Graça – você acha que é moleza?

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Posted on 21st março 2010 by Roberto in A mente de Paulo

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Ora, irmãos, não quero que vocês sejam ignorantes quanto ao fato que nossos pais, no Êxodo, estiveram todos sob a nuvem, e todos passaram pelo mar.

Assim, podemos dizer que todos eles foram batizados, tanto na nuvem como no mar; e isto no que dizia respeito a Moisés.

E mais: podemos dizer que todos eles comeram de um pão espiritual e beberam da mesma fonte espiritual; porque bebiam de uma pedra espiritual que os seguia…

A pedra era Cristo!

Entretanto, Deus não se agradou da maioria deles, razão por que ficaram prostrados no deserto.

Ora, estas coisas se tornaram exemplos para nós, a fim de que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram.

Não se tornem, pois, idólatras, como alguns deles; porquanto está escrito: O povo assentou-se para comer e beber e levantou-se para divertir-se.

Também não pratiquemos a promiscuidade, como alguns deles o fizeram, e caíram, num só dia, vinte e três mil.

Não ponhamos o Senhor à prova, como alguns deles já fizeram e pereceram pelas mordeduras das serpentes.

Nem tampouco murmuremos, como alguns deles murmuraram e foram destruídos pelo exterminador.

Ora, estas coisas lhes sobrevieram como exemplos e foram escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado.

Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia.

Não nos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejamos tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, nos proverá livramento, de sorte que a possamos suportar.

Portanto, meus amados, fugi da idolatria.

Paulo nos diz que o caminho do Evangelho, que é caminho de Graça — é bondade e favor de Deus para que vençamos as tentações da jornada.

Não nos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejamos tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, nos proverá livramento, de sorte que a possamos suportar.

No entanto, Paulo também nos diz que as conseqüências de se querer a Graça de Deus como Graxa de Deus, são claramente demonstradas pelo caminhar do povo de Israel pelo deserto, conduzidos por Moisés.

A ênfase de Paulo é em “todos”. Todos receberam os benefícios. Todos saíram do cativeiro. Todos foram batizados tanto na chuva da nuvem [conforme o salmo] como no passar pelo mar sem se afogarem. Todos tomaram a “ceia do maná” e todos beberam da água viva que escorria da rocha. Mas a maioria deles não se fez agradável a Deus pelo seu modo de andar…

Paulo diz que os “sacramentos” da eucaristia e do batismo em nada os ajudaram, pois, a vida com Deus é feita de sacramentos de obediência e não de ritos.

Então o apóstolo adverte dizendo que houve algumas coisas no coração dos que peregrinavam pelo deserto e que são as mesmas coisas presentes em todos nós, os que caminhamos pelo chão árido desta terra de peregrinações.

Cobiçaram o que não tinham como se fosse obrigação de Deus libertá-los para uma vida de hedonismo. E faziam isto como fantasia, posto que desejassem agora os alhos e cebolas do Egito, dizendo: Como era boa a nossa vida na terra do Faraó!

Tornaram-se idolatras não por causa exclusivamente do culto ao Bezerro de Ouro, mas, sobretudo, diz Paulo, em razão de que a mente deles se tornara um altar de idolatria do prazer e do deus do imediato; posto que apenas pensassem na vida como um acontecimento de comida, bebidas e prazeres. E, segundo Paulo, este é o espírito mais sutil da idolatria: a idolatria do imediato e dos sentidos. É a tal vida feliz que só é feliz na confusão dos muitos folguedos o tempo todo. No tédio de Deus, então, devaneio…

Além disso, entregaram-se à promiscuidade, especialmente depois de pensarem que como Israel havia vencido a macumba de Balaão, agora, então, estavam livres para a promiscuidade; posto que se Deus os amava, como aparentemente demonstrara protegendo-os da “mandinga do Bruxo” — então, pensavam: “Se estamos livres da mandinga do Bruxo, estamos livres para pegar a mulher dos nossos amaldiçoadores!” Assim, agora, na confusão mental deles, a Graça era um sinal de que estariam livres para tudo. Portanto, mergulharam na promiscuidade.

Por último Paulo adverte contra o espírito de insatisfação e de murmuração, dizendo que tal espírito suscita na existência o poder do exterminador.

Assim, sem delongas, Paulo diz:

A Graça que cobre o pecado e o pecador, cobre todo pecado e todo pecador que deseje viver livre do pecado como escravidão; mas não é um documento de alforria das conseqüências da vida; como se por causa da Graça alguém recebesse permissão a fim de que viva como quem morra…; e, ainda assim, colham-se os frutos que somente colhem os que vivem como quem vive, segundo Deus.

Desse modo, Paulo lhes diz:

Vocês pensam que porque são de Cristo, foram libertos dos ídolos explícitos, receberam batismos, tomam a eucaristia do Corpo de Cristo e bebem da fonte da Vida — vocês ficaram imunes ao pecado?

Que nada! — diz ele.

E conclui:

Aquele que assim segue andando… crendo que  apenas porque tenha provado benefícios espirituais está livre para se entregar aos ídolos do coração: cobiça, volúpia, promiscuidade, hedonismo, alienação, auto-engano, murmuração, ingratidão, etc. — está caído no chão da vereda e não sabe.

Pode haver inflação de cultos, batismos, ritos, dízimos, ofertas, pertencimento ao grupo, etc. Mas se o coração não andar no caminho em Graça responsiva ante ao perdão e a libertação, esse fica no estado piorado do qual Jesus falou, sete vezes pior, e, também, põe-se no estado que Pedro descreveu como o de uma porca lavada que volta à lama.

Quanto a nós, cabe a advertência:

Aquele que julga está em pé, cuide para que não caia!

E a razão é simples:

Não nos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejamos tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, nos proverá livramento, de sorte que a possamos suportar.

Nele, que nos tira de uma vida de cobra, comendo o pó da terra, e nos põe sobre os nossos próprios pés, andando como gente,

Caio

2 de fevereiro de 2009

Lago Norte

Brasília

DF

www.caiofabio.net

A moral não é a ética dos evangelhos

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Posted on 11th março 2010 by Roberto in Artigos

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O Gênesis do ministério de Jesus é tomar as “talhas que os judeus usavam para as purificação” e enchê-las de vinho!

E mais: é inegável que Jesus estivesse também dizendo que Nele, Deus estava casando agora apenas com quem queria talhas religiosas com vinho novo, na pior das hipóteses; ; e, na melhor delas, o que se deveria fazer, era deixar de lado o vinho velho e seu odre roto e pingantemente misturado ao próprio vinho, pois, nesse estágio, já não se sabe mais o que é odre e nem tampouco o que é vinho! O que se deve fazer é começar outra vez à partir de conteineres que se deixem curtir no vinho novo, que de acordo com o apóstolo João, não é novo, mas aquele que desde o princípio tivemos!

