A Graça que inclui gente e que exclui pecado e doença do ser

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Posted on 21st março 2010 by Roberto in Reflexões

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Para a maioria dos leitores do Novo Testamento parece meio estranho, por exemplo, que Paulo seja tão enfático acerca de tudo o que “já está feito”, fazendo cabais afirmações sobre este fato, inclusive por meio do fato afirmando a morte da Lei na Cruz. Isto é, a morte de toda a Lei, tanto o Décalogo como meio de salvação como também todas as demais leis de natureza cerimonial, visto que na Cruz Jesus levou a Lei da Morte para seu próprio lugar — a morte — e ressuscitou para que “sem lei” fossêmos justificados mediante a fé que se fundamenta da Rocha dos Séculos e na Pedra de Esquina que os “construtores rejeitaram”: Jesus.
NEle temos “redenção, santificação, unção e poder” para viver conforme o chamado do Evangelho. E tal poder só se instala em nós pela “fé que atua pelo amor”, tendo no discernimento da Graça de Deus em nosso favor a sua força motriz e sua potência capaz de nos pôr eretos na vida. Assim, vamos com os pés no chão do caminho do arrependimento, que já não vai de culpa em culpa, mas de entendimento em entendimento, produzindo não a eterna-angústia dos “penitentes”, mas a alegria dos que, pela “renovação da mente”, provam a “boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.

Em Efésios, por exemplo, tais garantias estão postas e nos são dadas como fato-feito-e-consumado, selado pelo penhor do Espírito em nós, até o dia do nosso resgate, quando entraremos em toda plenitude de tudo o que de pleno seja possível para a finitude feita eterna até o Possível-do-Pleno no que não é infinito: nós em glória.

Entretanto, apesar de tudo isso, ainda em Efésios (4 e 5), Paulo adverte os discípulos quanto ao fato de que a nova vida em Cristo deve gerar o Novo Homem, que é um ser para além dos preconceitos, que são o modo de pensar conforme o adoecimento do curso deste mundo. Afinal, em Cristo não há mais homem e nem mulher, nem senhores e nem servos, nem gente puro-sangue e nem vira-latas…

Todavia, para o apóstolo, essa Graça-inclusiva gera um amor-paixão-exclusivo por Deus, e produz em nós um casamento de plenitude de ser com o todo do Evangelho, e, sobretudo, uma ligação tão visceral com Jesus que, sem Ele, nada podemos fazer.

No entanto, nem por isso Paulo deixa de nos chamar para o exercício simples e prático de um novo modo de viver, do qual, diz ele, devem ficar fora a ira que dorme sobre a amargura, o roubo de qualquer que seja a natureza, a mentira e o engano em relação a si mesmo e ao próximo, as gritarias, a chocarrices, as bebedeiras descontroladas, as invejas, os ciúmes infundados, o desejo de supremacia, as facções, os partidarismos, os ódios, a maledicência e a sutil aprovação das obras das trevas, as quais, mesmo não sendo praticadas, podem ser aprovadas mediante nossa leveza de ser em relação a elas, quando dizemos: “Eu não faço, mas adoro ver quem faz… É engraçado!”

Assim, sem a vivência simples e prática do Evangelho como comportamento, o homem está salvo — “como que através do fogo” —, mas sem conhecer o benefício do Evangelho em sua vida e na dos outros. Sem falar que ele jamais provará a paz que excede todo entendimento, visto que ela só se instala em nós quando o coração que crê também descansa no amor de Deus, e, por tal descanso-entrega, prova o fruto do Espírito em sua existência, não como comportamento performático e nem como “bom testemunho” de aparências, mas como fruto natural e existencial de ser-estar-em-Cristo.

