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From: Marcello Cunha
Sent: segunda-feira, 17 de maio de 2004 10:53
To: contato@caiofabio.com
Subject: EVANGELHO PARA TODA CRIATURA???

Que lindo!! “Caçarás, porventura, a presa para a leoa? Ou saciarás a fome dos leõezinhos, quando se agacham nos covis e estão à espreita nas covas? Quem prepara aos corvos o seu alimento, quando os seus pintainhos gritam a Deus e andam vagueando, por não terem que comer?” ( Jó 38: 39-41) Pastor amado, estava tentando imaginar essas necessidades da criação sendo argumento de uma dessas palestras missionárias… sabe? Essas em que a pessoa chega com um mapa Mundi, e fala de pessoas morrendo, sofrendo, com fome, doenças, morte, e inferno à 666 potência. A gente ouve aquilo, e dá vontade de sair correndo mundo à dentro, perdido perdão pela nossa total incompetência diante do clamor dos povos! Não tenho nada contra campanhas humanitárias e coisas do tipo…pelo contrário, acho que essas pessoas podem vir a alcançar honra diante dos homens e diante de Deus. Mas falo do peso neurótico que é colocado sobre ombros jovens; adolescentes, até… E esses largam tudo: estudos, família, vida sentimental, e saem em disparada a fim de salvar o mundo que está sofrendo e morrendo. Afinal todos os dias milhões morrem, cinco milhões dormem com fome, dez milhões choram, e sete bilhões clamam por Deus…. Eu mesmo, já senti esse desespero cercar meu coração, de forma que me sentia um verme culpado, preguiçoso, e que iria dar contas a Deus de todos os que morrem “sem salvação”. Demorou muito para que eu aprendesse a lidar com esse tipo de neurose que me acompanhava em minhas tentações, orações, adoração, trabalhos, sonos, e tudo. Alguns dias atrás me deparei com essa passagem do livro de Jó e lembrei de como o amor de Deus me acalmou o coração, e completou um processo de cura; mesmo sem eu perceber de forma consciente, a didática-vida-consolo que Deus usou para fazer isso… Creio que essa passagem veio completar com chave de ouro essa minha construção de consciência saudável em Cristo. Necessidades….. Clamores… Fome… Meu Deus! Essa pergunta do Senhor a Jó me espantou. Eu penso na humanidade, porque é a “minha classe”… Mas a criação como um todo? Quanta fome, dor, injustiça e necessidades há todos os dias em toda criação? E ela tem gemido!!! Incluirei também estes nos meus “alvos ministeriais?” Leoezinhos, corvos, rinocerontes, micos-leão-dourados, ararinhas azuis, tamanduás, peixes-boi, etc. Poderei eu assumir isto com um coração de Dom quixote de Deus? É claro que não. Deus pode. Deus faz. Ele é fiel. Se ele faz, então cruzarei os braços? Não. Testemunharei e farei o que o amor de Deus me impulsionar. Creio que é o amor a minha força motriz, e não a culpa. E esse amor traz paz, confiança, e lança fora todo insegurança. Aí alguém diz: “Claro, é fácil você dizer isso! Não é você que está com frio de rachar. Não é você que dorme dias e dias com fome. Não é você que…” Esse negócio é muito complicado… Como explicar que há pessoas realizando coisas sem que sejam verdadeiramente movidas pelo amor, e sim por inveja, competição, culpa e auto-justiça? Mas aí dizem: “Mas pelo menos fazem alguma coisa, né?!” Acho engraçado algumas expressões que surgem, e de tanto que são usadas, viram uma bíblia alternativa popular: “Faça a tua parte, que eu te ajudarei.” “Missões está no coração de Deus.” Certa vez ouvi um pregador citar esse “verso bíblico”: “De grão em grão a galinha enche o papo.” De minha parte, resolvi acreditar que tudo que seja movido por amor, farei. Tudo que não se faz por amor é pecado, ou lixo. Paulo lançou o fundamento, nós construímos sobre ele. A obra de cada um será provada, e aquele que tiver construído prédios de palha e feno, será lambido pelo fogo, e será salvo, ainda que sofrendo algum dano. Antes que esse dia chegue, eu apenas quero ir pelo mundo em que meus pés pisarem, pregando o evangelho… A TODA CRIATURA. De alguma forma Deus me capacitará para isso… Eu creio, meu pastor. O Sr concorda? Em Cristo, único lugar que consigo ser. Marcello Cunha ____________________________________________________________

Resposta: Amado Marcello: Deus é amor! Sim, Deus é amor. Antes de ser Criador, Ele é Amor. Ele cria porque ama, e não o oposto. Pois se criasse para amar, Ele não seria Deus, mas O Eterno Carente! A teologia cristã acabou por criar um abismo entre a Criação e a Redenção. E a razão toda é essa: Deus, para a teologia Emocional da Cristandade, criou para amar. E foi traído pela criação, particularmente no homem. Então, bolou um plano de redenção. E foi se arrumando pela História. Até chegar Jesus, ser rejeitado, e haver a Crucificação e a Ressurreição. Depois veio o poder para testemunhar, e criou-se a Igreja. E é dever da Igreja representar esse Plano de Redenção na Terra, pois somente ela está redimida e sabe a verdade, e os demais homens estão em total estado de perdição, à menos que a Igreja chegue e fale acerca do Plano. É uma supersimplificação, mas sei que retrata bem o modo médio de pensar dos cristãos. É por esta mesma razão que a fé na Redenção é menor que as conseqüências da Queda na cabeça dos irmãos. Afinal, desse ponto de vista, a salvação na Graça é um remendo de Deus num pano velho e roto. É assim até para os mais sofisticados entre nós, que apenas douram a pílula para contar a mesma historinha. Esqueceram que o Cordeiro foi imolado Antes de qualquer antes, e Antes de qualquer Princípio. Só houve Princípio, porque Graça foi o Princípio; visto que o Cordeiro se deu antes de haver qualquer criação, seja ela de que natureza for. É também por essa razão que todas as coisas que foram criadas por Ele, por meio Dele e para Ele; para Ele retornarão de algum modo, porém será ao Modo da Graça. Se a Graça gerou o Princípio, será a Graça que gerará o que para nós é apenas Continuidade, não o Fim. Ele, o Cordeiro, disse: Eu sou o Princípio e o Fim, o Alfa e o Omega. Se o Princípio foi Graça, o Fim também será…e a Graça não tem fim…pois existe antes do Começo. Assim, todas as coisas se reconciliarão com o Pai por meio do Filho-Cordeiro, imolado com efeito antes da Fundação do Mundo, porém Agora manifesto para a nossa justificação em fé, e para uma vida que seja Boa Nova. Gostaria que você lesse o meu livro O Enigma da Graça, no qual mostro como Deus usou a criação para falar a Jó desde o meio de um redemoinho. Lá eu mostro como as “parábolas da natureza” falam; e como Deus se serve delas como Palavra. Não existe Graça comum e Graça Especial. O comum é a Graça. Isto porque a tudo aquilo a que Deus santificou-e foi o que Ele fez com a criação antes de criá-la, imolando o Cordeiro-, ninguém deve considerar comum e imundo. É justamente por esta razão que o Evangelho deve ser anunciado para toda a criatura humana, visto que a criação geme é por nossa vaidade, conforme Paulo. Nele, que nos comprou com amor antes de nos criar, Caio.