Sim, para Ele, aquele odre-vinho-vinho-odre—o da religião das talhas de pedra usadas para as purificações—era já um vinagre, que servia apenas para ser bebido por aqueles que de tão acostumados que estão aos gostos ruins, já não sabem a diferença entre o gosto-gostoso e o gosto-viciado. É para o de-Lei-te de seus viciados consumidores que o vinho-odre-odre-vinho serve ainda como diversão, sendo que o juízo ao próximo é o espetáculo!

Os discípulos de Jesus, todavia, não devem perder tempo com essas questões, e, por isto, precisam partir resolutamente para buscar odres mais adequados à sempre auto-renovação desse Vinho Novo. Afinal, ninguém que tenha se viciado no vinagre dirá que o vinho novo é excelente.

Ora, a Teologia Moral de Causa e Efeito é a fabrica de Odres com Grife e também a marmorearia onde são esculpidas as talhas de pedra usadas para as purificações!

O problema é que em Jesus não dá para se fazer mais nenhum tipo de aproveitamento dessa Industria Religiosa e de suas Grifes e Selos Autorizadas. E a razão é simples: ela está para o Evangelho de Jesus assim como um perverso e desumano traficante de cocaína e heroína está para o bom samaritano—digo: mal comparando, e, apenas, no plano das relatividades humanas, pois, espiritualmente, o meu exemplo é muito menos grave que o contraste espiritual que tento expressar!

Dali, infelizmente, nada se aproveitava, pois eles pensavam que fora dali nada mais tinha valor.

A prova dessa impossibilidade de reutilização daquele sistema de pensamento e suas construções, alcança seu ápice quando Jesus diz que aquele Templo seria derrubado e que dele não ficaria pedra sobre pedra.

No entanto, para que não sejamos exaustivos demais na demonstração, quero apenas que você compare os valores anti-téticos dos ensinos de Jesus em relação aos da Teologia Moral de Causa e Efeito, vigentíssima em Seus dias, e, infelizmente, no nosso tempo também!

E para isto, não precisamos ir além do Sermão do Monte, ou do Abismo, como eu explico que ele pode se tornar em O Enigma da Graça!

A Teologia Moral de Causa e Efeito não pode praticar o sermão do monte porque ele inverte complemente os princípios de causalidades por ela ensinados. Jesus subverte radical e rupturalmente, de uma vez e para sempre, com essa lógica predatória.

Para Jesus os heróis da Graça eram os anti-heróis da religiosidade que o circundava e dos valores por ela ensinados.

Para a Teologia Moral de Causa e Efeito, TMCE— como daqui para frente chamaremos esse derivado natural da Teologia da Terra, filha religiosa do Sacrifício Competitivo de Caim —, o humilde de espírito era o lixo da espiritualidade; os que choravam eram vistos como culpados-infelizes; os mansos eram percebidos como desinteressados pelo zelo que disputava o espaço no chão da Terra; os que tem fome e sede de justiça eram interpretados como seres equivocados em suas ignorâncias radicais, pois, a única justiça que os mestres da TMCE conheciam era aquela que eles mesmos decidiam.

Já os misericordiosos eram os que tinham algo a esconder, daí se protegerem sendo bons com o próximo; os limpos de coração eram eles mesmos— os membros daquela confraria de amigos de Jó, é claro! afinal, não enxergavam seus próprios corações, pois só viam para fora de si mesmos, e, também, não esqueçamos: lavavam as mãos antes de comer!
Os pacificadores eram, em geral, considerados amigos de hereges; os perseguidos por causa da justiça, eram comum-mente aqueles acerca de quem eles patrocinavam o cartaz Wanted Dead or Alive! De preferência, bem dead !

E os injuriados e perseguidos figuravam, sobretudo, como foi no caso dos profetas, em sua lista de Most Wanted ! Esses, afinal, os Profetas, eram sempre a sua pior desGraça, eram os mais terríveis subversivos!

O seu “sal” não era para a Terra, era apenas uma produção egoísta e independente fadada a se petrificar em seus sa-Lei-ros inúteis. Afinal, não se viam no papel de dar gosto à vida, mas, ao contrário, o de roubar-lhe todo o sabor!

Luz do Mundo? Como? Eles não reconheciam nenhum outro mundo que não fosse o deles!

Quanto a Jesus ter vindo para cumprir a Lei, eles se perguntavam: Que Lei? Afinal, Jesus era o des-cumprimento de suas “Leis” a fim de poder ser o único cumpridor da Lei da Graça em nosso lugar, para, então, dizer: “Está Consumado”.

Até mesmo o des-cumprimento da Lei pelos homens—todo aquele que…—, Jesus trata com relatividade quanto a seus efeitos. Ensina-la erradamente, faz alguém ser pequeno; ensina-la corretamente e vive-la, torna alguém grande no reino dos céus. Assim Ele está dizendo que não se deveria jamais ensina-la de modo adaptado e nem tampouco cumpri-la de modo farisaico ou religioso, pois, para Ele, a justiça excede as exterioridades na direção de dentro, pois, nasce no coração.

O que segue é uma des-construção total de todas as “interpretações” da Lei, especialmente as explicitamente defendidas pelos discípulos da teologia dos amigos de Jó, os escribas e fariseus dos dias de Jesus e seus confrades em nossos dias!

“Não matarás”—era o que estava escrito. Homicídio, todavia, é algo que sempre começa, lentamente, nos ambientes de causa e efeito das normas adoecidas do coração, e tem uma progressão que vai da ira sem motivo às tentativas de des-construir o ser do próximo. Por isto, Ele ensina que todo homicida existencial precisar se livrar dos desejos de morte durante o caminho, do contrário, duas coisas lhe acontecerão: ele nunca mais terá nenhuma razão para falar com Deus ou tentar cultua-Lo e, também, esse homem se tornará vítima de seu próprio ódio e se alimentará de suas próprias carnes, por muito tempo—pelo menos enquanto o tempo for tempo!
O adultério, para Ele, acontecia na cama—ou em qualquer outro lugar—apenas depois de ter sido praticado muito tempo antes no coração.
Portanto, os maiores adúlteros podem nunca ter praticado um ato sequer de adultério. É quando o fazer é um detalhe se comparado ao permanente estado de ser dos que nunca cometeram historicamente o delito, mas que vivem em permanente estado de imersão interior nos abismos e dinâmicas permanentes do adultério fantasioso.

