Como Deus quer salvar a todos e escolhe alguns?

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Posted on 11th março 2010 by Roberto in Cartas

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It is Finished

Pastor Caio !


Esses versos abaixo me angustiam muito,  pois se Deus predestinou ou elegeu alguns para salvação e outros para perdição, por que ele quer que todos os homens sejam salvos??

ITm 2:4 Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade.


ITm 2:6 O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo.

Aguardo seu retorno.

Idevaldo.

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Resposta:


Meu amigo Idevaldo: Graça e Paz!



Leia aqui no site os textos “O que vem antes: a criação ou a redenção”, e também os que o seguem: “Criação ou Redenção: você me confundiu todo” — e você entenderá um pouco melhor o tema em questão, pois assim não tenho repetir o que já está escrito com fartura no site.


Além dos textos mencionados, há dezenas de outros sobre o mesmo tema. Portanto, leia o site e você me poupará de escrever dezenas de coisas que já estão escritas, e nos termos de sua questão e angustia.


Isto dito, e supondo que você lerá o textos mencionados, bem como tudo o mais sobre a Ordem de Melquizedeque, e sobre a Eterna Cruz: o Cordeiro imolado antes da fundação do mundo, não direi muita coisa sobre seus dois textos de aflição.


Portanto, não me queira mal, mas é que não posso escrever um site novo para quem vai chegando e não lê os milhares de textos que estão aí. Do contrário, nem em mil vidas eu conseguiria cumprir tal missão.


Ora, os textos significam exatamente o que eles dizem. E não são apenas esses dois que dizem isto, mas muitos outros.


E, para quem ama, qualquer que seja a promessa de misericórdia de Deus por todos os homens (mas especialmente dos fiéis), tal fato só deveria trazer alegria, e nunca angustia.


Portanto, eis minha questão para você:


Você está em crise porque se pergunta: De que me serve ser de Deus e serví-Lo, se Ele pode simplesmente fazer o que Ele bem quiser, e salvar a tantos quanto desejar?


Ou seja: essa é angustia de quem serve a Deus por medo, e não por amor. Pois quem serve a Deus por medo é que se assusta quando pensa que sua “obediência temerosa” pode não ser o elemento essencial da salvação, e, portanto, fica confuso e meio angustiado, e mais que isto: fica se perguntando: Por que eu tenho que andar com Deus se quem não anda pode, quem sabe, chegar ao mesmo lugar?


Assim, sua aflição me diz o seguinte de você:


Se você ficasse sabendo que todos serão salvos, possivelmente você cairia na gandaia!


Do contrário, nada disso o afligiria, ainda que você esconda a real razão atrás de uma dúvida teológica.


Se eu estiver errado, me perdoe!


Mas é que em geral é assim que acontece!


Leia o site e isto não só o ajudará, mas me poupa de escrever o que já está dito!


Segue um texto que também passa pela sua questão. Porém, não deixe de ler os acima mencionados.


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Hoje, dia 20, no Fantástico, um menino que fez parte do documentário “Facão”, disse o seguinte: “Essa vida é um bagulho difícil”. Certamente ele, nos seus 17 anos, já havia internalizado, pela via da catástrofe na favela e da orfandade paterna, o que Sidarta teve que conhecer buscando. Esse menino, não; ele foi buscado pela dor; e já começa do fato dele viver onde vive, e nas condições de existência e convício aos quais ele é submetido à revelia desde sempre.


A conclusão do menino da favela e do tráfico de que essa vida é um bagulho difícil, coincide com a conclusão filosófica e religiosa de todos os pensadores e de todos os credos da Terra.


“No mundo tereis aflições”…. “Essa vida é um bagulho difícil”… “Viver é sofrer…” “… é vaidade e correr atrás do vento…”… “O existir humano é desespero…”…. “A existência é nausea”— todos dizendo a mesma coisa acerca do diagnóstico da existência.


A questão é: por quê a vida tem que ser esse bagulho tão difícil?


À cuja questão, eu coloco as minha próprias:


Como seria possível haver o desenvolvimento da consciência sem dor e contradição?


E que tipo diferenciado de consciência é essa, que apenas a conhece esse ente humano, que é animal-instintual ao mesmo tempo em que carrega todos os desejos da eternidade em si mesmo?