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Change of pace
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Quando Jesus disse que nós, humanos, ao julgarmos os outros julgávamos a nós mesmos, enunciava algo cuja aplicabilidade é absoluta e se estende para todas as camadas de qualquer existência consciente.

Ninguém escapa disso, até que creia que é assim. Então, entendendo que sabe apenas em parte, vê somente em parte, e compreende somente em parte, começa, pelo não julgamento, a saber muito mais, a ver bem mais fundo, e compreender bem mais amplamente; posto que é na ausência de juízo temerário (que é todo juízo humano que sentencie um outro aos olhos de Deus, ou que pretenda definir e congelar para sempre uma alma do próximo), que o amor encontra o seu ambiente; e, sem dúvida, nada aumenta mais a percepção humana que o amor.

Assim, quanto menos se sabe, vê e compreende, mais se julga, mais se condena, mais se executa; e quanto mais se sabe, vê e compreende, menos se julga, menos se condena, e jamais se executa ninguém.

Esse que não julga a outros, julga-se a si mesmo. Entretanto, conforme seu próprio juízo, deve viver sua própria vida, sem se submeter a juízos farisaicos, e, nem tampouco, deve deixar de respeitar a fraqueza de consciências mais fracas.

Ora, tal princípio vai das camadas psicológicas mais obvias às realidades espirituais mais elevadas.

No entanto, admitir que nosso julgamento de outros é apenas a nossa própria visão de nós mesmos e de nosso mundo mais que particular, cria uma definição acerca da “teoria do conhecimento”; ou seja; determina um valor de natureza cognitiva.

Assim, quando as pessoas me perguntam se creio que existe inferno, se creio em sua eternidade, se sei o que é eternidade, se acredito no Tribunal de Cristo como um Lugar, se o Milênio do Apocalipse é de mil anos, e coisas do gênero…-, minha situação fica muito difícil; pois, de fato, creio em inferno, em sua eternidade, no tribunal de Cristo, e em todas as demais coisas que estão afirmadas nas Escrituras.

Todavia, como só vejo, sei, e compreendo a partir de mim mesmo, e como não creio no letrismo da Escritura, mas sim em seu espírito, que é o que produz vida - conforme sou ensinado por Jesus -, então, ao ser indagado se creio em tais coisas, digo que sim. Mas quando sou chamado a explicá-las, além de não poder fazê-lo - o que posso é intuir -, ainda assim, na maioria das vezes, não me faço perceber por grande parte das pessoas.

E por quê? Ora, é que cada um só compreende a partir de si mesmo também. Nesse caso, quando a alma se dilatou pela compreensão que vem do amor (que é feita de pura intuição), então, mesmo sem compreender para poder explicar, tal pessoa discerne para si o que é.

Ora, nesse caso, muitas vezes, tal pessoa ouve muitas coisas que supostamente vêm das Escrituras - só que sempre como letra morta e parada, feita de dogmas e doutrinas -, e, sem saber dizer o porquê, no fundo do coração, não consegue crer naquilo que se diz que ela precisa confessar com a boca para ser crente mesmo.

É algo parecido com “crente” cantando “Pátria amada, idolatrada, salve, salve!”. Canta, mas não crê!

Ora, estou dizendo isto porque creio que os sistemas de julgamento e de compreensão que cada indivíduo possui em relação a si mesmo, e projeta nos outros, também se aplica a tudo o mais; incluindo a “compreensão coletiva” de uma determinada geração.

Exemplo: numa cristandade que fez a eternidade ser apenas um Tempo Sem Fim, o inferno é um tormento num tempo sem fim; e como Tempo demanda Espaço, então, logicamente, o inferno tem que ser um Lugar.

Ora, se se é letrista, então, se lê na Escritura algo sobre “aquele lugar”; ou: “Botou uns à direita e outros à esquerda”; ou: “Este lugar de tormento”; ou: “Manda que embeba uma esponja em água e me molhe a língua (no inferno)”-; então, imediatamente, ao se ler coisas desse tipo, se diz que qualquer um que diga crer no inferno, mas que não creia que ele é um “lugar”-como são os lugares, feitos de tempo e espaço-; que diga crer em eternidade, mas não como um “Tempo Sem Fim”-; esse logo é imediatamente rebaixado à condição de “herege”, um relativizador da Escritura, um falso profeta.

Eu creio na existência do Inferno e de muitos outros infernos. Eu creio no Dia do Juízo e creio que todos os dias são de juízo; sendo que há uns maiores.

Eu creio que Jesus voltará, embora creia que todos os dias Ele esteja voltando.

Eu creio no Arrebatamento dos Santos, embora creia que todos os dias muitos santos são levados.

Eu creio no Céu e nos céus; na Morada e nas muitas moradas; no Galardão, mas também creio na “pedrinha branca”.

Porém, para mim, o inferno só é tempo-quase-sem-fim, na Terra; onde existe tempo e espaço, e onde o agravo da culpa, da dor, do remorso ou da vergonha “fazem” o tempo não ter fim, e “fazem” com que a própria Terra seja insuficiente para que essa pessoa se esconda da vergonha e do juízo.

