Estão me chamando de desviado…

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Posted on 4th março 2010 by Roberto in Cartas

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—– Original Message —–

From: ESTÃO ME CHAMANDO DESVIADO…

To: contato@caiofabio.com

Sent: Thursday, December 29, 2005 10:01 AM

Subject: NOIVA CORROMPIDA

Caio,

O negócio está ficando “feio” pro meu lado. Todos os irmãos ao falarem comigo só tem uma frase: Volte pra Cristo!

Cara, eu tô é sentindo raiva e não é pouca…

Eu queria entender essa “contradição”: As pessoas que lá (na igreja) continuaram podem sentar numa mesa de lanchonete e falarem livre e descabeladamente das pessoas que se “desviaram”, contudo, quem está “aqui fora”, não pode levantar um “dedin” de crítica que eles já dizem: Cuidado, você está “tocando” no “Ungido”.

Que loucura! O “estar” na igreja me dá o direito de massacrar os “ímpios” , mas se estiver fora, perco os “super-poderes”, pois pra falar mal de alguém, tenho que ter “cobertura”.

Na rua, passo por “irmãos” que viram a cara quando me vêem. Fico triste por mim, que não raras vezes virei a cara para aqueles que se “desviavam”.

Como fui hipócrita! Quantas “vidas” que saíram sangrando da igreja eu “atropelava com a moto” mas não dizia: Bom dia!

É estranho, realmente esquisito dizer isso, mas hoje me sinto livre: livre da hipocrisia, do xamanismo, da idolatria (por Nabuco Terra Nova), das profetadas de púlpito e outros “ingredientes” que têm feito muita igreja contemporânea irem pro “saco”.

Cara, o que quero é meu direito de viver. É andar pelas ruas sem ser chamado de desviado por esses hipócritas, porque dos “crimes” de que me acusam hoje, eu já os “cometia” na igreja e com eles.

Hoje todos sabem que tomo vinho (é um escândalo), mas quando bebia com eles não era pecado. Será que eles ungiam a bebida e eu não sabia?

Ouço “abertamente” a música do “mundo”, principalmente a Legião Urbana (misericórdia irmão! essa banda tem demônio até no nome!)

Cansei de ver irmãos “maduros” na fé dizerem assim: Eu tenho capacidade para ouvir esse tipo de música pois sempre fui evangélico, agora, você que veio do “mundo” não pode ouvir porque contamina.

É de lascar! Se Cristo viesse a Terra em nossos tempos , creio que seria crucificado de forma mais horrenda e sanguinária do que no filme de Gibson. Pois a sua “Noiva” se tornou politicamente mais forte e pervertida que os Fariseus do Templo, por isso, tenho certeza, “Ela” não deixaria um Homem simples, trazendo palavras simples, “corromper” a forma Piramidal da Igreja do século XXI.

Continuo no “mundo”. Para a “igreja” sou o herege Number 1. Todo dia acordo com “aquele gosto de caveira moída” na boca; por isso, não raramente, emborco um Pérgola e ouço minha musiqueta.

Quando você “caiu” se é que “aquilo” é cair, foi quando eu mais te conheci, na minha igreja tinha uma coleção de VHS seus (aqueles azuis) que, de repente, ficaram de lado (vamos fingir que não sabemos o por quê).

A Pregação que mais me marcou entre todas foi aquela baseada em Jeremias 31:3 : “…com amor eterno te amei, por isso, com benignidade te atrai”.

Reverendo amigo, já ouvi esse texto ser pregado ardente e ardilosamente diversas vezes por várias pessoas… mas “com Amor” apenas uma vez.

Toda vez que te escrevo, só tenho um sentimento: cresci, apareci e não vi nada; aprendi o que era certo com as pessoas erradas. Tenho fé que vou recuperar o tempo perdido.

Nele,

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Resposta:

Meu irmão amado: Graça e Paz!

Tudo é muito simples!

Veja: Quem é de Deus, ama. Quem não é de Deus, não ama. Quem nasceu de Deus não conhece nenhuma “nova revelação” além do “novo mandamento”, que nos amemos uns aos outros. Quem odeia jamais viu a Deus, pois Deus é amor. E aquele que diz que ama a Deus, porém odeia a seu irmão, esse segue pelo caminho de Caim. Aquele que diz que ama, mas vê seu irmão em apuros e nada faz, esse não ama; pois o amor de Deus em nós sempre acha no irmão a “carência de Deus”; e, assim, serve a Deus nos irmãos.

