O caminho do discípulo – parte 2

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Posted on 29th janeiro 2012 by Roberto in Áudio |Devocionais |Downloads |Estudo Bíblico |Vídeo

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“Vou tentar resumir as “impressões para refletir”  que ouvimos nesta Parte 2. Vamos lá:

1) o Caio Fábio falou da nossa impressão errada sobre o que é disciplina porque associamos tal palavra à correção/repreensão, mas, no sentido do que estamos tratando, significa aquilo que ao discípulo chega como mandamento e ensino. É o que normalmente tem que acontecer. Podemos pensar nisso com simplicidade, como se fôssemos contemporâneos de Jesus e estivéssemos seguindo com Ele pelo caminho;

2) naquele tempo, pela consciência judaica, Jesus era visto como uma heresia, até porque Ele mesmo se colocava num lugar de exclusividade, tudo girava em torno Dele. Jesus fez afirmações como: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim”. Esse era o escândalo. Por isso, quando Pedro afirmou pra Jesus e sobre Ele que Ele era o Cristo, o Filho do Deus vivo, só pode mesmo ter sido por revelação do próprio Deus. Então, também hoje, só é possível ser discípulo se essa revelação vier a nós pelo Espírito Santo e pudermos praticar a fé da forma mais singela possível com Deus;

3) precisamos nos indagar por que afirmamos que Jesus é o Filho de Deus? Será que é porque aprendemos isso ao sermos criados num meio evangélico? Ou por que nos fizeram uma lavagem cerebral? Muitos fazem tal afirmação porque são da geração que nasceu ouvindo isso, mas não porque passaram pela revelação de Deus aos seus próprios corações;

4) Alguns perguntavam a Jesus: “Mestre, onde assistes?”. E a resposta de Jesus  foi: vem e vê!”. Não tem endereço; é no Caminho, é todo dia.  Por isso, não vamos perder a alegria que se manifesta na caminhada com Jesus, perdendo o sentido da vida.

5) Passou um tempo até que se aprofundasse nos discípulos a consciência de quem Jesus era. É como acontece com a gente. Não somos discípulos ainda, mas candidatos, aspirantes a discípulos de Jesus.  Com os discípulos, aconteceu o que acontece conosco: cada um vai chegando por diferentes razões – uns se aproximavam de Jesus porque Ele curava e pensavam: “é bom estar perto de quem cura”; outros por razões políticas da época (“queremos um rei”). Também hoje, muitos se chegam pelos mais diversos motivos, porque querem cura, ou por gratidão, ou por curiosidade, ou porque Ele fala coisas legais. Estamos todos no Caminho, mas nem todos com percepções idênticas. Para alguns, a consciência já se aprofundou, mas esse ciclo não se fecha até que se complete eternamente. É um caminho de agregamento de consciência o tempo todo.

  6) Com o próprio Pedro houve a oscilação de ter tido a revelação do próprio Deus e dizer de e para Jesus: “Tu és o Cristo” e um tempo depois ouvir de Jesus: “pedra de tropeço; sai satanás”. Nenhum de nós é ou será discípulo acabado. O caminho do discipulado é aberto a construções e descontruções, vai acontecendo de graça em graça, de glória em glória, de fé em fé. Por isso, cuidado para que, neste processo, não acabe encontrando o ceticismo;

7) quanto mais discernimos quem é Jesus, mas parece longe a percepção de quem nós somos. [E isto não me afasta Dele; ao contrário, me aproxima]. É preciso atenção para o significado de estar no Caminho e na gradualidade dessa percepção. Há o engano de pensar que, estando no Caminho, não mais se equivocará na vida. Porém, infelizmente, não é assim. Podemos ter a variação de Pedro: numa hora ter uma revelação e noutra ouvir: “arreda…”. O que pode salvar a mente do discípulo é apenas a revelação do Pai.

8) o Caio incentivou: Que possamos dizer por revelação que Jesus é Deus! “Atole-se em Deus”.

9) Em que ponto da viagem você está? Às vezes, leva um bom tempo na jornada até que essa consciência chegue, mas ela não nos blinda para viajar para fora desta percepção. O caminho do discípulo frequentemente acontece entre a revelação de Deus  e a repreensão de Deus. É assim porque confundimos revelação com cogitação própria. As melhores ideias não significam revelação de Deus. Não posso confiar em mim, nem nas minhas melhores causas. É preciso abrir da sua cogitação própria e entregar a mente à revelação de Deus. A viagem não acabou; ela está apenas começando.” (Cláudia Arantes)

O caminho do discípulo – parte 2 (download do áudio)

Igreja com propósitos ou o propósito da igreja?