Seria ela, a consciência, passível de desenvolvimento sem dor, num ser que já é em si sofrimento e tensão entre o tempo e a eternidade, entre o finito e o infinito, entre o visível e material e o invisível e espiritual?


Ou seja: eternizados num Éden sem tentação, quem seríamos nós?


O que sei é que se olhássemos com nossos olhos-morais-de-hoje, lá para trás…; sim, se nos fosse possível adentrar os portões do Éden, antes da Queda, e ver Adão e Eva no Paraíso, que cenas nós veríamos? E como as veríamos e as julgaríamos?


Minha certeza é que elas, embora sejam nosso desejo terreno mais profundo, certamente não eram para ser comparadas com o que nos foi dado, apesar da Queda, visto que é indubitável que o Segundo Adão, Jesus, é maior do que o Primeiro Adão; assim como a Graça e excelentemente superior à Lei; assim como o menor no Reino de Deus é ainda maior do que o maior de todos “antes”: João Batista.


O que aconteceu no Éden, para mim, faz parte de mais um dos paradoxos e até inexplicáveis contradições da Escritura. Sim, porque se de um lado o que lá havia era “muito bom”; o que se diz que o Segundo Adão fez, depois da Queda, é de uma dimensão que não é para comparar com a Primeira; assim como é tolo tentar comparar a glória de Moisés com a de Cristo, posto Moisés cobria a face em razão do desvanecer, e Jesus deixava o rosto para fora em razão de Seu resplandecer.


Ora, como creio na Escritura e em sua revelação, e, sobretudo, creio que Jesus é quem mostrou e disse ser, não me é possível deixar de ver que a Queda é também um acontecimento “para cima”, a menos que haja um outro meio de formar consciência fora do choque das contradições, e conforme a existência a que nos pusemos submetidos, por escolha própria, porém, ainda conforme a soberania de Deus; a qual é tão soberana e sutil, que nos deixa livres enquanto trabalha usando os próprios atos livres do humanos, a fim de esculpir o Homem no homem.


Se o Cordeiro foi imolado antes de tudo, então, não há como a Queda não ser vista e entendida como “contradição essencial e necessária” ao processo da formação da consciência. Posto que ela mesma, a consciência ainda não existente, já havia recebido a provisão do Cordeiro. Razão pela qual, após a Queda, os humanos são imediatamente cobertos por Deus com peles de animais; os quais morreram para cobrir os humanos; do mesmo modo como a Cruz de Jesus foi a Cunsumação histórica do fato eterno estabelecido antes da fundação do mundo: a Cruz do Cordeiro.


É por causa da Cruz do Cordeiro Eterno, imolado Antes, que todo o proceso de formação da consciência acontece numa contradição que tem que ser sentida como transgressão, ao mesmo tempo em que precisa ser percebida sob a Graça Eterna.


Do contrário, não se tem um adorador, mas apenas um religioso perdido entre a dúvida de “onde” se deve adorar: se em Jerusalém ou se no Monte Gerezim; conforme a Samaritana antes de beber da Água da Vida. Ou, então, tem-se apenas um ser de conciência culpada e neurótica, mas jamais consciente e pacificada. A outra alternativa é a alienação deliberada ou o cinismo consciente.


O que de fato estou dizendo é que até a Queda contribuiu para o bem dos que amam a Deus!


Pense nisto!



Caio

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Agora, leia mais este outro!


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QUAL O SIGNIFICADO DA ORDEM DE MELQUIZEDEQUE?



Muita gente tem me escrito pedindo que eu fale um pouco mais sobre a Ordem de Melquizedeque. Ora, há duas maneiras de se fazer isto. Um é defensiva e a outra é propositiva. A forma defensiva parte do pressuposto de que a realidade do tema é algo alienígena nos credos do Cristianismo; e, mais ainda, que não se tem nenhum interesse em pensar em suas implicações, visto que isto dês-construiria um sistema que foi desenvolvido durante pelo menos 1700 anos de história da igreja como instituição.


Se fosse falar no assunto na defensiva, teria que provar que Deus tem na Ordem de Melquizedeque sua “justificativa” teológica para ser livre como Deus, derramando Sua Graça onde bem entenda, e sem dar explicações. Mas ainda é uma tentativa de “pedir licença” e rogar por clemência aos doutores da ortodoxia e senhores da verdade. E mais: ainda é também uma confissão muito forte acerca do poder inquisitorial dos doutores e escribas do Cristianismo; os perpétuos neuróticos da verdade-cartilha; e supostos guardiões do “Santo Graal da Doutrina”.