Isto digo, apenas para você não ter dúvidas acerca do que é o Evangelho, na prática, conforme o ensino e a prática de Jesus. O resto, meu irmão, é invenção da religião dos fariseus, que acabou ganhando a parada junto ao “cristianismo”, que é uma fusão do moralismo adoecido dos fariseus e do paganismo da Roma constantiniana… e mais alguns outros vírus e bactérias espirituais.

Tudo o que você disse não carece de resposta. Sua denuncia é tão simples, clara e repetida por milhões, todos os dias, que nem mesmo merece resposta que diga “Uau”.

Quero, entretanto, tratar rapidamente de dois temas mencionados por você; a saber: o dos desviados e o da maldição dos ungidos do Senhor.

Primeiro, você deve saber que Jesus era “um desviado” do ponto de vista dos fariseus e das autoridades da religião em Israel. E não era apenas um desviado qualquer. Por anunciar e ser a Boa Nova, Ele foi chamado de “samaritano louco”; de instrumento de “Belzebu”, o maioral os demônios; de “suicida” endiabrado; de “glutão e bebedor”; de licencioso por andar com gente como as meretrizes, os publicanos e os “pecadores”; de “blasfemo”; de “bastardo” sem pai e de origem questionável; e, por último, de bandido e agitador do povo — todas essas sendo as razões que se acumularam a fim de que Ele fosse morto.

Graças a Deus você achou a via certa, e, assim, se desviou dessa via da neurose, do medo, da culpa, do culto ao homem, da obediência serviçal a um louco, da prática dos ensinos de uma “seita” que vende um certo “outro evangelho”; o qual, saiba, mesmo que seja proclamado “por anjo de luz”, deve ser considerado “anátema”.

Aliás, nesse quesito, Paulo, que foi quem fez a declaração acima, disse que até se “ele mesmo” pregasse outra coisa, que era para que os discípulos não o ouvissem também.

Portanto, o que importa não é quem diz, mas o que é dito. Desse modo, Paulo adverte, dizendo: “Até eu mesmo, se for me alterando e pregando outra coisa, que seja repudiado”. Pois, não é o mensageiro o que vale, mas sim a mensagem, a qual é eterna e não deve ser mudada, exceto se alguém desejar sobre si o juízo de alterar o que não deve ser mexido nem por homens e nem por anjos; visto que se trata de algo eterno e imutável.

Assim, digo a você: o que chamam de seu desvio é justamente a Via Certa, pois, agora, você está deixando de seguir homens loucos e dando ouvidos não a mim, mas ao Evangelho, visto que eu também digo que se porventura eu aparecer com qualquer outra coisa que não seja o que já está “posto”, conforme a Pedra Angular, Jesus, e, também, conforme o fundamento dos Apóstolos e Profetas das Escrituras — que eu seja “anátema”.

Ora, este primeiro ponto nos remete para o segundo: o da maldição dos bruxos ungidos, os bons-mau-cumbeiros da “igreja do medo e da barganha”.

Eles evocam Davi, que não matou a Saul nas vezes em que pôde, a fim de não ferir e nem tocar num ungido do Senhor; e, também, evocam o Salmo que diz “não toqueis nos meus ungidos”.

Ora, no caso de Davi, não tocar no ungido era bem e bom para ele, que sabia que Deus mesmo, à Seu tempo, faria o que já estava designado; e Davi não queria meter a mão naquilo que não era dele, mas de Deus.

No entanto, a ordem das coisas é invertida entre nós, e o tal “não toques no ungido” passou a ser um discurso que nem Saul teve coragem de fazer (foi Davi quem disse isso, nunca Saul); mas que, os Sauls de hoje fazem, e isto a fim de poderem continuar Sauls para sempre, perseguindo, oprimindo, tiranizando, e maltratando o povo de Deus.

Desse modo, ninguém tem que tocar “no suposto ungido”, mas apenas não se deixar tocar por ele. E foi isto que Davi fez: ficou longe, muito longe, desse “ungido” que tinha ânsia de matar: Saul.