Ora, há pessoas que não saem desse inferno “até que paguem o último centavo”.

No entanto, pela própria natureza e significado do que é eterno, não creio no inferno como um lugar.

Se é lugar, é no tempo. Se é eterno, é no não-tempo.

A eternidade não é a longevidade do tempo, mas sim a sua inexistência. E como creio na eternidade, creio que o Inferno é algo que acontece no não-tempo; sendo, portanto, de natureza dimensional e existencial.

Assim, do ponto de vista do Tempo, o Inferno como tempo, inexiste. Porém, do ponto de vista da eternidade, esse julgamento é feito de “Momento-é”: que é aquilo que chama todas as coisas à existência e as expõe à verdade; e, assim, a consciência é queimada pelo juízo eterno como verdade; mesmo que no tempo não se tenha nem mesmo uma medida que seja menos que quântica para medir tal realidade ou lapso eterno.

No entanto, sinceramente, dado ao eterno fato de que o Cordeiro se imolou pela criação antes da fundação do mundo, eu creio que uma pessoa só passa a existir em estado-eterno-de-inferno se o desejar. Do contrário, nele não ficará nada além da eternidade do Momento-é.

(Veja que até para escrever isto aqui eu só consigo falar no não-tempo com categorias de tempo; daí eu ter dito: “…nele não ficará nada ‘além’ da eternidade do Momento-é.” Ora, “além” é sempre em relação a algo espaço-temporal, portanto, inadequado para descrever o não-tempo).

No entanto, assim como o Diabo, existem seres que odeiam de verdade o amor. Não sei explicar como isso é possível. Para mim é mistério. No entanto, tais seres optam por provar o inferno; e ao fazerem, desejam ficar nele como estado-existencial. Então, como espíritos, se demonizam; não havendo mais distinção entre eles e os demônios.

Também em razão de que o Cordeiro foi imolado antes da fundação do mundo, e, também, considerando que Paulo declara que o ponto Omega de todas as coisas será quando Deus, em Cristo, reconciliar todas as coisas com Ele mesmo, quer nos céus, quer sobre a terra-eu creio que haverá um “dia” (termo espaço-temporal e inapropriado) no qual todos, todas as criaturas conscientes, de todas as criações e de todas as dimensões e formas de existência, se reconciliarão com Ele.

Também creio que se houver “irreconciliáveis”, a mesma Voz que chamou todas as coisas à existência, agora, chamará essas poucas coisas à inexistência. Esta é a Segunda e Última morte.

No fim-começo-eterno, todos os Universos e Cosmos, e todas as Dimensões e formas de existência, cantarão um único cântico em todo o Ambiente de suas existências, na presença solene Daquele que é, que era, e há de vir; e dirão:

“Digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor.”

Então veremos e ouviremos que toda criatura que há no céu e sobre a terra, debaixo da terra e sobre o mar, e tudo o que neles há, estará dizendo:

“Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos. E os quatro seres viventes responderão: Amém! Também os Anciãos prostrar-se-ão e adorarão.”
Ora, quando se diz “todas as coisas” ou “todas as criaturas”, é exatamente isto que se está dizendo. E como adoração e louvor são condições do amor, logo seria de se supor que todas as criaturas se reconciliarão com Ele; ou que havendo quem não queira, esse mesmo pela sua não-vontade de ser em Deus, na mesma hora deixe de ser; ou seja: de existir.

A eternidade como comunhão eterna será feita apenas das consciências que se unirem à vontade de Deus. Então, no incomensurável e irreferível Templo Sem Santuários, no qual existem todas as existências, tudo dirá apenas “Glória”; pois a luz do Cordeiro os iluminará eternamente.

Tudo isto só terminará assim porque começou assim, visto que o Alfa e o Omega são Um. Desse modo é que o Cordeiro-Alfa é exatamente Aquele que aparece como Cordeiro-Omega.

Jesus é a síntese do Alfa e do Omega!

Tudo começou com a Cruz. Tudo se Consuma na Cruz. E a consumação de todas as coisas é a Cruz.

A Cruz da Eternidade se fez Cruz na História. E a Cruz da História é a Cruz da Eternidade. Na Cruz, tempo e espaço fazem seu único vértice com o Eterno.

É por causa da Cruz Eterna que tudo já Está Feito ainda que nada tenha acabado!

Ora, tudo o que disse acima foi aquilo no que cri desde menino na fé; e, para tanto, tomo o Presbitério de Manaus e meu próprio pai como testemunhas, visto que esse foi o tema de minha tese de ordenação quando ainda era apenas uma criança pregando.

Digo isto porque os “maldosos” podem dizer que isso tem a ver com “conclusões recentes e circunstanciais”, talvez em razão de que creiam que nos últimos anos eu tenha precisado mais da Graça de Deus do que antes, ou, quem sabe, do que eles precisam.

No entanto, evangelizei, preguei, exortei, ensinei, gritei em estádios, anunciei em praças, falei na televisão, nos rádios, nos jornais, nas revistas, nos livros, nas fitas de mensagens, etc…; e, sobretudo, cara-a-cara, no dia a dia, igual a carro velho, que onde pára, prega-sempre levando na alma e na fé exatamente estes conteúdos que aqui expresso com toda simplicidade.

Meu ânimo para pregar a Boa Nova sempre veio dessa Fonte. Ou seja: é a Promessa da Vida o que me motiva a pregar o Evangelho, e não a realidade do inferno. Afinal, de inferno todo mundo entende, posto que nele muitas vezes se vive. Mas de Céu e Graça, de Vida e Eternidade, pouco gente na Terra discerniu o significado; posto que este é apenas concedido por revelação.

Mas como me farei entender por alguém para quem a eternidade é apenas um “tempão imensurável”? Já esbarramos em problemas de natureza de juízo e percepção desde o início. Só uma revelação os fará perceber e discernir o que digo; posto que aqui não descreio de nada, mas quebro muitos paradigmas e arquétipos de “crenças” a meu ver vestidas pelo espírito do ódio, e não do amor de Deus.