Ou seja: ainda é uma tese para “eles”, como foi o caso da primeira vez que escrevi sobre o assunto, aos 22 anos, quando de minha “tese” de ordenação.


Hoje, entretanto, não sinto a menor obrigação de ser defensivo e explicativo em nada. O que creio, isto falo; e não me explico no meu crer.


Desse modo, a fim de também simplificar ao máximo este texto e fazê-lo também sucinto, apenas descreverei o que creio sobre a Ordem de Melquizedeque, conforme mencionada nas Escrituras.


Melquizedeque aparece do nada, sem antecedentes e sem explicações. Abraão encontra com ele e se verga diante dele, e lhe paga o dízimo de tudo quanto tinha consigo. Melquizedeque abençoa a Abraão. Então, assim como veio, ele vai, sem deixar vestígios.


Mais tarde, séculos depois disto, Melquizedeque aparece nos Salmos, quando, também do nada, se diz que o Senhor jurou que Seu Enviado seria feito Sumo Sacerdote, segundo a Ordem de Melquizedeque. Somente isto e nada mais.


Até a Carta aos Hebreus. É nela que Melquizedeque volta como nunca antes. Agora ele é aquele que em Cristo tem seu Sumo Sacerdote. Jesus se torna Sumo Sacerdote de uma nova ordem sacerdotal, a qual não era étnica, pois não era judaica. Nem era levitica, posto que Jesus não era da tribo de Levi, mas de Judá; não tendo, portanto, qualquer relação com o sacerdócio anterior, o qual tinha na Ordem Levitica, da tribo de Levi, um dos doze patriarcas de Israel, os representantes humanos do culto que se prestava ao Deus de Abraão. Do mesmo modo se pode dizer que ela nem tampouco se condicionava à informação histórica, carregada de esperança redentiva, que viajava como fé, mas também como especulação teológica e fixação de tradição em Israel.


Jesus sendo Sumo Sacerdote segundo uma ordem à qual o próprio Abraão — pai do povo da revelação escrita — se curvava, é apresentado na Carta aos Hebreus como Aquele que TAMBÉM abençoa a Israel e todos os que conhecem a informação da Escritura; porém, que não se condiciona nem à geografia, nem à história registrada como sagrada, nem à informação, nem a qualquer fronteira, de qualquer que seja a natureza, estando Suas mãos sobre todos os que Ele mesmo desejar, e com a mesma liberdade com a qual abençoou a Abraão.


A Carta aos Hebreus diz que esse Melquizedeque é semelhante ao Filho de Deus, sem principio de dias e sem fim de existência; sendo superior a tudo quanto era relativo a Abraão, visto que é o maior quem abençoa o menor.


Assim, Melquizedeque não é explicado, mas apenas afirmado. De fato, ele paira sobre a História, é um pingo de peso explosivo num Salmo, e arrebenta tudo e todas as ordens, quando relativiza a mais importante de todas, a que procedia de Abraão.


Ora, o mistério de Melquizedeque é algo que ecoa o Cordeiro imolado antes de tudo, antes de qualquer ato criador de Deus.


Desse modo, pode-se dizer que o espírito da Carta aos Hebreus acerca de Melquizedeque, é aquele que o apresenta como uma manifestação do Cristo Eterno, o qual não foi feito Cristo, no Jesus Histórico; mas sim, sendo o Cristo Eterno, se mostrou como tal em Jesus, na História. Talvez seja por esta razão, também, que Jesus disse que Abraão viu os Seus dias e regozijou-se.


O Jesus Histórico não fez surgir o Cordeiro e nem a Ordem de Melquizedeque. Pelo contrário, se diz que Jesus é Sumo Sacerdote “segundo” a Ordem de Melquizedeque; assim como se diz que o Cordeiro foi imolado antes de tudo; antes de haver mundo.


Jesus é a Encarnação de tudo o que Nele preexistia como Cordeiro Eterno, como o Cristo de Tudo e Todos, como o Sacrifício da Ordem de Melquizedeque (que manifesta na História a invasão livre do eterno, se revelando aos homens, e derramando Graça de todas as ordens); e como Jesus; o Cordeiro de Deus; o Cristo; ou Cristo Jesus; ou apenas o Cristo; ou ainda o Cristo de Deus; ou simplesmente Jesus Cristo — que é o que se diz Dele; enquanto Ele mesmo se define como Filho do Homem, o Caminho, a Verdade, a Vida, o Pão da Vida, a Porta, o Bom Pastor, o Noivo, e Aquele que é Um com o Pai (entre outras autodefinições).


