Sobre o falar em línguas

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Posted on 16th abril 2011 by Roberto in Uncategorized

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A man of many language symbols
Creative Commons License photo credit: Eyesplash

Olá pastor Caio…

Eu preciso saber algo…sempre freqüentei igrejas pentecostais…e nelas também fui ensinado sobre o dom de línguas…hoje sei que o dom nada tem a ver com o que chamam de “batismo com o Espírito Santo“…tenho isso como assunto esclarecido.

Li alguns textos e entendi que as línguas das quais falavam “nos tempos apostólicos” eram línguas terrenas, ditas por quem não as havia aprendido…

Isso ficou muito claro pra mim quando recorri às Escrituras…hoje não consigo entender as línguas que ouvimos falar nas igrejas, tidas como “línguas dos Anjos“, como um dom realmente.

Veja só…por exemplo, quando dá-se numa reunião pentecostal o que chamam de interpretação…um fala “em línguas” e outro interpreta…minha dúvida é:

Interpreta o quê?…visto que uma mesma “palavra” recebe várias interpretações diferentes…não sei se estou conseguindo esclarecer qual seja minha dúvida.

Pra mim acabou por ficar claro que o que acontece é que as pessoas produzem sons…sons são diferentes de línguas…sons não precisam ter lógica…línguas eu entendo que sempre tem lógica…mesmo quando são línguas que não entendemos, sabemos que elas tem uma lógica.

Essa dúvida voltou quando li no site sua posição em relação às línguas…você disse que fala em línguas.

Pastor Caio…o que é então o tal dom de línguas conforme entendemos hoje?

Anjos que se apresentaram a pessoas, na Bíblia, sempre se comunicaram na língua de quem o via e ouvia, ou não?

Por vezes sonho que estou falando em línguas…isso me traz uma sensação estranha…logo que acordo me sinto como quem deixou algo de importante para trás…mas esse sentimento logo passa…é difícil voltar a praticar algo depois que perde o sentido fazê-lo.

Se puder me dizer algo sobre o assunto, agradeço…já lí no site os textos que falam sobre isso…mas eles não esclarecem minhas dúvidas quanto a isso.

Fica na Paz!!!
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Resposta:

Meu querido amigo Cláudio: Amor é o que faz tudo ser língua!

Sim, desde 1 de janeiro de 1977 que falo em línguas, mas ninguém nunca o ouviu, exceto pessoas muito íntimas, pois as línguas são para edificação de quem fala. Quando desejo edificar outros, falo em português e em outras línguas de homens da Terra.

O dom de línguas tem duas manifestações. A primeira é um dom sobrenatural de falar em línguas que não se aprendeu, e que não se sabe. Nesse caso, quem fala não SABE a língua, mas alguém que a saiba, a entende. Esse tipo de manifestação acontece como SINAL para quem ouve. Pessoalmente conheço vários casos em que isto aconteceu, e quem ouviu “caiu com o rosto em terra dando glória a Deus“, conforme Paulo diz em I Coríntios 14.

A segunda manifestação é de natureza completamente subjetiva, e não é passível de ser entendida com os ouvidos físicos, pois não é uma língua que possa ser filologicamente definida como tal. Trata-se, ao contrário, de uma língua do espírito, pois aquele que a fala está orando “em espírito”. Nesse caso, trata-se de uma expressão do ser profundo manifestando seus sentimentos diante de Deus como “linguagem irreferível”, pois ninguém mais o entende, conforme Paulo, também em I Coríntios 14.

No primeiro caso a língua em si é compreensível para alguém que conhece aquele idioma, daí ser um SINAL para os incrédulos, visto que aquele que ouve sabe que aquele que está falando não conhece o idioma que fala. Portanto, a interpretação não é sobrenatural, sendo sobrenatural apenas o ato de falar daquele que diz o que ele mesmo não sabe o que é, sabendo apenas tratar-se de uma mensagem de Deus.

No segundo caso a sobrenaturalidade se manifesta nas duas pontas do processo, pois o que fala está “derramando” sua alma de um modo não racional—sendo apenas uma expressão da liberdade de seu espírito para dizer o indizível em forma não lógica—, e aquele que ouve, não traduz, visto que não há nada a ser TRADUZIDO, mas apenas INTERPRETA, pois o que não é lógico não é passível de TRADUÇÃO, mas sim de INTERPRETAÇÃO.