Para mim, todavia, tudo isto é secundário, pois, de fato, a única Verdade é Cristo; o resto é discussão sobre o tema; todas fundadas em nossos próprios juízos morais e em nossos próprios dogmas ou limitações interiores.

O que me aflige e sempre afligiu, foi e é a percepção de que os crentes querem e precisam que o inferno seja como eles dizem; e que para lá vá gente diferente deles; pois, para eles, seria uma perversidade terem feito os “sacrifícios de abstinências” que fizeram (como os do Irmão mais Velho do Filho Pródigo da Parábola de Jesus), para, então, descobrirem que a misericórdia triunfa sobre o juízo em qualquer Instância, ou Era ou Aeon da existência.

Ora essa necessidade compulsiva que muitos cristãos têm do inferno como estimulo à vida com Deus na Terra, apenas demonstra a falta de amor por Deus, por parte de todo aquele que serve a Deus por medo. E esse desejo cristão de que “assim seja para toda gente diferente”, é a coisa mais anticristã que se poderia esperar de um ser genuinamente cristão.

Sim, isto porque há pessoas que odiariam a Deus se Ele acabasse com o Inferno. Nesse caso, o Inferno teria que ser outra vez recriado para abrigar esses amantes da danação.

Foi por essa razão que Jesus disse aos cães raivosos de dentro: “Muitos virão… (do norte, do sul, do leste e do oeste), mas vocês ficarão de fora!”

A maior certeza de condenação ao inferno deve ter todo aquele que não quer entrar na festa do Perdão. Esse, ficará de fora; e viverá de seu próprio ódio.

O “choro e ranger de dentes” são raivosos, não arrependidos; pois, eu lhes digo: Não importa qual seja o estado ou dimensão, onde quer que uma consciência se ascenda em arrependimento e compreensão do amor de Deus, daí tal pessoa sairá; e entrará na Festa; pois Deus é Pai e é amor.

Assim, o dogma da Graça é amor, e o dogma do Juízo é ódio.

Não adianta: no fim, todo o Evangelho é acerca disso!

Ora, isto, eu creio, só não entende aquele a quem o príncipe deste mundo tiver cegado o entendimento. Pois onde o amor de Deus se instalou, mesmo quem não sabe explicar, sabe, todavia, que é assim.

Prego a Boa Nova porque é uma ordem, mas, sobretudo, porque é um privilégio, visto que por ela me torno embaixador de paz, da parte de Deus, anunciando ao mundo que o Império das Trevas está vencido na Cruz, e que todo aquele que crer nisto, é transportado imediatamente para o reino do amor de Deus, no qual temos redenção, a remissão dos pecados.

Prego a Boa Nova porque desejo ver meu semelhante livre do pavor da morte e da escravidão ao diabo e ao curso deste mundo, os quais mantêm a existência na escuridão do significado da vida.

Prego a Boa Nova porque sei que com Deus tudo é melhor; até a dor; até a perda; até a angústia; até a morte; posto que somos doídos, mas não vencidos; sentimos perdas, mas jamais perdemos; provamos angústia, mas nunca sem a pulsão de uma esperança essencial.

Prego a Boa Nova porque sei que existem milhões, bilhões de almas humanas que intuitivamente concordam com Ele; as quais, já foram preparadas em suas consciências para recebê-lo, cumprindo a mim carregar o privilégio apenas histórico de ajudar a acender essa chama.

Prego a Boa Nova porque Deus preferiu que eu a pregasse, e não o próprio Arcanjo Gabriel.

Coisa de Deus! Vai Explicar?
Nele,

Caio

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OS DONS ESPIRITUAIS!

julho 17th, 2008

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From: OS DONS ESPIRITUAIS!

To: contato@caiofabio.com

Sent: Friday, July 11, 2008 2:50 PM

Subject: Caio Fábio: Você é Culpado!

Fui místico, esotérico, maconheiro e leitor assíduo de Buda, Alan kardec, Maomé, Ghandi e Francisco Xavier, etc…

Conheci Jesus, a exata expressão do amor de Deus e nasci de novo há 13 anos.

Cultivando o hábito da leitura, apaixonei-me pela Teologia Reformada, onde mergulhei de cabeça em suas diretrizes, mas por culpa sua, e estou muito feliz por isso, mudei a minha posição a respeito dos dons espirituais após ler um livro antigo de capa azul chamado “O Espírito Santo: Deus Que Vive em Nós”, onde você consegue expor de forma belíssima o texto de uma Cor 13: 8-10, onde a chegada do que é perfeito não se traduz pela chegada do Cânon e sim por Cristo sua 2ª vinda e o estado glorioso que gozaremos Nele por toda a eternidade.

Gostei também dos relatos a respeito da inibição dos dons entre 300 e 1700 d.C.

Estou muito mais aberto quanto às manifestações dos dons miraculosos e sei que Deus não precisa da autorização dos Teólogos para liberá-los. Li tantos “Teólogos importados” e me esqueci que tenho perto de mim um verdadeiro profeta.

Obrigado!

Cláudio Paiva

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Resposta:

Meu querido Cláudio: Graça e Paz!

Obrigado pelo seu carinho e apreciação do meu livro acima mencionado. Deus o abençoe!

Se sou o culpado de você hoje saber a verdade sobre a contemporaneidade dos dons espirituais [em contraposição à posição reformada legalista quando ao tema], gostaria agora de ser culpado de outra coisa: o seu equilíbrio espiritual em relação aos carismas!

Sim! Pois não basta crer na contemporaneidade dos dons espirituais, é preciso, mais do que nunca, ter o discernimento para exercê-los conforme a Palavra; ou seja: conforme as instruções de Paulo acerca do usa comunitário de tais dons, e, também, de acordo com o bom senso preconizado no espírito do Evangelho acerca de tudo.

Jesus é o modelo para tudo!

Desse modo, pratico os dons espirituais e ensino a sua prática, apenas conforme Jesus e as instruções comunitárias e Paulo.

O que Jesus fazia em público eu faço também. O que Ele não fazia, eu não faço.

E mais: sou completamente obtuso quanto a não abrir-me para qualquer pratica “carismática” que não seja como aquelas ensinadas no Novo Testamento.