O interessante é que entre o tema do Adultério e o do Divórcio, Jesus introduz a questão das perdas circunstanciais ou até mesmo de natureza disciplinar-existencial, que eram nada se comparadas aos ganhos que certos “cortes e amputações” produzem para o bem do ser.

E Sua preocupação maior quando fala do divórcio, não é com o divórcio-em-si, mas com suas vítimas. Naquele caso, era sempre a mulher.
E por quê? Porque naqueles dias ela era o objeto descartável em questão, fruto da dureza de coração de todos nós e todas as sociedades. Ele trabalha contra expor alguém a tornar-se “algo” apenas porque “sem motivo” sua pessoa foi descartada. A denuncia, portanto, recai sobre aquele que “expõe” o outro a ser aquilo que este não deseja ser. E depois, o descartador, ainda faz pior: estigmatiza o “outro” pelo que ele mesmo decidiu: des-carta-lo! Assim, Jesus se insurge contra a estigmatização das desgraças causadas pela infelicidade humana. O que era uma total violação dos ensinos da TMCE!

Juramentos e promessas são por Ele totalmente rejeitados. Primeiro porque ninguém pode bancar nada em espaço ou dimensão alguma da vida.
Depois, porque a única dimensão que vale diante de Deus é a do Hoje.
Portanto, o que Ele espera é que as respostas do ser não sejam piedosas, necessariamente, mas, ao contrário, realidades verdadeiras, como “sim, significando sim” e “não, eqüivalendo a não”. Para Ele o “maligno” morava na fantasia que falsificava a realidade.

“Olho por olho, dente por dente”—era e ainda é a Lei áurea da TMCE.

Jesus, porém, a relativiza para sempre, mostrando sua des-construção como negação de seus princípios de causa e efeito. Afinal, o que Ele recomenda é o oposto daquilo quem em qualquer Moral social, é chamado de Direito. Ser Seu discípulo não implica em que se obedeça tais Leis de causa e efeito, podemos apanhar, ser obrigados, ser até mesmo altruisticamente abusados. Estamos livres para tal. Ou seja: Jesus recomenda que não obedeçamos as Leis de causa e efeito a fim de podermos ser Seus discípulos. E isto inclui os inimigos, que são os que mais poder tem de nos desviar do curso da Graça e nos fazer cair nas guerras patrocinadas pela TMCE. O que eles esperam é uma reação de causa e efeito. O que Jesus propõe é um efeito (misericórdia) sem causa equivalente!

E, assim, Jesus prossegue des-construindo a Teologia Moral de Causa e Efeito.

“Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles; doutra sorte, não tereis galardão junto ao vosso Pai que está nos céus”.

Ora, esta declaração de Jesus nos des-monta de tudo o que a TMCE ensina como verdade, justiça e piedade.

“Perdoa as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores”—é o golpe de misericórdia que Ele dá na estrutura de pensamento desse engano humano.

E pior: as causas de vida e morte na Terra são aquelas cujos efeitos são invertidos nos céus. O dinheiro incluído no pacote das inversões de valores.

E avisa sobre a não causalidade entre o comportamento e a verdade do ser, pois, a “luz que há em ti”, segundo Ele, podem se tornar nossas trevas.

Então, Jesus dá um Xeque-mate! Tem-se que fazer uma opção sobre quem é o nosso Senhor. E, sendo Ele o Senhor, o que sobra é “aborrecer-se” e “desprezar” o antigo senhor, e que agora tem que ser coisa de nosso perdoado passado.

Quando Ele fala das ansiedades da vida e nos recomenda descansar na Graça Providencial de Deus, o que Ele também está fazendo é afirmar que as “Leis de causa e efeito” estão relativizados pela Graça da Providência.

O grito que se faz ouvir em objeção ao juízo contra o próximo, é curto e decisivo. Juízo tem, quem se enxerga. Juízo tem, quem não julga. E juízo tem, quem sabe que por melhor que se veja a si mesmo, jamais se verá completamente. Por isto, é melhor não julgar a alma do próximo nunca. E a razão é simples: as medidas de nosso próprio juízo estão estabelecidas pelos nossos próprios critérios no julgamento que exercemos contra o próximo!

E mais: Ele recomenda que não se use nunca as pérolas da verdade de nosso ser para alimentar quem só gosta de babugem e depois se volta contra nós. A percepção da verdade não a banaliza e nem se faz suicida por ela!

Ao recomendar a oração, Jesus estabelece a quebra dos princípios de causa e efeito. A oração é a devoção que em si quebra as Leis do carma. A oração anula a Teologia Moral de Causa e Efeito, pois, dela, até o pecador sai justificado.

Neste ponto Ele diz que a Lei e os Profetas não eram inimigos entre si. Ao contrário, os Profetas haviam sido os melhores interpretes da Lei. Ou seja: antes do Verbo haver se encarnado, foi nos Profetas que a Lei encontrou sua interpretação e seu melhor cumprimento existencial.

Jesus, porém, nos diz:

“Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a lei e os profetas”.

O “resumo” que Jesus faz de todo o seu ensino é horroroso para o coração honesto. Primeiro, porque ninguém, de fato, indo dos abismos da alma à prática cotidiana, consegue encarnar o tempo todo essa verdade.
Ao contrário: nós vivemos a maior parte do tempo de modo oposto, pois, uma das coisas que a Queda gerou em nós foi um terrível poder de auto-engano e auto-anestesiamento.

A segunda razão pela qual o “resumo” de Jesus é contra nós tem a ver com sua propositividade. Jesus propõe que tomemos a iniciativa sempre— sem amargura, sem troca e sem negociação—e tratemos o próximo, seja ele quem for, do modo como gostaríamos de ser tratados se estivéssemos no lugar dele. E aqui não importa em que lugar o outro está, pois, há única pergunta a fazer é: “E se eu estivesse nesta situação, como gostaria de ser tratado?” Ou ainda uma única confissão de fé a ser declarada sempre: “Sistematicamente farei pelos outros aquilo que desejo que os outros façam também por mim o tempo todo”.

Sem falar que quando alguém não se trata bem costuma piorar no tratamento com o próximo. Aqui todos nós temos que humildemente assumir nosso déficit de bondade e nossa profunda capacidade de nos anestesiarmos na vida. A prova disto é que o mundo é como é—e, pior ainda: a “igreja” é como é!

Então, Ele entra no Caminho Estreito e adverte contra o Caminho Largo. Ora, como nos enganamos! Pensamos sempre que o Caminho Estreito é o dos Fariseus e que o Caminho Largo e o dos Publicanos e Pecadores. O Caminho Estreito conduz a Vida, Ele diz.

Então, é fácil saber do que é que Ele está falando. Jesus só recomenda como Caminho aquilo Ele viveu, e como amigos de caminhada, gente como aquela com a qual Ele conviveu.