Por essa razão Paulo diz: “… não haja entre vós…”… “…nem sequer se nomeie entre vós…”… “longe de vós…”… “… não aproveis as obras das trevas…” … “… para que aproveis as coisas excelentes…” … etc… E a isso tudo, em contextos diferentes, ele associa um exercício que pode ajudar a mente a romper com o padrão dos vícios antigos, do velho homem e de seus antivalores e direitos perversos, estimulando uma nova maneira de pensar. Sim, ele nos remete para as coisas lá do alto, e não para as que são daqui de baixo, chamando-nos, assim, para pensar em tudo o que é positivo, de boa fama, no que carrega louvor, e em tudo aquilo que quebra o ciclo das inimizades perversas e à revelia que nascem em nós, ou das antipatias gratuítas, ou mesmo das amarguras que não se querem curar em razão do orgulho ou das mágoas.

Só depois disso é que ele diz que “a paz de Cristo que excede a todo entendimento encherá nossas mentes e corações”.

Assim, o Evangelho que nos inclui em Cristo é o mesmo que de nós exclui, também em Cristo, tudo aquilo que não é conforme o Espírito de Cristo.

Ora, tudo aquilo que é de acordo com Jesus leva a marca do amor, da alegria, da paz, da bondade, da benignidade, da mansidão e do domínio próprio. Embora tudo isso aconteça num processo contínuo… se não nos desviarmos da senda do amor, conforme a Graça.

NEle,

Caio

www.caiofabio.net

Estão me chamando de desviado…

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Posted on 4th março 2010 by Roberto in Cartas

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—– Original Message —–

From: ESTÃO ME CHAMANDO DESVIADO…

To: contato@caiofabio.com

Sent: Thursday, December 29, 2005 10:01 AM

Subject: NOIVA CORROMPIDA

Caio,

O negócio está ficando “feio” pro meu lado. Todos os irmãos ao falarem comigo só tem uma frase: Volte pra Cristo!

Cara, eu tô é sentindo raiva e não é pouca…

Eu queria entender essa “contradição”: As pessoas que lá (na igreja) continuaram podem sentar numa mesa de lanchonete e falarem livre e descabeladamente das pessoas que se “desviaram”, contudo, quem está “aqui fora”, não pode levantar um “dedin” de crítica que eles já dizem: Cuidado, você está “tocando” no “Ungido”.

Que loucura! O “estar” na igreja me dá o direito de massacrar os “ímpios” , mas se estiver fora, perco os “super-poderes”, pois pra falar mal de alguém, tenho que ter “cobertura”.

Na rua, passo por “irmãos” que viram a cara quando me vêem. Fico triste por mim, que não raras vezes virei a cara para aqueles que se “desviavam”.

Como fui hipócrita! Quantas “vidas” que saíram sangrando da igreja eu “atropelava com a moto” mas não dizia: Bom dia!

É estranho, realmente esquisito dizer isso, mas hoje me sinto livre: livre da hipocrisia, do xamanismo, da idolatria (por Nabuco Terra Nova), das profetadas de púlpito e outros “ingredientes” que têm feito muita igreja contemporânea irem pro “saco”.

Cara, o que quero é meu direito de viver. É andar pelas ruas sem ser chamado de desviado por esses hipócritas, porque dos “crimes” de que me acusam hoje, eu já os “cometia” na igreja e com eles.

Hoje todos sabem que tomo vinho (é um escândalo), mas quando bebia com eles não era pecado. Será que eles ungiam a bebida e eu não sabia?

Ouço “abertamente” a música do “mundo”, principalmente a Legião Urbana (misericórdia irmão! essa banda tem demônio até no nome!)

Cansei de ver irmãos “maduros” na fé dizerem assim: Eu tenho capacidade para ouvir esse tipo de música pois sempre fui evangélico, agora, você que veio do “mundo” não pode ouvir porque contamina.

É de lascar! Se Cristo viesse a Terra em nossos tempos , creio que seria crucificado de forma mais horrenda e sanguinária do que no filme de Gibson. Pois a sua “Noiva” se tornou politicamente mais forte e pervertida que os Fariseus do Templo, por isso, tenho certeza, “Ela” não deixaria um Homem simples, trazendo palavras simples, “corromper” a forma Piramidal da Igreja do século XXI.