Assim, abra-se apenas para a Palavra. E jamais deixe que “experiências” venham a dar a você a falsa impressão de que você, por ter provado, já não precisa mais da orientação da Palavra para a prática, visto que, poderia você pensar, muitos irmãos “abençoados” com dons os praticam de modo livre e sem parâmetros bíblicos, e Deus parece abençoá-los.

Por isto, jamais pude ser completamente nada. Sim! Nunca pude ser completamente Reformado, nem Pentecostal, nem Liberal, nem Ortodoxo, nem qualquer outra designação.

E por quê?

Ora, é que o Evangelho é maior do que essas doutrinas, as quais carregam apenas fragmentos da verdade, mas que em tais grupos foram absolutizados [os fragmentos] como se fossem a coisa toda; o que fez e faz com que a mente de tais aderentes se torne tão pequena quanto o fragmento da verdade por eles cultuado como verdade toda.

Assim, quero ser culpado de você crer em toda a Palavra, e não apenas em fragmentos dela.

E mais: quero ser culpado de você se tornar uma pessoa indefinível pela religião e seu subgrupos fanáticos.

De fato, se alguém deseja andar apenas como Jesus mandou, tal pessoa não ficará em casa em lugar religioso algum, pois, a religião é feita de pedaços sistematizados da verdade, e não dela toda.

Desse modo, se disfarçado, Jesus não seria aceito em grupo algum.

Sim! Jesus seria estreito demais para os liberais; aberto demais para os ortodoxos; equilibrado demais para os Pentecostais; sensato e generoso demais para os Neo-pentecostais; crente demais para os teólogos; inocente demais para os da política eclesiástica; simples demais para os “evangélicos da prosperidade”; e muito politicamente incorreto para os da diplomacia religiosa, os ecumênicos.

Enfim…

Creio que aquele meu livro, que hoje está esgotado, seria mais útil hoje, em meio a tanta confusão, do que jamais foi no passado, embora ele, o livro, tenha feito muita diferença quando foi lançado, e, por tal razão, equilibrou muita gente em relação ao tema “carismático”.

Receba meu carinho!

Nele, que concedeu dons aos homens e que deu homens como dons ao Seu povo,

Caio

14 de julho de 2008

Lago Norte

Brasília

DF

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From: ESTOU SENDO PRESSIONADO A “DISCIPLINAR” AS PESSOAS
To: contato@caiofabio.com
Sent: Tuesday, March 27, 2007 5:07 PM
Caio, Como é a prática da disciplina conforme a tua visão? Pergunto isto porque sou pastor numa igreja histórica , e enquanto busco amar, acolher, aconselhar, ajudar e fazer valer o amor de Cristo (estou buscando caminhar neste amor), a pressão que muitos fazem é para que eu “elimine”. Não sei até quando vou agüentar… Sei que ainda estou lá para preservar a fé e a chama do amor de alguns, especialmente dos mais novos na fé. E então querido pastor, o que você me diria?

Um abraço carinhoso.

Samuel Andrade. ________________________________________ Resposta: Querido Samuel: Graça e Paz! Primeiramente peço a você que leia o site, posto que lá há muita coisa sobre o tema. Vá em ” Busca ” (caso não deseje ler nas Cartas), e procure por Disciplina e palavras correlatas, e você achará o que procura. A segunda coisa que desejo dizer é que não quero falar de disciplina, mas de você. Sobre disciplina, entre no site e leia. Você disse três coisas que me chamaram atenção: 1. A pressão sobre você para que discipline. 2. O seu medo de não agüentar a pressão. 3. Seu amor confessado pelo que estão crendo. Assim, digo a você: Solução de problemas e culpas para os fariseus, é pedrada, é disciplina ao estilo apedrejamento. Eles não buscam saúde, mas sim dar o exemplo de punição. Eles não querem saber como está a pessoa, pois, as pessoas só importam para eles enquanto não dão problema; ou quando dão problema. No 1º caso as pessoas estão ótimas pelo simples fato de não terem ou trazerem problemas morais para a “igreja”. Já no segundo caso elas ficam ‘ótimas’ para a “igreja” por já terem sido afastadas . Assim, também já não dão problema. A solução para o crente na igreja dos fariseus é simples: ou fica sem problemas ou é afastado. Fariseu resolve problema matando a pessoa que o cria. São nazistas nesse sentido. Assim, disciplina de fariseu é como a “Solução Final” de Hitler. “Eliminar” é a solução para manter a pureza ariana do grupo de eleitos para a maldade silenciosa e moralmente calçada. A disciplina da “igreja” é quase sempre totalmente diabólica. Agem como braços do inferno em relação aos irmãos. Assim, quando a “igreja” disciplina, o diabo descansa grato à sua serva. Qual é a pressão? Dizem que os jovens estão usando piercing, tatuagens, brincos, roupas diferentes, ou vão aos cultos de bermuda. Dizem que eles “ficam” ou que transam quando namoram. Dizem que eles são insubordinados por acharem o pastor estranho e os líderes caretas e não confiáveis. Dizem que somente muita disciplina e exemplo coletivo de como são tratados os diferentes deles, é que pode manter a “pureza da igreja”. Dizem que é via a humilhação que se pode manter todos sob o medo, e, assim, pensam que domesticam as pessoas. No fim eles geram aquilo que chamo de ” geração de santarados “. Meu irmão, mande tudo e todos às favas, mas jamais tenha no coração a instrução deles! Faça como pastor apenas aquilo que o Espírito, pela Palavra, convencer você que verdadeiro. O mais, rejeite como quem rejeita um vômito. Não transija. Não faça a vontade dos caprichos que são fruto do desamor. Não venda a sua alma por nenhum repasto dos ” filhos de Esaú “. Resista-os firme na fé! Se eles o expulsarem, leve sobre você a Glória de Deus. Você será bem-aventurado. Faça do Evangelho seu tudo; e, assim, tudo o que não for Evangelho não é nem mesmo para você cogitar. Faça assim e você será feliz. Faça como eles querem e você jamais conhecerá o amor de Deus. É o que tenho a lhe dizer com todo amor!
Nele , que disciplina para aproveitamento os filhos aos quais Ele ama,
Caio
31/03/07
Lago Norte Brasília