As implicações de tal realidade é que são insuportáveis para a religião, pois, virtualmente acaba com ela, com seus poderes de representação, com suas certezas, com seus dogmas; e, sobretudo, com seu poder dela “administrar” a graça de Deus aos homens.


A Ordem de Melquizedeque é a Ordem da Nova Jerusalém, na qual os povos são curados, e todos trazem ao Cordeiro as belezas dos povos.


É em razão da Ordem de Melquizedeque que Jesus diz que muitos virão de todos os quadrantes da Terra, gente de todas as gerações, e tomarão lugar à mesa com Abraão, Isaque e Jacó. É também por tal razão que o Evangelho deixa claro que a maior fé que Jesus vira, não viera de dentro de Israel, mas de um pagão de fora: o Centurião Romano. Assim como é pela mesma razão que a mulher que dá um “ santo banho” em Jesus é uma mulher de fora de tudo, uma siro-fenícia.


O problema atual é que a humanidade entende a Ordem de Melquizedeque, mas já não entende a ordem de Levi, conforme a Bíblia, posto que tal coisa, para a humanidade, tiveram no Judaísmo e, sobretudo, no Cristianismo, os seus representantes históricos, o que fez com que um sentimento de repudio se espalhasse pela Terra em relação a tudo quanto possa carregar tais “representações”.


Ora, quando digo que este é o problema, não quero, todavia, universalizá-lo; afinal, ainda há bilhões que não passam sem um bom paganismo judaico-cristão. O que afirmo é que as mentes que desejam alguma forma de espiritualidade não vinculada à religião, assim sentem por não conseguirem mais tolerar a mensagem e o resultado histórico do que o Cristianismo produziu, tanto como religião, como também como potestade ideológica e política.


Esses, de fora, os pós-cristãos, todavia, quando ouvem acerca de tal Ordem superior à religião, conseguem entender o Evangelho em sua maior largueza de percepção. Por esta razão essa tal “Era Pós-Cristã” é um problema para o “Cristianismo”, mas não significa nada para o Evangelho.


Mas como disse no inicio, o problema não é dizer que Jesus é Sumo Sacerdote segundo a Ordem de Melquizedeque. O problema são as implicações dessa compreensão, as quais, sendo levadas a sério, acabam com os poderes da religião.


E quem, na “igreja”, deseja tal coisa?


Nele, que é Senhor e Salvador de todos os homens; pois se imolou pela criação antes de haver mundo,



Caio




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Espero que comece a ajudá-lo!


Um abração!


Nele, que é Quem sempre foi,




Caio

[O Portal dos Invisíveis]


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Um mundo para amar e um para não amar

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Posted on 23rd janeiro 2009 by Roberto in Reflexões