Hoje, entretanto, o que querem é que Davi diga “amém” a Saul, e que cumpra seus caprichos, e que continue na casa dele mesmo que ele seja louco. Davi não tocou em Saul, mas nunca mais deu a Saul a chance de tocar nele. Deus cuidou de Saul.

Entretanto, o que não se pode permitir é que Saul cuide da gente. Nesse caso, é como aceitar o pastoreio do surto e da loucura.

No caso do Salmo que manda não tocar nos ungidos, o contexto era outro:

Israel estava matando os profetas em razão de sua mensagem contra a iniqüidade, a feitiçaria, e a paganização da fé. Ou seja: se fosse esse o caso, se diria que o “ungido” é você; e quem o ataca é que deveria ver o que está fazendo contra a sua própria alma; pois Deus já avisou através de Jesus que Ele acha melhor que quem assim procede, “ate ao pescoço uma grande pedra e se atire ao mar”, antes de fazer mal aos que apenas crêem na Palavra do Evangelho.

Em Jesus, todavia, tudo isto acabou. Digo: esse negócio de haver uma “categoria especial de ungidos”. Afinal, isto é coisa de gente que vive com a mente ainda pagã, crendo em bruxos, magos, xamãs, feiticeiros, e, sobretudo, na cumplicidade de Deus com homens que se servem de Seu nome para manipular o próximo incauto.

Todos somos ungidos do Senhor Nele, e não há mais essa categoria especial de ungidos, visto que Paulo diz que em Jesus nós somos os ungidos do Senhor; sim, todos nós, os que cremos.

Ora, eles usam essas coisas como medo, como feitiço e como opressão do diabo sobre as almas dos homens.

Por que você acha que eles nunca me escreveram me “amaldiçoando”?

Ora, é que eles sabem que sei que eles estão apenas fazendo isto a fim de manipular os ignorantes e que ainda têm sem si o germe da fé pagã.

O “paipóstolo” não quer ser “Pai de Santo”, mas deseja ser o “padastro-dos-santos”. Desse modo, ele pode ser um “Pai de Santos”, mesmo que ele próprio pratique os métodos do medo que se encontra nas tribos primitivas, as quais, ainda são dirigidas pelo “oráculo do pagé”.

Escreva isto, pois o digo sem medo:

Eles estão servindo ao diabo e não a Deus, e suas obras de medo e controle são a própria expressão do modo como o diabo dirige as vidas humanas: pelo medo e pela tirania!

Assim, meu irmão, fique firme na Palavra e não se submeta nem mais por um momento ao pastoreio do medo e do lobo vestido de ovelha.

E mais: fique na paz de Cristo; pois, contra quem está na Graça, não vale maldição e nem encantamento, visto que Jesus mesmo já se fez, de uma vez para sempre, maldição em nosso lugar.

Fico com muita pena dos que amaldiçoam, pois sei que eles mesmos estão chamando juízo para si. Assim, quanto mais sei que me amaldiçoam à distância (pois, em minha presença nada dizem!), mais oro por eles, e mais peço a Deus que o salve dessa cegueira de seita perversa, e os converta ao Evangelho da Graça.

Eles, todavia, podem marcar uma reunião de todos os “apóstolos” do Brasil para me amaldiçoarem que a mim nada dirão; pois, saiba, meu mano: não há poder neste mundo que me faça teme-los. Eu sei quem sou em Cristo; e sei que eles escolheram o Caminho de Balaão, o qual, pela ganância de dinheiro e poder, entregou-se ao “carismatismo bruxo”, e pleno de ganância.

O melhor de tudo é que hoje você aprendeu o quanto importa sofrer pelo nome de Jesus e do Evangelho. Afinal, a única coisa que mudou em você é que agora você está livre em Jesus para seguir somente o Evangelho, e não a “sagrada escritura do paipóstolo”, a qual é pura e triste heresia, e perversão do Evangelho de Jesus.

Fique tranqüilo! Nenhum mal lhe sucederá!

Nele, que nos guarda do ódio dos homens,

Caio

OBS: desviado deveria ser alguém que deixou de ser “viado”; ou seja: alguém que não anda numa via… O bom do Evangelho é que o cara fica mesmo dês-viado. Fica na via, mas não fica viado por ninguém.

O “Jesus” que Jesus não conhece!

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Posted on 15th fevereiro 2010 by Roberto in Reflexões

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Todos os dias encontro pessoas que vivem como bem entendem, mas desejam assim mesmo as bênçãos do Evangelho.