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CARTA AO SR. REV. CAIO FÁBIO
A paz do Senhor Jesus Cristo seja contigo Rev. Caio! Venho por meio desta conversar com o sr.; ou talvez seja apenas um desabafo; ou talves seja uma confissão… Sei lá… Mas sei que o sr. vai entender. Algumas coisas que vou lhe falar são das profundezas da minha alma, por isso peço ao sr. que me oriente a respeito de algumas delas. Espero em Deus que um dia virei a ser seu amigo, não pela pessoa pública que o sr. é, mas pelo prazer da amizade de alma. No decorrer desta carta o sr. vai entender que não estou sendo hipócrita, pelo menos estou tentando não ser. Sou pastor, tenho 31 anos, me converti 03 de novembro 1994, a 11 anos atrás, numa das maiores “Igreja” Pentecostais” do Brasil. No começo era tudo mais ou menos. Imagine: mais ou menos já no começo… Eu logo de cara comecei a absorver tudo o que me ensinavam: não pode usar chorte, nem cabelo cumprido, nem assistir televisão, nem jogar bola, nem fazer esporte, nem beijar na boca, nem isso, nem aquilo… E a lista é bem maior ainda. Bom, tudo ia se indo… Logo eu já era conhecido por ser fiel a “doutrina”, e todos me diziam: “Você está indo muito bem”; e, Rev. Caio, eu estava fazendo de coração, como se realmente Jesus gostasse de tudo aquilo. Era o que pensava eu pelo menos. Já se haviam passado 3 anos e eu não tinha recebido o batismo no Espírito Santo ainda. O sr. está entendendo? Eu faço tudo que me mandam e eu não recebo o batismo com fago; e isso em uma “igreja pentecostal”!? Então comecei a me angustiar e a fazer um monte de perguntas aos meus líderes na época. Nesse tempo, eu já pregava, embora não falasse “línguas estranhas”, mas Deus tinha me dado o dom da palavra. Na minha primeira mensagem, preguei mais de 45 minutos, sem esboço; e todos diziam: “Isso é um milagre!” - e eu realmente notava que o Senhor me dava muito conteúdo nas mensagens. Neste ministério “DEA”, não sei se o sr. sabe disso, mais os pregadores são completamente relaxados com tudo o que o sr. imaginar em relação a mensagens. Não lêem a Bíblia, só no púlpito; e ficam apedrejando o povo; são tendenciosos, ficam escolhendo versículos isolados para jogar no povo… Para o senhor ter uma idéia, há alguns poucos anos, eu adquiri um livro cujo tema é “Palestras em Teologia Sistemática” de um escritor batista, e quando mostrava a alguém ou a algum pregador, em quase todas as cidades onde ia, nenhum deles sabia o que era “aquilo” diziam eles. Até os mais “inspirados e espirituais” não haviam nem ouvido falar no assunto. A moda era abrir a Bíblia em qualquer lugar e tentar “interpretar” tudo na hora do culto. Eu já ouvi cada besteira tão grande que até o sr., com a experiência que tem, ficaria escandalizado. Então perguntava angustiado para os líderes por que eu não recebia o batismo com fogo; e eles me diziam que “era por que eu não tinha fé para ser batizado”. Aí eu entrava em pânico… “como assim? não tenho fé, eu cumpro a cadeia de ‘atividades’ da igreja, faço tudo que me mandam, como assim não tenho fé?” O sr. não imagina como me eu me encontrava, totalmente frustrado, um pregador pentecostal que não era batizado pelo Espírito Santo? Que derrota! Então eu fui estudar a Palavra. Nessa época comecei a fazer estudos indutivos, me afundei em teologia sistemática, devocionais, estudos em ggeral; até os originais fui aprender a fim de acabar com aquele buraco que havia dentro de mim; pois eu me sentia mentiroso. Afinal, eu era, como diziam alguns, “um pregador sem línguas dos anjos”; e isto me fazia sentir horrível, com vontade de largar tudo. Nessa época, pela misericórdia de Deus que é grande, pra me consolar, Deus começou a me usar para pregar mensagens com conteúdo e profundidade, o que eles nunca haviam visto ainda; digo para glória de Deus! Pastores de outros ministérios vinham com seus membros nos dias que eu ia pregar. Mas isso não me deslumbrava em si. O que me chamava atenção é que parecia que eu era um pregador convidado, pois o meu coração já não estava mais ali; contudo eu amava as pessoas e era por causa delas que estudava a Bíblia. Nem era por minha causa mais. Eu me sentia desprezado por Deus ao mesmo tempo… não sei explicar direito. Nessa mesma época estava em uma livraria evangélica, quando olhei e vi um livro que me chamou a atenção: “Esboços de A a Z”; o sr. já ouviu falar reverendo? Quando comecei a folhar, pensei: “Que livro é este, com tanto esboço maravilhoso?”; e eu notei que aqueles esboços não eram aqueles esboços bobos, do tipo óbvio; então comecei a pregar compulsivamente aqueles esboços; e me apaixonei pelos esboços. E alguns diziam: “Ele é o Apóstolo da Palavra” - querendo me arrebatar para me fazer rei. Mas eu sentia que havia algo muito errado em meu coração. Eu não conseguia me desvencilhar das “coisas da igreja”. O legalismo, que conheço hoje, mas não conhecia na época, transformara este ministério em um cemitério espiritual. O povo é perseguidor, idolatra o sr. Missionário, julgam as pessoas, mentem descaradamente, os obreiros são arrogantes como se fossem donos da verdade, têm todas as características do farisaísmo e mais um pouco… Inventam coisas e dizem “que Deus mandou dizer”. É um horror!