Como podemos então pensar de modo inverso?

É que somos discípulos da TMCE e não o sabemos. O Caminho Estreito, na Terra, para Jesus, era justamente aquilo que os fariseus chamavam de Caminho Largo. E o que Jesus chamava de Caminho Largo era aquilo que os fariseus chamavam de Caminho Estreito.

O Caminho é Jesus, e o jeito de ser, é também o Dele!

Chega então a vez dos “falsos profetas que se apresentam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores”. E que ironia. Jesus diz que se deve observar causa e feito apenas nas produções do ser.
Isto porque, na utilização do Nome de Jesus com fins lucrativos e roubadores— ou mesmo pela simples e mera auto-sedução narcisista que o poder de encantar e seduzir com o sobrenatural faz nascer como doença em muitos— não há uma relação de causa e efeito entre o ser-devorador (os lobos) e os milagres que acontecem do lado de fora quando o lobo fala usando o nome de Jesus.

Não há nada no mundo espiritual que negue mais as relações de causa e efeito que essa inversão. A Graça de Deus é livre para des-conhecer o suposto “cordeiro-lobista” e levar a Graça do Cordeiro a quem quiser e como bem desejar.

Todavia, que ninguém faça disso a evidência de sua salvação. A salvação é conhecer e ser conhecidos por Deus, em Jesus. E mais: é produzir o fruto que dessa verdade de ser nasce agora naturalmente de modo sobrenatural.

A conclusão Dele nos põe diante da necessidade de escolhermos de duas alternativas, Um Fundamento para a nossa vida. Ou o alicerce de Rocha ou o alicerce das regiões arenosas. A emoção cristã, em geral, quando lê isto aqui é também pervertida. Pensamos na Rocha com categorias farisaicas, com suas manifestações de rigidez, e, sobretudo, de imutabilidade-morta, sem vida e, portanto, estática!

Assim, lemos a des-construção da Teologia Moral de Causa e Efeito feita por Jesus, no Sermão do Monte para, então, no final, voltarmos às emoções patrocinadas pelas Tábuas da Lei de Pedra.

Então, transformamos o Sermão do Monte em Lei, e, por essa razão, ele, no mesmo instante, se torna o Sermão do Abismo, pois, como Lei ele apenas nos enferma ainda mais profundamente por dentro, mas não nos resolve como pessoas, nem dentro e nem fora—pois em ambas as “locações” o Sermão do Monte se mostra inviável: dentro, porque sabemos o quão anti-natural ele é para a nossa própria natureza atual, caída; e fora, porque nossas existências, desde o intimo até ao comportamento, inviabilizam sua pratica, isto se não estivermos falando de amestramento na conduta, mas da honestidade de quem quer ser conforme sabe que deveria ser, e não é!

E a maioria de nós existe nesse limbo entre o véu e a revelação, entre as Pedras das Leis e a Graça de Pedra. Mas poucos sabem da Graça da Rocha e da Rocha da Graça.

E por quê?

Porque nós não cremos, de fato, que Jesus é a Pedra Angular—não o Jesus de nossas invenções, mas o do Evangelho—e nem tampouco cremos que é em Sua Graça que temos a Rocha da Nossa Salvação!

A Rocha é essa Palavra da Graça, que quebra os carmas, destroi os destinos, arrasa as certezas, desmonta os esquemas, a fim de que aquele que se gloria, glorie-se no Senhor. De outra sorte, onde estaria nossa confiança? Na fé no Deus de toda Graça ou na nossa capacidade de sermos o alicerce de nós mesmos?

A Graça é onde o poder se aperfeiçoa na fraqueza, daí ser o estarmos fundados nessa Rocha o que nos faz, mesmo em fraqueza, vencermos as ondas, os ventos e os açoites das tempestades , e, não tendo do que gloriar, pomo-nos em pé e dizemos:

Jesus, obrigado por teres feito o Caminho Largo o Suficiente para eu passar! E obrigado, porque na minha fraqueza teu poder se aperfeiçoou e, assim, tendo provado de todos os tempos, épocas e estações da vida, aqui estou para dizer, mais uma vez: ‘Para quem irei? Só Tu tens as Palavras da Vida Eterna!

A Rocha é a Graça e a Graça é a Rocha. E a Palavra é a Vida que se vive buscando em fé alcançar e conquistar aquilo que já nos alcançou, embora nós ainda não a tenhamos plenamente conquistado!

E quem é Esse que deve ser Aquele que é o nosso Caminho? E que Caminho é esse? e que Rocha é essa?

Jesus é Caminho, Sua Palavra-Encarnada é a Rocha, e Sua Graça é a Lei do caminhar!

Jesus é aquele que quando se vê no Pai recebendo um filho—qualquer filho—de volta, de antemão avisa: “Não esperem de mim nada menos que uma festa regada ao melhor vinho, pois os pecados já foram lavados com o melhor Sangue!”.

Nesse Caminho com Ele, que é um tabernáculo em movimento, tem de tudo: demônios de todos os tipos, tempestades, perplexidades, interesses escusos, certezas satânicas, exageros desnecessários, zelos homicidas, familiares em pânico, medo de trair, frágeis certezas de jamais trair, traição explicita e implícita, negação e morte !

Mas, para além disso tudo, vê-se que no Caminho com Ele, os ventos cessam, as ondas se abrandam, as Leis fixas do universo são relativizadas, os demônios sabem quem Ele é e quem somos Nele; e, assustados reconhecemos Quem Ele É!

Nesse Caminho as maiores demonstrações de fé vêm de fora da religião, e, também ouve-se a ameaça freqüente que Ele faz para que não se julgue segundo a aparência, mas conforme a reta justiça, pois, não raramente, o que é elevado entre os homens é abominação diante de Deus. Por essa razão, tanto “malandros arrependidos” quanto “réus confessos” podem encontrar seu repouso.

E, para além de tudo isto, a gente vê a morte sendo morta definitivamente na Ressurreição. Todavia, nele também se aprende que se o Verbo entrou no mundo pelas entranhas de uma virgem, Ele, no entanto, saiu da morte ante o olhar de uma mulher, ex-possessa-prostituta!

Assim, a Encarnação des-instala a Moral e a Ressurreição põe o ser-moral no papel de ouvinte provocado, pois, tem que crer no testemunho da Graça nos lábios de quem não gostaria que tivesse sido escolhida, se acontecesse no dia de Hoje—não para dar testemunho do fato da Ressurreição!

Do ponto de vista de uma moral-marketeira-publicitária Madalena seria uma testemunha que não seria selecionada, afinal, ela não tinha nenhuma credibilidade.