O ardil é simples:

A pessoa não lê a Palavra [exceto em reuniões públicas e a fim de basear o discurso de algum pregador], não conhece Jesus [exceto como nome poderoso nas bocas dos faladores de Deus], não ora [exceto dando gritos de apoio às orações coletivas], não pratica a Palavra [exceto a palavra do profeta do grupo, ou do bispo ou autoridade religiosa da prosperidade ou da maldição], não se compromete com o Evangelho [exceto como dízimo e dinheiro no “Banco de Deus”: a “igreja”]; e, de Jesus, nada sabe; pois, de fato, nada Dele experimenta [exceto como medo].

Entretanto, a pessoa fica pensando que o Evangelho que ela nem sabe o que é haverá de abençoá-la em razão de que ela está sempre no “endereço de Deus”: o templo da “igreja”.

Assim, vivem como pagãos em nome “de um certo Jesus” que não é Jesus conforme o Evangelho; e, mesmo assim, seguem “um evangelho” que não é Evangelho, para, então, depois de um tempo, acharem que o Evangelho não tem poder, posto que acham que já o provaram e de nada adiantou; sem saberem que de fato deram suas vidas a uma miragem, a um estelionato, a uma fantasia de “Deus”.

Milhões pronunciam o nome de Jesus, mas poucos o conhecem numa relação pessoal!

Na realidade o que vejo são pessoas estudando teologia sem conhecerem a Deus; entregando-se ao ministério sem experiência do amor de Deus em si mesmas; brigando pela “igreja” [como grupo de afinidades] sem amarem o Corpo de Cristo em seu real significado; pregando “a mensagem da visão da igreja” julgando que tem algo a ver com a Palavra de Jesus [apenas porque o nome “Jesus” recheia os discursos].

E mais: os que aparentemente sabem o que é o Evangelho e quais são as suas implicações, ou não querem as implicações para as suas vidas pessoais, ou, em outras ocasiões, não querem a sua pratica em razão de que ela acabaria com o “poder” de bruxos que exercem sobre o povo.

Assim, vão se enganando enquanto enganam!

O final é trágico: vivem sem Deus e ensinam as pessoas a viverem na mesma aridez sem Deus na vida!

O amor à Bíblia como livro mágico acabou com o amor à Palavra como espírito e vida!

Não se lê mais a Palavra. As pessoas levam a Bíblia aos “cultos” apenas para figurar na coreografia e na cenografia da reunião — nada mais!

Oração em casa, sozinho, com a porta fechada, e como algo do amor e da intimidade com Deus, quase mais ninguém pratica!

Ora, enquanto as pessoas não voltarem a ler a Palavra, especialmente o Novo Testamento, jamais crescerão em entendimento e jamais provarão o beneficio do Evangelho como Boa Nova em suas vidas.

Há até os que depois de um tempo julgam que o Evangelho é fracassado em razão da “igreja” estar fracassada.

Para tais pessoas a “igreja” não é apenas a “representante de Deus”, mas, também, é o próprio Evangelho!

Que tragédia: um Deus que se faz representar pelo coletivo da doença do “Cristianismo” e que tem “igreja” a encarnação de um evangelho que é a própria negação do ensino de Jesus!

O que esperar como bem para tal povo?

Ora, se não tiverem o entendimento aberto, o que lhes aguarda é apenas frustração, tristeza e profundo cinismo.

Quem puder entender o que aqui digo, faço-o para o seu próprio bem!

Nele , que não é quem dizem que Ele é,

Caio

09/05/08

Lago Norte

Brasília

DF

www.caiofabio.com

Caio Fábio quer revolução

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Posted on 25th janeiro 2010 by Roberto in Entrevista

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Por Ricardo Muniz

‘Que reforma há a ser feita naquilo que não deveria jamais ter existido?’, questiona Caio Fábio D’Araújo Filho em entrevista exclusiva. Para ele, o cristianismo é uma perversão e um estelionato contra o Evangelho de Cristo

© Divulgação Caio Fábio afirma não crer em reformas, mas sim em uma Revolução do Evangelho

28-07-2005 | O cristianismo é a cooptação feita culturalmente pelos gregos e politicamente pelos romanos daquilo que um dia havia sido apenas o Caminho, conforme o livro de Atos dos Apóstolos. Esta é a opinião do reverendo Caio Fabio D’Araújo Filho, apresentada em entrevista exclusiva ao site Teologia Brasileira.