Daí Paulo mandar que tais línguas não traduzíveis sejam faladas em segredo, com recato e total discrição, pois edificam somente aquele que a fala, e ninguém mais. Paulo disse que preferia dizer em público umas poucas palavras inteligíveis, que milhares de palavras ininteligíveis. Portanto, esse festival de línguas que a gente vê nas igrejas, em geral, são uma violação do próprio ensino apostólico.

A interpretação da língua ininteligível acontece de modo raro, e não é essa maluquice que a gente vê por aí. Isto porque a verdadeira língua espiritual só é interpretada como SINAL e como mensagem PROFETICA se ela trouxer alguma realidade do coração dos ouvintes à luz, e não é um mero repetir de “Assim diz o Senhor” seguido de um monte de promessas de VIAGEM, BONS NEGÓCIOS, OU DE UMA SALVA DE PRATA PASSANDO COM DONS que estejam sendo distribuídos no ambiente.

Na maior parte das vezes eu sinto e sei quando as interpretações são genuínas ou são apenas a expressão da vaidade do “interprete”, como acontece entre nós na maioria das vezes.

O objetivo das línguas é edificar a quem fala, pois não havendo interpretação, ninguém mais é edificado; assim como ninguém o será se eu começar a dizer gúgú dádá…

Além disso, a INTERPRETAÇÃO das línguas requer um certo ambiente de quietude e paz a fim de que haja sintonia. Ora, nos cultos atuais onde tais línguas superabundam, há tudo, menos paz; e o que há em abundancia é euforia carnal.

Ouvindo línguas há cerca de 40 anos eu aprendi algumas coisas:

1. As línguas existem mesmo, e nas duas categorizações acima descritas, e são vigentes hoje, assim como serão sempre…até que desapareçam com a manifestação final do que é PERFEITO, conforme I Coríntios 13.

2. Boa parte das línguas que eu ouço nas igrejas são apenas um fenômeno de “repetição de sons”, e isto porque dependendo do grupo denominacional, as “línguas” se repetirão como se fosse um Wizard de ensino de línguas. Dependo da língua, em geral, já sei até a igreja que a pessoa freqüenta, ou onde aprendeu a falar aquelas algaravias estáticas.

3. As línguas genuínas produzem SINAL E SAÚDE. No primeiro caso é SINAL para os de fora, quando há alguém que entenda a língua humana que está sendo falada por quem não a conhece como razão e lógica. No segundo caso, é SAÚDE para a alma e o espírito, pois “edifica aquele que fala”, sendo um recurso dado por Deus para que o inconsciente se abra e se derrame de modo a orgasmar o ser interior, ou expressar o íntimo de modo não racional, o que trás consigo alívio e conforto para além da razão.

O que passar disso—como o atribuir um poder espiritual especial às línguas—é pura fantasia, e não tem base no ensino apostólico, como de resto se pode dizer de milhares de outras práticas tão comuns entre nós.

Receba meu carinho.

Nele, para Quem nenhuma língua vale sem amor,

Caio

www.caiofabio.net

Carta aberta às mães e pais

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Posted on 14th abril 2011 by Roberto in Cartas

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Grandpa
Creative Commons License photo credit: conorwithonen

Que futuro terão nossos filhos?

Aproveitamos o sentimento de indignação e tristeza que nos abalou nos últimos dias para convoca-los para uma mobilização pelo futuro das nossas crianças. A tragédia absurda ocorrida na escola em Realengo (Rio de Janeiro) é resultado de uma estrutura complexa que tem regido nossa vida em sociedade. O problema vai muito além de um sujeito qualquer decidir invadir uma escola e atirar em crianças. Armas não nascem em árvores.
A coisa está feia: choramos por essas crianças, mas não podemos nos deixar abater pelo medo, nem nos submeter aos valores deturpados que têm regido nossa sociedade propiciando esse tipo de crime. Não vamos apenas chorar e reclamar: vamos assumir nossa responsabilidade, refletir, trocar ideias e compartilhar planos de ação por um futuro melhor. Então, mães e pais, como realizar uma revolução que seja capaz de mudar esses valores sociais inadequados?

Vamos agir, fazer barulho, promover mudanças! Acreditamos na mudança a longo prazo. Precisamos começar a investir nas novas gerações: a esperança está na infância. Vamos fazer nossa parte: ensinar nossos filhos pra que façam a deles.

Se desejamos alcançar uma paz real no mundo,
temos de começar pelas crianças. Gandhi

O que estamos fazendo com a infância de nossas crianças?