Nesse Caminho ninguém é perfeito, mas é da boca de crianças de peito e de pecadores quebrantados onde Ele enxerga louvor.

Sim, nesse Caminho você aprende o que é não estar nem varrido nem ornamentado, porém, sabendo que se a festa já começa com o melhor vinho, que esperar então? Algo menos que a Ressurreição?

Nesse Caminho a gente aprende que Ele nos conhece pelo nome, mesmo no dia seguinte àquele no qual o tenhamos negado—então, choramos amarga e docemente!

A Graça é a Lei do Caminho!

E, logo se percebe, porque Ele mostra, que o Caminho é Ele mesmo, é ser dele e ser conhecido por Ele, e que isto nos tira todo medo, e nos conduz à Verdade, e que é somente nela que se pode experimentar a Vida.

Então você olha e o vê em você!

Você já não vive?

Não! Ele vive em você!

E quem tentará tomar para si esse ser-tabernaculo que se move pelo e no Caminho?

Quem?

Não esqueça, o Mais Valente, é o que faz Mais Valer!

No Caminho, Ele nos garante sempre! Pois é também apenas no Caminho que somos salvos de nos tornarmos parte de uma geração perversa e que espreita como ave de rapina a alma de seu próximo!

No Caminho, “o diabo”, está amarrado e suas possessões na casa do coração são saqueadas pelo Mais Valente! E “ele” está “amarrado” porque o “escrito de dívidas que havia contra nós e que constava de ordenanças” foi irreversivelmente “rasgado e encravado na Cruz”.

Nós, por isto, estamos para sempre livres!

E quando se fala assim, se diz que a salvação humana só acontece num embate de Deus contra Deus, onde o próprio Deus seja o Réu-Justo, sendo julgado pelo Justo-Juiz, o qual, sendo também o Advogado do réu-réu— o homem—, possa oferecer o Réu-Justo como substituto em lugar do réu-réu. Assim é que o Réu-Justo—aquele que recebe o castigo da mais absoluta justiça divina contra o réu-réu—pode ser, Ele mesmo, também, o Advogado do réu-réu.

E, em toda a História só há um lugar onde Deus enfrenta Deus, num combate onde Deus ganha e Deus perde; onde o réu é condenado e absolvido; onde Aquele que é o Justo é feito o Injusto; o que não teve pecado, é feito pecado em favor do homem e de Deus!

Somente na Cruz de Cristo Deus-enfrenta-Deus, e Deus se aniquila e se supera a um só tempo . Na Cruz, Deus vence a Si mesmo e Sua Misericórdia prevalece sobre o Seu próprio juízo; sendo Suas palavras finais a respeito desse Combate, as seguintes: “Está consumado!”

Ou seja: “Esta luta acabou”. Mas para os “amigos de Jó” a luta continua e a alma tem que sofrer todos os dias a dor de acusações que só a tornam menos alma e mais feia!

Nós, todavia, não negociaremos, nem por um momento, a libertação que o Evangelho de Cristo nós trouxe de uma vez e para sempre da Teologia Moral de Causa e Efeito!

Foi para esses—os discípulos da TMCE—a quem Paulo disse: “Quanto ao mais, ninguém me moleste, pois eu trago no corpo as marcas de Jesus”.
“Sem fé é impossível agradar a Deus”. E sem Deus-contra-Deus é impossível haver uma fé que justifique o homem diante de Deus e que traga a justiça de Deus para a consciência humana. E essa certeza não vem com explicações racionais. Ela é filha de uma inerente e incompartilhável certeza de harmonia com Deus, mesmo no caos! E é filha da presença da Cruz sobre nós!

Aos amigos de Jó, o Evangelho diz que o Senhor Jesus contou uma parábola:

Propôs também esta parábola a alguns que confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros:

Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publicando.

O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, Graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho.

O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador!

Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado.
?

Somente “os amigos de Jó” podem ler o Evangelho de Jesus e continuar pensando como os fariseus. A Ética do Amor—que é a única ética do Evangelho— nega todos os pressupostos da Teologia Moral de Causa e Efeito.

A Graça inverte os pólos da Ética, que, em Cristo, se vincula não à Moral, mas à obediência amorosa a Deus; e se expressa como resposta da consciência do amor à inconsciência do próximo, mesmo que seja o inimigo!

E só assim se pode estar livre para agir desse modo, porque quem vive na Graça também já não tem mais nada a provar. Afinal, ou é ou não é! e também não depende nem de quem quer nem de quem corre, mas de usar Deus de misericórdia para com esse ser humano! para conosco! os que nos entregarmos em fé!

Conforme o apostolo João, a si mesmo se purifica, no amor, todo aquele que tem em Jesus sua esperança. Dessa forma, o Evangelho insiste em que se ande no Caminho da Vida, cuja Porta é Estreita—embora esteja aberta a todos—e que nos põe sobe a Lei do Amor.

Sim! o Evangelho insiste em que a Lei do Amor é o melhor de todos os fundamentos para a vida!

E isto, para agora usarmos outra imagem, nos faz ramos da Videira Verdadeira, tornando-nos, assim, pela prática da palavra-amor, Seus ramos-discípulos.

E dessa Videira são cortados apenas os ramos que se auto-excluem pela presunção de pensarem que o ramos pode dar fruto de si mesmo.

À esses, a Videira diz: “Sem mim nada podeis fazer!!!”

Assim, somos chamados a mamar o amor de Deus e a crescermos Nele na frutificação do amor e da misericórdia praticada uns aos outros.
Isto fará com que o mundo nos odeie!

Afinal, o mundo, incluindo sobretudo a moral religiosa, é feito de todos os ramos que auto-engaram-se crendo que o ramo pode produzir fruto de si mesmo!

O mundo são todos os ramos que não vivem da seiva da Videira, por isto secam e são lançados ao fogo.

Todo aquele que não depende da seiva da Graça que da Videira Verdadeira procede—não importa quem ele seja—, jamais produzira o fruto que permanece, pois, este, é o fruto do amor e da vida que brota do casamento do ramos com a Videira-Jesus!

Esses não são nunca amigos de Jó, pois, na Graça, foram feitos amigos de Jesus, pois, à esses, Ele disse tudo o que tinha ouvido de Seu Pai-Agricultor:

“Quem me ama, guarda os meus mandamentos; assim como eu amo o Pai e guardo os Seus mandamentos. E os mandamentos, são um: que vos amais uns aos outros, assim como eu vos amei.”

Caio

www.caiofabio.net

Como Deus quer salvar a todos e escolhe alguns?

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Posted on 11th março 2010 by Roberto in Cartas

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It is Finished

Pastor Caio !