“Reformar o cristianismo nada muda, apenas se adia o comprometimento radical que o Evangelho demanda”, afirma. A própria Reforma Protestante, para ele, foi “um remendo de pano novo em veste velha”. Em sua avaliação, o mundo não teve ainda a chance de conhecer o Evangelho conforme as dinâmicas livres e libertadoras do Caminho.

“Na hora em que milhões passarem a viver livres conforme o Evangelho, então, sem pai, sem mãe e sem fundador, a revolução se estabelecerá, sem sede, sem geografia, sem dono, sem tutor e sem reguladores da fé”, diz o teólogo. “Não creio em reformas. Creio, sim, numa Revolução do Evangelho que só incluirá os cristãos se eles tiverem a coragem de desistir do cristianismo e abraçar o risco de apenas andar conforme a revelação da Graça de Deus em Cristo. Tal fé é desinstaladora demais para aqueles que vivem do negócio clerical cristão.”

Por falar em negócio, Caio comenta a crise política afirmando que todos os partidos políticos brasileiros praticam o que está sendo denunciado agora como algo sem precedentes. “Conheço gente de todos eles, e sei que é assim que fazem. A diferença é que uns são mais finos, experientes, bem assessorados, escolados, PhDs em lavagem de dinheiro.”

Leia a seguir a íntegra da entrevista com Caio Fábio:

Quais são os “penduricalhos” e modismos que impedem o avanço da Fé e quais pontos, em sua opinião, constituiriam a agenda de uma Nova Reforma?
Reformar o cristianismo nada muda, apenas se adia o comprometimento radical que o Evangelho demanda. A própria Reforma Protestante foi um remendo de pano novo em veste velha. E a tragédia embutida nisso é que o cristianismo, uma tentativa vitoriosa do diabo de diminuir a loucura da pregação e o escândalo da Cruz, manteve-se. O mundo não teve ainda a chance de conhecer o Evangelho conforme as dinâmicas livres e libertadoras do Caminho, segundo as narrativas dos evangelhos, nas quais o único convite que existe é para seguir a Jesus.

O que os cristãos precisam saber é que Jesus não teve interesse em algo que se assemelhasse à civilização cristã ou mesmo com a ‘Igreja‘ como a conhecemos de 332 de nossa era até hoje.

O cristianismo já é uma perversão, transformando o Evangelho puro e simples numa religião com dogmas, doutrinas, usos, costumes, tradições imutáveis, moral própria e muita barganha com os homens. Pratica-se assim uma obra de estelionato contra o Evangelho de Cristo. É difícil imaginar que Jesus tenha qualquer coisa a ver com o que nós chamamos de ‘Igreja’, seja aquela que se abriga no Vaticano, ou sejam aquelas que têm tantas sedes quantos pastores, bispos e apóstolos megalomaníacos.

O ensino de Jesus, inversamente, é caracterizado por desinstalação, mobilidade, liberdade de aplicação sem legalismo, confiança do Semeador no poder da semente-palavra, ênfase na igualdade de todos, denúncia dos poderes religiosos e pertinência à vida. Na prática, isso significava a cura da mente, do corpo e do espírito. Significava o anúncio da destruição do Templo como lugar de Deus. Significava a beatificação de samaritanos e a demonização de religiosos sem coração.

A coragem revolucionária que o Evangelho demanda de cada geração é aquela que se lança ao vento e caminha pela fé, e que se dispõe a se deixar reinventar conforme o espírito do Evangelho, posto que ele não propõe uma religião, mas o Caminho. Isso significa que cada nova geração tem que ter a coragem de vestir o Pano Novo do Evangelho no seu tempo e beber o Vinho Novo do Reino em odres novos. Na hora em que milhões que assim crerem passarem a viver livres conforme o Evangelho, então, sem pai, sem mãe e sem fundador, a revolução se estabelecerá, sem sede, sem geografia, sem dono, sem tutor e sem reguladores da fé.