Continuo no “mundo”. Para a “igreja” sou o herege Number 1. Todo dia acordo com “aquele gosto de caveira moída” na boca; por isso, não raramente, emborco um Pérgola e ouço minha musiqueta.

Quando você “caiu” se é que “aquilo” é cair, foi quando eu mais te conheci, na minha igreja tinha uma coleção de VHS seus (aqueles azuis) que, de repente, ficaram de lado (vamos fingir que não sabemos o por quê).

A Pregação que mais me marcou entre todas foi aquela baseada em Jeremias 31:3 : “…com amor eterno te amei, por isso, com benignidade te atrai”.

Reverendo amigo, já ouvi esse texto ser pregado ardente e ardilosamente diversas vezes por várias pessoas… mas “com Amor” apenas uma vez.

Toda vez que te escrevo, só tenho um sentimento: cresci, apareci e não vi nada; aprendi o que era certo com as pessoas erradas. Tenho fé que vou recuperar o tempo perdido.

Nele,

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Resposta:

Meu irmão amado: Graça e Paz!

Tudo é muito simples!

Veja: Quem é de Deus, ama. Quem não é de Deus, não ama. Quem nasceu de Deus não conhece nenhuma “nova revelação” além do “novo mandamento”, que nos amemos uns aos outros. Quem odeia jamais viu a Deus, pois Deus é amor. E aquele que diz que ama a Deus, porém odeia a seu irmão, esse segue pelo caminho de Caim. Aquele que diz que ama, mas vê seu irmão em apuros e nada faz, esse não ama; pois o amor de Deus em nós sempre acha no irmão a “carência de Deus”; e, assim, serve a Deus nos irmãos.

Isto digo, apenas para você não ter dúvidas acerca do que é o Evangelho, na prática, conforme o ensino e a prática de Jesus. O resto, meu irmão, é invenção da religião dos fariseus, que acabou ganhando a parada junto ao “cristianismo”, que é uma fusão do moralismo adoecido dos fariseus e do paganismo da Roma constantiniana… e mais alguns outros vírus e bactérias espirituais.

Tudo o que você disse não carece de resposta. Sua denuncia é tão simples, clara e repetida por milhões, todos os dias, que nem mesmo merece resposta que diga “Uau”.

Quero, entretanto, tratar rapidamente de dois temas mencionados por você; a saber: o dos desviados e o da maldição dos ungidos do Senhor.

Primeiro, você deve saber que Jesus era “um desviado” do ponto de vista dos fariseus e das autoridades da religião em Israel. E não era apenas um desviado qualquer. Por anunciar e ser a Boa Nova, Ele foi chamado de “samaritano louco”; de instrumento de “Belzebu”, o maioral os demônios; de “suicida” endiabrado; de “glutão e bebedor”; de licencioso por andar com gente como as meretrizes, os publicanos e os “pecadores”; de “blasfemo”; de “bastardo” sem pai e de origem questionável; e, por último, de bandido e agitador do povo — todas essas sendo as razões que se acumularam a fim de que Ele fosse morto.

Graças a Deus você achou a via certa, e, assim, se desviou dessa via da neurose, do medo, da culpa, do culto ao homem, da obediência serviçal a um louco, da prática dos ensinos de uma “seita” que vende um certo “outro evangelho”; o qual, saiba, mesmo que seja proclamado “por anjo de luz”, deve ser considerado “anátema”.

Aliás, nesse quesito, Paulo, que foi quem fez a declaração acima, disse que até se “ele mesmo” pregasse outra coisa, que era para que os discípulos não o ouvissem também.

Portanto, o que importa não é quem diz, mas o que é dito. Desse modo, Paulo adverte, dizendo: “Até eu mesmo, se for me alterando e pregando outra coisa, que seja repudiado”. Pois, não é o mensageiro o que vale, mas sim a mensagem, a qual é eterna e não deve ser mudada, exceto se alguém desejar sobre si o juízo de alterar o que não deve ser mexido nem por homens e nem por anjos; visto que se trata de algo eterno e imutável.