Esses versos abaixo me angustiam muito,  pois se Deus predestinou ou elegeu alguns para salvação e outros para perdição, por que ele quer que todos os homens sejam salvos??

ITm 2:4 Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade.


ITm 2:6 O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo.

Aguardo seu retorno.

Idevaldo.

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Resposta:


Meu amigo Idevaldo: Graça e Paz!



Leia aqui no site os textos “O que vem antes: a criação ou a redenção”, e também os que o seguem: “Criação ou Redenção: você me confundiu todo” — e você entenderá um pouco melhor o tema em questão, pois assim não tenho repetir o que já está escrito com fartura no site.


Além dos textos mencionados, há dezenas de outros sobre o mesmo tema. Portanto, leia o site e você me poupará de escrever dezenas de coisas que já estão escritas, e nos termos de sua questão e angustia.


Isto dito, e supondo que você lerá o textos mencionados, bem como tudo o mais sobre a Ordem de Melquizedeque, e sobre a Eterna Cruz: o Cordeiro imolado antes da fundação do mundo, não direi muita coisa sobre seus dois textos de aflição.


Portanto, não me queira mal, mas é que não posso escrever um site novo para quem vai chegando e não lê os milhares de textos que estão aí. Do contrário, nem em mil vidas eu conseguiria cumprir tal missão.


Ora, os textos significam exatamente o que eles dizem. E não são apenas esses dois que dizem isto, mas muitos outros.


E, para quem ama, qualquer que seja a promessa de misericórdia de Deus por todos os homens (mas especialmente dos fiéis), tal fato só deveria trazer alegria, e nunca angustia.


Portanto, eis minha questão para você:


Você está em crise porque se pergunta: De que me serve ser de Deus e serví-Lo, se Ele pode simplesmente fazer o que Ele bem quiser, e salvar a tantos quanto desejar?


Ou seja: essa é angustia de quem serve a Deus por medo, e não por amor. Pois quem serve a Deus por medo é que se assusta quando pensa que sua “obediência temerosa” pode não ser o elemento essencial da salvação, e, portanto, fica confuso e meio angustiado, e mais que isto: fica se perguntando: Por que eu tenho que andar com Deus se quem não anda pode, quem sabe, chegar ao mesmo lugar?


Assim, sua aflição me diz o seguinte de você:


Se você ficasse sabendo que todos serão salvos, possivelmente você cairia na gandaia!


Do contrário, nada disso o afligiria, ainda que você esconda a real razão atrás de uma dúvida teológica.


Se eu estiver errado, me perdoe!


Mas é que em geral é assim que acontece!


Leia o site e isto não só o ajudará, mas me poupa de escrever o que já está dito!


Segue um texto que também passa pela sua questão. Porém, não deixe de ler os acima mencionados.


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Hoje, dia 20, no Fantástico, um menino que fez parte do documentário “Facão”, disse o seguinte: “Essa vida é um bagulho difícil”. Certamente ele, nos seus 17 anos, já havia internalizado, pela via da catástrofe na favela e da orfandade paterna, o que Sidarta teve que conhecer buscando. Esse menino, não; ele foi buscado pela dor; e já começa do fato dele viver onde vive, e nas condições de existência e convício aos quais ele é submetido à revelia desde sempre.


A conclusão do menino da favela e do tráfico de que essa vida é um bagulho difícil, coincide com a conclusão filosófica e religiosa de todos os pensadores e de todos os credos da Terra.


“No mundo tereis aflições”…. “Essa vida é um bagulho difícil”… “Viver é sofrer…” “… é vaidade e correr atrás do vento…”… “O existir humano é desespero…”…. “A existência é nausea”— todos dizendo a mesma coisa acerca do diagnóstico da existência.


A questão é: por quê a vida tem que ser esse bagulho tão difícil?


À cuja questão, eu coloco as minha próprias:


Como seria possível haver o desenvolvimento da consciência sem dor e contradição?


E que tipo diferenciado de consciência é essa, que apenas a conhece esse ente humano, que é animal-instintual ao mesmo tempo em que carrega todos os desejos da eternidade em si mesmo?


Seria ela, a consciência, passível de desenvolvimento sem dor, num ser que já é em si sofrimento e tensão entre o tempo e a eternidade, entre o finito e o infinito, entre o visível e material e o invisível e espiritual?


Ou seja: eternizados num Éden sem tentação, quem seríamos nós?


O que sei é que se olhássemos com nossos olhos-morais-de-hoje, lá para trás…; sim, se nos fosse possível adentrar os portões do Éden, antes da Queda, e ver Adão e Eva no Paraíso, que cenas nós veríamos? E como as veríamos e as julgaríamos?


Minha certeza é que elas, embora sejam nosso desejo terreno mais profundo, certamente não eram para ser comparadas com o que nos foi dado, apesar da Queda, visto que é indubitável que o Segundo Adão, Jesus, é maior do que o Primeiro Adão; assim como a Graça e excelentemente superior à Lei; assim como o menor no Reino de Deus é ainda maior do que o maior de todos “antes”: João Batista.


O que aconteceu no Éden, para mim, faz parte de mais um dos paradoxos e até inexplicáveis contradições da Escritura. Sim, porque se de um lado o que lá havia era “muito bom”; o que se diz que o Segundo Adão fez, depois da Queda, é de uma dimensão que não é para comparar com a Primeira; assim como é tolo tentar comparar a glória de Moisés com a de Cristo, posto Moisés cobria a face em razão do desvanecer, e Jesus deixava o rosto para fora em razão de Seu resplandecer.


Ora, como creio na Escritura e em sua revelação, e, sobretudo, creio que Jesus é quem mostrou e disse ser, não me é possível deixar de ver que a Queda é também um acontecimento “para cima”, a menos que haja um outro meio de formar consciência fora do choque das contradições, e conforme a existência a que nos pusemos submetidos, por escolha própria, porém, ainda conforme a soberania de Deus; a qual é tão soberana e sutil, que nos deixa livres enquanto trabalha usando os próprios atos livres do humanos, a fim de esculpir o Homem no homem.


Se o Cordeiro foi imolado antes de tudo, então, não há como a Queda não ser vista e entendida como “contradição essencial e necessária” ao processo da formação da consciência. Posto que ela mesma, a consciência ainda não existente, já havia recebido a provisão do Cordeiro. Razão pela qual, após a Queda, os humanos são imediatamente cobertos por Deus com peles de animais; os quais morreram para cobrir os humanos; do mesmo modo como a Cruz de Jesus foi a Cunsumação histórica do fato eterno estabelecido antes da fundação do mundo: a Cruz do Cordeiro.