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kurdistan
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Para mim o “conceito de mundo” é uma das principais confusões cristãs, e de onde procede boa parte dos conflitos e irreconciliabilidades de pensamento que aparecem no meio dos que confessam ser gente do evangelho ou da igreja, mas vivem em estado de “reclusão-inserida” no espírito do mundo. (Em meu livro “Mais que um sonho”, trato disso com um pouco mais de atenção). Na cabeça dos crentes a loucura e o processo de descolamento entre realidade e fantasia, começa aqui… na confusão do significado “de mundo”. Sim, porque de um lado Deus ama o mundo, e Jesus se deu pela humanidade e toda a criação. Entretanto, também se lê que aquele que ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Na mesma seqüência de contradições vem a oração de Jesus, pedindo ao Pai que não nos tirasse do mundo, mas que apenas nos guardasse do mal, pois não somos do mundo, como Ele também não era. Estava no mundo… mas não era do mundo! Assim, segundo Jesus, mesmo não sendo do mundo, tem-se que ser ativo e partícipe nele; afinal, somos o sal do mundo, ou da terra, como se preferir chamar. Entretanto, a lista de conflitos entre mundo-e-mundo apenas cresce na cabeça dos crentes, apesar de Paulo dizer em II Coríntios que “o mundo é nosso”, assim como a vida, a morte, as coisas do presente e as do porvir. “Tudo é vosso, e vós de Cristo, e Cristo de Deus“, conclui ele. Simplificando a questão, eu diria apenas que o Novo Testamento usa várias palavras diferentes para designar coisas distintas, mas que são traduzidas, algumas vezes, pelo mesmo termo, como é o caso da palavra mundo; e não somente palavras diferentes são usadas nas Escritura, mas se as faz ganharem a devida conotação de acordo com o contexto em questão. Entretanto, Deus amou o mundo das coisas criadas e dos humanos. Todavia, Ele não está “presente” no “curso desde mundo”, que não é nem a criação e nem os indivíduos humanos, mas o entendimento de valores que movem a ambição da civilização -, que é controle, manipulação, domínio, e poder. Ora, esta dimensão do mundo jaz no maligno e é pervertida em seu entendimento; e a História está aí para nos comprovar tal fato. Além disso, tem-se também o aeon de cada tempo, que é a Era de certo momento histórico, a qual, na maioria das vezes, está tomado pela carga dos ódios, modas, irreflexões-feitas-valores, banais e perversas causas de vida ou morte, assentimentos emocionais com a morte, concentração de riquezas, imperialismo, colonialismo, guerras religiosas, espíritos de vícios generacionais, e tudo o mais que mantenha uma dada geração correndo atrás do vento, como se tal fizesse sentido. Isto é mundo! Desse modo, Deus ama a criação e todas as criaturas, incluindo a espécie humana, por quem se diz que Ele deu seu Filho. Ele também ama todas as produções da criatividade humana que se dedicam à vida, ao belo (e aqui não falo de estética apenas) e ao significativo. Por esta razão as portas da Nova Jerusalém estarão abertas para que os povos levem ao Cordeiro as belezas de suas riquezas e produções culturais, artísticas e espirituais dedicadas à vida. Assim, sem ter que ir tão longe, o Apocalipse diz: “…fora ficam…”; e também diz: “… nela entram…”. Fora ficam as maldades do sistema e todas as energias que as motivaram, emularam e alimentaram. Nela entram pessoas, gente, povos curados pelas folhas da Árvore da Vida. Desse modo, sabe-se que Deus não odeia a criação, ao contrario, ama o cosmos e todos os universos e suas criaturas, bem como ama toda produção da inteligência e da alma que sejam dedicados à vida. O que Deus não ama, e sou convidado a também não amar, é o sistema de morte e controle que existe na Terra, o qual, em nossos dias, anda para o ideal de controle do diabo e dos seus “anticristos”. Ora, esse sistema é de marcar homens como gado, e exercer controle até sobre suas almas, gerando em cada indivíduo emulações de desejo, consumo, e entrega da mente ao curso do mundo, que é o que mantém a humanidade sem poder comprar, vender, ir e vir, ser ou deixar de ser, sem que tenha que verificar se está sob o conceito aceitável dos fazedores de imagens falantes, que são, cada vez mais, os humanos de nossa geração. Quem ama tais valores e sistemas, os quais são sempre movidos pela ambição do controle e das riquezas, não pode dizer que ama a Deus, pois, tal sistema, é a antítese de tudo quando Deus é: Ele ama, e deixa livre; o sistema, entretanto, é frio e perverso, e seu ideal é controlar. Deus se dá; o sistema, porém, apenas quer tirar, roubar, tomar, expropriar e possuir. Deus ama a todos, mas o sistema separa os homens a quem Deus ama. Etc… Ora, se pensarmos na “igreja na história”, de um lado; e de outro pensarmos apenas no que é e no que não é mundo; veremos