Assim, digo a você: o que chamam de seu desvio é justamente a Via Certa, pois, agora, você está deixando de seguir homens loucos e dando ouvidos não a mim, mas ao Evangelho, visto que eu também digo que se porventura eu aparecer com qualquer outra coisa que não seja o que já está “posto”, conforme a Pedra Angular, Jesus, e, também, conforme o fundamento dos Apóstolos e Profetas das Escrituras — que eu seja “anátema”.

Ora, este primeiro ponto nos remete para o segundo: o da maldição dos bruxos ungidos, os bons-mau-cumbeiros da “igreja do medo e da barganha”.

Eles evocam Davi, que não matou a Saul nas vezes em que pôde, a fim de não ferir e nem tocar num ungido do Senhor; e, também, evocam o Salmo que diz “não toqueis nos meus ungidos”.

Ora, no caso de Davi, não tocar no ungido era bem e bom para ele, que sabia que Deus mesmo, à Seu tempo, faria o que já estava designado; e Davi não queria meter a mão naquilo que não era dele, mas de Deus.

No entanto, a ordem das coisas é invertida entre nós, e o tal “não toques no ungido” passou a ser um discurso que nem Saul teve coragem de fazer (foi Davi quem disse isso, nunca Saul); mas que, os Sauls de hoje fazem, e isto a fim de poderem continuar Sauls para sempre, perseguindo, oprimindo, tiranizando, e maltratando o povo de Deus.

Desse modo, ninguém tem que tocar “no suposto ungido”, mas apenas não se deixar tocar por ele. E foi isto que Davi fez: ficou longe, muito longe, desse “ungido” que tinha ânsia de matar: Saul.

Hoje, entretanto, o que querem é que Davi diga “amém” a Saul, e que cumpra seus caprichos, e que continue na casa dele mesmo que ele seja louco. Davi não tocou em Saul, mas nunca mais deu a Saul a chance de tocar nele. Deus cuidou de Saul.

Entretanto, o que não se pode permitir é que Saul cuide da gente. Nesse caso, é como aceitar o pastoreio do surto e da loucura.

No caso do Salmo que manda não tocar nos ungidos, o contexto era outro:

Israel estava matando os profetas em razão de sua mensagem contra a iniqüidade, a feitiçaria, e a paganização da fé. Ou seja: se fosse esse o caso, se diria que o “ungido” é você; e quem o ataca é que deveria ver o que está fazendo contra a sua própria alma; pois Deus já avisou através de Jesus que Ele acha melhor que quem assim procede, “ate ao pescoço uma grande pedra e se atire ao mar”, antes de fazer mal aos que apenas crêem na Palavra do Evangelho.

Em Jesus, todavia, tudo isto acabou. Digo: esse negócio de haver uma “categoria especial de ungidos”. Afinal, isto é coisa de gente que vive com a mente ainda pagã, crendo em bruxos, magos, xamãs, feiticeiros, e, sobretudo, na cumplicidade de Deus com homens que se servem de Seu nome para manipular o próximo incauto.

Todos somos ungidos do Senhor Nele, e não há mais essa categoria especial de ungidos, visto que Paulo diz que em Jesus nós somos os ungidos do Senhor; sim, todos nós, os que cremos.

Ora, eles usam essas coisas como medo, como feitiço e como opressão do diabo sobre as almas dos homens.

Por que você acha que eles nunca me escreveram me “amaldiçoando”?

Ora, é que eles sabem que sei que eles estão apenas fazendo isto a fim de manipular os ignorantes e que ainda têm sem si o germe da fé pagã.