É por causa da Cruz do Cordeiro Eterno, imolado Antes, que todo o proceso de formação da consciência acontece numa contradição que tem que ser sentida como transgressão, ao mesmo tempo em que precisa ser percebida sob a Graça Eterna.


Do contrário, não se tem um adorador, mas apenas um religioso perdido entre a dúvida de “onde” se deve adorar: se em Jerusalém ou se no Monte Gerezim; conforme a Samaritana antes de beber da Água da Vida. Ou, então, tem-se apenas um ser de conciência culpada e neurótica, mas jamais consciente e pacificada. A outra alternativa é a alienação deliberada ou o cinismo consciente.


O que de fato estou dizendo é que até a Queda contribuiu para o bem dos que amam a Deus!


Pense nisto!



Caio

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Agora, leia mais este outro!


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QUAL O SIGNIFICADO DA ORDEM DE MELQUIZEDEQUE?



Muita gente tem me escrito pedindo que eu fale um pouco mais sobre a Ordem de Melquizedeque. Ora, há duas maneiras de se fazer isto. Um é defensiva e a outra é propositiva. A forma defensiva parte do pressuposto de que a realidade do tema é algo alienígena nos credos do Cristianismo; e, mais ainda, que não se tem nenhum interesse em pensar em suas implicações, visto que isto dês-construiria um sistema que foi desenvolvido durante pelo menos 1700 anos de história da igreja como instituição.


Se fosse falar no assunto na defensiva, teria que provar que Deus tem na Ordem de Melquizedeque sua “justificativa” teológica para ser livre como Deus, derramando Sua Graça onde bem entenda, e sem dar explicações. Mas ainda é uma tentativa de “pedir licença” e rogar por clemência aos doutores da ortodoxia e senhores da verdade. E mais: ainda é também uma confissão muito forte acerca do poder inquisitorial dos doutores e escribas do Cristianismo; os perpétuos neuróticos da verdade-cartilha; e supostos guardiões do “Santo Graal da Doutrina”.


Ou seja: ainda é uma tese para “eles”, como foi o caso da primeira vez que escrevi sobre o assunto, aos 22 anos, quando de minha “tese” de ordenação.


Hoje, entretanto, não sinto a menor obrigação de ser defensivo e explicativo em nada. O que creio, isto falo; e não me explico no meu crer.


Desse modo, a fim de também simplificar ao máximo este texto e fazê-lo também sucinto, apenas descreverei o que creio sobre a Ordem de Melquizedeque, conforme mencionada nas Escrituras.


Melquizedeque aparece do nada, sem antecedentes e sem explicações. Abraão encontra com ele e se verga diante dele, e lhe paga o dízimo de tudo quanto tinha consigo. Melquizedeque abençoa a Abraão. Então, assim como veio, ele vai, sem deixar vestígios.


Mais tarde, séculos depois disto, Melquizedeque aparece nos Salmos, quando, também do nada, se diz que o Senhor jurou que Seu Enviado seria feito Sumo Sacerdote, segundo a Ordem de Melquizedeque. Somente isto e nada mais.


Até a Carta aos Hebreus. É nela que Melquizedeque volta como nunca antes. Agora ele é aquele que em Cristo tem seu Sumo Sacerdote. Jesus se torna Sumo Sacerdote de uma nova ordem sacerdotal, a qual não era étnica, pois não era judaica. Nem era levitica, posto que Jesus não era da tribo de Levi, mas de Judá; não tendo, portanto, qualquer relação com o sacerdócio anterior, o qual tinha na Ordem Levitica, da tribo de Levi, um dos doze patriarcas de Israel, os representantes humanos do culto que se prestava ao Deus de Abraão. Do mesmo modo se pode dizer que ela nem tampouco se condicionava à informação histórica, carregada de esperança redentiva, que viajava como fé, mas também como especulação teológica e fixação de tradição em Israel.


Jesus sendo Sumo Sacerdote segundo uma ordem à qual o próprio Abraão — pai do povo da revelação escrita — se curvava, é apresentado na Carta aos Hebreus como Aquele que TAMBÉM abençoa a Israel e todos os que conhecem a informação da Escritura; porém, que não se condiciona nem à geografia, nem à história registrada como sagrada, nem à informação, nem a qualquer fronteira, de qualquer que seja a natureza, estando Suas mãos sobre todos os que Ele mesmo desejar, e com a mesma liberdade com a qual abençoou a Abraão.


A Carta aos Hebreus diz que esse Melquizedeque é semelhante ao Filho de Deus, sem principio de dias e sem fim de existência; sendo superior a tudo quanto era relativo a Abraão, visto que é o maior quem abençoa o menor.


Assim, Melquizedeque não é explicado, mas apenas afirmado. De fato, ele paira sobre a História, é um pingo de peso explosivo num Salmo, e arrebenta tudo e todas as ordens, quando relativiza a mais importante de todas, a que procedia de Abraão.


Ora, o mistério de Melquizedeque é algo que ecoa o Cordeiro imolado antes de tudo, antes de qualquer ato criador de Deus.


Desse modo, pode-se dizer que o espírito da Carta aos Hebreus acerca de Melquizedeque, é aquele que o apresenta como uma manifestação do Cristo Eterno, o qual não foi feito Cristo, no Jesus Histórico; mas sim, sendo o Cristo Eterno, se mostrou como tal em Jesus, na História. Talvez seja por esta razão, também, que Jesus disse que Abraão viu os Seus dias e regozijou-se.


O Jesus Histórico não fez surgir o Cordeiro e nem a Ordem de Melquizedeque. Pelo contrário, se diz que Jesus é Sumo Sacerdote “segundo” a Ordem de Melquizedeque; assim como se diz que o Cordeiro foi imolado antes de tudo; antes de haver mundo.


Jesus é a Encarnação de tudo o que Nele preexistia como Cordeiro Eterno, como o Cristo de Tudo e Todos, como o Sacrifício da Ordem de Melquizedeque (que manifesta na História a invasão livre do eterno, se revelando aos homens, e derramando Graça de todas as ordens); e como Jesus; o Cordeiro de Deus; o Cristo; ou Cristo Jesus; ou apenas o Cristo; ou ainda o Cristo de Deus; ou simplesmente Jesus Cristo — que é o que se diz Dele; enquanto Ele mesmo se define como Filho do Homem, o Caminho, a Verdade, a Vida, o Pão da Vida, a Porta, o Bom Pastor, o Noivo, e Aquele que é Um com o Pai (entre outras autodefinições).


As implicações de tal realidade é que são insuportáveis para a religião, pois, virtualmente acaba com ela, com seus poderes de representação, com suas certezas, com seus dogmas; e, sobretudo, com seu poder dela “administrar” a graça de Deus aos homens.