Não creio em reformas. Creio, sim, numa Revolução do Evangelho que só incluirá os cristãos se eles tiverem a coragem de desistir do cristianismo e abraçar o risco de apenas andar conforme a revelação da Graça de Deus em Cristo, conforme a Palavra do Evangelho. Tal fé é incompreensível pelas mentes viciadas no cristianismo e é desinstaladora demais para aqueles que vivem do negócio clerical cristão.

Como é sua atuação ministerial hoje?
A de sempre. Eu prego, aconselho, oro com pessoas, respondo cartas, ensino a Palavra, escrevo livros, artigos, textos, gravo programas semanais para a televisão em Brasília, viajo atendendo convites de amigos (sou muito seletivo nisto hoje) etc. O que mudou é que saiu o “peso morto”. Isto porque, já em 1994, eu me perguntava: “Por que eu tenho de ter quase 400 funcionários, e um monte de subcontratados, e esse arsenal imenso de ‘ministérios’, se eu sei que com apenas 25 pessoas, no máximo, eu posso realizar muito mais pelo meu verdadeiro ministério, que é apenas pregar e ensinar o Evangelho?”

Mas se por ministério se fala também acerca de meus “compromissos de trabalho”; então, eu diria o seguinte: prego em média duas vezes por semana no Caminho, em Brasília (Plano Piloto e Taguatinga). Prego uma vez por mês na Catedral do Rio e em Anápolis. E falo em eventos que acho significativos ou afetivamente importantes para mim. Convites chegam aqui aos montes, diariamente. Mas como tenho dito muitas vezes, não sinto que atender tais convites seja minha prioridade. Isto porque, por menor que seja aos olhos de alguns, eu vejo meu trabalho no meu site como tendo muito mais importância do que muita coisa “grande” que eu já fiz na vida. E sei que o tempo provará isto.

Além do mais, estamos abrindo novas “Estações do Caminho da Graça” em outras cidades; assim como estamos nos preparando para ter um link permanente de videoconferência com tais “Estações do Caminho”, mediante o qual poderei falar, simultaneamente, em base diária, com todos esses pontos de divulgação livre e informal do Evangelho da Graça. No mais, atendo muita gente, tanto pessoalmente, quanto também através do MSN; como também respondendo dezenas de cartas por dia, algumas das quais colo no meu site. É isto que faço, e é assim que vivo. O mais é “ócio criativo”.

Qual é a sua avaliação crua da crise política atual?
Minha avaliação é do óbvio. Todos já sabiam de tudo, o tempo todo: eu, você, a mídia, os deputados, o País inteiro. Não há partido político neste País que não pratique o que aí está sendo denunciado como novidade. Conheço gente de todos eles, e sei que é assim que fazem. A diferença é que uns são mais finos, experientes, bem assessorados, escolados, PhDs em lavagem de dinheiro, armados de esquemas mais que profissionais.

Já o PT, pela falta do hábito de governar, levou para dentro do governo aquilo que já era um procedimento eleitoral e de campanha. Sinceramente é isto que penso. Digo isto porque sei que é assim. E tenho certeza do que digo. Como também sei que lá dentro havia “níveis”, para se ter acesso a certas coisas.

Vi coisas que uns sabiam e que outros não sabiam. Acho que no tempo das campanhas presidenciais, o PT acabou entrando sutilmente no esquema. Mas creio que na última eleição, com a certeza da vitória, muita gente os procurou, e o caixa engordou como nunca. E como petista também é pecador e carente da glória de Deus, a festa libertina começou, especialmente no escalão que obedecia o cardinalato que cercava o presidente, e deles para baixo, mas não tão pra baixo, lugar onde ainda residem os sinceros do PT.

Creio que Lula soube de muitas doações e do estado geral do Partido, por dentro e por fora (via caixa 2). Mas também creio que a Presidência o afastou muito rapidamente de tais interesses e procedimentos. Acredito que Marcos Valério é apenas o sujeito que já vinha fazendo as coisas, e que, com a vitória, cobrou os louros de agora se beneficiar mais diretamente, enquanto fazia a provisão de recursos para o Mensalão e outras coisas.