O “paipóstolo” não quer ser “Pai de Santo”, mas deseja ser o “padastro-dos-santos”. Desse modo, ele pode ser um “Pai de Santos”, mesmo que ele próprio pratique os métodos do medo que se encontra nas tribos primitivas, as quais, ainda são dirigidas pelo “oráculo do pagé”.

Escreva isto, pois o digo sem medo:

Eles estão servindo ao diabo e não a Deus, e suas obras de medo e controle são a própria expressão do modo como o diabo dirige as vidas humanas: pelo medo e pela tirania!

Assim, meu irmão, fique firme na Palavra e não se submeta nem mais por um momento ao pastoreio do medo e do lobo vestido de ovelha.

E mais: fique na paz de Cristo; pois, contra quem está na Graça, não vale maldição e nem encantamento, visto que Jesus mesmo já se fez, de uma vez para sempre, maldição em nosso lugar.

Fico com muita pena dos que amaldiçoam, pois sei que eles mesmos estão chamando juízo para si. Assim, quanto mais sei que me amaldiçoam à distância (pois, em minha presença nada dizem!), mais oro por eles, e mais peço a Deus que o salve dessa cegueira de seita perversa, e os converta ao Evangelho da Graça.

Eles, todavia, podem marcar uma reunião de todos os “apóstolos” do Brasil para me amaldiçoarem que a mim nada dirão; pois, saiba, meu mano: não há poder neste mundo que me faça teme-los. Eu sei quem sou em Cristo; e sei que eles escolheram o Caminho de Balaão, o qual, pela ganância de dinheiro e poder, entregou-se ao “carismatismo bruxo”, e pleno de ganância.

O melhor de tudo é que hoje você aprendeu o quanto importa sofrer pelo nome de Jesus e do Evangelho. Afinal, a única coisa que mudou em você é que agora você está livre em Jesus para seguir somente o Evangelho, e não a “sagrada escritura do paipóstolo”, a qual é pura e triste heresia, e perversão do Evangelho de Jesus.

Fique tranqüilo! Nenhum mal lhe sucederá!

Nele, que nos guarda do ódio dos homens,

Caio

OBS: desviado deveria ser alguém que deixou de ser “viado”; ou seja: alguém que não anda numa via… O bom do Evangelho é que o cara fica mesmo dês-viado. Fica na via, mas não fica viado por ninguém.

O difícil retorno ao essencial

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Posted on 15th fevereiro 2010 by Roberto in Reflexões

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“Voltar ao primeiro amor” é o mesmo que dizer volta à “Videira Verdadeira”, retorna à seiva da Vida, volve ao lar e à intimidade do Pai, busca e fica no que um dia já foi “a melhor parte” para você.

O “primeiro amor” aniquila qualquer que seja a outra forma de amar. Quando Jesus falou isto, no Apocalipse, o que Ele via era a Igreja em Laudiceia amando a ortodoxia, a doutrina certa, e o compromisso com o que é correto.

Tudo muito bom, mas tudo muito morto!

Sim! Lindo para a religião dos fiéis contra os infiéis, mas totalmente nulo ante Aquele que não nos chamou para amar doutrinas, mas sim a Ele, e isso numa relação pessoal, ou mesmo numa relação de natureza conjugal, conforme Deus com Israel e Cristo com a Igreja. Ou seja: uma relação de amor que me põe casado com Deus em amor e verdade.

Quem perdeu o primeiro amor perdeu a paixão da fé, o surto de carinho quebrantado por Jesus, e tornou-se acostumado ao Sublime, sofrendo de cinismo sensorial, intelectual, psicológico e espiritual.

Sabe muito. Às vezes pensa que até sabe tudo. Mas doutrina não é Deus e Deus não é doutrina. Deus é amor, e o justo vive pela fé, e a fé tem que ser surto de confiança em Deus, por amor. Assim, o que é a doutrina quando o que a faz valer é a verdade do vinculo de amor por Deus?