A Ordem de Melquizedeque é a Ordem da Nova Jerusalém, na qual os povos são curados, e todos trazem ao Cordeiro as belezas dos povos.


É em razão da Ordem de Melquizedeque que Jesus diz que muitos virão de todos os quadrantes da Terra, gente de todas as gerações, e tomarão lugar à mesa com Abraão, Isaque e Jacó. É também por tal razão que o Evangelho deixa claro que a maior fé que Jesus vira, não viera de dentro de Israel, mas de um pagão de fora: o Centurião Romano. Assim como é pela mesma razão que a mulher que dá um “ santo banho” em Jesus é uma mulher de fora de tudo, uma siro-fenícia.


O problema atual é que a humanidade entende a Ordem de Melquizedeque, mas já não entende a ordem de Levi, conforme a Bíblia, posto que tal coisa, para a humanidade, tiveram no Judaísmo e, sobretudo, no Cristianismo, os seus representantes históricos, o que fez com que um sentimento de repudio se espalhasse pela Terra em relação a tudo quanto possa carregar tais “representações”.


Ora, quando digo que este é o problema, não quero, todavia, universalizá-lo; afinal, ainda há bilhões que não passam sem um bom paganismo judaico-cristão. O que afirmo é que as mentes que desejam alguma forma de espiritualidade não vinculada à religião, assim sentem por não conseguirem mais tolerar a mensagem e o resultado histórico do que o Cristianismo produziu, tanto como religião, como também como potestade ideológica e política.


Esses, de fora, os pós-cristãos, todavia, quando ouvem acerca de tal Ordem superior à religião, conseguem entender o Evangelho em sua maior largueza de percepção. Por esta razão essa tal “Era Pós-Cristã” é um problema para o “Cristianismo”, mas não significa nada para o Evangelho.


Mas como disse no inicio, o problema não é dizer que Jesus é Sumo Sacerdote segundo a Ordem de Melquizedeque. O problema são as implicações dessa compreensão, as quais, sendo levadas a sério, acabam com os poderes da religião.


E quem, na “igreja”, deseja tal coisa?


Nele, que é Senhor e Salvador de todos os homens; pois se imolou pela criação antes de haver mundo,



Caio




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Espero que comece a ajudá-lo!


Um abração!


Nele, que é Quem sempre foi,




Caio

[O Portal dos Invisíveis]


Creative Commons License photo credit: abcdz2000

E como fica o dízimo?

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Posted on 24th fevereiro 2010 by Roberto in Cartas

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Caio, o que você acha do dízimo?” — é uma pergunta recorrente aqui no meu computador.

Entretanto, para quem usa o sistema de “Busca” do site [por mais deficiente que ele esteja], nele ainda é possível encontrar muita coisa sobre Dízimo — eu pelo menos encontro nele [...]

Entretanto, acerca de Dízimo, já há os seguintes textos escritos no site:

E COMO FICA O DÍZIMO?

QUESTÕES SÉRIAS DE UM JOVEM: G12, DÍZIMO, MELQUISEDEQUE

ONDE DEVO DAR O DÍZIMO?

QUEM NÃO DÁ O DÍZIMO DEVERIA SER PRESO?

PASTOR, SE EU NÃO DER O DÍZIMO EU VOU PRO INFERNO?

E SEM LEI, QUEM VAI CONTRIBUIR?

EU OUVI DO PÚLPITO DA MINHA IGREJA: “QUEM NÃO É DIZIMISTA, V

O DÍZIMO, É UMA LEI PARA HOJE?

ESTOU DEVENDO O DÍZIMO E ESTOU ME DANDO MAL

DÍZIMO OU RECEITA CELESTIAL?

Ora, se você leu o que já está escrito, então prossiga lendo; do contrário, vá ler o que está nos links acima, pois, o que está dito lá não será repetido aqui.

Além disso, leia também o link do meu livro “Uma Graça que poucos desejam” [http://caiofabio.net/conteudo.asp?codigo=03194]

Isto feito… — tenho a acrescentar apenas o seguinte, e apenas com finalidade pedagógica de mera simplificação.

Leia o que Jesus disse em Mateus:

  • Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, a justiça, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas. Mateus 23:23

Agora o que Ele disse conforme Lucas:

  • Mas ai de vós, fariseus, que dizimais a hortelã, e a arruda, e toda a hortaliça, e desprezais a justiça e o amor de Deus. Importava fazer estas coisas, e não deixar as outras. Lucas 11:42

Ora, o que fica do dízimo para nós hoje?

1.        Ele fica como medida mínima da dádiva, mas não como Lei da Oferta, pois, antes de tudo, o que vale não é o dar o dízimo, mas sim a sua dádiva com amor, alegria e gratidão. Sem tais coisas nada é dízimo espiritualmente falando.

2.        Ele fica como referência prática do que o amor e a justiça e miseriócordia realizam quando nos habitam.

3.        Ele fica como algo invadido pelo amor ao próximo, e não apenas como ritual do templo.

4.        Ele fica divorciado do Templo como único lugar para se dizimar o bem material, pois, agora, em Cristo, o dar é em amor ao próximo carente, e, também, segundo Paulo, para ajudar a continuidade do anuncio do Evangelho. Isto pode acontecer também num lugar de culto, mas não se circunscreve a ele.

5.        Ele fica como algo a ser gerido pelo próprio discípulo, devendo ele dar prioridade ao pai e a mãe, e, depois, aos pobres e ao anuncio do Evangelho. E gestão é do discípulo por é fruto do amor, e ninguém pode fazer gestão de amor por nínguém. Simples assim.

Desse modo, conforme Jesus, deve-se dar o dízimo assim como se deve viver em justiça, amor e misericórdia; ao mesmo tempo em que aquele que vive em justiça, amor e misericórdia dá todos os dízimos, sem deixar de contribuir materialmente com as causas e necessidades reais.

No entanto, o espirito não é aquele de Malaquias, com as maldiçoes do devorador. Pedro disse a Anananias e Safira que retendo o que deram com mentira [com exagero na dadivosidade, fazendo um marketing de filantropia pessoal], nada de mal lhes aconteceria. Como, porém, a situação deles era a de quem mentia ao Espírito da Verdade, então, sobre eles viria o juízo.

Assim, a questão não estar no dar, mas em como se dá; posto que Ananias e Safira deram, mas o fizeram sem sinceridade nas motivaçoes e no modo.

Este é o espirito das contribuições conforme o Novo Testamento. Entretanto, quando digo este é o espirito, refiro-me a tudo quanto recomendei a você como leitura anterior.

Desse modo encerro por aqui as milhas falas sobre “Dízimo”.

Nele, em Quem amor e ato nunca se separam,

Caio

12/12/07

Lago Norte

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