“Vou tentar resumir as “impressões para refletir” que ouvimos nesta Parte 2. Vamos lá:
1) o Caio Fábio falou da nossa impressão errada sobre o que é disciplina porque associamos tal palavra à correção/repreensão, mas, no sentido do que estamos tratando, significa aquilo que ao discípulo chega como mandamento e ensino. É o que normalmente tem que acontecer. Podemos pensar nisso com simplicidade, como se fôssemos contemporâneos de Jesus e estivéssemos seguindo com Ele pelo caminho;
2) naquele tempo, pela consciência judaica, Jesus era visto como uma heresia, até porque Ele mesmo se colocava num lugar de exclusividade, tudo girava em torno Dele. Jesus fez afirmações como: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim”. Esse era o escândalo. Por isso, quando Pedro afirmou pra Jesus e sobre Ele que Ele era o Cristo, o Filho do Deus vivo, só pode mesmo ter sido por revelação do próprio Deus. Então, também hoje, só é possível ser discípulo se essa revelação vier a nós pelo Espírito Santo e pudermos praticar a fé da forma mais singela possível com Deus;
3) precisamos nos indagar por que afirmamos que Jesus é o Filho de Deus? Será que é porque aprendemos isso ao sermos criados num meio evangélico? Ou por que nos fizeram uma lavagem cerebral? Muitos fazem tal afirmação porque são da geração que nasceu ouvindo isso, mas não porque passaram pela revelação de Deus aos seus próprios corações;
4) Alguns perguntavam a Jesus: “Mestre, onde assistes?”. E a resposta de Jesus foi: “vem e vê!”. Não tem endereço; é no Caminho, é todo dia. Por isso, não vamos perder a alegria que se manifesta na caminhada com Jesus, perdendo o sentido da vida.
5) Passou um tempo até que se aprofundasse nos discípulos a consciência de quem Jesus era. É como acontece com a gente. Não somos discípulos ainda, mas candidatos, aspirantes a discípulos de Jesus. Com os discípulos, aconteceu o que acontece conosco: cada um vai chegando por diferentes razões – uns se aproximavam de Jesus porque Ele curava e pensavam: “é bom estar perto de quem cura”; outros por razões políticas da época (“queremos um rei”). Também hoje, muitos se chegam pelos mais diversos motivos, porque querem cura, ou por gratidão, ou por curiosidade, ou porque Ele fala coisas legais. Estamos todos no Caminho, mas nem todos com percepções idênticas. Para alguns, a consciência já se aprofundou, mas esse ciclo não se fecha até que se complete eternamente. É um caminho de agregamento de consciência o tempo todo.
6) Com o próprio Pedro houve a oscilação de ter tido a revelação do próprio Deus e dizer de e para Jesus: “Tu és o Cristo” e um tempo depois ouvir de Jesus: “pedra de tropeço; sai satanás”. Nenhum de nós é ou será discípulo acabado. O caminho do discipulado é aberto a construções e descontruções, vai acontecendo de graça em graça, de glória em glória, de fé em fé. Por isso, cuidado para que, neste processo, não acabe encontrando o ceticismo;
7) quanto mais discernimos quem é Jesus, mas parece longe a percepção de quem nós somos. [E isto não me afasta Dele; ao contrário, me aproxima]. É preciso atenção para o significado de estar no Caminho e na gradualidade dessa percepção. Há o engano de pensar que, estando no Caminho, não mais se equivocará na vida. Porém, infelizmente, não é assim. Podemos ter a variação de Pedro: numa hora ter uma revelação e noutra ouvir: “arreda…”. O que pode salvar a mente do discípulo é apenas a revelação do Pai.
8) o Caio incentivou: Que possamos dizer por revelação que Jesus é Deus! “Atole-se em Deus”.
9) Em que ponto da viagem você está? Às vezes, leva um bom tempo na jornada até que essa consciência chegue, mas ela não nos blinda para viajar para fora desta percepção. O caminho do discípulo frequentemente acontece entre a revelação de Deus e a repreensão de Deus. É assim porque confundimos revelação com cogitação própria. As melhores ideias não significam revelação de Deus. Não posso confiar em mim, nem nas minhas melhores causas. É preciso abrir da sua cogitação própria e entregar a mente à revelação de Deus. A viagem não acabou; ela está apenas começando.” (Cláudia Arantes)