Quando Jesus falou do “ramo” que pensa que pode existir e viver fora da Videira Verdadeira, Ele falou da presunção humana, em geral provocada pelas seguranças que a religião, a moral, a ética e filosofia, muitas vezes, supostamente concedem ao tolo que não sabe que qualquer dessas coisas não vale para Deus mais que um bolo de dejeto de vaca no curral. Aliás, qualquer dejeto vale mais para Deus do que esse “bolo” que procede da presunção da autonomia humana em relação ao amor ao Senhor e aos Seus filhos.

Ora, se Paulo disse que “sem amor nada aproveitará”, ele quis dizer exatamente o que disse. Sim, pois nada será em significado para Deus se não existir pelo amor, posto que como Deus é amor, só é de Sua essência aquilo e aquele que é em amor.

As demais coisas existem. Mas somente o que é em amor é de fato para Deus!

O amor é a única matéria que existe em qualquer construção para a eternidade!

O “ultimo amor”, segundo Jesus no Apocalipse, é feito de obras , de feitos, de atividades, de performances justas e sérias, de ortodoxia, de respeitabilidade que zela por si mesma como imagem coerente, e que diz que tudo isto é assim porque a pessoa ou a instituição representam Jesus no mundo.

É mais cômodo falar de amor do que amar, criar entidades que sirvam à comunidade do que amar a uma pessoa; é mais fácil criar o que for como obra de bondade do que ser bom e simples, sem observadores e sem testemunho a dar, mas apenas por que o amor é o fruto natural da Árvore de Vida da qual se é somente um ramo.

É mais fácil cozinhar para Jesus e limpar a casa para Ele, do que ficar quieta aos pés Dele, deixando a verdade revelar o próprio coração. Marta fugia da grande entrega. Maria descobrira que o mundo acabara depois de ela ter Visto Jesus.

Mas crer como se crê no início [como uma criança] é coisa que a nossa “maturidade” repudia. Afinal, para que descobrir, aprender sempre, sorrir de tudo o que é belo e novo, deixar-se surpreender, e entregar a vida às decisões invisíveis do Amor? Sim! Para que confiar na fidelidade invisível do amor de Deus? E por que dar valor absoluto àquilo que o mundo nem admite que seja verdade ou realidade?

É por tudo isto que é muito difícil voltar ao primeiro amor. Sim! Depois de tanta história e experiência? Depois de tanta realidade? Depois de tanto estrada fora do caminho sobremodo excelente? Sim! A gente fica cínico e curtido! A gente fica “casca grossa”, como de diz na linguagem do Jiu-jitsu. Pois para cada fato novo tem-se uma história nossa. Para cada milagre a gente tem dezenas para contar. Para cada ação de Deus existem as Dele para conosco, as quais compõem o nosso livro de Atos Pessoais.

E pior: dependendo da pessoa o que nela se instala é descrença mesmo, e, assim, mantém-se na Estrada, porém fora do Caminho, aparte da Videira, fabricando amor para ela mesma nos outros, mas longe do primeiro amor em Deus.

Assim, nenhuma conversão é mais difícil do que aquela que nos leva do último amor feito de obras, ao primeiro amor feito de amor, de amor que dá fruto sem ter que fazer nada, assim como as mangueiras aqui de casa se derramam em mangas às centenas sem que isto lhes seja um esforço ou mesmo uma tarefa. Elas não se gloriam das mangas que dão.

Elas mangam porque são mangueiras. Mangar significa fazer pouco. Dizer que elas mangam é dizer que elas fazem pouco. Assim, as mangueiras mangam das obras que não são simplesmente a vagabundagem da natureza que dá o que dá apenas porque é o que é e como é.

Não caia no engano de pensar que porque você criou uma fábrica de obras isso significa que você está dando fruto para Deus.

Em Deus somente o amor dá fruto, e sem amor nada é além de obra. Obra que outros aproveitarão, mas que para você de nada aproveitarão. Jamais!

O que escrevi já basta por hoje!

Pense e ore. E o que aqui está levará você da Estrada para o Caminho sobremodo excelente.