que mesmo com sua obsessão antimundo, por seguir e praticar o mesmo espírito de poder, controle e manipulação que há no mundo, a igreja, ainda que “invocando” o nome de Deus, é MUNDO, no pior sentido da palavra; visto que é parte do curso dos sistemas da morte, e o pratica sob o manto do engano de que em nome de Jesus toda perversidade é santificada. Sim, porque a igreja odeia o que Deus ama e ama o que Deus aborrece! Odeia o mundo que Deus ama, e ama o mundo que Deus abomina. E, desse modo, quase que só existe na contra-mão do amor de Deus no mundo. Isto porque a pobre e infeliz igreja pensa que o mundo é um lugar, uma geografia, uma coisa que existe diante dos olhos… e não é. Por esta razão, para a “igreja-burra-de-espírito” e preguiçosa na “busca da verdade interior”, é mais fácil dizer que mundo “é tudo que não é ela”; embora, dentro dela exista tudo o que “no mundo” se faz ou se deixa de fazer com muito mais honestidade-perversa, no primeiro caso; ou consciência livre, no segundo caso. Desse modo, mesmo sendo perversamente do mundo, entregue ao mal, a “igreja” acha que se as coisas dela foram feitas “consagradas nominalmente a Deus”, não importando as motivações, as ambições mercadológicas, os marketings de manipulação, e todas as demais decisões dela, quase sempre baseadas em “imagem” – essas coisas, mesmo sendo más, não são mais do “mundo”; pois teriam sido feitas nesse “lugar-institucional” no qual existe, supostamente, uma suspensão da verdade para Deus, valendo tudo, desde que feito para a “glória Dele”. Assim a “igreja” não enxerga que existe no “pior dos mundos” em sua total e mais sutil manifestação. Desse modo, se for para Deus, pensa ela que toda bosta é ouro, e todo mijo é vinho de Caná. O que a “igreja” não quer ver é que como ela é, ela é mundo; e não é objeto do amor contente de Deus, mas apenas de Sua paciência; enquanto Ele aguarda o dia em que aqueles que o confessam, entendam que o Evangelho não é um sistema, uma geografia santificada e nem um poder mundano, o qual, ainda que seja operado confessadamente para “a gloria de Deus”, nem por isto deixa de ser o que é: mundo em sua pior manifestação. Pois a placa de “igreja” na porta não é um lugar de alquimia divina no qual todo esterco se torna em diamante espiritual. Para simplificar ainda mais, apenas pense: quem foram aqueles com quem Jesus se sentiu bem, em que lugares e com que gente Ele apreciava estar, onde Ele aceitava comer com mais liberdade, onde Sua presença era celebrada, e Sua mensagem acolhida? Responda isto à luz do Evangelho e você verá o que para Jesus era o mundo a ser amado, apesar de tudo. Por outro lado, veja onde Ele se sentia mal, com que tipo de espírito, tema, interesse, papo e valores com os quais Ele se incompatibilizou – e você verá o que para Ele era mundo. Por tal olhar a partir do Verbo Encarnado, um monte de gente que a “igreja” diz que é do mundo, não é; sendo apenas pessoas que não sabem como fazer para não ser, posto que em suas almas aborrecem aquilo que a “igreja” chama bom e de sua “tarefa”, discernindo eles que tais coisas não podem ser de Deus pelo simples fato que não carregam graça e amor; e isto enquanto a própria “igreja” nem mesmo consegue enxergar seu estado patético. Entretanto, conforme o Evangelho, o verdadeiro mundo não é feito de publicanos, pecadores, meretrizes, bebedores de vinho ou de pecadores quebrados; mas sim de gente “piedosa”, jejuante como um camelo, curvados como islâmicos, e tarados homicidamente pelo que eles chamam de “verdade de Deus”. Sim, conforme o olhar do Evangelho de Jesus, onde estava o mundo em sua forma mais letal e perversa: entre os pecadores e infelizes da terra ou entre os “sãos” que não precisavam de médico? O que a “igreja” precisa aceitar a fim de ser salva de sua morte e arrogância, é que ela está para o Presente da História assim como o Sinédrio, os doutores da Lei, os escribas e os fariseus estavam para Jesus, nas narrativas do Evangelho! Ora, o mundo é o mundo; e faz menos mal como é, mesmo em sua forma pior, do que a “igreja”; posto que o mundo se sabe perdido, e pode ser alcançado; a “igreja”, porém, se vê como a salvadora desses perdidos que estão mais achados do que ela própria; visto que se pelo menos dissesse que não vê, não teria pecado algum; mas como diz: “… nós vemos…”, subsiste seu grande engano, pecado, e narcisistico espírito de auto-engano luciferiano. Assim, o mundo que Deus ama, entre os humanos, é feito de gente doente e que precisa de médico; já o mundo que Ele aborrece é feito do espírito dos doentes que não se enxergam, e, por esta razão, oferecem-se para ser os guias de cegos que ainda vêem um pouco melhor do que a maioria de seus guias. Nele, que não nos deu do espírito do mundo, mas do Espírito de Deus, Caio

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