… e eu comecei a ver isso e pensar: “Meu Deus, o que estou fazendo aqui?” Mas eu já começava a lutar contra isso. Teve um dia que depois que havia acabado de pregar e ia saindo do altar, alguém disse: “O ‘fulano’ (eu) é liberal; não prega a doutrina” - e eu olhei para ele e perguntei: “O que é a doutrina?” E ele ficou confuso, e enquanto tentava formular algum sofisma, eu lhe disse: “Leia Gálatas capítulos 2,3,4 e fique triste com Paulo, pois a lei não pode salvar”; e ele me disse: “E os costumes?” Eu lhe disse: “Cada povo tem o seu e eles não podem salvar. Cabelo cumprido e saião, sem Jesus não adianta”. Isso para mim era loucura. Eu acabara de “despregar” o que pregava antes de ser iluminado. Mas não importava. Eu estava alegre e não sabia explicar o que era; e iria continuar minha “reforma particular”; iria pregar as 95 teses ou 105 ou 80 ou o que me viesse à mente, no meu coração, mesmo tendo vontade de pregar na porta da “DEA”. Parei de pregar coisas que não tinham cunho Bíblico e fui batizado com o Espírito Santo e com fogo. Aí confirmou a verdade para mim: eu andava longe da graça e perto da “lei”. Estou resumindo para o sr. entender melhor. Logo depois disso comecei a me saber salvo não pelas obras, mas pela graça; e comecei a pregar sobre isso também. No inicio com um pouco de dificuldade por ter vivido na lei e agora estar vendo tudo com outros olhos. Tudo me era novo, como se tivesse me convertido de fato. Foi estranho e ao mesmo tempo fantástico. Passei muita perseguição dos obreiros. Diziam que estava ‘teologizado’, o que era mentira, porque a teologia só me foi um escape para solidão espiritual; mas acabou levando a fama de tudo. O ministério me perseguiu me tentando por para fora, mas como não tinham respaldo para me lançar fora, inventavam coisas a meu respeito… A inveja chegou ao ponto que, nos dias em que eu ia pregar, alguns obreiros ligavam para os membros e diziam para eles não irem no culto, que ia ter aniversário de alguém aqui e ali… Ora, eles mesmos pregavam que quem deixava de ir a igreja para ir a aniversário estava em pecado; estranho não? Mas o povo estava comigo. Era tanta gente que eu não sabia de onde vinham… E eu pregava para arrancar a tampa do bueiro. Pregava com tanta sede, que os demônios se manifestavam no corpo das pessoas na hora da palavra. O povo estava alegre porque eles já tinham notado que havia algo errado lá, mas ninguém perguntava ou somente se conformava: era normal. As pessoas falavam “que era frieza”, mas todo mundo era igual… Então quando comecei a pregar sobre Graça, era como eu estivesse respondendo a uma pergunta que estava subentendida, mas não havia sido feita publicamente. Bom, pastor Caio, agora quero te falar o que aconteceu comigo nestas últimas duas semanas, e por isso quero orientação… Sei que o sr. pode me orientar… Eu ainda congrego nesta “igreja”, não sei como ainda, mas o fato que estou lá, e sou o pastor. Foi um escândalo! Eu, separado para ser pastor deles, e não pregar os costumes! E isso no meio de obreiros bem mais antigos e que pregavam os costumes sem parar. Ninguém entendeu nada. Eles ficaram roxos de raiva. A congregação tem muitos membros e eu os amo. Por isto insisto que ninguém tem que ser “cão de guarda” para ir ao céu. Mas a minha vida mudou de novo e o sr. está no meio. Eu tenho um amigo que também é irmão na fé, e eu participei da sua conversão. Ele se formou bacharel em teologia pela A.D. Ele também tem a mesma opinião sobre as “igrejas”; e quando nós estamos meio “deprê” por causa da situação das “igreja” que o sr. inteligentemente chama de doença, nós nos reunimos, e começamos a dizer um monte de coisas, algumas tem coerência, outras é só para divertir; e ele me diz: “Estou com raiva da bléia;… não agüento mais…”; e diz ainda: “É, mano, acho que vamos acabar juntos em algum canto por aí”; e eu digo: “Vamos partir para uma Reforma”; e damos risadas com a situação. Pastor Caio, o sr. não vai acreditar. Na semana do Natal estive na casa dele e enquanto conversávamos algo aconteceu. Eu queria a “igreja certa” e estava angustiado; e o pior: estava indagando a Deus, e eu dizia: “Deus, nesta igreja que estou, não dá pra ganhar almas, as pessoas vem na frente, levantam a mão, mas não ficam!” Eu queria a igreja certa, pensei em ir para essa ou aquela, mas parecia que Deus queria falar comigo alguma coisa; e eu precisa me tornar sensível ao Espírito para entender; era como se Deus não quisesse que eu saísse, mas também não quisesse que eu ficasse. Enquanto conversava com meu amigo, olhei e vi um livro. Estava escrito “Confissões do Pastor”. O sr. já ouviu falar deste livro? Pedi emprestado; e ele me disse: “Toma cuidado que não tem mais nas livrarias, quem tem, tem; quem não tem, perdeu!”; e eu comecei a lê-lo compulsivamente… Em dois dias já tinha lido-o todo; e fiquei como que em transe ante o que eu acabara de ler; e pensei: “Meu Deus, nós não precisamos mais das ‘igrejas’ certas, não precisamos nem de “igrejas!”" Aquilo entrou em mim com uma força tão grande que minha esposa (30 anos) me perguntava: “O quê está acontecendo? Você está estranho!”; e eu lhe disse: “Acabei de descobrir o inferno”; e ela disse: “Você teve uma visão do inferno?”; e eu disse: “Não! O inferno é o sistema chamado cristianismo!” E ela ficou assustada comigo pensando que eu estava desviado ou desviando da fé, sem saber que eu acabara de descobrir que nós já estivéramos desviados, não da “Igreja”, mas da Graça de Deus. Mas não quis assustá-la. Ela não entenderia naquele momento. Tudo isso aconteceu nestas últimas duas semanas. Havia um problema entre mim e minha esposa, que era o seguinte: Eu dizia para ela que ela tinha quer ir a igreja mesmo sem vontade, para ajudar meu ministério pessoal, se não, eu não poderia pregar mais… Veja que absurdo, pr. Caio! Mas ela não tinha mais vontade de ir à igreja que eu estava pastoreando, não por minha causa mas por que ela já tinha visto que a “igreja” era um sistema mau e injusto. Ela já estava escandalizada porque um presbítero fiel a igreja, 29 anos trabalhando sem folga, foi colocado na rua porque não cumpriu