Com frequência pais e mães passam o dia longe dos filhos porque precisam trabalhar para manter a dinâmica do consumo desenfreado. Terceirizam os cuidados e a educação deles a pessoas cujos valores pessoais pensam conhecer e que não são os valores familiares. Acabamos dedicando pouco tempo de qualidade, quando eles mais precisam da convivência familiar. Assim, como é possível orientar, entender, detectar e reverter tanta influência externa a que estão expostos na nossa longa ausência? Estamos educando ou estamos nos enganando?
O que vemos hoje são crianças massacradas e hiperestimuladas a serem adultos competitivos desde a pré-escola. Estão constantemente expostos à padronização, competição, preconceito, discriminação, humilhação, bullying, violência, erotização precoce, consumo desenfreado, culto ao corpo, etc.

O estímulo ao consumo desenfreado é uma das maiores causas da insatisfação compulsiva de nossa sociedade e de tantos casos de depressão e episódios de violência. Daí o desejo de consumo ser a maior causa de crime entre jovens. O ter superou o ser. Isso porque a aparência é mais importante do que o caráter. Precisamos ensinar nossos filhos que a felicidade não está no que possuímos, mas no que somos. Afinal, somos o exemplo e eles repetem tudo o que fazemos e o modo como nos comportamos. E o que ensinamos a nossos filhos sobre o consumo? Como nos comportamos como consumidores? Onde levamos nossos filhos para passear com mais frequência? Em shoppings?

Quanto tempo nossos filhos passam na frente da TV? 10 desenhos por dia são 5 horas em frente à TV sentados, sem se movimentar, sem se exercitar, sendo bombardeados por mensagens nem sempre educativas e por publicidade mentirosa que incentiva o consumo desde cedo, inclusive de alimentos nada saudáveis. Mais tempo do que passam na escola ou mesmo conosco que somos seus pais!

Porque os brinquedos voltados para os meninos são geralmente incentivadores do comportamento violento como armas, guerras, monstros, luta? A masculinidade devia ser representada pela violência? Será que isso não contribui para a banalização da violência desde a infância? Quando o atirador entrou na escola com armas em punho, as crianças acharam que ele estava brincando.

Nós cidadãos precisamos apoiar ações em que acreditamos e cobrar do Estado sua implementação, como o controle de armas, segurança nas escolas, mudança na legislação penal, etc. Mas acima de qualquer coisa precisamos de pessoas melhores. Isso inclui educação formal e apoio emocional desde a infância. É hora de pensar nos filhos que queremos deixar para o mundo, para que eles possam começar a vida fazendo seu melhor. Criança precisa brincar para se desenvolver de forma sadia. É na brincadeira que elas se descobrem como indivíduos e aprendem a se relacionar com o mundo.

Nós pais precisamos dedicar mais tempo de convivência com nossos filhos e estar atentos aos sinais que mostram se estão indo bem ou não. Colocamos os filhos no mundo e somos responsáveis por eles! Eles precisam se sentir amados e amparados. Vamos orientá-los para que eles sejam médicos por amor não por status, que sejam políticos para melhorar a sociedade não por poder, funcionários públicos por competência e não pela estabilidade, juízes justos, advogados e jornalistas comprometidos com a verdade e a ética, enfim!

Precisamos cobrar mais responsabilidade das escolas que precisam se preocupar mais em educar de verdade e para um futuro de paz. Chega de escolas que tratam alunos como clientes.

Não temos mais tempo a perder. Ou todos nós, cedo ou tarde, faremos parte da estatística da violência. Convidamos todos a começar hoje. Sabemos que não é fácil. E alguma coisa nessa vida é? Vamos olhar com mais atenção para nossos filhos, vamos ser pais mais presentes, vamos cobrar mais da sociedade que nos ajude a preparar crianças melhores para um mundo melhor! Nossa proposta aqui é de união e ação para promover uma verdadeira mudança social. A mudança do medo para o AMOR, do individualismo para a FRATERNIDADE e para a EMPATIA, da violência para a GENTILEZA e a PAZ.

Ana Cláudia Bessa www.futurodopresente.com.br
Cristiane Iannacconi www.ciclicca.blogspot.com
Letícia Dawahri
Luciana Ivanike www.lucianaivanike.blogspot.com
Monique Futscher www.mimirabolantes.blogspot.com
Renata Matteoni www.rematteoni.wordpress.com