Nele , que é amor e que só ama com amor e que só chama de verdade o que é feito de e com amor,

Caio

20/11/07

Lago Norte

Brasília

DF

www.caiofabio.com

É o bem a qualquer custo?Ou tenho que ver?

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Posted on 9th dezembro 2009 by Roberto in Cartas

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Caio, acabei de ler o seguinte e tenho algumas dúvidas.

Aí vai, é seu texto sobre coisas que fazem mal quando a gente faz o bem… mais ou menos isso.

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As afirmações abaixo são verdadeiras.

E se você gosta de evitar fazer o mal, não leia.

Caso você deseje fazer o mal, leia.

Se você é bom, leia com atenção. Pode ser que você mude de idéia acerca de você mesmo.

Havendo dúvida, leia assim mesmo.

Havendo certeza, não perca seu tempo. Leia outra coisa.

Não havendo nada para fazer, faça o bem.

Se você não sabe o que é bom, olhe no espelho, abra a janela, beba água, ande, coma, beba, ame, e não se sinta culpado por gostar dessas banalidades.

Faz bem!

Preparado?

Não fique demais. Não há nada maravilhoso e nem tampouco novo sendo escrito aqui.

Leia então!

1. É mal fazer o bem para todo aquele que é mau. Ele o odiará pela maldade de seu bem.

2. É mal pensar o bem acerca de quem só concebe o mal. Ele usará você sem escrúpulos.

3. É mal desejar que o Bem aconteça a quem o inveje por você ser bom. Ele o julgará superior e o invejará com todo ódio.

4. É mal realizar o bem a quem tem complexo de inferioridade em relação a você. Ele crerá que você o está humilhando.

5. É mal não fazer nada de mal a quem só deseja o mal a você. Ele não agüentará a sua não resposta às provocações.

6. É mal ajudar o covarde quando está em desvantagem. Ele pensará que você é cúmplice.

7. É mal fazer o bem aos que tudo vêem como impuro. Sua bondade será interpretada como frouxidão.

8. É mal fazer o bem aos que o adulam. Eles pensarão que sua bondade é pagamento e tentarão ampliar os negócios com sua alma.

9. É mal fazer o bem a quem não ama. Ele nunca acreditará em você.

10. É mal fazer o bem a quem cobiça. Ele desejará seu bem a serviço dos interesses dele.

Bem, já que é assim, dê uma surra de bondade no mundo!

Transgrida esses princípios sempre.

Será para o seu Bem.

Espero que você seja incorrigível.

Seja esse pecador.

Peque esse pecado.

Sofra desse mal.

Você está condenado!

Graças a Deus!

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—– Original Message —–
From: É O BEM A QUALQUER CUSTO? Ou o custo determina se devo fazer o bem?
To: Pr. Caio Fábio
Sent: Friday, December 30, 2005 2:09 PM
Subject: O bem a “qualquer custo” ou o custo determina se devo fazer o bem?

Graça e paz, Caio.

Fui criado na Assembléia de Deus, que em 99% dos casos se preocupa mais com a forma do que com a essência… mais com a aparência (roupas, coques, brincos e etc), do que com ser sal e luz.

De uns tempos pra cá, tenho lido quase que compulsivamente o seu site… tenho aprendido bastante e tenho crescido bastante… tenho entrado em crise (mas crises que me levam ao crescimento), principalmente pelo fato da minha origem eclesiástica e pq estou descobrindo que o evangelho de Cristo, contradiz muito do que eu tinha como verdade absoluta… tenho tido o santo de privilégio de pensar, o que, se somos francos o bastante, não é costume da grande “massa” evangélica… atuamos no regime do “embrulha e manda”… o que o Pastor fala, tá falado; eu nem preciso refletir sobre isso… questionar?… o que é isso, é uma heresia!

Mas vamos ao que interessa é que é o motivo desse e-mail.