a meta financeira da igreja. Colocado na rua mesmo. Quem o acolheu foram os “ímpios” da rua. Quando li “Confissões do Pastor” me senti imundo e sujo e vi como eu era hipócrita ainda. Cheguei para minha esposa e falei: “Me desculpa, eu errei com você. Você não precisa ir para igreja ajudar meu ministério pessoal, eu não tenho um ministério pessoal. Vá à igreja quando quiser ver os irmãos, orar, glorificar, se alegrar, caso contrario, você não precisa dela”. Ela começou a chorar e dizer que estava feliz; e nos abraçamos; e ela disse: “Eu orava para Deus te iluminar; afinal, você é servo Dele.” Então, esta semana, segunda feira, corri para o seu site e li até a conta ficar bem alta. Li sobre “O Caminho e o Clube” e chorei; li “Quando o Evangelho Virou Cristianismo”, e chorei de novo. Está resolvido. Deus usou o sr. e me abençoou. Não preciso da “Igreja Certa”, nem da “Igreja Institucionalizada”; só preciso de Jesus na minha vida, no meu coração e ganhar os de fora, não para sair de fora, mas ficar lá fora, ganhando outros de fora, para ficar lá fora, ganhando outros de fora… Ontem, terça-feira, foi o culto de doutrina; e eu preguei “A Diferença entre O Clube dos Santões e o Caminho da Graça”; preguei com tanta sede que alguns disseram que viam faíscas sair da minha boca. Eu não vi nada, só via as estatuas quebrando dentro dos corações. Pr. Caio, não o conheço pessoalmente ainda, mas te amo. Obrigado! Estou chorando de novo. Um dia vou convidar o meu amigo e iremos ao Caminho da Graça, estar com o sr. e falar sobre Jesus. Se o ministério que congrego me aceitar assim, tá bom. Se quiser me expulsar, é um favor que me fazem. Vou continuar pregando que “A minha graça te basta…” Quero que o sr. me diga algo agora. Estou sentando com meu amigo para começarmos um projeto novo, sem cara de “mais uma igreja”. Iremos aos templos fazer seminários de Bíblia pura. O que o sr. acha? O sr. já me ajudou muito em Cristo. Acho que foi mais porque eu queria que o sr. soubesse que escrevi. Se não escrevesse, sentiria que estaria roubando o direto do sr. glorificar ao Senhor Jesus como eu agora o glorifico. Ainda vamos nos ver! Paz e Vida Abundante! ________________________________ Amado amigo e mano no Reino: Graça e Paz! Que linda a sua carta! Sim, sei bastante acerca de sua denominação em razão de já ter sido presidente da Associação Evangélica Brasileira, conforme você leu no “Confissões”. Ora, em razão do cargo, tive que estabelecer contato com todo mundo, de A a Z, incluindo o grupo ao qual você um dia de coração pertenceu… e hoje apenas freqüenta. Sua história me alegra e me faz bem por várias razões: 1. O Espírito sopra onde quer. E é isto que tenho crido, orado e aqui declarado; ou seja: que o Espírito vai fazer chover graça de entendimento até durante a noite; e muitos dos sinceros na “igreja” haverão de se converter ao Evangelho, assim como aconteceu com você. Sim, da “igreja”, pastor, pregador carismático, porém ainda não convertido à consciência da Graça, que é o próprio Evangelho. Isto porque, para mim, o grande acontecimento dos próximos anos será um grande movimento de conversão de cristãos ao Evangelho. 2. As noites se abrirão em sonhos e os dias em visões, e, assim, de súbito, do dia para a noite, um exército de discípulos do amor de Deus haverá de se erguer sobre a terra, sem bandeira, sem líder, sem dono, sem cabeça e nem cauda; mas apenas como Corpo de Cristo, onde Ele é o Cabeça. Quanto ao mais, eis minhas sugestões: 1. Não saia logo pregando o que você está lendo. Deixe tudo entrar e ser decantado em seu peito. Leva tempo para virar um entendimento espiritual mais profundo do que apenas intelectual. Assim, leia a Palavra e leia o site. A Palavra você lerá cada vez com mais entendimento; e o site o instruirá com muitas ajudas simples de percepção. Mergulhe nele, pois, aqui neste espaço virtual, há o germe de uma revolução de Deus e de Seu Evangelho. 2. Dedique este ano à leitura e à oração acerca de todas essas coisas novas para você. Paulo se recolheu três anos no deserto. Meditar, orar e jejuar, foi o que Jesus fez antes de abrir a boca. Isto pode lhe parecer desestimulante, porém, depois de 32 anos pregando, vendo, sentindo, observando, ouvindo, etc…- se perguntado, como o fui por você, é este um dos mais sábios conselhos que tenho a dar a quem prega algo que ainda lhe é novo. 3. Tente vir com seu amigo ao encontro do Caminho da Graça, este ano, em fevereiro, durante o carnaval, em Brasília. As informações estão no site. Ou, então, escreva para o Marcelo Quintela. Basta achar o e-mail dele, no site, no link “Caminho em Santos”. Ele está mais perto de você e poderá ajuda-lo com todo amor e carinho. Quanto ao mais, tenho a dizer que a batalha ainda nem começou… Muitos se levantarão contra a Palavra da Graça, como quem sente coceira nos ouvidos. E haverão de blasfemar, inventar, maldizer, espernear, ameaçar, criar estórias, etc… Mas ficarão aí; pois, saiba: maior é Aquele que não deixará um certo “evangelho” passar por Evangelho. Porém se ouvirá nos ares o zumbido cortante das intenções deles, que são de morte e não de vida. Leia no link Reflexões o texto “O Caminho da Graça Para Todos”- Partes I e II. Sim, leia e você terá uma idéia rápida e simples do que a Palavra ensina sobre o Povo do Caminho. Receba meu beijo, carinho e orações! Pregue o que tiver raízes em você e onde quer que venham a deixar você falar! Deus vai plantar você onde Ele desejar! Nele, em Quem todo aquele que crê é batizado no Espírito Santo, que é sinônimo de conversão, e é também selo dela; e isto conforme o ensino do Evangelho, Caio

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