Também penso que isto se deu no nível máximo do José Dirceu. Ou seja: acredito que não há santos nesta história. Todavia, sei que se se fizesse uma devassa total, para trás, também se descobriria que assim como Collor era um otário perto das atuais evidências que se acumulam contra o PT, também se verificará que a crise atual é ainda menor do que aquela que o profissionalismo dos partidos que governaram nos últimos anos praticaram; especialmente na época das privatizações. Quanto ao que penso que o presidente deveria fazer, tenho deixado clara a minha opinião: ele deveria renunciar às próximas eleições; e, assim, criar uma “agenda nova”; forçando o Congresso a votar a Reforma Política sem a qual apenas teremos CPIs after CPIs…

Sei que a oposição não quer o “impedimento” do Lula (daria trabalho, conturbaria o País, falta pouco pra acabar, é melhor vê-lo agonizar e morrer para sempre etc). Os adversários dele preferem vê-lo fazendo o que ele está fazendo: relativizando as coisas, e, caindo no engano de “alinhar versões” com aqueles que armaram todo esse trambique em razão do qual ele hoje vive os piores dias de sua existência. Oro a Deus pedindo que dê a ele uma consciência maior que a política, e que o faça tomar as decisões que somente uma ética fundada no Evangelho poderia determinar como ato. Do contrário, eu creio que irão descobrir mais e mais coisas, e que ele não será “impedido” legalmente, mas será, por outro lado, impedido na pratica de ser o presidente que ele sonhou ser.

Nessas horas, a sabedoria ensina que a melhor sobrevivência é a morte. Ou seja: quando a existência nos põe em situações deste tipo, o que nos salva é morrer, é ser capaz de renunciar, de abrir mão de coisas, e, paradoxalmente, à semelhança do Administrador Infiel da Parábola de Jesus, “conquistar” amizades nos céus e na Terra. Eu, pessoalmente, lamentaria muito se o Lula chegasse ao fim do seu governo apenas fazendo campanha de defesa.

Mas se ele fosse capaz de limpar tudo, fazer as reformas, governar com o altruísmo dos que buscam o que é melhor para o povo, então, eu creio, ele não apenas ainda faria um grande serviço à nação, como também ainda voltaria, nas eleições subseqüentes, com muito mais experiência, sem Delubios, sem Silvinhos, sem Valérios, sem os Genuínos, sem os Dirceus, e sem um monte de outros, os quais sonharam tanto com o poder, que, ao chegarem lá, ficaram de porre.

Sim, defino este momento político como um porre. Pode até ser que o presidente beba muito, conforme se diz. Mas quem fica de porre são seus assessores.Na maioria dos casos, nos outros partidos, a maioria toma porres muito maiores, e se serve de bebida muito mais forte e densa, e nem de ressaca eles ficam; pois são “profissionais da noite”.O PT saiu de casa cheio de prosa e caiu depois do primeiro trago. Bom para o PT. Já pensou se passasse ileso e se acostumasse? Acima de tudo, creio que o Brasil é maior do que isto tudo. O que apenas temo é que o povo comece a sentir saudade de governos austeros, e, assim, abra-se o espaço para uma liderança de perfil facista no poder.

Por último, o que creio é que se se desejasse mesmo, se poderia aproveitar esta hora e limpar muita coisa. E, como disse, na minha opinião, nesse quesito corrupção, o PT é um bobão que foi apanhado ainda em estado de adolescência perversa. Tem 25 anos de idade. Mas como ficou em casa discutindo ética, quando saiu para a primeira noitada, acabou enchendo a cara.

No entanto, o Congresso do Brasil está de porre. Porre dos que fizeram esta última festa de arromba. E porre dos Profissionais das Festas de Arromba, e que, com muita lisura e cera em suas caras de pau, impingem a si mesmos total auto-engano, vestem suas togas, e babam como paladinos da ética contra os atuais ladrões da República. Mas está na hora desse circo todo pegar fogo, pois, se alguns de seus mais antigos “performers” continuarem, tudo ficará pior; posto que sem um PT às antigas, a Casa ficará entregue às raposas, e Heloisa Helena, Jéferson Perez, Eduardo Suplicy, Saturnino Braga e outros poucos, não têm o poder de impedi-los.

A hora, portanto, é de limpeza. E somente um Lula livre de ter que se reeleger teria o poder de levar a coisa até o fim, tanto em relação às atuais acusações, como também vir a explicar à nação porque os temas das privatizações ficaram de súbito esquecidos, se, como se sabe, foram inapelavelmente graves, e ele mesmo me dizia isto.


Ricardo Muniz é jornalista e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista.

www.teologiabrasileira.com.br

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