Acabo de ler a reflexão: Coisas que fazem mal quando você faz bem. E aprendi bastante com essa reflexão… mas fiquei com uma dúvida: no fim das declarações você diz:

“Bem, já que é assim, dê uma surra de bondade no mundo!”

“Transgrida esses princípios sempre.”

“Será para o seu Bem.”

Quero entender. O que você quer dizer? Que devemos praticar o bem, mesmo que esse bem seja entendido como mal pelos outros? Ou que devemos, antes de fazer o bem, analisar como ele será recebido pelo outro?

Fiquei com essa dúvida: O bem a “qualquer custo” ou o custo determina se devo fazer o bem?

Aguardo a sua reposta e manterei contato para perguntar mais e crescer mais na graça através da graça e do conhecimento que o Senhor tem depositado sobre ti.

Graça, paz e crescimento n’Ele.

Abração

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Resposta:

Meu querido amigo: Graça e Paz!

Não! Não há barganhas a fazer com o bem ensinado como Vida por Jesus!

Sim, Jesus disse que era para ser praticado até contra-em-favor do próprio inimigo declarado. E mais: nesses casos, a recomendação é para que se o inimigo tiver fome, que a ele se dê de comer; se tiver sede, que a ele se dê de beber; porque assim fazendo se cria uma acumulação de “brasas vivas” na consciência dele.

Ou seja: as “orelhas dos Malcos” precisam ser curadas, se se pode curá-las, mesmo que eles sejam os que foram enviados para nos prender!

O que Jesus recomenda, entretanto, é que sejamos sábios e tenhamos bom senso em todas as coisas. Também diz pra não lançar perolas aos que se fazem porcos pelas escolhas preferenciais das babugens desta vida.

Jesus mandou, em alguns casos, ficar em silencio, como Ele mesmo fez. No entanto, mesmo no silencio de palavras, aquilo que é o bem do Evangelho, não deve jamais ser supresso como gesto e ação pró-ativa em favor de todos os homens.

Por outro lado, não há nas “recomendações feitas”, nenhum convite à bondade chata, persecutória, insistente, vigilante, que anda no encalço, e que se não for rejeitada em razão da natureza perversa ou preconceituosa de quem ouve, correrá o risco de o ser rejeitada em razão da chatice de alguns, que desejam fazer bondade como estupro da vontade alheia.

Você vê Jesus andando sem jamais se desviar de Seu próprio caminho. Ninguém jamais conseguiu faze-lo agir de outro modo.

Não há seletividade no mandamento do amor, que é devido a todos os homens, mesmo àqueles que não crêem em nada.

Sim, porque tal forma de amar não se condiciona a nenhum resultado; tipo: amá-lo até que ele se converta… Pois, nesses casos, tal amor não é amor; mas sim estratégia de seita, que ama até seduzir; e depois o cara vira parte do pacote, quando então se diz acerca dele que ame a quem manda nele, e, aos outros, os “de fora”, que ame de modo “evangelístico”; ou seja: artificial.

Jesus mandou amar a quem aceita e a quem rejeita. Ele disse que os pagãos é que amam no sistema de barganha; ou seja: amam apenas os que os amam e tratam bem.

O mais, meu irmão, é saber que fomos e somos enviados como ovelhas para o meio de lobos; e que entre eles, os lobos, estranhamente, a ovelha mais segura é justamente a que anda distraída e anda seu próprio caminho de bondade e mansidão.

A segurança da ovelha do Pastor Jesus, que é Quem nos guarda entre os lobos, é que a ovelha jamais troque o amor sincero, como forma de ser, abraçando os modos do lobo; pois, nesse caso, virando lobos com os lobos, perdemos a proteção do Pastor, o qual, não é Pastor de lobos, mas de ovelhas corajosas e que não mudam ante o lobo; pelo contrário, mesmo em sua presença reafirmam sua natureza de ovelha do Pastor Jesus.

Receba meu abraço e meu carinho!

Nele, em Quem o amor não tem barganhas a fazer,

Caio