forma, o Evangelho insiste em que se ande no Caminho da Vida, cuja Porta é Estreita—embora esteja aberta a todos—e que nos põe sobe a Lei do Amor.

Sim! o Evangelho insiste em que a Lei do Amor é o melhor de todos os fundamentos para a vida!

E isto, para agora usarmos outra imagem, nos faz ramos da Videira Verdadeira, tornando-nos, assim, pela prática da palavra-amor, Seus ramos-discípulos.

E dessa Videira são cortados apenas os ramos que se auto-excluem pela presunção de pensarem que o ramos pode dar fruto de si mesmo.

À esses, a Videira diz: “Sem mim nada podeis fazer!!!”

Assim, somos chamados a mamar o amor de Deus e a crescermos Nele na frutificação do amor e da misericórdia praticada uns aos outros.
Isto fará com que o mundo nos odeie!

Afinal, o mundo, incluindo sobretudo a moral religiosa, é feito de todos os ramos que auto-engaram-se crendo que o ramo pode produzir fruto de si mesmo!

O mundo são todos os ramos que não vivem da seiva da Videira, por isto secam e são lançados ao fogo.

Todo aquele que não depende da seiva da Graça que da Videira Verdadeira procede—não importa quem ele seja—, jamais produzira o fruto que permanece, pois, este, é o fruto do amor e da vida que brota do casamento do ramos com a Videira-Jesus!

Esses não são nunca amigos de Jó, pois, na Graça, foram feitos amigos de Jesus, pois, à esses, Ele disse tudo o que tinha ouvido de Seu Pai-Agricultor:

“Quem me ama, guarda os meus mandamentos; assim como eu amo o Pai e guardo os Seus mandamentos. E os mandamentos, são um: que vos amais uns aos outros, assim como eu vos amei.”

Caio

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