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Posted on 22nd janeiro 2012 by Roberto in Cartas |Estudo Bíblico

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Nîmes Eglise Ste. Perpétue et Ste. Felicite
Creative Commons License photo credit: Wolfgang Staudt

Pastor, Caio: bom dia, que Deus te abençoe muito!
Neste fim de semana eu fui muito abençoado ao ouvir um sermão seu.
Comprei uma fita cassete em uma livraria evangélica, com o tema: O Grande mandamento.
Era um sermão que você havia pregado acho que por volta de 1984, ou 85—era um culto na IP Betânia, quando vc era Pastor de lá.
Mesmo sendo um sermão “antigo” me foi novo e foi como se eu estivesse no culto da Betânia naquele dia.
O sermão, as orações e as músicas do Pr. Josué, muito me abençoaram. Deus te abençoe!
O meu grande dilema desde já é a seguinte questão:
Hoje o crescimento da igreja tem estado na pauta das discussões dos seminários, congressos e na boca e nos assuntos dos pastores, mas na maioria das vezes como “um fim em si mesmo”.
A maioria dos ministério que eu conheço e que são considerados bem-sucedidos, são aqueles que crescem mais.
Mas como lidar com essa questão, pois nem sempre a igreja quando a igreja cresce significa que ela está cumprindo os propósitos do Reino.
Mas o que dizer de uma igreja que passa décadas trabalhando e continua sem crescer?
Qual é o ideal para o trabalho?
Será que uma igreja que permanece durante anos sem crescimento, ou com um crescimento pequeno, será que pode ser considerada uma comunidade sadia?
Pois essa é a minha crise no ministério…
Sei que devemos buscar o crescimento no ministério, mas e quando ele não acontece?
Como entender ?
A onda na igreja evangélica hoje são os modelos de crescimento de igreja, como: Rede Ministerial, Igreja com Propósitos, Igreja em Células, entre outros…
E muitas igrejas que adotaram algum desses modelos, cresceram.
Na sua opinião, é o ideal que toda a igreja tenha uma declaração de visão, missão e propósitos?
Utilizar alguns elementos de administração na igreja é prejudicial ou benéfico?
Pois, Pastor Caio, existe essa tensão no ministério, e como seminarista tenho visto que existe crise nas vidas dos futuros ministros.
A grande maioria quer ter uma experiência em uma igreja grande, e quando não aparecem oportunidades de serviço, existe muita frustração entre os seminaristas.
È errado alguém que é de uma comunidade pequena conhecer a estrutura e trabalhar em uma comunidade grande e desejar isso?
E quem vem de uma comunidade grande, não é uma boa experiência conhecer o ministério de uma pequena igreja?
Gostaria de ouvi-lo a respeito.

Um abração

Ricardo

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Resposta:

Meu querido Ricardo,

Que bom que a Palavra é viva e eficaz.
O assunto da mensagem e dos métodos se entrelaçam.

Veja:

1. Daqui a cem anos, se meu português ainda for compreendido pelos brasileiros vivos, a Palavra estará realizando o mesmo efeito. Mas os métodos atuais estarão todos sepultados.
2. A Palavra permanece. Os métodos se desgastam.
3. A Palavra e o Método, em Cristo, devem ser uma coisa só: “Assim como Pai me enviou, assim também eu vos envio”. Encarnação da Palavra é o Meio.
4. Quando o método vira um fim-em-si-mesmo, é porque a Palavra já virou meio de vida, não a encarnação da vida, no meio das coisas.
5. Jesus andava e levava em Si a Palavra e o meio: Ele mesmo.
6. Os apóstolos não se preocupavam com métodos como métodos, mas apenas como meios circunstanciais e momentâneos. Paulo diz: “Fiz-me de tudo para com todos, a fim de salvar alguns”. E, para ele, o meio era a encarnação: aos judeus, como judeus; aos gregos, como grego…tudo, para com todos…mudava conforme a esquina, não conforme a década, ou a moda. Não é mole…é duro mesmo. Mas só é duro para quem não tem o molejo da Graça e da Vida. Para quem tem, é simples como respirar.
7. A fixação nos modelos e métodos apenas denuncia duas coisas: a falta de conteúdo (Palavra) e a cobiça de poder (Crescimento).
8. Nem tudo o que tá certo, dá certo. E nem tudo o que dá certo, tá certo. Se o critério fosse esse, teríamos que dizer: Viva o Islã!
9. A Igreja está no mundo para crescer também em número, mas não à qualquer preço, muitos menos como sacrifício da Palavra—que é o que sempre acontece! Tudo isto te darei se prostrado me adorares, não procede da boca de Deus. Também não vale transformar pedras em pães e nem pular do Pináculo do Templo.
10. Estou na “pista” há algumas décadas e, pessoalmente, já discuti esse assunto milhares de vezes. Há vários livros meus sobre o tema. Continuo pensando igual: quem tem a Palavra, lida com os meios como simples meios, mas não oferece pacotes e, muito menos, procura um pacote. A criação de pacotes, sacraliza os meios e corrompe a Palavra, que fica subordinada aos meios.
Assim, respondo:
1. O meio só tem hoje tanta importância para quem a Palavra virou um meio de vida.
2. A ênfase no crescimento é uma mentira que esconde a sede de Poder e de Aparecer. Se a questão é espalhar o Evangelho, por que, então não se vai por todo o mundo e se o prega a toda criatura? No Brasil—como na maior parte do mundo—, o crescimento da “igreja” é apenas um concurso de quem tem “um maior”. Coisa de menino. Quem quer ver a gloria de Jesus faz como Paulo em Romanos 16: “Não fui ainda aí, ó romanos, porque já tem muita gente aí…tenho me esforçado para não perder tempo…vou passar por aí indo para a Espanha”.
3. O que estamos assistindo não é novo, no meio evangélico se tornou apenas mais feio. Mas é tão velho quanto Roma e Constantino. É o mesmo espírito imperial de poder que continua a corromper a “igreja”, que mesmo sendo evangélica, continua católica de nascimento e alma: Constantino é constantemente o contínuo continuador da continuação do contínuo constantinianismo: o poder do poder, prevalecendo sobre o poder da Palavra.
4. Sem medo de errar: quem quiser ser do Evangelho, pregue a Palavra da Graça e deixe o Espírito dar a ela o tamanho que ela tem, e que não se pode medir com estatísticas, mas pela manifestação de graça e vida.
5. O exemplo brasileiro mais puro—não perfeito—do que digo, é a Congregação Cristã do Brasil. Ninguém sabe dela. Mas é maior que a maioria. Há métodos? Há marketings? Não! Há Palavra. Há honra ao Espírito. Há a certeza de que o corpo efetua o seu próprio crescimento, conforme Paulo.
6. O que assistimos hoje é uma “igreja” no CTI e que está feliz com a modernidade das máquinas e tubos que a mantêm artificialmente viva. Os atuais vendedores de método, são fabricantes de material hospitalar e que conseguem fazer o paciente se sentir bem por estar todo ligado nos aparelhos, sentindo que à todo tempo sai uma máquina velha e entra outra mais nova, mas o paciente nunca recebe alta.
7. De minha parte, digo: ME TIRA O TUBO!
Beijão,
Caio

www.caiofabio.net

O Caminho do díscipulo – parte 1

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Posted on 14th janeiro 2012 by Roberto in Estudo Bíblico |Vídeos

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Download do áudio:

http://www.4shared.com/audio/q5Zg0oRL/Caio_Fbio_-_O_Caminho_do_Discp.html

Comentário de Cláudia Arantes:

algumas “impressões pra pensar”, como disse o Caio:

1) quem dizemos que Jesus é? Podemos dizer, como Pedro, que Ele é o Cristo, o Filho do Deus Vivo? Mais ainda, podemos dizer isso e ter chegado a essa conclusão porque tivemos a revelação e o discernimento vindo do próprio Pai e não por cogitação humana?

2) ser discípulo de Jesus é algo que começa com invasão do sobrenatural na vida da gente…[nada, tudo o mais] não é possível sem Jesus. Jesus é tudo!…quando o médico diz: “você está com câncer”, a fé acaba… ou: “seu filho está com Aids”, questionamos “por que o meu filho?”…;

3) Pedro também disse em outra passagem: “Para onde/quem iremos? Só Tu tens as palavras…”. O discipulado só começa quando dentro de mim se instala o “Só Tu” em relação a Jesus e nada mais…aí o discipulado está plantado em nós…começa com a confissão de quem Ele É e vai se concluindo todo dia..contra todos os dissabores, contra tudo que não entendemos de imediato, mas a gente segue dizendo: “Só Tu”. O caminho do discípulo começa quando essa revelação explode em nós; 4)  do que a gente é discípulo?…de crenças, de doutrinas? …Discipulado também não começa enquanto eu deixar que a voz “dos outros” não cesse de me perturbar…enquanto o que os outros pensam me perturbar, eu não recebi a luz final…é a realidade final já no começo, pois já está definido: “Tu És…”, o resto é processo.

Nosso desejo e esperança é que esse discipulado, como revelação pra cada um do “Só Tu” em relação a Jesus, já tenha se instalado e começado em nós! Só assim há alguma possibilidade de desenvolveremos a “fé para viver” e “fé para morrer”.